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O Mafioso e a Ladra

O Mafioso e a Ladra

Autor:: Nairasousa96
Gênero: Romance
Instagram/ autoranairasousaoficial Em um mundo onde o poder e o controle são as únicas moedas que realmente importam, Alessio Romano construiu seu império com mãos firmes e decisões frias. No entanto, sua vida calculada e repleta de regras é virada de cabeça para baixo quando Bianca Santoro cruza seu caminho, uma jovem rebelde e problemática, marcada por um passado doloroso que ela tenta a todo custo esquecer. Enquanto Alessio luta para manter o controle sobre seus negócios e suas emoções, Bianca desafia tudo o que ele conhece sobre força e fraqueza. - Como eu disse, você não sabe nada sobre mim. Então, me deixe em paz. - Você vai me procurar, e nesse dia vou lembrá-la do que me disse. Vai me implorar de joelhos para eu te ajudar, Bianca.

Capítulo 1 A chuva

Bianca Santoro,

A chuva fina caía sobre os telhados enferrujados da cidade. Eu estava encostada na parede de tijolos sujos, respirando devagar. Minhas mãos estavam frias, mas não era só por causa do tempo. Era sempre assim antes de um roubo. A adrenalina corria pelas minhas veias, e meu coração batia forte, quase como se quisesse pular do meu peito. Mas o que eu sentia, mais do que qualquer coisa, era fome. Não de comida, mas de algo maior. Algo que fizesse meu mundo caótico ter sentido por um momento.

Olhei para o lado, certificando-me de que ninguém estava me observando. A rua estava vazia, exceto por alguns carros velhos estacionados e uma lixeira que transbordava. A loja de conveniência na esquina estava aberta, como sempre, com o dono, um homem gordo e careca, distraído com um jogo de futebol na pequena TV pendurada atrás do balcão.

"Agora ou nunca, Bianca" - sussurrei para mim mesma, enquanto ajeitava a touca sobre o cabelo molhado. Eu precisava daquele dinheiro. Precisava mais do que queria admitir. Era por sobrevivência.

Entrei na loja sem fazer barulho, as botas molhadas escorregando levemente no piso de azulejos. O sino acima da porta tilintou, mas o dono mal olhou para mim. A loja cheirava a cigarro barato e salgadinhos velhos. Caminhei direto para a prateleira dos doces, pegando algumas barras de chocolate só para disfarçar. Meu objetivo não era esses trocados. Estava de olho na caixa registradora.

Fingi estar interessada em uma revista, folheando as páginas enquanto meu olhar analisava os movimentos do dono e de alguns clientes que entravam para comprar alguma coisa. Ele estava completamente imerso no jogo. A qualquer momento, ele poderia gritar com raiva ou comemorar um gol. Era o momento perfeito.

Coloquei a revista de volta no lugar e me aproximei do balcão com as barras de chocolate nas mãos. O dono ainda não tinha me notado direito. Ele estava absorto no jogo, praguejando algumas palavras para a televisão. Quando ele finalmente se virou para mim, coloquei minha melhor cara de garota inocente.

- Só isso - murmurei, jogando as barras no balcão.

Ele pegou as barras com uma mão e começou a registrar a venda com a outra, sem sequer olhar para mim. Era minha chance. Meu coração batia mais rápido, mas minhas mãos estavam firmes. Com um movimento rápido e preciso, estendi a mão para o lado do balcão, alcançando a gaveta de troco que estava entreaberta. Meus dedos tocaram as cédulas frias e eu as puxei antes que ele percebesse.

Quando me virei para sair, o sino da porta tocou de novo. Eu estava quase livre.

Quase.

- Ei! - gritou o homem atrás de mim.

Merda.

Corri. Meus pés se moveram antes mesmo que meu cérebro processasse o que estava acontecendo. Eu não olhei para trás. Apenas continuei correndo, ouvindo o som dos passos pesados dele atrás de mim. Não era a primeira vez que eu fazia isso, mas algo estava diferente dessa vez. Talvez fosse o cansaço, ou talvez eu simplesmente estivesse perdendo o toque. As ruas molhadas escorregavam sob meus pés enquanto eu virava a esquina, meu pulmão queimando com o esforço.

Virei outra esquina, correndo pelas ruas estreitas, sentindo o vento e a chuva no rosto. Não havia tempo para pensar. Meus pés sabiam o caminho, e eles me guiavam pelas vielas e becos que eu conhecia como a palma da minha mão. Ouvi o grito distante do homem, mas ele estava ficando para trás. Eu o tinha despistado.

Parei por um segundo, encostando-me em uma parede de tijolos, respirando fundo. As notas estavam firmes na minha mão, encharcadas, mas ainda serviam. Era o suficiente para pagar a dívida que eu tinha com um cara perigoso. Alguém que não aceitaria um "não" como resposta. Eu havia pegue drogas para vender, e perdi para a polícia, agora tinha que me virar para pagá-los.

- O que temos aqui? - A voz veio da escuridão à minha esquerda.

Merda de novo.

Eu me virei rapidamente, mas já era tarde demais. Dois homens altos e fortes saíram da sombra, bloqueando minha saída. Eles vestiam ternos escuros, mas o que realmente chamou minha atenção foram os olhares frios e calculistas. Esses caras não eram como o dono da loja. Eles jogavam em outra liga.

- Não queremos problemas - disse um deles, dando um passo à frente. - Só queremos o que é nosso, princesinha do tráfico.

Eu dei um passo para trás, tentando calcular a distância até a próxima esquina, mas sabia que não conseguiria correr. Eles estavam me cercando como predadores cercam uma presa. Engoli em seco, tentando pensar em uma saída, mas minhas opções estavam se esgotando rapidamente.

- Então estava roubando?

- Não sei do que você está falando - tentei responder, minha voz soando muito mais firme do que eu realmente me sentia. - Eu só estava fazendo umas compras.

Um deles olhou para o outro e riu. Um riso seco e sem humor.

- Claro. E o dinheiro que você pegou da loja? Isso é só parte das suas "compras"?

Droga. Eles haviam visto tudo.

- Olha, eu não quero confusão - comecei a dizer, tentando ganhar tempo.

- Isso é bom, porque nós também não queremos - ele interrompeu, aproximando-se mais. - Só queremos nosso dinheiro. Ou você paga, ou...

Ele deixou a frase no ar, mas o significado era claro.

Eu estava cercada. Sem saída. Sem ninguém para me ajudar. Mas, ainda assim, alguma coisa dentro de mim se recusava a desistir. Eu podia ser problemática, podia ser uma ladra, mas não ia deixar esses caras me fazerem de idiota. Não sem lutar.

- Vocês querem o dinheiro? - perguntei, levantando o punhado de notas encharcadas. - Então venham pegar.

Antes que pudesse pensar no que estava fazendo, joguei as notas para longe e corri. Mais uma vez, meus pés se moveram antes que minha mente pudesse acompanhar. Eu ouvi o som dos dois correndo atrás de mim, mas não me importava. Eu sabia que não podia vencer na força. Mas na velocidade, talvez eu tivesse uma chance.

Capítulo 2 O Poder de um Mafioso

Aléssio Romano,

O poder é uma coisa curiosa. Quando você tem o controle, tudo parece estar à sua disposição. As pessoas abaixam a cabeça quando você passa, e ninguém ousa olhar nos seus olhos por muito tempo. Mas, por dentro, é diferente. Por dentro, você carrega um peso que ninguém vê. Um peso que, no meu caso, tem o rosto de uma garotinha de seis anos, deitada numa cama de hospital, lutando contra algo que nenhum poder, nenhum dinheiro, pode derrotar.

Meu nome é Alessio Romano, e eu sempre soube o que era o controle. Desde jovem, fui criado no mundo do crime, onde força e lealdade eram tudo. Vi meu pai comandar com mão de ferro, e quando ele morreu, não havia dúvida de que eu seria o próximo a carregar o fardo da família. Aprendi rápido que nesse mundo, ou você controla, ou é controlado. E eu nunca fui bom em ser controlado.

Hoje, eu tinha saído de mais uma dessas reuniões intermináveis. Homens de terno, conversas sobre territórios e negócios. Eu os controlava, mas por dentro, minha mente estava em outro lugar. Na verdade, estava sempre em outro lugar desde que minha sobrinha, Lia, ficou doente.

Lia é a filha da minha irmã mais velha. Ela tinha seis anos e sempre foi cheia de vida. Corria pela casa, me fazia perguntas que eu nunca sabia como responder. Até que um dia, ela parou de correr. Parou de brincar. Começou a reclamar de dores que ninguém conseguia explicar, até que o diagnóstico veio: leucemia. A palavra caiu como um soco no estômago. Câncer. Aquela doença que só acontece com os outros, até que ela entra na sua vida sem pedir licença.

Desde então, eu fazia o que podia. Pagava pelos melhores médicos, pelas melhores clínicas. Mas nada disso fazia diferença no olhar vazio que ela começou a carregar. Eu a visitava todos os dias. Nunca deixava de ir, nem por um minuto. Quando eu chegava, ela sorria, mas era um sorriso fraco. Um sorriso que não pertencia a uma criança. Ela tinha perdido a força. E, se eu pudesse, trocaria de lugar com ela em um segundo. Mas o mundo não funciona assim, não importa quanto poder você tenha.

Depois da reunião, minha mente estava nela. Lia queria um livro. Ela me disse isso ontem, com a voz fraca, mas decidida. Eu prometi que iria comprar o livro para ela. Um livro infantil sobre aventuras e magia. Algo que a fizesse esquecer, nem que fosse por um momento, da dor e da tristeza. Só havia uma livraria na cidade que tinha o livro, um lugar pequeno na esquina de uma rua movimentada, escondida entre lojas de café e escritórios.

Quando o carro parou na frente da livraria, olhei para fora. A chuva fina ainda caía, encharcando as calçadas. Um dos meus homens, Vito, saiu primeiro, segurando um guarda-chuva. Abri a porta, ajustando meu casaco antes de sair. Eu não me importava com a chuva, mas há certas imagens que preciso manter. Ninguém me vê molhado, ninguém me vê vulnerável. Um mafioso sempre precisa parecer no controle, mesmo quando está no limite.

Caminhei até a entrada da livraria, com Vito me protegendo da chuva. Quando entrei, o cheiro de papel velho e madeira polida me cercou, um alívio temporário dos meus problemas. A dona, uma mulher idosa, me cumprimentou com um aceno de cabeça. Ela sabia quem eu era, claro. Todo mundo naquela parte da cidade sabia.

- O livro está reservado, senhor Romano - disse ela, com um leve sorriso.

Agradeci com um aceno e paguei em dinheiro. Não precisei falar muito. Peguei o livro, sentindo seu peso nas mãos. Era leve, colorido, com ilustrações alegres que pareciam tão distantes do meu mundo. Mas era o que Lia queria, então era o que ela teria.

Saí da livraria, ainda sob o guarda-chuva de Vito. A chuva havia aumentado, batendo forte no asfalto. O mundo parecia mais frio, mais cinza. Enquanto eu caminhava de volta para o carro, uma mulher passou correndo pela calçada e se esbarrou em mim. Foi tudo rápido demais. Ela caiu no chão, sentada, suas roupas absorvendo a água da calçada encharcada.

- Droga! - ela murmurou, tentando se levantar.

Eu parei por um segundo, encarando-a. Ela parecia desesperada, molhada e, pela aparência, alguém acostumada a se meter em problemas. Meu instinto de controlar a situação me dizia para continuar andando. Mas alguma coisa me fez ficar ali, olhando para ela enquanto Vito segurava o guarda-chuva sobre mim, completamente indiferente à situação.

- Está bem? - perguntei, em um tom que parecia mais uma formalidade do que verdadeira preocupação.

Ela levantou o rosto, os olhos estreitos de desconfiança. Não parecia grata pela ajuda, mas também não parecia intimidada.

- Estou bem - ela respondeu, tentando se levantar sozinha, mas com dificuldade. - Não preciso de ajuda.

Eu olhei para ela, analisando-a por um momento. Estava claro que ela era alguém que não se importava com as regras.

Vito deu um passo à frente, como se quisesse que eu seguisse em frente, mas levantei a mão. Havia algo naquela garota que me fez pausar. Talvez fosse o olhar vazio que lembrava, de certa forma, o de Lia. Talvez fosse só curiosidade.

- Você deveria tomar mais cuidado - falei, sem tirar os olhos dela.

Ela finalmente se levantou, ajeitando as roupas molhadas com um ar de desafio.

- E você deveria andar com menos seguranças - ela retrucou, olhando para Vito de relance. - Afinal, foi por culpa de vocês que cai, estavam no caminho.

Eu sorri, um sorriso leve, quase imperceptível. Não era o tipo de resposta que eu esperava, e talvez por isso tenha me interessado. Não era comum alguém falar assim comigo, ainda mais sem saber quem eu era.

- Talvez - respondi, virando de costas para ela e voltando para o carro.

Entrei no carro e olhei para o livro no meu colo. A vida era cheia de momentos inesperados. Mas naquele momento, minha mente estava em Lia. Ela esperava por mim, e nada mais importava.

- Vamos para a clínica - ordenei.

Capítulo 3 Inútil

Bianca Santoro,

A porta de casa bateu atrás de mim com um estrondo. O som ecoou pelas paredes sujas e cheias de manchas, o tipo de coisa que ninguém mais notava, exceto eu. Aquele lugar me sufocava. Cada centímetro, cada cheiro, cada lembrança. Meu corpo estava molhado pela chuva, mas a dor que eu sentia não vinha disso. Minha cabeça estava a mil desde o encontro com aquele homem estranho na rua, mas eu mal tinha tempo para processar aquilo. Porque logo que entrei, senti o peso da presença dela.

Minha tia estava no meio da sala, com uma garrafa de cerveja na mão, olhando para mim com aqueles olhos vidrados de ódio misturado com o álcool. Ela sabia. Não sei como, mas sabia. E quando ela sabia de algo, o inferno logo começava.

- Você acha que eu sou burra, fedelha? - sua voz saiu num rosnado, arrastando as palavras como quem já tinha bebido demais. - Você acha que eu não sei o que você fez hoje?

Ela deu um passo à frente, seu corpo cambaleando um pouco. Não respondi. Sabia o que vinha a seguir. Sempre sabia. Apenas abaixei a cabeça, tentando passar despercebida, como se isso fosse possível.

- Olha pra mim, garota! - ela gritou, a garrafa quase escapando da mão dela enquanto balançava. - Você acha que eu não sei que você roubou? Que pegou dinheiro de novo?!

Claro que ela sabia. A vizinhança inteira sabia dos meus passos, como se todos fossem meus guardiões. Alguém provavelmente viu quando eu corri pelas ruas depois de ter escapado daquele dono da loja. Os boatos corriam rápido, e mais rápido ainda chegavam à minha tia.

- Você é uma inútil. - ela avançou, e antes que eu pudesse reagir, senti o tapa. Forte e seco, o som ecoou na sala. Meu rosto ardeu, mas a dor física era nada comparada ao que vinha depois. - Eu te dou um teto, te dou comida, e é assim que você me paga? Roubando? Traficando? Fazendo merda por aí?

Eu não disse nada. O gosto metálico do sangue tocou meus lábios, mas eu engoli. Engolir era o que eu fazia de melhor. Engolir tudo. Ela nunca parava no primeiro tapa, mas o que vinha depois era sempre pior do que os golpes.

- Você não vale nada! - ela continuou, agora mais próxima, quase cuspindo as palavras na minha cara. - E nunca valeu. Você sabe disso, não sabe? Sabe o porquê de estar aqui comigo, nessa merda de vida? Porque seus pais não te quiseram. Porque você matou seu irmão. Assassinaaaa.

Essas palavras. As que eu odiava ouvir. As que me faziam encolher. Aquelas palavras que ela usava como facas, cortando fundo, indo direto na ferida.

- Você deixou aquele garoto morrer! - ela gritou de novo, cada palavra como um chicote. - Você é uma assassina. E é por isso que seus pais te jogaram aqui. Porque você não merece nada além disso. Nada além de mim e dessa vida lixo que tem.

- Eu não tenho culpa, não foi minha culpa. - chorei.

- Cala a boca - vociferou ela, levantando a mão para me bater novamente.

Eu queria correr, mas meus pés estavam presos ao chão. Aquelas memórias sempre voltavam nesses momentos. Eu me via ali, com sete anos, no quintal de casa. Eu me via distraída, cuidando de meu irmão mais novo. E então o som da água. O pânico. Ele tinha caído na piscina. E eu... eu demorei para reagir. Quando percebi, era tarde demais. Ele estava afundando, e eu não soube o que fazer.

Depois disso, tudo desmoronou. Meus pais nunca mais me olharam da mesma forma. Eles me culparam. Fizeram de mim o monstro responsável pela morte de seu filho mais novo. E, no final, me deixaram. Jogaram-me nas mãos da minha tia, como quem se livra de um peso. E, desde então, minha vida tinha sido isso. Um inferno diário, relembrada constantemente de que eu era a culpada. De que eu era indesejada.

- Vai, sobe pro teu quarto antes que eu te faça subir na porrada, sua vadia -- ela gritou por último, virando-se para a garrafa como se a discussão já tivesse acabado.

Sem falar nada, subi as escadas com os olhos ardendo, tentando segurar as lágrimas. Quando entrei no quarto, bati a porta com força, jogando a bolsa nas costas da cama com tanta raiva que senti meu coração acelerar. Tudo o que eu fazia era errado. Tudo.

Aquele quarto era o único lugar onde eu podia ser eu mesma, e mesmo ali, as paredes pareciam sufocar. O teto tinha manchas de umidade, o chão rangia quando eu caminhava. Havia pilhas de roupas espalhadas, cadernos velhos e livros que eu nunca lia. Aquilo não era um lar. Era uma prisão.

Me sentei na beira da cama, com as mãos tremendo. O peso do passado sempre me esmagava. A culpa. O erro de ter deixado meu irmão morrer. A dor de ter sido abandonada pelos meus próprios pais. Eu nunca disse a eles como me sentia, porque sabia que eles não queriam ouvir. Na verdade, eles não queriam me ver. Eles sumiram da minha vida, e o único contato que eu tinha com eles era nas palavras de ódio que minha tia jogava na minha cara todos os dias.

- Assassina. - murmurava para mim mesma, repetindo o que ela sempre dizia.

Era isso que eu era, não era? Uma assassina. Eu deixei meu irmão morrer. Eu o abandonei quando ele mais precisava de mim. E agora, anos depois, eu continuava tentando sobreviver, mas para quê? Não importava o quanto eu corresse, o quanto eu tentasse fugir, a culpa estava sempre comigo, como uma sombra que não ia embora.

Eu me sentei no chão, abraçando meus joelhos, e finalmente deixei as lágrimas caírem. Eu chorava sozinha, porque ninguém mais se importava. Nem comigo, nem com o que eu sentia. Eu me sentia perdida. Perdida em uma vida que eu nunca pedi. Perdida em um corpo que parecia carregar o peso do mundo inteiro e de uma passado que não me deixa viver em paz.

Às vezes, eu me perguntava por que eu nasci. Por que eu ainda estava aqui? Talvez minha tia estivesse certa. Talvez eu não valesse nada. Talvez... o mundo seria melhor sem mim.

Mas eu estava presa. Presa numa vida de caos, dor e arrependimento.

E eu não sabia como sair.

- Por quê? - solucei enquanto chorava mais ainda.

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