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O Jogo Cruel de Nove Vezes

O Jogo Cruel de Nove Vezes

Autor:: Hazel
Gênero: Moderno
"Mateus, preciso ir. Leonardo precisa de mim." A voz de Isabela, minha esposa, era quase casual, mas seu brilho nos olhos ao falar dele, a paixão platônica de sua infância, já me dizia tudo. Eu, Mateus, que a amei com tamanha devoção, nunca imaginei o abismo que se abriria à nossa frente. Aquele dia, o retorno de Leonardo ao Brasil, marcou o início de um jogo cruel proposto por ele: nove "chances" para Isabela provar seu amor por ele. Se ela me abandonasse nove vezes, eu deveria conceder o divórcio. Eu aceitei, cego pela esperança de testar sua lealdade, mesmo que doesse. As humilhações se seguiram: no nosso aniversário de casamento, em minha crise de apendicite, no funeral de minha avó, ela sempre o escolhia. A nona vez foi a pior: febril na estrada, ela me deixou para correr até Leonardo. E o ponto culminante, a cena que selou meu destino: durante um acidente, Isabela salvou Leonardo, me deixando para ser atropelado. No hospital, a dor física era ínfima comparada à da alma. A frieza e superficialidade de sua "preocupação" confirmaram: eu era apenas um peão em um romance alheio, um tolo cego pela própria ingenuidade. A percepção do ridículo da minha situação, da manipulação de anos, era esmagadora. Mas minha resignação abriu caminho para uma fria e inabalável resolução. Ali, naquela cama de hospital, decidi: ela teria o divórcio, sim. Mas não do jeito que esperava. E em um movimento silencioso, preparei a sutil vingança. Minha vida estava prestes a recomeçar, mas não da forma que sequer poderiam imaginar.

Introdução

"Mateus, preciso ir. Leonardo precisa de mim." A voz de Isabela, minha esposa, era quase casual, mas seu brilho nos olhos ao falar dele, a paixão platônica de sua infância, já me dizia tudo. Eu, Mateus, que a amei com tamanha devoção, nunca imaginei o abismo que se abriria à nossa frente.

Aquele dia, o retorno de Leonardo ao Brasil, marcou o início de um jogo cruel proposto por ele: nove "chances" para Isabela provar seu amor por ele. Se ela me abandonasse nove vezes, eu deveria conceder o divórcio. Eu aceitei, cego pela esperança de testar sua lealdade, mesmo que doesse.

As humilhações se seguiram: no nosso aniversário de casamento, em minha crise de apendicite, no funeral de minha avó, ela sempre o escolhia. A nona vez foi a pior: febril na estrada, ela me deixou para correr até Leonardo. E o ponto culminante, a cena que selou meu destino: durante um acidente, Isabela salvou Leonardo, me deixando para ser atropelado.

No hospital, a dor física era ínfima comparada à da alma. A frieza e superficialidade de sua "preocupação" confirmaram: eu era apenas um peão em um romance alheio, um tolo cego pela própria ingenuidade. A percepção do ridículo da minha situação, da manipulação de anos, era esmagadora.

Mas minha resignação abriu caminho para uma fria e inabalável resolução. Ali, naquela cama de hospital, decidi: ela teria o divórcio, sim. Mas não do jeito que esperava. E em um movimento silencioso, preparei a sutil vingança. Minha vida estava prestes a recomeçar, mas não da forma que sequer poderiam imaginar.

Capítulo 1

Leonardo voltou ao Brasil.

Isabela, minha esposa, não se continha de alegria.

Leonardo era sua paixão platônica de infância.

Ele me propôs um jogo cruel.

Nove chances para Isabela provar seu "amor" por ele.

Se ela me abandonasse nove vezes, eu deveria conceder o divórcio.

Eu olhei para Isabela.

Seus olhos brilhavam por Leonardo.

Meu coração afundou.

Eu queria testar o amor de Isabela.

Mesmo que doesse.

"Eu aceito," eu disse, a voz rouca.

Uma tensão pesada encheu o ar.

Eu senti um presságio ruim.

A nona vez foi a pior.

Estávamos numa rodovia, uma chuva forte caía.

Eu estava doente, febril.

Isabela recebeu uma ligação de Leonardo.

Ele precisava dela.

Ela me olhou, hesitou por um instante.

Depois, seus olhos se encheram de determinação por ele.

"Mateus, eu preciso ir."

Ela disse, quase casualmente.

"Leonardo precisa de mim."

Ela abriu a porta do carro e saiu na chuva.

Deixou-me ali, doente, sozinho.

O frio da chuva se misturava ao frio no meu peito.

Leonardo ligou para o meu celular logo depois.

"Ela escolheu, Mateus. Nona vez."

Sua voz era puro triunfo.

Eu sentia o desespero me engolir.

O abandono era uma dor física.

Eu desliguei o telefone.

A derrota era amarga.

Eu estava exausto.

Resignado.

Decidi ali mesmo.

"Vamos nos divorciar," murmurei para o nada.

A tristeza era profunda, mas algo em mim mudou.

Era o fim.

Lembrei-me de como tudo começou.

Conheci Isabela na faculdade.

Ela era linda, vibrante.

Eu me apaixonei rápido.

Mas ela sempre falava de Leonardo.

Ele tinha ido para o exterior.

Ela o idolatrava.

Anos depois, Leonardo me procurou.

Ele disse que Isabela ainda era apaixonada por ele.

Mas ele queria que ela "superasse".

Sugeriu que eu a conquistasse.

Ele me deu dicas, facilitou encontros.

Eu, ingênuo, acreditei.

Pensei que ele estava sendo um bom amigo.

Só agora eu via a manipulação.

Ele queria provar o poder dele sobre ela, usando-me.

Agora, Leonardo estava de volta.

Ele me olhou com desprezo.

"O jogo recomeça, Mateus."

Ele disse, um sorriso cruel nos lábios.

"Ou melhor, continua."

Eu queria gritar.

Mas uma parte de mim, uma parte masoquista, queria ver.

Eu precisava saber a verdade, por mais dolorosa que fosse.

A esperança desesperada por validação ainda existia.

As humilhações começaram.

Primeiro, nosso aniversário de casamento.

Isabela tinha um jantar "urgente" com Leonardo.

Deixou-me esperando no restaurante.

Depois, tive uma crise de apendicite.

Precisei de cirurgia.

Isabela apareceu no hospital por cinco minutos.

Leonardo ligou, ela saiu correndo.

O funeral da minha avó.

Isabela chegou atrasada, ficou no celular com Leonardo o tempo todo.

Saiu antes do enterro.

Cada abandono era uma facada.

Meu coração se partia um pouco mais a cada vez.

A desilusão crescia.

Eu via os verdadeiros sentimentos dela.

Ou a falta deles por mim.

Depois da nona humilhação na estrada, eu estava esgotado.

Fui a um advogado.

Preparei os papéis do divórcio.

Assinei.

Leonardo apareceu no meu escritório.

"Soube que você já tomou uma decisão," ele disse, arrogante.

Entreguei a ele uma cópia dos papéis assinados.

"Ela é toda sua," eu disse, a voz fria.

"Eu sempre soube," ele sorriu.

"Ela nunca te amou de verdade."

Leonardo levou os papéis para Isabela.

Ele disse que era um "presente surpresa" meu.

Um contrato para um novo projeto de design, algo grande.

Isabela, cega pela confiança em Leonardo e pela ambição, assinou sem ler.

Ela sorria, animada com o "presente".

A ironia era esmagadora.

Ela assinou o próprio divórcio pensando ser um triunfo profissional.

Minha observação sobre a lealdade dela a ele se confirmava de forma cruel.

Eu senti um desespero silencioso por ela, por mim, por tudo.

Capítulo 2

Isabela recebeu outra ligação de Leonardo.

Ele a chamava para comemorar o "novo projeto".

Ela nem olhou para o envelope que ele lhe dera, o suposto "presente".

Ela o jogou na bolsa.

"Preciso ir, Mateus. Leonardo está me esperando!"

Ela saiu apressada, os olhos brilhando pela expectativa de estar com ele.

O abandono nem mais me surpreendia.

A indiferença dela era clara.

Eu não senti nada quando ela saiu.

Nenhuma dor aguda, nenhuma surpresa.

Apenas um vazio.

Um cansaço profundo.

Fui para o quarto.

Deitei na cama e dormi.

Ou tentei.

O esgotamento emocional era pesado.

Na manhã seguinte, Isabela tentou uma aproximação.

Ela me abraçou por trás na cozinha.

"Desculpe por ontem, amor. Estava tão animada com o projeto."

Sua voz era suave, quase carinhosa.

Uma falsa esperança tentou surgir, mas eu a esmaguei.

"Você leu o 'projeto'?" perguntei, a voz neutra.

Ela pareceu confusa.

"Ainda não tive tempo. Leonardo disse que era incrível."

Suas palavras confirmaram.

Nenhum remorso genuíno.

Nenhuma mudança.

A amargura voltou.

Eu sabia, internamente, que era o fim definitivo.

Minha resolução se solidificou.

Não havia mais volta.

O relacionamento estava morto.

Eu só precisava formalizar.

Isabela tentou retomar nossas rotinas.

Sugeriu um filme à noite, como costumávamos fazer.

"Não, obrigado," eu disse. "Tenho coisas para resolver."

Ela me olhou, surpresa com minha firmeza.

Uma leve confusão passou por seus olhos.

Eu estava quebrando a dinâmica antiga.

Ela não entendia.

Ou não queria entender.

Comecei a notar pequenas mudanças em casa.

O amuleto de carro que minha avó me deu, que sempre pendurei no retrovisor do nosso carro, sumiu.

No lugar, um penduricalho moderno, do gosto de Leonardo.

Perguntei a Isabela.

"Ah, aquilo? Estava tão velho, Mateus. Leonardo me deu este, é mais a nossa cara, não acha?"

Ela disse com naturalidade, descartando algo sentimental para mim.

Minha "cara" não importava mais.

Era a "cara" deles.

Senti a última gota de apego emocional escorrer de mim.

A finalidade era palpável.

Uma dor silenciosa, mas definitiva.

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