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O Filho Perdido: de volta aos braços do CEO

O Filho Perdido: de volta aos braços do CEO

Autor:: Zana Kheiron
Gênero: Aventura
Lauryn foi mandada para a cama de um desconhecido e acabou grávida. Cinco anos depois, o homem retorna e exige que eles se mudem para a casa dele. É o grande Benson Wingrave, Presidente do Grupo Wingrave! "Ele é meu filho! Como ousa bater nele!" O que começou como um desentendimento e ressentimento, poderá terminar em uma bela história de amor?

Capítulo 1 Aquela noite

"...Por favor... não! Isso dói..."

Lauryn pediu enquanto o homem, em cima dela, não disse nada e continuou a investir contra ela. Aquela era a primeira vez dela, então, agarrou-se aos lençóis com força. Ele tomou-lhe os lábios.

Os movimentos dele ficaram mais selvagens, mais desesperados, enquanto seus beijos e mordidas se intensificavam. Os gemidos de dor mudaram aos poucos, dando lugar ao prazer. A droga estava fazendo o efeito e Lauryn segurou-se nos braços musculosos do homem em cima dela, movendo-se com ele, enquanto buscava mais daquele desejo que a consumia.

"AH!"

*CINCO ANOS DEPOIS*

Benson olhava para o grupo de crianças brincando dentro das grades do jardim de infância. Quatro anos haviam passado e as lembranças daquela noite nunca foram tão vívidas.

A mulher debaixo dele tinha lágrimas nos olhos, devido ao ato praticado e a força que ele exercia sem conseguir se controlar - efeitos da droga que lhe deram -, tomando tudo dela. Cada vez que se lembrava disso, Benson sentia nojo de si mesmo. E dela. Ela armou tudo aquilo, o humilhou e, agora, ele descobria que tinha um filho.

A luz do Sol batia no rosto dele, tornando-lhe as feições indistinguíveis a uma certa distância, mas era possível notar como ele era alto, elegante, e com um físico invejável. O tecido nobre do paletó só enfatizava a boa figura dele.

"Senhor, iremos levar o jovem mestre para casa agora?" perguntou assistente, Patrick Dixon.

Benson sacudiu a cabeça, as mãos dentro dos bolsos da calça.

"Amanhã faremos isso. Tenho assuntos a tratar, hoje."

O som dele era baixo e magnético, completamente desprovido de emoção.

"Sim, Sr. Wingrave."

Benson desviou o olhar das crianças e caminhou de volta para seu Bentley, entrando no carro. Pouco depois, o veículo partiu, deixando poeira no ar.

*** ***

No dia seguinte, um garoto se destacava das outras crianças no jardim de infância. Ele tinha os olhos verdes impressionantes, contrastando com cabelos muito escuros e um nariz reto. Suas bochechas rosadas lhe conferiam um ar formidável. Ele amarrou o sapato e voltou a correr com as outras crianças, porém nem cinco minutos tinham se passado e ele acabou pisando sem querer no pé de outro menino, Paul.

"Ah! Meu pé!" o menino gritou, jogando-se no chão e reclamando.

"Caramba, Paul, me desculpa!", Attikus pediu sinceramente, porém, Paul o olhou com desprezo e se levantou, apenas para empurrar Attikus com força.

"Como ousou pisar no meu pé? Eu vou mandar meu pai te dar uma surra!"

O pai de Paul era um funcionário do exército, possuía uma alta patente e, sabendo disso, o orgulhoso e arrogante Paul se valia da informação para se colocar acima dos colegas de classe.

Outro menino se aproximou e reclamou.

"Paul, o Attikus já pediu desculpas. Por que você ainda está implicando com ele?"

Paul bufou.

"Ele pisou em mim! Tudo o que eu quero é que meu pai o mate!" Paul cuspiu no chão, aos pés de Attikus. "Garotos sem pai como ele merecem apanhar e morrer!"

A expressão de Attikus mudou imediatamente.

"Quem você disse que não tem pai?"

"Quem mais, senão você? Todo mundo aqui sabe que Attikus Hanson não tem pai! Você é um bastardo!"

Attikus encarou Paul por alguns segundos antes de correr até o garoto. Os dois caíram no chão, se embolando.

"A professora está vindo! A professora está vindo! Attikus Hanson bateu em alguém!"

*** *** ***

Lauryn estava no serviço quando alguém lhe chamou e avisou que tinha uma ligação para ela.

"Obrigada!", ela falou e pegou o telefone. "Lauryn Hanson falando!"

"Senhorita Hanson, precisamos que venha imediatamente até a escola. O seu filho bateu em outra criança!"

Lauryn não acreditava naquilo. Attikus era sempre um bom menino, por que continuava a brigar na escola? Ela não discutiria por telefone, apenas avisou que tinha que sair, pegou suas coisas e correu para pegar um táxi.

Attikus era uma criança tão doce e atenciosa, mas por algum motivo, de vez em quando ele se metia em brigas no jardim de infância. Geralmente... algo relacionado ao fato de ele não ter um pai presente. Aquele era um espinho no coração de Lauryn, que ela não conseguia arrancar. Ela só podia rezar para que os anos passassem e o menino compreendesse melhor.

Quando o carro parou no sinal vermelho, Lauryn suspirou e seus olhos vagaram para a TV na vitrine de uma loja de eletrônicos. Lá, estavam falando sobre um magnata e sua empresa.

"O Grupo Wingrave está comemorando seu vigésimo aniversário. Esta é a empresa que se tornou, nos últimos anos, o maior nome da tecnologia, e o presidente Benson Wingrave contribuiu muito para isso..."

A imagem de um homem bonito, com olhos verdes tão claros que podiam ser vistos mesmo à distância. Seus traços eram perfeitos: maxilar anguloso e forte, nariz reto, lábios masculinos levemente carnudos, sobrancelhas arqueadas, olhos naturalmente semicerrados e um corpo forte, o que era possível notar mesmo sob o terno feito sob medida.

Lauryn sentiu como se pudesse se perder naqueles olhos, que a sugavam como um vórtice. Mas ela desviou o olhar da TV. Algumas pessoas nascem destinadas a serem grandiosas e arrogantes. Ela, por outro lado, era apenas uma pessoa comum. E uma jamais teria qualquer relação com a outra, mesmo que tivessem vivido uma noite de amor ardente quatro anos antes.

Aquele homem foi o primeiro e único dela e as lembranças daquela noite ainda a atormentavam. Não foi escolha dela, nem dele, mas aconteceu. E, no meio do caminho, não era mais apenas dor, mas também prazer. A forma como o homem a beijava e a tomava, gravados na mente dela. Lauryn nunca se relacionou com ninguém depois dele.

O carro voltou a andar e Lauryn buscou voltar ao presente.

Na escola, a professora de Attikus estava com uma expressão de cansaço. Ela gostava muito do menino e se preocupava com ele.

"Senhorita Hanson, se fosse outra criança, eu lhe afirmaria que os pais ouviriam e entenderiam o que houve. Mas os Reeves são difíceis. Eles virão à escola amanhã, então, precisa prestar atenção."

"Obrigada, senhorita Clarke." Lauryn disse à gentil professora, levantando-se e saindo com Attikus.

No caminho de volta, Lauryn perguntou o motivo da briga. Como ele permaneceu em silêncio, Lauryn se agachou em frente a ele.

"Amor, por que você sempre briga lá? Você é uma criança tão boa e obediente. Você faz ideia de como isso parte meu coração?"

"Desculpa, mamãe," o menino disse e abaixou a cabeça. Ele estava arrependido por deixar a mãe triste, porque tudo o que queria era que ela sentisse orgulho dele!

"Tudo bem... só lembre de pedir desculpas ao Paul aman-"

"Eu não vou pedir desculpas!" Ele interrompeu a mãe. "Eu não vou pedir desculpas pra ele nem que isso me mate!"

Os olhos do menino estavam cheios de orgulho e ele estava claramente determinado. auryn suspirou pesadamente.

"Attikus, você bateu no garoto primeiro e mesmo depois de conversarmos, você mantém essa atitude? E não se esqueça de que o pai de Paul é um funcionário de alto escalão."

O menino era jovem demais para entender a gravidade da situação. Lauryn era uma mulher e, mesmo depois de o mundo ter mudado tanto, mulheres ainda eram vistas como inferiores - e uma mulher com um filho e sem marido, pior ainda.

"É que... eles sempre me chamam de bastardo. Bastardo porque eu não tenho pai!"

Ele sabia que sua mãe trabalhava duro para alimentar os dois e garantir um teto sobre suas cabeças. Ela sempre chegava tarde do trabalho e ele não queria que ela se preocupasse. Por isso não contou a verdade de imediato. Mas ele não estava aguentando mais. As outras crianças sempre diziam aquelas palavras cruéis e, de fato, ele não tinha pai.

O corpo de Lauryn ficou paralisado e o sangue pareceu subir todo à cabeça, fazendo-a sentir-se fraca e enxergar pontos escuros diante dos olhos. Ela quase caiu, mas o pequeno corpo a ajudou a continuar de pé.

"Mãe, me desculpa! Eu não devia ter dito isso!" Ele jamais queria ver a mãe sofrer.

Ela se agachou e abraçou o filho. Aqueles últimos cinco anos tinham sido muito difíceis para ela, mas sempre tentou manter a cabeça erguida e não derramar uma lágrima. Mas naquele momento, ela não conseguiu mais segurar.

"Sou eu quem deve pedir desculpas, amor. Sou eu quem deve se sentir culpada, não você."

Ela abraçava o menino com força e soluçava enquanto chorava. Ele era tudo para ela.

Quando descobriu que estava grávida depois daquela noite, ela decidiu abortar a criança. Mas quando já estava dentro da sala de cirurgia, não conseguiu. Era uma vida. Era o filho dela! No momento, ela não pensou em como a sociedade trataria a criança. Ela acreditou que o amor dela fosse o suficiente para protegê-lo, mas a cada dia, ela percebia que não. No entanto, não se arrependia de ter aquela criança incrível.

No dia seguinte, Benson estava tomando sua xícara de café e olhava para o jardim, não dando atenção às duas mulheres em frente a ele; a mãe e a avó.

"Benson, você precisa trazer a criança para esta casa o mais rápido possível. Sabe que o seu avô está doente e ele precisa ver o menino para poder ficar em paz!" Valeria Wingrave falou, aborrecida.

"Não se preocupe, vó. Cuidarei disso."

"E é claro que a mãe do menino deve acompanhá-lo," Diara falou e olhou para o filho. "Ele não nos conhece, e nem a essa casa. Vai se sentir mais seguro e aberto a nós se ela estiver por perto."

Valeria soltou o ar com desprezo. Ela odiava Lauryn Hanson, a mulher que armou para arrancar dinheiro dos Wingrave com aquela noite armada e fotos!

Capítulo 2 Ele pertence à Família Wingrave

A menção àquela mulher fez o corpo de Benson se enrijecer. Ele se levantou, endireitou o corpo, e colocou a xícara em cima da mesa.

"Se me dão licença, eu preciso ir."

Depois que ele saiu,Valeria soltou um suspiro pesado e cheio de desprezo.

"Como aquela mulher, que é tão sem-vergonha e armou pra subir na cama do meu neto, pode atravessar as portas da nossa casa? É um insulto!"

"Mãe," Diara, a mãe de Benson, tinha um tom mais gentil, "ela é a mãe da criança. E o menino não faz ideia de quem é o pai. Ele vai ficar assustado, sem dúvida, e qualquer criança assustada merece estar com a mãe ao lado."

"Se meu marido não estivesse tão doente..." Valeria disse com desdém, "eu nunca deixaria isso acontecer! Eu queria nunca ter que ver aquela mulher, nunca!"

No passado, o Grupo Hanson estava prestes a ir à falência e, por causa disso, precisavam encontrar uma saída para a crise. Eles tiveram uma ideia: fazer a filha, Lauryn Hanson, subir na cama de Benson Wingrave. Claro que isso não seria suficiente, então contrataram a mídia para tirar fotos comprometedoras do casal e chantagear a família Wingrave. Ou eles entregavam o dinheiro, ou as fotos seriam divulgadas, manchando o nome da família.

A família Wingrave cuidou de todos aqueles fotógrafos, um por um, até que nenhum deles manteve aquelas fotos absurdas.

O problema era que, não muito tempo depois, o chefe da família Wingrave, o senhor Edward Wingrave, adoeceu e provavelmente não teria muito tempo de vida. Ele tinha apenas um desejo para ser realizado antes de partir: ver o neto, Benson, casado e com um filho. Infelizmente, por muitos anos, o jovem permaneceu solteiro.

Numa tarde, Diara estava passeando quando viu, pela janela do carro, o garotinho. Ela olhou para a mulher ao lado da criança e a reconheceu. Mesmo com as roupas simples e os cabelos em um simples rabo-de-cavalo, era inconfundível: aquela era Lauryn Hanson. Foi assim que ela soube que a mulher tinha engravidado e dado à luz um filho para a família Wingrave, mantendo-os no escuro.

Diara percebeu o quanto a sogra estava descontente e tentou acalmá-la.

"Mãe, não importa o que tenha acontecido, essa criança é carne e osso de Benson, ele pertence à família Wingrave."

"Como você pode ter tanta certeza?" retrucou a mulher mais velha. "Se aquela mulher conseguiu subir na cama do Benson, por que não faria o mesmo com outros homens?"

"Mãe, tenho absoluta certeza de que é do Benson. Ele é exatamente igual ao meu filho naquela idade. Eu vi com meus próprios olhos. Era como se eu estivesse olhando para um fantasma."

Valeria ficou em silêncio por um instante. Mas depois voltou a falar.

"Se ela manteve a criança, provavelmente é para nos extorquir. Ela é cheia de artimanhas. Não pode ser confiável!"

"Hmm, não acho. Se ela quisesse chantagear, extorquir dinheiro, teria feito isso anos atrás. A criança já tem o quê? Quatro anos, mãe... A mulher lutou sozinha até agora, e se eu não tivesse descoberto por acidente, nós nem saberíamos que Benson tem um filho."

A velha sacudiu a cabeça.

"Você é jovem demais para entender," Valeria olhou para a nora. "Você não entende completamente como essas vadias funcionam. Elas sabem esperar até o momento certo. Mas eu vou ficar de olhos abertos e, no primeiro passo errado que ela der, vou fazer aquela mulher arrumar as coisas e sair da nossa casa!"

Lauryn levou Attikus ao jardim de infância e estava pronta para lidar com os pais de Paul, já que eles também iriam até lá.

Ela levou o filho até a secretaria do jardim de infância e esperou por um tempo, até que um perfume forte pôde ser sentido.

Paul entrou, acompanhado dos pais. A mãe estava vestida de forma bem provocante, enquanto o pai tinha uma barriga grande, poucos fios de cabelo na cabeça e mantinha a cabeça no alto. Ambos eram arrogantes, até mesmo com o próprio filho.

No momento em que entraram, Paul apontou para Attikus.

"Mamãe, papai, foi ele! Ele me bateu!"

Attikus permaneceu em silêncio, atrás da mãe, Lauryn. Ele e a mãe tinham um acordo: se ele não iria pedir desculpas, ao menos deveria ficar calado e não piorar as coisas!

A mãe de Paul lançou um olhar de desprezo para os dois, mãe e filho.

"Eu sinto muito por meu filho ter batido em seu filho. Peço desculpas a vocês dois pelo comportamento dele." O tom de Lauryn era muito sincero, mas a mãe de Paul não parecia se importar.

"Como se pedir desculpas fosse suficiente! Meu marido ocupa uma posição alta na sociedade desta cidade. Não é suficiente se desculpar assim, tão casualmente, se o nosso filho foi agredido pelo seu!"

"Senhora, se ele estiver realmente machucado e precisar ir ao hospital para um exame, eu arcaria com todas as despesas médicas e pagaria uma compensação," Lauryn disse isso com muita calma, tentando manter o bom temperamento, mas a mãe de Paul não ajudava.

"Compensação? Como você pretende me dar qualquer compensação se a sua renda mensal é tão baixa que não cobre nem o valor de uma das roupas que eu uso? Que piada!"

Lauryn inspirou fundo. Ela precisava manter a compostura!

"O que a senhora quer, então?" Lauryn manteve a postura ereta, tentando preservar o mínimo de orgulho possível.

A outra mulher olhou para o filho e o olhar dela ficou mais suave.

"Querido, o que você quer?"

Embora tivessem sido chamados à secretaria por causa da briga, na verdade, Attikus não havia machucado Paul, mas o menino estava acostumado a descontar sua raiva sem receber punição, e era isso que doía: o ego dele.

O garoto, com malícia nos olhos, apontou novamente para Attikus.

"Mãe, eu quero que o Attikus se ajoelhe e peça desculpas pra mim!" Paul guardava esse ressentimento havia muito tempo, porque as meninas da turma gostavam de brincar com Attikus e diziam que ele era bonito, enquanto Paul nunca recebia esse tipo de elogio!

Attikus cerrou os punhos com força, os olhos vermelhos encarando Paul. Este o olhava de volta, provocando. Ele sabia que estava humilhando Attikus.

"Você ouviu. Faça seu filho se ajoelhar e pedir desculpas ao meu filho, e o assunto termina por aqui."

"Eu não vou me ajoelhar e pedir desculpas. Ele me xingou primeiro, então por que eu deveria me ajoelhar e pedir desculpas? Ele é quem deveria pedir desculpas pra mim!" Attikus não conseguiu evitar gritar. Ele queria manter a boca fechada, mas ser acusado tão injustamente, e ainda querer que ele se ajoelhasse?

"Aliás, senhorita Hanson, você trabalha na DW Department Store, certo? Seu chefe e meu marido se conhecem. Se o seu chefe souber que seu filho bateu no meu, eu garanto que hoje vai ser seu último dia como funcionária lá."

A mãe de Paul era extremamente autoritária e gostava de estar sempre por cima, então naturalmente procurou informações sobre Lauryn. O rosto da mãe de Attikus empalideceu e o coração do menino apertou, porque agora entendeu que, se não pedisse desculpas, sua mãe seria demitida.

"Eu vou me desculpar." Attikus finalmente disse.

"Então anda logo, ajoelha e pede desculpa!" Paul disse, sorrindo com orgulho.

Na porta da secretaria, um homem alto e muito atraente estava prestes a empurrar a porta para entrar quando, de repente, uma voz infantil e firme chegou aos seus ouvidos.

"Eu posso até pedir desculpas, mas não vou me ajoelhar. Minha mãe me disse que existe ouro debaixo dos joelhos de um homem! Eu não vou entregar minha honra pra você, Paul." O homem parou e seus olhos ficaram sombrios.

"Attikus," Lauryn rapidamente puxou o filho para trás dela. Ela endireitou as costas e encarou diretamente a mãe de Paul.

"Senhora, eu originalmente pretendia trazer meu filho para pedir desculpas, mas agora eu me arrependo. Vocês não são dignos!"

A mãe de Paul a olhou espantada, pois ninguém jamais ousara falar com ela daquela maneira - muito menos alguém que ela considerava tão inferior.

"O que você está dizendo, mulher? Que nós não merecemos...? Levy, você ouviu o que essa mulher está dizendo? Que nós não merecemos o pedido de desculpas? Ela é realmente ousada! Uma escória saída do esgoto, ousando se levantar contra nós!"

O pai de Paul, que permanecera calado até aquele momento, ficou claramente afetado pelas palavras de Lauryn. Tanto que seu rosto escureceu.

"Se ela não se ajoelhar e pedir desculpas, ela perde o trabalho e esse moleque será expulso daqui!"

Linda Reeves decidiu complementar as palavras do marido.

"E não só isso: no futuro, eles não conseguirão se estabelecer em Chicago. Eu juro, porque nossa família não vai aceitar ser tratada como se qualquer um pudesse nos desrespeitar assim!"

Attikus cerrou as mãos com força e olhou fixamente para frente. Naquele momento, parecia entender algo forte demais para sua idade: sua teimosia momentânea traria consequências enormes - e das piores. Não só ele seria prejudicado, mas sua querida mãe.

Ele mordeu os lábios, quase machucando a pele, e segurou a mão da mãe, balançando-a levemente.

"Mamãe, é melhor... nos ajoelharmos! Eles podem fazer o que quiserem, a culpa é toda minha."

Lauryn se agachou e acariciou a cabeça de Jarek.

"Querido, você não tem culpa, e é por isso que não vamos pedir desculpas. Não se preocupe, sua mãe consegue lidar com isso." Depois de dizer isso, ela se levantou e estava prestes a pegar a mão do menino para sair da sala, mas Levy não gostou nada, e nem Linda.

Esta, com o olhar cheio de arrogância de desafio, se colocou na frente de Lauryn. "

"Senhora Reeves, por favor, saia da frente." A voz de Lauryn era muito calma.

Linda levantou a mão.

"Você é muito atrevida e precisa se lembrar do seu lugar!"

A mão levantada começou a descer na direção do rosto de Lauryn, mas antes que pudesse chegar perto, ela sentiu uma fisgada no outro pulso.

"Ai! Isso dói, droga!" Linda agora esfregava a pele.

Quando Attikus viu que sua mãe apanharia, ele não pensou duas vezes, correu até Linda e mordeu-lhe o pulso. Agora, a mulher estava furiosa.

"Seu pequeno bastardo! Como ousa me morder? Eu não vou deixar isso passar!" Ela então levantou o pé rapidamente e chutou a criança. Attikus choramingou de dor, porque além de tudo, a mulher usava salto alto.

Nesse momento, uma voz fria e severa ecoou na porta.

"Ele é meu filho. Como ousa tocá-lo?!"

Capítulo 3 Muito mais complicada

Quando ele entrou, sua aura e elegância fizeram toda a sala brilhar.

Lauryn olhou para o homem e todo o seu corpo pareceu congelar no lugar. Ela ficou ali, imóvel, como uma escultura.

Attikus também olhava para o homem, abobalhado. Ele não entendia o que aquele homem majestoso e bonito queria dizer com 'meu filho'. De quem ele estava falando, afinal?

O pé de Linda ficou suspenso no ar, como se ele a tivesse impedido de se mover apenas com seu olhar frio. Ele estava tão furioso que Linda sentiu como se uma lâmina estivesse apontada para seu pescoço, pronta para arrancar sua cabeça a qualquer momento. Ela estava mais do que chocada, porque, apesar de ser uma dama da alta sociedade e acostumada a circular entre pessoas ricas e influentes, era a primeira vez que via alguém tão poderoso.

Mas, ainda assim, ela não iria baixar a cabeça, pois sua natureza era extremamente opressiva. Seu coração estava tomado pelo medo, mas ela manteve o queixo erguido.

"Você cometeu um engano? Como esse bastardo aqui poderia ser seu filho? Ele é pobre e patético."

"Ele é um bastardo, sem pai. Ele não tem pai! É um bastardinho!" Paul gritou.

Os olhos verdes de Benson agora estavam gélidos, brilhando com uma luz fria que parecia tão afiada quanto uma adaga, capaz de cortar ferro.

No instante seguinte, Paul foi empurrado com força para o chão. Ele levou um chute! Não de Benson, nem de Attikus, nem de Lauryn. Não. Ele foi chutado pelo próprio pai.

Levy Reeves estava suando frio - ele reconheceu o homem à sua frente, ninguém menos que Benson Wingrave, o grande e poderoso Presidente do Grupo Wingrave. Ele era o chefe absoluto!

Benson não era apenas rico; ele ocupava uma posição extremamente alta na sociedade de Chicago e, perto dele, Levy não era digno nem de beijar o chão que ele pisava.

Foi a primeira vez que Paul levou um chute do próprio pai. Ele caiu sentado no chão, com a boca em formato de 'oh', antes de começar a chorar. Linda valorizava o filho mais do que qualquer coisa no mundo, por isso apontou para o marido.

"Levy, o que pensa que está fazendo? Este é o nosso precioso filho! Está defendendo um bastardo, agora?"

O som da mão de Levy colidindo com a bochecha de Linda ecoou pela sala. Foi um enorme erro ela ter falado com o marido naquele tom. Ela ficou atônita por alguns segundos e, quando recobrou os sentidos, Levy a encarava, furioso.

"O presidente do Grupo Wingrave, Benson Wingrave, está na sua frente, mulher!" Levy gritou e olhou para Paul. "Peça desculpas, ou nem pense em pisar em casa novamente!"

O menino, tremendo, obedeceu ao pai. Sob o olhar duro do marido, Linda também fez uma reverência e pediu desculpas a Attikus e a Lauryn.

Linda, que antes era tão autoritária, agora tinha um sorriso cauteloso nos lábios.

"Srta. Hanson, a culpa é minha, toda minha. Você pode me culpar se quiser, mas não culpe meu marido. Eu é que tive um comportamento horrível."

"Por favor, não leve isso adiante. Como você mesma disse, foi apenas um mal-entendido entre crianças. Minha esposa e eu somos ignorantes e acabamos nos deixando levar." Levy falou em um tom suave.

Lauryn virou o rosto. Ela sabia muito bem que os Reeves estavam pedindo desculpas apenas por causa do poderoso Benson Wingrave. Seu coração estava um caos, porque tudo o que aconteceu quase cinco anos antes voltou à sua mente.

Na época, o Grupo Hanson estava à beira da extinção e tanto sua cunhada quanto sua madrasta tinham uma única coisa em mente: o Grupo Wingrave. E por causa disso, armaram tudo para que Lauryn acabasse na cama de Benson. Ele foi uma vítima, como ela.

Ela se lembrava vividamente do momento em que a droga de Benson fez efeito, suas pupilas escuras brilhando com desejo. Ele se aproximou rápido, como uma fera.

"Você vem para a minha cama e daí? Acha que pode conseguir tudo o que quer assim?" Ele sussurrou em seu ouvido, naquela noite. Ao ouvir aquilo, ela abaixou a cabeça e não disse absolutamente nada.

Quando foi colocada na cama de Benson pela cunhada e pela madrasta, ela já havia previsto o final, porque a vida real não era como aqueles romances que ela gostava de ler. Nessas histórias, a protagonista ia para a cama do homem, ele se viciava no corpo dela, não conseguia deixá-la ir e, no final, a amava até a morte.

A vida era muito mais complicada. Especialmente quando se tratava de Benson Wingrave, que nunca aceitou ser manipulado antes - e definitivamente não deixaria isso começar naquele dia, só porque ela tinha sido forçada a subir na cama dele.

Depois daquela noite de mal-entendido, ela achou que nunca mais teria qualquer interação com Benson. Então, ela descobriu a gravidez, mas decidiu que se manteria afastada, sem permitir que os Hanson soubessem da situação dela, ou tentariam tirar vantagem. E, por quase cinco anos, ela conseguiu se manter longe dele. Mas o destino, mais uma vez, resolveu brincar com ela. Agora, lá estava ela, com as palmas das mãos suando, tentando adivinhar o motivo da chegada dele. Como ele chegou ali?

Ele simplesmente disse, de forma direta: 'meu filho'. Se ele sabia que Attikus era filho dele... ele o tiraria de Lauryn e aquilo fez o coração dela se contorcer de desespero.

Sem olhar para ele, Lauryn contou até três, segurou a mão do menino e passou correndo por Benson e pelos outros. Ela andava tão rápido que o pequeno mal conseguia acompanhar.

"Mamãe, anda mais devagar. Eu quase não consigo andar!" Mas Lauryn lançou um olhar por cima do ombro, vendo que não havia sinal de Benson - e isso a aliviou. "Mamãe, você chamou aquele tio bonito para atuar? Você chamou ele para nos ajudar?"

Aquilo a pegou de surpresa, pois ela não esperava que Attikus pensasse dessa forma. Mas afinal, ele tinha apenas quatro anos, e era muito mais fácil para ele imaginar algo assim do que encarar a verdade: seu pai tinha aparecido, do nada, depois de todos aqueles anos em que eles lutaram sozinhos. O segredo dela, de alguma forma, foi descoberto!

Como Lauryn não respondeu, Attikus tomou sua suposição como verdadeira.

"Mamãe, você viu? O Paul nunca mais vai me provocar agora que sabe que eu tenho um pai. Ele até pediu desculpas! Eles me zombavam porque eu não tinha papai, mas você encontrou alguém para fingir ser meu pai. Obrigado, mamãe!" Aquelas palavras, ditas com tanta alegria, só fizeram a garganta de Lauryn secar.

Ela queria muito poder dizer ao filho que o homem de antes não era um ator, que o que ele disse não foi atuação - que ele era, de fato, o pai de Attikus. O menino tinha esperanças de ter um pai, e aquilo era de cortar o coração.

A sensação de segurança de Lauryn ao ver o prédio em que moravam se dissolveu, porque havia um Bentley preto estacionado ali perto. Era quase impossível não notar o carro, já que era extremamente incomum encontrar um veículo tão luxuoso naquele bairro.

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