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O MAFIOSO QUE ME AMAVA : VOLUME II

O MAFIOSO QUE ME AMAVA : VOLUME II

Autor:: Pauliny Nunes
Gênero: Romance
Seis anos se passaram desde que Ellis Barker tomou a difícil decisão de deixar a vida de Vittorio Amorielle para trás. Depois de enfrentar uma série de eventos turbulentos, ela optou por recomeçar em Seattle, levando consigo os segredos que Don Vittorio tanto ansiava desvendar. O que teria levado Ellis a se afastar de Vittorio, deixando para trás tudo o que viveram juntos? Por que ela escolheu partir naquele momento? E, agora, o que a trouxe de volta a Nova York, após tantos anos de ausência? As respostas, carregadas de mistério e significado, estão prestes a ser reveladas.

Capítulo 1 Senhora Smith

A porta do quarto rangeu ao ser aberta, e uma menina de seis anos, com cabelos pretos, entrou em silêncio. Seus olhos curiosos pousaram nos pais, que dormiam tranquilamente na cama. Um sorriso terno se formou em seus lábios enquanto ela se aproximava, seus pés pequenos mal fazendo barulho no chão. Ela os observou por um momento, uma mistura de amor e adoração aquecendo seu coração.

Seu foco se voltou para sua mãe, cujos cabelos castanhos se espalhavam sobre o travesseiro, moldando seu rosto sereno. Com determinação suave, a menina se dirigiu ao lado de sua mãe. Inclinando-se, ela tocou levemente a bochecha da mãe, fazendo-a se mexer.

Os olhos da mãe se abriram lentamente, ajustando-se à suave luz da manhã que passava pelas cortinas. À medida que sua visão clareava, ela encontrou os profundos olhos pretos da filha e não pôde evitar sorrir amplamente. Sentando-se devagar, ela soltou um bocejo suave e se esticou.

"Bom dia, meu amor", murmurou a mãe, sua voz ainda carregada de sono.

O sorriso da menina se intensificou. "Bom dia, mamãe."

Olhando o relógio na mesa de cabeceira, a mãe arregalou os olhos ao perceber a hora. Eles haviam dormido demais. Com um toque de urgência, ela sacudiu o marido, chamando-o baixinho: "John."

John se mexeu, seus olhos sonolentos encontrando o olhar da esposa. "Hmm? Que horas são?"

Ellis, a esposa, respondeu com um toque de pânico: "Estamos muito atrasados."

De repente completamente acordado, John se sentou e esfregou os olhos. A realidade o atingiu, e ele rapidamente jogou as pernas para fora da cama. "Certo, vou me arrumar.Ellis cuida da nossa pequena."

Enquanto John corria para o banheiro para se arrumar, Ellis suavemente abraçou a filha. "Vamos lá, querida, precisamos te preparar para a escola."

A menina assentiu, sua empolgação evidente. "Okay, mamãe."

***

Ellis estava sentada em frente ao espelho, delicadamente penteando os longos cabelos pretos de sua filha, Donna, para o primeiro dia dela na escola. Os raios de sol da manhã entravam pela janela, iluminando o quarto com uma luz suave. Donna olhava curiosamente para sua mãe pelo reflexo do espelho, cheia de perguntas em mente.

"Por que eu tenho que ir para a escola, mamãe?" Donna perguntou, sua voz cheia de curiosidade infantil.

Ellis sorriu, enquanto prendia uma mecha de cabelo atrás da orelha de Donna. "Hoje é o seu primeiro dia de aula, querida. É importante que você vá para conhecer seus novos amiguinhos e aprender muitas coisas novas."

Donna olhou para sua mãe, seus olhos escuros repletos de dúvida. Ela não estava exatamente empolgada com a ideia da mudança de Seattle para Nova York e ainda tinha seus receios.

"Mas e se eu não gostar da escola, mamãe?" ela perguntou, sua expressão refletindo sua apreensão.

Ellis virou a cadeira de Donna para encarar diretamente sua filha. "Eu tenho certeza de que você vai fazer muitos novos amigos, querida. A escola é um lugar incrível para aprender e fazer memórias especiais."

Donna suspirou, seus ombros pequenos encolhendo um pouco. Ela não tinha certeza se queria deixar para trás sua antiga vida em Seattle. Com um olhar sério, ela encarou a mãe e perguntou: "E você vai estar lá comigo, mamãe?"

Ellis sorriu afetuosamente, acariciando o rosto de Donna. "Claro que sim, minha doce menina. Eu vou estar sempre por perto para te apoiar, não importa o que aconteça."

Com isso, ela ajudou Donna a descer do banquinho e as duas seguiram para a cozinha. Lá, John Smith, o pai de Donna e marido de Ellis, estava concentrado em preparar panquecas, claramente tentando não sujar seu terno novo enquanto cuidava do café da manhã. Era também o primeiro dia dele como procurador do distrito de Nova York.

Ellis deu um sorriso discreto ao ver John, admirando sua dedicação. Ele olhou para cima e retribuiu o sorriso, enquanto virava uma panqueca na frigideira.

"Como está a nossa futura aluna da Dalton School?" John perguntou, com um tom brincalhão.

Donna olhou para ele, meio desconfiada, mas sua expressão suavizou ao perceber o sorriso nos lábios de seu pai.

"Eu acho não que vou gostar da escola, papai", ela respondeu timidamente.

John se aproximou de Donna e a abraçou de lado. "Tenho certeza de que vai sim, princesa. E você vai fazer muitos amiguinhos lá."

Enquanto a conversa fluía entre pai e filha, Ellis pegou os pratos limpos e colocou-os na mesa, cuidadosamente organizando tudo para o café da manhã em família. John serviu as panquecas em cada prato, e Ellis fez questão de garantir que cada detalhe estivesse perfeito. Ele colocou o prato de Donna à sua frente, um pouco mais baixo para que a pequena pudesse alcançar melhor.

Donna sorriu enquanto recebia o prato, animada para saborear as panquecas. Ellis então se aproximou com uma jarra de café para John e um copo de leite para Donna. Donna começou a saborear suas panquecas com entusiasmo, enquanto John tomava um gole de café, agradecendo o gesto de Ellis.

Ellis voltou sua atenção para John e perguntou carinhosamente: "Como você está se sentindo hoje, John?"

John suspirou, um misto de nervosismo e empolgação em sua expressão. "Ansioso, eu acho. Hoje é um grande dia, começando como o novo procurador do distrito de Nova York."

Ellis assentiu compreensivamente. Ela sabia que o primeiro dia no novo cargo era uma responsabilidade enorme e um momento de mudança significativa. Ele sorriu, e então perguntou. "E o que você planeja fazer durante o dia?"

Ellis sorriu de volta, pegando sua xícara de café e tomando um gole generoso antes de responder. "Bem, depois de levar Donna para a escola, vou voltar para casa e terminar de desempacotar as coisas que trouxemos de Seattle. Preciso colocar tudo em seus devidos lugares."

John assentiu, reconhecendo o trabalho que precisava ser feito após a mudança. "Parece que tem um dia cheio pela frente."

Ellis concordou, um brilho de determinação em seus olhos. "Sim, mas tem mais uma coisa que vou fazer. Abigail, minha ex-colega de faculdade, acho que cheguei a falar dela com você, certo?"

John ergueu uma sobrancelha, curioso. "Claro que lembro."

Ellis sorriu, então explicou: "Ela me ligou ontem e disse que há uma vaga de arquiteta aberta na empresa dela. Vou recebê-la em casa mais tarde para discutir mais sobre isso."

John pareceu um pouco surpreso. "Mas você não precisa realmente trabalhar agora, não é? Meu salário como procurador é suficiente para cuidar de nós."

Ellis assentiu, sabendo que John estava sendo atencioso, mas também tinha seus próprios motivos. "Eu sei, John. Mas lembre-se do acordo que fizemos. Donna já tem seis anos, e combinamos que eu voltaria a trabalhar. Além disso, é uma oportunidade interessante."

John encarou Ellis com seriedade, seus olhos refletindo sua preocupação e hesitação. Ele respirou fundo, tentando escolher as palavras certas para expressar seus sentimentos.

"Se é o que você realmente quer, então está tudo bem, Ellis", disse ele finalmente, sua voz carregada de sinceridade. "Mas, sinceramente, não vejo a necessidade disso."

Ellis olhou diretamente nos olhos de John, captando a seriedade de sua expressão. Ela percebeu que havia mais do que apenas preocupação financeira em suas palavras. Ela não conseguia evitar a pergunta que estava em sua mente há algum tempo.

"John, você não vê a necessidade porque sente isso, ou é porque não quer que eu esteja em contato com o meu passado?" Ela perguntou com cautela, suas próprias preocupações transparecendo em suas palavras.

John suspirou e passou a mão pelo cabelo, pensando por um momento antes de responder. Ele olhou para o relógio, vendo que estava atrasado. "Estou atrasado agora, mas conversaremos sobre isso mais tarde, está bem?"

Ele se aproximou de Donna, inclinando-se para beijar sua testa carinhosamente. "Tenha um ótimo dia na escola, minha princesa. Já estou com saudades."

Donna sorriu e abraçou o pai rapidamente. "Tchau, papai!"

Então, John se voltou para Ellis e lhe deu um beijo rápido na testa. "Até mais tarde", disse ele, antes de sair apressadamente.

Ellis acenou com a cabeça, compreendendo o jeito característico de John de lidar com certas situações. Ela estava acostumada com suas hesitações e sabia que ele jamais voltaria a tocar no assunto. No momento, ela se voltou para sua filha com um sorriso animado.

"Está pronta para um dia cheio de aventuras na escola, Donna?" Ela perguntou, buscando afastar os momentos tensos e se concentrar na empolgação de sua filha.

Donna assentiu com entusiasmo, seus olhos brilhando. "Sim, mamãe!"

***

Ellis dirigia pelas movimentadas ruas da cidade, com Donna sentada no banco de trás, segurando ansiosamente sua mochila de escola. Enquanto o carro avançava pelas ruas, mãe e filha cantaram animadamente as músicas favoritas de Donna, enchendo o carro de risos e alegria. Era uma forma de distrair a menina dos nervos que a consumiam.

Finalmente, o carro chegou à Dalton School, uma escola privada mista localizada no Upper East Side de Manhattan. Donna observava as crianças saindo dos carros e entrando na escola, seu rosto refletindo uma mistura de empolgação e nervosismo. Ellis desligou o carro e rapidamente foi até o banco de trás, ajudando Donna a sair e pegando sua mão.

Donna olhava ao redor, seus olhos grandes observando as outras crianças com certa timidez. Ellis percebeu o medo em seus olhos e se ajoelhou para ficar de frente para sua filha, segurando suas mãos.

"Eu entendo que você esteja com medo, Donna", disse Ellis suavemente, sorrindo reconfortante. "É tudo novo e pode parecer um pouco assustador, mas saiba que eu estou aqui com você. Se em algum momento você quiser ir embora, é só me chamar, e eu vou estar aqui correndo para buscar você."

Donna olhou para sua mãe, os olhos cheios de gratidão e confiança. "Mesmo, mamãe?"

Ellis assentiu com um sorriso, abraçando Donna com ternura. "Mesmo. Você nunca estará sozinha, está bem?"

Donna abraçou a mãe de volta, sentindo-se um pouco mais reconfortada. Enquanto elas estavam abraçadas, uma das professoras se aproximou delas. A mulher jovem, vestida de forma profissional, sorriu gentilmente.

"Olá", disse ela, olhando para Donna. "Você deve ser Donna Smith. Sou a Senhorita Madison Brown, mas você pode me chamar de Madison. Vamos nos divertir muito aqui na escola."

Donna olhou para Madison com curiosidade, suas preocupações temporariamente esquecidas. Ela então olhou para sua mãe, buscando aprovação.

Ellis sorriu e assentiu para Donna. "Vá em frente, querida. Divirta-se e faça muitos amiguinhos."

Madison agradeceu a Ellis com um sorriso e se ajoelhou para ficar na altura de Donna. "Vamos, Donna? Tenho certeza de que vamos nos dar muito bem."

Donna olhou para Madison, depois para a mãe e finalmente de volta para Madison. Com um sorriso tímido, ela assentiu. "Está bem."

Madison se levantou e ofereceu sua mão para Donna, que a pegou com um pouco de hesitação.

Madison sorriu, alegria genuína em seus olhos. Ela se virou para Ellis e disse: "Obrigada, Senhora Smith."

Ellis sorriu de volta, mas uma pequena pontada de desconforto atingiu seu peito. "De nada."

Enquanto Ellis observava Donna se afastar com o grupo, ela percebeu que Madison a chamara de "Senhora Smith", o que trouxe à tona sentimentos de desconforto que ela sempre sentia durante todos esses anos.

"Senhora Smith? Até alguns anos atrás, eu a chamava de senhora Amorielle."

Ellis se virou rapidamente, seu coração acelerando quando seus olhos se encontraram com os olhos escuros e intensos de Vittorio Amorielle.

Capítulo 2 O solitário anel de noivado com diamante negro

Seis anos atrás...

A elegante sala de conferências estava impregnada de tensão de uma negociação de alto risco. Vittorio Amorielle estava sentado na longa mesa, seus olhos escuros fixos no contrato aberto diante dele. Do outro lado da mesa, Ellis Barker deveria estar sentada, mas ela havia saído deixando seus próprios advogados defendendo sua causa.

As discussões legais prosseguiam, um vai-e-vem de jargão jurídico que escapava dos pensamentos de Vittorio. Seu foco oscilava das palavras no papel para o solitário anel de noivado com diamante negro descansando sobre a mesa. Um diamante tão escuro quanto as sombras que agora envolviam sua vida.

Seus dedos se estenderam, quase como se fossem compelidos por uma força magnética. Ele pegou o anel, o peso das memórias inundando-o à medida que o metal frio se acomodava em sua palma. Ele o girou distraído em seu dedo, relembrando aquela fatídica noite em que propôs a Ellis em casamento no estacionamento do banco. Uma memória cheia de vulnerabilidade e a esperança por um futuro diferente.

Enquanto seus advogados continuavam a falar sobre acordos pré-nupciais e divisão de bens, a mente de Vittorio voltou ainda mais no tempo. Ele recordou da maneira como os olhos de Ellis brilhavam com lágrimas de alegria, a sensação de seus dedos se entrelaçando aos dele quando ela disse sim. Parecia ter sido um momento de clareza em uma vida obscurecida por sombras.

Mas agora, ao brincar com o anel, ele era um lembrete contundente do que havia dado errado. Ele a havia perdido. A mulher que amava. A mulher que ele pensava que estaria ao seu lado por tudo. No entanto, ali estavam eles, dois lados de uma mesa, seus advogados traduzindo sua dor em linguagem legal.

Uma onda de frustração percorreu-o. Com um movimento brusco, Vittorio empurrou sua cadeira para trás, as pernas raspando no chão. Ele não conseguia mais suportar estar encurralado entre aquelas paredes. Precisava de ar. Precisava pensar. Precisava encontrar Ellis.

No saguão do elevador, ele se deparou com os números luminosos indicando os elevadores ocupados. A impaciência o corroía. O tempo estava se esgotando, e ele precisava acertar as coisas. Ele pressionou o botão repetidamente, implorando que o elevador viesse mais rápido. Mas o tempo era uma força que não podia ser apressada.

Com um suspiro frustrado, ele se afastou dos elevadores e se dirigiu para a escada. Os degraus pareciam intermináveis enquanto ele descia andar após andar. Sua mente disparava, revivendo momentos que compartilhara com Ellis, se perguntando onde tudo havia dado errado. E então, lá estava - o saguão.

Matarazzo, estava perto da entrada. Vittorio se dirigiu até ele, seu olhar exigindo respostas. "Onde está Ellis?"

A expressão de Matarazzo estava tensa, revelando algo que Vittorio não esperava. Ele caminhou até Vittorio e começou a falar hesitante. "Ela saiu. Encontrou-se com John Smith."

Os olhos de Vittorio se estreitaram, uma onda de confusão misturada com raiva. John Smith - o homem que ele orquestrou para ser falsamente preso pelo assassinato da investigadora policial Laura. Seu plano de mantê-lo longe, mas agora ele havia se encontrado com Ellis.

"O que quer dizer com 'encontrou'?" Sua voz soou baixa, perigosa.

Matarazzo hesitou antes de continuar. "Houve uma conversa entre eles, e então ela foi levada por Smith. Inconsciente."

O coração do mafioso acelerou, seus pensamentos em turbilhão. A fúria queimava nos olhos escuros de Vittorio, sua mente uma tempestade de emoções conturbadas. Ele encarou Matarazzo com uma intensidade que poderia ter incendiado o próprio ar entre eles. As palavras saíram entre os dentes cerrados, cada uma carregada com a promessa de um perigo iminente.

"Reúna os homens", ele disse, sua voz baixa e venenosa. "Encontre John Smith."

Matarazzo assentiu, compreendendo a urgência da situação. Ele sabia que não havia espaço para demora. Era evidente que Vittorio estava à beira da explosão.

Vittorio permaneceu parado ali por um momento, sua mente uma turbulência de emoções conflitantes. A lembrança do passado com Ellis, os momentos de amor e alegria que compartilharam, estavam em contraste agudo com a ideia de que ela poderia estar em perigo agora. Ele sentiu o peso de sua própria escolha, sua decisão de usar John Smith como peão em seu jogo, agora voltando para assombrá-lo.

Enquanto Matarazzo se afastava para cumprir suas ordens, Vittorio lutou para controlar a tempestade dentro de si. Ele fechou os olhos por um momento, respirando profundamente, tentando encontrar uma maneira de canalizar sua fúria e preocupação. A lembrança de Ellis, sua risada, sua força, a maneira como ela o desafiava, tudo isso se misturava em uma tristeza amarga e uma ira intensa.

Ele tinha jurado protegê-la, dar a ela um futuro melhor, longe das sombras do seu mundo. E agora, ela estava no epicentro de um conflito que ele havia criado, um conflito que ameaçava destruir a frágil paz que ele imaginava ter encontrado. Se John Smith tinha a ousadia de ferir um único fio de cabelo dela, ele pagaria um preço inimaginável.

Rocco,se aproximou do líder da máfia com uma expressão séria e respeitosa. Ele sabia o quão delicada era a situação, mas também compreendia a importância dos compromissos de Vittorio. Com um leve aceno de cabeça, ele chamou a atenção de Vittorio.

"Don Vittorio, o senhor tem outro compromisso. Precisamos partir", disse Rocco, sua voz baixa e respeitosa.

Vittorio virou-se para Rocco, a fúria em seus olhos ainda latente. Ele abriu a boca para responder, mas então fechou-a novamente, como se reconsiderando suas palavras. A menção do outro compromisso pareceu se desvanecer em meio à sua preocupação com Ellis. A ideia de continuar como se nada tivesse acontecido era insuportável.

"Não", disse Vittorio finalmente, sua voz firme. "Não agora."

Rocco assentiu compreensivamente, sabendo que essa não era uma decisão que Vittorio estava tomando levianamente. Ele encarou seu chefe por um momento, avaliando a situação. Finalmente, ele deu um passo à frente, sabendo que precisava transmitir uma verdade dolorosa.

" Don Vittorio, sei que está preocupado com a senhora Amorielle, mas não temos escolha. Mas o senhor sabe... eles não podem esperar", disse Rocco com sinceridade. "Prometo que vou descobrir o que aconteceu com ela, mas não podemos adiar isso."

Vittorio suspirou, lutando contra sua própria impaciência e raiva. Ele sabia que Rocco estava certo, mas a ideia de deixar Ellis em perigo o atormentava. Finalmente, ele assentiu, ainda relutante, mas sabendo que precisava confiar em seus homens de confiança.

"Vá, então", disse ele, sua voz carregada de tensão. "Mas traga-me notícias assim que puder."

Rocco assentiu, dando um passo para trás e se virando para se juntar aos outros homens, que já estavam prontos para partir. Enquanto eles se afastavam, Vittorio permaneceu imóvel por um momento, sua mente atormentada por pensamentos de Ellis e do que poderia ter acontecido.

Capítulo 3 Onde está Ellis

Os sons do hospital eram uma mistura confusa aos ouvidos de Ellis quando ela lentamente despertou. Sua visão estava turva, e ela piscou várias vezes, tentando focar no que estava ao seu redor. Sua mente estava embaçada, mas havia algo que ela jurava ter visto. Uma silhueta na porta... era Vittorio?

Esfregando os olhos e forçando a visão, Ellis finalmente conseguiu ver claramente. Não era Vittorio. Era John Smith, conversando com uma enfermeira. A confusão tomou conta dela. O que John estava fazendo ali? Ela tentou se mexer, mas seu corpo estava fraco e dolorido.

Logo, o médico Bryan Woodward entrou na sala, acompanhado por John. O médico segurava a ficha de Ellis, e seu rosto era uma mistura de profissionalismo e simpatia.

"Como você está se sentindo, Ellis?" perguntou o médico, enquanto examinava os registros em sua prancheta.

Ellis piscou algumas vezes, lutando para se concentrar em suas palavras. "Estou... confusa. O que aconteceu?"

O médico sorriu gentilmente. "Você sofreu um desmaio, mas todos os seus exames estão normais. Você e o bebê estão bem."

A revelação atingiu Ellis como um raio. Grávida? Ela não sabia que estava grávida. Sua mente começou a girar, tentando entender o que isso significava.

"Grávida?" ela murmurou, quase sem acreditar.

"Sim, Ellis. Você está grávida de quase dez semanas", explicou o médico com um sorriso caloroso. "Parabéns."

Ellis olhou para John, vendo uma expressão de surpresa e perplexidade em seu rosto. Ele não sabia. Ele não podia saber. Mas então o médico parabenizou John, assumindo que ele fosse o pai.

O médico saiu da sala, deixando os dois a sós. Ellis olhou para John, os olhos cheios de emoção e incerteza. Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, John se adiantou.

"Esse filho é do Vittorio Amorielle, não é?" perguntou John, fazendo Ellis encará-lo, preocupada com o que o policial iria propor.

Ellis assentiu, nervosa com a revelação, e esperando pela reação de John.

Ele suspirou profundamente, parecendo ponderar suas palavras antes de falar.

"Ellis, eu tenho uma proposta para você", ele disse, seu tom sério.

Ela o encarou, preocupada com o que ele estava prestes a sugerir. "O que é?"

"O pessoal espera pelo meu sinal para prender Vittorio", explicou John, sua expressão séria. "Mas eu estou deixando essa decisão nas suas mãos."

Ellis engoliu em seco, surpresa pela responsabilidade que estava sendo colocada sobre ela. "O que você quer dizer com isso?"

John olhou para ela diretamente, sua expressão ponderada. "A verdade é que as coisas mudaram, Ellis. Você revelou que matou Tommaso Grecco, e agora, com a sua gravidez, a situação ficou mais complexa..."

Ellis sentiu um frio na espinha enquanto encarava John, sem conseguir imaginar onde ele estava indo com aquilo.

"Se eu autorizar a prisão de Vittorio", continuou John, "ele não seria o único preso. Você também seria detida pelo assassinato, e, o que é mais importante, você seria separada desse bebê."

As palavras de John atingiram Ellis como um soco no estômago. Ela não conseguia sequer imaginar a ideia de ser afastada do filho que estava carregando.

"Mas há uma alternativa", disse John, sua voz tomando um tom mais suave. "Uma alternativa que beneficia a você e de certa forma... Vittorio."

Ellis o encarou com olhos cheios de expectativa e nervosismo. "Qual é essa alternativa?"

John suspirou, como se estivesse escolhendo cuidadosamente cada palavra. "Eu preciso de um conflito de interesses para não dar continuidade à operação. Na verdade, há apenas uma forma nesse momento."

Ellis engoliu em seco, percebendo a seriedade da situação. "E o que você está sugerindo?"

John a olhou nos olhos. "Que você alegue que tem um caso comigo. E que pretende se casar comigo. "

Ellis ficou atordoada por um momento, processando as palavras de John. Ela então o encarou com incredulidade. "Você está me pedindo... em casamento?"

John assentiu lentamente. "Sim, mas entenda, Ellis, é para protegê-la. Eu só quero o Vittorio. Somente ele, pelo o que ele me fez, pelo o que ele me causou. Porém, pegá-lo, implica diretamente em te colocar como alvo da justiça. E eu não quero isso... Eu sei pelo o que passou com a perda do seu irmão. Eu queria ter conseguido tirar o seu irmão dessa vida, mas não consegui. Porém, eu posso tirar você o seu bebê desse ciclo de violência, corrupção... do crime. Se nós alegarmos que estamos envolvidos, não há como eles descobrirem o que você fez e assim terá uma oportunidade, uma segunda chance, mesmo que isso implique em eu não poder ir contra Vittorio."

Ellis olhou para John, sua mente em turbilhão. Ela nunca teria imaginado que uma situação como essa poderia surgir. No entanto, ela percebeu que John estava oferecendo uma saída, uma forma de proteger tanto ela quanto seu filho.

"Isso é loucura", murmurou ela, quase para si mesma.

John a encarou com compreensão. "Eu sei que é uma decisão difícil, Ellis. Mas no final das contas, é uma forma de garantir que você e o seu bebê fiquem seguros. Que você tenha uma chance."

Ellis olhou para o teto, perdida em pensamentos. Ela se sentia pressionada, entre a possibilidade de perder seu filho e a ideia de fingir um relacionamento com John para protegê-lo. Era uma escolha impossível.

Finalmente, ela olhou para John, sua voz carregada de emoção. "Você faria isso? Se casaria comigo para nos proteger?"

John assentiu, um olhar sincero em seus olhos. "Sim, Ellis. Eu faria isso para garantir que você e o bebê fiquem seguros. Eu não tenho nada contra você, e a última coisa que quero é que você seja prejudicada por tudo isso, muito mais do que já foi."

Ellis fechou os olhos por um momento, sentindo o peso da decisão sobre seus ombros. Ela não tinha certeza do que fazer, mas uma coisa estava clara: ela faria qualquer coisa para proteger seu filho.

"Eu preciso de tempo para pensar", disse ela finalmente, sua voz um sussurro fraco.

John observou Ellis com seriedade, sabendo que o tempo estava se esgotando. "Ellis, você não tem muito tempo para tomar essa decisão. Ou você aceita se casar comigo e seguimos com essa farsa, ou eu sigo em frente com as autoridades e o destino fica nas mãos da justiça. Vittorio sem dúvida pegara pena máxima que é a prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. Não muito diferente de você, que confessou ter matado uma pessoa. A pena máxima por assassinato em primeiro grau em Nova York é prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. No seu caso, o seu bebê ficará com você por até seis meses após o nascimento. Após esse período, ele será colocado em um abrigo. Você não tem parentes ou amigos que possam cuidar do bebê, o bebê será colocado para adoção. Você nunca mais verá seu filho, ou Vittorio novamente."

Ellis sentiu um nó na garganta enquanto pensava em todas as consequências. Ela olhou para John, sentindo-se presa em uma situação impossível. Se ela recusasse, não só colocaria o futuro de Vittorio em perigo, mas também o de seu filho.

Ela fechou os olhos por um momento, lutando contra as emoções conflitantes que a consumiam. Ela pensou em Vittorio, no homem que amava com todo o seu coração, e no bebê que estava carregando, um pedaço dele. Ela sabia que aquela decisão afetaria a vida de todos os envolvidos.

Finalmente, ela olhou para John, com determinação nos olhos. "Sim, eu aceito."

John assentiu, parecendo aliviado com a resposta. "Ótimo. Agora , nós precisamos sair daqui . Se os homens de Vittorio chegarem aqui e descobrirem o que estamos planejando, a farsa estará acabada."

Ellis concordou, sentindo uma mistura de ansiedade e medo. Ela se levantou da cama, um pouco trêmula, mas determinada. "Vamos, então."

John estendeu a mão para ela, oferecendo apoio. Ellis olhou para aquela mão por um momento, lembrando-se das vezes em que Vittorio a segurava assim, com carinho. Ela sacudiu esses pensamentos de sua mente, focando-se no que precisava fazer para proteger aqueles que amava.

Ela pegou a mão de John e saiu do quarto do hospital, enfrentando um futuro incerto que ela estava disposta a enfrentar para garantir a segurança de Vittorio e de seu filho.

Os dois se afastaram pelo corredor do hospital, cada passo os levando mais para o abismo de sua decisão.

O destino estava traçado, e Ellis estava disposta a enfrentar todas as consequências que viriam com ele.

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