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O Grito Silencioso de Uma Mãe

O Grito Silencioso de Uma Mãe

Autor:: Roda Kinder
Gênero: Moderno
O meu filho, Lucas, desapareceu no supermercado Pingo Doce, e foi aí que a minha vida, tal como a conhecia, se desfez em mil pedaços. Imagine o pânico a subir-nos pela garganta, o coração a bater descontroladamente, enquanto corremos por corredores aparentemente intermináveis, gritando o nome do nosso filho, que se desvaneceu entre as prateleiras. Agarrada ao telemóvel, as minhas mãos tremiam incontrolavelmente ao ligar ao meu marido, André. Ele atendeu, mas a sua voz não era de preocupação, mas de frieza e aborrecimento: "O que foi, Sofia? Estou numa reunião importante." E depois, o choque: ao fundo, ouvi a voz melosa da minha cunhada, Isabel, e a resposta dele, cruel e pública, "Não é nada, Isa. É só a Sofia a fazer um drama outra vez." A minha voz embargou, "Um drama? O nosso filho desapareceu e tu chamas a isso um drama?" Mas ele desligou, dizendo que "tinha de acalmar a Isabel". Naquele momento, no meio do barulho indiferente do supermercado, com o ecrã escuro do telemóvel a refletir o meu rosto pálido, a realidade atingiu-me com a força de uma parede de betão. Aquele homem, o pai do meu filho, escolhera consolar a irmã, que alegava um ataque de pânico imaginário, em vez de me ajudar a procurar a nossa criança. Como era possível que a vida que eu construíra fosse tão frágil, tão desprovida de amor e prioridade por parte de quem deveria ser o meu pilar? Como podia ele ser tão cego, tão indiferente ao nosso filho? Foi então que soube: este casamento tinha acabado. Não havia mais nada a salvar. E eu faria tudo para proteger o Lucas, nem que isso significasse uma guerra que eu estava finalmente pronta para travar.

Introdução

O meu filho, Lucas, desapareceu no supermercado Pingo Doce, e foi aí que a minha vida, tal como a conhecia, se desfez em mil pedaços.

Imagine o pânico a subir-nos pela garganta, o coração a bater descontroladamente, enquanto corremos por corredores aparentemente intermináveis, gritando o nome do nosso filho, que se desvaneceu entre as prateleiras. Agarrada ao telemóvel, as minhas mãos tremiam incontrolavelmente ao ligar ao meu marido, André.

Ele atendeu, mas a sua voz não era de preocupação, mas de frieza e aborrecimento: "O que foi, Sofia? Estou numa reunião importante." E depois, o choque: ao fundo, ouvi a voz melosa da minha cunhada, Isabel, e a resposta dele, cruel e pública, "Não é nada, Isa. É só a Sofia a fazer um drama outra vez." A minha voz embargou, "Um drama? O nosso filho desapareceu e tu chamas a isso um drama?" Mas ele desligou, dizendo que "tinha de acalmar a Isabel".

Naquele momento, no meio do barulho indiferente do supermercado, com o ecrã escuro do telemóvel a refletir o meu rosto pálido, a realidade atingiu-me com a força de uma parede de betão. Aquele homem, o pai do meu filho, escolhera consolar a irmã, que alegava um ataque de pânico imaginário, em vez de me ajudar a procurar a nossa criança.

Como era possível que a vida que eu construíra fosse tão frágil, tão desprovida de amor e prioridade por parte de quem deveria ser o meu pilar? Como podia ele ser tão cego, tão indiferente ao nosso filho?

Foi então que soube: este casamento tinha acabado. Não havia mais nada a salvar. E eu faria tudo para proteger o Lucas, nem que isso significasse uma guerra que eu estava finalmente pronta para travar.

Capítulo 1

O meu filho, Lucas, desapareceu no supermercado.

Quando dei por mim, ele já não estava no corredor dos brinquedos.

O pânico subiu-me pela garganta, seco e áspero.

Corri pelos corredores, o meu coração a bater descontroladamente contra as minhas costelas.

"Lucas! Lucas!"

O meu grito era agudo, desesperado. As pessoas olhavam para mim, algumas com pena, outras com irritação.

Agarrei o meu telemóvel, as minhas mãos a tremer tanto que quase o deixei cair.

Liguei ao meu marido, o André.

A chamada foi para o correio de voz.

"André, o Lucas desapareceu. No supermercado Pingo Doce. Por favor, vem para cá. Por favor."

Tentei ligar novamente. E outra vez. E outra vez.

Sempre o mesmo silêncio, seguido pela voz gravada e impessoal.

Fui ter com o segurança, a minha voz a falhar enquanto explicava a situação. Ele foi simpático, mas lento. Fez perguntas, preencheu um formulário. Cada segundo era uma tortura.

Finalmente, depois do que pareceu uma eternidade, o meu telemóvel vibrou.

Era o André.

"O que foi, Sofia? Estou numa reunião importante."

A sua voz era fria, distante.

"André, o Lucas! Ele desapareceu! Estou no Pingo Doce, não o encontro em lado nenhum!"

Houve uma pausa. Não de choque, mas de aborrecimento.

"Sofia, tens a certeza? Ele provavelmente está só escondido atrás de uma prateleira. Já o procuraste bem?"

"Claro que procurei! Ele não está aqui! A segurança já foi alertada, estou em pânico!"

Ouvi uma voz de mulher ao fundo, suave e familiar. A voz da minha cunhada, a Isabel.

"André, querido, está tudo bem? Aconteceu alguma coisa com o teu projeto?"

A voz dela era melosa, cheia de uma falsa preocupação que me revirou o estômago.

"Não é nada, Isa. É só a Sofia a fazer um drama outra vez."

Ele disse isto para ela, mas alto o suficiente para eu ouvir.

"Um drama? O nosso filho desapareceu e tu chamas a isso um drama?"

A minha voz subiu uma oitava, cheia de incredulidade e dor.

"Olha, eu não posso sair agora. A Isabel está a ter um ataque de pânico por causa da apresentação de amanhã. Ela precisa de mim. Tu és a mãe, resolve isso. Liga-me quando o encontrares."

E ele desligou.

Assim.

Sem mais uma palavra.

Fiquei a olhar para o telemóvel, o ecrã escuro a refletir o meu rosto pálido e chocado.

Ele escolheu acalmar a irmã de um ataque de pânico imaginário em vez de procurar o nosso filho desaparecido.

O meu filho. O filho dele.

A realidade da sua escolha atingiu-me com a força de uma parede de betão.

Naquele momento, no meio do barulho indiferente do supermercado, eu soube.

O nosso casamento tinha acabado.

Não havia mais nada para salvar.

Capítulo 2

O segurança, um homem de meia-idade chamado Rui, encontrou o Lucas vinte minutos depois.

Ele estava no armazém, escondido atrás de uma pilha de caixas de papelão, a chorar baixinho.

Quando o vi, o alívio foi tão avassalador que as minhas pernas cederam.

Abracei-o com força, inalando o cheiro do seu cabelo, sentindo o seu corpo pequeno e trémulo contra o meu.

"Assustaste-me tanto, meu amor. Tanto."

Ele soluçou no meu ombro.

"Eu vi um cãozinho, mamã. Fui atrás dele."

Levei-o para casa, o meu braço firmemente à volta dele, como se tivesse medo que ele pudesse desaparecer outra vez se eu o largasse.

O André não ligou. Não mandou mensagem.

Quando chegámos a casa, a ausência dele era um grito silencioso.

Preparei um leite com chocolate para o Lucas e sentei-me com ele no sofá, a ver desenhos animados.

O meu telemóvel continuava mudo.

A minha decisão, tomada no meio do caos do supermercado, solidificou-se no silêncio do nosso apartamento.

Não era uma decisão tomada por raiva. Era uma conclusão. Uma verdade que eu já não podia ignorar.

Quando o André finalmente chegou a casa, já passava das dez da noite.

Ele entrou, deixou a pasta no chão e afrouxou a gravata.

"Então, encontraste-o? Eu sabia que ias encontrar."

Ele falou com a naturalidade de quem pergunta se o lixo foi levado para fora.

Não me levantei. Não olhei para ele.

"Sim, encontrei-o."

Ele foi até à cozinha, abriu o frigorífico.

"Vês? Drama desnecessário. A Isabel já está muito melhor, a propósito. Consegui acalmá-la."

Ele voltou para a sala com uma garrafa de água, finalmente olhando para mim.

"O que se passa contigo? Ainda estás zangada?"

Levantei-me lentamente.

"André, quero o divórcio."

Ele parou, a garrafa a meio caminho dos lábios. Primeiro, uma expressão de surpresa, depois, um sorriso de desdém.

"Divórcio? Estás a brincar, certo? Por causa disto? Sofia, não sejas ridícula."

"Não estou a ser ridícula. Estou a ser realista."

A minha voz estava calma, desprovida de emoção. Eu estava para além da raiva.

"O nosso filho desapareceu hoje. Eu liguei-te, aterrorizada, e tu escolheste ficar com a tua irmã porque ela estava 'nervosa'. Não era um assunto de vida ou de morte, André. O nosso filho podia estar. Mas tu não quiseste saber."

Ele franziu a testa, a sua irritação a crescer.

"Não fales assim da Isabel! Ela é sensível! E eu sabia que o Lucas estava bem! Tu exageras sempre!"

"Exagero? Ele estava no armazém, sozinho e a chorar. Qualquer coisa podia ter acontecido."

"Mas não aconteceu! Estás a fazer uma tempestade num copo de água para justificar o divórcio. O que é que tu queres, na verdade? Mais atenção? Dinheiro?"

A sua acusação pairou no ar, feia e cruel.

"Eu quero sair disto," disse eu, a minha voz firme. "Quero criar o meu filho num ambiente onde ele seja a prioridade. E claramente, aqui, ele não é."

"Tu não te vais divorciar de mim," disse ele, a sua voz a baixar para um tom ameaçador. "Tu não tens nada. Esta casa é minha. O dinheiro é meu. Vais ficar sem nada, Sofia. Tu e o teu filho."

Ele pensava que me estava a assustar.

Mas tudo o que eu sentia era uma estranha sensação de liberdade.

"Vamos ver," respondi simplesmente.

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