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O Melhor Amigo Do Meu Pai

O Melhor Amigo Do Meu Pai

Autor:: Lidiane Trindade
Gênero: Bilionários
Judy Di Lua era uma mulher solitária que vivia para realizar seus sonhos, e um deles estava prestes a se concretizar: morar sozinha. No entanto, tudo mudou repentinamente após seu pai sofrer um acidente e ficar dependente dela. Órfã de mãe desde bebê, Judy sempre tivera uma boa relação com o pai e faria qualquer coisa por ele. Com o tempo, Judy precisa arranjar um emprego, já que suas vendas de doces não estão mais dando lucro suficiente para viver. Ao descobrir que foi selecionada para trabalhar na empresa do melhor amigo de seu pai, Ramon, Judy vê uma oportunidade de se aproximar do amigo da família. No entanto, nem tudo são flores: Ramon é mais velho que Judy, o que pode gerar críticas, especialmente porque ele é um empresário muito renomado e cobiçado.

Capítulo 1 O Acidente

Judy

Ligação Ativa

- Alô! Tem alguém aí? - A voz estava nervosa e um barulho de sirene ao fundo me fez ficar nervosa também.

- O que está acontecendo?

- Você é a Judy?

- Sim, sou eu. Pode me dizer o que está acontecendo?

Eu já estava nervosa pelo fato de ser o número do meu pai ligando.

- Seu pai sofreu um acidente. Irão levar para o hospital Dom Silion, bom, eu achei seu número aqui e te avisei.

- Obrigada por isso. Muito obrigada mesmo.

Ligação Inativa

Nesse momento eu senti o meu corpo perder as energias. Eu estava acabando de sair de um apartamento, cujo qual estava olhando para dar entrada com uma imobiliária, mas agora tudo está confuso. E agora eu preciso ir até o hospital, preciso vê-lo.

O trânsito não estava ao meu favor, como se isso não bastasse, uma tempestade começou a cair e eu tinha medo de trovões, isso me deixava ainda mais nervosa, principalmente no trânsito. Mas, com muita calma e paciência, duas horas depois eu cheguei ao hospital e meu pai já havia sido atendido. Assinei alguns papéis e pude vê-lo apenas através do vidro, eu ainda não podia entrar na sala, não ainda.

Eu não tive escolhas a não ser ir para casa e colocar a cabeça no lugar. Chegando eu ouvi as mensagens do Ramon no telefone, era o melhor amigo do meu pai e sempre estavam juntos.

(Recado 1)

"Lúcio, está me ouvindo meu amigo? Você me certificou que hoje iríamos ao tal clube que inaugurou e que você iria me levar hoje."

(Recado 2)

"Judy, eu fiquei sabendo do que aconteceu, se precisar de alguma coisa estarei aqui. Me liga se tiver notícias."

Ulisses é meu melhor amigo, e quando soube do que havia acontecido veio o mais depressa que pôde.

- Então, como você tá? Tá tudo bem com ele?

- Disseram que não foi nada grave, mas não me deixaram entrar. Mas eu acho que foi mais grave do que eu estou pensando. - Sentei cruzando as pernas enquanto Ulisses me entregava uma xícara de café. - Obrigada.

- Judy, precisa ser forte agora e você sabe, pode contar comigo para o que precisar.

- Eu sei que posso, não sabe o quanto me sinto aliviada por isso. Obrigada por estar comigo em todos os momentos da minha vida. Você é o melhor amigo que alguém poderia ter.

- Eu sei disso, Di Lua. - Ele sempre me chamava assim quando me sentia triste, eu amava meu nome, porque foi minha mãe que escolheu.

- Agora eu vou precisar de uma pessoa pra ficar no meu lugar, por enquanto não vou poder ir vender nada. A quitanda vai precisar de uma pessoa pra ficar lá.

- Eu tomo conta, não vai quebrar a cabeça com isso agora colando sua vida nas mãos de qualquer pessoa.

- Mas, Ulisses, eu não quero atrapalhar você. - Ele estava fazendo faculdade de direito e isso demandava muito do seu tempo, sem dúvidas eu não queria tornar isso um fardo para ele, que já era tão ocupado.

- Isso eu tiro de letra, vai ser até bom, assim eu estudo com mais calma. Além disso, eu adoro aquele lugar, principalmente porque é seu e eu zelo por isso.

Falamos sobre negócios, confusões que aconteceram recentemente no relacionamento da irmã de Ulisses e por fim, sobre homens e como eles eram complicados, pelo fato do namorado de Ulisses não tomar uma atitude sobre nada e o deixar magoado e pensativo sobre suas escolhas já feitas e sem voltas, porque mesmo com o término, nada será esquecido.

Ramon

Eu estava no aeroporto quando recebi a notícia de que meu amigo havia sofrido um acidente, deixei tudo para trás e fui até o hospital, mas não pude vê-lo. Deixei um recado e creio que Judy já escutou, mas não retornou nem mesmo para me dizer que estava tudo bem, com o coração apertado e cansado de passar o dia estando notícias, eu resolvi ir até ela.

- Boa noite, Judy. Eu vim sabe como você está! - Falava sozinha enquanto estava o sinal abrir no meio do congestionamento. Mas, eu estaria sendo invasivo demais na vida dela? Nós mal nos falamos, eu não tenho a menor intimidade com ela e isso vai ser no mínimo estranho.

Tentei não pensar no que dizer, eu estava nervoso com o que poderia ouvir sobre meu amigo, sempre fomos como um irmão um para o outro e isso mexeu muito comigo. Ao chegar em frente a casa, notei que as luzes estavam apagadas, mas a porta estava aberta. Quando me aproximei do portão, Safira começou a latir e a pular, então Judy saiu mandando-a calar a boca e notando a minha presença.

- Eu deixei um recado, mas não obtive respostas, então...

- Ah, claro. Pode entrar, desculpe eu acabei esquecendo de responder. - Sua bochecha estava rosada por causa do frio, ou do choro, não sei.

Ela estava acompanhada de Ulisses, que também era amigo da minha filha e era um anos pessoa. Judy estava usando um vestido curto e com os cabelos bagunçados, enquanto tinha uma vassoura em suas mãos e Ulisses lavando a louça.

- Tem notícias de Lúcio, eu estou preocupado com ele e não me deixaram entrar.

- É... também não me deixaram ver ele, só disseram que ele iria ficar bem, mas não sei. - Em sua voz tinha tristeza e desconfiança. - Espero que estejam falando a verdade, eu não consigo nem pensar no pior.

- Pensamentos positivos atrai energias positivas. Então, eu vou nessa, já que está tudo bem! Se tiver notícias dele me avise, por favor. Lúcio sempre foi como um irmão para mim.

Eu queria perguntar se ela também estava bem, mas com Ulisses ali eu não tive muito o que falar, apenas me despedir e fui embora. Judy sempre foi uma mulher esforçada, sempre correu atrás dos seus sonhos. Lembro com clareza de quando ela perdeu sua mãe e o quanto meu amigo sofreu com isso, mas já fazem oito anos e ela parece estar bem em relação a isso, o problema sou eu, que sempre que a vejo sinto um arroio tomar meu corpo e uma falta de ar. Ela consegue mexer comigo e nem faz ideia do quanto isso me deixa confuso.

Vivian

Meu pai e Lúcio sempre foram melhores amigos e era nítido que ele estava sofrendo agora, mas eu também estava preocupada com Judy, afinal somos amigas desde o colegial, mas como tomamos decisões diferentes, eu estava agora voltando para casa do meu pai passar as férias e acho que isso será bom para mim também. Dessa vez eu estou levando Helena comigo, ela é uma amiga que conheci na faculdade, um pouco mais velha que eu e pensei na possibilidade dela e meu pai se conhecerem, acho que os dois dariam um belo casal, afinal, Helena é uma bela mulher e está a sua altura.

- Estou ansiosa para conhecer sua cidade, nunca havia saído de Londres para nenhum lugar, essa também será a minha primeira vez. - Helena estava tão ansiosa quanto eu.

- Não tem nada de especial isso, afinal, é só férias mesmo!

- Como não, Vivian? Você me falou tanto sobre seu pai que eu estou mais ansiosa para conhecê-lo do que para conhecer a cidade. - Helena era uma solteirona que só pensava em estudar e fazer coleções de carrinhos da Hot Wheels, ela tem um gosto peculiar para muitas coisas.

- Não vai na esperança achando que ele é grandes coisas, porque não é, além disso não esqueça que ele é meu pai! - Eu tinha um pouco de ciúmes do meu pai? Sim, claro que eu tinha, mas sabia que ele precisava ser livre e quando ele nos adotou (eu e Andrew), foi difícil conseguir colocar na cabeça que ele não vivia apenas para nós dois.

- Eu sei disso, mas não podemos ser amigos? Afinal, nós somos amigas, ou não somos?

- Para de falar besteiras, Helena. É claro que somos.

Ramon adotou a gente quando tínhamos cinco meses, desde então ele é o nosso pai e nosso herói. Nunca tive vontade de conhecer a minha mãe, embora Andrew ainda tenha algumas lembranças dela, porque ele é sete anos mais velho que eu. Sim, eu sou apenas uma jovem mimada por um pai e um irmão maravilhoso, Ramon já foi casado, mas isso não durou muito tempo, ela estava o traindo e pelo que eu me lembro, já faz mais de quatro anos que ele não nos apresenta ninguém, e eu fico triste por ele.

Judy

Não consegui dormir, diferente de Ulisses que roncava ao meu lado. Eu estava pensativa demais, jamais imaginei que isso poderia acontecer com o meu pai. Antes de sair eu deixei um bilhete pregado na geladeira, avisando que eu tinha ido comprar pão.

Na padaria eu encontrei Vivian, ela estava linda e me admiro em vê-la tão cedo, normalmente ela dorme até às 12hrs.

- Caramba se não é a Di Lua. Caraca, você mudou demais e eu sinto muito por tudo que está acontecendo, mas sabe que pode contar comigo. - Ela me deu um abraço e me apresentou uma tal de Helena, não consegui simpatizar com a mesma, ela tinha uma áurea ruim.

Capítulo 2 Duas Semanas Depois

Judy

Duas semanas já se passaram e eu não tenho encontrado tempo para quase nada. Meu pai iria precisar fazer fisioterapia e isso é caro, só as vendas que eu fazia na quitanda não daria nem para metade dos gastos que será daqui para frente. Ulisses fez um currículo legal pra mim, já que não estava tendo tempo para isso. Enviamos alguns por e-mail, mas algumas lojas não tinham isso, então hoje aproveitei o horário de almoço para fazer isso. Passei na quitanda e lá estava Ulisses, conversando com as clientes como se estivesse muito empolgado com aquilo.

- Olá, boa tarde a todos, espero que eu não esteja atrapalhando.

- Imagina, Judy. Estávamos falando sobre como você é maravilhosa e como estamos torcendo pela recuperação do seu pai. - Dizia uma das clientes fixas, todos os dias ela comprava o mesmo sabor de geleia e cinco pães de batata, sempre no mesmo horário.

- Vocês que são maravilhosas! Obrigada pelo apoio. Ulisses, posso falar com você rapidinho? Com licença. - Sorri gentilmente para minhas clientes e sair.

- Está com uma cara péssima, não vai me dar notícias ruins, por tudo que há de mais sagrado.

- Não é isso, Ulisses. Será que eu vou dar conta de tanta coisa? Eu nunca pensei em estar em uma situação dessas e olha só agora, eu estou acabada e morrendo de sono. Não que eu esteja reclamando por estar cuidando do meu pai, mas eu não fazia ideia do quão exaustivo isso é.

Eu só queria dormir uma noite inteira, era só isso. As pessoas dizem que isso depois melhora, quando ele for para casa as coisas vão melhorar, mas eu já estou cansada e não suporto mais ouvir a voz irritante daquela médica entrando na sala fazendo alarde, me deixando nervosa e pensando no pior.

- As coisas vão melhorar, você vai ver só. Por que não aceita que Ramon vá dormir uma noite com ele? Afinal de contas, eram melhores amigos e não vejo nada demais nisso. Você aproveita e descansa um pouco.

Eu não queria incomodar Ramon com isso, embora fossem amigos há muitos anos, nunca tivemos intimidade e eu só recusava quando ele se oferecia, mas eu estava realmente precisando de um descanso então, não tinha muitas escolhas, além disso precisava arranjar um emprego o quanto antes.

Ulisses estava me fazendo pensar que ele trancou a faculdade, mas eu queria tocar nesse assunto quando tivemos tempo para conversar, vejo em seus olhos que ele não está bem.

- Eu vou fazer isso, agora preciso ir resolver mais algumas coisas antes de voltar para o hospital. - Me despedi e fui entregar alguns currículos em algumas lojas que ficavam um pouco longe de casa.

(...)

Meu pai estava abrindo os olhos aos poucos, ele ainda estava muito sonolento e mal conseguia ficar acordado, o que me deixava ainda mais preocupada.

- Pai, eu estou aqui. - Segurei sua mão e o vi sorrir. Seus dedos mexeram e seus olhos abriram.

- Minha Di Lua. - Ele levou minha mão até a boca e depositou um beijo na mesma. - Senti a sua falta, minha menina.

- Eu também senti a sua falta, Lucin Delu (era assim que eu o chamava, desde criança).

Ele não parecia lúcido, pois o Lucin Delu que eu conheço não ficaria deitado após perceber que estava em um hospital. Chamei o médico e tive a pior das notícias que eu poderia ter, meu pai não sentia seu corpo, e segundo os médicos não sabem como ele levanta ou o braço, porque no momento em que eu sair da sala, ele adormeceu novamente.

Cheguei em casa e me deparei com uma bagunça terrível, pensei em ir tomar banho, mas antes eu decidi tomar coragem e ligar para Ramon, precisava de uma resposta positiva.

Ramon

Meu celular começou a vibrar sem parar enquanto eu estava em uma reunião importante com alguns sócios. Minha filha desde que voltou também não parava de me enviar mensagens, como se eu fosse seu ouvinte particular, mas a verdade é que eu não fui nada com a cara da tal Helena, ela era introvertida demais e isso me irritava de uma forma absurda.

Ao entrar no carro tive coragem de tirar o celular do terno e quando olhei tive uma surpresa, pois não era minha filha ligando, era Judy e eu estava ansioso por isso. Retornei a ligação antes de pegar a estrada e sua voz doce as fez presente novamente em meus pensamentos mesmo antes da mesma atender.

Ligação Ativa

- Me desculpe, eu não tinha visto sua ligação. Era algo importante?

- Oi, Ramon. Não era de muito importante, mas já que você perguntou, eu queria saber se ainda está disposto a passar a noite no hospital com meu pai. Eu pensei e achei que poderia, mas se não der não tem problemas.

Sua voz estava ofegante e ela estava nervosa pelo pouco que conheço Judy.

- Claro que eu posso, só me fala o dia.

- É que eu pensei que poderia ser agora? Eu sei que estou sendo chata, mas se não der pode dizer, tá tudo bem.

- Ok. Precisa de mais alguma coisa? - Perguntei e escutei ela gaguejar do outro lado, gaguejou mais um pouco e voltou a falar.

- Então tá dizendo que isso pra você não tem problemas?

- Claro que não, por que achou que teria? - Perguntei me divertindo com a sua timidez.

Ligação Inativa

Judy desligou na minha cara e depois me mandou uma mensagem pedindo desculpa, mas tudo isso pelo celular de Lúcio.

- Achei que não iria voltar mais hoje. Eu estava falando pra Helena o quanto o senhor é um homem foda. - Vivian sabia que eu odiava essas frases da nova geração, eu detestava mais ainda quando ela falava isso perto de alguém. - Desculpa pai, eu esqueci. Bom, estava dizendo a Helena o quanto o senhor é um cara legal, pensei em sair para jantar nós três hoje à noite.

- Hoje não posso, filha. Tenho um compromisso de extrema importância hoje a noite. Andrew está disponível, por que não chama ele? Tenho certeza que ele vai gostar.

- Fala sério, pai. A gente esperou esse tempo inteiro por isso, na próxima semana já estaremos indo embora e o senhor não saiu com a gente em nenhum momento, o que houve, não me ama mais? - Seu biquinho era sempre convincente, mas não estava sendo agora.

- Ainda teremos tempo pra isso, mas hoje realmente não vai dar. Com licença meninas e me desculpem. - Helena me olhava de cima abaixo sem disfarçar e eu via quando seus olhos paravam bem focados no meu pau, isso me deixava constrangido e eu me sentia desconfortável.

Com o pouco tempo que eu tinha, tomei um banho rápido e antes de ir até o hospital, fui até a casa dela. Eu preciso saber como ela também estava, pois Lúcio sempre a cuidou bem, longe de mim querer ser seu pai, jamais pensei em tal coisa.

- Ramon! - Ao me ver percebi que suas bochechas ficaram cortadas e ela tentou cobrir seus seios com o braço. - Entra, por favor, mas não olha a bagunça.

- Eu não quero incomodar, te mandei mensagem, ou melhor, mandei mensagem no celular do seu pai e você não respondeu então, eu vim até aqui me certificar que está tudo bem.

- Claro que sim. É... eu estou bem. Desculpa, não posso te oferecer nada no momento, mas se quiser uma água eu...

- Não precisa se preocupar, eu tô legal. Bom, estou indo nessa e se precisar de mim, sabe como me encontrar. Ah, Vivian disse que viria aqui amanhã.

- Vivian! É claro. - Ela estava nervosa ao me ver e eu estranhei aquilo, poderia ser pelo motivo dela estar vestida apenas com uma camisola de seda deixando expostas todas as suas curvas?

- Tchau, Judy. Lhe dou notícias se houver alguma. - Ela acenou rápido e entrou batendo a porta com força.

Lúcio estava pálido, nem aprecia o mesmo que eu conhecia há anos. Em seu rosto tinha cicatrizes que não irão sumir nem mesmo como tempo, eram profundas e mesmo suturadas, era possível ver que elas causaram um grande estrago. Lúcio estava detonado. Os médicos me disseram que ele não tinha muitas chances de andar novamente, mas que mesmo assim precisava de bastante auxílio da fisioterapia se quisesse mexer algumas partes do seu corpo, bom, ele pelo manos ainda estava falando e a tarde que disse ao me ver me deixou feliz, por sabe que ali ainda estava o meu amigo e que sua mente ficou intacta.

- E aí, seu filho da puta. - Sorri deixando uma cair, me aproximando dele. - Achou que eu tinha morrido?

- Nem me passou isso pela cabeça, ou eu não estaria aqui agora. Você parece que tá legal, ainda está intacto e isso é bom.

Lúcio estava tentando se manter forte, mas eu eu o quão difícil deve ser estar deitado em uma cama de hospital sem poder levantar quando quer.

- Eu fiquei com medo de perder o meu irmão. - Disse vendo seu semblante entristecer.

- Eu fiquei com medo de deixar minha filha sozinha nesse mundo tão louco. Você tem falado com ela? - Judy, esse era o meu ponto fraco desde hoje.

- Falei com ela algumas vezes, mas como você sabe, ela mal fala comigo.

- É ótimo. Não quero que pense em ter alguma coisa com ela, seu filho que tem idade pra isso.

- O que te deu agora para ter esse pensamento merda? Sabe que eu nunca olhei pra sua filha, sempre a respeitei e eu só quero que ela saiba que não está sozinha. Mas, pode ficar tranquilo que com ela Vivian se dá bem, e meu filho já está em outra. - Eu me expliquei demais pra quem não tem pretensão alguma de alguma coisa? - Mas então, como você foi perder o controle?

- Estava chovendo, a pista estava escorregadia e quando fui entrar em uma rotatória, o carro que estava ao meu lado não esperou que eu passasse, colocou o carro em cima do meu e eu perdi o controle, capotei e por milagre ninguém além de mim se feriu.

- Esses filhos da mãe estão cada vez mais audaciosos. - Suspirei indignado e convicto que isso não iria ficar assim.

- Mas o que importa é que não morri. Me diz, quem ganhou a luta daquele sexta? - Era incrível como Lúcio estava lúcido e isso era um milagre acontecer, porque a maioria dos acidentes de carro quando não mata deixa sequelas terríveis. - Você foi no clube que eu disse que iríamos juntos? Tinha muita mulher bonita lá e nós poderíamos ter aproveitado muito aquele dia.

- Quem ganhou foi o time dos contras e eu não fui ao tal clube. Acho que não teria lógica eu ir sem você, qual graça teria?

- É... agora você vai ter que fazer muitas coisas sem mim. Eu estou com o corpo morto, Ramon. Apenas a minha mente funciona, ou seja, quase não adianta de nada. O que me preocupa mesmo é Judy, não vou poder abraçá-la como antes e isso está me deixando ferrado por dentro.

- Se há vida, há esperança. Essa era a frase que você me dizia sempre quando eu pensava em desistir de tudo achando que não daria conta e hoje eu quem vou repetir isso pra você. Além disso, estarei sempre aqui, ao seu lado, independente de qualquer coisa que houver.

No tempo em que estávamos conversando, o médico veio ao menos três vezes para certificar que estava tudo bem. Uma enfermidade gata veio aplicar algumas injeções nele dando intervalos de 30 minutos em cada aplicação. Lúcio era forte e eu tenho certeza que ele vai sair dessa pra melhor, assim como estarei ao lado de Judy caso ela precise de alguma coisa.

Quando Lúcio dormiu eu aproveitei para fazer o mesmo, pois meu corpo estava exausto e eu precisava ficar inteiro até amanhã. Prometo que levaria Vivian para conhecer a minha nova empresa e se eu não a levasse amanhã, era provável que ela não falaria comigo até o dia de ir embora, não tenho como negar, ela tem a minha personalidade em quase tudo, surreal.

Capítulo 3 Não Seja Um Idiota

Andrew

Ultimamente as coisas não estavam indo tão bem assim. Eu precisava tomar um jeito na minha vida antes que fosse tarde demais e isso envolvia Judy. Desde que disse a ela o que sentia por ela, que ela não me procura mais, sempre usa a mesma desculpa: seu pai e o meu são como irmãos, deveríamos ser assim também. E eu não conseguia aceitar isso, meu pai me mataria se soubesse disso, mas eu não mando nos meus sentimentos e por isso estava determinado em ir conversar com ela após sair do trabalho, mas como sempre, ela estava ocupada demais para me dar o mínimo de atenção.

- Judy, será que a gente pode conversar? Eu juro que vai ser rápido, é só que...

- Andrew, por favor, não me diga que vai continuar dizendo que está apaixonado por mim? Isso nem faz o seu tipo, está claro que deve ser algum tipo de piada comigo.

É difícil alguém acreditar nos seus sentindo baseado na má fama que você tem pela cidade? Sim, muito possível.

- Judy, eu não estou mentindo. Eu estou apaixonado você, ou melhor, eu sempre fui apaixonado por você e só você nunca percebeu isso.

- Qual é cara, a gente sempre foi como irmãos, sempre saímos juntos e não vai ser agora que eu vou cair nesse seu Paulinho furado aí. Agora anda, diz logo o que veio fazer aqui?

- Se é tão difícil acreditar em mim, não tenho mais nada a dizer. Espero que seu pai tenha uma boa recuperação. - Antes que eu pudesse entrar no carro, ela me chamou a atenção e eu sorri internamente.

- Me desculpa por isso, eu não quis ser grosseira. Mas, acho que não vai dar em nada isso, porque eu te vejo como um irmão mais velho e Vivian como uma irmã mais nova, então...

- Então a gente vai passar na sua casa e te levar para ir jantar hoje à noite e... eu não aceito um não como resposta.

- Eu não posso confirmar nada, mas se me ligar antes para me deixar alerta eu vou te agradecer e lembre-se: somos como se fôssemos irmãos.

- O bom de tudo isso é que não somos nada nisso. - Me despedi lhe dando um abraço, em seguida fui rumo a uma boate que ficava bem longe de todos que me conheciam. Eu precisava de diversão, e já que Judy não queria me dar isso, eu tive que buscar sozinho.

Judy

Após voltar da Quitanda, vi que tinha alguns emails e duas ligações perdidas. Fiquei esperançosa que poderia ser alguma empresa ligando, mas ao abrir os e-mails, notei que era apenas cobrança de cartão de crédito e isso me deixou mais para baixo do que eu já estava. Estava quase pegando no sono enquanto esperava dar a hora da visita do meu pai, quando despertei com o barulho do meu celular tocando. As pessoas me olhavam como se estivessem me julgando, mas eu apenas levantei e fui atender bem longe de todos.

Ligação Ativa

- Boa tarde Srta. Di Lua, poderia estar vindo para uma entrevista na Lancer hoje às 17hrs? - Eu não estava acreditando, minha boca fazia um O enquanto eu procurava voz para responder.

- É claro que eu posso. Pode deixar que eu vou aí sim. Muito obrigada por ligar, tenha uma boa tarde.

Ligação Inativa

Eu estava explodindo de felicidade mesmo sabendo que nada era certo ainda, mas eu precisava ter fé que eu sairia bem e essa vaga seria minha.

- Lucin Delu, eu senti a sua falta essa noite sem você. - Dizia segurando a sua mão.

- Di Lua, não quero que fique deixando suas coisas de lado para ficar vindo aqui todos dias, eu estou bem e você sabe disso. Não vou fugir filha.

- Pai... eu não vou sair e deixar o senhor aqui sozinho e eu estou me virando muito bem lá fora, saiba disso.

Suspirei quando a enfermeira entrou carregando uma bandeja com algumas agulhas e curativos e eu era para essas coisas, não conseguia ver sangue e não ficar nervosa, por isso aproveitei pra ir dizer a Ulisses sobre a ligação, mas o mesmo estava chorando.

- Ei, pode me dizer que caos é esse aqui na minha frente? - Como não havia nenhum cliente eu puxei a porta, deixando quase toda fechada. - Se acalma e me diz o que está acontecendo, vai. - Entreguei a ele um copo com água e açúcar, era nítido sua vulnerabilidade e isso em Ulisses não era algo normal.

- Minha mãe descobriu tudo. O Maikon acabou de sair de lá e disse tudo sobre mim. - Bem, os pais de Ulisses eram cabeça dura e preconceituosos, não sabiam que Ulisses era gay e por isso ele também saiu de casa, para que não descobrissem tão cedo, mas parece que o babaca do Maikon fez esse favor a ele. - Eu estou sem chão, Ju.

- Ôh meu amor, essas coisas acontecem e você não iria deixar de ser quem é por causa deles, ou iria?

- Claro que não, isso não entra nem mesmo em cogitação.

- Então, pense pelo lado positivo. Você está dando o que é seu e não o que é deles, mas infelizmente, é incrível como o outro se incomoda com alguma atitude do próximo. Veja isso como um avanço, Maikon só adiou as coisas, agora você não precisa mais mentir ou apresentar namoradas falsas. O que você tem que fazer é se acalmar e eles aceitarem.

- Mas, Judy, eu não sei o que dizer a eles depois de hoje. Não sei como vou olhar na cara deles, mas isso é complicado.

- Não há o que se explicar, Ulisses. Você vai dizer o quê? "Mãe vi um pau, sentei e gostei" ah, por favor! Vocês são adultos e não há o que se explicar, você foi escolhido para ter o desprazer de gostar de homem é não pode mudar isso, apenas aceite e vamos pensar em uma forma de agradecer Maikon. - Enxuguei suas lágrimas enquanto ele sorria fraco.

- Eu não sei o que seria de mim sem seus preciosos conselhos, sabia?

- Claro que eu sei disso. Não é em qualquer esquina que se entra uma Di Lua meu querido. - Disse virando e deixando meu cabelo bater em seu ombro. - Ah, quase esqueci de dizer que a Lancer me ligou dizendo que eu tenho uma entrevistas para hoje. Talvez o curso de contabilidade me ajude nessa, espero que consiga alguma coisa hoje.

- Sem dúvidas você vai sim. Mas, mudando de assunto, não acha que Ramon está estranho demais esses dias? - Ramon despertava uma certa curiosidade, coisa que seu filho nem me fazia pensar, ele me fazia apenas olhando para ele, mas é claro que ninguém precisava saber disso, seria um tanto constrangedor.

- Isso deve ser coisa da sua cabeça. Sabe muito bem que ele e meu pai sempre foram amigos, acho que ele só está ao lado do meu pai agora e me ajudando nisso.

- Hum... não acho que seja somente isso. Pelo seu andar e seus movimentos você ficou nervosa quando eu citei o nome dele, essa nem é a primeira vez que isso acontece. Não adianta mentir para mim, você sabe que eu conheço bem.

- Ulisses... - Minha cara entregava o que Ulisses estava pensando, e se eu já tivesse imagino visto Ramon sem roupa, o que teria demais nisso? - Tá bom, eu acho ele um gato, mas não passa disso. Além do mais, o cara é cheio de grana e cheio de mulher aos seus pés. Mas em compensação, Andrew agora inventou que está apaixonado, deve ser loucura achar aquele cara louco?

- Louco é pouco. Quero saber o tipo de droga que ele usa para chegar a conclusões tão medíocres.

Faltava alguns minutos para às 16:30 e eu tinha que correr, ou ficaria enfiada no trânsito até acontecer um milagre. Aproveitei para fugir do assunto e fui até a tal entrevista, eu precisava me sair bem, precisava que tudo desse certinho eu estaria completamente ferrada.

O prédio espelhado refletia cada passo que eu dava, como eu estava de vestido, achei uma sacanagem até o piso ser de vidro também, estava deixando toda minha calcinha a mostrar e eu tive que andar fechando as pernas, ideia de merda de quem projetou isso aqui.

- Boa tarde, eu tenho uma entrevista marcada para às 17hrs. - A senhora confirmou meu nome na prancheta e me olhou séria.

- Está cinco minutos atrasada. Quando voltar a este lugar, venha prevenida, esse piso é uma palhaçada.

- Tenho que concordar com a senhora. Desculpe meu atraso, não irá acontecer novamente. - A senhora era enjoada e a mulher que me entrevistou era arrogante, em alguns momentos eu quis sair dali e ir embora, mas o tempo estava passando e eu me ferrando.

- Muito bem Srta. Se tudo der certo entraremos em contato com você. Tenha um ótimo final de semana. - Sair de lá sem muita esperança, encontrei Ulisses e de lá fomos para casa, eu não estava com ânimo para ir até o hospital e mais uma vez Ramon estava lá, como sempre muito prestativo.

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