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O MAFIOSO QUE ME AMAVA

O MAFIOSO QUE ME AMAVA

Autor:: Pauliny Nunes
Gênero: Bilionários
Tudo o que Ellis Barker ansiava era pagar a última prestação da hipoteca da casa deixada pela sua mãe e assim encerrar a dívida de jogo de seu irmão. Pelo menos até a jovem chegar ao banco e seu destino cruzar com o de Vittorio Amorielle, um mafioso que não medirá esforços para ter o que deseja e daquele instante em diante seria Ellis.

Capítulo 1 Prólogo

A família Amorielle foi iniciada em 1902 por Alero Amorielle, e conhecida pela sua vasta ficha criminal. Foi acusada de fraudes a bancos, comércio de narcóticos e armas. Teve o seu lugar garantido entre as grandes famílias mafiosas que vieram para os EUA. Grande parte dos integrantes da família foram mortos nos conflitos com outras famílias e não se sabia o paradeiro da família Amorielle ...

Até hoje.

***

- Vittorio. – Chamou Marco Amorielle após bater na porta do quarto de seu filho.

O senhor de cabelos grisalhos e olhos verdes abriu a porta e se deparou com seu filho parado em frente ao espelho arrumando sua gravata borboleta enquanto era observado por sua acompanhante, uma bela mulher de cabelos loiros vestida com um glamuroso vestido vermelho.

- Oh, perdoem-me. – Soltou Marco sem jeito diante da cena do filho com sua namorada. - Eu não sabia que Eleonora estava aqui.

- Não se preocupe, sogro. – Disse a jovem sorrindo em direção ao senhor de sessenta anos. Ela se afastou do seu namorado. - Estava apenas ajudando esse rapazinho a se vestir.

- Rapazinho? Não foi assim que me chamou há alguns minutos. – Provocou o rapaz com um sorriso malicioso.

- Menos detalhes, jovens, por favor. – Pediu Marco enquanto gesticulava com a mão. Ele sorriu para a nora e perguntou: - Eu posso ter um momento a sós com o aniversariante?

- Sem dúvida, sogro. – Disse Eleonora caminhando em direção ao Marco. Ela segurou a mão de seu sogro e beijou o anel dourado, com as iniciais da família Amorielle, disposto no dedo mindinho de Marco, afinal ele era ninguém menos que o Chefe de toda a máfia ítalo- americana. - Don Marco.

Ele acenou em direção a jovem que então saiu do recinto deixando pai e filho sozinhos. Marco se aproximou do filho que ainda lutava com a gravata borboleta levemente torta, bem diferente da que o seu pai usava, perfeita.

- Deixe-me ajudá-lo. – Pediu o pai que já colocava a suas mãos sobre a gravata do filho desatando o nó. - Aposto que isso tudo é apenas nervosismo. Afinal não é todo dia que fizemos trinta anos...

- E muito menos na comemoração de bodas de pérolas dos seus pais. – Completou Vittorio encarando o pai que não demonstrou tão empolgado quanto deveria com a recordação. - Está tudo bem, pai?

-Sim, por que a pergunta? – Respondeu Marco com outra pergunta enquanto lutava com a gravata do filho.

- Achei que fosse estar mais alegre com o seu aniversário de casamento.... Trinta anos de casados não é para todo mundo.

- É... não é mesmo. – Concordou Marco sorrindo brevemente para Vittorio que conhecia muito bem aquele sorriso falso de quando algo está incomodando seu pai.

- O que foi, Don Marco? – Perguntou Vittorio, sério. Ele colocou a mão sobre a de seu pai o impedindo de continuar arrumando sua gravata. - Está acontecendo alguma coisa?

- Não, nada. – Falou Marco que não convenceu em nada o seu filho. - Apenas negócios.

- Certo... Espero que Tommaso consiga chegar a tempo de pelo menos cortar o bolo, ou a mamãe ficará muito triste. – Comentou Vittorio.

Marco Amorielle encarou o filho, por mais que tentasse não conseguia fingir que estava tudo bem, pois Vittorio o conhecia muito bem. Só o restava contar a verdade.

- Quer dizer que vocês dois estão aqui! – Disse Antonietta Amorielle entrando no quarto, irritada. Ela aproximou-se dos dois, segurando a cauda do seu vestido verde musgo, e então notou que a grava do seu filho ainda estava por fazer, aumentando a sua irritação. - Por que a sua gravata ainda está assim?

-Oi, mamãe. – Cumprimentou Vittorio a sua mãe com um enorme sorriso. Ele encolheu seus ombros conforme foi se justificando: - A minha gravata insistiu em ficar torta e então papai decidiu me ajudar.

- Seu pai? – Questionou Antonietta enquanto encarava Marco. Ela se virou para o filho sorrindo e então disse: - Don Marco Amorielle pode ser ótimo nos negócios, mas quando se trata de uma gravata borboleta é a mim, Antonietta Amorielle, a quem ele sempre recorreu.

- Pois é e vejam como estou. – Soltou Marco apontando para sua gravata.

- Venha, querido. Deixe-me fazer isso. – Pediu Antonietta se colocando no lugar do marido que se afastou e então ajeitou a gravata do filho com suas mãos ágeis enquanto dizia: - Espero que essa seja a última vez em que arrumo sua gravata e que a próxima seja feita pela sua esposa...

- Lá vem a senhora com esse assunto. Eu e Eleonora ainda não estamos nesse grau em nosso relacionamento. – Explicou Vittorio, sério. - A gente recém fizemos um ano de namoro, mamãe.

-Mesmo assim, acho que é tempo o suficiente. Eu e o seu pai nos casamos em um mês. – Argumentou Antonietta que terminou de ajeitar a gravata do filho que agora estava perfeita tal qual de Marco. - E olha onde estamos...

-Trinta anos de casamento. – Finalizou Marco antes de respirar fundo, gesto que também não passou despercebido pela esposa que o fuzilou com seus olhos verdes.

Havia alguma coisa no ar entre o casal que até mesmo Vittorio percebeu. Conhecendo os seus pais, ele apostava que a sua mãe deve ter exagerado em algum ponto do evento de hoje e desagradou o seu pai, ou o contrário. Afinal, os dois sempre pecaram pelo excesso e acabavam se repreendendo entre si. Vittorio já havia presenciado aquela guerra fria entre eles, que apesar de não discutirem na frente do filho, nunca conseguiram disfarçar que alguma coisa acontecia.

- Estamos aqui no quarto do nosso único filho muito amado. – Continuou Antonietta enquanto batia levemente no peitoral do seu filho. - E futuro Chefe dessa família.

- Está na hora de irmos. – Interrompeu Don Marco enquanto observava seu relógio. - Eleonora já deve estar a virar uma estátua lá fora.

- Tem razão, papai. – Concordou Vittorio que caminhou em direção a seu closet e então abriu uma de suas gavetas, atraindo atenção da sua mãe. - Não estou pegando um anel de noivado, somente o meu relógio, Senhora Amorielle.

- Não custa sonhar. – Resmungou Antonietta enquanto mexia os ombros, brevemente.

***

Os convidados conversavam animados quando foi anunciada a presença da família Amorielle que agora aparecia no topo da escada de mármore: Eleonora segurava no braço de seu sogro enquanto Vittorio concedia o seu braço a Antonietta.

Naquele momento eles eram vistos como a realeza entre todas as famílias ali presentes.

Marco inclinou a cabeça em direção ao seu funcionário que bateu duas palmas fazendo com que os convidados se silenciassem:

- Bem vindos, meus amigos. Sejam todos bem-vindos a mais uma comemoração dos Amorielle. Hoje temos a alegria de festejar o aniversário do meu filho, Vittorio Amorielle. – Começou Marco sorrindo em direção ao filho que o encarava, feliz. Don Marco pegou a sua taça entregue pelo garçom que continuava a entregar para seus familiares e então continuou o seu discurso: - Então, uma salva de palmas para Vittorio Amorielle, pois hoje é a ele que celebraremos!

Os convidados aplaudiam o rapaz que agora encarava a sua mãe que sorria-lhe enquanto o aplaudia. Ele aproximou-se seu rosto ao ouvido da sua mãe como se estivesse a beijar sua face e perguntou:

- O que está acontecendo entre vocês?

- Meu filho, prometo que mais tarde você saberá. – Garantiu a sua mãe que mantinha o sorriso nos lábios, mas lágrimas nos cantos dos olhos.

***

A festa estava animada, mas Vittorio ansiava pelo seu fim. Ele só conseguia pensar nas palavras de sua mãe. O herdeiro de Marco manteve-se sentado na mesa enquanto observava os pais que apesar da interação entre eles, havia notado que não se tocavam nem por força do hábito. Eles também nem sequer haviam dançado, algo bem incomum se tratando do casal que amava uma pista de dança. Quer dizer, eles sequer haviam dançado entre si, mas tanto Don Marco quanto Antonietta caíram na pista com outras pessoas. Antonietta escolheu Giuseppe, Consegliere de Marco, como parceiro de dança, enquanto Eleonora se encarregou de ser a parceira de Marco. Por mais que Vittorio não quisesse pensar, a única hipótese que vinha na sua mente é que os seus pais estavam se divorciando. Porém, aquilo era algo impossível na máfia, ainda mais quando se tratava do Capo di tutti capi ( o chefe de todos os chefes) e a sua esposa. Não que existisse uma lei sobre divórcio, mas todos seguiam o que a igreja Católica determinava: até que a morte nos separe... O seu pai seria incapaz de ir contra a isso, seria?

-Vittorio. – Chamou o seu pai do meio da pista. - Venha , está na hora de entregar o seu presente.

Vittorio se levantou e caminhou em direção ao seu pai que ria com Eleonora. Don Marco conduz a mão da jovem em direção ao filho e então disse:

- Pegue-a.

- Esse presente já conquistei. – Brincou Vittorio segurando Eleonora pela cintura.

- Eu sei. Entrego a bela dama para que vá até lá fora junto com o restante dos convidados. – Explicou Marco.

- No jardim? – Perguntou Vittorio, surpreso. Ele ergue as sobrancelhas e então perguntou: - O aprontou dessa vez, Don Marco?

- Vá lá fora e descubra. – Respondeu seu pai antes de caminhar em direção oposta.

***

Todos os convidados, incluindo Vittorio , estavam do lado de fora, curiosos com a surpresa prometida por Don Marco. Porém, o rapaz estava ainda mais curioso com a ausência de sua mãe aquele momento tão importante. Vittorio procurou o rosto de Antonietta em meio a multidão, mas não a encontrou. Ele então se virou para sua namorada e perguntou:

- Amor, você viu a minha mãe?

- Não, querido. Porém, aposto as minhas fichas que a sua mãe deve ter ficado indisposta e recolheu-se mais cedo.

- Estamos falando da minha mãe, Eleonora. A única pessoa capaz de deixá-la indisposta é o meu pai. Aliás, notou algo de estranho entre eles?

- Não... – Soltou Eleonora sem entender a pergunta do seu namorado. - Por quê?

- Tenho a sensação de que os dois brigaram... – Respondeu Vittorio.

- Ah, querido...- Começou Eleonora rindo para o namorado. - Quando Don Marco e a Dona Antonietta não brigam? Os dois são italianos de sangue quente. Aposto que tem a ver com os negócios da família. E todos sabem que a sua mãe se intromete nos negócios do seu pai e Don Marco não gosta disso...

- Eu sei, mas está estranho... – Começou Vittorio. - E para completar Tommaso ainda não chegou. Sem dúvidas ele deve saber de algo.

- Querido, relaxe. – Pediu Eleonora esfregando o braço do marido. - Acredite, quando estivermos casados, se tem uma coisa que não vou querer saber é dos negócios.

- E você vê isso como algo bom? – Perguntou Vittorio, surpreso com a fala da namorada.

- Sem dúvida, até porque eu vou me preocupar com os seus assuntos. Você será o chefe e eu sua esposa troféu. Ficarei envolvida com roupas e festas... Dizem ser a receita para um casamento duradouro. – Respondeu Eleonora sorrindo para o namorado.

Vittorio até abre os seus lábios já pronto a falar algo para sua esposa quando o barulho do motor da Lamborghini Aventador dourada atraiu a sua atenção. Aquele carro era o seu sonho de consumo e agora estava parado em sua frente. As portas do veículo se abrem e então Marco Amorielle surgiu de dentro dele e perguntou:

- Vamos dar uma volta em seu carro novo, meu filho?

***

A estrada próxima a casa dos Amorielle em Nova York parecia curta diante da velocidade em que Vittorio tomava com o veículo. Don Marco apenas sorria em direção ao filho, orgulhoso. Apesar da felicidade pelo seu presente, o rapaz não conseguiu deixar para trás o que passava em sua mente:

- Pai, podemos conversar? – Perguntou Vittorio enquanto parava o carro no acostamento.

- O que foi? Não era esse o carro que você queria ? – Perguntou Marco, curioso. Ele torceu os lábios: - Foi a cor, não foi? Esse banhado a ouro ficou muito chamativo?

- Não, pai o carro está perfeito... – Negou Vittorio. - Foi algo que notei durante a festa...

-O que foi? O bolo de 10 andares né? Ficou muito de casamento, eu disse a sua mãe... – Soltou Marco, irritado.

-Pai , é sobre você e a mamãe. – Revelou Vittorio enquanto encarava seu pai. - O que está acontecendo entre vocês?

-Nada... Não está acontecendo nada. – Respondeu Marco encolhendo os braços.

-Don Marco, não minta pra mim.

-Está bem. – Disse Marco enquanto respirava fundo, rendido. - Vittorio... Eu e sua mãe tivemos uma discussão acalorada esses dias... Dissemos coisas que não deveríamos um ao outro... Coisas pesadas demais que agora não há como voltarmos atrás.

-Vocês vão se separar? – Perguntou Vittorio, preocupado.

-Oh, Deus não! – Recusou Vittorio, rapidamente. - O que eu e sua mãe precisamos é... deixar que o tempo cure nossas feridas. Quando se trata de uma família como a nossa, só podemos esperar o poder de perdão do tempo para seguirmos em frente.

-Entendi. – Disse Vittorio se ajeitando no banco. - Espero que tudo se resolva da melhor forma.

-Eu também, meu filho... eu também. Enfim, apenas o ônus de ser o chefe da máfia. – Admitiu Marco, pensativo. Ele sorriu para o filho e continuou: - Posso dar-lhe um conselho?

- Claro, pai. Todos os que o senhor tiver. – Respondeu Vittorio, animado. Seu pai não era muito de dar-lhe conselhos, ainda mais se fosse sobre os negócios da família.

- Quando você escolher a sua esposa... – Começou Marco enquanto tocava o lado esquerdo do peito de Vittorio com o seu indicador. - Não se guie pelo seu coração, mas pela sua cabeça. – Finalizou tocando com o dedo levemente com a cabeça.

- Okay...

- Primeiro, encontre alguém que possa ser leal a você independente do que o coração dirá. Seja o seu coração ou o dela. – Continuou Marco. - Uma pessoa leal, vale muito mais do que uma pessoa que lhe ama. Porque o amor acaba, meu filho... Entenda isso. Porém, a lealdade pode continuar para sempre.. A lealdade lhe trará muito mais benefícios aos negócios, a família e a você.

- Está querendo dizer que você e a mamãe não se amam mais? – Perguntou Vittorio com os olhos arregalados.

-Eu amei a sua mãe desde a primeira vez que a vi. Agora se ela sentia o mesmo... Somente ela pode dizer. Porém, eu vou repetir a você: Não cometa o mesmo erro que eu. Antes do amor, a lealdade.

-Que papo é esse, pai? – Questionou Vittorio balançando a cabeça. -Eu não preciso procurar uma esposa, eu tenho a Eleonora...

-Eleonora Gattone não é a mulher para você. – Revelou Marco, sério. - Desculpe-me, mas é a verdade.

- Por que diz isso, pai? Não gosta dela?

-Eu gosto, ela parece ser uma boa futura esposa, mas não para um Amorielle. Porém, a mulher ideal para você, que será o próximo chefe, precisa estar disposta a tudo e, ao mesmo tempo, questionar se aquela decisão que você tomar é a melhor para todos e não apenas para você. Entenda, meu filho, quando somos chefes da máfia, o capo di tutti capi, temos que agir em função de todas famílias antes de nós mesmos... E a sua esposa precisa ser melhor do que o seu consegliere, pois é a essa pessoa que você vai confiar em dormir ao seu lado todos os dias. E você não vai querer uma mulher que não é capaz de tudo para defender sua família... A mulher ideal é aquela que consegue desafiá-lo, sem ter medo de você e nem de quem você é, ela vai mostrar-te que você é capaz de fazer melhor... Ser melhor, Capisce?

-Entendido, Don Marco. Farei de tudo para encontrar essa mulher e se eu não a encontrar de forma natural, prometo que comprarei uma. – Brincou Vittorio com o seu pai.

- Posso dar-lhe mais um conselho? – Perguntou o seu pai, sério.

-Claro que sim.

- Acelere, pois caímos numa emboscada. – Revelou Don Marco antes do carro ser metralhado.

Capítulo 2 Capitulo 1

Ellis Barker dirigia empolgada pelas ruas do centro da cidade de Nova York em direção, Wild Holdings Bank, o banco no qual foi contraída a hipoteca de sua casa. A casa foi hipotecada há dois anos para ajudar seu único irmão, Jason, que após a morte súbita de seu pai havia sido desviado e preso por operar em jogos de azar ilegais. Esses não eram exatamente os planos que a jovem mulher tinha para a casa de seus pais, mas com as dívidas contraídas por seu irmão e o advogado que ela precisava contratar, ela ficou com pouca escolha. Ellis questionou o fato de que o banco havia liberado apenas parte da hipoteca, mas cobrou o valor total da casa em juros, o gerente simplesmente disse que por ser uma herança, ela só podia hipotecar sua parte da herança e não a parte de Jason.

- Entretanto, se eu não pagar minha parte, você fica com a casa na totalidade. Isso não parece muito justo, não é mesmo? – Questionou Ellis mostrando a cláusula ao gerente.

- Compreendo sua insatisfação senhorita Barker, mas a vida nem sempre é justa. – Respondeu o gerente com um tom de deboche. - Ajudo a senhorita em algo mais?

- Não, vocês já fizeram mais que o suficiente... – Responde Ellis guardando o documento em sua bolsa, revoltada.

Ela caminhou a passos duros para fora do banco jurando para si mesma que voltaria um dia e quitaria toda a dívida. E assim foi, por longo dois anos, os quais Ellis trabalhou em dois empregos: O primeiro era de corretora de imóveis que era para a hipoteca e as coisas da casa, e o outro era de garçonete que o dinheiro era destinado para a clínica de reabilitação, onde internou seu irmão. Aliás, seu irmão também sairia da clínica naquele mesmo dia, mas primeiro ela iria até o banco quitar a última parcela e depois iria até seu irmão.

Aquele dia era importante demais para Ellis que sentia que nada seria capaz de tirá-la do sério, algo que não era tão difícil de realizar. Nem o trânsito que ela sabia que enfrentaria, nem a jovem que a atende com cara de nojo toda vez em que ela vai pagar as parcelas. Todavia, hoje parecia um dia incrivelmente especial. O céu estava azul sem nenhuma nuvem, algo raro quando se fala sobre Nova York. Até o trânsito estava calmo, que ela levou menos de uma hora para chegar ao banco, algo inimaginável em um dia comum de semana.

Será que me confundi e hoje é feriado? questionava Ellis entrando pelo portão do estacionamento do banco. Ela observa o estacionamento e nota que está lotado. Estava bom demais para ser verdade, pensou Ellis enquanto dirigia devagar pelo lugar, buscando qualquer sinal de que algum cliente fosse sair. Por fim, ela parou o veículo e decidiu consultar seu celular para ter certeza de que não era feriado.

Ela olhava o celular quando uma alma caridosa decidiu ir embora. A jovem colocou seu telefone de volta no porta-luvas, ligou seu veículo e dirigiu até a vaga, deixando seu carro passar um pouco, pois queria estacionar de ré. Já preparava para fazer sua manobra quando um Audi RS e-tron GT simplesmente estacionou em sua vaga.

Ellis fica algum tempo paralisada sem entender o que havia acontecido, já que podia jurar ter deixado bem claro sua intenção de entrar na vaga. A jovem de cabelos castanhos então decide olhar pelo retrovisor e vê dois homens de ternos saírem do veículo, rindo e conversando sem se importarem com o que havia feito. E essa foi a gota d'água para Ellis que desceu de seu veículo irada.

- Ei! – Gritou ao mesmo tempo que andava atrás dos dois homens que continuaram caminhando sem se importar com ela. Ellis acelerou o passo enquanto gritava: - Ei, imbecis de terno!

Os dois homens pararam e então se entreolharam, surpresos. Até que um deles, o mais alto e mais forte, o que parecia que o terno preto fosse rasgar a qualquer momento... justamente esse se virou em direção a Ellis, sério. Porém, não apenas se virou, como andou até Ellis que não demonstrou se intimidar com o brutamontes que respirava rente ao seu rosto, como um animal. Animal este que a jovem percebeu ser totalmente controlado pelo outro homem, de terno cinza e óculos escuros que apenas observava a cena de onde estava com suas mãos nos bolsos de sua casa, tranquilamente.

- Você estava nos chamando de quê? – Questionou o brutamontes.

-Imbecis de terno. – Respondeu Ellis tranquilamente. Ela então se esquivou do brutamontes e se direcionou ao outro que continuava apenas observando a cena. - Você roubou a minha vaga!

- Ei, não se direcione ao Senhor Amorielle. – Ordenou o brutamontes segurando no ombro de Ellis.

-Tire sua mão nojenta de mim, ou gritarei tanto nesse estacionamento que você se arrependerá amargamente disso. – Falou Ellis encarando o brutamontes que retira a mão, surpreso. - Tire a mão dela, Rocco. – Falou o outro homem, enquanto colocava a mão dentro de seu terno cinza: - Melhor resolvermos isso de forma mais... amigável.

Aos poucos a mão dele foi saindo de dentro do terno e então com ela veio também um generoso maço de dinheiro para a surpresa de Ellis.

- Mas o quê...? – Começou Ellis a dizer sendo interrompida pelo gesto do homem que jogou o maço em direção ao seu capanga.

- Uma forma de pedir recompensá-la pelo transtorno causado por Rocco ao colocar o carro na vaga que você diz ser sua. – Explicou o outro homem sob o olhar ainda em choque de Ellis.

Rocco estende o maço em direção a Ellis que dá um passo para trás recusando segurar o dinheiro. Afinal, quem daria um maço que deveria ter uns mil dólares facilmente, apenas por uma vaga de estacionamento?

- Não, obrigada. Eu não preciso do seu dinheiro. – Recusou Ellis, séria.

- Todo mundo precisa de dinheiro, não precisa ser tão orgulhosa, jovem. – Falou o homem de terno cinza.

- Além de ter roubado a minha vaga, pelo visto você não conhece a palavra "não", não é mesmo?

- E você pelo visto gosta bastante dela, não é mesmo? – Rebateu Senhor Amorielle. Ele encarou seu relógio de pulso e então continuou dizendo: - Olhe, por mais que eu esteja gostando desse papo estranho com uma desconhecida, preciso ir para minha reunião. Então, pegue o dinheiro e siga seu rumo.

Ela encara o dono do maço de dinheiro e disse:

- Guarde esse dinheiro com você para pagar as aulas de como viver em sociedade, pois você está precisando urgente.

Ellis então voltou a caminhar em direção ao seu carro ao mesmo tempo em que era observada por Rocco e Senhor Amorielle. O brutamontes se virou para o homem do terno cinza e disse, com a mão dentro de seu terno preto:

- Só dá a ordem e eu desapareço com esse problema, Don Vittorio.

- Não. – Recusou Amorielle segurando no braço de Rocco, evitando assim da arma de seu segurança surgisse. O Brutamontes o encarou sem entender e então ele continuou dizendo: - Estamos muito expostos aqui. Vamos, temos coisa melhor a fazer do que nos preocupar com essa garota.

Os dois voltaram a caminhar em direção ao elevador sendo observados por Ellis que apertava seu volante com toda raiva.

***

- Don Vittorio Amorielle! – Falou o gerente que abria os braços e sorria em direção aos dois homens. - Que surpresa agradável.

Apesar do cumprimento efusivo, da alegria demonstrada pelo gerente geral do banco, a fala final indicava exatamente o que Vittorio almejava: ele estava surpreso e não de um jeito positivo. O suor na testa do gerente indicava nervosismo, ou medo. Também, quem não estaria com medo de se deparar com ninguém menos que o mais novo chefe da família Amorielle, a mesma que por décadas sempre se manteve nos bastidores deixando seus sócios, acionistas e pessoas como Rocco resolvessem seus assuntos: fossem os legais ou aqueles entre "amigos".

Pelo menos era assim que agiam os Amorielle até Vittorio assumir o comando de sua família, demonstrando que as coisas iam mudar.

-Em que posso ajudá-lo? – Perguntou o gerente enquanto tentava manter o sorriso nervoso.

-Temos uma reunião. – Respondeu Vittorio tranquilamente enquanto mexia em seu bolso até que encontrou seu charuto.

-Temos? – Perguntou o gerente, surpreso.

O homem tentava buscar na memória sua agenda de compromissos do dia e não conseguiu se recordar de nada relacionado Amorielle. Talvez ele tivesse agendado com um novo código. Ou então o senhor Vittorio estivesse realmente com uma reunião marcada, mas com a diretoria, ou diretamente com Domenico Wild, o dono. Ele poderia até arriscar e perguntar, aquela figura ilustre, mas sabia que antes que fosse capaz de concluir a pergunta viraria um tapete com uma bala no meio da testa.

- Posso estar enganado, mas sinto que você não esperava que eu estivesse, Franco. – Começou Vittorio calmamente.

- Não, de forma nenhuma Sr. Amorielle. – Disse Franco , nervoso mexendo em sua gravata que parecia apertar sua garganta. Ele estendeu seu braço em direção a sua sala continuou: - Por favor, venham até minha sala.

Os dois homens ficaram parados esperando Franco dar o primeiro passo, deixando o gerente ainda mais nervoso a ponto de começar a soar na sua calvície.

- Vá na frente, Franco. – Ordenou Rocco, sério.

-Como quiserem. – Concordou Franco que então passou a andar na frente.

Ele caminhava como se estivesse indo para forca enquanto era seguido por Rocco e por último Vittorio que fumava seu charuto com cuidado.

- Cristine, entrarei em reunião com Senhor Amorielle. – Avisou Franco a sua secretária que não parava de se exibir para Vittorio. - Por favor, não importa quem seja, diga que estou ocupado. Ou melhor, feche minha agenda.

-Como quiser. – Respondeu a loira , mas não sem antes piscar para Vittorio que a ignorou completamente, diferente de Rocco que lhe mandou um beijinho.

O trio entrou na sala e então Franco fechou a porta rezando para que a visita corresse muito bem.

***

- Como assim ele não pode me atender? – Questionou Ellis, revoltada com a audácia de Cristine.

-Foram ordens do Franco, Senhorita Barker. – Respondeu Cristine ainda retocando seu batom vermelho. Afinal, nunca se sabe quando o Senhor Amorielle apareceria novamente, precisava estar preparada.

- Eu marquei hora. – Reforçou Ellis mostrando o papel do agendamento para Cristine. Na verdade, ela queria mesmo era esfregar na cara da secretária do gerente.

Cristine segurou o papel do agendamento e então em poucos segundos já soltou o seu sorriso de deboche, dizendo:

-Sim, você estava agendada para às nove da manhã e agora faltam cinco para dez, então...

- Sim, eu sei que estou atrasada. Porém, um babaca roubou a minha vaga no estacionamento e fui obrigada a estacionar há uma quadra daqui por conta do trânsito que decidiu engarrafar... – Explicou Ellis, irritada.

-Desculpe-me, mas não posso ajudar. Volte amanhã, querida. – Respondeu Cristine com pouco caso.

-Querida, você não está entendendo. A última parcela vence hoje e ainda estou dentro do horário para falar com ele...

- Bom, se a parcela vence hoje... – Começou Cristine encarando Ellis. Ela se aproxima ainda mais da jovem lhe dando esperança que falaria em seu favor. - Você deveria ter feito o pagamento antes do vencimento. Sinto muito. Ajudo você em algo mais?

-Ajudaria se essa merda de banco fizesse mais vagas de estacionamentos! – Falou Ellis em voz alta. - Porém, como são incapazes, terão que lidar com as consequências.

Antes que Cristine conseguisse se levantar de sua mesa, Ellis já avançava por a dentro no escritório de Franco e sendo surpreendida com a presença de Vittorio e Rocco que estavam sentados de frente para o gerente.

-Perfeito! – Gritou Ellis se aproximando do trio. Ela encarou Vittorio e continuou esbravejando: - Já não bastava roubar a minha vaga do estacionamento, ainda teve a audácia de roubar o meu horário de atendimento!

- Senhorita, Barker... – Começou Franco se levantando. - Por favor, não desrespeite os meus ilustres clientes.

-Ilustres? Eu não estou nem aí se são ilustres! – Esbravejou Ellis. - Esse horário é meu, então saiam!

-Deve estar acontecendo algum equívoco. – Falou Vittorio encarando a jovem. Ele dá um trago forte em seu charuto e então deixou a fumaça se espalhar pelo ambiente, o que deixou a Morena ainda mais irritada. - Eu tenho uma reunião nesse horário... E a senhorita está invadindo... Certo, Franco?

- Cristine! – Gritou Franco que é atendido prontamente pela Loira. - Por que a senhoria Barker está em minha sala? Ela por um acaso tinha horário marcado?

- Correto, senhor. O fato é que a Senhorita Barker perdeu seu horário de agendamento. – Respondeu Cristine encarando Ellis com raiva.

-Eu perdi por conta desses idiotas. Ou melhor, desse idiota. – Corrigiu Ellis apontando para Vittorio. Ela então apontou para Rocco e disse: - Esse aqui é só o capacho.

-Cuidado, está passando dos limites. – Avisou Rocco colocando a mão dentro do terno. Ele olhou para Vittorio e perguntou: - Senhor...?

- Deixe, Rocco. – Pediu Vittorio retirando seus óculos escuros e então encarou Ellis que ficou surpresa com os olhos pretos do homem. Por algum motivo tinha imaginado os olhos dele azuis ou verdes, até mel... - De que trata seu assunto, senhorita Barker?

- Não é da sua conta. – Respondeu Ellis, rispidamente.

- Seu assunto é rápido, senhorita Barker? – Reforçou Vittorio depois de respirar fundo, indicando que não estava tão paciente assim.

- Sim. – Respondeu a jovem encarando Franco. Ela abriu a bolsa e entregou a última bolsinha onde guardava todo seu salário. Franco acenou para Cristine que pegou a bolsinha a contragosto das mãos de Ellis. - O senhor precisa fazer do termo de quitação hipoteca da casa.

-Está bem, mais tarde farei para a senhorita e envio. – Respondeu Franco.

- Eu preciso disso agora. – Reforçou Ellis.

-Eu já disse que farei mais tarde. – Repetiu Franco sem muita paciência.

-E eu não saio daqui sem o termo em mãos. – Disse Ellis que encarava Franco, irritada.

-Franco, faça. – Disse Vittorio tranquilamente enquanto voltava a apreciar seu charuto.

-Como quiser, Senhor Amorielle. – Respondeu Franco saindo da sala com sua secretária, deixando apenas Rocco, Vittorio e Ellis.

- Você é insistente mesmo. – Comentou Vittorio quebrando o silêncio.

-Você se acha importante mesmo... – Comentou Ellis sem se virar para Vittorio.

- Acho? – Perguntou Vittorio arqueando sua sobrancelha automaticamente. O tom de voz de Ellis o incomodou, nunca alguém se atreveu a questionar seu poder e influência. Ficou tão incomodado que se levantou, ajeitando seu terno enquanto dizia para a jovem: - Você não me considera importante? Eu o fiz ir elaborar o seu termo...

- O que eu penso é irrelevante aqui. Isso ficou bem claro para mim. – Alegou Ellis encarando Vittorio. - Afinal, qual a importância de uma mera mortal falida, não é mesmo?

-Não se despreze assim... – Pediu Vittorio que se surpreendeu. Não era para aquelas palavras terem saído pelos seus lábios. Pelo menos conseguiu controlar sua mão a tempo de não ir para nos cabelos desgrenhados de Ellis que insistem em tomar o seu rosto.

- Não estou me desprezando. – Negou Ellis se afastando de Vittorio. Ela caminhou até a janela, onde ficou olhando para a rua: - Vocês que acham que podem fazer o que quiserem por terem dinheiro. Deixe-me contar um segredo: Vocês não podem comprar tudo.

- É mesmo? Diga-me uma coisa que eu não posso comprar? – Desafiou Vittorio enquanto observava a jovem.

- A felicidade. – Respondeu Ellis observando o movimento da rua. Ela se deparou com um casal apaixonado se beijando encostado no muro de uma loja e então soltou: - O amor...

- A felicidade vem inclusa nos bens que adquiro. – Respondeu Vittorio se aproximando de Ellis que o encarou, sem jeito diante do gesto.

Ela não havia notado quão alto ele era até aquele momento. Talvez fosse pelo fato de o Rocco ser praticamente duas vezes o tamanho do patrão. Porém, ele ali tão perto dela a forçava a erguer a cabeça para encará-lo.

- E o amor? – Perguntou Ellis tentando não gaguejar. - Já conseguiu comprar?

-Algumas vezes... – Respondeu Vittorio apreciando seu charuto. - Algo mais? Há algo mais que você acha que não sou capaz de comprar?

-Existe sim... – Disse Ellis se aproximando de Vittorio. Se ele achava mesmo que ele se aproximar assim dela, com essa colônia invadindo o nariz da morena a faria se sentir intimidada, ele estava muito enganado. Ela fica na ponta dos pés que estavam de tênis, conseguindo assim alcançar a orelha dele e sussurrou: - A mim.

- Você? – Perguntou Vittorio, surpreso, mas não sabia se pelo arrepio que dos lábios de Ellis tão próximo de sua orelha ou pela resposta atrevida e desafiadora.

- Você tentou me comprar no estacionamento, esqueceu? – Recordou Ellis se afastando. - Porém, acredite você nunca será capaz de me comprar.

- Está me desafiando, Senhorita Barker? - Perguntou Vittorio, surpreso.

Ele observava os lábios de Ellis se abrirem devagar , prontos para lhe responder...

- Pronto, Senhorita Barker. – Falou Franco entrando em sua sala de volta. Ele estendeu o papel em direção a jovem que se aproximou dele, pegou o papel e começou a ler: - Confie em mim, está tudo certo.

Ela ignorou completamente o pedido do gerente e continuou lendo o documento calmamente. Ao terminar, sorriu em direção a Franco e disse:

- Desculpe-me se não confio, mas da última vez quase perdemos a casa. – Ela se virou em direção ao Senhor Amorielle e se despediu dizendo: - Adeus, poderoso chefão.

Ela caminhou para fora da sala sem esperar resposta deixando Vittorio a observando, mexido diante de toda aquela situação.

- Onde estávamos? – Perguntou Franco voltando para sua mesa. - Ah é, o senhor disse que tinha uma proposta a fazer para o nosso banco...

- Qual o nome dessa mulher? – Perguntou Vittorio encarando Franco.

- Desculpe-me, mas não entendi sua pergunta... – Começou Franco, confuso.

- Essa mulher que estava aqui, quem é ela? O que faz? Seu endereço?

- Senhor Amorielle, sinto muito, mas isso são dados confidenciais... – Explicou Franco, cautelosamente. - O nosso banco tem a política de não passar informações a terceiros.

- E você disse que sou um de seus clientes mais ilustres. – Recordou Vittorio ajeitando seu terno. - Isso deve ser levado em conta, não?

- Lamento, mas essa informação só pode ser repassada com ordem expressa da diretoria. – Falou Franco mexendo nos papéis em sua mesa. -Enfim, voltemos a nossa reunião...

- Bom, se eu for o dono do banco, posso te acesso? – Perguntou Vittorio, sério.

- Como? – Perguntou Franco, surpreso.

- Se eu for o dono teria acesso, correto? – Perguntou novamente.

- Sim... Quero dizer... em uma situação hipotética, poderia sim. – Respondeu Franco oferecendo um sorriso sem graça ao mesmo tempo em que pensou na prepotência do homem em sua frente.

-Está bem, quero comprar esse banco. – Revelou Vittorio vendo os olhos de Franco se arregalarem. - Analisando, é sempre bom ter o controle das coisas... Certo, faça o contrato e eu assino.

- Senhor Amorielle, esse banco é do senhor Domenico... O senhor não pode comprá-lo aqui... Quero dizer... Não tenho autoridade para lhe vender o banco.

-Quem tem? – Perguntou Vittorio.

-Quem?

-Isso. Fale-me, quem tem que autorizar? O Domenico?

-Sim...

-Ótimo. – Respondeu Vittorio, sorridente.

Ele mexeu a cabeça em direção a Rocco que se aproximou com seu celular já discando um número. Três toques e atenderam:

- Rocco, falando. Coloque na linha. – Ordenou Rocco que entregou o celular para Franco.

-Franco falando. – Disse Franco se identificando. Então seu rosto fica pálido. - Senhor Domenico... tem certeza? Okay, Está bem... Está bem... O senhor precisa assinar... Está bem.

- Então...? – Perguntou Vittorio amassando seu charuto no cinzeiro.

-Ele confirmou... – Respondeu Franco entregando o telefone para Rocco. O gerente encarou Vittorio ainda sem acreditar no que suas próximas palavras diriam: - Parabéns, o senhor é o novo dono do Wild Holdings Bank...

- Rocco conclua o contrato. – Pediu Vittorio sem demonstrar nenhuma emoção.

- Podem finalizar o contrato. – Fala Rocco na linha até escutar os tiros. - Transação efetuada, senhor.

-Perfeito. - Ele aproximou seu rosto de Franco e então disse: - Agora, as informações da Senhorita Barker

Capítulo 3 Capitulo 2

Nome: Ellis Barker

Idade: vinte e seis anos ,

Filiação: Emily Preston e Jack Barker.

Profissão: corretora de imóveis e garçonete.

Histórico de crédito: termo de quitação expedido para o imóvel localizado.

- Droga! – Xingou Vittorio enquanto jogava a pasta com as informações bancárias de Ellis no banco do veículo, bem contrariado.

- O que foi, senhor? – Perguntou Rocco observando seu patrão pelo retrovisor.

- Infelizmente essas informações não me servem de muita coisa. – Respondeu Vittorio, respirando fundo.

- Entendo. Na verdade, devo admitir que não entendi o motivo pelo qual o senhor não recorreu ao Enrico fazer a "coleta".

- Queria ver como seria fazer as coisas por vias... legais. – Explicou Vittorio observando a paisagem da janela de seu carro.

-Então, o senhor comprou o banco apenas para colher as informações da Senhorita Barnes... – Concluiu Rocco soltando um sorriso malicioso em seguida. - Ela parece ter mesmo impressionado o senhor.

-Eu comprei porque quis. Isso não tem nada a ver com essa moça. – Corrigiu Vittorio, sério. Ele tirou seus óculos escuros e encarou seu motorista de um jeito que Rocco sentiu que morreria ali mesmo. - Nunca mais ouse a questionar os motivos das minhas decisões, entendeu?

-Entendido, senhor. Peço perdão se fui ousado demais em minha fala. Eu apenas queria...

-Você não tem que querer nada, além de fazer o que eu mando. – Repreendeu Vittorio pegando seu celular. Ele discou alguns números e então aguardou ser atendido no primeiro toque. - Alô, Enrico? Preciso de um favor seu... Para ontem.

***

- Chegamos, senhor. – Avisou Rocco enquanto se aproximava dos elevados portões de ferro da Mansão Amorielle.

Alero Amorielle comprou a propriedade por 80.000 dólares e a transformou em uma verdadeira fortaleza, com portas pesadas de ferro, paredes grossas e uma estação para os seguranças que, junto com guarda-costas e enormes cães.

Construída em pedra e decorada em mármore branco, uma enorme piscina exterior, pisos de madeira, um enorme salão onde são realizados os bailes de gala e eventos familiares, lareiras esculpidas de pedra, enormes estantes de madeiras raras, piscina coberta om queda de água de 24 pés e enormes terraços fora de todas as suítes e fora da sala de recepção principal.

Além disso, possuía campo de tênis, golfe, quadra de basquete, SPA, academia privativa e um vasto espaço vivo de 4,5 acres totalmente vedado da propriedade fechada cercada por outras casas de milhões de dólares e apenas a uma curta 25 minutos de carro da cidade de Nova York.

O Fundador da família e todos os seus descendentes não pouparam cuidado com os detalhes que tornaria a mansão em uma propriedade de luxo refinado, de mais de 25 mil metros quadrados. Porém, Vittorio não via apenas como seu lar, mas o lugar onde nasceu, cresceu e também onde foi o último lugar onde viu seu pai feliz antes de...

- Senhor? – Falou Rocco atraindo atenção de Vittorio. - Aguardamos sua aprovação.

-Vittorio Amorielle. – Falou Vittorio ao apertar o botão de comunicação dentro do veículo.

Em questão de segundos os enormes portões se abriram e por fim o veículo acessou as dependências da Mansão. Rocco dirigiu o veículo até a vaga correspondente a ele, entre os mais de quinze veículos da família Amorielle. Nem bem o motorista estacionou e Vittorio desceu ajeitando seu terno enquanto caminhava em direção a porta de acesso a casa principal.

Seus passos pesados denunciaram sua chegada a Antonietta Amorielle, atual matriarca do clã e mãe de Vittorio. A bela senhora de cabelos naturalmente pretos, em contraste com seus olhos verdes e corpo escultural, o que impressionava devido sua idade. Ela estava mais para Sophia Loren quando tinha quarenta e cinco anos do que para uma senhora de quase sessenta.

Ela aguardava seu filho no topo de uma das escadas duplas de mármore. Seu sorriso enorme e os braços abertos quase disfarçavam a dor do luto demonstrada pelo seu vestido preto.

- Mamma. – Falou Vittorio enquanto retribuía o abraço de sua mãe.

Antonietta se afastou brevemente do abraço do filho e então segurou o rosto de Vittorio entre suas mãos como se fosse capaz de ler os pensamentos dele só de olhá-lo.

- Domenico Wild. – Soltou sua mãe enquanto dava leves tapas no rosto do seu filho.

-Ele mereceu. - Respondeu Vittorio a uma pergunta não feita por Antonietta. - Foi ele quem...

-Eu sei. – Concordou Antonietta dando um beijo na face de seu filho, em seguida. Ela sorriu e então disse: - Eu só gostaria de ter estado lá para ver a cara daquele Cascittuni¹.

- Eu também gostaria, mas tinha coisas mais importantes a tratar.

- Como adquirir o banco dele? – Questionou Antonietta erguendo as sobrancelhas.

- Papai sempre quis ter um banco. – Respondeu Vittorio enquanto se afastava de sua mãe e caminhava em direção ao bar de madeira disposto na sala principal.

Ele entrou no espaço do bar, começou a preparar dois drinques, enquanto sua mãe se aproximava com os braços cruzados. Don Vittorio sorriu em direção a Antonietta e então entregou o drinque dela como se fosse apenas um barman. Ela segurou a taça, mas não conseguiu se conter e disse:

- Você não deveria ter feito isso.

- Por que não? – Questionou Vittorio tomando seu uísque em um único gole. - É o que papai faria.

- Não, seu pai não compraria o banco do homem que ele acabou de matar. E posso dizer com propriedade, pois tenho certeza de que seu pai lotou metade do cemitério de Green-Wood com seus inimigos e não adquiriu nenhuma propriedade em seguida. Aliás, seu pai teria se consultado com Ciuseppe, antes de tomar essa decisão.

Giuseppe Denaro era o Consiglieri² do pai de Vittorio, com a morte dele o rapaz ainda não havia tomado a decisão se permaneceria com Giuseppe naquela posição ou trocaria. De fato, tinha pensado em colocar Rocco no lugar, mas depois de hoje, decidiu rever essa decisão.

-Isso, meu filho, é deixar uma mira enorme nas suas costas. E você não pode se tornar um alvo agora. Está muito vulnerável. – Continuou Antonietta.

-Vulnerável... Bela palavra para dizer que sou um homem solteiro, sem filhos e que a minha condição causa a extinção de nossa família, caso eu morra. – Disse Vittorio servindo mais um gole de uísque. Ele apontou o copo em direção a sua mãe: - Eu sei que essa conversa toda é apenas porque eu faltei a festa dos Gattone, onde provavelmente você me forçaria a voltar com a filha deles, Eleonora...

- Claro, nunca entendi o motivo de ter largado a, La povera piccola cosa.Eleonora Gattone é uma mulher belíssima, foi criada em terra nostra, possui faculdade e até assumiu algumas coisas de sua família... Ela é uma moça pura, que segue os princípios da nossa família... - Argumentou Antonietta que recebeu uma risada sarcástica de seu filho. - O que foi?

- Nada, eu estou apenas concordando. A Eleonora possui muitas qualidades, mamãe. – Disse Vittorio encarando sua mãe. - Inclusive na cama.

-Oh, Madonna mia , não me diga que você a largou porque dormiu com ela? – Questionou Antonietta balançando a cabeça com desgosto. -Você precisa parar de dormir com as filhas dos nossos amigos, ou não se casará com nenhuma...

-A pergunta é: quem não dormiu com Eleonora Gattone? Aliás, mamãe isso não foi o que me impediu de me casar com ela... – Explicou Vittorio.

-Não? Que ótimo, quer dizer então que você a considera...

- Dormir com a Eleonora não é o problema, o problema é que ... Quer dizer, o sexo é ótimo, mas...

-Você precisa falar dessa forma das mulheres, hãn? Teu pai não ensinou a você que não se deve falar das intimidades que teve para outras pessoas?

-Mas você é minha mãe... – Argumentou Vittorio.

-E sou outra pessoa. – Rebateu Antonietta. - Enfim, o que o impediu você de casar-se com Eleonora?

-Ela não me desafia. – Respondeu Vittorio, pensativo. - Papai disse que uma das coisas que atraiu na senhora foi o fato de desafiá-lo desde o início.

-Você não deveria escutar os conselhos amorosos do seu pai. Veja onde eles o levaram. – Disse Antonietta erguendo os braços.

- Levou meu pai a casar com a senhora, oras! – Respondeu Vittorio erguendo a sobrancelha.

- Em todo caso, nenhuma filha de nossos amigos irá desafiá-lo por ser quem é... Aliás, nenhuma mulher será capaz de confrontar você, Don Vittorio Amorielle, meu filho. Portanto, recomendo que esqueça isso sobre o que seu pai disse e case logo, ou então iremos de fato desaparecer da face da terra.

- Como quiser, mamãe. Porém, não será a Eleonora, isso eu lhe garanto. Nem que eu tenha que comprar uma. – Informou Vittorio recebendo um olhar atravessado de sua mãe.

-Don Vittorio – Chamou o homem na porta da sala principal.

-Entre, Enrico. – Ordenou Vittorio sendo observado por sua mãe. - Preciso atender o Enrico, mamãe. Precisa de algo mais?

-Apenas case e faça sua descendência, Vittorio. – Pediu Antonietta antes de sair.

- Senhora Amorielle. – Falou Enrico abaixando levemente sua cabeça enquanto a matriarca passava por ele. Por fim, o investigador de Vittorio o encara enquanto erguia uma pasta fina em direção ao seu chefe. - Aqui está o que me pediu.

Vittorio pegou a pasta das mãos de Enrico e ali mesmo começou a ler os documentos entregues pelo homem de cabelos ruivos. O Senhor Amorielle respirou fundo lendo praticamente as mesmas coisas que tinha no relatório do banco, estava preparado para dar um sermão em seu funcionário, quando a última página chamou sua atenção.

- Jason Barker... – Sussurrou Vittorio. Ele sorriu e então encarou Enrico enquanto dizia: - Peça ao Rocco para vir ao escritório. Tenho uma missão para ele.

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