Meu mundo desmoronou quando o médico entregou o relatório, dizendo:
"O feto não tem qualquer relação de sangue com o seu marido, o Senhor Miguel."
Grávida de sete meses, apenas com meu marido, como isso era possível?
Antes que eu pudesse processar o choque, minha sogra Clara, com sua voz fria e cheia de acusação, me chamou, ignorando minha angústia, preocupada apenas com sua sobrinha Sofia.
"Nem penses em voltar a esta casa se não fores buscar a Sofia!" ela gritou, encerrando a chamada.
Olhei para o relatório, depois para a minha barriga.
O amor e a expectativa deram lugar a um vazio profundo.
E essa família...
Essa casa...
Tudo era uma piada de mau gosto.
A dor de ter que abortar meu filho foi insuportável.
Quando Miguel voltou, eu apenas lhe entreguei os papéis do divórcio.
"O bebê... já não existe."
Ele explodiu.
"Abortaste o meu filho? Traíste-me!"
Miguel me agarrou pelos ombros, a dor física era nada perto da dor no meu coração.
Clara e Sofia se juntaram à orquestra de acusações, expulsando-me de casa como lixo.
Mas eu não tinha traído ninguém.
Se o bebê não era dele, e eu nunca estive com mais ninguém, quem era o pai?
Quem estava por trás dessa traição sórdida?
A verdade era mais horrível do que eu podia imaginar.
Com a ajuda do meu irmão. eu decidi que ia descobrir.
E eles, eles iriam pagar.
Com juros.
O médico entregou-me o relatório do teste de paternidade.
"Senhora, o resultado saiu, o feto não tem qualquer relação de sangue com o seu marido, o Senhor Miguel."
As palavras dele foram como um trovão num dia de sol, deixando-me completamente atordoada.
Eu segurava o relatório com as mãos a tremer, cada palavra a desfocar-se à minha frente.
Impossível, como é que isto é possível?
Eu só estive com o Miguel.
Nesse momento, o meu telemóvel tocou. Era uma chamada de vídeo da minha sogra, a Clara.
Atendi, ainda em estado de choque.
No ecrã, o rosto zangado da Clara apareceu.
"Eva, onde estás? Não te disse para ires buscar a Sofia ao aeroporto? Ela acabou de me ligar a dizer que está à tua espera há meia hora!"
A voz dela era aguda e cheia de acusação.
A Sofia, a sua sobrinha, tinha acabado de regressar do estrangeiro e ia ficar em nossa casa.
Eu respondi com a voz trémula: "Clara, eu estou no hospital, o bebé..."
Antes que eu pudesse terminar, a Clara interrompeu-me bruscamente.
"Hospital? Que hospital? Estás a fingir que estás doente para não ires buscar a Sofia? Deixa-me dizer-te, a Sofia não é uma estranha, ela é a minha sobrinha! E mais, o Miguel está numa viagem de negócios importante, não o podes incomodar com estas ninharias!"
A sua voz era fria, sem um pingo de preocupação.
"Eu não estou a fingir, o bebé..."
"Chega!"
Ela gritou.
"Se não fores buscar a Sofia agora, nem penses em voltar a esta casa!"
A chamada terminou abruptamente.
Olhei para o ecrã escuro, o meu coração a afundar-se.
Olhei novamente para o relatório na minha mão, e depois para a minha barriga de sete meses.
Uma sensação de absurdo tomou conta de mim.
Este bebé, que eu carregava com tanto amor e expectativa, não era do meu marido.
E a minha sogra, em vez de se preocupar com o seu neto, só se importava com a sua sobrinha.
Senti um arrepio.
Esta família, esta casa, pareciam uma piada de mau gosto.
Decidi.
Este casamento tinha de acabar.
Este bebé, eu não o podia ter.
Tomei a decisão mais difícil da minha vida.
Fiz uma cirurgia de interrupção da gravidez.
Quando acordei, a anestesia ainda me deixava grogue. O meu corpo estava vazio e o meu coração também.
O Miguel regressou da sua "viagem de negócios" três dias depois.
Assim que entrou em casa, viu-me sentada no sofá com o acordo de divórcio na mesa.
"Eva, que raio estás a fazer? Onde está o bebé?"
O seu tom era de impaciência, como se eu o estivesse a incomodar.
Eu olhei para ele, o homem com quem estive casada durante dois anos, e senti-me uma estranha.
"Miguel, vamos divorciar-nos."
A minha voz era calma, surpreendentemente calma.
"O bebé... já não existe."
O rosto do Miguel mudou instantaneamente.
A sua fúria explodiu como um vulcão.
"O quê? Tu abortaste o meu filho? Eva, enlouqueceste?"
Ele agarrou-me pelos ombros, a sua força era brutal.
"Quem te deu o direito? Aquele era o meu filho!"
Eu olhei para ele, sentindo a dor nos meus ombros, mas a dor no meu coração era muito maior.
"Teu filho?"
Eu ri, um riso amargo e desolado.
"Miguel, tens a certeza que era teu filho?"
Joguei o relatório do teste de paternidade na cara dele.
"Abre os olhos e vê bem. Este bebé não tinha nada a ver contigo."
O Miguel ficou paralisado, a sua expressão congelou.
Ele pegou no relatório, os seus olhos percorreram as palavras, e o seu rosto ficou pálido.
"Isto... isto é impossível! É falso! Tu falsificaste isto para te divorciares de mim!"
Ele rasgou o relatório em pedaços, atirando-os ao ar como confetes numa celebração macabra.
"Eva, tu tiveste um caso! Tu traíste-me!"
A sua acusação era a coisa mais ridícula que eu já tinha ouvido.
Nesse momento, a porta abriu-se e a Clara entrou com a Sofia.
A Sofia, com a sua aparência delicada e inocente, olhou para a cena com os olhos arregalados.
"Tia, Miguel, o que se passa?"
A Clara viu os pedaços de papel no chão e a minha expressão fria.
Ela correu para o lado do Miguel, protegendo-o como se eu fosse uma ameaça.
"Eva, o que fizeste ao meu filho? Porque é que estás a gritar com ele?"
Eu olhei para ela, a raiva a borbulhar dentro de mim.
"Pergunta ao teu filho precioso o que ele fez. Pergunta-lhe porque é que o bebé que eu carregava não era dele."
A Clara ficou chocada.
"Do que estás a falar? Estás a insinuar que o meu filho não é capaz?"
O Miguel, recuperando do choque, apontou para mim e gritou: "Mãe, ela traiu-me! Ela engravidou de outro homem e agora quer culpar-me!"
A Sofia aproximou-se, pegando no braço do Miguel com uma expressão de preocupação.
"Miguel, não fiques assim. A Eva não deve ter feito de propósito. Talvez tenha sido um erro."
A sua voz era suave e reconfortante, mas as suas palavras eram venenosas.
Eu olhei para ela, para a sua falsa inocência.
"Um erro? Engravidar de outro homem é um erro?"
Eu ri-me.
"Sofia, és muito generosa."
A Clara, ouvindo as palavras do Miguel, explodiu.
"Sua desavergonhada! Como te atreves a fazer uma coisa destas à nossa família? Queres o divórcio? Ótimo! Sai da minha casa agora mesmo! Não leves nada contigo, nem um cêntimo!"
Ela apontou para a porta, o seu rosto distorcido pela raiva.
Eu olhei para eles os três.
O marido que me acusava, a sogra que me insultava, e a sobrinha que fingia ser boazinha.
Senti-me como se estivesse a ver uma peça de teatro absurda.
"Não te preocupes," eu disse, a minha voz fria como gelo.
"Eu não quero nada desta casa. Só quero o divórcio."
Virei-me e saí, sem olhar para trás.
Não havia mais nada para mim ali.