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O Herdeiro e a Pescadora

O Herdeiro e a Pescadora

Autor:: Yi Ye
Gênero: Bilionários
<导语> Meu perfume era sal e peixe fresco, minha vida, a pequena barraca na praia e meu filho Pedro, que brincava na areia. João, o homem que salvei e que me deu uma nova vida, era meu tudo. Mas a paz foi estraçalhada quando um carro de luxo parou na areia e uma mulher elegante saltou, gritando: "Ricardo? Meu filho! Você está vivo!" João a chamou de "mãe" , revelando a farsa: ele era Ricardo Vasconcelos, herdeiro de um império, e sua amnésia, uma mentira conveniente. Ele me descartou como lixo, na frente de sua mãe e de sua noiva perfeita, Isabella, que me humilharam sem piedade. Até meu pequeno Pedro, manipulado, olhou para mim e gritou: "Você é má!" O mundo desabou de novo, mas uma chama gelada acendeu. Não havia mais dor, só vazio. Eu não iria suplicar ou lutar. Desta vez, eu escolheria a mim mesma. Peguei o "dinheiro de indenização" deles, que era minha passagem só de ida para uma nova vida. E comecei de novo, longe dali. Sete anos depois, voltei ao Brasil como uma executiva poderosa. Mas no coquetel de lançamento de nossa filial, ele apareceu, Ricardo, ou o que restou dele. Com as mãos trêmulas, ele sussurrou o meu nome. Será que ele se arrependeu?</导语>

Introdução

<导语>

Meu perfume era sal e peixe fresco, minha vida, a pequena barraca na praia e meu filho Pedro, que brincava na areia.

João, o homem que salvei e que me deu uma nova vida, era meu tudo.

Mas a paz foi estraçalhada quando um carro de luxo parou na areia e uma mulher elegante saltou, gritando: "Ricardo? Meu filho! Você está vivo!"

João a chamou de "mãe" , revelando a farsa: ele era Ricardo Vasconcelos, herdeiro de um império, e sua amnésia, uma mentira conveniente.

Ele me descartou como lixo, na frente de sua mãe e de sua noiva perfeita, Isabella, que me humilharam sem piedade.

Até meu pequeno Pedro, manipulado, olhou para mim e gritou: "Você é má!"

O mundo desabou de novo, mas uma chama gelada acendeu.

Não havia mais dor, só vazio.

Eu não iria suplicar ou lutar.

Desta vez, eu escolheria a mim mesma.

Peguei o "dinheiro de indenização" deles, que era minha passagem só de ida para uma nova vida.

E comecei de novo, longe dali.

Sete anos depois, voltei ao Brasil como uma executiva poderosa.

Mas no coquetel de lançamento de nossa filial, ele apareceu, Ricardo, ou o que restou dele.

Com as mãos trêmulas, ele sussurrou o meu nome.

Será que ele se arrependeu?

Capítulo 1

Aquele dia começou como qualquer outro dos últimos seis anos. O sol da manhã batia forte na minha barraca de frutos do mar, o cheiro de sal e peixe fresco no ar era o perfume da minha vida. Eu limpava as escamas de uma garoupa com mãos ágeis, já calejadas pelo trabalho duro. Meu filho, Pedro, de cinco anos, brincava na areia a poucos metros, construindo um castelo que a maré logo levaria.

João, o homem por quem eu tinha largado tudo, estava consertando uma rede de pesca, o corpo forte e bronzeado pelo sol. Vê-lo ali, tão concentrado, me trazia uma sensação de paz. Era a vida que eu tinha construído para nós, tijolo por tijolo, desde o dia em que o encontrei quase morto na praia, sem memória, sem passado. Eu o resgatei, cuidei dele, lhe dei um nome e uma nova vida. E ele me deu Pedro.

A paz foi quebrada pelo som de um motor potente, um som que não pertencia à nossa vila de pescadores. Um carro preto, luxuoso e brilhante como um besouro gigante, parou a poucos metros da minha barraca. A poeira da estrada de terra subiu e se assentou sobre o capô impecável.

Uma mulher de meia-idade, vestida com um tailleur caro que parecia fora de lugar na praia, desceu do carro. Seus sapatos afundavam na areia, e ela fez uma careta de nojo. Seus olhos percorreram o local com desprezo, passando por mim, pela minha barraca, pelo meu filho, até se fixarem em João.

O rosto dela se iluminou com um reconhecimento chocado.

"Ricardo? Meu filho! Você está vivo!"

João largou a rede. Ele olhou para a mulher, a testa franzida em confusão. Ou era o que eu pensava.

"Mãe?"

A palavra saiu da boca dele com uma clareza que me gelou até os ossos. Mãe. Uma palavra que ele nunca tinha dito, uma memória que ele nunca deveria ter. Em seis anos de suposta amnésia, ele nunca se lembrou de nada. Nem do seu nome verdadeiro, Ricardo Vasconcelos, herdeiro de uma das maiores indústrias pesqueiras do país.

A mulher, sua mãe, correu até ele, os sapatos caros esquecidos na areia. Ela o abraçou, chorando.

"Eu sabia! Eu nunca perdi a esperança! Procuramos por você em todos os lugares!"

E então, o mundo que eu conhecia desabou. João, meu João, olhou por cima do ombro da mãe e me viu. Seus olhos não eram os do homem confuso que eu amava. Eram frios, calculistas e distantes. O mesmo olhar que a mãe dele tinha me lançado momentos antes.

Ele se afastou dela e caminhou na minha direção. Por um momento, uma esperança tola floresceu no meu peito. Ele ia me explicar. Ele ia me incluir.

Ele parou na minha frente, o cheiro do perfume caro da mãe dele agora misturado ao cheiro de mar que ele sempre teve.

"Sofia" , ele disse, e seu tom era o de um estranho. "Acabou. Minha memória voltou."

O ar ficou preso nos meus pulmões. As imagens dos últimos seis anos passaram pela minha cabeça como um filme mudo e acelerado. Eu o encontrando na praia, o corpo machucado. Eu limpando suas feridas. Eu desistindo da minha vaga na faculdade de biologia marinha para cuidar dele. Eu abrindo a barraca para nos sustentar, trabalhando de sol a sol. Eu dando à luz ao nosso filho, Pedro, sozinha no pequeno posto de saúde da vila.

Cada sacrifício, cada noite mal dormida, cada gota de suor. Tudo por ele.

Uma sensação estranha e avassaladora tomou conta de mim, uma sensação de déjà vu, como se eu já tivesse vivido essa cena antes. Em um sonho, ou talvez em outra vida, eu gritei, lutei, me agarrei a ele, implorei. E o resultado foi miséria, humilhação e um fim trágico.

Mas desta vez, algo dentro de mim se recusou a seguir esse roteiro. Um novo instinto, frio e claro, tomou o controle.

Eu não vou lutar. Não de novo.

Eu olhei para ele, para o homem que eu achava que conhecia, e vi um completo estranho. Um mentiroso.

"Sua memória voltou?" , perguntei, minha voz surpreendentemente calma. "Que conveniente."

A mãe dele, a senhora Vasconcelos, se aproximou, o desprezo em seu rosto agora evidente.

"O que você quer dizer com isso, sua aproveitadora? Você o manteve aqui, nesta miséria, todos esses anos!"

Ela olhou para mim de cima a baixo, para minhas roupas simples, minhas mãos calejadas, meu rosto queimado de sol.

"É óbvio que você se aproveitou da amnésia dele. Mas agora acabou. Ricardo vai se casar com Isabella, a herdeira da PescaNobre. Um casamento de igual para igual. Você não se encaixa na nossa família."

Cada palavra era uma facada. Mas a dor era diferente agora. Não era a dor do amor perdido, era a dor da humilhação, da injustiça. E por baixo da dor, uma raiva fria começava a se formar.

Eu olhei para João, ou melhor, Ricardo. Ele não me defendeu. Ele não disse uma palavra. Ele apenas ficou ali, confirmando o desprezo da mãe com seu silêncio. Ele nem olhou para Pedro, seu próprio filho, que agora tinha parado de brincar e nos olhava assustado.

Então, a verdade me atingiu com a força de uma onda. A amnésia. A perda de memória. Tudo tinha sido uma farsa. Ele não se esqueceu de mim quando a mãe dele apareceu. Ele se lembrou de quem ele era o tempo todo. Ele viveu uma mentira por seis anos porque era conveniente. E agora, era conveniente me descartar.

Ele me usou. Ele usou minha dedicação, meu corpo, meu trabalho, para viver uma vida simples e sem responsabilidades, longe da família rica que ele claramente queria evitar. E agora que eles o encontraram, ele estava pronto para me jogar fora como lixo.

Uma calma gelada tomou conta de mim. Eu não ia dar a eles o prazer de me ver desmoronar.

"Eu não quero problemas" , eu disse, minha voz firme. "Eu quero uma indenização. E uma passagem de avião. Para o exterior. Para bem longe daqui."

A senhora Vasconcelos pareceu surpresa com a minha frieza. Ela esperava lágrimas e súplicas.

"Quanto?" , ela perguntou, a voz cheia de desdém, como se estivesse comprando meu silêncio.

Eu olhei para João uma última vez. Não havia amor ali, nem arrependimento. Apenas alívio. O alívio de se livrar de um fardo.

Eu disse um número. Um número alto o suficiente para me dar um novo começo, um número que eu sabia que eles podiam pagar.

Ela riu, um som feio e arrogante. "Feito. Considere isso o pagamento por... seus serviços. Pegue o menino e suma da nossa vista."

Meu olhar se endureceu. "O menino fica. Ele é um Vasconcelos, não é? Ele merece a vida de luxo que vocês podem dar a ele. Eu sou só uma pescadora. Inferior."

Usei as palavras dela contra ela. O choque no rosto de João foi quase satisfatório. Ele não esperava isso. Ele achou que eu lutaria por Pedro. Mas eu sabia que, naquele ambiente, com aquele pai e aquela avó, a vida de Pedro seria um inferno se ele ficasse comigo. E, mais importante, eu precisava estar livre. Completamente livre de todas as amarras que me prendiam a essa vida de mentiras.

Desta vez, eu ia escolher a mim mesma.

Capítulo 2

O dia seguinte foi um borrão de humilhação. João, agora plenamente assumido como Ricardo, voltou. Mas não sozinho. Ao lado dele estava Isabella, a tal herdeira da indústria pesqueira. Ela era alta, magra, com cabelos loiros perfeitos e um sorriso que não alcançava os olhos. Usava um vestido branco leve que provavelmente custava mais do que eu ganhava em um ano na barraca de peixe.

Eles entraram na minha pequena casa de madeira, a mesma casa que eu tinha limpado e decorado com tanto carinho, como se fossem os donos do lugar. Isabella olhou ao redor com uma expressão de puro nojo, o nariz empinado como se sentisse um cheiro ruim.

"É aqui que você morava?" , ela perguntou a Ricardo, a voz carregada de zombaria. "Que rústico. Quase... primitivo."

Ricardo não respondeu. Ele estava focado em mim, seu olhar era uma mistura de impaciência e irritação.

"Sofia, viemos acertar as coisas. Isabella e eu vamos nos casar o mais rápido possível. Precisamos que você desapareça. Minha mãe já providenciou o dinheiro e a sua passagem."

Ele jogou um envelope grosso na mesa de madeira. O som do papel batendo na superfície ecoou no silêncio tenso.

A cena era tão surreal que por um momento eu me senti desconectada do meu próprio corpo. A dor da traição era uma brasa quente no meu peito. Lembrei-me das noites em que ele me abraçava naquela mesma casa, dizendo que eu era o seu mundo, a sua única memória, a sua única certeza. Lembrei-me dele segurando Pedro pela primeira vez, os olhos brilhando de uma emoção que eu pensei ser amor verdadeiro.

Tudo mentira.

"Então é isso?" , minha voz saiu trêmula, apesar de eu tentar controlá-la. "Seis anos da minha vida, um filho, e tudo se resume a um envelope de dinheiro?"

Isabella soltou uma risada curta e cruel.

"Seis anos? Querida, você deveria agradecer. Ricardo te deu seis anos de uma vida que você nunca teria. E um filho. Agora, pegue o dinheiro como uma boa menina e vá embora. Ninguém quer ouvir seu drama de pobre coitada."

A provocação dela foi direta, feita para me ferir. E feriu. Mas a raiva que subiu pela minha garganta foi mais forte.

"Você não sabe nada sobre a minha vida" , eu disse, olhando diretamente para ela.

"Eu sei o suficiente" , ela retrucou, dando um passo à frente. "Eu sei que você é uma ninguém de uma vila de pescadores que tentou dar o golpe do baú em um homem rico. Mas o jogo acabou."

Ricardo, que até então estava quieto, interveio. Mas não para me defender.

"Chega, Sofia. Não torne as coisas mais difíceis. Aceite e vá."

A frieza dele foi o que mais me machucou. Não havia um pingo de remorso, de carinho, de nada. Era como se os nossos seis anos juntos tivessem sido apagados da existência dele.

"E Pedro?" , perguntei, o nome do meu filho saindo como um sussurro.

"Pedro ficará conosco. Ele é um Vasconcelos. Terá a melhor educação, as melhores roupas, tudo do bom e do melhor. Coisas que você nunca poderia dar a ele" , Ricardo disse, a voz dura.

Naquele momento, Pedro, que estava no quarto, ouviu as vozes alteradas e apareceu na porta, os olhinhos sonolentos. Ele viu o pai, a mulher estranha e a tensão no ar. Correu para Ricardo, abraçando sua perna.

"Papai."

Ricardo, para minha surpresa, se agachou e afagou a cabeça do menino. Mas então ele disse algo que quebrou a última fibra do meu coração.

"Pedro, essa é Isabella. Ela vai ser sua nova mãe."

Pedro olhou de Isabella para mim, confuso. Eu me ajoelhei, tentando alcançá-lo, mas Ricardo me barrou com o braço.

"Não confunda o menino, Sofia."

A violência do gesto, o jeito como ele me empurrou para trás, foi um choque. Não foi forte, mas foi firme. Foi um ato de repúdio.

Pedro, vendo a cena, começou a chorar. Ele não entendia o que estava acontecendo. E então, o golpe final. Influenciado pela tensão, pela frieza do pai e pelo olhar assustador de Isabella, ele olhou para mim.

"Eu não quero você! Quero o papai!" , ele gritou, as pequenas lágrimas escorrendo pelo seu rosto. Ele se agarrou com mais força à perna de Ricardo.

Ricardo olhou para mim, um sorriso presunçoso no rosto. Ele nem tentou consolar o filho que ele mesmo tinha perturbado. Ele estava usando nosso filho contra mim.

Naquele instante, algo dentro de mim morreu. Qualquer resquício de amor, de esperança, de sentimento que eu ainda pudesse ter por João, ou Ricardo, evaporou. A brasa quente no meu peito se transformou em cinzas frias.

Eu me levantei, o corpo rígido. Olhei para os três: o homem que me traiu, a mulher que me humilhou e o filho que, naquele momento de confusão infantil, me rejeitou.

Eu estava completamente sozinha. E, de uma forma estranha e dolorosa, eu estava livre.

"Tudo bem" , eu disse, a voz vazia de emoção. "Eu vou embora."

Peguei o envelope da mesa sem olhar para eles. Virei as costas e fui para o meu quarto arrumar a única mala pequena que eu tinha. Eu não olhei para trás. Não derramei uma lágrima. A dor era tão profunda que tinha ido além das lágrimas. Era um vazio gelado. E nesse vazio, uma única semente de determinação foi plantada. Eu ia sobreviver. E eu ia prosperar. Longe deles. Longe de tudo isso.

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