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O Noivo Que Escolheu Outra

O Noivo Que Escolheu Outra

Autor:: Joy
Gênero: Romance
Meu noivo, Heitor, invadiu o casamento de outra mulher. Descobri por um vídeo que viralizou enquanto eu preparava a sobremesa favorita dele para comemorar nosso próximo ciclo de fertilização in vitro. Era a Kiera Matos, a "artista incompreendida" de quem ele sempre dizia ter pena. Não era a primeira vez. Três anos atrás, ele espancou um homem até sangrar por causa dela, um escândalo público que quase nos destruiu. Eu fiquei ao lado dele naquela época, engolindo a humilhação e os avisos das minhas amigas. Eu até o perdoei pelo aborto espontâneo que seu surto de violência causou. Ele jurou que tinha acabado, que nosso futuro, nossa família, era tudo o que importava. Mas enquanto eu assistia ao vídeo dele a arrancando do altar, suas promessas ecoavam como uma piada cruel. Ele me abandonou de novo, à beira do nosso sonho, pela mesma mulher. Meu amor por ele, uma constante por quinze anos, finalmente secou. Isso não foi apenas mais uma traição; foi o fim. Peguei o telefone, minha mão firme. "Gostaria de cancelar minha consulta para a fertilização in vitro", disse à clínica. "E agendar um aborto. O mais rápido possível."

Capítulo 1

Meu noivo, Heitor, invadiu o casamento de outra mulher. Descobri por um vídeo que viralizou enquanto eu preparava a sobremesa favorita dele para comemorar nosso próximo ciclo de fertilização in vitro.

Era a Kiera Matos, a "artista incompreendida" de quem ele sempre dizia ter pena. Não era a primeira vez. Três anos atrás, ele espancou um homem até sangrar por causa dela, um escândalo público que quase nos destruiu.

Eu fiquei ao lado dele naquela época, engolindo a humilhação e os avisos das minhas amigas. Eu até o perdoei pelo aborto espontâneo que seu surto de violência causou. Ele jurou que tinha acabado, que nosso futuro, nossa família, era tudo o que importava.

Mas enquanto eu assistia ao vídeo dele a arrancando do altar, suas promessas ecoavam como uma piada cruel. Ele me abandonou de novo, à beira do nosso sonho, pela mesma mulher.

Meu amor por ele, uma constante por quinze anos, finalmente secou. Isso não foi apenas mais uma traição; foi o fim.

Peguei o telefone, minha mão firme. "Gostaria de cancelar minha consulta para a fertilização in vitro", disse à clínica. "E agendar um aborto. O mais rápido possível."

Capítulo 1

Audra Viana POV:

O cheiro de açúcar queimado encheu a cozinha, mas não era a pior coisa queimando naquele dia. Meu celular vibrou, depois vibrou de novo, um ritmo insistente e desesperado contra a bancada de mármore impecável. Eu estava mexendo o delicado crème brûlée, preparando a sobremesa favorita do Heitor para comemorar nosso próximo ciclo de fertilização in vitro. Uma refeição especial para uma ocasião especial.

A primeira mensagem foi da Sara, um print de um vídeo viral. "Audra, você já viu isso? É o... Heitor?"

Antes que eu pudesse abrir, outras dez mensagens inundaram meu celular. A tela explodiu com notificações, cada uma delas uma pontada aguda na minha calma tarde de domingo. Havia links para notícias, prints de comentários e uma enxurrada de mensagens de "Você está bem?" das minhas amigas. Todas apontavam para a mesma coisa.

Toquei no link do vídeo, meu coração batendo surdo contra minhas costelas. A filmagem granulada mostrava uma igreja, um casamento. E então, Heitor. Meu noivo, Heitor Dantas, um homem que amei por mais de uma década, invadindo o corredor como um louco, arrancando uma mulher no meio dos votos. Kiera Matos. A artista incompreendida de quem ele sempre dizia ter "pena". A mulher cujo casamento ele acabara de invadir.

Os comentários abaixo rolavam sem parar. "Não é o Heitor Dantas, o gênio da tecnologia? O que ele está fazendo?" "Meu Deus, é a Kiera Matos! Ele não fez algo parecido por ela antes?" "Isso está me dando um déjà vu. Três anos atrás, ele literalmente espancou um cara por ela."

Três anos. O número ecoou na minha cabeça, frio e preciso. Três anos atrás, Heitor, a estrela em ascensão do mundo da tecnologia, tornou-se infame da noite para o dia. Não por suas inovações, mas por uma briga pública. Ele havia agredido um homem, violentamente, na frente de uma galeria de arte, tudo porque alguém supostamente insultou a arte de Kiera. Foi um espetáculo, transmitido em todos os canais de notícias, dissecado em todas as redes sociais. Meu Heitor. Meu polido e charmoso Heitor, reduzido a uma besta primitiva e furiosa por ela.

Lembrei-me das manchetes: "CEO de Tecnologia em Surto Violento por Musa Artista". O público se dividiu. Alguns o chamaram de herói, um protetor apaixonado. Outros o chamaram de desequilibrado. Eu apenas o chamava de meu.

Alguém no feed de comentários ao vivo até citou sua declaração apaixonada e bêbada daquela noite: "Ninguém toca na Kiera! Ela é minha! Minha responsabilidade! Meu anjo sofredor!" Eu fiquei ao seu lado então, convencida de que era uma loucura passageira, um ato equivocado de cavalheirismo. Minhas amigas me avisaram. Meu instinto gritou. Mas meu amor por ele, aquele amor profundo e enraizado, silenciou tudo.

Minha mão, ainda segurando a colher, tremeu violentamente. A delicada tigela de cerâmica escorregou dos meus dedos, estilhaçando-se no chão de porcelanato. Minha mão nua instintivamente se esticou para me firmar, pousando direto na boca ainda quente do fogão. Um chiado agudo. O cheiro de pele queimada encheu o ar, misturando-se com o aroma doce do açúcar caramelizado. Mas eu não senti nada. Nenhuma dor. Apenas uma dormência profunda e sufocante que começou no momento em que vi Heitor naquele vídeo.

Minha visão embaçou, não por lágrimas, mas pelo peso de tudo aquilo. Eu precisava ligar para ele. Eu tinha que ligar. Meu polegar desajeitadamente percorreu a tela, encontrando seu contato. O telefone tocou uma, duas vezes, e então a voz feminina familiar e distante: "O número para o qual você ligou está indisponível no momento. Por favor, deixe uma mensagem."

Uma risada seca e engasgada escapou da minha garganta. Era um som oco, vazio como as promessas que ele havia feito esta manhã. Apenas algumas horas atrás, ele estava nesta mesma cozinha, me abraçando forte, sussurrando sobre nosso futuro. "Desta vez, Audra", ele prometeu, seus lábios roçando meu cabelo, "desta vez, é de verdade. Nossa família. Tudo." Ele disse isso com tanta convicção, seus olhos espelhando minha própria antecipação esperançosa.

Ele jurou por nossa década de história, por nossos sonhos compartilhados, pelo próprio amor que nos unia. Ele me prometeu que tinha acabado com Kiera, que ela era um erro, um fantasma de pena mal colocada. Eu acreditei nele. Tolamente, desesperadamente, eu acreditei nele.

Agora, enquanto a voz robótica repetia sua mensagem fria, senti uma estranha sensação de clareza. Minhas emoções, antes um oceano tumultuado, recuaram, deixando para trás uma costa árida e silenciosa. Não havia mais raiva, nem lágrimas, nem a dor familiar no peito. Apenas um esgotamento tão profundo que parecia que minha alma havia sido arrancada. Isso não era raiva; era o desespero silencioso de um poço que secou completamente. Não era a primeira vez que ele me decepcionava, longe disso. Mas esta era a última.

Com calma, enxaguei minha mão queimada em água fria, observando a pele formar bolhas. Era uma ferida pequena, quase insignificante em comparação com o abismo aberto no meu peito. Meus movimentos eram lentos, deliberados. Limpei a cerâmica quebrada, varri os cacos para o lixo. O crème brûlée, agora esquecido, esfriava na bancada, um monumento trágico a um futuro que nunca seria.

Meus dedos, ainda um pouco dormentes, encontraram o número da clínica nos meus contatos. Eu disquei. A voz alegre da enfermeira atendeu.

"Sim, aqui é Audra Viana. Gostaria de cancelar minha consulta de fertilização in vitro agendada para a próxima semana." Minha voz estava firme, uniforme.

Houve uma pausa do outro lado da linha. "Ah, Sra. Viana, está tudo bem? Talvez possamos reagendar? Você esperou tanto por isso."

"Não", ouvi a mim mesma dizer, a palavra seca e final. "Não precisa reagendar. E... eu gostaria de agendar um aborto. O mais rápido possível."

Outro silêncio atordoado. "Sra. Viana, tem certeza? Nós podemos-"

"Sim, tenho certeza", cortei-a, minha voz ganhando um tom gélido de aço. "Apenas... acabe com isso."

A linha ficou quieta por um momento longo demais. "Claro, Sra. Viana. Vou ver o que posso fazer para amanhã de manhã."

Amanhã. Um novo dia. Um novo começo, forjado das cinzas de uma vida que eu não suportava mais.

Capítulo 2

Audra Viana POV:

O clique da porta da frente no meio da noite era um som que eu esperava, temia, por horas. Eu estava sentada na sala de estar escura desde o pôr do sol, a única luz vindo do brilho mudo da tela da televisão, onde o vídeo viral do último espetáculo público de Heitor passava em loop. Era uma acusação silenciosa e condenatória. Meu corpo parecia rígido, pesado, como se esculpido em pedra, cada músculo doendo pela longa e agonizante espera.

Heitor entrou na sala, sua sombra se estendendo à sua frente como uma confissão de culpa. Seus olhos, na luz fraca, encontraram os meus. Por um longo momento, nenhum de nós falou. O ar estava denso, sufocante, com o peso não dito de sua traição. A tela da televisão atrás de mim piscou, mostrando-o em alta definição, uma marionete frenética e desesperada em um palco público.

Ele viu. Seu olhar caiu para a tela, seus ombros cederam. Ele caminhou lentamente, mecanicamente, em direção ao controle remoto, sua mão tremendo enquanto pressionava o botão de desligar. A tela ficou preta, mergulhando a sala em um silêncio mais profundo, mas a imagem permaneceu gravada em minha mente.

Então, ele fez. O gesto familiar e teatral. Ele caiu de joelhos, bem ali no nosso caro tapete persa, a cabeça baixa. Uma figura patética e desesperada. Eu o observei, meu coração um espaço oco no peito. Não houve uma onda de raiva, nenhuma nova onda de dor. Apenas um divertimento cansado, quase desapegado. Quantas vezes eu tinha visto essa cena? Quantas vezes eu tinha caído nela?

"Audra", sua voz estava rouca, carregada de um remorso performático que não me comovia mais. "Audra, eu sinto muito. Foi... foi um erro. Um erro terrível." Ele olhou para cima, seus olhos suplicantes, cheios de lágrimas não derramadas. "Não vai acontecer de novo. Eu juro. Foi a última vez. Eu só... eu não podia deixar. Ela estava sendo forçada, Audra. Forçada a um casamento. Pelas dívidas médicas da família dela. Eu só tive pena."

Ele tropeçou nas palavras, um roteiro ensaiado. "Eu não a via há meses, eu prometo. Não desde... depois da última vez. Mas então recebi a mensagem, ela estava desesperada, encurralada. Eu só... eu tinha que ajudar. Foi pura pena, Audra, nada mais." Ele estendeu a mão para mim, a palma para cima, como se oferecesse seu coração em uma bandeja.

Pena. A palavra arranhou minha alma, uma lâmina cega e enferrujada. Quantas vezes essa palavra foi seu escudo, sua desculpa, sua arma contra mim? Eu conhecia sua pena. Ah, eu a conhecia intimamente.

Minha voz, quando veio, era monótona, desprovida de emoção. "Sua pena, Heitor, sempre teve um preço alto. Minha sanidade. Minha dignidade. Minha esperança. Nosso futuro." Observei seus olhos piscarem, uma sombra de desconforto cruzando seu rosto. Ele odiava quando eu estava calma. Minha raiva ele podia combater, minhas lágrimas ele podia acalmar. Meu desapego frio, ele não conseguia tocar.

"Sua pena financiou a educação artística dela, não foi? Quando ela 'não podia pagar'. Sua pena comprou aquele estúdio chique na Vila Madalena, um lugar que ela alegava ser essencial para sua alma de 'artista incompreendida'. Sua pena te levou a agredir um homem três anos atrás, transformando você em um espetáculo público e eu em motivo de piada." Eu listei os pontos nos meus dedos, cada palavra uma martelada lenta e deliberada. "Sua pena me causou um aborto espontâneo, Heitor. Três anos atrás. Você se lembra dessa? Ou foi apenas um dano colateral em sua grande demonstração de compaixão?"

Seu rosto se desfez, as lágrimas finalmente rolando. "Audra, não. Você sabe que não foi minha intenção. Eu te amo. Sempre amei. Kiera... ela era apenas uma responsabilidade. Um fardo que eu sentia que tinha que carregar."

"Um fardo?" Eu zombei, um som sem humor. "Você parece gostar de carregar esse fardo em particular, Heitor. Na verdade, você se joga nele com uma paixão que raramente mostra por qualquer outra coisa. Pelo nosso relacionamento. Pelo nosso futuro." Meu olhar era firme, inabalável. "Sua pena, Heitor, é generosa demais. Transborda para todos, menos para a mulher que você diz amar."

Ele se encolheu, seus ombros se curvando ainda mais. Ele estendeu a mão, tentando pegar a minha, para me puxar para seu abraço. "Audra, por favor. Não diga isso. Deixe-me te abraçar. Deixe-me consertar isso."

Puxei minha mão para trás, um movimento rápido e decisivo. O contato era repugnante. "Não me toque."

Ele congelou, a mão suspensa no ar. Seus olhos, vermelhos e em pânico, procuraram os meus. "Você... você está realmente desistindo, Audra? Depois de tudo? Depois de todos esses anos?" Ele baixou a cabeça, sua voz um sussurro quebrado. "Por favor, Audra. Por favor, não faça isso." Ele afundou de volta nos joelhos, uma visão verdadeiramente patética.

Olhei para ele, meu coração teimosamente silencioso. "Quem começou a desistir há muito tempo, Heitor, não tem o direito de pedir lealdade agora. Você perdeu esse direito há muito tempo. Não finja o contrário."

Capítulo 3

Audra Viana POV:

Eu nunca pensei que Heitor pudesse me trair. Não daquele jeito. Não depois de tudo. A primeira vez foi um choque que me rasgou por dentro, cru e brutal, me deixando sem ar. Aconteceu no nosso aniversário de quinze anos, um dia que deveríamos celebrar a força duradoura do nosso amor. Em vez disso, tornou-se o dia em que aprendi o verdadeiro significado de ter o coração partido.

Heitor e eu, namorados de colégio, construímos nossas vidas inteiras um ao redor do outro. Nosso amor era a base da minha existência, uma corrente profunda e inabalável que nos carregou pela adolescência, faculdade e vida adulta. Quinze anos. Uma vida inteira, parecia. Como uma conexão tão profunda pôde ser estilhaçada, tão facilmente, por Kiera Matos, uma mulher que entrou em sua órbita como um satélite perdido?

Os sinais foram sutis no início, facilmente ignorados. Heitor, o empreendedor de tecnologia sempre motivado, começou a trabalhar mais horas. Ele chegava em casa tarde, com um cheiro fraco de algo desconhecido, que não era do seu escritório, nem meu. Quando minhas amigas, meio brincando, perguntaram se eu estava preocupada com ele tendo um caso, eu ri.

"Um caso?" eu disse, com um encolher de ombros casual. "Com o Heitor? Nunca. E se ele fizesse, se ele se 'sujasse', eu simplesmente o deixaria. Simples assim."

Ah, como aquela Audra mais jovem era ingênua. Eu superestimei sua lealdade, convencida de que nossa história era um escudo impenetrável. Mas, mais devastadoramente, eu subestimei profundamente a profundidade aterrorizante do meu próprio amor por ele. Um amor tão absoluto que se tornaria minha ruína. Dizem que quem ama demais, recebe o carma. Meu carma, ao que parecia, chegou com uma precisão implacável.

A verdade, quando veio, foi como um golpe físico. Foi em uma pequena reunião com amigos em comum. Um deles, depois de algumas bebidas a mais, deixou escapar: "O Heitor realmente gastou uma fortuna na abertura da galeria da Kiera, não foi? Aquela escultura sozinha deve ter custado uma grana." As palavras pairaram no ar, um silêncio súbito e ensurdecedor caindo sobre a mesa. Todos olharam para mim, depois rapidamente desviaram o olhar. Os olhares de cumplicidade, o constrangimento imediato - confirmou tudo o que meu instinto vinha gritando.

Foi no mesmo dia. Naquela mesma manhã, na verdade, eu segurava o teste de gravidez positivo na mão, meu coração explodindo com uma alegria que eu nunca conhecera. Eu havia planejado um jantar surpresa, um anúncio sussurrado, um futuro se desdobrando diante de nós. Em vez disso, soube de sua traição. A agonia requintada daquela dupla revelação - a maior alegria e a dor mais profunda colidindo em um único momento brutal - me deixou em pedaços.

Eu o confrontei, não com a dignidade silenciosa que imaginei para mim, mas como uma megera desesperada e de coração partido. Gritei, chorei, exigi saber cada detalhe sórdido. Ele olhou para mim, seus olhos frios, e então se colocou na frente de Kiera, protegendo-a como se ela fosse a vítima. Ele realmente me repreendeu, bem ali, na frente dela.

Kiera, com facilidade praticada, ofereceu um pedido de desculpas trêmulo. "Ah, Audra, sinto muito. É tudo culpa minha. Eu nunca quis... eu só precisava de ajuda." Seus olhos, grandes e inocentes, encheram-se de lágrimas que pareciam se materializar sob comando.

Minha fúria, um grito primal no meu peito, finalmente se libertou. Minha mão disparou, acertando sua bochecha com um estalo agudo e ardente. O som ecoou no silêncio atordoado.

Heitor explodiu. Ele me agarrou, seus dedos cravando-se no meu braço, me afastando de Kiera. Ele a embalou instantaneamente, seus olhos furiosos queimando nos meus. "Qual é o seu problema, Audra?!" ele rugiu. "Como você pôde tocar nela? Ela é frágil! Você é sempre tão agressiva, tão forte. Não vê que ela está sofrendo?"

Suas palavras, mais frias que qualquer gelo, mergulharam no meu coração. Minha força agressiva, meu sofrimento? Para ele, minha força era uma falha, e a fraqueza dela uma virtude. Meu coração, já machucado, transformou-se em um caco de vidro congelado.

Uma guerra fria brutal começou. Todos, nossos amigos, sua família, sussurravam que Heitor voltaria rastejando, como sempre fazia. Eles sabiam o quanto ele dependia de mim, como eu era sua âncora. Mas ele não voltou. Não desta vez. Semana após semana, o silêncio se estendia, uma ferida aberta entre nós.

Meu desespero cresceu, um medo sufocante de que eu o perderia para sempre. Eu não suportava. Não depois de descobrir que estava grávida. Eu estava tão convencida de que nosso bebê, nosso futuro real e tangível, seria o que o traria de volta. Que seria o suficiente. Engoli meu orgulho, reprimi a humilhação e revelei meu segredo.

"Heitor", eu disse, minha voz tremendo, crua com uma vulnerabilidade que eu odiava. "Estou grávida. Do nosso bebê. Você vai mesmo jogar isso fora por ela?" As palavras pairaram no ar, um apelo desesperado e uma aposta manipuladora, na esperança de puxá-lo de volta do abismo, mesmo que isso significasse sacrificar o último resquício da minha dignidade.

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