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O Império Que Ele Lhe Vendeu

O Império Que Ele Lhe Vendeu

Autor:: Gavin
Gênero: Moderno
Para salvar meu casamento, fiz uma cirurgia em segredo. Uma tentativa desesperada de reacender a chama com meu marido, Caio. Preparei uma surpresa para ele em nossa cobertura, usando um vestido vermelho carmesim, na esperança de sentir seu desejo por mim novamente. Em vez disso, ele me chamou pelo nome de outra mulher. E então me deu uma ordem: dormir com seu rival nos negócios para fechar o acordo do século. "Você *é* esse serviço", ele sussurrou. Enquanto sua amante ouvia tudo pelo telefone, ele me chamou de "peso morto" e prometeu a ela a minha vida. Ele estava tão ansioso para se livrar de mim que nem leu os documentos que seu advogado enviou. Ele simplesmente clicou em "assinar digitalmente" em tudo. Incluindo nossos papéis de divórcio e o contrato que me tornaria uma mulher muito rica. Ele achou que poderia vender sua esposa como um ativo e depois me deixar na miséria. Ele viu uma mulher quebrada, um brinquedo descartável. Ele nunca imaginou que eu usaria seu próprio contrato para destruí-lo. Agora, com a ajuda do mesmo homem para quem fui vendida, não estou apenas pegando seu dinheiro. Estou tomando todo o seu império.

Capítulo 1

Para salvar meu casamento, fiz uma cirurgia em segredo. Uma tentativa desesperada de reacender a chama com meu marido, Caio. Preparei uma surpresa para ele em nossa cobertura, usando um vestido vermelho carmesim, na esperança de sentir seu desejo por mim novamente.

Em vez disso, ele me chamou pelo nome de outra mulher. E então me deu uma ordem: dormir com seu rival nos negócios para fechar o acordo do século. "Você *é* esse serviço", ele sussurrou.

Enquanto sua amante ouvia tudo pelo telefone, ele me chamou de "peso morto" e prometeu a ela a minha vida. Ele estava tão ansioso para se livrar de mim que nem leu os documentos que seu advogado enviou.

Ele simplesmente clicou em "assinar digitalmente" em tudo.

Incluindo nossos papéis de divórcio e o contrato que me tornaria uma mulher muito rica.

Ele achou que poderia vender sua esposa como um ativo e depois me deixar na miséria. Ele viu uma mulher quebrada, um brinquedo descartável.

Ele nunca imaginou que eu usaria seu próprio contrato para destruí-lo. Agora, com a ajuda do mesmo homem para quem fui vendida, não estou apenas pegando seu dinheiro. Estou tomando todo o seu império.

Capítulo 1

Meu corpo havia se transformado, uma paisagem para sempre alterada pelo milagre e pelo trauma do parto. As curvas suaves, a sensibilidade que ainda persistia, para mim eram medalhas de honra. Mas para Caio, eram apenas... dados que mudaram.

"Você não está mais tão apertada como antes, Helena", ele resmungou, seus olhos percorrendo meu corpo com o olhar distante de um cirurgião, não de um marido. "Está... diferente agora."

Suas palavras me atingiram com mais força do que qualquer golpe físico. Não eram apenas sobre meu corpo; eram sobre nós. Sobre o abismo que se abriu lentamente entre nós, ampliado pela distância silenciosa e não reconhecida que cresceu desde o nascimento do nosso filho. A intimidade, antes vibrante, murchou sob seu escrutínio frio, substituída por gestos protocolares e sorrisos forçados.

Eu queria que voltássemos a ser como antes. Eu o queria de volta. Desesperada, me vi marcando a consulta discreta, e depois a cirurgia. Um rejuvenescimento vaginal. Um segredo. Um sacrifício, eu disse a mim mesma, pelo nosso casamento. Pela felicidade dele.

Planejei a surpresa nos mínimos detalhes. Nossa cobertura no Fasano, onde ele estava fechando o que chamava de "o acordo do século". Imaginei seu rosto, o fogo lento do desejo, a redescoberta da mulher com quem se casou. A esperança, uma coisa frágil, vibrava em meu peito.

Escolhi um vestido, um sussurro de seda carmesim que se agarrava a cada curva recém-esculpida. Era ousado, um apelo desesperado por sua atenção, para que seu olhar se demorasse, para que ele apreciasse. Meu coração martelava enquanto eu entrava na suíte, com as luzes da cidade de São Paulo como um cenário cintilante para o meu teatro particular.

Ele estava lá, de pé junto à janela panorâmica, de costas para mim, a cidade um reino em miniatura sob seus pés. "Caio?" Minha voz, um pouco sem fôlego, cortou o silêncio.

Ele se virou. Seus olhos, por um momento fugaz, continham algo parecido com surpresa, talvez até admiração. Um vislumbre do antigo Caio. Uma onda de alívio me invadiu. Aproximei-me dele, meus passos suaves no tapete grosso, minha mão buscando seu braço. Inclinei-me, inalando seu cheiro familiar, meus lábios roçando sua orelha. "Surpresa, querido", sussurrei, derramando cada gota da minha esperança reacendida nas palavras. "Só para você."

Ele enrijeceu. O brilho em seus olhos morreu, substituído por um brilho frio e calculista. Ele gentilmente, quase imperceptivelmente, me afastou. "Bruna?", ele disse, sua voz plana, sem emoção. A única palavra me atravessou, uma constatação gelada.

Bruna. Não Helena.

Meu mundo girou. A suíte opulenta, as luzes da cidade, o vestido carmesim – tudo se turvou em uma bagunça dolorosa e desconexa. Meu coração, que momentos antes voava alto, despencou em um abismo negro.

Então, seu telefone vibrou. Uma vibração estridente e insistente que quebrou o frágil silêncio. Ele olhou para a tela, o maxilar tenso. "Com licença."

Ele se afastou, virando as costas para mim novamente, criando um abismo mais largo do que qualquer distância física. Ouvi a voz de uma mulher pelo telefone, fina e aguda, mas inegavelmente íntima. "Caio? Meu bem? Você prometeu que ia ligar de volta. Achou mesmo que eu não ia notar que você estava com ela de novo?"

Ela. Eu. A amante estava reclamando de mim, sua esposa. A ironia amarga revirou meu estômago.

"É só uma formalidade, meu amor", Caio arrulhou, sua voz enjoativamente doce, um tom que ele não usava comigo há meses. "Você sabe como são essas coisas. Ela não significa nada. Apenas uma ponta solta."

Ele olhou por cima do ombro para mim, seus olhos frios e desdenhosos, antes de voltar para o telefone. "Vou te compensar, Bruna. Eu prometo. Jantar no D.O.M., só nós dois. E aquela promoção que conversamos? É sua. Tudo pela minha futura Sra. Mendes."

Futura Sra. Mendes. As palavras ecoaram na caverna do meu peito, ocas e zombeteiras. Ele estava prometendo a ela a minha vida. O meu papel.

Ele desligou, o clique do telefone final, definitivo. Virou-se para mim, o rosto uma máscara de irritação. "Olha, Helena, não é um bom momento." Ele gesticulou vagamente em direção à porta. "Vá para casa."

Nesse exato momento, uma batida discreta na porta. Ela se abriu, revelando Gustavo Dias, o associado nojento de Caio, um homem cujo olhar lascivo sempre me dava arrepios. Ele carregava um tablet.

"Mendes", começou Gustavo, seus olhos passando por mim com um ar de posse que fez meu estômago revirar. "A carga chegou. Elias Sartori está subindo."

Os olhos de Caio se arregalaram. Um sorriso lento e predatório se espalhou por seu rosto, não de arrependimento, mas de reconhecimento frio e calculista. Ele olhou para mim, depois para Gustavo, e de volta para mim. Uma percepção arrepiante surgiu em seu rosto, uma que fez meu sangue gelar. Ele não me confundira com Bruna. Ele me confundira com... outra coisa. Alguém que ele havia encomendado.

"Ah, perfeito", Caio disse arrastado, sua voz tingida de uma diversão cruel. Ele se aproximou, sua mão se estendendo, não para me confortar, mas para agarrar meu queixo, inclinando meu rosto em sua direção. Seu polegar roçou meu lábio inferior, um gesto que antes era íntimo, agora totalmente desumanizante. "Boa menina. Você parece... cara esta noite."

Minha respiração falhou. Ele não estava vendo sua esposa. Ele estava vendo uma transação. Uma mercadoria.

"Escute com atenção, Helena", ele sussurrou, seus olhos brilhando com uma frieza aterrorizante. "Elias Sartori é um oponente formidável. Ele está tentando adquirir uma participação majoritária no Grupo Norte. Eu preciso deste acordo. Nosso acordo dependia de um... acordo de serviços pessoais. Você *é* esse serviço."

Minha mente girou. Acordo de serviços pessoais? Ele estava me usando, sua esposa, como moeda de troca?

"Espero que você seja... complacente", ele continuou, sua voz caindo para um rosnado baixo e perigoso. "Faça-o feliz. O que quer que ele queira, você oferece. Cumpra seu papel, e eu farei valer a pena. Se falhar, você vai se arrepender."

Uma pedra fria e pesada se instalou em meu peito. Meu marido, o homem que eu amava, acabara de me dar uma ordem. Uma ordem para me prostituir por seu negócio. Meus olhos, arregalados de incredulidade e um horror nascente, se fixaram nos dele. Ele viu meu choque, minha dor, minha devastação absoluta. E ele não se importou.

Um grito silencioso rasgou minha alma. Ele me traiu, não apenas com outra mulher, mas me reduzindo a um objeto, uma ferramenta para sua ambição implacável. Minhas mãos se fecharam ao lado do corpo, as unhas cravando nas palmas. A seda carmesim parecia uma mortalha.

Caio não esperou por uma resposta. Ele simplesmente assentiu, um gesto curto e desdenhoso, e se virou para falar com Gustavo. "Certifique-se de que tudo esteja... arranjado. Não podemos ter nenhum deslize esta noite."

Eu fiquei ali, congelada, o mundo girando ao meu redor. A traição era uma dor física, uma ferida tão profunda que pensei que poderia me partir ao meio. Mas sob a dor profunda, uma pequena faísca gelada se acendeu. Uma determinação fria e dura. Eu tinha sido sua esposa, sua parceira devotada, sua muleta emocional. Agora, eu era apenas um "serviço pessoal". Tudo bem. Eu interpretaria o papel. Mas não para ele. Não para o seu jogo doentio.

Eu o interpretaria para mim mesma.

Meus olhos, agora secos, seguiram as costas de Caio que se afastava. Ele não tinha ideia do que acabara de libertar.

Capítulo 2

Os passos apressados de Caio desapareceram pelo corredor, engolidos pelo silêncio luxuoso do Fasano. Eu ainda podia ouvir seus sussurros abafados e íntimos com Bruna, um fantasma da conversa deles ecoando na suíte opulenta. Cada palavra suave era um novo corte, torcendo a faca já cravada fundo em meu coração.

"Gustavo", eu disse, minha voz surpreendentemente firme, considerando o terremoto dentro de mim. Meu olhar estava fixo no associado, que ainda mexia em seu tablet, parecendo cada vez mais desconfortável. "Quem é Bruna Harper?"

Gustavo deu um pulo, seu rosto geralmente corado empalidecendo. Ele evitou meus olhos, gaguejando: "Sra. Mendes... eu... eu não sei do que a senhora está falando." Sua ignorância forçada era um insulto.

"Não se faça de desentendido, Gustavo", eu disse, meu tom mais afiado do que eu pretendia. "A mulher na ligação do Caio. Aquela que ele chama de 'meu amor' e a quem promete promoções. Quem é ela?"

Seu olhar disparou para a porta, depois de volta para mim. Ele umedeceu os lábios. "Ela é... uma analista júnior, Sra. Mendes. Nova contratação. Muito ambiciosa." Ele fez uma pausa, depois acrescentou, como se fosse um adendo casual: "Ela tem estado... próxima do Sr. Mendes há alguns meses. Ele a tem preparado, sabe, para uma posição chave."

Preparando ela. A palavra pairava no ar, densa com implicações não ditas. Uma analista júnior. Uma nova contratação. O mais novo brinquedo de Caio, envolto no disfarce de avanço na carreira. A ironia era um gosto amargo na minha boca. Ele havia descartado minhas próprias ambições, meu desejo de contribuir para além do papel de "esposa", com um aceno casual de mão. Agora ele estava "preparando" essa... Bruna.

Então, era isso. As peças se encaixaram com uma clareza horrível. Suas noites tardias no escritório, as súbitas "viagens de negócios", a crescente distância emocional. Não era apenas estresse do trabalho, era uma fachada cuidadosamente construída, um desmantelamento em câmera lenta da nossa vida juntos. Ele não estava apenas tendo um caso; ele estava construindo uma nova vida com outra pessoa, bem debaixo do meu nariz, planejando me descartar quando chegasse a hora certa. Sua crueldade não era impulsiva; era calculada.

Meus olhos varreram o quarto, absorvendo a decoração decadente, a arte cara, a vista deslumbrante da cidade. Isso não era apenas uma suíte de hotel; era uma gaiola, dourada e luxuosa, mas uma gaiola mesmo assim. E ele acabara de entregar a chave para outra mulher.

Uma batida suave interrompeu meus pensamentos. A porta se abriu novamente, revelando uma jovem, mal saída da adolescência, com os olhos arregalados e olhando nervosamente ao redor. Ela estava vestida com um vestido de coquetel curto e apertado, segurando uma pequena bolsa de grife. Ela parecia apavorada. A verdadeira "carga".

"Aqui", eu disse, minha voz baixa e firme. Tirei um maço de dinheiro da minha própria bolsa, mais do que suficiente para cobrir a noite dela, e o pressionei em sua mão. "Pegue isso. E vá embora. Agora. Não olhe para trás."

Seus olhos se arregalaram ainda mais, uma mistura de choque e gratidão. "Mas... o Sr. Mendes..."

Gustavo, sempre o facilitador nervoso, deu um passo à frente. "Sra. Mendes, o que a senhora está fazendo? O Sr. Sartori estará aqui a qualquer minuto! O Sr. Mendes vai ficar furioso!" Sua voz era um silvo de pânico.

Lancei-lhe um olhar que o silenciou instantaneamente. "Se o Sr. Mendes a quisesse aqui, não deveria ter despachado sua esposa para lidar com seu trabalho sujo", eu disse, minha voz pingando desprezo gelado. "Ele me disse para ser 'complacente', não disse? Para 'cumprir meu papel'. Bem, meu papel é garantir este acordo para ele. E eu farei do meu jeito."

Minha mente estava a mil. Caio me dera um papel, um papel degradante, mas um papel mesmo assim. Ele esperava que eu fosse um peão. Mas peões, às vezes, podem se tornar rainhas. Ele queria que eu fosse um "serviço pessoal" para Elias Sartori, o bilionário rival. Ele queria que eu garantisse sua aquisição hostil. Ele era tão arrogante, tão cego em sua ambição, que nem reconheceu sua própria esposa como a mercadoria que estava negociando.

"Gustavo", ordenei, minha voz agora calma, autoritária. "O contrato. Aquele que Caio assinou para este 'serviço pessoal'. Traga-o para mim."

Gustavo hesitou, seu rosto uma massa contorcida de medo e confusão. Ele sabia que Caio o esfolaria vivo se desobedecesse, mas minha súbita e incomum firmeza deve ter sido ainda mais assustadora. Lenta e relutantemente, ele tirou um tablet elegante de sua pasta e navegou até um documento. Ele me ofereceu, a mão tremendo ligeiramente.

Arranquei o tablet. Meus olhos percorreram o documento digital, o jargão jurídico embaçado a princípio, depois se tornando nítido. Era um "Contrato de Consultoria e Serviços Pessoais", ridiculamente vago, mas legalmente vinculativo. Meu sangue gelou quando vi as cláusulas detalhando os "serviços" esperados, a "compensação" prometida ao prestador de serviços e os "bônus" vinculados à conclusão bem-sucedida da aquisição hostil.

E então eu vi. Os incentivos financeiros. Uma porcentagem da aquisição se o acordo fosse fechado. Uma soma significativa, o suficiente para fazer até os olhos de Caio brilharem.

Uma memória cruel brilhou em minha mente. Apenas alguns meses atrás, eu havia abordado Caio com cautela, sugerindo que eu usasse meu diploma de administração, que eu tinha ideias para expandir sua fundação de caridade, talvez até investir em um pequeno empreendimento meu.

"Helena", ele zombou, mal erguendo os olhos do telefone, "você não tem cabeça para negócios. Fique com o que você é boa. Decorar, entreter. Deixe o verdadeiro ganho de dinheiro para mim." Ele me dispensou, menosprezou minha inteligência, me confinou à gaiola dourada de "esposa de executivo".

E agora, aqui estava. A "verdadeira oportunidade de ganhar dinheiro", apresentada a mim como uma acompanhante de luxo. Mas desta vez, ele estava pagando pelos meus "serviços", sem saber.

Meus dedos tremeram, mas minha determinação se fortaleceu. Caio queria que eu fosse uma arma em seu jogo. Tudo bem. Eu seria sua arma. Mas quando a poeira baixasse, seria o império dele que estaria em ruínas, e minha mão segurando o detonador.

Rolei até o final do documento. Um espaço limpo e em branco para a assinatura do prestador de serviços. Vi uma caneta digital sobre a mesa. Meu coração batia um ritmo frenético contra minhas costelas. Era isso. O ponto sem retorno.

Peguei a caneta. Meu dedo pairou sobre a tela. Uma assinatura. Um ato de submissão que se tornaria meu ato final de rebelião. O risco era imenso, as consequências desconhecidas. Mas a alternativa – permanecer o ativo descartável de Caio, ser humilhada e descartada – era muito pior.

Minha mão ainda tremia, mas meu olhar estava firme. Eu não iria apenas seguir o jogo. Eu iria tomar o controle. Não se tratava mais de salvar meu casamento. Tratava-se de recuperar minha vida.

Com uma respiração profunda e trêmula, eu assinei. A tinta digital fluiu, ousada e inflexível. Meu nome: Helena Fontes.

A luta, eu sabia, estava apenas começando.

Capítulo 3

Gustavo olhava para o tablet em minha mão, boquiaberto. Seus olhos dispararam para minha assinatura, depois de volta para meu rosto, uma máscara de horror crescente. "Sra. Mendes... a senhora... a senhora não pode estar falando sério. Isso precisa da assinatura do Sr. Mendes, não da sua! Ele pode nem reconhecer isso! Ele pode..."

"Ele pode se opor?", eu o interrompi, minha voz calma, quase serena, um contraste gritante com a tempestade que se formava dentro de mim. "Então ligue para ele. Conte a ele. Diga a ele que sua 'carga' tomou as rédeas da situação."

Gustavo hesitou por apenas um segundo, seu terror de Caio lutando contra a finalidade imediata e arrepiante em meus olhos. Ele pegou o telefone, seus dedos desajeitados enquanto discava. Eu o observei, meu coração um pássaro preso martelando contra sua gaiola.

Uma parte minúscula e tola de mim ainda tinha esperança. Esperava que Caio negasse, que voltasse correndo, os olhos cheios de algum semblante de amor ou mesmo de decência humana básica. Que ele declarasse todo aquele arranjo sórdido um mal-entendido, uma piada que deu errado. Cinco anos de casamento, um filho... certamente isso significava algo? Certamente ele se arrependeria, se arrependeria da expressão em meu rosto, da acusação silenciosa em meus olhos.

Ele voltaria. Ele tinha que voltar.

O telefone tocou pelo que pareceu uma eternidade. Então, a voz de Caio, áspera e irritada, explodiu do alto-falante, fazendo Gustavo estremecer. "O que foi, Gustavo? Eu disse para não me incomodar a menos que fosse uma emergência absoluta!"

"Senhor, é... é sobre o arranjo", gaguejou Gustavo, sua voz mal um guincho. "O Sr. Sartori está quase aqui, e... e a Sra. Mendes insiste em assinar o acordo ela mesma."

Um instante de silêncio. Então, Caio soltou uma risada curta e incrédula. "Helena? Assinando? Que diabos ela está aprontando? Ela está com você agora? Passe o telefone para ela!"

Gustavo olhou para mim, seus olhos suplicantes. Eu balancei a cabeça levemente, uma ordem silenciosa. Ele se virou de volta para o telefone. "Ela... ela diz que está preparada para cumprir o arranjo, senhor. Para garantir que o acordo seja fechado."

"O quê? Ela acha que pode simplesmente entrar e assumir o controle?", a voz de Caio estava carregada de desprezo. "Ela não tem ideia de como é o Elias Sartori. Ele é um tubarão. Ele vai comê-la viva." Ele fez uma pausa, e ouvi uma risadinha abafada ao fundo, o suspiro suave de uma mulher. Bruna. "Tudo bem. Tanto faz. Apenas resolva isso. Estou ocupado. Envie-me a solicitação de assinatura digital para ela, e para os papéis do divórcio. Meu advogado os enviou há mais de uma hora. Preciso assinar digitalmente ambos."

Papéis do divórcio. Ele os tinha prontos. Há uma hora. Enquanto eu colocava o vestido carmesim, imaginando nossa paixão reacendida. Enquanto eu me preparava para ele. Ele estava se preparando para me descartar.

A última centelha de esperança em meu peito morreu. Não foi uma morte, mas uma execução. Fria. Clínica. Totalmente sem misericórdia.

Minha visão embaçou, mas nenhuma lágrima caiu. Ainda não. Não por ele. Eu não lhe daria essa satisfação.

"Gustavo", eu disse, minha voz cortando o zumbido em meus ouvidos. "Envie a ele os papéis do divórcio. Agora. Eu quero que isso acabe."

Gustavo, assustado, atrapalhou-se com o tablet. "Mas... Sra. Mendes, o Sr. Mendes está no telefone com..."

"Apenas faça", eu disparei, minha paciência se esgotando, substituída por uma determinação de aço.

Ele digitou furiosamente, seu rosto uma mistura de medo e perplexidade. Um momento depois, a voz de Caio explodiu novamente, mais alta desta vez, infundida com uma nova onda de irritação. "O quê? Mais papéis? Gustavo, se você continuar me interrompendo, eu juro por Deus, vou arrancar sua cabeça. Apenas envie. Não me importa o que sejam. Apenas seja rápido."

Então, um suspiro súbito e agudo do fundo, inconfundivelmente de Bruna. "Oh, Caio, meu bem! Você é tão rápido!"

E a voz de Caio, rouca e densa de desejo: "Qualquer coisa pela minha rainha."

Um bipe eletrônico baixo sinalizou a assinatura digital bem-sucedida. Meu divórcio estava finalizado. Simples assim. Uma transação fria e distante.

Então, a ligação terminou abruptamente. Um clique, um som áspero e final. Como uma porta batendo. Ou uma vida.

Silêncio. O tipo que grita. O tipo que ecoa nas câmaras ocas de um coração partido. Fiquei ali, totalmente entorpecida, o tablet ainda em minha mão. Cinco anos. Cinco anos da minha vida, meu amor, minha lealdade. Reduzidos a algumas linhas de jargão jurídico e uma assinatura digital apressada. Tudo enquanto ele estava com ela, prometendo-lhe minha vida e fazendo piadas grosseiras sobre minha ambição.

Minha garganta se apertou. Uma única lágrima escaldante traçou um caminho pela minha bochecha, fria e chocante contra minha pele. Depois outra. E outra. Elas vieram sem serem convidadas, uma traição do meu próprio corpo. Meu rosto parecia congelado, rígido, mas as lágrimas continuavam a fluir, um testemunho silencioso da ruína do meu mundo. Eu nem percebi que estava chorando até que o frio na minha bochecha se registrou.

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