Dois anos antes...
Eu sou a Harley D'Laurent a caçula dentre três irmãs, Hannah é a do meio e temos Helena nossa irmã mais velha. Helena acabou de completar seus preciosos 19 anos, tem os cabelos escuros e ondulados, Lena é como a chamamos em casa, bem... eu, Hannah e o seu melhor amigo que a chamamos assim. Ela é bem mais alta de nós três apesar que pela a idade não passou muito do tamanho da nossa mãe, Lena vive pra cima e para baixo com nosso vizinho e seu melhor amigo Neitan Scott. Neitan e Helena se tornaram grande amigos desde que me entendo por gente então para vocês terem noção faz um tempão. Aqui em casa todos dizem que eles logo assumiria um relacionamento por nunca se desgrudarem, o que eles negavam e dizia que ali era só amizade mesmo. Os dois tem uma amizade que não entendo, o garoto é até legal, mas vive enchendo o meu saco, diz que sou a mais esquentadinha de todas, tem os cabelos curtos mas não tão baixo, quando penteia fica um charme nele, ele é um pouco mais alto que Helena, olhos claros e um sorriso lindo, mas já chego nele.
Hannah é a do meio tem 17 anos e como diz a nossa mãe é uma adolescente com muito hormônio há flor da pele que vive irritada com todos e deixando nossos pais de cabelos em pé, vive arrumando briga no colégio e agora inventou de namorar um cara chato e popular, Hannah se parece muito com Helena, cabelos escuro e longo, na verdade todas nós temos o cabelos assim puxamos a mamãe. Hannah é um pouco mais baixa que Lena, porém mas magra. E por fim, tem eu que estou prestes a completar meus 16 anos, sou a mimadinha dos meus pais, porque sempre fui mais na minha e nunca dei trabalho algum, Helena também não dava somente Hannah. Sou magra mas apesar da minha idade minhas irmã dizem que eu já tenho um corpo de uma adolescente preste a completar 18 anos, só meu rosto que não engana muito. A diferença dos meus cabelos é que uso uma franja desde os meus 13 anos e nunca mais mudei de visual e é a minha marca, pelo menos é como todos na escola me conhece "A Harley de franja?" era assim que alguém se referia a mim. Eu sei que sou bonita e que chamo bastante atenção, menos do garoto que mais queria que me notasse. Ele só serve para me irritar.
Neitan.
Neitan tem a mesma idade de Helena mas muito diferente dela. Minha irmã é cabeça e mal sai de casa já Neitan é o oposto e vive em festas e baladas, acho que já o vi com tantas garotas que perdi a noção. Desde que eu comecei a ler uns livros eu comecei a olhar diferente pra ele, mas ele nunca me notou apesar de sermos apenas três anos de diferença. Eu disfarço bem isso que ando sentindo por ele mas sempre me irrito quando o vejo com alguma garota e uma hora esse ciúmes doentio vai me entregar, estou até vendo o momento e só de pensar nisso gelo. Mas jamais me humilharia lhe contando o quanto eu sou apaixonada por ele.
Neitan morava com a mãe ao lado da nossa e eu sempre o observava enquanto conversava com minha irmã, eu amava quando ele passava as tarde conosco e terminávamos assistindo filme, mas no final ele sempre saía e voltava tarde da noite. Como eu sabia disso? Eu sempre esperava ele chegar, muitas das vezes ele voltava com alguma garota que saia antes mesmo da sua mãe acordar. Passei odiar todas as meninas que andava com ele, sem nem ao menos conhecer. Estava ficando doente de ciúmes e isso me fazia mal.
Minha vida muda drasticamente quando o telefone de casa toca tarde da noite, justo numa noite que não tinha ninguém em casa além de mim e Hannah. Meus pais viajaram de férias de aniversário de casamento, Helena saiu com Neitan depois dele tanto insistir, Hannah está enfiada no quarto provavelmente conversando com o idiota do namorado e eu vendo alguns vídeos do YouTube no celular. Pauso o vídeo o vou até o telefone, porque ninguém nunca ligava tarde da noite, e se tinha alguém ligando podia ser alguma urgência. Foi o que sempre mamãe ensinou.
- Casa dos D'Laurent – atendo falando nosso sobrenome como minha nos orientou.
- Gostaria de falar com algum responsável da casa – ouço a voz de uma mulher do outro lado da linha e eu não podia dizer que estava sozinha enquanto a minha irmã mas velha se divertia com seu melhor amigo e minha paixonite.
- Do que se trata? – pergunto curiosa e pensando o que fazer.
- Sou a Policial Marta, preciso falar com alguém responsável pela casa – merda! Será que Helena se meteu em alguma confusão? Penso rápido.
- Só um momento – corro e pego um pano na cozinha para mudar a voz e volto a falar no telefone – Pois não? – tento engrossar a voz e se passar pelo meu pai.
- Senhor eu sou a policial Marta e infelizmente encontrei esse contato de emergência no telefone em uma das vítimas do acidente.. – congelo. Vítimas? Acidente? – Houve um acidente na rodovia interestadual e infelizmente as duas pessoas que estavam no carro vieram a óbito, preciso que alguém venha reconhece os corpos – não consigo dizer mas nada e só penso na minha irmã e em Neitan, até que a porta se abri revelando os dois entrarem rindo. Fico paralisada olhando eles.
- Harley que cara é essa? – minha irmã pergunta assim que nota minha reação e minha ficha cai. Meus pais. Óbitos. Só o que penso.
- Alô? – escuro – tem alguém aí?
- Harley o que foi? – Lena pergunta enquanto se aproxima de mim e pega o telefone – Alô – minha irmã fala e sigo em choque com medo do que pode vim pela frente – que corpos? – Ouço a voz da minha irmã e em seguida o choro dela – Aí meu Deus, não pode ser – ela fala em um tom mais alto – estou indo para aí - diz e desliga. Seu olhar encontra o meu e ela me abraça – Vai ficar tudo bem.
- Estão estão mortos Helena? – pergunto ainda sem querer acreditar.
- Quem está morto? – ouço a voz de Neitan já se preocupando.
- Eu pensei que fosse vocês, por isso me passei pelo papai, mas você entraram então só pode ser eles Helena – sinto as lágrimas caindo.
- Vai ser só um engano pequena – Helena diz chorando – eles vão está bem e vai voltar pra casa.
- O que está acontecendo? – ouvimos Hannah descer as escadas – Porque vocês estão chorando? – pergunta olhando para nós duas abraçadas.
- Eles estão mortos – Caio no chão chorando forte.
- Quem? – ouço a voz novamente de Hannah.
- Não sabemos ainda – Helena diz.
- A policial disse que infelizmente ele vieram a óbito, sabemos o que isso significa.
- Que porra está acontecendo? – Neitan grita.
- Nossos pais morreram – grito e escuto Hannah grita.
Eu caio em uma profunda tristeza em imaginar a minha vida sem a minha mãe e sem o meu pai, eles eram tudo pra mim, eu o amava mais que tudo nessa vida. Helena fala alguma coisa mas não presto muita atenção e sei que ela me deixa junto com Hannah para ir reconhecer se é ou não nosso pais. Neitan foi com ela pois Helena também estava bastante nervosa e não conseguiria dirigir.
Não sei quanto tempo se passa, minha cabeça dói de tanto chorar e vejo os primeiros raios de luz pontar dentro da sala de estar e nada da minha irmã voltar, quando vejo Neitan entrar com a feição cansada e triste em seu olhar eu já entendo tudo. Seus olhos encontram com os meus e ele balança a cabeça em negativa.
- Eu sinto muito pequena – ouço e é mais forte do que eu , caio de joelhos sobre o tapete da sala e choro.
- Não pode ser – Hannah vem até mim e me abraça chorando junto comigo – Porque Deus? Porque você os tirou eles de mim? – questiono o pai de todos.
- Ele sabe das coisas Harley – Neitan tenta me acalma.
- Não precisava ser tão cruel – coloco minha cabeça no chão e sinto os braços gelado da noite de Neitan me abraçar.
- Você sempre foi a mais forte de todas Harley – acaricia meus cabelos – Vocês precisam ser unidas agora.
- Onde está Helena? – ouço Hannah perguntar.
- Ela precisou se levada ao hospital, ficou muito nervosa ao reconhece os pais de vocês.
- Porque não me levou junto com eles? – ergo meu olhar pra cima, questionando as decisão do todo poderoso.
- Tenha calma Harley – só escuto isso de Neitan.
Despedi de alguém que vai morar em outro estado, já é difícil, mas se despedir de alguém que você nunca mais vai ver e ainda sendo seus pais é mil vezes pior. E estava sendo assim aqui de frente para os caixões dos meus pais. Helena preferiu que fosse lacrados pois queria manter em nossas memórias como eles eram em vida, alegres, brincalhões, ela não queria que tivéssemos essa lembrança horrível deles dentro de um caixão.
Estamos as três em frente ao caixão deles, minha cabeça doía há dois dias pelos fato do choro e Hannah tenta me consolar da melhor maneira possível, vejo Neitan abraçar Helena e dizer palavras de conforto assim como fez comigo há dois dias atrás. Eu já não consigo mais derramar uma lágrima e ver alguns familiares chorando e dizendo o quanto eles eram bons me deixa ainda mais triste. Porque nunca mais vou ver o sorriso encantador da minha mãe e ter o abraço acolhedor do meu pai.
Me sinto sufocada e saio dos braços da minha irmã indo em direção a saída da sala onde está sendo o sepultamento. Eu não tenho mais lágrimas para deixar cair e fico brava comigo mesma por isso. Chuto algumas pedras que vejo pela frente e olhos novamente para o céu que começa a se fechar por causa de uma chuva que deve está vindo em breve.
Sinto uma mão em meu ombro e abaixo a vista vendo Neitan parado do meu lado com a outra mão no bolso.
- Eu não consigo.. – digo.
- Ninguém precisa ser forte o tempo todo Harley – ele diz e abaixo as vistas.
- Não tenho mais lágrimas para chorar e estou brava por isso – confesso – estou seca por dentro Neitan, só sinto dor aqui dentro – levo a mão ao peito.
- Faz parte do luto – sinto ainda sua mão quente em meu ombro. Neitan usa uma calça preta junto com uma camisa de manga escura também.
Ele me puxa para um abraço e sinto seus braços quentes em volta de mim, que sou tão pequena neles. Ouço seu coração bater devagar e uma leve carícia em meus cabelos.
- Vai ficar tudo bem – ouço sua voz acima da minha cabeça.
- Um dia essa dor vai passar Neitan? – pergunto e ergo a vista pra olhar para ele.
- Acredito que não. Mas vai amenizar em algum momento da sua vida – Neitan perdeu o pai novo também. Ele foi morto em um assalto numa loja de conveniência, hoje Neitan vive junto com a mãe e o namorado que estão prestes a se casar.
- Obrigado por estar com a gente – agradeço.
- Vocês são as minhas irmãs de outra mãe Harley, sempre estarei aqui – apesar da dor que já sinto, contestar que não passo disso para ele me dói ainda mais e por isso me afasto dos seus braços.
- Preciso voltar – digo e ele assente.
- Eu te acompanho – concordo e adentramos a sala juntos.
Vejo quando Helena percebe minha aproximação e me abraça. Ficamos ali por mais algumas horas, vizinhos, amigos e parentes que passaram para nos dar a condolência e a hora mais difícil de todas se aproximou, onde diríamos adeus e sinto a dor que está dentro de me querer me esmagar como se eu fosse um mosquito. Há uma coroa de flores em cima de cada caixão e as duas está escrita a mesma frase "Isso não é um adeus e sim um até logo, das suas filhas queridas" e sei que não fomos a gente que fez aquilo e sim Neitan, lhe olho de canto e vejo ele pensativo olhando em nossa direção.
O carrinho que leva os caixão para em frente a túmulo onde eles serão enterrados e lá tem uma lápide com a fotos dos dois juntos e a escrita: "Pais amorosos" juntos a data de nascimento de cada um e a data de morte.
Tudo foi feito muito rápido e logo todos que vieram se despedir deles vão se dissipando e restando apenas nos quatros. Helena, Hannah, Neitan e eu. Alguns pingos de chuva começar a cair e vejo quando Hannah me puxa para irmos para casa. Para o lugar que agora teria um grande vazio, que não teria mais sentido está dentro dela sem eles, mas mesmo assim os acompanho sem questionar.