Pedro Alvares, um bilionário do mercado imobiliário, era o marido perfeito.
Sua devoção a Sofia Lima, sua esposa, era lendária, e ele não economizava esforços para expressar seu amor em demonstrações públicas grandiosas.
Mas essa imagem perfeita estava prestes a ruir.
Um pequeno pacote rosa, contendo uma camisinha sabor morango – que Sofia detestava –, caiu do bolso do casaco de Pedro.
Um arrepio gelado correu por Sofia, pois a embalagem era idêntica à que ela vira nas mãos de Camila, a secretária de Pedro, o que reacendeu uma memória recente e desconfortável.
A voz de Pedro, vindo do banheiro, a tirou do transe: "Amor, no que você está pensando?".
Vendo o rosto pálido de Sofia, ele franziu a testa, preocupado, e ela o encarou por longos segundos.
A mentira sobre a camisinha saiu da boca dele com uma naturalidade assustadora, e Pedro agiu como se Sofia o tivesse ofendido profundamente.
Pedro conseguiu acalmá-la, mas a cena subsequente, onde ele se esgueirava para atender um telefonema de Camila, que apareceu encharcada na porta de sua casa, revelou a terrível verdade.
Sofia viu Pedro beijar Camila na chuva e, por um momento, Pedro parecia preocupado, ele não queria que sua "esposa" o descobrisse.
Entretanto, ele não estava preocupado com a esposa, mas sim com sua "amante".
"Não! Se minha esposa te visse aqui, seria um problema enorme", ele disse enquanto a despachava.
Ali, naquele momento, Sofia percebeu a profundidade da farsa: seu marido não apenas a estava enganando, mas o romance extraconjugal com sua secretária, Camila, era elaborado e envolvia mentiras contínuas.
Presa em um casamento de aparências, onde o homem que jurou dedicação a traía, Sofia encarou uma verdade dolorosa.
Seis anos de amor e confiança evaporaram.
Como ela poderia lidar com essa traição, especialmente quando a traidora era a mesma mulher que ela ajudou Pedro a contratar?
O que Sofia fará agora que o "homem dos seus sonhos" revelou ser um mentiroso?
O bilionário do setor imobiliário, Pedro Alvares, era a personificação do marido perfeito aos olhos de toda a cidade. Sua devoção à esposa, Sofia Lima, era lendária.
Para celebrar o aniversário dela, ele não media esforços.
A cidade inteira se iluminou com fogos de artifício, e as ruas se encheram do perfume de milhares de rosas que ele havia comprado.
Enquanto os fogos explodiam no céu em cores vibrantes, Pedro se inclinou e a beijou com uma ternura que parecia genuína.
"Meu amor, eu nunca vou deixar você invejar nenhuma mulher neste mundo."
Rosas vermelhas, as favoritas dela, formavam um castelo de flores na praça principal. Do topo do prédio de 33 andares da empresa dele, uma declaração em luzes de neon era visível por quilômetros.
"Sofia, eu te amo."
Quando Sofia pegou um resfriado e teve uma febre leve, Pedro agiu como se o mundo estivesse acabando. Ele parecia pronto para mobilizar todos os médicos particulares da cidade para cuidar dela em casa.
Até mesmo um enorme outdoor no coração do centro da cidade não exibia uma propaganda de seus empreendimentos, mas sim a foto do casamento deles, uma celebração constante do que todos chamavam de "amor de conto de fadas".
Mas essa imagem perfeita estava prestes a se quebrar.
Há poucos instantes, enquanto Sofia se preparava para guardar o casaco que Pedro havia deixado jogado sobre uma cadeira, algo caiu do bolso.
Um pequeno pacote rosa caiu silenciosamente no tapete felpudo.
Uma camisinha.
E não era uma marca que eles usavam. Era do sabor que ela mais detestava em toda a sua vida: morango.
Sofia ficou paralisada, o choque percorrendo seu corpo como um arrepio gelado. Sua mão tremeu quando ela se abaixou para pegar o pequeno invólucro.
A embalagem rosa-choque, o cheiro enjoativo e artificial de morango que emanava dela, tudo era terrivelmente familiar.
Uma memória recente e desconfortável veio à sua mente.
Ela se lembrou de ter visto a secretária de Pedro, Camila, com uma embalagem idêntica. Alguns dias atrás, no corredor da empresa, Camila esbarrou nela e deixou sua bolsa cair, espalhando o conteúdo pelo chão.
"Tudo bem?", Sofia perguntou, agachando-se instintivamente para ajudar a recolher os itens.
Camila corou violentamente enquanto pegava apressadamente uma caixa daquelas mesmas camisinhas de morango.
"São para o meu namorado", ela disse, com a voz um pouco apressada. "A gente usa muito."
A lembrança congelou Sofia por dentro, arrancando o ar de seus pulmões.
"Amor, no que você está pensando?"
A voz de Pedro a tirou de seu transe. Ele saiu do banheiro, secando o cabelo com uma toalha, e a envolveu em um abraço por trás, como sempre fazia.
Vendo o rosto pálido de Sofia refletido no espelho, ele franziu a testa, preocupado.
"O que houve? Alguém te chateou? Me diga quem foi, e eu o demito na mesma hora!"
Sofia se virou lentamente e o encarou. Seis anos de casamento. Seis anos em que ele sempre foi o marido mais gentil e atencioso que se poderia imaginar.
Se ela ficava um pouco chateada, ele comprava todas as rosas da cidade. Se ela queria ver um filme que não estava mais em cartaz, ele construía um cinema particular para ela em casa.
Todos diziam que ele era o homem dos sonhos, rico e completamente dedicado a ela.
Ela costumava brincar com ele, dizendo que com tanto poder e devoção, ele se tornaria um "rei tirano" e ela, a "concubina fatal" que o levaria à ruína.
Mas Pedro apenas a abraçava mais forte e dizia, com a voz cheia de paixão: "Se você for a concubina fatal, então eu serei o rei tirano. Ele gastou tudo por ela, e eu gastarei tudo por você."
As palavras ainda ecoavam em sua mente como se tivessem sido ditas ontem. Mas a pessoa que as disse... parecia ter mudado.
Sofia deu um sorriso amargo, um sorriso que não alcançou seus olhos. Ela levantou a mão e mostrou a embalagem rosa.
"O que é isso?"
O rosto de Pedro ficou pálido por uma fração de segundo, mas ele se recompôs quase instantaneamente, sua expressão mudando para uma de confusão.
"Amor, onde você achou isso? Eu nunca vi esse negócio."
Sofia apontou para o casaco dele sobre a cadeira.
"Caiu do seu bolso."
Pedro bateu na própria testa, como se tivesse se lembrado de algo tolo.
"Ah, minha culpa, amor. Devo ter pegado errado na confraternização da empresa. Tinha um balde de frango frito, e eu peguei isso pensando que era uma daquelas luvas descartáveis para não sujar as mãos."
Sofia o encarou em silêncio, seus olhos buscando qualquer sinal de mentira.
Pedro, vendo que ela não estava convencida, ficou com os olhos vermelhos, cheios de uma falsa mágoa. Ele a abraçou com força.
"Sofia, você não está pensando que isso é meu, está? Você odeia morango, nós nunca teríamos isso em casa. Não pode ser meu."
Ele a beijou na testa, na bochecha, na boca.
"Você é a minha vida. Se você não acredita em mim, eu vou agora mesmo descobrir quem trouxe essa porcaria para a empresa e vou demitir essa pessoa."
Pedro se levantou, pronto para sair e encenar sua farsa.
Sofia o segurou pelo braço. Ela forçou um sorriso.
"Não precisa. Eu confio em você."
Pedro sorriu de volta, aliviado. Ele bagunçou o cabelo dela carinhosamente e foi para a cozinha. "Vou preparar seu almoço para amanhã, meu amor."
Apoiada no corrimão da escada, Sofia observou a figura ocupada dele na cozinha. Por seis longos anos, não importava o quão ocupado ele estivesse com seus negócios bilionários, Pedro insistia em cozinhar para ela.
As colegas de trabalho dela sempre perguntavam por que ele não contratava um chef particular.
Ele sempre respondia com um sorriso orgulhoso: "A Sofia gosta da minha comida."
Ele sempre se lembrava do que ela gostava. Mas ele parecia ter esquecido de uma coisa crucial.
No dia do casamento deles, ela lhe disse claramente, olhando em seus olhos.
"Se um dia você me enganar, eu vou desaparecer da sua vida para sempre."
Naquela mesma noite, a tempestade que se formava do lado de fora parecia um reflexo da turbulência no coração de Sofia.
Pedro, pensando que ela já dormia profundamente, levantou-se da cama com o máximo de cuidado. O som do celular dele vibrando era quase inaudível, mas Sofia estava mais alerta do que nunca.
Ela o ouviu atender a ligação, a voz dele era um sussurro abafado vindo do andar de baixo.
"Eu não te disse para não me ligar depois do trabalho?"
"Discuta isso na empresa amanhã. Não perturbe a minha esposa..."
Houve uma pausa. A voz de Pedro mudou, tornando-se tensa.
"O quê? Você veio até a minha casa?"
Ele desligou o telefone abruptamente. Sofia ouviu os passos apressados dele em direção à porta da frente.
Com o coração batendo descontroladamente, ela se levantou e foi até a janela do quarto, escondendo-se atrás da cortina pesada. A chuva caía forte, impiedosa.
Lá embaixo, sob a luz fraca do poste da rua, ela viu a silhueta de uma garota.
Camila.
Ela estava completamente encharcada, o cabelo grudado no rosto, parecendo frágil e desamparada.
Pedro abriu a porta, já segurando um grande guarda-chuva preto. Ele parecia irritado.
"Por que você veio? Eu não disse para você nunca aparecer perto da minha casa ou da minha esposa?"
A voz de Camila chegou fraca até a janela, embargada pelo choro e pela chuva.
"Pedro, eu tenho medo de trovões... Eu senti sua falta."
E então, diante dos olhos de Sofia, Camila se jogou nos braços dele e o beijou.
Um beijo longo, desesperado.
Pedro ficou rígido por um momento, o guarda-chuva protegendo os dois da chuva, uma mão ainda segurando a cintura dela.
"Bobagem", ele disse quando o beijo terminou, mas ele não a empurrou. Em vez disso, ele usou a mão livre para limpar a chuva do rosto dela.
"Como você vivia antes de me conhecer? Está toda molhada, vou te levar para tomar um banho, senão vai pegar um resfriado."
As roupas de Camila, finas e coladas ao corpo pela chuva, realçavam todas as suas curvas. Sofia viu Pedro desviar o olhar, a garganta dele se movendo enquanto engolia em seco.
"Pedro, posso tomar banho na sua casa?", Camila perguntou, com uma voz manhosa.
O rosto de Pedro ficou sério de repente.
"Não! Se minha esposa te visse aqui, seria um problema enorme. Vou te levar para um hotel."
Ele tirou o paletó que vestia sobre o pijama, jogou sobre os ombros trêmulos de Camila e tirou as chaves do carro do bolso.
"Espere no carro."
Pedro voltou para dentro, fechando a porta com cuidado. Sofia correu de volta para a cama, enfiando-se debaixo das cobertas, o corpo tremendo.
Ela ouviu os passos dele subindo a escada e entrando no quarto. Ele começou a trocar de roupa no escuro, tentando não fazer barulho. Ele estava prestes a sair e apagar a luz do quarto quando a voz dela o parou.
"...Não apague a luz."
O som da voz dela o fez congelar no lugar.
Ele se virou lentamente, um sorriso rígido e forçado no rosto.
"Esposa, quando você acordou?"
Sofia o encarou, fingindo ter acabado de despertar, o rosto sonolento.
"Marido, por que você está aí parado? Não vai deitar?"
Seu olhar desceu para as roupas que ele vestia agora, uma calça jeans e uma camisa.
"Você não estava de pijama? Vai sair?"
"Não, não", ele disse rapidamente, a voz um pouco tensa. "Só estava experimentando uma roupa para amanhã. Vou dormir agora, esposa."
Pedro pediu que ela dormisse primeiro, que ele iria ao banheiro. Mas Sofia insistiu, estendendo a mão para ele.
"Deita comigo."
Pedro, com o rosto tentando manter a calma a todo custo, não teve escolha. Ele tirou a roupa de rua, vestiu o pijama novamente e deitou-se ao lado dela, abraçando-a com força.
"Meu amor, seu marido vai te abraçar para dormir."
Sofia fechou os olhos, mas as imagens de Pedro e Camila se beijando na chuva a atormentavam, queimando em sua mente.