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O JUIZ - O Tio do Meu Filho

O JUIZ - O Tio do Meu Filho

Autor:: JL Oliveira
Gênero: Aventura
Maria Silva acreditava que seu passado sombrio estava enterrado, até o dia em que viu a foto de um homem que havia devastado sua vida. Determinada a confirmar sua morte, ela decide ir ao velório, sem imaginar que este encontro com a morte a conduziria a um destino inesperado. No velório, Maria se depara com Bruno de Alcântara e Leão, o juiz mais temido do Brasil, que é idêntico ao irmão falecido. Consumido pela sede de vingança, Bruno suspeita que Maria foi enviada pelo assassino de seu irmão. Obcecado e intrigado, ele inicia uma perseguição implacável para descobrir a verdadeira identidade dela e o motivo de sua presença no velório. Para Bruno, Maria é apenas mais uma oportunista querendo tirar vantagem da situação. No entanto, o que ambos não sabem é que um segredo profundo e pessoal os une de uma forma inesperada. Enquanto Bruno busca respostas e Maria luta para proteger seu passado, eles se veem entrelaçados em uma teia de mistério e revelações que poderá mudar suas vidas para sempre. Qual é o segredo que une esse casal improvável e como ele os forçará a confrontar seus próprios demônios?

Capítulo 1 Cópia Exata

O JUIZ - Tio do Meu Filho

Capítulo 1

Eu sou mais uma Maria na multidão, aquela que não deu certo na vida. Assim como tantas outras, vou levando, dia após dia, matando um, dois, três leões por dia. Tento ser mãe, provedora, trabalhadora, mas o mundo parece sempre estar contra mim. Eu sou apenas mais uma Maria lutando para sobreviver no cruel mundo dos humanos.

****

**Maria Silva**

"Até mais, meninas. Bom descanso." Deixei o trabalho aliviada por ter sobrevivido a mais uma noite na boate.

Os saltos altos e a minissaia de couro, que eu era obrigada a usar, pareciam instrumentos de tortura. Cada passo doía, cada movimento parecia exibir uma ferida que eu escondia. Quando finalmente troquei aqueles sapatos desconfortáveis pelos meus velhos tênis de guerra, senti um alívio imediato. Estava livre, ainda que por algumas horas.

"Cansada... Como estou cansada," murmurei para mim mesma enquanto caminhava até o ponto de ônibus.

O ônibus estava lotado como de costume, repleto de trabalhadores que, assim como eu, lutavam para manter a cabeça fora d'água. O veículo sacolejava pelas ruas esburacadas da cidade, jogando meu corpo para frente e para trás. Consegui um pequeno espaço para me equilibrar enquanto os passageiros ao meu redor se amontoavam.

Em meio à confusão, o ônibus parou bruscamente, e os passageiros começaram a murmurar. Do lado de fora, carros pretos escoltados por motos da polícia passavam rapidamente, suas sirenes cortando o ar da manhã. Uma senhora ao meu lado assistia a um noticiário em volume alto no celular, e eu não pude evitar ouvir.

"Delegado Matheus de Alcântara e Leão, brutalmente assassinado..."

Aquelas palavras fizeram meu coração parar por um momento. Uma onda de frio percorreu minha espinha. A mulher ao meu lado virou-se para mim, o rosto refletindo choque e curiosidade. E o pior de tudo, eu não sabia porque estava sentindo aquilo.

"Você viu isso?" perguntou ela, com os olhos arregalados. "Mataram o filho de um magnata, ele era delegado. Coisa do morro, dizem."

Engoli em seco, tentando disfarçar meu nervosismo. "É uma pena," respondi, com a voz vacilante. "Parece que vivemos em uma guerra constante."

"Todo dia morrem pessoas no morro," continuou ela, balançando a cabeça, "mas como dessa vez é um homem rico, de família influente, vai ser notícia o dia todo."

"Se fosse um pobre como nós, nem mencionariam," outra senhora no ônibus comentou, os olhos fixos na tela do celular.

"Essa é minha parada," eu disse rapidamente, aliviada por escapar daquela conversa. "Bom dia pra vocês." Apressada, desci do ônibus.

Quando cheguei em casa, já estava exausta. Os dois quarteirões que caminhei da parada de ônibus até a periferia onde moro pareciam mais longos a cada dia. Cumprimentei rapidamente os vizinhos que estavam na rua, ansiosa por encontrar algum descanso. Minha madrinha, como sempre, estava sentada no sofá, esperando por mim, assim que abri a porta de casa.

"Bom dia, filha. Como foi o trabalho?" perguntou ela, sorrindo.

"Bom dia, madrinha. Tudo tranquilo," respondi, forçando um sorriso.

Ela acreditava que eu trabalhava como camareira em um hotel. Não tive coragem de contar a verdade. Afinal, como explicar que trabalho em uma boate, servindo bebidas para homens que só enxergam um pedaço de carne? Não queria desapontá-la ou fazê-la se preocupar comigo.

Depois de trocar algumas palavras, fui até o quarto onde meu pequeno anjo dormia. Inclinei-me sobre ele e beijei sua testa, e acariciei seu cabelo negro.

"Deus te abençoe," sussurrei.

De volta à sala, sentei-me ao lado da madrinha no velho sofá vermelho. O noticiário ainda passava, e os repórteres falavam incessantemente sobre o assassinato do delegado.

"Só se fala disso na televisão, hoje" comentou minha madrinha, balançando a cabeça.

"É... No ônibus também não se falava de outra coisa," respondi, tentando parecer desinteressada. "Dizem que é filho de um ricaço, por isso virou notícia."

Quando a imagem do delegado assassinado apareceu na tela, o ar sumiu dos meus pulmões. Meu coração disparou, e uma sensação de pavor tomou conta de mim. Era ele. Não havia como negar. O homem que havia destruído minha vida agora estava morto, com seu rosto estampado em todas as manchetes.

Tentei controlar o pânico que ameaçava tomar conta de mim. Aquele rosto... Eu nunca poderia esquecê-lo. Ele mentiu sobre quem era, me enganou, e agora estava morto. Não sabia se sentia alívio ou desespero. Talvez um pouco de ambos.

Com as mãos trêmulas, peguei o telefone e comecei a procurar informações sobre o velório. Eu precisava ver com meus próprios olhos, confirmar que aquele homem realmente estava morto. Nunca soube seu nome completo até aquele momento, mas agora que sabia, algo dentro de mim gritava que eu precisava estar lá. Como eu queria contar a ele.

"Eu preciso sair, madrinha. Cuida do anjinho pra mim," disse, já pegando minha bolsa e saindo apressada.

"Mas você acabou de chegar, menina..." nem olhei para trás, estava tão atordoada.

Peguei um carro de aplicativo e, enquanto o motorista me levava até o cemitério, minha mente estava a mil. Imagens do passado invadiam minha cabeça, me torturando com lembranças que eu preferia esquecer.

Quando o carro finalmente parou na frente do cemitério, desci com o coração na boca. A visão do portão, cercado por jornalistas e curiosos, me fez hesitar por um segundo. Eu sabia que entrar ali não seria fácil.

Três carros pretos e luxuosos chegaram logo atrás de mim, e o portão foi aberto para permitir a entrada dos veículos. Os seguranças estavam ocupados tentando conter a multidão. Era minha chance.

Com passos rápidos e calculados, me misturei à confusão. Passei despercebida pelos seguranças enquanto eles lidavam com os jornalistas. Dentro do cemitério, me escondi atrás de um dos carros que havia acabado de chegar, tentando acalmar minha respiração.

A capela estava à minha frente. Respirei fundo e, com o coração acelerado, segui em direção às portas. A tensão no ar era palpável, e os sussurros das pessoas ao redor só aumentavam meu nervosismo. Quando finalmente entrei, o ambiente parecia ainda mais sufocante.

Caminhei lentamente até o caixão, cada passo me aproximando da verdade que eu tanto temia. Quando o vi, deitado ali, com uma expressão serena que contrastava com tudo o que ele havia feito, senti uma onda de emoções me dominar. Lágrimas encheram meus olhos.

"Meu Deus," sussurrei, sentindo um nó se formar em minha garganta. "Eu não queria que isso tivesse acontecido."

De repente, uma mão firme segurou meu braço, e uma voz fria sussurrou em meu ouvido: "Quem é você? E o que está fazendo aqui?"

Levantei o olhar, ainda com lágrimas nos olhos, e o choque me paralisou. O homem que estava diante de mim era uma cópia exata do que estava no caixão. Parecia que eu estava vendo um fantasma. Se aquele homem soubesse do meu segredo eu estaria arruinada para sempre, poderiam me tirar tudo que mais amo na vida. Eu precisava fugir.

Capítulo 2 Quem te mandou aqui

**Maria Silva**

Ele apertou mais o meu braço, seus olhos penetrantes me encarando com desdém. "Vamos, me diga quem você é," ele repetiu, sua voz carregada de ameaça.

"Eu..." minha voz falhou. Não sabia o que responder. Estava apavorada.

"Você não deveria estar aqui," ele rosnou. "Eu vou fazer da sua vida um inferno se não me disser o que sabe." Ele se aproximou ainda mais, sussurrando no meu ouvido. "Mal posso esperar para descobrir o que está escondendo."

Minhas pernas começaram a tremer, o medo me consumindo por completo. Eu não deveria ter vindo. Estava claro que eu havia cometido um erro terrível. Mas antes que eu pudesse reagir, ele me puxou para mais perto.

"Você vai sair daqui agora, e vamos conversar em um lugar mais privado," ele disse, guiando-me em direção à saída. O pânico me dominou, e minha mente começou a correr em busca de uma saída. Não podia deixar que ele me levasse.

Eu me sentia como se estivesse flutuando em um mar de confusão e angústia. As memórias da minha vida se misturavam com a realidade, e a pressão da situação me esmagava como uma maré implacável. Eu não deveria ter vindo aqui, sabia disso, mas algo mais forte que o medo me levou até aquele lugar. O velório de Matheus de Alcântara e Leão, ou Bruno, como ele se apresentou a mim no passado, era a última coisa que eu esperava enfrentar.

Quando o homem me agarrou pelo braço, exigindo saber quem eu era, senti o chão fugir de meus pés. A dor do aperto no braço não se comparava à dor interna ao perceber que Bruno nunca foi quem dizia ser. Ele era Matheus, o delegado que tinha arruinado minha vida. Aquele encontro, que deveria ser apenas uma despedida silenciosa, como eu queria dizer em seu ouvido, mesmo sabendo que ele não ia ouvir, que perdeu tantas coisas, rapidamente se transformou em um pesadelo.

Antes que eu pudesse responder, uma mulher loira, magra, alta e com uma aura de autoridade, surgiu ao lado do homem. Com um vestido preto que acentuava sua figura e um batom vermelho que contrastava com a palidez do rosto, ela olhou para mim com desdém.

"Quem é essa mulher, Bruno?" a loira perguntou, com uma voz fria e calculada. "Como deixaram isso passar pelos seguranças?"

"É isso que estou tentando descobrir," o homem respondeu, ainda segurando meu braço.

"Uma pessoa como ela não deveria nem ter entrado aqui, vai nos envergonhar."

O medo e a adrenalina fizeram minhas pernas tremerem. O nome "Bruno" ecoava na minha mente, e então a revelação veio como um soco no estômago. Bruno, o homem com quem eu tinha tido um relacionamento, acreditando que me amava, que me fez acreditar que o amor não existe, era na verdade Matheus. Por isso nunca encontrei nada sobre ele, nenhuma pista e ninguém sabia ou conhecia Bruno.

Como fui tola, como ele me enganou. Por que Matheus, por que você fez isso comigo? Tive vontade de ir até lá, de bater, de questionar e de... O choque foi demais para mim, e a visão escureceu até que tudo ao meu redor desapareceu.

Quando recobrei a consciência, estava deitada em um sofá macio, em uma sala desconhecida. O cheiro de perfume floral era suave, mas nauseante, misturando-se ao medo que me dominava. Ouvi vozes próximas, falando sobre mim, e o pânico voltou com força total. Precisava sair dali, não importava como. Com as mãos ainda trêmulas, levantei-me do sofá e fui até a janela, que estava aberta. Não havia grades, o que significava uma rota de fuga, mas quando me inclinei para ver o lado de fora, percebi que estava em um andar alto.

"Ela está aqui. Não sei quem ela é, pai..." A voz do homem chamado Bruno soou tão perto que eu mal tive tempo de pensar antes de me lançar pela janela, caindo pesadamente no chão do lado de fora.

Uma dor aguda atravessou meu tornozelo, mas ignorei. Eu precisava escapar, custasse o que custasse. Mancando, me arrastei para uma moita próxima, onde me escondi, tentando controlar a respiração ofegante. Os passos e vozes se aproximaram, e eu ouvi Bruno, que estava na janela, dar ordens para que me encontrassem.

"Ela não está aqui, senhor."

"Encontrem aquela mulher, nem que tenham que revirar túmulo por túmulo desse cemitério."

O tempo parecia se arrastar enquanto eu permanecia imóvel, rezando para que não me descobrissem. Cada segundo se tornava uma eternidade, mas finalmente, as vozes começaram a se afastar. A escuridão e o silêncio eram meus únicos aliados, e eu estava determinada a usar isso a meu favor.

Ouvi o choro de uma mulher e soube que o funeral estava se aproximando do fim. O caixão de Matheus foi carregado por homens silenciosos, vários policiais estavam ali, e eu, apesar de todo o terror que sentia, não pude deixar de sentir uma pontada de tristeza. Aquele homem que eu odiava e, de alguma forma, ainda amava, estava morto. Sua presença na minha vida tinha sido devastadora, mas agora, vendo o fim dele, tudo parecia sem sentido.

"Eu perdoo você. Que Deus lhe dê um bom lugar," sussurrei, quase inaudível, enquanto as lágrimas desciam pelo meu rosto.

Ouvi os tiros, que ecoavam no cemitério como uma forma tradicional de homenagem ao falecido. O som era profundo e reverente, um ritual comum em funerais para marcar a despedida de alguém importante para a polícia. As explosões reverberavam pelo fim da tarde, misturando-se ao murmúrio das últimas palavras de homenagem e ao sussurro das despedidas dos presentes.

As pessoas começavam a se dispersar lentamente, o burburinho das conversas e os passos apressados substituindo a solenidade do momento anterior.

O cheiro das flores misturava-se com o aroma da pólvora dos tiros, criando uma combinação estranha e perturbadora. As vozes que antes eram baixas e respeitosas agora se tornavam mais altas, com algumas pessoas expressando seu alívio por finalmente poderem ir embora, enquanto outras se reuniam em pequenos grupos, discutindo o que havia acontecido.

Matheus estava em seu descanso eterno. Quando as luzes se apagaram e o cemitério ficou mergulhado na escuridão, soube que era hora de fugir. A dor em meu tornozelo era insuportável, mas eu me forcei a caminhar, afinal eu estava presa dentro de um cemitério. Não havia mais tempo a perder. A única saída era um muro próximo, com uma árvore que poderia me ajudar a subir e escapar. Mas quando me lancei da árvore, mal percebi o vulto que se aproximava.

O impacto da queda foi amortecido por um par de mãos fortes que me seguraram no ar. Senti um arrepio correr pela espinha quando ouvi a voz familiar. Meu corpo deslizou no dele.

"Pensou que poderia escapar de mim tão facilmente? Acha mesmo que eu não ficaria de olho ele você"

Meu coração parou por um momento. O homem à minha frente era idêntico ao Matheus. Eu lutei para me soltar, as mãos grandes dele segurava os meus braços, mas ele era forte demais.

"O que você quer de mim?" sussurrei, sentindo o desespero crescer dentro de mim.

"Eu perguntei primeiro, lá dentro, quem é você e o que estava fazendo aqui? Por que estava no velório do meu irmão?"

Meu mundo girava fora de controle. Minha mente estava a mil, tentando encontrar uma saída. Mas agora, estava presa em uma armadilha que eu mesma havia construído ao procurar pelo passado.

"Foi aquele traficante filho da puta que te mandou aqui, não foi?" Ele me olhou de cima a baixo. "Olha para você, garota. O que ele quer agora? Vamos me fala, eu vou acabar com você. Assim como ele acabou com meu irmão."

Capítulo 3 Tentando fugir

**Maria Silva**

Eu estava nervosa, as mãos tremendo enquanto tentava manter a compostura. Não errar as palavras e saber o que falar aquele homem imponente à minha frente era crucial naquele momento.

"Não, eu não vim aqui a mando de ninguém," O que eu diria para ele? Tive um caso com seu irmão e ele me enganou e vim aqui só para ver se ela realmente estava morto? A voz dentro da minha cabeça me alertava, tentando encontrar uma saída para aquela situação insana.

Diante de mim, o homem que parecia ser a sombra viva de Matheus me encarava com uma intensidade perturbadora.

"Sou uma jornalista e queria uma foto." Era a desculpa mais plausível que consegui formular naquele momento. "Só isso."

"Foto? Como assim? Você acha mesmo que sou idiota, garota? Até parece que você não sabe com quem está falando" A voz dele era um misto de desprezo e desafio. Ele deu um passo à frente, diminuindo a distância entre nós. "Você queria tirar foto da minha família num momento frágil como esse. Era para eu estar indo para minha casa depois de enterrar meu irmão, mas estou aqui, segurando uma maluca que eu tenho certeza que veio a mando daquele desgraçado que matou meu irmão."

Eu me mantive firme, embora por dentro estivesse desmoronando. "Você pode me soltar, por favor?" Minha voz saiu mais firme do que eu esperava, e, surpreendentemente, ele me soltou. Meu corpo relaxou, mas minha mente permanecia em alerta. "Eu... Eu sou uma jornalista, e queria a matéria. Não vim a mando de ninguém."

Ele me olhou de cima a baixo, seus olhos carregados de ceticismo. "Para que jornal você trabalha?" Ele se aproximou mais, sua presença era imponente, como uma parede de força que me cercava, me sufocava. "Me diga, pra quem você trabalha?"

O rosto dele estava tão próximo que eu podia sentir o calor da sua respiração. Bruno de Alcântara e Leão. Será que esse era o nome dele? Tão parecido com Matheus que eu precisei de todas as minhas forças para não recuar. Será que eram gêmeos?

"Eu..." Minha voz falhou, minha garganta estava seca. "Eu sou uma jornalista freelance, não trabalho para um jornal específico. Estou tentando vender uma foto boa para quem pagar mais."

Bruno sorriu, mas não era um sorriso amigável. "Você espera que eu acredite nessa história?" Ele estava tão perto que eu podia ver as pequenas rugas na sua testa, detalhes que me lembravam Matheus. E eu tive vontade de passar os dedos ali. "Por que eu acho que você está mentindo para mim?" Ele começou a subir a mão vagarosamente pelos meus braços, até chegar ao meu rosto. Cada toque parecia queimar minha pele, uma mistura de repulsa e desejo que me deixava confusa.

Sua mão chegou à minha nuca, os dedos se entrelaçando nos meus cabelos, puxando-os suavemente, me prendendo em um lugar que eu não queria estar, mas do qual não conseguia me mover. Os olhos dele devoravam os meus, como se quisesse ver dentro da minha alma, descobrir meus segredos mais profundos. "Eu não trabalho para ninguém," consegui dizer devagar, com a voz trêmula, quase sussurrando.

"O que você estava fazendo no velório do meu irmão? Quem é você?" Ele não estava apenas me interrogando. Estava me caçando, jogando um jogo que eu não sabia se conseguiria vencer.

"Eu... já lhe disse, se não quiser acreditar não acredite," As palavras pularam da minha boca. Bruno se aproximou ainda mais, os lábios quase tocando os meus. O ar entre nós parecia eletrificado, como se a qualquer momento ele pudesse fazer algo inesperado, algo que eu não queria, mas que de alguma forma meu corpo parecia desejar.

"Por que eu acho que você está mentindo para mim?" Ele me perguntou, mais uma vez. Sua voz estava mais baixa, mais rouca, carregada de uma tensão que me fez querer fugir. "Vamos, me diga quem mandou você aqui, um jornalista tem uma câmera e você não tem uma." A proximidade dele era sufocante, seus olhos me prendiam, sua presença me consumia.

"Eu já te disse. Sou uma jornalista e não trabalho para ninguém, só queria uma foto boa para vender para quem pagasse mais, iria tirar do meu celular. E agora já chega dessa história e das suas perguntas," Eu precisava me afastar. Não podia deixar ele se aproximar mais. Eu já havia caído nas mentiras de Matheus uma vez e não permitiria que isso acontecesse de novo.

Bruno não encostou a boca na minha, mas estava tão perto que parecia que o calor dele poderia me incendiar a qualquer momento. Ele estava jogando comigo, me provocando, me testando, e eu sabia que estava à beira de perder o controle. "Qual é o seu nome?"

Algo dentro de mim estalou. A raiva que eu mantinha reprimida desde que tudo aconteceu, desde que Matheus entrou na minha vida e destruiu tudo, explodiu em um impulso de autopreservação. Eu o empurrei com toda a força que consegui reunir, fazendo-o recuar alguns passos. "Pare de me torturar! Eu não estou mentindo! Você não pode fazer nada contra mim, me deixe ir embora ou vou ligar para a polícia." Minha voz era quase um grito, cheia de emoção e desespero.

"Você vai ligar para a polícia?" Ele riu. "Acha que pode me enganar se passando por uma mulher ingênua?" Havia algo sombrio em seus olhos, algo que me fez lembrar que aquela família podia ser perigosa, afinal eles eram ricos e poderosos, precisava pesquisar sobre eles, urgentemente, eu não devia estar ali, se eles descobrissem o meu segredo, eu estaria arruinada. "Vai me dizer que não sabe que a minha família tem muito poder e pode acabar com você num piscar de olhos."

"Você não pode me prender, não fiz nada de errado, e já chega disso tudo. Se vier atrás de mim ligo para polícia e digo que tem um louco me seguindo," mostrei o celular para ele.

Eu o empurrei novamente, e, sem pensar, comecei a andar pela calçada do cemitério, as pernas trêmulas, a cabeça rodando. "Estou exausta," pensei. Não tinha dormido, tinha ficado o dia inteiro naquela moita, agachada, esperando que aqueles seguranças idiotas saíssem de lá. Eu precisava ver o enterro do homem que arruinou minha vida, mesmo que fosse para ter certeza de que ele estava realmente morto. "Ah, Deus, eu já o perdoei. Não me deixe falar mal dele. Que ele encontre a luz e vá para bem longe." Fiz o sinal da cruz, pedindo para que ele encontrasse a paz, enquanto eu caminhava para longe daquele inferno.

De repente, um carro preto e luxuoso parou ao meu lado. O vidro se abaixou, revelando Bruno, seu olhar fixo em mim. "Entra, eu vou te levar em sua casa."

Eu dei uma risada nervosa. "Não, nem sei quem você é. Acha que vou entrar no seu carro? Tá louco? Ainda mais com você falando que vim a mando de não sei quem, sai fora cara."

Ele suspirou, como se eu estivesse sendo irracional. "Essa região é perigosa, você não pode ficar aqui sozinha, entra no carro."

Eu olhei ao redor, consciente de que ele estava certo. O cemitério era grande, mal iluminado, e as poucas casas residenciais ao redor não ofereciam muita segurança. Meu medo aumentava a cada segundo, mas o medo de Bruno ainda era maior. "Eu vou para o ponto de ônibus, logo ele passa" murmurei, caminhando na direção oposta ao carro dele. Minha madrinha já tinha ligado várias vezes, mas eu não atendi. Apenas enviei uma mensagem rápida dizendo que estava bem e que estava fazendo um bico no hotel. "Eu odeio mentir," pensei, mas não tive escolha.

Bruno não desistiu. Ele continuou me seguindo com o carro, os faróis iluminando meu caminho. "Entra nesse carro, garota. Você já percebeu que esse lugar não é confiável?"

"Sim, mas eu também não conheço você. E não entro no carro de pessoas que não conheço," respondi, lembrando do maldito dia que eu tinha feito essa mesma bobagem e entrado no carro irmão dele, e me arrependi amargamente, pensei, mas mantive a boca fechada.

Ele suspirou novamente, mas não insistiu. "É melhor entrar no carro, ou você vai ser assaltada ou coisa pior."

Assim que as palavras saíram da boca dele, lá estava o destino brincando comigo. Dois caras acabaram de virar a esquina, vindo em minha direção. Senti o frio na espinha. "Se ficar o bicho pega, se correr o bicho come," pensei, sem saber o que fazer.

"Oi gracinha, não sai com ele não vem brincar com a gente, estamos em dois vai ser mais divertido," escutei o grito de um dos idiotas.

"Eu não posso," disse com medo, tentando manter a distância. Mas, sem dizer uma única palavra, Bruno desceu do carro, caminhou rapidamente até onde eu estava e, antes que eu pudesse reagir, me jogou em seu ombro como se eu fosse um saco de batatas. Em seguida, abriu a porta do carro e me colocou lá dentro, com uma firmeza que não deixava espaço para protestos.

O som da porta se fechando ecoou na minha mente, sinalizando que eu estava presa, sem saída. E agora, dentro do carro com Bruno de Alcântara e Leão, eu só podia esperar pelo que viria a seguir.

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