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O Marcado da Alpha Dominante

O Marcado da Alpha Dominante

Autor:: LuadMel
Gênero: Lobisomem
Raiden Iakisamoto era um alpha justo e equilibrado, o líder do território do lado sul, onde vivia com a sua alcateia, por anos ele construiu e deu vida a aquela cidade levando inveja para outros clãs e alcateias que se sentiram no direito de lhe tomar o que levou anos para conquistar. Numa luta nada justa, Raiden foi morto e suas últimas ordens aos betas foram para fugirem para o mais longe possível e buscarem ajuda e mais a frente, a vingança. O Norte era o lar da maior alcateia já conhecida no mundo deles, comandando por um alpha feroz que passava por cima de tudo e de todos que usassem de aproximar, o único problema era que ninguém sabia exatamente quem era o alpha. O deixariam os planos da família Iakisamoto de procurar por ajuda e vingança bem complicados.

Capítulo 1 * A Morte de um Alpha *

Os portões foram abertos às pressas.

A chuva que caia era demasiadamente assustadora e diferente naquela noite. Os olhares dentro do carro se cruzaram por segundos, sabiam que algo estava errado, e ainda assim seguiram em frente. Nada poderia fazer com que os homens parassem seu caminho. Aquele era seu dever. Pararam o carro quando enxergaram mais a frente o bando maior que já conheceram. Os faróis foram apagados e em segundos o carro desligado.

- Tem certeza que devemos fazer isso? – Riki questionou ao pai que deu outra olhada para os homens e viu ao longe seu alpha.

- Sim devemos. O alpha é nossa prioridade. – Deu seu ultimato fazendo o filho pular para fora do carro rapidamente batendo a porta. Os olhares dos homens em sua frente o seguiram enquanto caminhavam pra perto. Seu alpha estava amarrado, como se fosse o mais fraco de todos ali, mas era o contrario. Oh com certeza.

- Achei que demorariam um pouco mais. Fico feliz que tenham conseguido chegar logo. Seu alpha não fala muito, e amarrado dessa forma não é interessante para mim. – Takashi apareceu atrás de um de seus homens, andando devagar com seu sorriso no rosto. - Akira e Riki Iakisamoto os betas mais importantes. Sejam bem-vindos.

- Diga logo o que quer. Não viemos aqui perder tempo – Riki empinou o nariz. Odiava esperar, odiava todas as coisas que aconteciam desde que acordou naquela manhã. - devolva nosso alpha.

- Vocês não devem mais nada a esse homem. – Takashi chegou até ele trazendo Raiden, o Alpha amarrado junto de si. - Temos diferenças, pequeno Beta, tantas diferenças e resolvemos tudo com conversas aleatórias. Embora ele não fale muito. – Akira e Riki se olharam, e voltaram a Takashi - seu alpha estará recusando o título, e devolverá o território a nossa alcateia do sul ao clã Yumura, nós fomos o primeiro. – Os dois homens deram um passo para trás.

- Nós conquistamos esse território. Ele não pode mais ser tomado. – Riki bradou ativando suas garras, sua única vontade era de rasgar o rosto daquele homem em mil pedaços, não importaria o resto.

- Seu alpha preza pela vida. Ou ele declina de seu título, ou acabamos com todos vocês. – Riki encarou Raiden com afinco. O que aquilo queria dizer? - E quando eu digo todos, eu estou falando de todos os lobos da alcateia Iakisamoto... Os que se transformam, e os que não deram sinais nenhum de que será um lobo um dia – Os três Iakisamoto rosnaram para cima do homem, e Raiden, mesmo amarrado se aproximou de seus betas o suficiente para fazer ambos se afastarem cada vez mais de Takashi e abaixarem ao seu encontro.

- Façam o que ele manda. – ordenou com os olhos vermelhos como fogo. - Nossa família é grande, mas não o suficiente para derrotar quatro alcateias que buscam territórios aleatórios. Pensem nos outros, - ele fitou Riki - pensem no Jin. – Os dois recuaram rapidamente escondendo suas garras, presas, tudo. Raiden assentiu puxando seus pulsos para que as cordas se arrebentassem, encarou Takashi escondendo os olhos vermelhos e abaixou a cabeça. - Esse não é o fim.

- Não. É apenas o começo. – Em um único passe Takashi cravou suas garras sobre o estomago de Raiden trazendo dor ao Iakisamoto e aos betas que gemeram. O instinto de proteção foi mais forte e se meteram no meio para protegerem aquele que os guiava, mas o ruim de não receber os comandos do Alpha em uma batalha simples que fosse, é que você age por instinto, rapidamente os betas foram presos por outros lobos, os impedindo de chegar a Raiden.

Takashi tinha conseguido o que queria. Raiden era a chave da destruição da alcateia Iakisamoto, sem ele, aquele bando não era nada. Alguns se juntariam a sua, mas outros iriam embora, principalmente a família principal.

- Você não vai se livrar disso – Takashi soltou o corpo de Raiden que caiu rapidamente chamando atenção de seus betas imobilizados. Cuspiu sangue sabendo que as feridas de um alpha demorariam a cicatrizar e ele jamais poderia fugir do destino a qual estava chegando. - Os Iakisamoto não serão os únicos que terá que enfrentar. – as últimas palavras de Raiden deixou Takashi com uma pulga atrás da orelha, no entanto, o último golpe contra a garganta de Raiden o levou a vitória de uma guerra de mais de dez gerações.

Matando um Alpha de uma alcateia imensa que logo, logo estaria em suas mãos no território do sul. Respirou fundo virando para os betas completamente surpresos. Aquele morto ali, não era o verdadeiro Raiden que conheceram um dia, o seu Alpha lutaria até o último momento, então porque desistiu e deixou-se morrer?

- Soltem-nos – seus lobos soltaram os betas que apenas caíram no chão - saiam ainda essa noite e levem todos os membros da sua família imunda. O lado Sul foi tomado de volta pela alcateia Yumura.

Avisou aos outros e junto de seus lobos sumiram com rapidez deixando os betas no chão. Aos poucos, Akira foi o primeiro a conseguir se erguer abaixou-se apenas quando estava diante do alpha encarou o corpo jogado no chão e voltou-se ao filho que ficou de pé.

- Vamos embora. - Pediu sabendo que aquela frase não era típica do seu vocabulário. Mas com o seu Alpha e pai morto, ele precisava de um tempo para organizar e continuar.

- Ir embora? – Riki se aproximou - ele matou nosso alpha, e você fala assim "vamos embora" como se fosse normal. O que você quer ser? O líder? Você quer ser o alpha? O que precisamos agora é de-

- Um alpha – Riki se abaixou perto de Raiden, a ligação que tinha com aquele homem era grande, além de ser seu alpha, era o seu avô tudo e tudo que aprendeu foi com o homem jogado ao chão. - O lado norte tem um alpha o mais forte em quatro gerações. Nós vamos para lá, e voltaremos em outro momento para nossa vingança. Os Iakisamoto precisam de um tempo para pensar, reunir e depois agir, não importa o que pensa agora, temos que ir embora.

Riki assentiu.

Eles poderiam estar indo agora, mas voltariam com a vingança.

_-_

- E o que você acha desse aqui? – A mulher surgiu girando no quarto parando somente quando chegou à cama, com as mãos na cintura, ela pousou para outra foto tirada por seu namorado. - Eu comprei quando passei uma temporada na cidade dos meus pais, lá é quente demais, por isso as roupas tem poucos tecidos – foi se aproximando devagar – o que você achou?

- Você fica perfeita dentro de tudo. – Ele levantou quando ela esticou suas mãos para o tocar. - Eu tenho que ir embora agora, já está tarde – pegou sua mochila ao lado da cama.

- Jin, da pra você ficar aqui hoje? Está chovendo e não é legal ficar andando por aí sozinho – pediu ao deitar na cama. A camisola era encantadora, e os seios enormes daquela mulher que mal cabiam em sua mão o excitavam, mas...

- Não estou muito bem hoje – avisou abaixando a cabeça, sua pele estava queimando como se ardesse em febre, mas se sentia bem. - Só preciso ir pra casa.

- Você sabe que como sua professora eu poderia ordenar que ficasse até a hora que desejar. – ela se aproximou mais jogando seu cabelo ruivo para trás. Segurou o rosto do garoto o beijando com ardor, mas esse fogo foi acabando quando sentiu a quentura da sua pele. - Jin, você está com febre, não pode sair nessa chuva.

- E o que quer que eu faça? – ele guardou a câmera na bolsa e ajeitou nas costas - eu estou do moto, vou rápido. Não posso dormir aqui, não avisei ninguém de casa. E eu vim aqui, só estudar piano.

- Você odeia piano, mas você pode me tocar, - riu malicioso, e antes de cair aos encantos da mulher por qual havia nutrindo um sentimento sexual além do que podia o celular vibrou dentro da bolsa. - Droga.

- Oi – ele atendeu rapidamente e a voz chorosa de sua mãe e uma estranha faladeira em sua casa o deixou surpreso. - Mãe? O que aconteceu? – ele encarou Mei que já havia voltado para cama, e tirava o sutiã. - Eu estou indo. - Desligou o celular.

- Ah não, fica, está chovendo.

- Raiden, meu avô, morreu – Mei arregalou os olhos, desnorteada com a notícia, - Eu vou embora.

Saiu do quarto batendo a porta, desceu as escadas pegando o capacete na entrada e saiu da casa correndo até sua moto. Não ligou para as gotas de água que molhavam suas roupas. O ronco do motor soou como música e suas curvas foram feitas em alta velocidade. Enquanto dirigia sua pele aqueceu ainda mais, embora estivesse na chuva, ele estava pegando fogo. Encarou-se bravamente e voltou-se para frente outra vez. Suas mãos suaram dentro das luvas e ele soltou o guidom tentando entender.

- Que merda é essa? – quando voltou a olhar para frente, a cor de todas as ruas tinham mudado. Ele se desequilibrou caindo em questão de segundos. Seu corpo rolou pelo chão até bater contra a parede um muro e voltou para perto da pista. - MERDA!

Gritou furioso tentando sentar. Seu braço estava doendo e os joelhos estavam cheios de sangue. - Merda, merda – sacou o celular da bolsa se afastando do asfalto, a chamada de emergência deu direto para seu irmão mais velho. - Riki, eu preciso de ajuda, eu caí de moto não consigo levant- - Jin olhou novamente para seu joelho procurando as feridas - AH MEU DEUS! AH MEU DEUS, ESTÁ SE CURANDO? ESTÁ SE CURANDO, CURANDO, CUR- - O soco que levou na cabeça o fez desmaiar na hora.

- Amadores. - O homem se abaixou perto do moreno desmaiado o girando para ficar de frente. Jin era o mais jovem do clã e com certeza o único que daria trabalho para aceitar o que iria acontecer dali para frente. Olhou para o celular jogado e escutou ao longe uma voz conhecida, pegou o mesmo. - Riki? Relaxa, estou o levando pra casa.

_-_

O despertador soou outra vez em sua cabeça trazendo-a de volta para a realidade mesmo quando queria somente deitar e dormir. Soltou um dos braços para desligá-lo e girou na cama jogando suas pernas para fora. Queria poder passar mais tempo na cama, tipo, o dia todo se fosse possível. Mas pelo visto, teria que se acostumar novamente com a ideia de acordar antes das sete, pois longo mais as aulas iriam começar.

Largou-se de seus lençóis cor de rosa para ir até a janela abrindo as cortinas para encarar a rua graciosa a qual morava. Bastou aparecer na janela de vidro para que o celular começasse a tocar enchendo sua caixa de mensagens e o notebook lhe informar que uma chamava de vídeo estava marcada. Correu até o Notebook se sentando para aceitar a chamada e dar de cara com Lívia, uma de suas melhores amigas. Jogou o cabelo para trás soltando um largo sorriso.

- Bom dia Lívia, por que já está pronta? Andou dormindo na casa de quem?

- Muito engraçado. Mas não estavam com ninguém tão importante. O que quer ligando tão cedo?

- Porque está de mau humor? Ah já sei, porque você não está dormindo o seu destino.

- Ele também está dormindo com outra. Com a Raíza. - Rapidamente a segunda tela apareceu entrando mais uma garota no chat. - Raíza, estava falando de você agora mesmo.

- Se for sobre homem, dispenso a fofoca matinal. - Reclamou - O que aconteceu, Aurora?

- Só liguei para relembrar que hoje na entrada da cidade vamos montar a barraca de venda-

- Para a arrecadação de suprimentos para as famílias carentes - Raíza e Livia repetiram o que Aurora vinha falando há dois meses.

- Isso mesmo.

Aurora fechou a tela do notebook e acabou com a pequena discussão.

Depois de um banho se arrumou e saiu do quarto procurando por seu irmão, que tentava a todo custo ajustar um pudim mal feito em cima da mesa.

- Bom dia Aurora. Brigando com suas amigas logo cedo? - Ela sentou em uma das cadeiras assistindo o cuidado do outro em tirar a forma para o pudim sair inteiro, porém, se desmanchou por inteiro meio segundo depois. - Que droga!

- Você não sabe cozinha. Porque ainda tenta?

- Porque quando não dar certo eu posso comer. - Enfiou uma quantidade considerável na boca e riu.

- Você já é bonito, não precisa saber cozinhar.

- A Lívia sabe cozinhar muito bem. Que milagrosamente é seu destino.

- Lívia está saindo com outro homem e eu estou bem com isso.

- Não está não. Anda dormindo com todas as líderes de torcida, até com as melhores amigas dela.

- E eu vou pegar mesmo, a única que não posso dormir é a capitã, porque é a minha irmã. - Bradou mais zangado ainda jogando o prato vazio na pia. E paralisou no lugar.

- Adrian, o que foi?

- Tem alguém se aproximando - Aurora estreitou os olhos - Não saía de casa sozinha.

- Tudo bem... Mas não esquece que hoje à noite na entrad-

- Da cidade tem a arrecadação para as famílias carentes e blá, blá, blá - Abriu a porta e saiu.

Aurora levantou para acompanhar a sombra do irmão até ele cruzar o quintal e começar a correr entre quatro patas e se meter na floresta, não demorou mais de oito minutos para escutar Adrian uivar passando informações.

Capítulo 2 * Lobos Iakisamoto *

"está quente, eu estou quente. O que está acontecendo?"

"a rua, a rua está toda molhada".

"chuva está intensa, estou molhado. Estou acabado".

"curando, estava tudo se curando".

"- Riki, eu, eu, eu, eu".

- EU ESTOU CURANDO – Sentou na cama tão rápido que o folego quando o prendeu novamente. Iori saltou da poltrona ao lado parando em sua frente e Jin a fitou respirando fundo até se acostumar com tudo e ficar calmo. - Mãe?

- Jin, querido. Você está bem? Sente alguma coisa? Vou chamar o médico – avisou e saiu do quarto. Jin passou a mão na cabeça procurando saber como diabos ele foi parar ali se lembrava de muito bem de estar na chuva, e sua perna... sua perna. Tirou o lençol das pernas procurando pelas feridas. Ele sabia, tinha se curado.

- Jin? – Ele ergueu a cabeça - Finalmente acordou. Achei que dormiria mais um pouco.

- Você viu isso, Yuri? Viu? Minhas pernas estão curadas. Eu estou curado.

- Hã? - ele encarou Jin, depois Iori que deu de ombros cruzando os braços - e porque você estaria ferido? – se aproximou trazendo seu material para ver se os batimentos do moreno estavam em ordem - quando você chegou em casa e viu Raiden dentro do caixão quase perde a cabeça, tivemos que fazer você dormir.

Jin abaixou os olhos para suas mãos e analisou cada uma. Não era disso que se lembrava. Ele estava na casa de Mei, e saiu debaixo da chuva, ele caiu da moto, ele se machucou, ligou para Riki e sua perna estava curando, tudo estava cicatrizando tão rápido. A cabeça, sua cabeça doía.

- Não, eu não cheguei em casa.

- Querido – Iori se aproximou - você bateu com a cabeça muito forte quando caiu perto da escada, o baque de ver seu avô dentro daquilo foi terrível. Deve ter sonhado com alguma coisa a mais – avisou ao sentar ao seu lado passando as mãos pelos cabelos negros. - Seu pai irá subir em breve, precisamos conversar com você.

- Sobre o que? E como o Raiden morreu? Como ele poderia ter morrido? Quem o matou?

- Não se preocupe com isso. Akira irá lhe dizer, só deite mais um pouco, vamos chamar seu pai – antes de sair do quarto, Iori deu um beijo na cabeça do filho mais novo, um carinho doce que somente ela tinha o direito. Acompanhada de Yuri, Iori desceu as escadas chegando à sala onde Riki e Akira espera por respostas. - ele acordou.

- Se você tocar nele de novo eu acabo com a sua cara, entendeu? – Riki avançou contra Yuri que somente riu jogando as luvas brancas na lareira - Não toca no meu irmão.

- Não toca no meu irmãozinho, meu maninho, o lobinho que não desperta, blá, blá, blá - imitou-o zombando de sua proteção e Akira segurou o filho antes de chegasse ao tio - Quer saber, eu deveria ter batido com mais força pra ver se ele morre e renasce de novo como um lobo de verdade – Riki rosnou novamente querendo avançar contra o homem que rodeava o sofá para tomar outra taça de vinho. - para de reclamar. Protege tanto que logo Jin se esquece de despertar o lobo dentro de si, mas não vai esquecer-se de despertar a paixão pelo mesmo sexo – encarou Riki - como o irmão mais velho.

- EU VOU QUEBRAR A SUA CARA – Akira o prendeu mais forte empurrando-o para trás - Você é um babaca, isso sim – Riki se soltou indo para outro lado.

- Como ele está? – Akira questionou para a esposa que assentiu informando a saúde de Jin - ele vai acreditar que tudo aquilo foi um sonho e vamos embora, agora. O Norte não é tão longe, cinco, seis horas de viagem e estaremos em outro território. Vamos todos embora. – avisou com uma voz de comando e os outros assentiram.

- Vamos. Mas o Norte tem um alpha, não podemos simplesmente invadir sem autorização. – Yuri levantou olhando de Akira a Riki.

- Mandamos Yoshi na frente, ele irá informar o que aconteceu ao alpha, e nos avisará se somos ou não bem-vindos.

- Bem-vindos, seremos isso sem duvidas. A questão a ser feita, é quem irá nos dizer isso. O alpha? Um beta? Qualquer pessoa? Sem contar que ninguém conhece esse alpha, mas seu poder é tremendo, suas batalhas nunca foram perdidas, ele é estrategista. Não acredito que mandará seus lobos para a linha de frente. Pelo menos, não tão rápido.

- Agora, depois, mais tarde, tudo que precisamos é ficar calmos e nos proteger por enquanto, nos fortalecer e esperar por Jin. – Akira se aproximou da esposa com um sorriso confortante e a abraçou. Queria dizer tantas coisas para aquela mulher, mas no momento, tudo que podia fazer era lhe abraçar e novamente, tentar dar tranquilidade a ela. Iori era uma jovem estudiosa e a uma curandeira quando lhe trouxe para aquele mundo lhe dando dois filhos maravilhosos. Era sua maior paixão, seu elo mais precioso, até mais que seus filhos. - Fique calma.

- Eu não quero que machuquem meus filhos. Akira, os proteja – sussurrou de volta.

Com Riki, ela não tinha tanto cuidado, ele era um lobo alto de pelos negros que quando se transformava e sentia raiva, ninguém naquele universo poderia o parar, era bravo, destemido e faria qualquer coisa para proteger sua família, e isso incluía o alpha. Se Raiden morreu, foi porque quis, ele jamais abaixou a guarda. Ele tinha um plano, só não sabia qual era. Mas, enquanto Riki podia se proteger de todas as formas, Jin não conseguiria sequer se transformar em um lobo, aos dezessete anos, o garoto não tinha dado os sinais de que iria se transformar. Um rugido enquanto dormia ali, uma cura rápida ali, uma febre quente mais ali, mas nunca, nunca uma transformação por inteiro, e por isso, Raiden achou melhor deixar esse mundo oculto do mais novo da alcateia.

- Vamos falar com ele. Partiremos ainda hoje. Ele pegará só o que for necessário – bradou para os outros que rapidamente pegaram suas bolsas e seguiram para fora, os carros já estavam preparados.

_-_

No Norte Adrian encarou o homem em sua frente pensando em várias maneiras de lhe mandar embora, mas os olhos vermelhos e diferentes o intrigaram de alguma forma. Colocou as mãos no bolso ajustando seu pescoço e deu um passo a mais parando a pequenos metros do moreno que de olhos vibrantes e vermelhos, voltaram a ser amarelos, e em seguida, negros.

- Lobos do clã Iakisamoto, somente eles tem olhos vermelhos como alfas, mas não tão bonitos quanto um. Conhecemos bem essa espécie, um clã originalmente japonês, nunca confundimos com um alpha – Yoshi abaixou os olhos um momento e então os ergueu para Adrian.

- Iguais aos seus?

- Ah, acha mesmo que o alpha sairia para vir te encontrar? Um mero membro do clã Iakisamoto solitário na nossa floresta? – Yoshi engoliu um xingamento - o que quer?

- Meu alpha foi morto – Adrian ficou sério, seus pelos arrepiaram um momento e ele ouviu as batidas do coração do outro, sabendo que ele falava a verdade. Sem pensar duas vezes, uivou para os céus fazendo com que a alcateia ouvisse; os lobos, suas lobas bonitas, claro, e seu alpha dando a eles a informação - precisamos de ajuda, precisamos de um novo alpha.

- Achei que teriam um entre si. É um clã forte. – Yoshi desviou o olhar girando seu corpo para os lados e focou na cidade - Raiden era um aliado do nosso alpha, então iremos recebê-los em nossa cidade.

- Queremos forças para nos vingar, e tomar de volta nosso território. – Yoshi voltou-se para o ruivo que fechou a cara - queremos lutar.

- Nosso alpha permitirá que fique na cidade, mas eu não lhe garanto que dará sua força para uma vingança de um clã como o seu – Yoshi não respondeu.

- Eu desejo falar com ele.

- E eu voltar com a garota que é a minha marcada, mas não vou conseguir fazer isso porque estamos brigados há tanto tempo, a vida é cheia de coisas impossíveis – colocou as mãos na cintura - nosso alpha não age assim. Entrem na cidade, se instalem, mostrem confiança, quem sabe assim, um dia, ele os procurará.

- Como você sabe disso? – Yoshi perguntou no momento em que o Beta deu as costas, o homem sorriu e olhou para o Iakisamoto por cima do ombro - Você o conhece? Ou ele também manda um otário vir falar com você? – Adrian riu.

- Sou seu primeiro beta, feito de sua mordida, sangue do seu sangue, um pilar do seu poder – Yoshi abaixou a guarda - Não fale, procure ou tente intimidar nosso alpha, ele não é qualquer pessoa. – deixou claro quando seus olhos brilharam em tons amarelo e cinza e em questão de segundos sumiu na mata.

Yoshi voltou a respirar melhor olhando ao redor. Está ali, era como sentir seu poder.

Quem seria a droga do alpha daquela droga de cidade?

Capítulo 3 * Parte do meu Trisal *

Depois de uma longa conversa com Jin que durou exatamente vinte e dois minutos e nenhum segundo a mais, Riki o viu chutar a porta da frente de casa para sair da mesma sendo seguido por Iori e Akira que tentavam o acalmar. Claro que Jin seria o primeiro a retrucar o fato de que teriam que se mudar. Ele era um dos garotos populares da escola, o capitão do time, pegava mais da metade das garotas e somente Riki e Yoshi sabiam que as aulas de piano eram apenas uma desculpa para foder com a professora de peitos grandes.

Assim que entrou no carro, bateu a porta outra vez como todo adolescente aborrecido com os acontecimentos presentes. Riki o encarou mais vezes que Yuri que tratou de colocar os fones e escutar sua música, aquela discussão familiar ele passaria com gosto. Mais do que qualquer um ali dentro do carro, Yuri queria chegar ao Norte, conhecer o alfa daquelas terras e trazê-lo para enformar, esfolar, esquartejar Takashi o homem que assassinou seu pai, seu alfa, um elo do seu poder.

- Jin – Riki murmurou querendo se aproximar e poucos minutos depois teve os olhos dele em sua direção, sorriu a contragosto. Queria agradá-lo de alguma forma, queria que ele se sentisse bem, mas não sabia como o fazer. - é, vai ficar tudo bem, a mudança é sempre a melhor coisa a fazer depois de algo-

- Não foi um sonho – murmurou de volta chamando atenção de Yuri que só queria esquecer que ainda estavam no carro. - Eu vi tudo nitidamente, eu não ligo para a mudança, quem quer ficar aqui depois que o vovô morreu? – Riki assentiu de boca aberta, queria contar-lhe que tudo não foi um sonho mesmo, que em algum momento algo surreal aconteceria com seu mundo, ele era um lobo, ele tinha que ser um lobo, só não... não despertava. - Mas você também não vai acreditar em mim, não é mesmo?

- Não – Jin estreitou os olhos - quer dizer, sim, eu acredito, mas você acha mesmo que lobisomens existem?

- Você casou com o Yoshi na nossa família e com o vô Raiden sabendo, nada mais é impossível pra mim. Entendeu? – O mais velho revirou os olhos cortando o papo e o contato visual.

- Jin, já que você acredita em lobisomens, porque não faz uma pesquisa mais profunda? – Yuri começou bem a tempo do casal Iakisamoto, sentarem nos bancos da frente - e se acha que é um, é só tentar se transformar. Precisa do que? De uma ferida? De um soco? Que deem uma agulhada na sua bunda? Eu dou, sou sua melhor opção. – Jin o encarou por dois ou mais segundos e voltou para a janela vendo o carro se mover. Seus pais iriam acreditar em si, em algum momento, ele iria.

Enquanto cruzavam a cidade até a barreira que dividia a da estrada, Jin estranhou o fato de alguns lugares que conhecia bem, como sua lanchonete preferida que nunca fechava, ou a soverteria de vinte e quatro horas estarem completamente fechadas com cartazes na frente avisando a todos que não existia mais nada ali. Primeiramente, ele pensou em questionar, mas uma rápida olhada pelo retrovisor da frente o fez prender a língua.

A saída da cidade era de fato estranha, e se sua mãe que amava aquele lugar estava chorando, não iria mais perguntar sobre, ou qualquer coisa do gênero. Engoliu suas perguntas e seguiu o caminho todo sem falar nada.

_-_

Na entrada da cidade, como prometido, às cinco horas da tarde, todas as barraquinhas de comida ou brincadeiras divertidas já estavam armadas para festejarem junto do povo. Ações de caridade para a cidade ou fora dela sempre eram feitas na mudança de estações, ou quando descobriam que em algum lugar perto dali algo ruim aconteceu. O Norte não era grande, então as noticias sempre corriam muito rápido, e metade da população se conhecia, viviam em harmonia, apesar de algumas jovens, ou adolescentes mais velhos não se darem muito bem.

Mas, as competições mesmo começariam quando as pessoas iam chegando para comprarem e se divertirem como queriam pela noite.

Homens corriam até a barraca das lideres de torcida que depois de Lívia, Raíza e Mika chegaram mais tarde. Todas uniformizadas com sorrisos enormes e se ajeitaram para fazer um único número para chamar atenção, mesmo que não precisasse.

- Como sempre, elas chamam atenção com corpos bonitos e aquelas rabas balançando. Ah! – Gusta se juntou aos amigos um pouco longe das garotas. - Eu adoro vê-las jogando aquelas mãozinhas para o alto e não se esquece das reboladas – Adrian suspirou - e a mais linda com certeza é a Aurora.

- Hey! – Adrian acordou do seu quase sono enfrentando o moreno de olhos claros que riu pedindo para ir mais devagar - não fala da minha irmã. Tá ouvindo? Ninguém fala da minha irmã.

- Todo mundo fala da sua irmã, babaca – Yan se encostou na parede tomando o último gole de sua cerveja - fala o quanto é gostosa, e uma patricinha da quinta geração Romero. – Adrian voltou-se para a barraca - parece um cristal que não pode ser quebrado. Um anjo que caiu do céu, a gêmea do Adrian que ninguém consegue chegar perto. – Eles se encararam. - sonho de consumo? A virgem? A garota que eu particularmente gosto, é tudo isso.

- Yan, se você fosse o destinado da Aurora, isso já tinha ficado claro pra todo mundo, vocês teriam o momento de vocês e pronto. Supera. - Gusta debochou do ruivo que não reclamou.

- Cala a sua boca também – Adrian murmurou bravo, claro. Além de saber que Yan estava certo, não gostava que falassem da sua irmã.

- Vamos parar de graça – Gusta se meteu entre os dois abrindo outra cerveja - parece que teremos convidados, fui informado depois de um uivo esplendido que a chegada dos Iakisamoto no nosso território é a novidade do ano – Os três ficaram sérios - como mataram o alfa deles?

- Raiden Iakisamoto era o mais antigo da família, e o alfa mais respeitado do lado Sul. – Yan murmurou dando uma última olhada em Aurora e virou para os meninos - Takashi Yumura matou o alfa para tomar o poder e mandou todos da alcateia sumirem o mais rápido possível. – Gusta entreabriu os lábios achando tudo àquilo totalmente... maluco.

- O Iakisamoto que veio na frente disse que Raiden mandou que eles fossem embora, que viessem para o lado Norte. Eu também viria, nosso Alpha é reconhecido, e todos aqui conheceram Raiden, ele esteve com o nosso Alpha, passaram algumas semanas conversando tem meses, eles eram aliados, talvez esse fosse algum plano que nunca vamos saber por que o Alpha não falaria nada. - Adrian voltou a falar.

- Pelo menos vocês tem acesso a mais coisa que todo mundo. - Gusta murmurou - Eu sinto muito pela morte dele.

- Ele quis proteger sua alcateia. Se ficassem e lutassem, morreriam. Todo mundo eu acho, a família é grande e tem várias pessoas que não são lobos. – Adrian voltou a falar, calmo e encarou os dois com seus olhos amarelados - Jin Iakisamoto, um lobo que não se transformou, ele nem sabe da existência, mas pode descobrir depois de uma surra. Ou ele fica vivo e se cura, ou morre humano. E nós vamos fazer isso.

- Eu? Credo – Gusta se afastou da parede quebrando o contato visual – eu não quero me meter nessas suas loucuras de surrar os outros para apressar a transformação. Tem gente que tem o mesmo sangue, mas não se transforma em porra alguma – Sorriu para ele dando uma piscadela formal do ruivo em sua frente para a irmã que animava alegremente em frente a sua barraca junto das amigas e foi em direção a elas.

- QUER SABER? EU NÃO PRECISO DE VOCÊ NÃO. EU TENHO O FABRICIO, ELE VAI CHEGAR. VOCÊ NÃO FAZ PARTE DO MEU TRISAL – Gritou o mais alto que pode e chamou atenção ao seu redor, inclusive para Yan que revirou os olhos os fechando rapidamente - não que ele pudesse fazer parte. – foi diminuindo o tom de voz e as pessoas comentando... voltou para a parede - ele não faria parte do meu trisal. – Yan o encarou.

- E quem é o seu trisal? Raíza, Lívia e você? – Adrian pensou um pouco na possibilidade, seria loucura. Mas...!

- Estou falando do alfa – Yan se ajeitou no lugar arrumando os ombros - de mim, de você, e do Fabricio.

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