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O Filho do meu Padrasto: Uma Paixão Secreta

O Filho do meu Padrasto: Uma Paixão Secreta

Autor:: NatiAlmeida
Gênero: Romance
Chiara é modelo, estudante de design de moda e gestão de inovação e empreendedorismo. Eros é grego, herdeiro do grupo Makris, possui uma rede de hotéis com filiais em toda a Europa, além de outros empreendimentos no ramo da publicidade. Ele está no último ano da universidade. Chiara é leve, amiga, leal, mas sem papas na língua. Eros é um cara que coleciona mulheres, mas sempre coloca a família em primeiro lugar. Chiara fica feliz da vida ao descobrir que a sua mãe está refazendo a vida depois de anos viúva. Eros, está igualmente feliz pelo seu pai que vivia um luto pela esposa à quinze anos. Como dois perfeitos estranhos, Eros e Chiara têm a melhor noite de amor de suas vidas, sem fazer ideia que semanas depois seus caminhos se cruzariam e eles passariam a ser mais próximos do que imaginavam.

Capítulo 1 PRÓLOGO

CHIARA GIORGANO

As mãos do estranho deslizam pela lateral do meu corpo. Seu rosto está tão perto, que sua respiração quente acaricia meu ouvido. Seus lábios tocam meu pescoço com suavidade, arrepiando cada fio de cabelo do meu corpo.

Sinto desejo em seus olhos enquanto nos movimentamos no ritmo da batida.

Será que meus esforços valeram a pena?

Durante toda à noite, passei os dedos pelos fios dos meus cabelos, fingindo dançar despretensiosamente. Após alguns drinks docinhos e cor-de-rosa, passei a encará-lo descaradamente. Achando pouco, ainda me aproximei e meti um: Olá, estranho!

Olá, estranho, Chiara? É sério?

Após a minha abordagem nada convencional, principalmente para mim que nunca fiz algo nem parecido, eu precisava manter a minha pose de mulher cheia de atitude, então o chamei para dançar.

Ele sorriu, ainda não sei se de mim ou da minha audácia. O que eu sei é que ele aceitou dançar, e eu gostei de sentir suas mãos firmes sob o meu corpo, enquanto nossos corpos se movimentavam em sintonia.

- Era isso que você queria, estranha? - pergunta, aproximando os seus lábios do meu ouvido com sua voz rouca.

- Quase - o encaro, pressionando os meus seios contra o seu peito. - Você ainda não me beijou.

Chiara, você hoje está demais.

Os seus dedos apertam a minha cintura, ele parece ponderar.

- O que foi? - o encaro, com os meus olhos em uma linha reta.

- Eu quero - o aperto na minha cintura fica ainda mais forte. - Droga, eu quero.

Encaro a sua boca, mas ele não se move.

Será que está esperando que eu o beije?

É claro que está, Chiara! Você tomou a iniciativa de tudo até agora.

Estou prestes a fazer o que eu acho que ele está esperando, quando sua mão vai até a minha boca, impedindo a aproximação.

- Mas, não parece certo - ele fala, me deixando confusa.

Eu pisco os meus olhos e nego.

- Do que está falando?

- De onde eu estava, contei cinco drinks, e, se eu te beijar, não vou querer parar no beijo. Mas, eu não me aproveito de mulheres bêbadas.

Então quer dizer que estava me observando, estranho?

Um sorriso se forma em meu rosto com a constatação.

- É isso? - sorrio. - Um fato sobre mim: apesar da pouca idade, sou bem resistente ao álcool - me ponho de ponta de pé e passo a minha língua na linha dos seus lábios.

Já que estou na chuva, vou me molhar.

Mordo o meu lábio inferior, vendo o seu olhar ficar vidrado e sinto mais um aperto, dessa vez no meu quadril.

- Garota, você está brincando com fogo - sinto o seu hálito quente e delicioso na minha boca.

- E se eu quiser me queimar? - pergunto, olhando fixamente em seus olhos.

Tá, eu sei que é meio clichê e chega a ser piegas, mas ele que começou.

O estranho lindo de morrer, roça os nossos quadris, me fazendo sentir o volume da sua excitação.

- Sente o quando está me deixando louco?

- S-sim... - respondo, em um sussurro.

O estranho passa os seus dedos pelos meus cabelos, próximo a nuca. Sua outra mão leva o meu corpo a colar no dele. Ele puxa levemente meus fios de cabelo, pressionando minha cabeça para trás. Meus olhos alternam entre seus olhos ávidos e sua boca convidativa.

Nossos lábios se tocam, nossas respirações se misturam, e dou passagem para a sua língua atrevida que invade a minha boca sedenta.

Eu pressiono a minha língua brincando com a sua, fazendo-o gemer na minha boca.

Ele tem cara de Massimo ou Leonardo, se bem que não tenho certeza se é italiano.

Conversamos pouco, mas percebi um leve sotaque.

O estranho gato leva a língua até o meu pescoço, e solto um gemido involuntário.

Sinto um calor e algo úmido entre as minhas coxas. Eu puxo os seus cabelos e trago seus lábios novamente para os meus. Nosso encaixe é perfeito, sua língua é quente, seus lábios macios, eu o beijaria por horas e horas.

- Eu estou hospedado em um hotel a três quadras daqui - fala, com sua testa colada na minha. - O que acha de sairmos daqui?

Só nesse momento, me lembro da Elisa, minha nova amiga da universidade, que me fez tirar o pijama e a pantufa para vir à boate do meu cunhado, Matteo.

Tento ligar para a garota duas vezes, mas chama algumas vezes até cair na caixa postal.

Desconfio que ela estava de olho apenas nas entradas Vips de graça, visto que estudamos na mesma universidade há dois anos, e ela nunca tentou nenhum tipo de aproximação. Sem falar que ela parece ter evaporado logo depois que chegamos.

- Vamos - falo, fitando o estranho incrivelmente atraente à minha frente.

Ele deposita sua mão em minha cintura e andamos até a saída da boate.

O manobrista entrega a chave do carro para o estranho, que se mostra um cavalheiro, abrindo a porta do seu carro esportivo de luxo para mim.

O veículo entra em movimento, e o ar fica pesado por toda a tensão sexual. Ele parece ter pressa ou está apenas querendo me impressionar com a potência do seu carro.

Agora que não estamos mais no ambiente escuro da boate, posso analisá-lo melhor, e gosto do que vejo.

- O que foi? - ele pergunta, com um sorriso tímido.

Seu sorriso é lindo, diga-se de passagem.

- Nada - volto a olhar para frente, mas sua mão ousada vai para o meio das minhas coxas.

Como o hotel fica a poucas quadras da boate, em dois ou três minutos chegamos.

Ele novamente abre a porta do carro para mim, e caminhamos pelo hall do hotel até o elevador.

- Quando me disse que estava hospedado próximo à boate, não imaginei que fosse no Hotel Makris. A diária desse lugar é uma verdadeira fortuna - comento. Se bem que, para uma pessoa que tem um carro luxuoso como o dele, uma diária desse hotel não deve ser nada.

+++

Entramos, e ele aperta o botão para o último andar.

Um casal de meia idade entra no mesmo elevador.

Ficamos na parte de trás, e o meu estranho ousado desliza os seus dedos pela parte interna da minha coxa, até chegar no meu ponto mais sensível. Isso me causa sensações que me fazem querer instintivamente fechar as minhas pernas.

Meus lábios ficam em uma linha reta na tentativa de conter um gemido.

O casal desce no sétimo andar e, assim que a porta se fecha, o estranho me pressiona contra a parede do elevador com o seu corpo. Uma de suas mãos aperta minhas nádegas, enquanto a outra orquestra um beijo cheio de urgência.

O elevador chega ao último andar, onde fica a suíte presidencial.

Ele entrelaça nossos dedos e, após caminhar ao meu lado por alguns passos, encosta um cartão na maçaneta da última porta daquele corredor, fazendo-a se abrir.

- Uau, esse lugar é lindo! - comento, olhando tudo em volta ao adentrar a suíte luxuosa.

Ele me leva até uma varanda.

- Esse é o meu lugar preferido daqui - diz, vislumbrando as luzes da cidade.

Sinto uma brisa fresca deliciosa.

- Está com frio? - pergunta.

- Não. O clima está agradável.

- Você está ainda mais linda com as luzes da cidade iluminando o seu rosto.

Sinto minhas bochechas esquentarem.

Ele começa a se aproximar e o meu coração erra algumas batidas.

- Vamos continuar sem falar os nossos nomes? - pergunta, enquanto o dorso da sua mão acaricia a lateral do meu rosto.

- Não está achando divertido?

- Você me intriga, estranha.

Sorrio. Minhas mãos alcançam a sua nuca. Dessa vez sou eu que orquestro o nosso beijo.

Suas mãos habilidosas erguem o meu corpo, e minhas pernas cravam o seu quadril. Ele caminha comigo em seus braços até a cama e me deita com delicadeza.

O estranho tira uma sandália do meu pé, depois a outra. Suas mãos deslizam sobre a minha pele, fazendo-o erguer lentamente o meu vestido.

Estou apenas com um conjunto de lingerie preto.

A luxúria é evidente em seus olhos escurecidos. Ele parece faminto e me olha como uma presa.

Sua boca vai ao meu pescoço, me causando arrepios, enquanto suas mãos ousadas estão em meus seios.

A expectativa do que está prestes a acontecer me deixa ansiosa.

Eu preciso falar que...

- Há algo importante que eu não te contei - falo, com meus batimentos acelerados.

Ele para de mapear o caminho do meu pescoço com os seus beijos molhados e me fita.

Preciso ser direta.

- Eu nunca fiz isso - falo, e parece que eu acabei de contar que tenho uma doença contagiosa.

- Isso não é o tipo de coisa que se esquece de contar - ele fala, sentando-se na cama.

- Eu não disse que esqueci, disse que não contei - respondo, frustrada. - Por que isso seria uma questão para você? Deveria ter relevância ou não, apenas para mim.

- Você nunca fez isso e vai se entregar para mim? Não sabemos nem os nossos nomes - ele retruca, confuso.

- Olha, não é como se eu quisesse que a minha primeira vez acontecesse com o meu príncipe encantado, o grande amor da minha vida - me sento ao seu lado. - Para falar a verdade, nem acho que encontrar o amor da sua vida seja para todas as pessoas.

Ele parece ainda mais confuso.

- Eu só queria que acontecesse quando eu estivesse verdadeiramente afim, e isso nunca aconteceu até então.

- Tem certeza que é isso que você quer?

- Sim - sorrio, acariciando o seu braço. - Isso é, se você ainda quiser.

Um sorriso carregado de luxúria e malícia seu forma em seu rosto.

- Prometo que darei tudo de mim para que o prazer supere cada desconforto que você venha a sentir - ele fala.

O estranho tira sua roupa, ele tem pressa para ficar completamente despido, e não escondo a apreciação ao observar sua nudez.

Seu corpo é tão definido, nada de muitos músculos, mas os gominhos do abdômen são um convite à perdição.

Ele me deita novamente na cama, sua língua invade a minha boca em um beijo carregado de desejo. As mãos habilidosas do estranho rapidamente abre o meu sutiã o jogando longe.

Sua boca volta a mapear o meu pescoço.

- Acho que foi aqui que eu parei - sua voz rouca fala, mordendo a ponta da minha orelha.

- Foi bem aí - sussurro, com os meus olhos fechados aproveitando aquelas sensações.

A sua boca desce até os meus seios, sua língua quente me causa sensações deliciosas, chego a arquear a minha cabeça, enquanto me esforço para conter os meus gemidos.

Sua boca desde ainda mais. Agora ele se abaixa entre as minhas pernas, enquanto os seus dedos acariciam o meio das minhas coxas.

- Eu quero te provar, estranha, tenho certeza que é deliciosa.

A simples expectativa já me deixa tão excitada.

Ele aproxima a sua boca da minha entrada, e o seu hálito quente faz eu me contorcer, impaciente.

- Pode parar de me tortu... Ah... - ele puxa o meu botão sensível entre os dentes e o morde suavemente. - AHH...

Sua língua substitui os dentes, se movimentando com maestria, distribuindo ondas de prazer por todo o meu corpo.

Uma de suas mãos sobe e volta a acariciar um dos meus seios, enquanto sua boca suga maltratando minha parte mais sensível

Minha cabeça vai para trás, meu gemido se torna mais audível, enquanto instintivamente eu tento fechar as pernas.

Seus braços seguram firmemente as minhas coxas, fazendo com que eu permaneça no lugar.

Ele me lambe, e sabe muito bem o que está fazendo. O prazer que ele me proporciona chega a ser torturante de tão intenso.

Sua língua vai até a minha entrada e investe ali, até que volta para o meu botão.

Estou à beira de um colapso, meu corpo está em chamas, até que o ápice me atinge em cheio. Os meus gemidos involuntários, a forma que o meu corpo se contorce e minha tentativa sem sucesso de tirá-lo do meio das minhas pernas, entrega o quão intensas foram as sensações daquele orgasmo.

- Céus, isso foi... - tento completar a frase, mas falho, ainda não me recuperei.

Ele lambe a minha excitação, fazendo o meu corpo responder com espasmos. Achando pouco, ele dá um tapa brincalhão na minha boceta sensível, me fazendo gritar. Isso é bom e torturante ao mesmo tempo.

Eu alçando os seus ombro e o puxo para ficar por cima de mim. Tomo sua boca em um beijo sedento e sinto meu sabor em sua boca.

Enquanto me perco em seus lábios, escuto o barulho da embalagem da camisinha sendo rasgada.

Seus olhos estão fixos nos meus enquanto ele coloca a proteção e se posiciona na minha entrada.

É agora.

- Está tensa? - ele pergunta, uma ruga de preocupação se forma em sua testa.

- Um pouco - respondo, envergonhada.

- Relaxa o seu corpo ao máximo - ele fala, pincelando o seu pau de cima a baixo, até se posicionar na minha entrada.

Ele entra devagar, mas, ainda assim, parece me rasgar por inteiro.

- Ai... - meu gemido é de dor.

Ele para, acaricia o meu rosto e me beija.

- Estou te machucando? - ele pergunta, preocupado.

- Pode continuar - tento suavizar a expressão do meu rosto, mas a dor ardente ainda incômoda.

Ele entra ainda mais, até que se enfia totalmente.

A minha vontade é xingar todas os palavrões que vem a mente, mas me contenho, ao invés disso, cravo as minhas unhas em suas costas. Ele para de se movimentar, mantendo o contato visual.

- Você é uma delícia! - fala, sua voz está ainda mais rouca. - Tão apertada.

- Ou é o seu... que é muito exagerado? - pergunto, e ele sorri, presunçoso.

Eu começo a movimentar o meu quadril. Ele entende o recado e começa a se mover dentro de mim.

A cada estocada, a ardência dá lugar ao prazer.

O contato visual permanece, e ele aumenta o ritmo, encontrando o meu ponto mais sensível com seu dedo, e atingindo-o repetidamente.

Se eu senti algum desconforto anteriormente, nem lembro. O prazer se espalha pelo meu corpo novamente.

- Quero te ver cavalgando por cima se mim - ele fala, seus olhos brilham de luxúria.

Sem sair de mim, ele crava a minha perna em seu quadril e senta na cama comigo em seu colo.

Nossos olhos estão a pouquíssimos centímetros, nossas respirações quentes se misturam, o suor exala da nossa pele toda a nossa excitação, o cheiro de sexo.., tudo isso consome toda a atmosfera do local.

As sensações e descargas de prazer se misturam pelo meu corpo enquanto subo e desço por cima dele com os meus braços em volta do seu pescoço.

O ápice me atinge em cheio novamente, já não consigo mais me movimentar com tanta sincronia. Os gemidos roucos do estranho estão ainda mais altos. Ele segura firme a minha bunda, me ajuda a cavalgar por cima dele e chega a erguer a sua cabeça para cima quando atingimos o ápice juntos.

Capítulo 2 Um verdadeiro pesadelo.

EROS MAKRIS

UM MÊS DEPOIS:

- ISSO - vibro com os olhos na tela do celular, só esqueço que estou dentro de uma sala de reuniões com o meu pai, cinco funcionários e dois clientes.

Olho para todos os presentes e vejo seus olhares interrogativos em minha direção.

- Desculpem! - falo, desconcertado. - Pode continuar, Catarina.

A apresentação da reunião está sendo feito por Catarina Demetriou, nossa coordenadora de marketing.

Ela volta à apresentação e, mais uma vez, me distraio stalkeando a rede social dela: Chiara Giordano, a estranha daquela noite.

Descobrir quem é a garota, se tornou uma missão.

Após o sexo incrível que fizemos aquela noite, dormimos em poucos minutos de tão exaustos que estávamos.

Eu quis perguntar como tinha sido para ela a sua primeira vez, mas a garota parecia tão segura de si, que me deixou intimidado.

Na manhã seguinte, acordei e, ao olhar para o lado, vi que ela ainda dormia. O lençol cobria apenas a bunda dela, que, diga-se de passagem é uma delícia. Ela estava de bruços, e suas pernas e costas estavam expostas. O cabelo cobria parte do seu rosto, e eu o coloquei delicadamente atrás da orelha para não acordá-la.

Tinha sido a primeira vez da garota, então achei que deveria ser cordial.

Não falei para ela, mas a minha família é dona da rede de hotéis Makris. Ou seja, eu tinha passe livre na cozinha.

Cozinhar é algo que me dá muito prazer; são as minhas melhores memórias com a minha mãe.

Preparei um desjejum grego com iogurte, frutas, mel, castanhas, pão pita, frios, azeitonas, bolo, torta, biscoitos, ovos mexidos com tomate e queijo feta e, é claro, o tradicional café grego. Queria deixar uma pista sobre a minha nacionalidade, já que não sabemos nada um do outro. Mas, para minha surpresa, ao voltar para o quarto, a estranha, ou melhor, Chiara Giordano, não estava lá.

Confesso que fiquei decepcionado. Essa coisa de sair sem se despedir é coisa de quem quer fugir.

- Tem algo que queira acrescentar, Eros? - meu pai pergunta, me tirando dos meus pensamentos.

O que dizer? Não prestei atenção em uma única palavra que Catarina falou.

- Acho que com Catarina Demetriou estão em ótimas mãos - falo, direcionando o meu olhar para os clientes.

Eu não minto, Catarina é a nossa publicitária mais experiente, e será promovida a diretora de marketing quando meu velho, meu irmão e eu nos mudarmos para a Itália.

A reunião chega ao fim. Meu pai e eu apertamos as mãos dos clientes, que logo deixam a sala de reuniões.

- Eros, o que está acontecendo com você ultimamente? - meu pai pergunta - Tem estado distante, distraído...

- Impressão sua - respondo. - Só me distrai um pouco na reunião.

- Você está distraído desde que voltou da Itália da última vez.

- Não sei de onde tirou isso, Sr. Theodore Makris - desconverso. - Mas me conta: e a mulher que conheceu na Itália?

Há dois meses, meu pai contou para mim e meu irmão que conheceu uma mulher em um café em Milão. Isso nos deixou bem surpresos, visto que a minha mãe morreu em um acidente há quinze anos e, desde então, ele assumiu o papel de viúvo e não considerou se relacionar com mais ninguém.

Não foi por falta de pretendentes. Cansei de ver mulheres se atirando em cima dele, mas sua vida se resumia a trabalhar e cuidar de mim e do Atlas.

Não estou afirmando que nunca mais o meu pai tocou em uma mulher, mas nenhuma delas foi importante a ponto de ele mencionar para mim e meu irmão.

A mulher de Milão deve ter algo especial, já que desde que a conheceu, o meu velho tem viajado para lá toda semana.

- Paola tem ocupado os meus pensamentos - um sorriso se formou no rosto do meu pai. - Temos passado bons momentos juntos, e sempre que chego à Grécia, sinto vontade de pegar o primeiro voo de volta para a Itália.

- Sr. Theodore Makris está apaixonado - sorrio, dando dois tapas em seu ombro.

- Eu quero essa mulher para mim, filho, mas não sei se ela está levando o que temos tão a sério quanto eu. Ontem, enquanto conversávamos por telefone, ela confessou que ainda não falou de mim para as suas filhas.

- Porque não tem uma conversa franca com ela sobre o que sente?

- Não sei - seu olhar fica distante. - Estou enferrujado para essas coisas. Não falo sobre sentimentos com outra mulher desde a sua mãe.

- Só seja sincero com ela.

- Vou pensar no que falar. À noite ligo para ela - meu velho fala, se levantando. - Vou almoçar com a sua tia. Ela quer conversar comigo.

- Sobre o que tia Hebe quer conversar?

- Ainda não sei, mas ela tem tentado me convencer de que a mudança para a Itália é um erro.

Hebe Megalos Makris é minha tia por parte de mãe. Ela e o meu pai se conheceram antes dos meus pais serem apresentados.

Meu velho me contou recentemente que quando tinham a minha idade, a tia Hebe se declarou apaixonada por ele. Dias depois, ele viu a minha mãe pela primeira vez e se apaixonou perdidamente.

Isso explica muita coisa, visto que eu sempre achei que a forma que a minha tia olha para o meu pai é diferente, mesmo quando era casada com meu tio, Leonidas Makris, que morreu de infarto a alguns anos.

Saio do escritório e dirijo até a academia. Marquei de encontrar com o Atlas.

Ao chegar, estaciono e vou direto para o vestiário.

- Faz tempo que chegou? - pergunto, dando um toque de mão no meu irmão, ao constatar que ele já está à minha espera.

- Alguns minutos - ele responde, sorrindo com o olhar fixo na tela do celular.

- Que cara é essa?

Abro o meu armário e começo a me trocar.

- Olha a gata que eu saí ontem - ele vira a tela do seu celular em minha direção. - Eduarda Magalhães, brasileira e está de férias na Grécia.

- Quantos anos a garota tem?

- Vinte e oito.

- Ela por acaso sabe que você é um bebezinho de vinte anos?

- Digamos que ela acha que eu tenho uns vinte e quatro anos.

- Mentiu sua idade? - o encaro, perplexo.

- Não. Ela perguntou a minha idade, eu perguntei quantos anos ela achava que eu tinha e ela falou vinte e quatro anos. A conversa encerrou aí.

- Então você não mentiu a sua idade, mas fez ela achar que você tinha vinte e quatro anos? - pergunto, dando um tapa em sua cabeça.

- Mais ou menos isso - o idiota sorri, presunçoso. - Ela é gata, tem um bom papo e o beijo é incrível. Senti falta de saber falar português, como você. Seria ótimo para impressioná-la.

- Conversaram em grego?

- Não. Ela também não sabe nada de grego. Conversamos em inglês, mas ela também fala um pouco de italiano.

Após nos exercitarmos por aproximadamente uma hora, meu irmão e eu vamos almoçar em um restaurante perto do escritório.

- E a garota da Itália? - Atlas pergunta, olhando o cardápio.

Atlas foi a única pessoa com quem conversei sobre a estranha da Itália, que agora sei que se chama Chiara Giordano.

- Eu descobri o nome dela - respondo, tentando parecer indiferente.

- E qual é o nome da garota?

- Chiara. Ela é modelo, tem fotos e vídeos de várias campanhas publicitárias dela em suas redes sociais.

- Tem foto dela? - pergunta, sorrindo. - Preciso ver o rosto da garota que tem tirado o foco do meu irmão no trabalho.

- Não viaja, Atlas - reviro os olhos. - Já não basta nosso pai, agora você também vai vir com essa conversa?

- O velho também notou? - ele sorri ainda mais.

Antes que eu possa dar uma resposta atravessada para o meu irmão, o garçom nos interrompe.

Fazemos os nossos pedidos e, enquanto esperamos, mostro a foto da garota.

- Uau! Bem gata - fala. - Mas é diferente do perfil de mulheres que te vejo saindo.

- Como assim?

- Não é loira, não aparenta ser tão alta e nem tão magra, apesar de ser modelo. Pelo visto, não é só nas passarelas que os padrões estão mudando.

- Está falando isso pela Penélope?

- E pela Sophia.

- Só coincidência.

- Pode ser, mas e aí? Deixou uma mensagem?

- O quê? Para a garota da Itália? - pergunto. - Claro que não. Só fiquei intrigado e curioso.

- Sei... - é notável que o meu irmão está sendo irônico.

- Vai se ferrar, Atlas - retruco.

- Não precisa ficar bravinho. Só acho que, se gostou da garota, deveria procurá-la.

Nosso almoço é servido. Como temos muitas coisas para resolver até a mudança para a Itália, mudo o foco do assunto.

- Já decidiu sobre a universidade da Itália?

- Praticamente. Estou pensando em me matricular na mesma que você.

- É uma das melhores universidades. Tenho certeza que você vai gostar.

Atlas direcionou o olhar para algo atrás de mim.

- Não é Penélope ali atrás?

- Penélope está aqui? - pergunto, girando o meu pescoço. - Será que é coincidência?

- Só você para acreditar nessas coincidências. Penélope sabe que costumamos almoçar nesse restaurante.

- Restaurantes são locais públicos, não posso impedi-la de frequentar. Pelo menos ela não está mais indo até o escritório.

- Ela só parou de ir ao escritório porque você barrou a entrada dela.

- Eu não barrei, só pedi que ela não ficasse aparecendo lá sem avisar.

- Ou seja, barrou educadamente.

Eu e Penélope namoramos por alguns meses. Eu não sei o que acontece comigo, mas não consigo fazer com que meus relacionamentos durem. É como se faltasse algo, e quando passa o "encanto" pela atração física, não consigo permanecer na relação.

- Não olha para trás, mas sua ex está vindo em nossa direção - Atlas alerta.

- Eros, posso falar com você? - Penélope pergunta, se colocando em pé em frente a nossa mesa.

- Como vai, Penélope? - pergunto.

- Oi para você também, Penélope! - Atlas fala, propositalmente.

- Oi, Atlas! - ela responde ao meu irmão com um certo desdém e direciona o olhar para mim novamente. - Eros, eu tentei te dar espaço, não estou indo mais no seu trabalho como você me pediu, mas essa sua insanidade está durando tempo demais.

- Insanidade? - pergunto, com o meu cenho franzido.

- Sim. Qualquer pessoa percebe que nós somos perfeitos juntos - ela insiste.

- Eu não acho - Atlas retruca.

- O quê? - Penélope pergunta, incrédula.

- Você pode ter um rostinho bonito e muitos seguidores nas redes sociais, mas nada disso te tornou uma pessoa humilde, muito pelo contrário, você é prepotente, se sente superior as outras pessoas, tudo que o Eros não gosta em uma mulher.

Assim, maninho, na lata?

- Pirralho, não se mete - Penélope fala, com seus olhos semicerrados. - A conversa ainda não chegou no jardim de infância.

- Atlas tem razão, Penélope. - falo. - As pessoas podem até achar que somos "perfeitos juntos", como você mencionou, porque não nos conhecem intimamente e não viveram a nossa relação. Nós não queremos as mesmas coisas, não nos amamos...

- Como pode falar isso? - ela pergunta, não permitindo que eu continue a falar. - Eros, é claro que eu amo você.

- Não, Penélope, você gosta do que o status da minha família pode te proporcionar. Busque alguém que queira as mesmas coisas que você, eu não sou esse cara.

- Eros Makris, você vai se arrepender por estar me dispensando e, talvez, quando cair na real eu não estarei mais aqui - ela fala, virando as costas, dando passadas firmes de volta à sua mesa.

- Já se imaginou casado com Penélope e tendo que aguentá-la todos os dias? - meu irmão pergunta, sorrindo.

- Não.

- Posso imaginar porquê. Seria um verdadeiro pesadelo.

Capítulo 3 Eles serão como irmãos.

CHIARA GIORGANO

Quando acordei naquela manhã em que tive a minha primeira vez com aquele estranho, olhei para o meu lado na cama e vi que ele não estava lá. O cara simplesmente se certificou de ir embora antes que eu acordasse.

Por um lado, foi bom evitar todo aquele clima estranho no dia seguinte. Sempre vejo nos filmes, que as pessoas ficam meio que sem saber como se comportar ao acordar na manhã seguinte quando o sexo é casual. Por outro lado, tudo bem que foi tudo consensual, mas não pude evitar uma pontinha de frustração ao me ver sozinha naquele quarto de hotel.

Uma coisa é inegável: o estranho sabe fazer a primeira vez de uma mulher se tornar especial. Ainda sinto um friozinho na barriga todas as vezes que me lembro de tudo que ele me fez sentir.

Eu tinha feito minha pesquisa de campo, então nunca criei grandes expectativas com relação a prazer e orgasmo na primeira vez, mas, com ele, fui surpreendida positivamente.

Naquele dia, me senti uma boba por achar que o desfecho daquela noite poderia ter sido diferente. Eu, após tomar um banho de água fria, vesti minhas roupas e fui até a recepção do hotel, onde constatei que toda a conta estava paga. Em seguida, peguei um táxi e fui para casa.

Não sabia nada sobre o estranho, então nem me dei o trabalho de pesquisar nada a seu respeito, mas confesso que me pego pensando nele. Tenho curiosidade de quem são seus amigos, familiares, os lugares que ele costuma frequentar...

Estou na universidade, uma delas para ser mais exata.

Curso gestão de inovação e empreendedorismo na universidade de Milão no período da manhã e design de moda na Fashion Institute of Technology à tarde. Quero ter a minha própria marca de roupas sustentáveis, mesmo que para isso, eu precise estudar pelo menos, umas dez horas todos os dias.

Também sou modelo e, enquanto estava apenas em uma universidade, conseguia fazer alguns desfiles e fotos em estúdios. Mas, já não consigo mais conciliar, então raramente pega algum trabalho.

Saio da aula de metodologias de gestão, a última do dia, para a minha felicidade porque estou exausta.

- Chiara! - uma voz masculina me chama, e logo a reconheço.

Olho para trás e vejo Luca se aproximando.

Ele é um encontro que deu errado para relacionamento amoroso, mas que tem se tornado um bom amigo.

- Oi, Luca! - diminuo o passo. - Tudo bem?

- Sim. Vai rolar uma festinha na minha casa amanhã. Está a fim de ir?

Pondero por alguns segundos. Estou bem cansada e tenho muita matéria para estudar, mas até que uma festinha seria bom para descansar um pouco a mente.

- Pode ser. - respondo.

- Vai ser durante o dia na beira da piscina.

- Legal! - respondo, com um sorriso. - Obrigada pelo convite!

- Vou te mandar a localização por mensagem.

- Certo. Até amanhã, Luca!

- Até amanhã, Chiara!

Ando até o estacionamento e passo por Elisa, ela finge não me ver.

Eu já suspeitava que a sua aproximação há um mês atrás era por interesse nas entradas da boate do Matteo, mas a garota nem disfarça.

As únicas vezes que ela me cumprimentou desde então, foi quando nos esbarramos nos corredores, mais precisamente, em situações onde ela não conseguia fingir que não me viu.

Não me incomodo de não termos nos tornado amigas. Para ser bem sincera, nem quero alguém assim no meu ciclo de amizades, mas me incomoda pessoas interesseiras como ela, que usam outras pessoas apenas para benefício próprio.

Estou prestes a entrar no meu carro, quando o meu celular toca.

Deslizo o dedo na tela do aparelho e coloco no ouvido enquanto entro no carro.

- Oi, mamãe!

- Oi, filha!

- Está tudo bem?

- Sim. Você está ocupada?

- Não. Acabei de entrar no carro, estou indo para casa. Por quê? Aconteceu alguma coisa?

- Pode me encontrar na casa da Elena? Preciso conversar algo com vocês duas.

- Está me assustando.

- Estou bem filha, não se preocupe. Só tem algo que quero compartilhar com minhas filhas.

Minha mãe teve câncer de mama há alguns anos e não consigo deixar de me preocupar com ela, nunca.

- Tudo bem! - respondo. - Chego na casa da Lena em alguns minutos.

- Estou aguardando. Te amo, minha peixinha!

- Te amo, mamãe!

Quando comecei a fazer natação, ainda criança, para auxiliar no tratamento das crises fortes de asma que eu vivia tendo, minha mãe, meu pai e Elena começaram a me chamar de peixinha.

Perdemos o nosso pai há alguns anos, mas minha mãe e Lena ainda me chamam assim.

Chego na casa da minha irmã, que está com um barrigão enorme de oito meses. A pequena Bianca está à caminho. Estou amando ser titia e vou mimar muito a minha pequena.

Dou um abraço na Lena e um beijo na sua barriga.

- Como está, peixinha? - Lena pergunta.

- Estou bem! - respondo bocejando. - Estudando muito, dormindo pouco, mas estou bem.

- E a asma?

- Controlada.

- Bombinha e Epinefrina?

- Na bolsa.

Eu e Elena nos preocupamos o tempo inteiro com nossa mãe, e elas se preocupam o tempo inteiro comigo.

Além da asma, tenho alergia a alguns alimentos e medicamentos e, para prevenir a anafilaxia, ando sempre com a caneta de Epinefrina na bolsa.

Nós sentamos na varanda. O clima está agradável.

- Cadê Matteo? - pergunto.

Antes que Elena responda, meu cunhado aparece na área externa.

Ele nos cumprimenta e senta ao lado da minha irmã.

- Chiara, hoje teremos um DJ muito bom lá na boate - ele comenta. - O cara participa de vários festivais. Se quiser, sabe que sempre tem entradas Vips para você.

- Obrigada, Matteo! Mas hoje eu estou exausta.

- Fazer duas universidades ao mesmo tempo não deve ser fácil - meu cunhado comenta.

- Não é - respondo -, mas, falta menos de um ano para eu concluir a universidade de moda.

- Como estão as aulas, Chiara? - Elena pergunta.

- Estou em semana de prova e entregando alguns trabalhos, por isso está bem exaustivo. Mas, em dias comuns, consigo conciliar. - explico.

- Vou preparar um café. - Matteo fala, se levantando.

O marido da minha irmã sai e, minutos depois, volta com uma bandeja.

- Amor, para você eu trouxe um suco. - ele fala, entregando o copo à Elena.

- Obrigada, amor! - ela responde, tomando um gole do suco de cor amarela.

- O que quer compartilhar conosco, mamãe? - pergunto.

- Vou ser direta com vocês. - ela fala, parece nervosa. - Estou em um relacionamento.

Eu e Elena nos olhamos, sorrindo. Matteo encara a minha mãe com uma sobrancelha arqueada e um leve sorriso.

- Quem é o sortudo? - ele pergunta.

- Ele é grego, viúvo e tem dois filhos. - responde, sorridente. - Seu nome é Theodore Makris, eu o conheci em uma cafeteria há dois meses atrás.

- Makris? Tem algo a ver com os hotéis Makris? - pergunto. É inevitável não lembrar do estranho da outra noite. Aquele babaca que fugiu sem nem se despedir.

- Sim. Os hotéis, assim como outros empreendimentos Makris, são herança de família, mas, segundo ele, o que ama mesmo fazer é trabalhar em sua agência de publicidade. Ele me contou todo presunçoso que sua agência é a mais forte no segmento em toda a Grécia.

- Uau, Dona Paola! - Elena sorri, encarando a mamãe. - Fisgou um milionário.

- Sabe que eu não ligo para essas coisas. Apesar de ser elegante, ele é um homem bem simples. - nossa mãe explica. - Tivemos alguns encontros até eu saber que ele fazia parte da família Makris dos hotéis. Até então, ele só havia me contado que é um publicitário grego.

- E por que só está nos contando agora? - pergunto.

- Um dos motivos é que estávamos nos conhecendo e eu queria ver no que iria dar. - ela respira fundo. - O outro motivo é que eu estava com receio da reação de vocês.

- Que reação achou que teríamos? - Lena pergunta.

- Não sei. - ela põe a mão no rosto, visivelmente nervosa. - Eram tão grudadas com o pai de vocês, principalmente você, Elena.

- Mamãe, amamos você e queremos que seja feliz. - falo, passando meu braço em volta dos seus ombros.

- Acho que, na verdade, eu estou me sentindo culpada de colocar alguém no lugar do pai de vocês. - ela segura minha mão.

- Mamãe... - a encaro. - Você ainda é jovem e já passou por tanta coisa. Merece ser feliz.

- Duvido que o papai ia querer que você deixasse de viver. - Elena enfatiza.

- Então quer dizer que vocês estão bem com a notícia? - ela pergunta.

- Sim - respondo. - Mas precisamos conhecer o nosso padrasto para dar a nossa benção.

- Tem uma outra coisa que eu preciso contar. - nossa mãe fala, sua testa está levemente enrugada.

- Dona Paola está cheia de novidades - brinco.

- Theodore ficou ligeiramente ofendido porque eu ainda não tinha contado para minhas filhas sobre ele. Eu falei que hoje mesmo conversaria com vocês, e ele me surpreendeu com uma pergunta.

- Qual? - pergunto.

- Ele perguntou se caso vocês aprovassem a nossa relação, eu aceitaria me casar com ele.

- O quê? - coloco a mão na boca, surpresa.

- Meu Deus! Vocês não estou indo rápido demais? - Elena pergunta.

- Pensei isso no primeiro momento. - mamãe responde. - Mas, não temos mais a idade de vocês, somos viúvos, vividos, cada um com a sua trajetória viveu muitas coisas boas e provações. Por que esperar se estivermos certos do que queremos? Theodoro está viúvo a quinze anos e, desde então, nunca mais se casou. Acredito que se chegou a propor algo assim para mim, não foi pelo calor do momento.

- Tem razão. - Elena fala. - É só preocupação de filha.

- Pelo que posso ver nesses olhinhos brilhantes, ficou bem empolgada com a proposta. Estou certa? - pergunto.

- Sim. Está certa - ela responde. - Não achei que fosse me relacionar novamente com alguém depois do pai de vocês, mas pela primeira vez em anos, me sinto viva. Gosto da companhia do Theodore e das nossas conversas ao telefone. Ele é cavalheiro, atencioso e muito educado.

- E quando iremos conhecê-lo? - pergunto.

- Era sobre isso que eu também queria falar - ela responde. - Farei um jantar na nossa casa amanhã para que todos possamos nos conhecer. Ele virá com os filhos.

- Amanhã? - pergunto. - Não achei que seria tão rápido.

- Nem eu. - ela diz, com um sorriso. - Theodore me falou essa tarde. Parece que a decisão foi de última hora. Eles virão para passar o final de semana, mas a mudança só acontecerá no próximo mês, até porque a casa deles aqui na Itália está em reforma.

- Mudança? - pergunto.

- Ele e os filhos moram na Grécia, mas se mudarão para a Itália em breve. Querem trazer uma filial da agência de publicidade deles para o nosso país. - ela explica.

Minutos depois, jantamos todos juntos.

Não iríamos ficar, mas Matteo e Elena insistiram.

Durante o jantar, o assunto foi a minha sobrinha. Falta três ou quatro semanas para a nossa pequena vir ao mundo, e estamos todos ansiosos pela sua chegada.

Após o jantar, eu e a minha mãe nos despedimos da Lena e do Matteo e entramos no carro.

- Mamãe, vai precisar de ajuda para o jantar de amanhã?

- Não, a Emma vai me ajudar a preparar.

- Eu vou até a casa de um amigo da universidade durante o dia. Ele fará uma festa na piscina, mas no final da tarde estarei em casa.

- Claro, filha! Precisa se divertir um pouco, tem estudado demais.

- Será que os filhos do Theodore são legais?

- Espero que sim. Tenho pensado bastante sobre isso. Afinal de contas, se tudo der certo, nós seremos uma família.

- O que eles serão meus?

- Eles serão como irmãos.

- Espero que não sejam dois pentelhos. - falo, e minha mãe sorri.

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