Por quatro anos, eu fui a esposa enlutada de um chefão da máfia, afogada na lembrança do nosso filho morto. Meu marido, Elias, me amparou em cada segundo. Mas uma ida ao cartório no aniversário da morte do nosso filho revelou uma verdade avassaladora.
Ele tinha outro filho. Uma família secreta. Pior, descobri que ele estava com a amante no dia em que nosso filho morreu, depois de dispensar os seguranças que poderiam tê-lo salvo. Ele me deixou acreditar que a culpa era minha.
Quando tentei ir embora, ele trouxe a amante e o filho deles para a nossa casa. Ele me pintou como louca. A mãe dele me acusou de machucar o menino, e Elias me puniu trancando-me em um quarto escuro que inundava - um eco cruel do afogamento do nosso filho.
Para "curar" seu novo herdeiro do "fantasma" do meu filho, eles mandaram desenterrar o túmulo do meu bebê. Em um iate, Elias me segurou enquanto sua amante jogava as cinzas no oceano.
Então, eles me deixaram para morrer na água. Quando a maré me levou para a praia, sua amante estava esperando para dar o golpe final, esmagador. Ela não tinha espalhado as cinzas. Ela as jogou na privada e deu descarga.
Eu não queria fugir dele. Eu queria apagá-lo. Encontrei um neurocientista com um procedimento experimental e fiz meu pedido: apague os últimos dez anos. Eu não queria deixar meu marido; eu queria fazer com que ele nunca tivesse existido.
Capítulo 1
Ponto de Vista: Helena
O dia em que fui buscar uma cópia da certidão de óbito do meu filho foi o dia em que descobri que meu marido tinha outro filho.
Quatro anos. Passei quatro anos me afogando em um luto tão profundo que esqueci o ritmo da minha própria respiração. Quatro anos desde que segurei meu filho, Léo.
A ida ao Cartório de Registro Civil era um ritual, uma autoflagelação silenciosa que eu praticava todo ano no aniversário da morte dele. As luzes fluorescentes do prédio do governo zumbiam - um som plano e estéril que era a trilha sonora do vazio dentro de mim.
Deslizei o formulário de solicitação pelo balcão para a atendente, uma mulher com olhos cansados e um crachá que dizia apenas 'Bruna'.
Ela digitou meu nome, depois o do meu marido.
Elias Falcão.
Só o nome já tinha peso. Silenciava ambientes. Era um nome construído sobre os ossos de seus inimigos, o arquiteto de um império do crime que se estendia por São Paulo, escondido sob uma fachada de negócios legítimos. Para o mundo, ele era um titã da indústria. Para quem sabia, ele era o Don da Organização Falcão. Para mim, ele era apenas... Elias. O homem que prometeu me proteger de seu mundo, o pai enlutado que me abraçou enquanto eu me despedaçava.
A testa de Bruna se franziu. "Falcão... certo. Vejo ele aqui." Ela apertou uma tecla. "Ok, então você precisa de uma cópia da certidão do Léo Falcão. Posso fazer isso. Mas o sistema está perguntando se você quer uma cópia para o outro dependente também. Para te poupar outra viagem."
Um gelo não apenas entrou em minhas veias; ele se espalhou, frio e doentio. "Outro... dependente?"
Ela olhava para a tela, alheia. "Sim. Diz aqui que Elias Falcão tem outro filho registrado. Um menino. Caio Soares."
Soares.
O nome não era apenas um nome. Era um fantasma que assombrava as bordas da minha vida por uma década. Kátia Soares. A mulher que tentou invadir meu casamento, seus olhos queimando com uma fome desesperada enquanto observava Elias. A mulher que sempre parecia estar lá, uma sombra no fundo de galas e festas, seu sorriso brilhante demais, afiado demais.
Meu celular vibrou na bolsa. Uma mensagem de Elias.
*Pensando em você, meu amor. Sei que hoje é um dia difícil.*
A hipocrisia era tão profunda que uma risada estrangulada e quebrada ficou presa na minha garganta. Arranquei a impressão da mão de Bruna sem dizer mais nada e caminhei em direção à saída, minhas pernas rígidas como pedra, meu coração um bloco de gelo no peito.
O endereço de Kátia Soares estava no registro. Um sobrado elegante em um bairro nobre. Um bairro que o dinheiro de Elias, sem dúvida, comprou.
Estacionei do outro lado da rua, minhas mãos tremendo no volante. E então eu o vi.
Elias. Meu Elias. O Don. Ele estava na varanda da frente, rindo. Ele ergueu um garotinho no ar, as risadas da criança ecoando na rua silenciosa. Kátia estava na porta, a mão apoiada no braço de Elias, olhando para ele com uma adoração que um dia pensei ser só minha. Uma pequena família perfeita.
Minha família era um túmulo.
Afundei no banco, uma espiã na minha própria vida. As janelas estavam abertas para o ar ameno da tarde. As vozes deles chegaram até mim.
"Você tem que ser mais cuidadoso, Elias," Kátia dizia, sua voz um ronronar baixo. "Ela está mais frágil do que nunca hoje."
"Eu sei," ele disse, sua voz com o mesmo timbre profundo que costumava me acalmar até eu dormir.
"Ainda não consigo acreditar que funcionou," Kátia sussurrou, aproximando-se dele. "Aquela desculpa da viagem de negócios. Você, dispensando seus melhores homens, meu Deus. Tudo para passar a tarde comigo."
O tempo parou.
Aquela desculpa da viagem de negócios. O dia em que Léo morreu. Elias deveria estar em uma reunião. Ele me disse que estava fechando um negócio, que precisava de seus homens de confiança com ele. Ele havia dispensado a equipe de segurança em nossa casa de campo em Angra. Disse que era para ter privacidade. Um fim de semana tranquilo em família.
Mas ele não estava em uma ligação de negócios. Ele estava com ela.
Nosso filho, o herdeiro do império Falcão, tinha se afastado enquanto eu entrei por cinco minutos. Ele escorregou e caiu na água. Se os guardas estivessem lá... se Elias estivesse lá...
Ele me deixou acreditar que a culpa era minha. Por quatro anos, ele me deixou usar essa culpa como uma mortalha, me abraçando enquanto eu chorava, dizendo que superaríamos isso juntos. Ele me viu morrer por dentro, dia após dia, enquanto construía uma nova vida com ela.
Meu luto não era um fardo compartilhado. Era minha prisão. E ele era o carcereiro.
Dirigi até o cemitério, o mundo um borrão de verde e cinza. Ajoelhei-me no túmulo de Léo, a pequena lápide fria sob meus dedos trêmulos.
*Léo Falcão. Amado Filho.*
O amor que eu tinha por Elias, a devoção avassaladora que definiu minha vida adulta, não apenas desapareceu. Ele azedou. Torceu-se em algo frio, sólido e afiado - um diamante de ódio puro e perfeito.
Meu telefone tocou novamente. Não era Elias desta vez. A tela mostrava: Dr. Cássio Lins.
Meu antigo mentor. Um homem de outra vida, uma vida de ciência, laboratórios e fatos quantificáveis. Uma vida antes dos Falcão.
Atendi, minha voz uma coisa crua e quebrada.
"Cássio?"
"Helena? Eu... eu só liguei para saber como você estava. Sei que dia é hoje."
Lágrimas que eu não sabia que ainda tinha começaram a cair. Lágrimas não de luto, mas de pura raiva.
"Eu preciso," engasguei, as palavras rasgando minha alma. "O procedimento. Aquele experimental que você me contou."
Uma pausa do outro lado da linha. "Helena, ainda não chegamos lá. Não está pronto."
"Eu não me importo," sussurrei, meus olhos fixos no nome do meu filho gravado na pedra. "Eu quero esquecer. Eu quero esquecer tudo."
Ponto de Vista: Helena
Minha primeira ligação foi para o advogado da família. O nome dele era Dr. Marcos, um homem cuja lealdade era comprada e paga pela família Falcão.
"Eu quero o divórcio," eu disse, minha voz plana e vazia.
Silêncio. Então, uma tosse nervosa. "Sra. Falcão... Helena. O Elias está ciente disso?"
"Ele vai ficar," respondi e desliguei.
Minha segunda ligação foi para o mordomo-chefe. "Quero todas as fotografias minhas e do meu marido levadas para o jardim. Agora."
Sob a luz fria da lua, eu estava no jardim impecável da nossa cobertura que era minha prisão. A equipe havia empilhado as molduras de ouro e prata em uma pilha alta. Uma década da minha vida: nosso casamento, férias, momentos roubados que agora eu sabia que foram construídos sobre uma base de mentiras.
Encharquei a pilha com fluido de isqueiro. As chamas subiram com um rugido ganancioso, consumindo os rostos sorridentes, derretendo a prata, transformando dez anos de memórias em uma coluna de fumaça preta que manchou o céu noturno.
Salvei apenas as fotos do meu filho, Léo.
Meu celular vibrou. Uma mensagem de Joana.
*Consegui adiantar algumas coisas. Podemos fazer isso antes do que eu pensava. Existe uma saída, Helena. É só dizer.*
Esperança. Era um sentimento estranho, uma faísca frágil na vasta e fria escuridão do meu coração.
O cheiro de fumaça ainda pairava no ar quando Elias chegou em casa. Ele entrou no jardim, seu rosto uma máscara de preocupação. Ele não perguntou o que eu tinha feito. Não precisava.
"Oh, meu amor," ele sussurrou, sua voz um murmúrio baixo e enjoativo. Ele me pegou nos braços, me erguendo como se eu fosse uma boneca quebrada, e me carregou pela cobertura até nosso quarto. Não foi um ato de amor. Foi um ato de posse.
Ele me deitou na cama e sentou-se ao meu lado, tirando uma pasta grossa de couro de sua maleta.
"Eu sei que você está sofrendo, Helena," ele disse suavemente. "Eu sei que você acha que eu não entendo. Mas eu entendo. E quero provar."
Ele espalhou os papéis sobre o edredom de seda. Um contrato. Ele estava transferindo cinquenta e um por cento das empresas de fachada da Organização Falcão para o meu nome. Hotéis, empresas de transporte, imóveis. Bilhões de reais.
Não era um presente. Era uma corrente, forjada em ouro, projetada para me prender a ele para sempre.
"Você é a rainha deste império, Helena. Você e mais ninguém," ele murmurou, seus olhos intensos.
Então ele pegou duas caixinhas pequenas e elegantes. Abriu uma, revelando um relógio delicado, cravejado de diamantes. Ele o prendeu no meu pulso. Era frio e pesado. Ele prendeu o par correspondente no seu próprio pulso.
"Eles monitoram nossos batimentos cardíacos," ele disse, seu polegar acariciando meu pulso. "Assim, sempre saberei que você está segura. Para que eu possa sentir seu coração batendo com o meu."
Meu estômago revirou. Não era segurança. Era um rastreador. Uma coleira.
"Prometa-me," ele ordenou, sua voz baixando para o tom grave e perigoso que ele reservava para ordens, não pedidos. "Prometa-me que nunca vai me deixar."
Eu não disse nada.
A gala de caridade uma semana depois foi o palco dele. Ele se apresentou diante da elite da cidade, um marido amoroso apoiando sua esposa enlutada. Ele anunciou a transferência de ações, pintando-a como um tributo à minha força. A sala aplaudiu. Senti-me como uma égua premiada sendo exibida em um leilão.
Então veio a verdadeira performance.
"E nesse espírito de família," Elias anunciou, sua voz ressoando, "tenho uma surpresa para minha linda esposa. Uma maneira de nos curarmos. De construirmos um novo futuro."
Ele gesticulou para o lado do palco. Um menino, não mais velho que quatro anos, entrou. Era o menino do sobrado. Caio Soares.
"Estou adotando oficialmente um filho," Elias declarou.
O menino correu para mim, com os braços estendidos. "Mamãe!" ele gritou, a palavra soando ensaiada, uma fala dada a ele para o benefício da multidão.
Fui forçada a pegá-lo, a segurar a prova viva e pulsante da traição do meu marido em meus braços enquanto as câmeras piscavam. Meu corpo ficou rígido. O menino cheirava ao perfume de Kátia.
Nesse momento, a própria Kátia apareceu, correndo para o palco com uma expressão frenética e apologética.
"Oh, Sr. Falcão, sinto muito pela interrupção," ela disse, interpretando seu papel lindamente. "O Caio tem uma alergia severa, ele não pode ficar perto de flores." Ela estava vestida como uma assistente social, suas roupas sem graça, o cabelo preso. A imagem perfeita de preocupação profissional.
Elias fingiu um lampejo de fúria, agarrando o braço dela e a puxando para longe. "Qual é o significado disso?" ele sibilou, alto o suficiente para que os mais próximos ouvissem. "Você está estragando tudo."
Eu os segui para um corredor de serviço logo atrás do palco. A ilusão se desfez no momento em que a porta se fechou. Ele não a soltou. Ele a puxou para um abraço quente, sua mão emaranhada no cabelo dela.
"Você é melhor atriz do que eu pensava," ele murmurou contra os lábios dela.
Kátia riu. "Você não é nada mal também, meu Don."
Minha respiração falhou. Recuei, mas não antes que o menino, Caio, me visse. Ele ainda estava parado aos meus pés.
Ele olhou para mim, seu rosto se contorcendo em um escárnio que era puro Kátia. "Você não é minha mãe," ele cuspiu, e então cravou suas unhas pequenas e afiadas no meu braço, tirando sangue.
Elias e Kátia saíram do corredor. Os olhos de Elias percorreram meu rosto, depois o arranhão no meu braço, e seu rosto endureceu.
"Leve o Caio para casa, Helena," ele ordenou, sua voz fria. Ele se virou para Kátia, sua expressão suavizando instantaneamente. "Temos que ir finalizar a papelada da adoção."
Ele estava saindo com ela. E estava me mandando para casa com seu filho bastardo.
Ponto de Vista: Helena
A noite toda, observei o ponto brilhante na tela do meu relógio. Pulsava, firme e inabalável, sobre o endereço de Kátia Soares. O batimento cardíaco de Elias, um pulsar rítmico contra meu pulso, era um tormento constante e íntimo. Ele estava com ela. Seu coração estava calmo. Firme. Ele estava em paz.
Meu próprio coração era um pássaro frenético preso em minhas costelas.
Um barulho alto vindo do andar de cima quebrou o silêncio e me deu um susto. Veio do quarto que havia sido preparado para Caio.
Encontrei o menino de pé em um cenário de sua própria destruição. Brinquedos quebrados espalhados pelo chão como vítimas de guerra. Gavetas escancaradas, seu conteúdo despejado pelo carpete. Uma luminária jazia estilhaçada, seu fio serpenteando em direção à parede. Ele estava sistemática e metodicamente destruindo o quarto.
"Caio, pare," eu disse, minha voz um tremor baixo, tensa com a raiva que eu lutava para conter.
Ele se virou para mim, seus olhos selvagens. Com um grito, ele se lançou contra mim, seus pequenos punhos socando minhas pernas. Agarrei seus braços.
Foi um erro.
Ele imediatamente ficou mole, desabando no chão em um monte. Um grito agudo rasgou sua garganta, um som de puro terror fabricado.
"Você me machucou!" ele lamentou, agarrando o braço como se estivesse quebrado. "Você me machucou! Vou contar para o meu pai! Vou contar para o Don!"
Recuei, minhas mãos tremendo.
Retirei-me para o andar de baixo e afundei em uma cadeira na cavernosa sala de estar, torturada por dois sons: os soluços fabricados do menino no andar de cima e a batida firme e traiçoeira do coração do meu marido do outro lado da cidade.
A pesada porta da frente se abriu com um estrondo. Não era Elias. Era sua mãe, Flora Falcão. A Matriarca. Uma mulher que parecia ter sido esculpida em gelo glacial, sua característica definidora era o desprezo aberto que ela tinha por mim, a civil que havia "enfraquecido" a linhagem Falcão.
Seus olhos, lascas de gelo, me encontraram. Ela não se deu ao trabalho de subir as escadas; veio direto para mim, seu rosto uma máscara trovejante. "Onde ele está?" ela exigiu. "O que você fez com o menino?"
Ela me arrastou pelo braço, seus dedos cravando em minha carne, e me puxou pela grande escadaria e pelo corredor até o quarto de Caio. Kátia já estava lá - claro que estava - ajoelhada ao lado da cama. Deve ter sido ela quem ligou.
"Flora, graças a Deus você está aqui," Kátia suspirou, sua voz uma imitação perfeita de pânico enquanto passava um pano frio na testa do menino. Ele estava corado, sua respiração superficial. "Ele está com febre."
Os olhos de Caio se abriram tremulamente. Ele me viu na porta, presa no aperto da Matriarca. Um dedo pequeno e trêmulo se ergueu e apontou diretamente para mim.
"Ela me bateu," ele sussurrou.
Kátia soltou um suspiro agudo e teatral. "Ele estava com tanto medo. Disse que ela estava com muita raiva."
O olhar de Flora se aguçou. Com uma calma arrepiante, ela levantou a barra do pijama dele, revelando um hematoma escuro e feio florescendo em sua canela. Um hematoma que eu nunca tinha visto antes. Uma certeza doentia se enrolou em meu estômago. Kátia o havia colocado ali.
O tapa foi tão forte que minha cabeça virou para o lado, minha bochecha explodindo em dor branca e quente.
"Sua vadia estéril," Flora sibilou, sua voz um sussurro baixo e venenoso. "Você ousa encostar um dedo no filho dele? No futuro desta família?"
E então, como se convocado pela violência, Elias estava lá. Ele parou na porta, observando a cena: sua mãe histérica, sua amante angustiada, seu filho doente, e eu - sua esposa - com a marca vermelha da mão de sua mãe florescendo em meu rosto.
Sua expressão era de decepção glacial. Ele não fez uma única pergunta. Não procurou a verdade. Ele olhou para mim, e em seus olhos, eu vi meu veredito.
"Levem-na," ele disse aos dois guardas que o seguiram.
Eles agarraram meus braços. Eu não lutei. Qual era o sentido?
Eles me arrastaram da cobertura, por um elevador de serviço, e através dos terrenos escuros da propriedade até um pequeno prédio de pedra perto da borda da propriedade. A casa de bombas da antiga represa.
Eles me jogaram lá dentro, e a pesada porta de ferro bateu com um estrondo, a fechadura se encaixando. Estava escuro, e o frio foi imediato. O ar estava pesado com o cheiro de terra úmida e ferrugem.
E então eu ouvi. O gotejar lento e constante de água.
Água gelada vazava de um cano perto do chão, formando uma poça ao redor dos meus tornozelos. Subia lentamente, implacavelmente. Até meus joelhos. Até minha cintura.
A memória de Léo, de tirar seu corpo pequeno e sem vida do lago, me consumiu. O frio, a escuridão, a água. Meus medos mais profundos, transformados em armas contra mim pelo homem que um dia amei.
Eu não gritei. Apenas me entreguei à escuridão gelada e deixei que ela me levasse.