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O PILOTO

O PILOTO

Autor:: FLUORA
Gênero: Moderno
Donovan estava acostumado a ter toda e qualquer mulher aos seus pés. Bastava ele escolher, seduzir e conquistar. Mas tudo mudou quando ele me encontrou naquele corredor escuro. Pela primeira vez em toda sua vida, ele estava diante de uma mulher que não podia ter. Eu apenas me enganei ao pensar que ele iria desistir...

Capítulo 1 01

POV HADLEY

Os cliques dos meus saltos altos são os únicos sons convivendo com meus pensamentos enquanto deslizo pelos corredores dos bastidores vagos do antigo teatro que aluguei para o evento de hoje à noite.

Suspiro em meio ao silêncio acolhedor, grata pela chance de escapar. Para todos os efeitos, as pessoas que mantem essas conversas são tecnicamente meus convidados, mas isso não significa que tenho que gostar deles.

Rapidamente chego ao velho camarim e recolho as listas que Dane tinha colocado e esquecido em nossa caótica corrida de limpeza pré-festa.

Enquanto começo a voltar para as festividades, corro a minha lista mental de coisas a fazer antes do início do leilão, evento tão aguardado desta noite. O fundo da minha mente me diz que estou me esquecendo de algo.

Encosto contra a parede, o corpete do meu vestido dificultando a minha necessidade de inalar profundamente e suspirar de frustração. Mesmo que eu pareça incrível com o maldito vestido, deveria ter vindo com um aviso na etiqueta; "respirar é opcional".

Pense Hadley, pense!

Eu me movo deselegantemente para trás, para tentar aliviar a pressão sobre os dedos dos pés, que estão dolorosamente amontoados em meus saltos de dez centímetros.

Martelo para o leilão!

Preciso das placas de leilão. Sorrio largamente para a capacidade do meu cérebro em lembrar. Aliviada, me desencosto da parede e ando cerca de dez passos.

E é aí que eu os ouço.

O flerte, riso feminino flutua pelo ar, seguido pelo profundo gemido do timbre masculino.

Congelo instantaneamente, chocada com a audácia dos participantes da nossa festa, quando ouço o som inconfundível de um zíper seguido de um suspiro feminino sem fôlego: - Oh, sim! - na alcova escura alguns metros na minha frente.

Quando meus olhos se ajustam às sombras, me torno ciente do smoking preto de um homem deitado em uma cadeira velha empurrada de lado, e um par de saltos altos descartados no chão abaixo dela.

Fico curiosa em saber quem é realmente corajoso o suficiente para fazer algo assim. Nunca, nem em um milhão de anos, isso aconteceria comigo lá naquela alcova. Você não poderia me pagar dinheiro suficiente para fazer algo assim.

Meus pensamentos são interrompidos quando ouço um silvo de respiração masculina, exalada. - Cacete!

Aperto meus olhos fechados em um momento de indecisão. Realmente preciso das placas do leilão que ficam no armário de armazenamento no final do corredor. Infelizmente, a única maneira de chegar a esse corredor é passar pela alcova (atualmente sendo usada como motel).

Não tenho escolha, a não ser ir para lá.

Faço uma oração silenciosa e ridícula, na esperança de que possa deslizar passando despercebida.

Corro para frente, mantendo o ângulo do meu rosto corado para a parede em frente a eles, enquanto ando na ponta dos pés para não deixar que meus saltos batam no chão de madeira. A última coisa que preciso agora é chamar atenção para mim e ficar cara a cara com alguém que conheço.

Respiro um suspiro de alívio quando a minha fuga clandestina na ponta dos pés é bem sucedida, me permitindo sair ilesa ao meu destino.

Ainda estou tentando identificar a voz da mulher quando chego ao armário. Tateando desajeitadamente pela maçaneta, tendo que puxá-la agressivamente, antes de finalmente abri-la, acendendo a luz.

Localizando a bolsa de placas de leilão na prateleira, entro no armário em meu estado perturbado e me esqueço de escorar a porta aberta.

Enquanto pego as alças da bolsa, a porta atrás de mim se fecha com tanta força que as estantes baratas do armário chacoalham. Assustada com o som, eu me viro para reabrir a porta, então percebo que o braço da dobradiça de fecho automático se desconectou.

Largo imediatamente a bolsa. O som das placas batendo no chão de concreto e se derramando é uma cacofonia de ruído no espaço pequeno.

Quando minha mão alcança a maçaneta, ela vira, mas a porta não se move um centímetro.

Pânico lambe meu subconsciente, mas o reprimo enquanto empurro novamente na porta com toda a minha força. Ela não se move.

- Merda, merda, merda! - murmuro em voz alta antes de respirar fundo, balançando a cabeça em frustração.

Tenho tanta coisa para fazer antes do leilão começar. Não tenho tempo para isso. E é claro que não tenho o meu telefone celular para ligar para Dane me tirar daqui.

É quando fecho meus olhos que o meu oponente faz seu movimento. Os dedos longos da claustrofobia começam lentamente a fazer seu caminho até o meu corpo e se envolvem ao redor da minha garganta.

Apertar. Atormentar. Sufocar.

As paredes da pequena sala parecem estar gradualmente deslizando mais perto uma da outra, se aproximando de mim.

Eu me esforço para respirar.

Bato na porta. Um riacho de suor escorre pelas minhas costas. As paredes se mantêm em movimento, chegando até a mim. A necessidade de escapar é a única coisa que a minha mente pode focar. Bato na porta de novo, gritando freneticamente. Esperando que alguém percorra estes corredores de novo para que possa me ouvir.

Inclino minhas costas contra a parede, fecho os olhos e tento recuperar o fôlego, que não vem rápido suficiente e a vertigem vem à tona. Enjoada, começo a deslizar para baixo na parede e bato acidentalmente no interruptor de luz.

Estou submersa no breu da escuridão.

Eu grito, buscando freneticamente o interruptor com minhas mãos trêmulas. Toco levemente, aliviada por ter empurrado os monstros de volta para o esconderijo.

Se controle, Hadley!

Esfrego as lágrimas das minhas bochechas com as costas das minhas mãos e recorro há um ano de terapia para tentar manter a minha claustrofobia na baía.

Conto até dez, ganhando um fragmento de compostura. Sei que Dane virá me procurar em breve. Ele sabe onde fui, mas o pensamento não faz nada para aliviar e superar meu pânico.

Eu me rendo a minha necessidade primordial em escapar e começo a bater na porta com as palmas das minhas mãos. Gritando. Amaldiçoando esporadicamente. Implorando para alguém me ouvir e abrir a porta. Para alguém me salvar.

No meu estado mental precário, segundos sinto como minutos e minutos como horas. A passagem do tempo é desconhecida para mim, mas sinto como se estivesse trancada nesse armário a vida inteira.

Sentindo-me derrotada, grito novamente e descanso os antebraços na porta a minha frente. Apoiando meu peso nos braços, coloco minha cabeça sobre eles e sucumbo às minhas lágrimas. Grandes soluços irregulares me fazem tremer violentamente.

E, de repente, tenho a sensação de queda.

Caindo para frente, enquanto tropeço no comprimento sólido do homem no meu caminho. Enrolo meus braços em volta de um tronco firme, enquanto minhas pernas estão desajeitadamente dobradas atrás de mim.

O homem, instintivamente, traz os braços para cima e os envolve ao meu redor, me pegando, mantendo meu peso e absorvendo meu impacto.

Olho para cima, registrando rapidamente o choque de cabelo escuro, pele bronzeada e a ligeira sombra da barba por fazer... e então encontro seus olhos.

Puta merda.

Um choque de eletricidade quase palpável de energia crepita quando encontro aquelas íris verdes cautelosas. Surpresa pisca nelas fugazmente, mas a intriga e intensidade com que ele me observa é irritante, apesar da reação imediata do meu corpo a ele.

Necessidades e desejos há muito esquecidos me inundam com isso; um simples encontro de olhos.

Como pode este homem que nunca conheci me fazer esquecer o pânico e desespero?

Cometo o erro de quebrar o contato visual e olho para baixo, para sua boca. Lábios esculpidos e volumosos enquanto ele me observa atentamente, e, em seguida, muito lentamente, eles se espalham em um sorriso charmoso.

Oh, como quero essa boca em mim, em qualquer lugar e em todos os lugares ao mesmo tempo...

O que diabos estou pensando? Este homem está muito fora do meu alcance. Como a anos-luz de distância do meu alcance.

Levo meu olhar de volta para cima, vendo seus olhos repletos de diversão, como se ele conhecesse meus pensamentos. Posso sentir um rubor se espalhando lentamente pelo meu rosto com o constrangimento.

Aperto minhas mãos ao redor dos seus bíceps musculosos, enquanto abaixo meu olhar, para evitar a sua avaliação do óbvio e tento recuperar a compostura.

Tentando ficar em pé novamente, acidentalmente tropeço ainda mais nele, meu equilíbrio comprometido com a minha inexperiência com esses saltos altíssimos.

- Ah... Hum... Sinto muito. - mantenho minhas mãos para cima em um pedido de desculpas confuso.

Dou um passo para trás. O homem é ainda mais desarmante agora que sou capaz de admirar toda a sua extensão. Imperfeitamente perfeito e sexy como o inferno, com um sorriso que sugere arrogância.

Ele levanta uma sobrancelha, percebendo minha lenta leitura dele. - Não é necessário desculpas. - ele responde de uma voz rouca. - Estou acostumado a mulheres caindo aos meus pés.

Minha cabeça vira com a presunção do seu comentário. Só espero que ele esteja brincando, mas sua expressão enigmática não oferece nada. Ele me observa, perplexidade em seus olhos, e um largo sorriso convencido, fazendo uma única covinha aprofundar em sua mandíbula definida.

Apesar de ter dado um passo para trás, ainda estou perto dele. Muito perto para reunir meu juízo, e perto o suficiente para sentir sua respiração leve sobre o meu rosto. Para sentir o cheiro limpo de sabonete misturado com a sua colônia.

- Obrigada. Obrigada. - respondo sem fôlego. Vejo o músculo pulsando em sua mandíbula tensa enquanto ele me observa. Porque é que este homem está me deixando nervosa? - A... a porta atrás de mim. Ela se trancou e eu entrei em pânico.

- Você está bem? Senhorita...?

Minha resposta vacila quando sua mão encontra a parte de trás do meu pescoço, me puxando para mais perto e ainda me segurando. Ele passa a mão livre para cima e para baixo no meu braço nu, que presumo ser uma tentativa de se certificar de que não estou prejudicada fisicamente.

Mas que...

Meu corpo registra o rastro de faíscas, as pontas dos seus dedos em chamas no meu corpo, enquanto minha mente fica consciente de que a sua boca sensual está apenas um sussurro de distância da minha.

Meus lábios se separam e minha respiração prende enquanto ele move sua mão para cima da linha do meu pescoço e, em seguida, usa a parte de trás dela para correr seus dedos suavemente pelo meu rosto.

Não tenho tempo para registrar a confusão misturada com uma forte dose de desejo que surge em mim quando o ouço murmurar: - Porra. - segundos antes de sua boca estar na minha.

Capítulo 2 02

POV HADLEY

Suspiro em choque total, os meus lábios separando uma fração quando sua boca absorve o som, dando a ele uma abertura para sua língua acariciar meus lábios e lentamente se lançar entre eles.

Empurro minhas mãos contra o peito dele, tentando resistir ao beijo sem convite deste estranho. Tentando negar o que o meu corpo está me dizendo que realmente queria. Para reprimir a necessidade de tomar como ele está tomando.

O bom senso ganha minha briga interna entre o desejo e prudência, e consigo empurrá-lo um pouco. Sua boca sai da minha, nossas respirações ofegantes sobre o rosto um do outro.

Seus olhos, selvagens e com luxúria, seguram firme os meus. Acho que é difícil ignorar a semente do desejo que está florescendo no fundo do meu ventre.

O protesto que está gritando em minha mente morre silenciosamente em meus lábios, enquanto sucumbo à noção de que quero esse beijo. Quero me permitir esse instante no tempo onde ajo de forma imprudente e tenho "aquele beijo" que os livros descrevem. E fundo, nas profundezas da minha alma, sei que esse beijo será isso para mim.

- Decida-se, querida. - ele comanda.

Sua advertência, a noção insana de que eu simplesmente posso fazer um homem como ele perder o controle, me desconcerta.

Ele se aproveita do meu silêncio, com um sorriso lascivo curvando os cantos de sua boca antes de apertar o domínio que tem sobre a minha nuca. De um fôlego para o outro, ele esmaga a boca na minha outra vez.

Minha resistência é inútil edura apenas alguns segundos antes de me render a ele. Instintivamente movo minhas mãos sobre a aspereza de seu queixo com barba por fazer, indo para parte de trás do seu pescoço. Empurro meus dedos no cabelo que se enrola por cima do colarinho.

Um gemido baixo vem do fundo de sua garganta, reforçando a minha confiança, me permitindo separar meus lábios e tirar mais dele. Minha língua entrelaça e dança intimamente com a dele. Um lento e sedutor balé, com gemidos e ofegantes lamúrias.

Ele tem gosto de uísque. Sua confiança exala rebelião. Seu corpo evoca um soco direto de luxúria em meu corpo. Uma combinação inebriante insinuando que ele é um bad boy e que esta boa menina deve ficar longe.

Sua urgência e perícia sugere habilidade no que poderia vir. Imagens aparecem na minha mente de costas arqueando, o dedo do pé apontando, lençol aderindo ao sexo que sem dúvida seria tão dominante quanto seu beijo.

Apesar da minha submissão, sei que isso é errado. Posso ouvir minha consciência me dizendo para parar. Que não faço esse tipo de coisa. Que não sou esse tipo de garota.

Mas, Deus, isso é tão incrivelmente bom. Eu enterro toda a racionalidade sob o desejo.

Seus dedos acariciam a parte de trás do meu pescoço enquanto outros viajam até o meu quadril, acendendo faíscas a cada toque. Ele espalma a mão nas minhas costas e me pressiona para ele. Reivindicando-me. Posso sentir sua espessa ereção contra a minha barriga, que envia uma carga elétrica para a minha virilha.

Sua perna ligeiramente move e pressiona entre as minhas, pressionando o ápice das minhas coxas e criando uma dor intensa de prazer. Empurro ainda mais para ele, gemendo baixinho enquanto anseio por mais.

Estou me afogando na sua sensação e ainda assim, não estou disposta a subir pelo ar que eu tão desesperadamente precisando.

Ele morde meu lábio inferior. Minhas unhas raspam a parte de trás do seu pescoço em reação, enquanto pontuo minha reivindicação.

- Cristo, quero você agora! - sua voz rouca ofega entre beijos, intensificando a dor nos músculos enrolando abaixo da minha cintura.

Ele move a mão para a parte de trás do meu pescoço e desliza em minhas costelas, e mais, até que sua mão em concha está em meu seio. Solto um gemido com a sensação de seus dedos esfregando através do material suave do meu vestido.

Meu corpo está pronto para concordar com o seu pedido, porque quero esse homem também.

Nossos corpos entrelaçados colidem contra a pequena alcova no corredor. Ele me pressiona contra a parede, nossos corpos freneticamente se agarrando, tateando e degustando.

- Cacete. - ele murmura contra a minha boca quando passa a mão em um ritmo lento e trabalhoso no exterior da minha coxa.

O quê?

Essas palavras...

Quando elas finalmente se registram, recuo como se tivesse sido chicoteada e pressiono seu peito, tentando empurrá-lo para longe de mim.

Essas são as mesmas palavras que tinha ouvido antes, na alcova escura. Mas que diabos? E que diabos estou fazendo com um cara aleatório, em primeiro lugar? E mais importante, por que fazer isso agora, enquanto estou no meio de um dos meus eventos mais importantes?

- Não. Não posso fazer isso. - cambaleando, levo a mão trêmula até minha boca para cobrir meus lábios inchados.

Seus olhos fixam nos meus, a cor esmeralda escurecida pelo desejo. Raiva pisca através deles.

- É um pouco tarde, querida. Parece que você já fez.

Fúria pisca em mim com seu comentário sarcástico. Sou inteligente o suficiente para deduzir que acabei de me tornar outra na linha de conquistas de sua noite. Olho para ele, e o olhar de satisfação em seu rosto me faz querer vomitar.

- Quem diabos você pensa que é? - falo para ele, usando a raiva para afastar a dor que sinto. Não tenho certeza se estou mais chateada comigo mesma por minha submissão voluntária a ele, ou o fato de que ele se aproveitou de mim no meu estado frenético.

Ou será que me sinto envergonhada porque sucumbi ao beijo e dedos hábeis sem sequer saber o nome dele?

Ele continua a me observar. - Sério? - ele zomba de mim, inclinando a cabeça para o lado e esfregando uma mão sobre o seu sorriso condescendente. Posso ouvir o raspar de sua barba enquanto sua mão passa sobre ela. - É assim que você vai fazer isso? Você não estava participando até agora? Você não estava desmoronando nos meus braços? - ele ri sarcasticamente. - Não se engane com o seu pequeno decoro por pensar que não gostou disso.

Ele dá um passo mais perto de mim, diversão e algo mais sombrio queimando nas profundezas de seus olhos. Levantando uma mão, ele traça um dedo abaixo da linha do meu maxilar.

Apesar de me encolher, o calor do seu toque reacende o desejo latente no fundo do meu ventre. Silenciosamente, castigo meu corpo por sua traição.

- Vamos deixar uma coisa bem clara. - ele rosna para mim. - Eu. Não. Pego. O. Que. Não. É. Oferecido. E ambos sabemos, querida, você ofereceu. - ele sorri.

Cerro os olhos, desejando que eu fosse uma daquelas pessoas que podem dizer tudo, as coisas certas nos momentos certos. Mas não sou. Em vez disso, penso nelas horas depois e só desejo que as tivesse dito. Sei que vou fazer isso mais tarde, pois não consigo pensar em uma única maneira de repreender este homem excessivamente confiante.

- Foda-se! - empurro meu queixo de seu alcance, caminhando para longe dele.

- Você é uma coisa um pouco mal-humorada. - seu sorriso arrogante é irritante. - Gosto de mal-humoradas. Isso só me faz te querer muito mais.

Imbecil!

Estou prestes a fazer uma réplica sobre o quão mulherengo ele obviamente é. Que sei sobre a sua "encontro" com alguém no corredor não muito tempo atrás. Eu fico olhando para ele, o pensamento fazendo barulho no fundo da minha cabeça.

Assim, quando estou prestes a abrir a boca, ouço a voz de Dane atrás de mim, chamando meu nome. Alívio me inunda quando me volto para vê-lo de pé no final do corredor, olhando para mim de forma estranha. Provavelmente perplexo com o meu estado desgrenhado.

- Hadley? Realmente preciso dessas listas. Você as conseguiu?

- Me perdi. - murmuro. Eu olho para trás, o Sr. Arrogante atrás de mim. - Estou indo. Só... espere por mim.

Dane acena com a cabeça para mim. Eu me viro para a porta do armário e pego rapidamente as placas espalhadas no chão, tão graciosamente quanto possível, e as empurro na bolsa.

Saio do armário e evito o encontro com os seus olhos quando começo a caminhar em direção a Dane. Exalo em silêncio, feliz por estar indo em direção a um terreno mais familiar quando ouço sua voz atrás de mim. - Essa conversa não acabou, Hadley.

- O inferno que não - lanço sobre o meu ombro, mantendo os ombros retos e cabeça erguida, na tentativa de manter o meu orgulho intacto.

Rapidamente chego a Dane, meu confidente e amigo de trabalho. Preocupação grava em seu rosto de menino quando engancho meu braço no dele, puxando-o de volta para a festa.

Uma vez que nós estamos na porta dos bastidores, solto o ar que não sabia que estava segurando e me encosto contra a parede.

- Que diabos aconteceu com você, Hadley? Você parece uma bagunça! - ele me olha para cima e para baixo. - E isso tem alguma coisa a ver com Adônis lá atrás.

Tem tudo a ver com o Adônis.

- Não ria. - digo olhando-o com cautela. - A porta do armário emperrou fechada, e eu estava presa no interior.

Ele sufoca uma risada e olha para o teto para conter. - Isso só iria acontecer com você!

Empurro o ombro de uma maneira amigável. - Realmente, não é engraçado. Tenho pânico. Claustrofobia. - preocupação pisca em seus olhos. - Eu me assustei, e esse cara me ouviu gritando e me deixou sair. Isso é tudo.

- Isso é tudo? - ele pergunta, seus olhos se estreitando em desconfiança.

Concordo com a cabeça. - Sim. - odeio mentir para ele, mas, por hora, é o meu melhor caminho.

**

Vestidos de grife são predominantes quando observo todas as celebridades, socialites e filantropos que enchem o teatro antigo. Hoje à noite é o ápice de muito dos meus esforços.

E estou meio fora da minha zona de conforto.

Dane discretamente revira os olhos para mim do outro lado da sala, pois ele sabe que prefiro muito mais estar em meu jeans habitual e rabo de cavalo. Permito que um fantasma de um sorriso enfeite meus lábios, enquanto aceno com a cabeça para ele.

Ainda estou tentando envolver minha cabeça com o que de bom grado permiti acontecer nos bastidores e a ferroada em saber que eu não fui a primeira pessoa que o Sr. Arrogante fez seus movimentos na noite.

- Aí está você, Hadley. - uma voz interrompe meus pensamentos.

Dirijo-me para encontrar o meu chefe. Um homem em pé, perto de 1,98 metros de altura, com um coração maior do que de qualquer um que já conheci. Apropriadamente, ele se parece com um grande urso de pelúcia. - Teddy! - digo carinhosamente quando me inclino para um braço. - Parece que tudo está caminhando bem, você não acha?

- Graças a todos os seus esforços. Pelo que ouvi, os cheques estão chegando. - sua boca se enverga num ligeiro sorriso.

- Só porque é uma maneira bem sucedida de arrecadar o dinheiro, não significa que tenho que concordar com isso. - relutantemente admito, tentando não parecer uma puritana.

É um debate que nós tivemos inúmeras vezes ao longo dos últimos dois meses em relação à data do leilão. Mesmo que seja por caridade, eu não entendo por que mulheres estão dispostas a se vender pelo maior lance. Não posso evitar, mas acho que os concorrentes vão querer mais do que apenas um encontro pelos quinze mil dólares de oferta inicial.

- Não é como se nós estivéssemos gerenciando um bordel, Hadley. - Teddy adverte. Ele olha por cima do meu ombro direito quando um convidado chamou sua atenção. - Oh, há alguém que quero que você conheça. Esta é uma causa muito próxima e querida para ele. Ele é um dos filhos de nossos mesários que... - ele interrompe sua explicação, pois quem quer que seja se aproxima. - Donavan! Bom te ver.

Eu me viro, disposta a fazer uma nova amizade, e então encontro os olhos confusos do Sr. Arrogante.

Merda!

Capítulo 3 03

POV HADLEY

Como é que, apesar de ter 26 anos de idade, de repente me sinto como uma pré-adolescente?

A meia hora de distância dele não fez nada para diminuir sua ardente boa aparência, ou o impulso proibido que ele exerce sobre a minha libido.

Sua estrutura alta e forte está coberta por um smoking preto perfeitamente sob medida, que grita afluência, e meu conhecimento que, por baixo do casaco, se encontra um torso obviamente tonificado.

No entanto, apesar de seu magnetismo, ainda estou furiosa com ele.

Minha mente desperta novamente com a noção de que ele parece familiar, que se assemelha a alguém que conheço, mas o choque de vê-lo novamente substitui o pensamento sibilante na minha cabeça.

Ele sorri para mim, sua alegria aparente, e tudo o que posso pensar é como senti aqueles lábios nos meus. Como seus dedos, segurando um copo agora, viajaram sobre a minha pele nua.

Coloco um sorriso falso no rosto, meus olhos brilham em Donavan, quando Teddy se dirige a ele. - Tem alguém que gostaria que você conhecesse. Ela é a responsável por trás do que você vê hoje à noite. - Teddy se vira para mim, colocando uma mão nas minhas costas. - Hadley Thomas, por favor, conheça...

- Nós já nos conhecemos. - digo docemente, interrompendo-o, o açúcar escorrendo das minhas palavras quando sorrio para eles. Teddy olha para mim estranhamente. - Obrigada pela apresentação, no entanto. - continuo olhando de Teddy para Donavan, estendendo a mão para apertar a mão dele, como se ele fosse apenas mais um potencial benfeitor.

Arrastando seus olhos de mim e meu comportamento anormal, Teddy se concentra de novo no Sr. Arrogante. - Você está se divertindo?

- Imensamente. - ele brinca, liberando seu aperto de mão muito longo.

Tenho que me segurar para não bufar diante do seu comentário irônico. Como ele pode não estar se divertindo? Bastardo arrogante. Talvez devesse entrar no palco e fazer uma enquete no pátio de mulheres aqui esta noite, para ver quem ele ainda não tinha seduzido.

- Você foi capaz de experimentar um pouco da comida? Hadley conseguiu um dos chefes mais quentes de Hollywood para doar seus serviços. - explica Teddy, sempre tentando ser o anfitrião perfeito.

Donavan olha para mim, com humor franzindo os cantos dos olhos. - Tive um gostinho de algo enquanto estava perambulando nos bastidores. - sugo o meu fôlego com sua insinuação enquanto ele muda os olhos de volta para Teddy. - Foi um pouco inesperado, mas muito requintado. - ele murmura. - Obrigado.

Ouço alguém chamar pelo nome de Teddy, e ele me olha novamente com curiosidade antes de se desculpar. - Se vocês me dão licença, estou sendo chamado em outro lugar. - ele se vira para Donavan. - Obrigado por ter vindo.

Nós dois acenamos em concordância para Teddy. Franzindo o cenho, viro sobre o meu calcanhar para me afastar de Donavan.

Sua mão apressadamente fecha por cima do meu braço nu, me puxando para que minha parte traseira fique contra o comprimento de seu corpo. Minha respiração prende. Olho em volta, feliz por não ter chamado atenção.

Posso sentir o toque do queixo de Donavan no meu ombro enquanto sua boca se aproxima da minha orelha. - Por que você está tão irritada, Srta. Thomas? - há um frio cortante em sua voz, que me avisa que ele não é um homem para ser perturbado. - Será que é porque você não pode abandonar suas maneiras de alto nível e admitir que, apesar do que a sua cabeça diz, o seu corpo quer mais desse lado rebelde, tipo andar do lado errado dos trilhos? - ele ri baixo, na verdade um rosnado no meu ouvido. - Ou você tem tanta prática em ser frígida que sempre se priva do que quer.

Arrepio-me, tentando, sem sucesso, puxar meu braço de seu aperto firme. Um casal passa por nós, nos observando de perto. Tentando descobrir a situação entre nós.

Donavan libera meu braço, e esfrega a mão sobre ele. E apesar da minha fúria, ou talvez por causa dela, seu toque desencadeia uma infinidade de sensações em todos os lugares traçados pelos dedos sobre a minha pele.

Posso sentir sua respiração inclinando sobre meu rosto novamente. - É muito excitante, Hadley, saber que você está tão sensível. Muito inebriante. - ele sussurra enquanto passa um dedo no meu ombro nu. - E sei que quer explorar porque seu corpo reage da mesma forma pra mim. Você acha que não vi você me despindo com os olhos? - suspiro quando ele coloca a mão no meu estômago e me puxa com força contra ele.

Apesar da minha raiva, é uma sensação inebriante saber que posso fazer este homem reagir de tal forma. Mas, novamente, ele provavelmente reage desta forma às inúmeras mulheres que, sem dúvida, se lançam aos seus pés de forma regular.

- Você tem sorte de eu não te arrastar de volta para o armário que a encontrei e pegar o que você ofereceu. - ele belisca suavemente o meu ouvido, e tenho que sufocar um incontrolável gemido que ameaça escapar.

Nunca ninguém tinha falado dessa maneira comigo - jamais teria pensado que permitiria alguém dizer essas palavras - mas as suas palavras, o vigor com que foram ditas inesperadamente, me excitou.

Estou brava com meu corpo por sua reação espontânea a este homem pomposo. Ele, obviamente, conhece o poder que tem sobre o corpo de uma mulher e, infelizmente, esse corpo é o meu no momento.

Viro-me lentamente para encará-lo e estreito os olhos. Minha voz é fria como gelo. - Presunçoso você, não? Sem dúvida, o modo operante típico é fodê-la e descartá-la? - seus olhos se arregalam em resposta à minha vulgaridade inesperada. Ou talvez ele esteja apenas surpreso que eu o tenha descoberto tão rapidamente. Seguro o seu olhar, meu corpo vibrando com raiva. - Quantas mulheres você já tentou seduzir hoje à noite? - levanto as sobrancelhas. - O quê? Você não sabia que me deparei com você e sua primeira conquista da noite na pequena alcova dos bastidores? - os olhos de Donavan alargam com as minhas palavras. - Será que ela o fez jogar seu próprio jogo e o deixou você querendo mais? Então você teve que escolher uma mulher desesperada trancada em um armário para se aproveitar? Quero dizer, realmente, em quantas mulheres você já tentou deixar sua marca hoje?

- Ciúmes, querida? - ele levanta as sobrancelhas quando seu sorriso pisca arrogância. - Nós podemos sempre terminar o que começamos, e você pode me marcar da maneira que quiser.

Gentilmente, coloco minha mão contra o peito dele, empurrando-o de volta. Adoraria tirar esse sorriso do seu rosto. Deixar a minha marca dessa forma. - Desculpe, não perco meu tempo. Vá encontrar alguém...

- Cuidado, Hadley. -ele adverte quando agarra meu pulso, parecendo tão perigoso como a ameaça em sua voz. - Não reajo bem a insultos.

Tento arrancar meu pulso para longe, mas permaneço sob seu domínio. Para qualquer pessoa na sala que olhasse, era como se eu estivesse colocando minha mão em seu coração. Eles não podem sentir a força de aço de seu aperto.

- Então, já ouvi isso. - atiro. - Você só me quer porque sou a primeira mulher que diz não ao seu lindo rosto e não vai foder com você. Você está tão acostumado a todas as mulheres caindo aos seus pés, sem trocadilhos, que você vê um desafio, alguém imune ao seu charme e não tem certeza de como reagir.

Apesar de seu encolher de ombros indiferente, posso ver a irritação subjacente quando ele libera meu pulso. - Quando gosto do que vejo, vou atrás.

Balançando a cabeça, reviro os olhos. - Não, você precisa provar para si mesmo que pode, de fato, ter qualquer garota que cruza seu caminho. Seu ego está machucado. Entendo. - eu o trato com condescendência, acariciando seu braço. - Bem, não se preocupe, eu perdi esta corrida.

Ele levanta uma sobrancelha, um fantasma de um sorriso em seus lábios enquanto ele descobre algo engraçado no meu comentário. O músculo pulsa em sua mandíbula tensa quando ele me considera momentaneamente. - Vamos esclarecer uma coisa, - ele se inclina a centímetros da minha boca, o brilho em seus olhos me avisando que tinha ido longe demais. - Se eu quiser você, eu posso e terei, a qualquer hora e em qualquer lugar.

Eu bufo do modo mais grosseiro, espantada com sua audácia, ainda tentando ignorar a aceleração do meu pulso com o pensamento. - Não apostaria nisso. - zombo quando apressadamente tento contorná-lo, o deixando para trás.

Sua mão aparece e agarra o meu braço de novo, me girando para trás, em direção a ele. Posso ver a sua pulsação na linha abaixo de sua mandíbula. Posso sentir o tecido de sua jaqueta batendo no meu braço, o peito subindo e descendo.

Olho para a mão no meu braço e de volta para ele em aviso, mas seu aperto ainda permanece. Ele inclina o rosto no meu, para que eu possa sentir sua respiração levemente na minha bochecha. Inclino minha cabeça até a dele, não tenho certeza se estou levantando o queixo em desafio ou em antecipação de ser beijada.

- Sorte sua, sou um homem de apostas, Hadley. - sua voz ressonante é apenas um sussurro. - Eu, na verdade, gosto de um bom desafio, agora e depois. - ele provoca com um sorriso malicioso brincando nos cantos de sua boca.

Ele solta meu braço, mas passa o dedo preguiçosamente para baixo do resto. A raspagem suave do dedo em minha pele exposta provoca arrepios nas minhas costas.

- Então vamos fazer uma aposta. - ele para e acena para um conhecido que passa, me trazendo de volta do meu devaneio.

Quando me esqueci de que estávamos em uma sala cheia de pessoas?

- Sua mãe não lhe ensinou quando uma mulher diz não, ela realmente quer dizer não? - levanto minha sobrancelha.

Aquele sorriso bajulador dele está de volta com força total quando ele acena com a cabeça em reconhecimento ao meu comentário. - Ela também me ensinou que, quando quero alguma coisa, preciso perseguir até conseguir.

Ótimo, então agora adquiri um perseguidor.

Ele estende a mão e brinca com um cacho solto na lateral do meu pescoço. - Então, como eu disse, Had, uma aposta?

Eu me arrepio com sua proposta. Ou talvez seja pelo seu efeito em mim. - Isso é estúpido.

- Aposto que até o final da noite... - ele me corta, segurando a mão para me parar. - Eu terei um encontro marcado com você.

Rio em voz alta, me afastando dele. - Nem fodendo.

Ele toma um gole de sua bebida, sua expressão está cautelosa. - Do que você tem medo, então? Que você não pode resistir a mim? - ele pisca um sorriso malicioso quando reviro os olhos. - Concorda então. O que você tem a perder?

- Então você tem um encontro comigo e seu ego ferido é restaurado. - dou de ombros com indiferença. - O que eu ganho no caso?

- Se você ganhar...

- Você quer dizer... se eu puder resistir ao seu charme deslumbrante. - respondo com minha voz cheia de sarcasmo.

- Deixe-me reformular. Se você puder resistir ao meu charme deslumbrante até o final da noite, então vou doar. - ele pisca os dedos através do ar em um gesto de irrelevância. - Digamos, vinte mil dólares para a sua causa.

Recupero o fôlego e olho para ele com espanto, por isso posso concordar. Sei que não há nenhuma maneira no inferno de que vou sucumbir a Donavan. Estava presa em sua teia tentadora por alguns momentos, mas foi só porque faz muito tempo desde que me senti assim. Desde que fui beijada assim. Tocada assim.

Eu o observo, tentando descobrir a armadilha. Talvez não haja uma. Talvez ele seja tão convencido de que realmente acha que é irresistível. Tudo o que sei é que vou aumentar a nossa contribuição total essa noite em vinte mil.

- Esta aposta vai colocar um ponto final na perseguição de outra companheira para sua cama? - pauso. - Isso não está parecendo muito promissor, considerando que você já conseguiu duas essa noite.

- Acho que vou conseguir. - ele ri alto. - Não se preocupe comigo. - ele graceja. - Além disso, a noite é uma criança, e, pelas minhas contas o resultado é um até agora. - ele arqueia as sobrancelhas para mim. - Não pense mais, Hadley. É uma aposta. Pura e simples.

Cruzo os braços sobre o peito. A decisão é fácil. - É melhor deixar o seu talão de cheques pronto. Não há nada que eu goste mais do que provar a bastardos arrogantes como você que estão errados.

Ele toma um gole de sua bebida, seus olhos nunca deixando os meus. - Tenho certeza que está segura de si mesma.

- Meu autocontrole é algo de que me orgulho.

Donavan dá dois passos mais perto de mim novamente. - Autocontrole, certo? - ele murmura. - Parece que já testaram essa teoria, Hadley, e ela não parecia ser verdadeira.

- Ok. - digo a ele, mostrando a mão para apertar a sua. - É uma aposta. Mas vou logo te avisando... eu não perco.

Ele estende a mão para pegar a minha, com um sorriso largo iluminando seu rosto, os olhos brilhando de uma vibrante esmeralda. - Nem eu, Hadley. - ele murmura. - Nem eu.

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