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O Fim de Um Ciclo Doloroso

O Fim de Um Ciclo Doloroso

Autor:: Jessica
Gênero: Moderno
A memória da minha vida passada era um zumbido constante, uma dor que nunca desaparecia. Lembro-me do meu filho, Léo, o seu pequeno peito a subir e a descer com dificuldade na cama de hospital, vítima de uma alergia grave a amendoins que o Marcos, meu marido, sempre desconsiderou. Naquele dia fatídico, Léo sofreu um choque anafilático severo depois de comer um bolo na casa da amante do meu marido, Laura, uma viúva que Marcos insistia que precisava da 'nossa' ajuda. Eu gritei para o Marcos que precisávamos ir para o hospital imediatamente, mas ele, terrivelmente calmo, preferiu acreditar na Laura, que insinuou que Léo estava a fazer birra. Cada segundo perdido foi uma facada no meu coração. Quando chegámos ao hospital, já era tarde demais. Léo, o meu anjinho, o meu único filho, morreu. Morreu porque o pai preferiu acreditar na amante, e porque uma mulher invejosa e cruel o envenenou deliberadamente. A dor consumiu-me, o luto transformou-se em ódio. Marcos e Laura usaram o seu dinheiro e influência para abafar tudo, e eu fui retratada como uma mãe negligente e histérica. Eu vivi o resto dos meus dias num inferno de solidão e desespero, até que a escuridão finalmente me engoliu. E então... eu acordei. "Mamã, acorda! Vamos perder o autocarro para a escola!" Era a voz do Léo. Eu tinha voltado. Tinha voltado a três anos antes da sua morte. Tinha recebido uma segunda oportunidade. E desta vez, eu não ia falhar. Eu ia proteger o meu filho e fazer com que aqueles que lhe fizeram mal pagassem. Cada um deles. Desta vez, a história seria diferente.

Introdução

A memória da minha vida passada era um zumbido constante, uma dor que nunca desaparecia.

Lembro-me do meu filho, Léo, o seu pequeno peito a subir e a descer com dificuldade na cama de hospital, vítima de uma alergia grave a amendoins que o Marcos, meu marido, sempre desconsiderou.

Naquele dia fatídico, Léo sofreu um choque anafilático severo depois de comer um bolo na casa da amante do meu marido, Laura, uma viúva que Marcos insistia que precisava da 'nossa' ajuda.

Eu gritei para o Marcos que precisávamos ir para o hospital imediatamente, mas ele, terrivelmente calmo, preferiu acreditar na Laura, que insinuou que Léo estava a fazer birra.

Cada segundo perdido foi uma facada no meu coração.

Quando chegámos ao hospital, já era tarde demais.

Léo, o meu anjinho, o meu único filho, morreu.

Morreu porque o pai preferiu acreditar na amante, e porque uma mulher invejosa e cruel o envenenou deliberadamente.

A dor consumiu-me, o luto transformou-se em ódio.

Marcos e Laura usaram o seu dinheiro e influência para abafar tudo, e eu fui retratada como uma mãe negligente e histérica.

Eu vivi o resto dos meus dias num inferno de solidão e desespero, até que a escuridão finalmente me engoliu.

E então... eu acordei.

"Mamã, acorda! Vamos perder o autocarro para a escola!"

Era a voz do Léo.

Eu tinha voltado.

Tinha voltado a três anos antes da sua morte.

Tinha recebido uma segunda oportunidade.

E desta vez, eu não ia falhar.

Eu ia proteger o meu filho e fazer com que aqueles que lhe fizeram mal pagassem.

Cada um deles.

Desta vez, a história seria diferente.

Capítulo 1

A memória da minha vida passada era um zumbido constante, uma dor que nunca desaparecia por completo. Eu me lembrava de tudo com uma clareza terrível.

Lembro-me do meu filho, Léo, deitado numa cama de hospital, o seu pequeno peito a subir e a descer com dificuldade.

Ele tinha apenas cinco anos e sofria de uma alergia grave a amendoins, algo que o meu marido, Marcos, sempre considerou um exagero da minha parte.

"É só um pouco de cuidado extra, Sofia. Não precisa fazer disso um drama", ele dizia, revirando os olhos.

Naquele dia fatídico, estávamos na casa da família de uma colega de trabalho dele. O nome dela era Laura, uma viúva que Marcos insistia que precisava da nossa ajuda e compaixão.

Laura ofereceu um pedaço de bolo ao Léo.

Eu perguntei imediatamente: "Tem amendoim? Ele é extremamente alérgico".

Laura sorriu, um sorriso que hoje sei que era falso. "Claro que não, Sofia. Eu nunca faria isso. Sou mãe também".

Eu acreditei. E esse foi o meu maior erro.

Minutos depois, o rosto do Léo começou a inchar. Os seus lábios ficaram azuis. Ele não conseguia respirar.

Eu entrei em pânico, gritei para o Marcos que precisávamos ir para o hospital imediatamente.

Mas Marcos estava calmo, terrivelmente calmo. "Calma, Sofia. Não vamos estragar a festa. A Laura disse que não tem amendoim. Deve ser outra coisa. Ele só está a fazer birra".

Laura concordou, colocando uma mão no ombro de Marcos. "Ele deve ter-se engasgado com um pouco de bolo. Dê-lhe um pouco de água".

Eles agiram em conluio, uma frente unida de indiferença e crueldade. Cada segundo perdido era uma facada no meu coração e uma sentença de morte para o meu filho.

Quando finalmente chegámos ao hospital, já era tarde demais. O médico disse as palavras que destruíram o meu mundo: "Choque anafilático severo. Fizemos tudo o que podíamos".

Léo, o meu anjinho, o meu único filho, morreu.

Morreu porque o seu pai preferiu acreditar na amante a acreditar na sua esposa. Morreu porque uma mulher invejosa e cruel o envenenou deliberadamente.

A dor consumiu-me. O luto transformou-se em ódio. Mas eu não podia fazer nada. Marcos e Laura usaram o seu dinheiro e influência para abafar tudo. Fui retratada como uma mãe negligente e histérica.

Eu vivi o resto dos meus dias num inferno de solidão e desespero, até que um dia, a escuridão finalmente me engoliu.

E então... eu acordei.

A luz do sol entrava pela janela do meu quarto. O cheiro de café fresco vinha da cozinha. E o som mais doce do mundo chegou aos meus ouvidos.

"Mamã, acorda! Vamos perder o autocarro para a escola!"

Era a voz do Léo.

Sentei-me na cama, o coração a bater descontroladamente. Olhei para as minhas mãos. Eram as minhas mãos, mas mais jovens, sem as rugas de tristeza que eu conhecia tão bem.

Léo entrou a correr no quarto, o seu rosto rosado e cheio de vida. Ele pulou para a cama e abraçou-me com força.

"Mamã, estás a chorar?"

Eu toquei no rosto dele, no seu cabelo, nos seus bracinhos. Ele era real. Ele estava vivo.

As lágrimas corriam pelo meu rosto, mas não eram de tristeza. Eram de alívio, de uma gratidão tão profunda que me sufocava.

Eu tinha voltado. Tinha voltado a três anos antes da sua morte.

Eu tinha recebido uma segunda oportunidade.

E desta vez, eu não ia falhar. Eu ia proteger o meu filho. E ia fazer com que aqueles que lhe fizeram mal pagassem. Cada um deles.

Abracei o Léo com toda a minha força, inalando o seu cheiro infantil.

"Não, meu amor", sussurrei. "A mamã não está a chorar. A mamã está feliz. Muito, muito feliz".

Desta vez, a história seria diferente.

Capítulo 2

A minha primeira decisão foi imediata e inabalável: Léo tinha de sair daquela casa. Tinha de ficar longe de Marcos e, consequentemente, de Laura.

Na mesma manhã, enquanto Marcos ainda estava no chuveiro, eu liguei para os meus pais. Eles viviam numa cidade pequena e tranquila a algumas horas de distância.

"Mãe", eu disse, a minha voz firme, escondendo o turbilhão de emoções dentro de mim. "Preciso de um favor. Preciso que o Léo passe um tempo com vocês".

A minha mãe ficou surpreendida. "Aconteceu alguma coisa, filha? Vocês brigaram?"

"Não, está tudo bem. É só... o ar da cidade não lhe está a fazer bem. Ele precisa de um ambiente mais calmo, mais saudável. Por favor, mãe".

Ela hesitou por um momento, mas a urgência na minha voz convenceu-a. "Claro, filha. A casa do avô está sempre aberta para ele".

Desliguei o telefone e comecei a fazer a mala do Léo. As suas roupas pequenas, os seus brinquedos favoritos, o seu livro de dinossauros. Cada item era uma promessa de que desta vez eu o manteria seguro.

Léo entrou no quarto, os seus olhos grandes e curiosos fixos na mala aberta.

"Mamã, vamos viajar?"

Ajoelhei-me à sua frente e segurei as suas mãos. "Meu amor, vais passar umas férias na casa da avó e do avô. Vais poder brincar no quintal grande deles e comer os bolos deliciosos da avó".

O seu rosto murchou um pouco. "Mas tu não vens?"

Aquela pergunta partiu-me o coração. Na minha vida passada, eu nunca o deixei. Agora, para o salvar, eu tinha de o afastar de mim.

"A mamã tem de resolver umas coisas aqui, meu amor. Mas eu prometo que vou visitar-te sempre que puder. E vamos falar por vídeo todos os dias".

Ele abraçou-me, o seu pequeno corpo a tremer ligeiramente. "Vou sentir a tua falta, mamã".

"Eu também vou sentir a tua falta, mais do que imaginas", sussurrei, lutando para não chorar.

Quando Marcos saiu do quarto de banho, viu a mala e franziu a testa.

"O que é isto? Vais a algum lado?"

"O Léo vai", respondi, a minha voz fria. "Ele vai passar um tempo com os meus pais".

A expressão de Marcos mudou de confusão para raiva. "Tu decidiste isso sozinha? Sem falar comigo? Que tipo de mãe és tu que manda o filho para longe?"

As suas palavras eram as mesmas acusações que ele usaria contra mim no futuro. Mas desta vez, elas não me atingiram. Eu estava blindada pela memória da dor que ele me causou.

"Uma mãe que se preocupa com o bem-estar do seu filho", respondi, olhando-o nos olhos.

"Bem-estar? Ele está perfeitamente bem aqui! Estás a ser egoísta, Sofia! Estás a privá-lo do pai dele só porque estás chateada com alguma coisa!"

Ele aproximou-se, a sua voz a subir de tom, tentando intimidar-me como sempre fazia.

"Ele precisa de ar puro. A poluição da cidade não lhe faz bem", usei a mesma desculpa que dei à minha mãe, uma desculpa plausível que escondia a verdade aterrorizante.

Marcos riu, um riso de escárnio. "Ar puro? Que besteira é essa? Estás a inventar desculpas! Se o levares, ele vai crescer ressentido contigo. Ele vai pensar que a mãe dele o abandonou. Já pensaste nisso?"

Era chantagem emocional, a sua arma preferida. Mas eu já não era a mesma Sofia.

Olhei para ele, um sorriso gelado a formar-se nos meus lábios.

"Sabes, Marcos, talvez tenhas razão. Talvez eu devesse pensar mais nas pessoas que precisam de atenção", fiz uma pausa deliberada. "Como a Laura, por exemplo. Ela parece precisar de muito apoio ultimamente, não é? Deves estar muito ocupado a dar-lhe esse apoio".

O rosto de Marcos congelou. A raiva deu lugar ao choque e a um pânico mal disfarçado.

Ele sabia.

Eu sabia.

O jogo tinha começado.

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