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O Homem da Minha Vida

O Homem da Minha Vida

Autor:: Ieda Lemos
Gênero: Romance
Mel conheceu o seu primeiro amor em forma de príncipe. Mas Rodolpho era filho do homem mais rico daquela região e ele não permitiria que o filho primogênito se casasse com uma moça tão humilde como ela. A vida da ingênua Mel daria muitas reviravoltas, mas apesar de tanto sofrimento, ela não conseguia esquecer o seu grande amor e estava disposta a pagar o preço. As marcas da dor daquele amor proibido só lhe aumentariam os sentimentos por Rodolpho. Nem seu pai e seus cinco irmãos machistas ou mesmo o sogro implacável lhe impedia de lutar para viver aquele amor.

Capítulo 1 Amor à primeira vista

"Parecia uma história de contos de fadas, um príncipe rico, poderoso e uma princesa linda e sonhadora!

Mas, como em todos contos de fadas, havia um inimigo capaz de esmagar quem ameaçasse os seus planos."

"Antonio Queiroz era conhecido pela frieza nos negócios e o seu filho primogênito era parte do seus planos para que os negócios prosperassem."

Mel, não era o tipo de moça que ele esperava entrar na família, e estava sempre mandando seguranças seguirem os passos de Rodolpho, que por sua vez, estava longe de se apaixonar por alguém e vivia só para o trabalho nas Usinas de Cana de Açúcar, apesar de muito jovem.

Mas naquela noite, especialmente o destino traçou um caminho para que o seu filho perfeito, agora frio, preparado por ele, cruzasse o caminho de uma bela jovem, que apesar de muito humilde, não via distância para o amor e sonhava encontrar um príncipe e dizia sempre que lutaria por ele até a morte! E por falar em morte, nenhum obstáculo a faria desistir, mesmo que a vida quisesse lhe arrancar a própria pele, ela estava disposta a cair muitas vezes sangrando, mas de seu coração não sairia a vontade de viver o seu primeiro amor "

***

Quando aquele homem passou, Mel ficou tonta. Sim, era o amor da sua vida. Aquele que ela jamais esqueceria, mas ela ainda não sabia disso. Ela o acompanhou com o olhar e sentiu que o seu corpo queria ir junto.

"O que Mel não sabia, era que aquele rapaz dono de um charme irresistível, era filho de um empresário riquíssimo e poderoso, capaz de qualquer coisa para afastar moças humildes como ela da vida do filho. "

As pernas ficaram bambas, Mel segurou no peito e percebeu que o seu coração batia forte. Mas, afinal de onde saiu aquele Deus grego? Sim, era assim que ele se parecia.

As amigas o acompanharam com o olhar e sorriam zombeteiras.

- E aí Mel? Se apaixonou pelo Rodolfo?- Era Iara que perguntava.

Mel virou-se assustada. O rosto ruborizado.

"Descontraídas, as três não tinham noção do quanto aquela noite mudaria a vida daquele casal e quantas lutas teriam que enfrentar se insistissem naquele amor impossível! "

Mel era extremamente tímida e acabava de ser flagrada olhando com interesse para o filho do homem mais rico da cidade vizinha.

Aquela pequena cidade onde Mel vivia, tinha uma área litorânea e era a festa da padroeira.

Além de Iara, Nice também era sua amiga e as três estavam sempre juntas.

- Ele é um gato, não é Mel? - Nice disse isso e sorriu voltando a olhar na direção do rapaz, que inocente, se dirigia a uma mesa de bar, ali nos arredores, onde podia-se pisar na areia.

Ele vestia uma calça branca e uma camisa estampada, nos tons de amarelo. Ele jogava os cabelos finos e sedosos para trás sem perceber que cada gesto seu era cuidadosamente observado.

Mel se voltou e ficou de costas para o rapaz. Ela era muito bonita também. Os cabelos negros e lisos caíam na altura da cintura, era magra e de estatura mediana. O corpo sempre bronzeado e os olhos castanhos escuros pareciam brilhar muito com a luz do luar. Ou será que estava apaixonada. Amor à primeira vista?

Nice era a mais baixinha, tinha os cabelos curtos e cacheados e os olhos vivos. Era bonita e muito simpática.

Iara era magra e elegante e também tinha os olhos pretos e alegres. Os cabelos caíam sobre os ombros em cachos bem definidos.

Formavam um trio. Chamavam a atenção por onde passavam. Havia música e muitos casais dançando.

Mel negava dançar à vários rapazes, enquanto as amigas iam e voltavam sorridentes.

- Mel, você adora dançar! Porque está aí nesse canto isolada?- Iara quis saber.

- Aposto que cismou com Rodolpho!– Nice disse irônica.

Mel engoliu em seco e olhou de rabo de olho na direção do seu príncipe.

- Gente ele é lindo! Eu queria dançar com ele!- Mel disse subitamente e pensativa em voz baixa.

Iara ergueu as sobrancelhas e disse sorrindo:

- É só isso que deseja amiga? Vou dar um jeito!

- Não Iara! Por favor!- Mel implorou assustada olhando para Rodolpho que olhava em volta um tanto impaciente. Parecia não querer estar ali.

Iara esperou o rapaz se afastar na direção do bar para pegar umas bebidas e se precipitou a correr para a mesa onde ele deixou uma garota.

Havia uma garota, que aparentava cerca de dez anos, esperando por ele sentada, observando o movimento das pessoas. Ela sabia que se tratava da sua irmã.

- Oi garota, tudo bem? Pode dar um recado para o seu irmão?- Iara falava apreensiva, enquanto prestava a atenção no rapaz de costas no balcão do bar.

A garota era linda, parecia com Rodolpho. Ela sorriu e os olhos escuros se iluminaram.

- Eu dou sim. Pode falar!- ela disse se sentindo importante.

Iara inclinou-se para falar e apontou para Mel no meio dos casais que dançavam.

- Sabe aquela garota de short preto e camiseta branca? Aquela de cabelos longos!

A garota olhou curiosa e respondeu:

- Sim, estou vendo! O que tem ela?

Iara arrumou o corpo voltando à posição normal e sorriu dizendo:

- Ela quer dançar com o seu irmão!

A garota ergueu as sobrancelhas e se ajeitou na cadeira dizendo:

- Darei o recado! Pode deixar.

Iara sorriu satisfeita e viu Rodolpho se aproximando curioso, então ela se afastou depressa.

- Quem é essa garota? O que queria com você?- Rodolpho questionava aborrecido.

Ele não queria estar ali. Tinha menos de dezenove anos, trabalhava com o pai e estava particularmente cansado naquele dia, mas por insistência da irmã, veio parar naquele lugar.

Rodolpho sentou-se e fechou o semblante, enquanto a garota sorria lhe olhando pensativa.

- Não vai se arrepender de ter me trazido aqui. - Ela disse misteriosa.

Rodolpho a olhou impaciente.

- Rose, está se divertindo, não está? Isso basta!- ele respondeu seco.

Eles eram irmãos por parte de pai e Rodolpho era um irmão querido. A pequena Rose estava veraneando naquela praia e queria passear pela orla, pois tinha um parque de diversão. Mas Rose gostava mesmo de ver as pessoas dançarem e o pai só a deixaria sair se algum adulto a acompanhasse, então ela apelou para o coração mole do irmão. Ele não sabia dizer não para ela, mas prometera que voltaria logo para casa.

Rodolpho não via a hora de pegar a estrada de volta a sua pequena e acolhedora cidade.

Enquanto tomava um drink, ele observava os casais dançando de rosto colado.

- Tem uma garota querendo dançar com você, mano!- Rose disse procurando por Mel.

Rodolpho franziu as sobrancelhas e fechou o semblante dizendo:

- Como assim? Eu cheguei agora! Está brincando!

Rose ficou excitada e levantou-se da cadeira apontando para Mel.

- Aquela mano, aquela moreninha de cabelos longos!

Rodolpho se levantou curioso e correu os olhos procurando até que viu Mel distraída conversando com as amigas.

- Fique aí quietinha que vou tirá-la para dançar então! - ele disse decidido.

Enquanto caminhava, se perguntava se tinha mesmo que fazer aquilo, mas o desejo de ver aquela garota delicada de perto, era maior que ele.

Passou pelas três sem olhá-las, mas pôde sentir um burburinho e então sorriu, voltando-se rapidamente, ficando diante de Mel que quase desmaiou de susto.

- Quer dançar comigo?- ele disse sorrindo malicioso.

Ela não respondeu, mas deixou-se conduzir até onde os casais dançavam e então se abraçaram.

Rodolpho segurou a cintura fina de Mel e a trouxe para perto do peito e pôde sentir que ela tremia de desejo.

Ela enlaçou o seu pescoço e descansou a cabeça no seu peito.

A respiração deles estava ofegante enquanto dançavam.

Iara e Nice aplaudiam baixinho.

Rose observava da sua mesa enquanto tomava um refrigerante.

Rodolpho segurou a mão de Mel quando a música parou. Foi anunciado um pequeno intervalo.

Os dois ficaram se olhando ansiosos e desesperados por não se separarem.

Mel fez menção de voltar para perto das amigas, mas Rodolpho a puxou e ela voltou-se com os olhos brilhando de emoção. Ele também a queria.

- Não vá! - ele disse num fio de foz.

Mel engoliu em seco e nervosa, se afastou livrando-se da mão que lhe segurava.

Rodolpho a viu sumir e ficou parado como um garoto perdido. Queria aquela mulher. Era como se ela lhe pertencesse.

Ele virou-se para Rose que lhe observava sorrindo numa parte mais alta do bar. Sacudiu a cabeça e subiu os poucos degraus.

Enquanto isso, o trio comemora a vitória de Mel. As três se uniam num abraço.

- Mel, você conseguiu!- Iara dizia feliz.

Mel se afastou e mordeu os lábios dizendo pensativa:

- Foi tão maravilhoso!

- Por que não tascou logo um beijo nele Mel?- Nice falava animada.

Mel se afastou assustada falando:

- Ficou louca? Nem conseguia falar nada! A língua enrolava. Queria saber tudo a respeito dele, mas não conseguia falar!

Iara ficou pensativa e um tanto preocupada, então disse:

- Mel, ele é muito cobiçado! Não vai se apaixonar, você é muito romântica!

Mel fez uma careta e disse:

- Amiga, tarde demais!

As três se abraçaram. Iara suspirou. Ela conhecia bem Rodolpho, sabia que era um rapaz disputado e Mel era extremamente sonhadora. Não sabia mais se havia feito certo em facilitar-lhe dançar com aquele príncipe. E se a amiga sofresse?

Iara se afastou e olhou para Rodolpho que tinha o pescoço esticado na direção delas.

Ela virou-se para Mel e pensou que precisava ajudar os dois a ficarem juntos, mas como? Ele era filho do poderoso empresário, dono da cana de açúcar de todo aquele lugar e Mel era uma moça humilde, apesar de encantadora.

Capítulo 2 O trauma

A música ao vivo voltou a soar e os casais se achegaram novamente.

Mel viu as amigas saírem para dançar e procurou por Rodolpho, mas ele não estava mais na mesa com a irmã. Sentiu-se triste e caminhou em direção ao mar.

Podia ver as espumas que as ondas provocavam e seu coração se acalmou. Aquele era o seu lugar. Sempre viveu ali, naquela cidade pacata, onde todos se conheciam e o céu estrelado que emoldurava aquela paisagem, era o céu do Rio Grande do Norte, e aquela era uma praia conhecida pelas águas cristalinas, um paraíso do nordeste brasileiro. Aquele estado era rico em beleza natural. As praias se estendiam por todo o seu território, mas ele era também conhecido por sua grande plantação de cana de açúcar e era aí que entrava o famoso empresário Antônio Queiroz, o pai de Rodolpho. Ele morava na cidade vizinha, que também não era muito grande e não era banhada pelo mar, mas gostava de viver na cidade onde cresceu e a sua casa era a maior e parecia uma fortaleza. Todos comentavam e Mel já imaginava Rodolpho adentrando no seu castelo, como um príncipe!

Ela olhou para o céu e as estrelas pareciam tão cúmplices que ela sorriu e suspirou.

- Não vou perdê-lo de vista! Eu o encontrei! - ela falava ao vento e a brisa do mar tocava o seu rosto lhe fazendo suspirar.

Algum tempo se passou e Mel pensava em voltar para junto das amigas, quando sentiu-se abraçada por trás e o seu pescoço inclinou-se naturalmente para um lado, enquanto sentia os lábios quentes de Rodolpho roçando a pele do outro lado, lhe fazendo arrepiar.

- Pronto, agora não vou mais sair de perto de você! - Ele sussurrou.

Mel virou-se lentamente emocionada.

- E a sua irmã?- ela quis saber.

Rodolpho fechou o semblante para responder:

- Já a levei para casa! Passou da hora, ela é apenas uma criança, nem devia estar aqui!

Mel olhou ao longe, era um grande quiosque com música ao vivo à beira mar, não via nenhum mal nisso.

- Você é duro com ela!- ela concluiu.

Rodolpho ergueu as sobrancelhas e respondeu alterado:

- Vim até aqui por causa dela! É filha da outra! Não sabe? O meu pai tem uma amante e eu faço o papel de bom irmão!

Mel franziu a testa e sentiu-se tonta. Vivia numa família rígida, jamais aceitaria uma situação daquela com naturalidade.

- Você se sente à vontade numa situação dessa?- ela falava num tom de crítica.

- O que eu posso fazer? Ela é minha irmã! - Rodolpho respondeu subitamente.

Mel insistiu na discussão:

- Mas e a sua mãe? Ela deve sofrer sabendo que você aceita a outra mulher de seu pai!

Rodolpho suspirou e disse vencido:

- Sim, ela sofre, mas Rose é minha irmã querida e eu a amo!

Mel ficou em silêncio, não tinha direito de julgar Rodolpho, mas para ela, aquela situação de seu pai, era um alerta para que ficasse com um pé atrás.

Rodolpho pareceu perceber e começou a falar brincalhão:

- O que foi? Porque está me olhando assustada? Não sou igual ao meu pai! Não sou mulherengo e nem aproveitador, não que o meu pai seja!

Mel olhou para o seu príncipe e viu um abismo entre eles, como se de repente tivesse consciência da diferença de classe social que havia entre eles. Os seus pés quiseram recuar, mas as mãos de Rodolpho lhe seguravam com força.

- Não fuja de mim, por favor!- ele implorou.

Mel baixou a cabeça e olhou os pés descalços, depois sorriu dizendo:

- Vamos sentir a água do mar!

Rodolpho sorriu aliviado e começou a arregaçar as calças brancas, ele também estava descalços.

Os dois saíram de mãos dadas na direção do mar e logo alcançaram a água morna.

Caminhavam se olhando, como se o mundo se resumisse a eles dois.

De repente, Rodolpho parou segurando as duas mãos de Mel e olhou fixamente nos seus olhos.

Havia um brilho no seu olhar, ele respirava ofegante e Mel fechou os olhos para encontrar os seus lábios macios e delicados. Foram tantos beijos que ela viu ele tirar a camisa e estendê-la sobre a areia e depois fazê-la deitar sem que conseguisse resistir.

Rodolpho inclinou-se sobre ela e a beijou intensamente. As mãos dele deslizavam suavemente pelo seu corpo. Mel nunca tinha sentido aquela sensação de entrega. Sentia o mesmo desejo que ele, acreditava que não se separariam mais e viu as suas roupas cederem ao toque sutil que lhe escravizava, ela estava à mercê daquele estranho.

Quando os lábios de Rodolpho se afastaram e ele sorriu maliciosamente, ela sentiu-se dominada por um medo terrível de ser julgada. Olhou para os lados e viu a blusa paciente lhe esperando e esticou as mãos para alcançá-la. Num minuto, estava sentada cobrindo os seios com a roupa.

Rodolpho estava assustado e confuso.

Mel se levantou e vestiu a blusa branca, depois abotoou o short. Ela respirava ofegante e olhava para Rodolpho como se o acusasse de assédio.

- Me perdoe!- ele disse desesperado olhando nos olhos dela, enquanto se levantava.

Mel saiu correndo e Rodolpho ficou desolado com as mãos na cintura. Não compreendia o que se passava. Nunca havia passado por tal situação. Não tinha tempo de namorar. Trabalhava muito, mas quando circulava na sua cidade com o seu carro possante, as garotas vinham lhe cumprimentar e uma acabava aceitando o seu convite para uma volta que terminava em intimidades em algum lugar isolado da cidade. Não sabia lidar com uma garota como Mel. Haviam só cinco irmãos machistas espalhados naquele lugar e um pai rigoroso que usava uma frase para lhe assustar:" Se der um erro, eu coloco para fora de casa!"

Mel saiu correndo, como se ouvisse a voz do pai lhe perseguindo e conseguiu chegar num lugar seguro onde Rodolpho não a encontraria.

Nice e Iara estavam à sua procura.

- Pelo amor de Deus, onde ela está?- Era Rodolpho que segurava a camisa nas mãos e tinha um olhar de desespero.

Iara o examinou dos pés a cabeça e respondeu:

- Mel não é como as outras! Ela é tímida! Você a assustou!

Nice sorriu zombeteira e disse:

- Vai achá-la fácil! Essa cidade é pequena! O pai dela é José Aquino, e trabalha numa das usinas do seu pai.

Iara arregalou os olhos sem acreditar que Nice estava entregando a amiga descaradamente.

- Sabe a rua do mercado de peixe?- Nice dizia com uma mão apontando para um ponto na direção do centro, mas Iara a interrompeu.

- Nice! Pare de falar, pelo amor de Deus!

Rodolpho parecia alheio às moças e os seus olhos procuravam por Mel incansavelmente. De repente ele saiu correndo.

As duas moças os seguiram com o olhar, curiosas, enquanto o viam andar em passos largos vestindo a camisa desajeitadamente.

- Ele a encontrou! - Nice disse séria sem tirar os olhos de Rodolpho.

Iara ficou pensativa e as palavras saíram naturalmente dos seus lábios:

- Acho que essa história vai longe!

Depois de um suspiro, as duas voltaram para o local onde estavam e voltaram a dançar.

Capítulo 3 Impossível fugir

Mel estava trêmula por trás de uns arbustos e não percebeu quando Rodolpho se aproximou por trás.

Ela se virou já sentindo a respiração forte no seu pescoço e se atirou nos seus braços num misto de medo e desejo.

Se beijaram longamente e Rodolpho se controlou para não lhe assustar. As suas mãos comportadas seguravam a cintura fina de Mel enquanto ela acariciava o rosto dele. O toque dos seus dedos delicados era como um calmante para o seu desejo. Ela era diferente, não iria se entregar tão fácil.

Rodolpho sorriu quando ela se afastou com olhar de menina. Era tão meiga e ingênua, pensava se a merecia. Na sua cidade, já se envolveu com metade das moças e a sua fama não era das melhores, ele imaginava. Começava a pensar em como eram diferentes e ao mesmo tempo se encaixavam de forma tão harmônica.

Aquela menina simples de olhar doce e puro era uma jóia e não sabia como agir diante dela. Sempre foi tão simples para ele as coisas. Queria alguém, ia lá e era só estender a mão. Pronto, já tomava para si e depois descartava. Mas não foi sempre assim.

Há dois anos atrás, Rodolpho teve uma decepção que quase lhe afundou em depressão, não fosse o seu pai perceber rápido e lhe envolver com as empresas, hoje poderia ser um garoto problemático ao invés de um Don Juan.

Bem, filhinho de papai não era bem o termo, pois Rodolpho trabalhava muito, mas havia se transformado num garoto belo, educado, gentil e passou a ser auge de cobiça das moças da sua cidade. Já se passaram dois anos desde que Rodolpho sofreu o abandono pela sua primeira namorada. Pensou ter fechado o coração, mas algo aconteceu naquela noite, queria aquela garota de qualquer jeito e parecia tão ansioso que tinha medo de lhe assustar.

Mel sorriu olhando nos olhos de Rodolpho, tentando adivinhar o que se passava em sua mente. Ele era tão lindo, tão perfeito que pensava estar sonhando.

- Pare de fugir de mim! Não sou um monstro!- ele disse sério.

Mel deixou-se descansar no seu peito e suspirou. Não queria mais fugir, queria ficar assim, na paz que aquele homem lhe transmitia. Era como se ele fosse tudo o que ela procurava encontrar numa pessoa.

Eles eram muito jovens, tinham apenas dezoito anos e ambos estavam prestes a completar dezenove, mas eram de um tempo mais remoto, onde as coisas ainda andavam devagar, onde a adolescência se estendia e a fase adulta parecia estar sempre um pouco mais a frente e se curtia a vida muito mais.

Mel já fazia faculdade e tentava uma vaga como professora, mas nessas festas, todos pareciam desprendidos de responsabilidades e a magia do amor estava sempre envolvendo aqueles que lhe procurava.

Não era muito o caso de Rodolpho que não pensava em se apaixonar tão já, mas acabou se deixando envolver sem medo, rendido aos olhos misteriosos de Mel que pareciam lhe guiar para um mundo desconhecido e ele estava fascinado por ela. Queria muito conquistá-la, como se fosse a última façanha da sua vida.

Ele puxou Mel pela mão e saíram de volta ao quiosque para dançar novamente.

Não queriam mais se desgrudar. Mel olhava em volta à procura dos irmãos que estavam sempre à caça de mulheres disponíveis e já sabia que no dia seguinte iria ouvir os comentários deles e as risadas fáceis no terraço da sua casa. O seu pai ouvia orgulhoso os filhos muitas vezes fazerem comentários grosseiros sobre as moças com quem passaram momentos íntimos e Mel ficava num canto os criticando em pensamento, enquanto que a sua mãe meneava a cabeça sorrindo como se aquilo lhe soasse normal.

Nice e Iara vigiavam os irmãos para Mel e estavam sempre a dizer que os haviam visto com alguma moça em locais escuros e desertos, muitas vezes bêbados.

Mel suspirou, era a caçula e a única filha mulher de uma família humilde, mas conservadora e machista.

Rodolpho cumprimentava quase todo mundo, parecia um político. O pai era muito conhecido e naquela festa especialmente, haviam muitas pessoas importantes do meio dos negócios da família.

Mel olhava para ele e parecia que ele era mais velho, por ser tão responsável. Ele era gentil com as pessoas e falava muito bem, enquanto que ela, se escondia numa redoma criada pelos pais e irmãos que a tornava tímida. A pressão em casa era tão grande para que não caísse na lábia de nenhum aproveitador, que estava sempre se perguntando se não estava dando muita confiança para alguém, mas com Rodolpho era diferente, parecia que tinha encontrado o homem da sua vida, aquele que jamais esqueceria.

Num dado momento, Rodolpho saiu puxando Mel pela mão, enquanto falava:

- Venha, vou te levar para casa!

Mel saiu caminhando e acenando para as amigas que sorriam maliciosas.

Rodolpho parou diante de um carro esportivo, com idéia rural e Mel o olhou assustada.

- O que foi?- Rodolpho indagou curioso.

- Podemos ir caminhando! É bem próximo daqui! - ela respondeu nervosa e já andando na frente.

Rodolpho franziu a testa e apressou o passo para alcançá-la.

Ele a abraçou e não fez perguntas. Sentia uma paz muito grande do seu lado e não queria perder aquilo por nada nesse mundo.

Andaram algumas quadras e chegaram diante de uma casa grande, pintada de verde claro, havia algumas árvores na frente e dali podia-se sentir ainda a brisa do mar.

Rodolpho encostou Mel na parede e a prendeu com os seus olhos brilhantes de emoção.

Ela suspirou e fechou os olhos esperando o seu beijo.

Parecia que o mundo inteiro deixou de existir naquele momento e o calor dos seus corpos corriam direto para aquele beijo sem se importar com mais nada, mas o ruído de passos que se aproximavam dali chamaram a atenção deles e Mel puxou Rodolpho para um canto escuro, detrás de uma árvore frondosa.

- O que houve?- Rodolpho sussurrou curioso, olhando alguns rapazes que se aproximavam sorrindo, pareciam bêbados. Se seguravam uns nos outros.

- Meus irmãos!- Mel cochichou enquanto via os rapazes entrarem em casa.

Passado o susto, ela sorriu e encheu Rodolpho de beijos.

- Vamos nos ver amanhã?- ele disse baixinho.

Mel assentiu com a cabeça.

- Eles fecharam a porta! Preciso entrar pelos fundos!- ela disse ansiosa.

- Posso vir te procurar para irmos à praia?- ele quis saber.

- Está veraneando aqui?- ela indagou olhando para os fundos da sua casa como se quisesse sair correndo antes que dessem falta dela.

Rodolpho deu de ombros e respondeu:

- Da minha cidade para cá é um pulo, depois o meu pai está sempre aqui!

Mel entendeu que a outra mulher do pai de Rodolpho veraneava ali e por isso para ele seria fácil.

- Amanhã, vou estar no mesmo lugar com as minhas amigas! Me encontre próximo ao quiosque bar, às onze horas! - Mel disse isso e foi se afastando pelo terreno lateral da casa.

Rodolpho foi embora confuso. Sentia-se perdido, queria ter ficado mais com aquela garota, queria ter certeza de que nada os separaria.

Mel chegou nos fundos da sua casa, na ponta dos pés.

Empurrou a porta e percebeu que estava fechada.

Suspirou desanimada e sentou-se no pequeno degrau a sua frente. Estava quase cochilando quando sentiu a porta se abrir.

Era a sua mãe. Ela falava nervosa:

- Mel! Isso são horas! Seus irmãos já estão em casa! Entra logo menina, antes que o seu pai acorde!

Mel entrou sonolenta e abraçou a mãe dizendo:

- Conheci o homem da minha vida!

Dona Helena revirou os olhos impaciente e disse:

- Cuidado! Está cheio de aproveitadores por aí! Eles querem deixar as moças faladas e depois eles somem!

Mel suspirou desanimada. Queria tanto falar com a mãe sobre Rodolpho. Ele era diferente, era especial, ela tinha certeza disso!

- Vai dormir Mel, vai logo pelo amor de Deus!- Dona Helena disse isso empurrando a filha para o quarto.

Mel entrou rapidamente para o seu quarto e logo ouviu a voz do pai.

- Que falatório é esse? Onde está Mel? Não me diga que ainda está na rua! Eu já avisei: se der um erro, é rua mulher, deixe isso claro para ela. Eu não quero uma filha perdida dentro de casa!

Helena suspirou ofegante quando viu o marido empurrar a porta do quarto da filha sem mesmo bater.

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