As chamas da lareira estavam quase apagadas, as cortinas fechadas nas janelas altas do escritório de Elijah Thompson. A chuva batia no vidro, proporcionando um pano de fundo relaxante para seu trabalho. Ele batia no teclado, com a mente voltada para o e-mail, quando uma voz tímida e silenciosa se ergueu na escuridão.
― Sr.... Thompson?
A luminária de mesa e um raio de luz natural passaram pela entrada sem porta de seu escritório. Sua mais nova assistente temporária estava bloqueando aquela luz, sua sombra uma cunha longa e estreita.
― Reese Thompson ligou. - ela disse enquanto entrava em seu escritório. ― Seu irmão.
Como se ele precisasse desse esclarecimento?
― Eu sei perfeitamente quem é Reese Thompson, Melanie.
― Ele me pediu para... – Sua pequena voz ficou menor até que desapareceu completamente. Sendo a razão, Eli respirou fundo e ruidosamente e se levantou da mesa.
Lentamente.
Que nunca seja dito que a intimidação não era uma forma de arte.
Ele manteve os olhos na mulher agora parada do outro lado de sua mesa. Ela era jovem, tinha vinte e poucos anos e, pelo que ele descobriu nas últimas oito ou mais horas desde que ela começou nesta posição, ela era fraca. Ele apostaria que conseguiria fazer isso em tempo recorde. Não que ele estivesse acompanhando, mas talvez devesse. Ele estava ficando bom nisso.
Ele soltou a mesma respiração, mantendo os lábios curvados, sua expressão dura. Ele deixou a respiração terminar com um grunhido.
― O que eu te disse esta manhã? - ele perguntou, sua voz letal.
Sua última assistente pessoal temporária, atualmente tendo uma cãibra maciça em seu estilo, piscou seus grandes olhos de corça.
― Não é para interrompê-lo, mas, Sr. Thompson...
― Não. Me. Interrompa. - Ele fingiu endireitar os ombros e mancar ao redor da mesa. Seu olhar escorregou para a prótese no final de sua perna direita enquanto ele mancava. A que ele não tinha. A que ele se treinou para não ter. A ajuda o achou mais intimidante quando lembrou que ele era um amputado. Ele usou isso a seu favor em mais de uma ocasião. ― Eu pareço que preciso ser incomodado com perguntas triviais, Melanie?
― N-não, senhor, mas é sobre Hotéis Thompson e eu fui contratada para...
― Você trabalha para mim. - disse ele à queima-roupa. ― Eu não me importo se é um memorando do Papa. Pedi para não ser interrompido. Eu espero não ser interrompido.
― Mas a reunião do conselho... – Melanie parou de falar, seus olhos piscando mais rápido como se estivesse tentando conter as lágrimas.
Que merda, querida.
Quanto mais cedo chegar aos seus irmãos a notícia de que a nona - ou Melanie era a décima? – assistente pessoal a colocar os pés no armazém de Eli saiu em lágrimas, melhor. Ele não estava interessado em retomar um cargo na Thompson Hotels por uma infinidade de razões pessoais, nenhuma das quais ele havia compartilhado com eles. Os homens cabeças-duras de sua família não deram ouvidos quando ele disse não de forma clara e concisa a uma posição de empurrar o lápis na base da Thompson, então ele recorreu a mostrar que não importava. Quanto mais assistentes Reese enviava, mais impetuoso Eli se tornava.
― Sr. Reese Thompson disse que tudo o que você precisa fazer é ler este relatório e dar sua opinião. Posso reiterar na teleconferência para você. - ela falou.
Eli ergueu o queixo e olhou para ela. Ela não sustentou o olhar dele, o dela empurrando para a esquerda e depois para a direita e evitando propositalmente mergulhar em seu membro perdido pela segunda vez.
Respirando fundo, ele soltou uma palavra.
― Bem.
― Bem? - As sobrancelhas de Melanie se ergueram, sua expressão cheia de esperança. Ela era doce... e estava prestes a aprender uma lição de pancadas fortes. Ele nem sempre foi tão rígido, mas a mudança era inevitável depois do que aconteceu. Ela estava prestes a receber o cara não tão legal que ele se tornou.
― Você quer minha opinião? Eu vou te dar minha opinião. - Ele passou a mão em seu pulso, tirou a pasta de sua mão e a jogou na lareira. Havia principalmente brasas agora, mas uma única chama rastejou sobre a borda da pasta enquanto deslizava para o chão de concreto. O fogo apagou, fumegando em vez de acender.
Bem. Isso foi inexpressivo.
― Você... você é... - os punhos de Melanie estavam cerrados ao lado do corpo, seus olhos se enchendo de lágrimas mais uma vez enquanto ela tremia visivelmente.
― Desembucha. Eu não tenho o dia todo.
― Você é um monstro! - ela se virou e correu - sim, correu - de seu escritório, através de sua sala de jantar e para o elevador do armazém. Ele saiu de trás da parede do escritório para assistir a cena inteira, os braços cruzados sobre o peito. Havia poucas portas e paredes neste lugar, então não dificultou muito a visão de outra vitória conquistada por Eli "Monstro" Thompson.
De volta ao escritório, ele pisou na pasta de arquivos fumegantes a seus pés. Assim que teve certeza de que não iria incendiar sua casa, ele jogou a pasta na lixeira ao lado de sua mesa.
― Desculpe, Reese, - ele disse para o ar. ― Você terá que administrar sem mim.
Eles conseguiram sem ele durante os anos em que ele trabalhou no exterior. Seus irmãos podiam colocar um pé na frente do outro sem ele. Deus sabia que estar longe não havia melhorado a capacidade de Eli de pensar nas finanças.
Mas não é por isso que eles o queriam lá. Reese e Tag, e seu pai, queriam Eli lá porque acreditavam que os Hotéis Thompson eram parte do futuro de Eli. Um legado, como o CEO era para Reese. Como os serviços de hóspedes e restaurantes eram para Tag.
A evitação de Eli foi em parte porque ele liderou um projeto pessoal considerável e em grande parte porque onde quer que ele fosse, eventos infelizes aconteciam. Ele não estava completamente pronto para derrubar a empresa que seu pai havia transformado em um império.
Seu celular vibrou com uma mensagem de um velho amigo que ele contatou no início desta semana. Ele pegou o telefone e caminhou suavemente de sua mesa para a cozinha, lendo o texto.
―Sim, ainda em atividade.
Ele digitou uma resposta.
―Vamos conversar mais na próxima semana. Dê-me uma escolha de datas.
Ele guardou o telefone no bolso, sentindo uma carga descer por seus braços. Desde que ele voltou para casa, ele estava consumido em retribuir. Com a mudança do mundo de homens e mulheres que fizeram sacrifícios. Por seu país, por suas famílias. Homens e mulheres que voltaram para casa com menos do que tinham antes de partir e que deveriam voltar ao fluxo das coisas.
Penitência, alguns podem argumentar, por tudo no passado de Eli. Ele não hesitou em admitir que naquela noite a balança de seus fracassos foi uma grande parte do que motivou suas ações agora.
O que significava que ele não tinha interesse em intervir como diretor de operações dos gigantescos Hotéis Thompson, não importando quantas Assistentes Pessoais seu irmão mais velho mandasse.
Mantenha-as vindo.
Eli tornou-se adepto da execução de Assistentes Pessoais. Na verdade, ele se tornou ainda mais criativo sobre as maneiras de fazer com que elas desistissem.
Se a pobre Melanie tivesse o que queria, ele residiria em uma mansão assustadora no topo de uma colina. Os trapos de fofoca murmuravam sobre o bestial irmão Garça que ninguém ousava se incomodar para não sofrer sua ira. Ele soltou uma risada seca, divertido com a curva de seus pensamentos.
Depois do ano que ele teve, parecia muito com o paraíso.
---em outra parte de Chicago---
O telefone estava tocando fora do gancho hoje, o que normalmente seria um bom sinal. Mas o interlocutor em espera fez o estômago de Ana Sawyer viajar só de ida até a ponta dos pés.
― Ana? - sua assistente ligou novamente de sua mesa. ― Quer que eu anote uma mensagem?
― Não, Chloe, eu atendo. - Ela não queria atender, mas atenderia. Ela fechou a porta do escritório e na pequena fenda observou enquanto o rosto de sua amiga se transformava em preocupação. Ana fez um sinal de positivo com o polegar para Chloe, que ela não sentiu bem. Levantar o monofone do telefone de sua mesa foi como enfrentar um pelotão de fuzilamento.
― Bobbie, olá -, disse ela à secretária de Reese Thompson.
― Espere pelo Sr. Thompson, - Bobbie cortou em sua maneira brusca usual.
Ela já teve conversas semelhantes com Reese várias vezes. Nove outras vezes, para ser exata. Uma para cada uma das assistentes pessoais que ela enviou para trabalhar com seu irmão. Ana tinha quase certeza de que essa era a ligação "você está demitida" que ela esperava três assistentes atrás. Pelo menos ela tinha uma resposta preparada desta vez.
― Ana, aqui estamos nós de novo. - veio a voz suave de Reese.
Ela o conheceu uma vez de passagem, em um evento a que compareceu em nome de sua empresa de assistente pessoal, Sable (o nome da empresa leva o nome de um animal semelhante ao furão, que em português leva o nome de zibelina) Concierge. Reese Thompson era alto, intimidante, bonito e profissional.
E casado. Não que ele fosse o tipo de Ana. Homens de negócios em ternos para clientes, sim. Homens de negócios em ternos com potencial para namorar, não, obrigado. Ela esteve lá uma vez, fez isso e se arrependeu.
― Sr. Thompson, sinto muito por não estarmos falando em melhores circunstâncias.
― Eu também. Você me prometeu que encontrou a assistente ideal para Eli desta vez.
Melanie não era sua escolha, mas Ana já tinha passado por suas principais escolhas. Elijah Thompson perseguiu até a última delas. Eles dependiam de sua assistente Chloe, de quem Ana precisava aqui no escritório, ou de um novo contratado chamado Joey. De jeito nenhum ele duraria trinta segundos.
Ana se recusava a retirar seus outros assistentes das atribuições atuais para atender Elijah Thompson. Se ela perdesse o negócio Thompson, ela precisaria de sua lista atual de clientes ou todos morreriam de fome.
― Resolva meu problema. - o tom de comando de Reese não admitia nenhum argumento, nem deveria. Ana estava à sua disposição por um motivo simples: seu selo de aprovação ajudaria seu negócio a avançar para o próximo nível ou, se ela continuasse a não fornecer um assistente adequado para seu irmão, poderia afundá-lo. Ela queria abrir caminho com a elite em Chicago, e como seus pais não apoiaram sua escolha de vocação, Reese Thompson tinha a chave dessa porta.
― Eu tenho uma solução. Uma assistente com mais de três anos de experiência na minha empresa e uma década antes de trabalhar como braço direito na Sawyer Financial Group. Posso garantir que seu irmão absolutamente não a assustará.
― Quem é este especialista? - ele perguntou, mas a cadência de sua voz sugeria que ele já tinha descoberto.
― Eu.
Um grunhido baixo que poderia ser uma risada saiu do telefone.
- Acho que você não é muito durona.
― Não. Eu sou tenaz e teimosa.
― Uma correspondência exata para Eli.
― Depois de convencê-lo a se envolver mais com os Hotéis Thompson, tenho certeza de que posso colocar um de nossos muitos assistentes qualificados em meu lugar. Eu tenho uma empresa para dirigir.
Com medo de ter ultrapassado os limites com sua confiança, ela limpou a garganta, a voz repreensiva de sua mãe sussurrando no fundo de sua mente: Seja educada Ana. Nenhum homem aprecia uma mulher que o desrespeita.
― Minha incursão como assistente dele será breve, - ela continuou. ― mas não há necessidade de ele saber que eu sou a top de linha.
― Certo. Não vamos dar a ele um desafio que ele vai abraçar. - Reese murmurou.
― Exatamente. Vou agir como se a empresa me tivesse enviado. Como se eu fosse um número onze sem nome. Mas acredite em mim quando digo, irei exceder suas expectativas.
― Onze... - Reese murmurou.
Ela poderia ter se chutado por lembrá-lo de quantos assistentes eles já haviam consultado.
― Peço desculpas pela falta de profissionalismo que você viu até agora. Agradeço por ter dado outra chance à Sable Concierge. Quero que você conte com minha empresa sempre que precisar de ajuda.
― Sua empresa foi altamente recomendada, Sra. Sawyer. - Reese disse, sua voz assumindo uma qualidade gentil. Sua voz fazia isso sempre que o assunto de sua esposa surgia.
― Agradeça Anny por mim novamente. - Ana disse a ele.
― Eu vou. Seu sucesso é iminente, eu presumo.
― Você pode apostar nisso. – Ela se despediu e desligou o telefone, respirando fundo. Mais um tiro. Ela tinha mais uma chance para conseguir isso. Não, Reese não disse isso, mas ele não precisava. Ela a demitiria se ela fosse ele. Recomendada pela esposa ou não.
No outono passado, Ana conseguiu aleatoriamente uma posição para uma de suas assistentes no Hotel Van Heusen com Anny. A outra mulher sugeriu a companhia de Ana para a transição de Elijah de Fuzileiro Naval para COO da Thompson. Em comparação com o que o cunhado de Anny tinha passado ao servir seu país, colocar um assistente deveria ser fácil. Eli havia passado por muitos obstáculos físicos para recuperar sua mobilidade usando uma perna protética, e sua casa no armazém estava equipada para acomodar seu trabalho a partir daí também.
O trabalho do assistente era ajudar Eli a realizar as chamadas em conferência da Thompson Hotels, responder e encaminhar e-mails e cuidar da carga leve de trabalho que Reese havia delegado a Eli para supervisionar.
Eli não fez nada disso.
Ana enviou uma ajuda experiente, e um número surpreendente de seus funcionários saiu em lágrimas ou com tanta raiva que Ana quase os perdeu por completo. Elijah Thompson, independentemente do treinamento de sensibilidade da equipe e do dia que passou com um especialista em reabilitação para amputados, não era um cara fácil de sentir pena.
Ele era "mau", de acordo com um de seus funcionários, "miserável" de acordo com outra, e a pobre Melanie, que infelizmente havia entregado sua notificação após seu primeiro e único dia na casa de Eli, havia se referido a ele como um "monstro" em seu caminho para fora da porta.
Bem. O flagelo de Eli Thompson acabou aqui. Ana não estava acostumada a ceder sob pressão. Se Eli estava determinado a ser miserável, ele poderia arruinar sua própria vida, mas ela não permitiria que ele destruísse o futuro de sua empresa. Apesar da garantia que deu a Reese, Ana esperava que Melanie durasse dois ou três dias. Ela durou um.
Chloe havia sido treinada para administrar o escritório caso Ana estivesse fora, então Ana não tinha dúvidas de que ela poderia lidar com Eli durante o dia, e depois atender à Sable Consierge após o expediente. Responder e-mails poderia ser feito a qualquer hora da noite, e ela poderia retornar ligações durante o almoço ou no início da manhã.
Como proprietária e operadora, Ana estava disposta a fazer o que fosse necessário para tornar seu negócio um sucesso em Chicago. Se ela tivesse que trabalhar em dois empregos por curto prazo, que fosse.
Elijah Thompson não lhe deu escolha.
--- na casa de Eli Thompson---
Eli se sentou à mesa da cozinha e observou a confusão à sua frente, o rosto apoiado na mão e a carranca no rosto. Sua cunhada, Anny, estava ocupada em arrumar a mesa. Ela parou na frente dele.
― Você se parece com seu irmão quando faz isso. - Sua boca se encolheu em um sorriso provocador.
― Aquele com quem você se casou ou Tarzan?
― Eu ouvi isso. - Tag entrou na sala com três sacolas para viagem do Chow Main, o melhor restaurante chinês da cidade. A boca de Eli se encheu de água ao ver o saco de papel dentro de um plástico genérico com o rosto feliz que dizia TENHA UM DIA AGRADÁVEL!
A namorada de Tag, Nicole, o seguiu, uma garrafa de vinho em cada mão.
― Ei Nicole! - Anny cumprimentou, definindo o último lugar. Ela aceitou uma das garrafas e girou o rótulo. ― Ooh, boa escolha.
― É um favorito dos clientes. Ou era, quando eu era bartender. - Nicole lançou a Eli um rápido olhar, então desviou o olhar. Ela ainda não tinha certeza sobre ele, e por um bom motivo. Eles não tinham passado muito tempo juntos. Ele não estava exatamente aquecido e gentil desde que voltou para casa.
Reese entrou atrás deles, ainda usando o terno do trabalho. Anny estendeu a mão e puxou o nó da gravata, ficando na ponta dos pés para dar um beijo demorado em seus lábios.
― Olá homem sexy. - ela murmurou no ouvido dele.
― Gostosa. - Reese comentou, segurando sua bunda com uma das mãos.
Com paciência, Eli apontou para os pratos na mesa e berrou: ― Alguém pode explicar por que não podemos comer Chow Main fora dos recipientes como seres humanos normais, em vez de lidar com essa merda?
Ele cruzou os braços sobre o peito e olhou para sua família, todos os quais tinham os olhos colados nele. Anny estalou a língua. O lábio de Reese se curvou em leve irritação. Nicole mordeu o lábio inferior e se aproximou de Tag, que passou um braço em volta dela, abriu a boca e soltou uma gargalhada.
Com aquela risada, o tom da sala mudou de volta para leve e fofo, e a tagarelice continuou enquanto Nicole e Tag colocavam a comida na mesa.
Parecia que a única pessoa que Eli era capaz de assustar eram as assistentes. Sua família era totalmente imune a ele.
― Chegamos. - veio uma voz da entrada do armazém. O pai de Eli, Alex, e sua assistente durante anos, Miriam, entraram em fila juntos, com as mãos unidas nas dele. Foi descoberto recentemente que Alex e Miriam eram parceiros em mais do que negócios e, uma vez que o velho de Eli estava aposentado há algum tempo, Eli imaginou que Alex e Miriam eram parceiros com mais frequência do que em uma frente pessoal.
O amor estava na porra do ar, ele pensou revirando os olhos.
― Oi Eli. - Miriam puxou o lenço do pescoço, era apenas setembro, então ele não tinha ideia do motivo do lenço, e sorriu abertamente para ele.
Ele ergueu a mão e deu um breve aceno. Miriam entrou na briga, arrulhando sobre o vinho enquanto Anny se desculpava por não saber que ela viria e puxava um conjunto extra de pratos do armário. Um suspiro baixo percorreu o peito de Eli.
Felizes. Até o último maldito deles. Cercado por tanto amor, uma forte onda de solidão percorreu seu corpo. Dane-se se ele pudesse entender o porquê. Ele tinha sido um bastardo miserável ultimamente.
― Cerveja mano? - Tag perguntou, caindo ao lado dele em uma cadeira. O cabelo de seu irmão estava solto em ondas castanho-douradas, sua barba cheia como a de Eli, mas bem aparada, não como estava a de Eli. Ele deixou os pelos faciais e os pelos da cabeça crescerem e alguns dias ele parecia um cachorro sem-teto. Enquanto isso, o Sr. Cabelo Pantene ao lado dele...
Eli limpou a garrafa. ― O que, sem vidro fosco? Não deveríamos ter montanhas-russas?
Ele apontou para a mesa posta, no centro da qual repousava uma tigela cheia de laranjas que sua última assistente havia trazido. Ela provavelmente foi instruída por Reese para monitorar sua ingestão de vitamina C. Isso era outra coisa - desde que ele voltou, ele foi olhado, mimado e excessivamente cuidado. Ele tinha se esforçado para se levantar e se mover, então não dependia de ninguém. Como um homem totalmente independente e capaz, ele se ressentia da agitação.
― Já faz meio ano, e... - disse Tag, recostando-se na cadeira e tomando um pouco de sua própria cerveja. ― Você vai ter que se acostumar com a nossa cara. Nós sentimos saudades de você.
Essa última parte emparelhada com um golpe de cotovelo e Eli grunhiu. Ele sabia que eles tinham sentido sua falta. Inferno, ele também sentiu falta deles. Seus irmãos e pai encontraram a felicidade, o que Eli reconhecidamente achava uma sucção de alma, mas não significava que Eli não estivesse feliz por eles. Ele só queria que eles fossem adoravelmente acoplados em algum lugar longe, muito longe de seu santuário.
― Eu posso sair em público, você sabe. - ele resmungou, colocando a garrafa de cerveja ao lado de seu prato, na mesa, sem descanso para colocar a cerveja em cima. ― Vocês não têm que vir aqui e me servir.
Ele era hábil em seu novo papel de bastardo miserável, e como todos esperavam isso agora, ele estava determinado a se destacar.
― Oh, mas nós temos, Lord Thompson. – Anny sorriu recatadamente enquanto se inclinava e lhe entregava um copo. ― Sabemos que você não quer ser visto por aí ainda. Acredite em mim, passei muito tempo com a mídia respirando no meu pescoço. Eu não culpo você.
Não era verdade? Além de um breve artigo no Trib que o mencionou como um herói de guerra e uma citação que ele disse ao telefone tirada completamente do contexto, Eli conseguia evitar os holofotes. Reese e Anny não, mas esse era o plano. E tinha funcionado bem para os dois, apesar da antipatia inicial um pelo outro.