LIVRO 1
O Juiz Tio Do Meu Filho
Essa é uma sequência do livro 1, conta a História de Benicio filho de Bruno e Maria. Pode ser lido separadamente, mas convido a você ler O Juiz Tio do Meu Filho, uma história envolvente e que esconde um segredo.
LIVRO 2
**O Juiz Herdeiro
Redescobrindo o Amor**
Capítulo 1
**Luana Sartori**
Assim que desci do avião no aeroporto do Galeão, um misto de alívio e apreensão tomou conta de mim. O ar quente e úmido do Rio de Janeiro parecia me envolver como um abraço que eu não sabia se queria aceitar. Respirei fundo, tentando absorver tudo: o cheiro do asfalto, o murmúrio constante de vozes ao redor, os passos apressados. A mistura de pessoas. O Brasil. Meu lar. O lugar que, por anos, eu me esforcei em deixar para trás.
Eu sabia que voltar significava abrir uma porta que tinha fechado com força. As memórias que eu mantinha trancadas começavam a se soltar como um filme antigo, preto e branco, na minha mente. Havia promessas a cumprir. Promessas que fiz ao meu pai. Não era uma questão de escolha. Pois, se fosse por escolha eu nunca voltaria.
Enquanto descia as escadas do avião e caminhava em direção ao saguão do aeroporto, notei como minhas mãos tremiam ligeiramente. Olhei ao redor, tentando localizar as esteiras de bagagem. Precisava das minhas malas, mas, acima de tudo, precisava de Maria, minha madrinha. Ela prometeu que estaria lá. Tantos anos sem vê-la.
Assim que alcancei as esteiras, fiquei parada por alguns minutos, observando a bagagem deslizar em círculos. Reconheci minhas duas malas. Uma delas estava com a alça um pouco desgastada, e a outra carregava um adesivo de Londres que eu nunca tive coragem de tirar. Tempos bons. Coloquei as malas no carrinho com certo esforço e me dirigi à área de espera.
Olhei ao redor, esperando encontrar Maria. Não deveria ser difícil; ela sempre teve um jeito de se destacar na multidão com sua energia e seu jeito de chamar a atenção sem nem perceber. Mas, conforme os minutos passavam, comecei a perceber que ela não estava ali.
Minha mente imediatamente começou a trabalhar em excesso. Será que algo havia acontecido? Será que eu tinha entendido errado o horário? Ou pior, será que ela havia se esquecido? Meu coração acelerava, e eu tentava ignorar o frio na barriga que me dizia que algo estava errado.
"Droga." Puxei meu celular da bolsa. Sem sinal. Claro.
O caos do aeroporto e o meu nervosismo haviam me impedido de perceber que eu precisava conectar o telefone. Respirei fundo, ajustei as configurações e, finalmente, consegui ligar para minha madrinha.
Chamou uma, duas, três vezes. Nada.
"Droga, madrinha, atende," murmurei para mim mesma. O desconforto começava a se transformar em irritação. Eu estava cansada e faminta.
Parei por um momento e olhei ao redor. O saguão estava cheio de rostos que eu não reconhecia, pessoas correndo para se encontrarem, abraços calorosos sendo trocados. Eu dei um sorriso nesse momento. Mas eu continuava ali, sozinha, com minhas malas e um peso crescente no peito.
O barulho do aeroporto ao meu redor era uma trilha sonora irritante. Gente andando apressada, arrastando malas, chamando táxis. Eu estava ali, parada, com as duas malas ao meu lado e uma sensação de abandono crescendo dentro de mim. Minha madrinha não aparecia, e minha paciência estava se esgotando. Dez minutos haviam passado desde a última tentativa de ligação. Sem resposta.
Suspirei fundo e pensei na possibilidade de ir para um hotel. Talvez ela tivesse esquecido de mim. Era uma hipótese, não era? Peguei o celular, comecei a procurar algo decente por perto. Mas então algo me fez parar.
Sabe quando você sente a presença de alguém antes mesmo de vê-lo? Foi isso que aconteceu. Meus olhos levantaram, varreram o saguão, mas não havia ninguém familiar. Balancei a cabeça, rindo de mim mesma. Eu deveria estar louca.
"Luana."
A voz. Grave, firme, com aquele timbre que parecia sempre conter uma dose de ironia.
Me virei lentamente, e lá estava ele. Benício.
Eu sabia quem ele era. Como não saber? Mesmo vivendo fora do Brasil, ele era praticamente uma celebridade. Jornais, revistas, sites de fofoca. Nas festas mais exclusivas, nos eventos mais badalados. Nos casos bem sucedidos. Sempre impecável, sempre sorrindo para as câmeras. Um amostradinho de primeira classe. Bonito demais para o próprio bem e, infelizmente, também para o meu.
Enquanto ele caminhava até mim, percebi que ele era ainda mais impressionante pessoalmente, até mais do que eu me lembrava. O terno preto parecia feito sob medida - provavelmente era. Os sapatos italianos brilhavam como se tivesse sido polido minutos antes, provavelmente feitos de couro de vacas que ouvem música clássica para não ter estresse e ter o couro mais macio do mundo. E o cabelo? Sem um fio fora do lugar. Eu o odiava ainda mais por isso.
"Luana," ele repetiu, dessa vez mais próximo.
"Você?," respondi, sem esconder meu desgosto. Ele parou a poucos passos de mim, cruzando os braços.
"Onde está minha madrinha?"
Ele respirou fundo, claramente aborrecido. "Ela me pediu para vir. Minha mãe teve um problema e não pôde buscá-la."
Ótimo. Eu tinha saído da Europa para isso? "Que maravilha," resmunguei, mais para mim mesma.
Ele me lançou um olhar que dizia claramente que preferia estar em qualquer outro lugar. "Vamos. Ao contrário de você, eu sou um homem ocupado."
Arqueei uma sobrancelha. Arrogante, como sempre. Ele se virou e começou a andar, me deixando para trás.
"Idiota," murmurei baixinho, mas alto o suficiente para que ele ouvisse.
Ele parou por um segundo, como se considerasse voltar e me confrontar, mas então continuou. Peguei o carrinho com as malas e fui atrás, sentindo um misto de irritação e vergonha. Ele nem ao menos ofereceu ajuda. Não que eu precisasse, claro. Eu era perfeitamente capaz de cuidar de mim mesma.
Chegamos ao carro dele, um importado luxuoso que parecia ter saído direto de um comercial de TV. Ele abriu o porta-malas e ficou ali, parado, me olhando.
"Está esperando o quê? Que eu carregue suas malas também?"
Bufei, peguei a primeira mala e a coloquei no porta-malas, fiz o mesmo com a segunda, e fechei a porta com toda minha força. O som do impacto ecoou, e algumas pessoas ao redor nos olharam.
"Me desculpe, querido," falei, colocando um toque de sarcasmo na voz. "Escorregou."
Os olhos verdes dele se estreitaram, brilhando com fúria contida. Mas, em vez de me dar uma resposta mordaz, ele fez algo que me pegou completamente desprevenida.
Em um movimento rápido, ele me imprensou contra o carro. Seu corpo estava tão próximo do meu que pude sentir o calor que emanava dele. Meu coração começou a bater mais rápido, e minha respiração ficou irregular. Ele não se movia, mas sua presença era esmagadora.
Eu tentei protestar, dizer algo, mas minha voz parecia ter sumido. Ele se inclinou, aproximando o rosto do meu. Nossas respirações se misturaram, e eu podia sentir o leve toque dos lábios dele quase encostando nos meus.
"Benício," sussurrei, meu corpo inteiro em alerta.
Ele sorriu de lado, aquele sorriso presunçoso que sempre me irritava, mas que agora me deixava completamente sem ação.
Eu o odiava, odiava tudo nele. Mas, naquele momento, tudo que eu conseguia pensar era em como eu queria que ele me beijasse.
"Você voltou para ferrar a minha vida, não foi?" A voz dele era baixa, mas carregava um tom de provocação que fazia meu coração acelerar.
"Benício, pode me soltar?" Eu tentei soar firme, mas minha voz saiu mais como um sussurro, fraca demais para ser convincente.
"E se eu não quiser soltar você, Luana?" Ele se inclinou ainda mais perto, os olhos verdes queimando nos meus, um desafio implícito em cada palavra.
"Benício..." Eu comecei, mas ele não me deu tempo para terminar.
De repente, os lábios dele estavam sobre os meus. Quentes, firmes e exigentes. O mundo ao meu redor desapareceu em um borrão de sensações. Tudo que eu conseguia sentir era ele - o gosto, o calor, a intensidade.
Mal tinha pisado no Brasil e já estava presa na sombra do meu passado. E, naquele momento, essa sombra tinha um nome: Benício de Alcântara e Leão.
O mundo ao nosso redor parecia ter desaparecido. Só existiam nós dois e aquela tensão que vinha se acumulando há anos.
Foi um choque de eletricidade que percorreu meu corpo inteiro. Por um instante, fiquei imóvel, incapaz de processar o que estava acontecendo. Mas então, algo em mim cedeu. Não era apenas um beijo. Era um desabafo. Era dor, saudade e uma história inacabada que insistia em nos ligar, mesmo quando tudo dizia que deveríamos nos afastar.
Seus lábios eram quentes e exigentes, e o jeito como ele segurava minha cintura, como se temesse que eu pudesse fugir, dizia mais do que qualquer palavra. As mãos dele eram firmes, quase possessivas, enquanto os dedos pressionavam levemente minhas costas, me trazendo ainda mais para perto. A distância entre nós era inexistente, como se o universo tivesse decidido naquele momento que precisávamos nos fundir, nem que fosse por alguns segundos.
Minha mente gritava para eu parar aquilo. Ele não podia significar nada mais para mim. Não depois de tudo. Mas meu coração? Esse traidor insistia em relembrar o quanto eu já havia amado Benício Alcântara e Leão.
O beijo era uma dança. Nossas bocas se moviam como se fossem feitas para se encontrar, em um ritmo intenso, mas cheio de urgência. O gosto dele era familiar e ao mesmo tempo desconhecido, um paradoxo que me deixava ainda mais perdida. Meus dedos, sem que eu percebesse, subiram até seus ombros, agarrando o tecido impecável do seu terno.
Do canto dos olhos, percebi que algumas pessoas nos observavam, mas eu não me importava. Naquele momento, éramos apenas nós dois, envolvidos em uma bolha de sentimentos que há muito tempo não permitíamos sentir.
O céu, tingido de laranja pelo pôr do sol, parecia uma cena tirada diretamente de um filme de romance. Qualquer pessoa que nos visse pensaria estar diante de um casal apaixonado que finalmente havia se reencontrado. Mas a realidade era bem diferente. Não éramos duas pessoas celebrando o amor. Éramos duas almas machucadas, tentando, talvez inconscientemente, encontrar algum tipo de salvação uma na outra.
Eu sentia meu peito doer de tantas emoções misturadas. Havia raiva, saudade, mágoa... e algo mais. Algo que eu não queria admitir, mas que ainda estava ali, escondido em algum canto do meu coração.
Então, como se o universo quisesse nos lembrar da realidade, o som estridente de uma buzina de carro rasgou o ar. O barulho nos arrancou daquele momento.
Benício afastou a boca da minha, mas não se moveu. Seu rosto ainda estava tão perto que eu podia sentir sua respiração quente contra minha pele. Seus olhos continuavam fixos nos meus, mas agora estavam diferentes. Ainda intensos, mas havia algo mais. Talvez fosse arrependimento. Talvez fosse confusão. Ou talvez fosse algo que nem ele sabia explicar.
"Benicio..." Eu começou a falar, mas ele me interrompeu, segurando meu rosto com as duas mãos.
"Não diga nada, Luana. Não estrague isso." A voz dele saiu suave, quase como um sussurro.
O ar entre nós parecia carregado, como se o universo inteiro estivesse segurando a respiração, esperando para ver o que aconteceria a seguir.
Quando a buzina do carro atrás de nós soou como uma sirene, a magia do momento foi despedaçada. Eu ainda sentia os lábios de Benício nos meus, como se estivessem marcados ali, e, por um segundo, só conseguia encará-lo. Mas ele não me deu tempo para pensar.
"Vamos sair daqui." Sua voz era firme, autoritária.
Antes que eu pudesse reagir, ele segurou minha mão e me puxou em direção ao carro. Aquele toque era eletrizante, como se uma corrente percorresse meu corpo. Entrei no veículo, tentando recuperar o controle sobre mim mesma, mas o olhar que ele lançou antes de fechar a porta fez meu estômago revirar.
Benício deu a volta no carro, entrou e acelerou, deixando o aeroporto para trás. Eu fixei meus olhos na estrada, o silêncio entre nós quase tão ensurdecedor quanto a buzina de minutos atrás. Meu coração ainda batia descompassado, e eu não sabia se era por causa do beijo ou da presença dele, tão esmagadora.
Eu não sabia o que dizer. Como agir. Era como se eu estivesse pisando em terreno minado. Tudo o que eu queria era chegar à casa da minha madrinha, onde poderia me recompor e, talvez, fingir que nada disso tinha acontecido.
Mas algo estava errado. Não reconhecia o caminho que ele tomava.
"Para onde estamos indo?" Perguntei, finalmente quebrando o silêncio.
"Minha mãe está nos esperando no sítio."
Meu estômago deu um nó. Ele estava estendendo esse tempo juntos, e tudo em mim gritava que isso era uma péssima ideia. O cheiro amadeirado do perfume dele preenchia o carro, cada inspiração trazendo memórias que eu preferia deixar enterradas.
Olhei pela janela enquanto o cenário urbano dava lugar à serra, e a estrada começou a se estreitar. Reconheci o caminho de terra que levava ao sítio da família dele, um lugar que eu conhecia bem. Havia passado tantas tardes ali na minha adolescência, rindo, sonhando... e também sofrendo.
Mas algo mudou quando nos aproximamos de uma lagoa. Ele desviou para um caminho diferente, mais ermo, cercado por árvores que lançavam sombras longas sobre o carro.
"Por que você parou?" Perguntei, a voz mais firme do que eu esperava.
"Está com medo de mim, Luana?" Ele perguntou, a voz grave, mas quase provocadora.
Eu ri nervosamente, mais para me convencer do que por qualquer outra coisa. "Não, só quero chegar logo na casa da minha madrinha."
Ele desligou o carro e virou-se para mim, os olhos verdes perfurando os meus. "Luana..."
"É melhor a gente não falar sobre isso," cortei, tentando me proteger do turbilhão que ele estava prestes a desencadear.
Ele se inclinou, tão próximo que pude sentir a respiração dele contra minha pele. "Eu vou te beijar de novo."
E então, sem me dar tempo para protestar ou sequer pensar, ele fez exatamente isso.
O beijo foi intenso, rápido e inegavelmente arrebatador. Seus dedos encontraram meus cabelos, puxando-me para mais perto, como se ele quisesse apagar todos os anos de distância e mágoa com aquele toque. Eu estava perdida, completamente entregue a um sentimento que havia jurado deixar para trás.
Não sei como aconteceu, mas antes que eu percebesse, estava no colo dele, minhas mãos agarrando o tecido da camisa impecável que ele vestia. A racionalidade havia sido jogada pela janela. Não havia certo ou errado. Apenas nós dois, uma busca desesperada por algo que nem sabíamos nomear.
O gosto dele era familiar e ao mesmo tempo novo, uma combinação que fazia minha cabeça girar. Ele me segurava com firmeza, mas com um cuidado que parecia contradizer a urgência do momento.
A respiração dele se misturava à minha, criando um ritmo único, quase como uma melodia. O mundo lá fora deixou de existir. Não havia árvores, lagoa ou sequer o tempo. Só havia nós dois, tentando desesperadamente preencher os vazios que carregávamos.
Eu não sabia o que estávamos buscando um no outro. Não sabia como isso terminaria. Mas sabia que esse momento mudaria tudo.
"Luana. Eu..." ele sussurrou. "Quero fazer amor com você."
**Luana Sartori**
Eu estava ali, encarando Benício, o homem que habitava meus sonhos e pesadelos há tanto tempo. Seus olhos verdes eram uma tempestade de emoções, refletindo desejo, esperança e algo mais que eu não conseguia decifrar. O peso de sua presença me fazia sentir pequena, e ao mesmo tempo, estranhamente poderosa. Ele me desejava.
"Benício," minha voz saiu quase como um sussurro, mal se sustentando contra o som do vento ao nosso redor. Ele estava tão perto que eu podia sentir o calor de seu corpo irradiando, mesmo no ar fresco da noite.
"Diga que sim, por favor. Preciso de você." Sua voz era grave, carregada de uma urgência que eu conhecia bem. Ele me queria. Não apenas meu corpo, mas a essência de quem eu era. A Essência de nós dois.
Eu não respondi. Não havia palavras suficientes para expressar o que eu sentia naquele momento. Então, o beijei.
O beijo foi como um incêndio que se alastra sem controle. Eu me joguei nele com tudo que tinha, esquecendo o mundo, os problemas, as feridas do passado. As mãos dele me puxaram para perto, segurando minha cintura como se nunca fosse me deixar ir. Cada movimento era uma promessa silenciosa de que aquilo era só o começo.
Antes que eu percebesse, nós éramos apenas um, como no passado. Não havia mais espaço para hesitação. A cabine do carro parecia apertada, mas não importava. Naquele momento, era o nosso mundo. Nosso reencontro.
Benício tirou minha blusa com uma habilidade que me deixou sem fôlego. Seu toque era ao mesmo tempo feroz e reverente, como se ele estivesse descobrindo algo precioso. Meus dedos se embrenharam no cabelo dele, puxando levemente, enquanto ele traçava o caminho de seu desejo pela minha pele.
"Você é tão linda, Luana," ele murmurou contra meu pescoço, sua respiração quente enviando arrepios pelo meu corpo. Meu coração batia tão forte que parecia ecoar pelo pequeno espaço.
Eu me movi no colo dele, ajustando meu corpo ao dele. Sentir a força dele sob mim foi como um lembrete de tudo que havíamos reprimido por tanto tempo. O desejo pulsava entre nós, eletrizando o ar, deixando nossos movimentos urgentes, quase desesperados.
As mãos dele exploravam cada curva minha, enquanto meus dedos deslizavam pela musculatura de seus braços e ombros. Não havia vergonha, apenas entrega. Cada toque, cada suspiro, cada movimento era um diálogo que só nós dois compreendíamos.
O vidro do carro começou a embaçar, ocultando-nos do mundo lá fora. Não importava. O começo da noite dava seus sinais, a escuridão e as primeiras luzes da lua iluminavam o carro. Ninguém entenderia o que estava acontecendo entre nós. Era mais do que físico. Era uma conexão profunda, quase espiritual.
Eu o olhei nos olhos, e ele me olhou de volta, como se quisesse gravar aquele momento na memória. E ali, enquanto nossos corpos se moviam em sincronia perfeita, percebi que talvez, pela primeira vez em anos, eu estava exatamente onde deveria estar.
Benício me ajudou a tirar a calça. Não sei exatamente como ele conseguiu, mas, de repente, ali estava eu, entregue a ele. Quando sua mão deslizou sobre meu sexo, ainda por cima do tecido fino, um arrepio percorreu meu corpo, como uma descarga elétrica que me fez arquear as costas e prender a respiração. Foi nesse instante que percebi o quanto eu sentia falta dele. Não apenas de seu toque, mas dele, de tudo o que éramos juntos.
Se naquele momento ele me pedisse em casamento, eu diria sim. Sem hesitar.
A ânsia de termos um ao outro nos consumia, apagando qualquer vestígio de razão. Ele tirou meu sutiã com uma destreza que me fez corar, e o gemido que escapou de seus lábios ao tocar minha pele nua foi quase suficiente para me fazer perder o controle. Eu, por outro lado, desfiz os botões de sua camisa, expondo seu peito quente e forte, onde minhas mãos encontraram refúgio.
Ele inclinou a cabeça e começou a beijar meus seios, sua boca quente sugando minha pele sensível. Era impossível conter os sons que escapavam de mim, até que meu corpo se moveu de maneira abrupta, e bati na buzina do carro. O som estridente ecoou pela noite silenciosa, e rimos, um riso abafado, cúmplice, carregado de desejo.
Minhas mãos desceram até a calça dele. Eu a abri, e logo senti o calor de sua excitação. Meu corpo inteiro tremia de expectativa quando deslizei meu quadril, alinhando-me a ele. Quando o senti dentro de mim, uma onda de prazer tomou conta de mim, arrancando um suspiro longo e entrecortado. Era como se eu tivesse esperado por esse momento a vida inteira.
"Como eu queria isso, você não tem ideia," ele murmurou contra meu pescoço, sua voz rouca, carregada de emoção.
Os movimentos começaram lentamente, como uma dança delicada, mas logo se intensificaram, transformando-se em algo mais urgente, mais voraz. Meus quadris se moviam ritmicamente, enquanto ele guiava meu corpo, suas mãos firmes em minha cintura. Cada toque, cada beijo, cada suspiro parecia conectar nossas almas de uma forma que eu não achava ser possível.
Quando ele começou a estimular meu clitóris, uma explosão de prazer me consumiu por inteiro. Meu corpo estremeceu, e um grito baixo escapou de meus lábios. Ele também se perdeu no momento, sussurrando meu nome como se fosse uma prece.
"Isso foi... maravilhoso," ele disse, sua testa encostada na minha, enquanto suas mãos seguravam delicadamente meu rosto. Permanecemos assim por alguns instantes, respirando juntos, como se o tempo tivesse parado.
"Precisamos ir," ele sussurrou, relutante. "Estão nos esperando."
Eu assenti, tentando recuperar o controle. "Você tem razão."
Desci do carro com cuidado, ainda desnorteada. O ar fresco da noite beijou minha pele, e eu me movi até a lagoa próxima, onde a luz da lua iluminava a superfície da água como um espelho de prata. Inspirei profundamente, tentando organizar meus pensamentos.
"Luana..."
"Por favor, não diga nada, Ben," pedi, virando-me de costas para ele. Eu não queria palavras agora. Palavras poderiam estragar o que havia sido tão perfeito.
Voltamos para o carro, e o silêncio entre nós era confortável, carregado de significado. Ele segurou minha mão durante o trajeto, seus dedos entrelaçados nos meus. Pouco tempo depois, chegamos ao sítio, onde várias luzes brilhavam como estrelas espalhadas pelo chão.
Assim que estacionamos, fui recebida por um coro de vozes gritando: "Seja bem-vinda!" Olhei ao redor e vi rostos familiares, incluindo meus pais, que estavam à frente da pequena multidão.
Antes que pudesse me mover, uma figura feminina se aproximou com um sorriso autossuficiente.
"Que bom finalmente conhecer a famosa Luana," ela disse, seus olhos me avaliando. "Vocês demoraram, meu amor. Não vai me apresentar a sua amiguinha de infância?"
Meu corpo gelou, e meu olhar disparou para Benício. Ele parecia tenso, os punhos cerrados ao lado do corpo. Meu coração acelerou, mas desta vez, não era por desejo. Algo estava errado, e a expressão de Benício dizia que ele sabia disso também.