Chegar ao trabalho costumava ser de certa forma satisfatório; pelo menos ela tinha como se sustentar. Mas esta manhã era bem diferente das outras.
Olhando para o papel rosa em sua mesa, ela soube que era o fim. Ciana piscou repetidamente enquanto segurava o documento nas mãos. Ela nem queria desdobrá-lo.
A jovem mordeu levemente o lábio, sentindo vontade de desabar em lágrimas, mas precisava manter a compostura. Ela olhou para cima, vendo-se completamente sozinha naquele espaço.
Então, ela olhou para a porta, onde seu chefe certamente a esperava. Ciana olhou para o documento e, com um pouco de coragem, desdobrou-o para ler o que já sabia que continha.
Seu chefe estava a demitindo.
-Ótimo, estou desempregada, -ela suspirou pesadamente.
Tanto esforço havia sido investido na busca por um emprego, apenas para perdê-lo por causa de um acidente. Ciana esfregou o rosto impacientemente. "Se eu soubesse que ele ia me demitir por derramar café na calça dele, teria jogado a cafeteira inteira na cabeça daquele idiota teimoso." Ela não estava feliz por perder o emprego, mas sentiu um certo alívio por não ter que ver a cara daquele imbecil a quem fora obrigada a ajudar. Ela havia feito seu trabalho bem durante um ano inteiro, sem reclamações ou erros, e ele a estava demitindo por algo tão trivial quanto derramar café na calça.
Mas era claro que os motivos dele eram outros; aquele degenerado estava furioso porque ela não quisera ter um caso secreto com ele. E ela tinha certeza absoluta de que conseguira o cargo de assistente presidencial porque seu chefe estava de olho nela.
Ele tinha visto os outros candidatos, e ela era a única jovem do grupo, e foi por isso que ele chegara a essa conclusão - porque ela não tinha experiência nenhuma. Era impossível que ele escolhesse uma novata em vez de uma especialista.
-O que eu vou fazer agora?, -murmurou ela, olhando para o documento.
-O que vou fazer agora? -Tudo o que lhe restava fazer naquela manhã era juntar seus pertences.
-Que dia terrível, hein? - Ciana se levantou rapidamente e escondeu o papel rosa atrás de si.
A jovem piscou ao olhar para o homem à sua frente; seu coração começou a acelerar imediatamente ao fitar aqueles olhos azuis. Ciana se enrijeceu e tentou sorrir.
-Bom dia, Sr. Phil.
-Parece que eles não lhe fazem bem, -respondeu ele, olhando-a nos olhos. "Você foi demitida?
A pergunta a petrificou. Ela o via regularmente havia três dias na empresa do chefe, e a cada dia tremia mais que no anterior. Desde que o vira, era como se algo dentro dela tivesse mudado; tudo nela tremia sempre que olhava para aquele homem.
E não era só isso. Ele também a observava atentamente, o que a fazia sentir como se estivesse morrendo por dentro. Ciana engoliu em seco, mantendo um sorriso sereno.
-Parece que o incidente com o café realmente incomodou meu chefe.
-Ah? -Ela o viu erguer uma sobrancelha, o que a fez se derreter.
-Foi um descuido meu.
-Não acho que medidas tão extremas sejam necessárias. Demiti-la por manchar o terno dele é injusto.
Ela também pensava assim, mas naquele momento não se importava se fosse demitida. Era a primeira vez que aquele homem falava com ela e ficava para conversar. Nas outras vezes, ele apenas a olhou, sem dizer nada.
-Ciana, certo?
-Sim.
-Sinto muito pelo que aconteceu ontem.
Ela também sentia muito, principalmente porque nunca mais veria aquele homem. Tinha sido demitida naquela manhã, então não podia ficar. Além disso, não gostava da ideia de ter que aturar aquele idiota do ex-chefe. Se não era mais funcionária dele, não merecia nem um café.
-Tenho uma reunião com ele.
-Entre.
Phil sorriu de canto enquanto caminhava em direção à sala e entrava. Nesse momento, Ciana soltou um suspiro que estava prendendo e olhou para o papel em suas mãos com profundo pesar.
-Droga, é melhor eu ir embora.
Ela encarou a porta e mordeu o lábio. Era uma pena não ver aquele homem elegante e atraente novamente. Ele era o sonho de toda mulher.
-Droga, é melhor eu sair daqui."
Ela encarou a porta e mordeu o lábio. Era uma pena não ver aquele homem elegante e atraente novamente. Ele era o sonho de toda mulher.
[...]
-Você não quer que eu a demita?
-Não acho necessário que você faça isso, além disso, o que ele fez não foi tão grave.
-Ela é uma boa secretária, não posso negar, mas é uma tola. Tentei seduzi-la mil vezes e ela nunca me deixou. Prefiro uma garota que saiba se manter na empresa.
Phil observa o sócio sem dizer uma palavra. Ele olha para as mãos entrelaçadas e apenas pisca.
-Você não vai dar o emprego para ela?
-Posso transferi-la para a recepção, onde não precisarei vê-la. Faria isso como um favor para você.
-Pelo menos ela não ficará desempregada.
-De qualquer forma, resolvo isso depois. Agora, vamos ao que interessa. -O homem sorri amplamente.
No entanto, Phil não conseguia parar de pensar naquela garota sentada lá fora, lamentando ter perdido o emprego para um porco como aquele à sua frente. Infelizmente, ele tinha que negociar com ele.
Ele não conseguia deixar os negócios de lado por uma funcionária que conhecia há apenas três dias, mas esse curto período foi suficiente para que ele ficasse grudado nela.
Era estranho estar agindo daquela maneira. O CEO balançou a cabeça e sorriu; precisava se concentrar nos negócios. Ao sair do escritório, diria à loira do lado de fora que ela não perderia o emprego. Ser recepcionista era melhor do que estar desempregada.
Quando as negociações foram finalizadas, Phil apertou a mão do sócio. O CEO estava ansioso para sair do escritório e dar a notícia à secretária.
Mas, para sua surpresa, a loira não estava em sua mesa.
-Nossa, parece que ela já foi embora, disse -Phil, surpreso com a rapidez com que ela pegou suas coisas para sair. -Não é mais minha culpa, Phil."
-Não se preocupe, a gente se vê.
-Claro, a gente devia sair uma dessas noites.
Phil assentiu enquanto se dirigia para a saída. Ele achou que poderia vê-la na recepção, então acelerou o passo para ver se dava sorte.
[...]
Ciana jogou a bolsa na cama, e alguns passos atrás dela fizeram o mesmo. Ela encarou o teto do quarto, pensando no que diabos faria agora.
-Preciso arranjar outro emprego. Não vou conseguir sobreviver muito tempo com a minha indenização.
Nesse instante, o telefone dela tocou. Sem nenhuma motivação, ela o pegou para ver a tela. Era sua melhor amiga, Dorelis.
-Eu sei que você está no trabalho, mas não desligue na minha cara.
-Eu não estou no trabalho. Fui demitida daquele maldito lugar.
- Sinto muito, Ciana. Nesse caso, o que vou te contar agora será perfeito para você.
[...]
Ela não sabia como Dorelis a havia convencido, mas lá estava ela, com um vestido lindo, no bar mais bonito de Chicago. Ciana procurou sua melhor amiga com o olhar, mas não a encontrou em lugar nenhum.
E como diabos ela esperava encontrá-la? Era sexta à noite e o lugar estava lotado.
-Que péssima ideia vir a este lugar. Eu não deveria estar aqui -murmurou, virando-se, mas esbarrou no peito de alguém. - Me desculpe... -Suas palavras se perderam enquanto olhava para quem havia esbarrado.
-Que coincidencial -Era o mesmo homem que frequentava o escritório do seu ex-chefe.
-Oi, -cumprimentou-o, parecendo uma idiota.
-Nunca imaginei te encontrar aqui. Mas fico feliz em ver um rosto familiar.
-O que você está fazendo aqui?
-Igual a todos os outros, tomando um drinque. ¿Posso lhe oferecer um?
A verdade era que ela vinha pensando em ir embora, mas agora que encontrara aquele homem, sua vontade de partir havia desaparecido completamente.
¿O que estava acontecendo com ela?
-Claro, eu gostaria.
-Queria lhe dizer que, depois da reunião com meu sócio, saí do escritório para avisá-la de que você não ficaria desempregada.
-¿O que você está dizendo?"
-Conversei com meu sócio e ele concordou em mantê-la na empresa, mas como recepcionista.
Ela não conseguia acreditar. Aquele homem havia intercedido por ela. Ela ainda tinha um emprego; era uma ótima notícia. No entanto, ela ainda teria que ver a cara do seu chefe idiota. Por outro lado, continuaria vendo aquele homem misterioso que aparecera do nada.
-¿Tem certeza disso?
-Claro que tenho. Você tem a minha palavra.
Recepcionistas não ganhavam muito, mas pelo menos ela não estava desempregada. Ciana sorriu, começando a suspeitar que o rapaz gostava dela, mesmo sendo claramente mais velho.
Um drinque levou a outro, e a conversa se arrastou. Ciana se esqueceu completamente de que ia encontrar sua melhor amiga, que estava apenas de passagem por Chicago. Ela estava curtindo as férias, e a amiga estava sendo tão ruim que ela não tinha pensado nela naquela noite.
-Preciso ir ao banheiro -desculpou-se, pensando que deveria ligar para Dorelis.
-Espero que você não se perca.
-Já volto.
Depois de várias ligações perdidas, Ciana desistiu.
-Ela deve estar furiosa comigo.
Guardou o celular na bolsa e, ao sair, deu de cara com o rapaz com quem tinha saído naquela noite. Ciana ficou chocada com a presença dele e sentiu como se seu coração fosse explodir. Phil a observou sair do banheiro e sentiu uma vontade irresistível de beijá-la, e foi exatamente o que fez. Sem dizer uma palavra, o CEO beijou Ciana apaixonadamente.
Para sua surpresa, a jovem retribuiu o beijo com paixão e desejo. Ela o abraçou pelo pescoço e o envolveu pela cintura; suas línguas desempenharam um papel vital no beijo, aprofundando a conexão.
-Ciana... eu... -ele gemeu contra os lábios dela.
-Sim -ela respondeu rapidamente enquanto ele a olhava atentamente.
Cerca de meia hora depois, Phil e Ciana estavam deitados em uma cama grande com lençóis de seda acinzentados.
Ciana sentiu os beijos dele na curva do seu pescoço enquanto ele a tocava sutilmente na lateral do corpo. Os carinhos dele a fizeram suspirar de uma forma que ela nunca imaginou ser possível.
Ela mordeu levemente o lábio enquanto o moreno começava a levantar a saia do seu vestido, revelando suas pernas. Ela não tinha certeza do que estava fazendo, ou do que estava prestes a fazer.
Mas de uma coisa ela tinha certeza absoluta: ela amava os carinhos daquele homem. Ele era tão apaixonado, tão másculo, tão atraente. Além disso, era requintado, tão grande e musculoso.
Ela ainda mal conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo com ele... então ele pressionou os lábios contra os dela novamente para beijá-la ternamente.
-¿Tem certeza, Ciana? - perguntou ele contra a boca entreaberta dela.
-Sim.
[...]
Antes do amanhecer, Ciana abriu os olhos e pensou que era uma boa hora para ir embora daquele lugar. Ela olhou por cima do ombro para...
O homem sentiu uma pontada de arrependimento por tê-la deixado, mas era evidente que ela fora apenas um caso de uma noite.
Tanta galanteria só tinha um propósito.
Contudo, ela não se arrependia de nada; aquele homem valeu cada hora que ela lhe dedicara e toda a dor que suportara naquela noite. Ela sorriu ao pegar o vestido, olhou para ele por mais um instante e mordeu o lábio inferior.
-Que noite magnífica eu tive com aquele homem.
Ela tinha certeza de que jamais esqueceria aquela experiência incrível. Acariciou os próprios lábios enquanto fechava os olhos, lembrando-se do jeito como ele a beijara. Sua pele ainda carregava o perfume dele. Mas ela precisava voltar à realidade. A loira se despediu com um olhar e saiu do quarto.
-Ciana, você está atrasada de novo. ¿O que você acha que vai acontecer quando eles perceberem que você está sempre atrasada?
-Eu sei, eu sei, me desculpe. Vou tentar chegar mais cedo.
-Eu não posso cobrir seu turno o tempo todo, você sabe o que aconteceria comigo.
-Prometo que a partir de amanhã chegarei cedo a esta mesa.
Sua colega a encara, sem acreditar muito nela, mas que outra escolha ela tinha.
-Tudo bem, mas esta é a última vez. E comece a trabalhar, você tem uma pilha de documentos na sua mesa.
-Sim, vou organizar tudo isso.
Ciana começa a organizar sua mesa o mais rápido possível; ela não queria ser pega em flagrante. Ela não estava em condições de ser demitida. A jovem loira olha para cima para ver através da porta de vidro.
Ela estava tentando agilizar as coisas antes de...
-Droga, lá vem ele... -ela diz, tirando tudo de cima da mesa.
-Anda logo.
Ciana guarda todos os documentos assim que sua chefe aparece na recepção privativa que dá acesso ao seu escritório.
-Bom dia, quero que todas as ligações sejam transferidas para mim, agora mesmo.
A ruiva caminha até elas sem sequer olhar. Ambas as secretárias permanecem em silêncio, sabendo que sua chefe não estava de muito bom humor naquela manhã... assim que ela se tranca em seu escritório, as jovens começam a trabalhar.
-Ela está de mau humor. Vou preparar um café para ela, -diz Ciana, levantando-se.
Enquanto caminha em direção à máquina de café, Ciana solta um suspiro. Ela trabalhava naquela empresa há dois anos e, embora não pudesse dizer que era um inferno, sua chefe certamente era.
Mónica era a pior versão de uma mulher; estava sempre amargurada, de mau humor e tratava os funcionários terrivelmente.
Ela não conseguia entender como Dorelis a havia aguentado por tanto tempo. Ciana balança a cabeça enquanto observa a xícara de café encher lentamente. Se não fosse por Dorelis, não sei o que teria acontecido com ela.
Felizmente, sua amiga conseguiu um emprego para ela e, por coincidência, era como segunda assistente da chefe. Dorelis lhe contou que nenhuma delas ficava tempo suficiente em seus cargos; Mónica a deixava louca ponto de querer odiá-la. E ela trabalhava para aquela mulher havia dois anos e a detestava de verdade.
Com todas as afrontas que recebia diariamente, ela entendia por que todas aquelas garotas fugiam - todas, exceto Dorelis. Ciana pega sua xícara de café e volta para o escritório para ouvir o último discurso de sua chefe.
Ela vai direto para o escritório e encontra a mulher falando ao telefone de maneira exasperante.
-¿E eu disse que queria mudar de ideia? Não me importo com o que você pensa, não estou interessada no que você quer. -Ciana percebe que ela estava muito vermelha, mas coloca a xícara de café sobre a mesa e finge sair.
Mas não foi tão fácil. A mão da chefe fechou-se em torno do seu pulso, parando-a abruptamente. Ciana ficou parada ao lado dela enquanto lançava insultos a quem quer que estivesse do outro lado da linha.
A jovem loira encarou a mão da chefe, reparando nas unhas impecavelmente feitas e nas joias extravagantes e luxuosas que a fizeram questionar a riqueza da mulher.
-Menina, disparou Ciana, percebendo que tinha encerrado a chamada. - ¿Por que não tenho todas as ligações na minha mesa? Que eu saiba, você é responsável por isso.
-Fui buscar seu café. Trago as ligações imediatamente.
-Ouvi dizer que você está sempre atrasada para o escritório. É verdade? - Ciana ficou tensa.
-Estou sempre adiantada, Srta. Monica.
-Espero que esteja falando a verdade, porque se eu descobrir que você tem chegado atrasada ao trabalho, não hesitarei um segundo em demiti-la por incompetência. Agora vá atender minhas ligações.
-Imediatamente.
Ciana praticamente sai correndo do escritório. Ao fechar a porta, ela olha para sua amiga Dorelis, que imediatamente lhe entrega as folhas com todos os registros de chamadas.
-¿Ela está de muito mau humor?
-Muito mau- responde Ciana, pegando os documentos. -Acho que ela suspeita que eu tenho chegado muito atrasada. Se ela descobrir, vai me demitir.
-Você deveria tentar chegar mais cedo. Eu entendo perfeitamente, mas pelo menos tente.
A jovem acena com a cabeça e volta para aquele escritório infernal. Assim que entra, sua chefe está tomando um gole de café e imediatamente franze a testa.
-Além de ser incompetente, você nem sabe fazer um café direito -diz ela, batendo a xícara na mesa. -Me passe essas ligações e suma daqui.
De volta à sua mesa, a jovem esfrega o rosto, com vontade de jogar tudo para o alto. Aquela mulher insuportável estava a enlouquecendo.
-Tenha paciência, é tudo o que posso te dizer.
-Não entendo como você a aguentou por tanto tempo.
-Não estou reclamando do meu salário, e você também não deveria.
-Eu sou basicamente sua assistente, meu salário não chega aos pés do seu. Além disso, ela quer que eu saia desta empresa.
-Ela é assim com todo mundo. Até com o marido.
Ciana observa a melhor amiga enquanto ela digita no computador. Naquele momento, a loira não conseguia entender como aquela mulher tinha um marido. E o entendia ainda menos por aturá-la.
Quer dizer, ¿quem conseguiria suportar o mau humor daquela mulher todas as manhãs? Ela piscou e sentiu pena da vida que os ricos levavam. Com tanto dinheiro, e eram apenas pessoas amargas e infelizes.
-NÃO ME IMPORTO COM O QUE VOCÊ DIZ!" Com isso, a bruxa saiu furiosa do escritório, gritando tão alto que as secretárias pularam de seus assentos. -Não me ameace com suas bobagens, você não me assusta.
A ruiva caminhou pelo corredor até a porta de vidro, observada pelas duas garotas.