Neste mundo há apenas duas tragédias:
uma a de não satisfazermos os nossos desejos,
e a outra a de os satisfazermos.
Oscar Wilde
- Qual é o seu problema, garota? - grita, visivelmente irritado.
Eu estremeço, amedrontada com o seu tom de voz alterado. Em alguns momentos, Christopher me causa medo. Ergo o queixo em um gesto imponente, impedindo que ele note o quanto fraca eu fico diante de sua presença.
- Qual é o meu problema? - rio com ironia e me viro de costas para ele. - Você acabou de destruir o celular que papai me deu antes de partir - digo, com lágrimas nos olhos - jogando-o contra a parede, e ainda tem a cara de pau de perguntar qual é o meu problema? - completo, desolada ao ver os pequenos fragmentos do meu celular espalhados pelo chão.
Ele evita contato visual, está visivelmente envergonhado por sua atitude. Com movimentos bruscos, ele solta o meu braço, então passo a mão sobre o local atingido, onde sinto uma ardência se misturando com pequenas marcas vermelhas deixadas pelos seus dedos na minha pele branca. Seus olhos deslizam pelo meu braço marcado por sua ira e eu o vejo apertar os lábios entre os dentes.
- Você me tira do sério. - Bufa.
Com passos largos, Christopher caminha dentro do cômodo de um lado para o outro, parecendo irritado. Eu tenho a consciência de que muitas vezes eu o faço perder a cabeça, mas nada que justifique a sua atitude. Lágrimas escorrem pelo meu rosto, lágrimas de decepção.
- Você me faz perder a cabeça, Julha.
- Eu só estava...
- Não quero saber o que você estava pretendendo quando atendeu à ligação daquele moleque idiota - ele me interrompe. Seu tom de voz me assusta, mas eu não deixo que ele perceba. - Você está aqui, comigo - grita e acabo dando um passo para trás com o susto. Em passos lentos, ele se aproxima. - Você não pode fazer isso quando estiver comigo. - Gesticula com as mãos, enquanto dou mais um passo para trás.
- Ele é o meu namorado. Qual é o problema nisso? - Engulo em seco e seus olhos, que agora carregam um tom acinzentado, me fuzilam. - Eu não vou deixar de falar com ele apenas por que sei que você... Ai! - assustada, solto um grito ao sentir suas mãos me pegarem de surpresa e me colocarem contra a parede, prendendo os meus pulsos acima da cabeça.
Nossos rostos estão tão próximos que consigo sentir a sua respiração ofegante e o hálito de hortelã. Engulo em seco, excitada. O meu padrasto é a minha tentação. Sua língua desliza por seus lábios, umedecendo-os, despertando ainda mais a minha libido.
- Entenda uma coisa, Julha Thompson - umedece mais uma vez os lábios e dá uma leve mordida em seu lábio inferior e, em seguida, seus olhos queimam o meu corpo -, quando você estiver comigo, sua atenção deve se voltar apenas e unicamente para mim.
Ele cola ainda mais o seu corpo ao meu, então sinto o seu pau enrijecido roçar na minha virilha. Um gemido de excitação vindo do fundo da minha garganta escapa da minha boca. Um sorriso malicioso dança em seus lábios e ele me surpreende quando sua boca possui a minha com urgência.
Não penso muito, só me deixo levar pelo momento. Somos apenas nós matando o nosso desejo carnal. O nosso beijo se aprofunda, arrebatador. Seus lábios me consomem quente, excitante, minha razão exige que eu pare, mas a minha língua não me obedece e tudo o que eu quero é ter mais da sua boca gostosa. Uma mão segura firme a minha nuca, ao mesmo tempo em que a outra pressiona a minha cintura. Um gemido rouco de excitação escapa pelos meus lábios, meu corpo está quente, formigando em resposta à sua ereção pressionada contra a minha intimidade. Ofego.
Ao me dar conta da loucura que estou cometendo, espalmo as mãos em seu peito e o afasto para longe, parando o nosso beijo. Então o gosto amargo do arrependimento apodera-se de mim com força.
- O que há com você? - ele pergunta, as sobrancelhas arqueadas, surpreso. O cretino não está acostumado a ser rejeitado.
- Você realmente não sabe o que há comigo? - rio com escárnio e balanço a cabeça em negativa.
Raiva é o sentimento que descreve o meu estado emocional neste momento. Ele não podia ter feito isso, não com uma doce lembrança que eu havia recebido do meu pai antes de sua partida. Não é pelo valor do material, posso ter dezenas de aparelhos como este, mas nenhum terá o mesmo valor sentimental.
Um filme daquele dia se passa em minha cabeça e eu me recordo de quando ele me presenteou com o objeto. Era visível a sua ansiedade por saber qual seria a minha reação. O meu peito aperta e eu sinto saudades. Saudades do meu pai, o homem que além de ser um bom filho e um ótimo marido, era um pai excepcional. Ele dedicou até o seu último dia de vida para ver a sua família feliz.
- Julha, estou falando com você. - Ele me desperta do meu devaneio.
Estremeço com a rispidez com que se dirige a mim, então ergo o meu queixo de maneira imponente e volto a me revestir de uma falsa confiança.
- O que está acontecendo? - Ele se aproxima, mais do que eu gostaria, e pousa suas mãos em meus braços, segurando-os com firmeza, mas se me machucar.
Minha pele fica arrepiada e meu coração falha uma batida. Eu o fito com surpresa, ao mesmo tempo que um sentimento de raiva lambe o meu corpo como uma tocha de fogo que toca a minha pele, queimando e ardendo, semicerro os olhos com a visão embaçada por conta das lágrimas não derramadas.
- Por que você me odeia tanto? - Um soluço escapa da minha boca. Meu corpo estremece e meu sangue circula rapidamente tamanha é a ira que sinto. Eu deveria, mas não controlo a língua. - O que foi que eu fiz para você me odiar tanto? Vamos, me diga. - Deslizo a língua em meus lábios molhados e salgados das lágrimas que eu não havia notado que caíram. Rapidamente, passo a mão em meu rosto para secá-las.
- Julha... Julha, me ouça. Eu... eu quero que me desculpe... - gagueja. Com um único movimento, ele se aproxima, agarra o meu braço e me puxa para perto de si, colando os nossos corpos. Os nossos olhos se cruzam por alguns minutos, segundos talvez, não sei exatamente, mas é tempo suficiente para que ele deixe escapar através deles um resquício de arrependimento.
- De onde você tirou isso, meu doce? Eu não te odeio. - Ele pousa uma de suas mãos em minha nuca, trazendo a minha cabeça para o seu peito.
- Por favor, Christopher, me deixe - peço como súplica, mas é tarde demais, ele me envolve em seus braços em um abraço carinhoso.
- Querida, me desculpe. - Sua voz soa rouca e ele parece arrependido.
Carinhosamente, seus lábios tocam o topo da minha cabeça. Meu coração bate acelerado com a aproximação, mas eu me recuso a ceder às suas investidas. Cruzo os braços na frente dos meus seios na tentativa de controlar o louco desejo de envolver as mãos em volta da sua cintura e o abraçar com força. Intencionalmente, fecho os olhos e me deixo seduzir por seu perfume amadeirado, inalando como se eu necessitasse dele para sobreviver. Seu perfume me acalma, é um bálsamo para a minha alma.
- Julha, me perdoe. Eu me descontrolei, não deveria, sei disso, mas aconteceu. Eu quero que me perdoe, princesa. - Com uma de suas mãos, ele prende o meu corpo contra o dele e desliza carinhosamente a mão em minhas costas. Seu coração bate descompassado e sua respiração é ofegante. Eu me sinto embevecida por seu hálito de hortelã misturado ao seu perfume quando invade as minhas narinas. Esta é suficiente para me deixar excitada.
- Eu quero beijar você - enuncia.
Loucamente, eu anseio pelo toque dos seus lábios e, da mesma maneira que a sua respiração, a minha está descompassada, mostrando que as suas palavras me afetam.
- Christopher, é melhor pararmos por aqui...
- Me diga como? - Ele afasta alguns centímetros o seu corpo do meu, toma o meu queixo em uma de suas mãos e me fita com desejo. - Sua boca, não permite, Julha - sua voz soa como um sussurro. Ele morde seu lábio inferior, fazendo todo o meu corpo arrepiar.
Sinto o seu pau totalmente ereto roçar em minha vulva e uma lufada de ar desprende da minha garganta antes de me dar conta que estou molhada de tesão.
- Eu digo quando parar, pequena.
Um sorriso malicioso dança em seus lábios, e eu confesso para mim mesma que o quero aqui e agora. Eu sabia que não adiantaria nada me negar, porque de alguma forma já pertencia a ele. Fecho os olhos e permito a sua aproximação. A ponta da sua língua quente toca os meus lábios, então choramingo. Não consigo esconder o sorriso de satisfação que estampo em meu rosto. Ele contorna lentamente os meus lábios com sua língua, umedecendo-os, aguçando a minha libido.
- Entenda isso de uma vez por todas, Julha Thompson. - Ele molha mais uma vez seus lábios e meus olhos acompanham minuciosamente os movimentos, enquanto engulo em seco, concentrada em sua boca convidativa.
Os seus olhos percorrem o meu rosto, queimam meu colo, que sobe e desce freneticamente com o ritmo acelerado da minha pulsação. Christopher aproxima seus lábios dos meus e seus dentes branquinhos alcançam a minha boca, mordiscando o meu lábio inferior. Eu sei onde ele quer chegar e não me farei de rogada, desejo insanamente ser possuída por ele.
- Ouça, pequena, quando estivermos juntos, apenas eu e você, a sua atenção deve se voltar unicamente para mim - diz em seu modo autoritário.
- Humm. - Com a boca aberta e ofegante, gemo em excitação.
- Isso, geme pra mim, meu doce. Exponha os seus desejos mais obscuros. - Ele eleva os meus pulsos e prende um de cada lado acima da minha cabeça, enquanto a sua boca se aproxima da minha e me deixa ansiosa por seus beijos. Sua boca vai de encontro a minha. Seu beijo me excita. Sua língua me invade. Ele segura o meu rosto entre as mãos e aprofunda o beijo. Chupa, morde e lambe a minha língua intensamente.
- Eu quero... - digo, entre o beijo, antes de girar lentamente os quadris, pressionando a minha vulva contra a sua ereção para sentir mais do seu desejo. Christopher é gostoso e eu almejo ter mais dele. Quero libertar os meus pulsos das suas mãos, mas ele não permite e os mantém seguro com mais um pouco de força, porém sem me machucar.
- O que você deseja, meu anjo? - sussurra com os lábios próximos da minha orelha. Sua língua passeia por ali, penetra, sussurra palavras sujas, deixando a minha pele arrepiada.
- Você - digo, com a voz rouca e as pernas trêmulas.
Uma de suas mãos toca a minha intimidade por cima da roupa. Estremeço. Eu não sei qual será o seu próximo passo, mas já estou entregue e não me importo mais, quero apenas me entregar.
- Eu não ouvi, querida - provoca, deslizando a língua entre os meus lábios e me fazendo gemer.
Nossas línguas voltam a se unir e iniciam uma dança sensual. Sua respiração se torna pesada. Suas mãos habilidosas libertam meus pulsos e se concentram em minha cintura, então com os pulsos libertos, deslizo os meus dedos entre seus cabelos macios, cheirosos, enquanto uma de suas mãos envolve o meu cabelo preso em um rabo de cavalo.
- Eu quero você - digo, trêmula, e engulo uma boa quantidade de saliva que se formou em minha boca. - Por favor - peço, como uma enferma em busca da cura.
Sinto um pequeno sopro de ar que saiu com o seu sorriso malicioso bater contra o meu rosto.
- Você me leva à loucura, menina.
Levemente, ele puxa a minha cabeça para trás e um ardor gostoso percorre a minha pele. Sua mão livre desliza para dentro da minha blusa, seguindo para a minha barriga lisa, arrepiada, e em poucos segundos alcança os meus seios de auréola rosada e mamilo pontudo.
É desejo, prazer, a insana necessidade de sentir o toque dele me faz suspirar. Um beijo quente, molhado e tenso sela esse momento. Só se ouve gemidos, estalo de bocas e o barulhinho das roupas sendo tiradas do corpo.
Meus seios desnudos ficam ao seu dispor. Flexionando os joelhos para que os seus lábios fiquem na altura dos meus seios, ele aproxima a boca de um dos meus mamilos e dá um leve assopro em direção à pequena protuberância.
- Quero muito você - confesso, minha voz soa rouca. Descanso a cabeça contra a parede fria atrás de mim e fecho os olhos. O prazer que estou sentindo agora era desconhecido para mim, mas quando Christopher entrou em minha vida, despertou uma paixão ensandecida. Um sentimento que nunca imaginei que seria capaz de possuir.
- Vou tocar você em todos os lugares com a minha boca.
Estremeço, ele tem total domínio sobre mim. Prendo a respiração quando Christopher toma um dos meus seios na boca, sugando, lambendo, fazendo círculos em volta do mamilo com a ponta da sua língua quente, mordendo, chupando. Fito os meus seios e vejo que ele conseguiu o que almejava, estou com a sua marca. Marcada por seu desejo.
Seus lábios percorrem de um seio a outro, depositando selinhos estalados no colo, ombros, queixo e, por fim, alcança os meus lábios avermelhados pela intensidade dos nossos beijos. Sua boca suga a minha língua e acabo gemendo e arqueando as costas para aproximar mais o seu membro duro da minha pélvis, como um pedido silencioso para que ele me penetre duro e forte.
Levo as mãos para a sua camisa e a tiro, passando por um braço seguido do outro e, por fim, separamos os nossos lábios para passar por sua cabeça antes de ele jogar junto com as minhas roupas em um canto qualquer. Seus dedos quentes e trêmulos deslizam entre os meus seios e descem pela minha barriga, cintura, até o meu pequeno monte de Vênus. Minha pulsação bate acelerada, ansiando pelo próximo passo que ele irá dar.
- Vou percorre cada centímetro da sua boceta com meus dedos, minha língua e o meu pau.
Mordo o lábio inferior, desejando loucamente o cumprimento de suas promessas. Com os lábios, ele desprende os meus dos dentes antes de sua mão alcançar a minha boceta, que pulsa e vibra.
- Meu Deus, Julha, você está ensopada. - Seus dedos tocam suavemente o meu clitóris e inicia uma tortura com movimentos circulares, deixando-me em estado de êxtase. Eu saracoteio sobre os seus dedos ao mesmo tempo em que seu dedo do meio desliza lentamente para dentro de mim, torturando-me.
- Ah, Christopher - gemo, minha voz soa falha enquanto a respiração está ofegante.
- Você vai pagar caro por ter atendido àquele telefonema, porra. - Ele força o seu dedo em minha entrada.
- Então, o que está esperando? Me foda, eu não vou aguentar por muito tempo, estou no meu limite - peço em tom de súplica.
Ele me pega de surpresa ao deslizar o dedo em minha carne úmida, pulsante. - O que você deseja, minha gostosa?
Puta que o pariu, penso. Como posso dizer qualquer coisa que não sejam gemidos, sussurros e súplicas ao ter o seu dedo entrando e saindo lentamente dentro de mim, me possuindo. Fico olhando para ele, concentrado em apenas em me dar prazer. Não suportando mais de tanto tesão, eu suplico como se precisasse disso para viver. E preciso.
- Por fav... Ah! - gemo, me contorcendo sob a sua mão habilidosa.
- Peça, pequena - diz, com um sorriso safado nos lábios. Aquele sorriso que me faz derreter, que tem o poder de me fazer esquecer a nossa situação e o motivo principal que nos afasta - Katherine Cloney. Mas, ao mesmo tempo, o desejo que sentimos nos aproxima cada vez mais.
- Foda-me. - Lentamente e com movimentos precisos, ele dá duas estocadas, uma seguida da outra, então abro os meus lábios para puxar ar aos meus pulmões, enquanto um arrepio gostoso percorre a minha espinha ao vê-lo levar os dedos aos seus lábios, saboreando o meu suco.
- Gostosa - sua voz soa rouca.
Fico olhando para ele enquanto se distancia, tentando entender o que aconteceu.
- Vista-se - ordena de maneira brusca.
Christopher recolhe minhas roupas do chão e me entrega. Eu o fito por alguns segundos, buscando em sua expressão resquício do motivo que mudou o seu humor. Pego as roupas e, frustrada, fico sem conseguir acreditar no que ele está fazendo. Estou ofegante, com a pulsação acelerada, nua, minha intimidade está molhada, e mais do que irritada por ele ter me deixado como uma idiota cheia de desejo.
- O que houve?
- Se vista, eu a levarei até o seu quarto - diz, e, em seguida, sai e me deixa sozinha e confusa.
(...)
Logo após eu ter me instalado no quarto de hóspedes que Christopher me apresentou, eu tomo um banho demorado para aplacar o fogo que me consome antes de deitar o meu corpo, exausto pela viagem e pela não libertação do meu prazer, sobre a grande cama em dossel. Tudo aconteceu muito rápido, então o sono me domina.
Eu não sei exatamente por quanto tempo estive dormindo, mas foi tempo suficiente para que eu sinta o meu corpo mais relaxado ao ser despertada por um barulho de água que parece ser de chuva, mas, prestando mais atenção no som que antes parecia vir do lado de fora da casa, capto que ele está mais perto do que eu imagino - o som vem do chuveiro. Lentamente, eu me espreguiço e mando para longe as dores do corpo. Eu tenho certeza que não deixei o chuveiro ligado, então rapidamente me sento na cama, assustada. Meu corpo estremece e quando penso em sair correndo para ver quem está ali, paro no meio do quarto ao percorrer os meus olhos pelo cômodo e notar que a mala dele está ao lado da minha. Este quarto é de Christopher? Como pude me esquecer disso? Sim, este quarto é do Christopher! Confirmo isso ao ver na estante um porta-retratos com uma foto dele montado em um cavalo preto.
Em que momento vim parar no quarto dele? Mas, olhando a bela decoração rústica misturada à elegância da modernidade, eu me recordo vagamente que foi aqui que ele me deixou algumas horas atrás, quando eu estava sonolenta.
O que ele pretende com isso?
Olho para o relógio em formato de um cavalo em cima do criado-mudo em madeira rústica e me certifico que já passa das sete da noite. Eu havia dormido mais do que pretendia.
- Boa noite, dorminhoca.
Assustada, dou um salto para trás ao ouvir a sua voz levemente rouca e sedutora ecoar pelo quarto. Os pelos do meu corpo eriçam.
- Boa... boa noite - gaguejo. Extasiada, observo Christopher caminhar em direção à sua mala, gotas de água caem do seu cabelo sedoso e escorrerem por seu corpo, contornando cada gominho de seu abdômen antes de deslizar a caminho do V da perdição e morrer no tecido felpudo da toalha.
Entreabro os meus lábios ressecados, minha boca enche de água quando anseio deslizá-la sobre os gominhos que formam o seu abdômen. Não consigo abafar, um gemido rouco escapa dos meus lábios e, pelo sorrisinho irônico que vejo dançar em sua boca, sei que ele notou que sua imagem apenas de toalha me excita. Eu me reprimo. Tenho que aprender a controlar os meus desejos.
Mas como? Olhe para este homem, ele é uma tentação. Pela primeira vez desde que ele surgiu, "meu demônio interior" começou a dizer insanidades, e eu concordo com ele.
- O que você faz aqui? - Desvio o olhar do seu corpo parcialmente nu. Mesmo através do tecido da toalha, fica nítido o seu membro levemente ereto, e isso faz meu rosto aquecer.
- Timidez não combina com você, pequena. Você conhece perfeitamente bem cada parte do meu corpo, não precisa se sentir assim. - Ele dá uma piscadela provocativa.
Exibido.
Ele tem razão, eu conheço cada parte do seu maldito e delicioso corpo. Se concentre, Julha, repito para mim mesma.
- Você não respondeu a minha pergunta. - Volto a manter contato visual.
Com as roupas nas mãos, ele se aproxima e eu me sinto como uma presa acuada por um predador. Eu recuo a cada passo dele e paro quando a cama impede que eu continue. Caio deitada sobre o lençol macio que a cobre e apoio o meu corpo sobre os cotovelos. Christopher se coloca diante de mim, alto e forte, fazendo a minha respiração se tornar ofegante e a minha pulsação acelerar com a sua aproximação.
Ele se ajoelha na cama e se aproxima rápido demais, mal tenho tempo para me preparar para um suposto contra-ataque. Ele me coloca entre suas pernas e toma meu rosto entre suas mãos, seus dedos fortes tocando meu queixo para que eu o olhe enquanto seus lábios se aproximam dos meus. Engulo em seco. Ele é muito lindo, sedutor, mas ainda estou com raiva por sua atitude, então viro o rosto para evitar o contato dos nossos lábios.
- Está bem - sorri com ironia. - Eu não tenho pressa para te comer gostoso. - Ele beija meu rosto. - Eu vou esquentar o jantar. - Christopher se afasta e fica de pé ao lado da cama, seu membro grande e grosso semiereto, seus olhos cravados em mim enquanto veste a bermuda e me deixa mais uma vez excitada pra cacete.
- Se vista, e quando estiver pronta, desça. Eu tenho planos para nós essa noite - sorri malicioso. - Não demore. - Apenas vestido em sua bermuda preta e com o cabelo lindamente bagunçado, ele pega a tolha, se vira e sai.
Como uma boba apaixonada, eu me levanto e sigo em passos largos até o banheiro, prendo o cabelo em um coque frouxo e aperto levemente as minhas bochechas, dando-lhes um tom rosado. Escovo os dentes e, em seguida, saio do banheiro e volto para o quarto, indo até a minha mala para pegar o par de chinelos e sair, fechando a porta trás de mim.
Descendo os degraus da escada em madeira, sou tomada pelo aroma inebriante de pizza que invade a casa. Ele preparou o meu prato predileto.
- Eu estou aqui, minha pequena. - Sem mesmo me ver, ele sente a minha presença, então sigo o som de sua voz e chego à cozinha, que também tem uma decoração rústica que combina com eletrodomésticos moderno.
Meus olhos pousam sobre ele em adoração. O seu peito nu está levemente coberto de farinha, a bermuda está sensualmente baixa em seus quadris, deixando à mostra o caminho do prazer. Arrepios vão da minha boceta ao meu rosto.
- Sente-se - ele ordena, de costas para mim. Não me faço de rogada, sento-me à mesa já posta com uma garrafa de vinho, porcelanas e talheres visivelmente luxuosos. - Tem preferência? - pergunta, enquanto, com movimentos precisos, retira a pizza de margherita do forno antes de pousar seus olhos sobre mim, com uma expressão doce.
Faço sinal de negação com a cabeça, então Christopher serve um copo com refrigerante para mim, uma fatia fumegante da pizza e depois de se servir, toma seu lugar à mesa.
- Você foi quem preparou tudo?
Ele assente com a cabeça. - Sim, fui eu.
- Eu não conhecia seus dotes culinários - digo, divertida, enquanto arqueio a sobrancelha, em surpresa.
- Você tem muito que aprender sobre mim, princesa. - Ela dá uma piscadela sexy. Christopher é um homem apaixonante.
Nosso jantar segue em perfeita paz e harmonia. Como sobremesa, ele oferece um delicioso fondue de chocolate com frutas. Eu o ajudo a lavar a louça e guardar os utensílios e, em seguida, nós nos dirigimos para a sala de visitas e nos sentamos no sofá de frente para a lareira, que começa a aquecer o ambiente.
- Vou fazer uma cama para nós. - Com o cenho franzido, eu o fito. Christopher me deixa confusa às vezes. Ele se levanta e sai, voltando minutos depois com alguns lençóis, travesseiros e cobertores. - Vamos dormir aqui - ele diz, convicto de que eu vou aceitar.
Aí eu me pergunto, tem como negar? Entorpecida por sua beleza, eu observo cada movimento dele ao improvisar o nosso ninho de amor.
- Você é louco - digo, com um sorriso divertido no rosto.
- Por quê? - pergunta, sem desviar atenção do que está fazendo.
- Porque ao mesmo tempo em que você parece me odiar mais que tudo na vida, você me trata com tanto carinho, que chego a acreditar que sou importante pra você. É confuso. - Dou de ombros e ele sorri, divertido.
- O problema é que eu tento te odiar, quero mandar você para longe - dá de ombros -, mas o que eu sinto me impede. - Suas palavras me pegam de surpresa e meu coração bate acelerado.
- O que você sente? - pergunto, esperando ouvir as palavras saírem dos seus lábios.
- Julha. - Seu tom de voz é afadigado.
- Vamos, diga - insisto.
- Carinho, Julha. Eu sinto um grande carinho por você. Pronto. Está satisfeita? - Ele estala a língua.
Não era exatamente essas palavras que eu gostaria de ouvir, mas já é um grande passo.
- Venha, sente-se aqui. - Ele bate a mão ao seu lado, na cama improvisada, então não me faço de rogada e vou ao seu encontro. Nossos olhos se encontram e eu o encaro, fascinada. Eles são tão incríveis.
Ele entreabre seus lábios e lentamente se aproxima, me fazendo respirar de maneira arfante, com dificuldade, enquanto meu corpo estremece. Ele é perfeito.
Carinhosamente, ele deita o meu corpo sobre a nossa cama e fica por cima de mim, colocando uma perna de cada lado do meu corpo. Então Christopher segura os meus pulsos de um jeito autoritário acima da minha cabeça, mas seu toque é suave. Meu corpo estremece novamente ao sentir o seu hálito quente bater na pele despida do meu pescoço.
- Você é minha. - Seu sorriso só me faz ter certeza do quanto eu amo o meu padrasto.
- Sim, sou sua - declaro, mandando a timidez para longe.
Seus músculos tensionam e seu membro duro roça em minhas coxas ao mesmo tempo em que sua língua encontra a minha orelha, fazendo um ronronar gutural escapar dos meus lábios.
Sou arrebatada pela aflição da lasciva, seus lábios tocam os meus, macios e quentes. Sua língua pede passagem, então concedo enquanto uma de suas mãos desce uma alça do meu vestido, seguida de outra. Meus seios ficam expostos, sensíveis, doloridos, pesados, os bicos duros tocando o seu peito. Minha respiração está descontrolada.
- Eu vou te comer lentamente e gostoso, Julha - diz, ao pararmos o beijo.
- Eu quero você. - Eu engulo em seco e minha boceta palpita.
Ele geme, excitado, então desliza os dedos por cima da renda fina da minha lingerie já úmida.
- Molhada, cremosa, quente. - Ele toma a minha boca novamente com lambidas profundas e famintas. Suas mãos tocam a curvatura dos meus seios, me excitando ainda mais, então gemo contra a sua boca. Seus dedos habilidosos afastam para o lado a minha calcinha e um dos dedos desliza para dentro da minha carne molhada. Sentir o prazer do seu toque me faz fechar os olhos. - Olhe pra mim enquanto fodo você.
Ele se afasta e tira o short, deixando livre o pau duro e grosso, revelando as veias pulsantes, para delírio do meu corpo que está em chamas por ele. Christopher retira um preservativo de dentro do bolso do short, rasga o invólucro e, em seguida, o desliza pelo seu membro. Com um movimento brusco, ele puxa a fina tira da minha calcinha, minha pele arde, queima. Agarrando a parte de trás dos meus joelhos, ele ergue as minhas pernas e deixa a minha intimidade completamente exposta antes de acariciar com seus dedos.
- Por favor - peço, ofegante, sentindo a tensão em meu corpo trêmulo.
- Isso, pequena, implore por mim. - Com as veias grandes e pulsantes envolvendo o seu mastro, lentamente adentra as paredes úmidas da minha intimidade, fazendo-o rugir com o contato. - Puta merda, como você é apertada. - Ele se afasta e volta a enfiar novamente.
Observo vidrada o seu membro brilhando com o meu suco. Ele se afasta mais uma vez e, em seguida, volta à penetrar duro, forte, aumentando gradativamente as estocadas. Seus lábios alcançam o meu mamilo e ele morde, lambe, então cravo as unhas em seus músculos tensos. Eu me contorço, exigindo que ele vá mais fundo, deixando-o ainda mais envolto em meu suco.
- Ah, por Deus. - Ele estremece.
Eu me contorço, seu membro é grande demais e me faz ofegar quando ele entra ainda mais fundo.
- Você é muito quente, apertada. - É inegável a maneira erótica com que ele me possui.
- Chris... Ah, meu Deus, eu... eu vou gozar.
- Goze pra mim, pequena. Goze. Me dê o seu mel.
Lágrimas deslizam pelo meu rosto quando chego ao orgasmo. Christopher ofega e está chegando ao ápice, sinto o seu pau pulsar, eu o sinto respirar fundo e a começar tremer. De maneira dolorosa e longa, ele solta um gemido enquanto seu pau pulsa dentro de mim ao gozar.
Nossos corpos estão suados e exaustos, mas ele beija com carinho os meus lábios e gira para o lado, retirando o preservativo com seu esperma e, em seguida, o envolve na embalagem laminada e coloca em um canto da sala.
Como viemos ao mundo, completamente nus, Christopher volta a se deitar ao meu lado e estende sua mão para que eu me aproxime. Eu aceito de bom grado e deito a cabeça sobre o seu peito másculo, molhado pelo suor do nosso desejo. O meu coração bate descompassado e feliz com o pequeno gesto de carinho, mas que para mim significa muito.
- Eu adoro você, pequena. De um jeito que eu nunca senti por ninguém antes.
- Eu também adoro você - digo, um eu te amo preso na garganta.
É que eu preciso dizer que te amo.
Ganhar-te ou perder sem engano
Eu preciso dizer que te amo tanto.
Cazuza
Eu sou despertada pelos raios de sol adentrando o quarto pelas frestas da janela balcão. Eu me sinto satisfeita, amada e desejada como sempre sonhei que seria. Respirando fundo, inalo o misto de perfumes florais que, assim como os raios de sol, invadem o ambiente, deixando-me muito feliz. Eu abro os olhos lentamente para me acostumar com a luz do dia.
Deslizando as mãos ao lado na cama improvisada em que dormimos, constato que ela já está fria, vazia, revelando que faz algum tempo que ele abandonou o lugar, mas o seu perfume está impregnado nos lençóis, não deixando dúvidas de que houve uma intensa noite de amor aqui. Ao me recordar do prazer que Christopher me proporcionou na noite passada, o perfeito momento em que ele me fez sua e me levou à loucura, eu sorrio satisfeita.
Ele despertou em mim muitos sentimentos que nunca imaginei sentir. Meus olhos lacrimejam de emoção, prazer e felicidade. Eu não sei como será a nossa vida quando voltarmos para Nova Iorque, mas aqui irei viver intensamente cada momento ao lado dele.
Eu não controlo o sorriso de satisfação, e mesmo que não tenha um espelho para que eu possa contemplá-lo, sei que ele ilumina o meu rosto. Ele é o motivo de todos os meus sorrisos. Eu o amo, amo tanto que chega a doer. Anseio para que esse momento nunca chegue ao fim.
Percebo que já está na hora de deixar a cama quando sinto minha barriga reclamar. Estou faminta. Eu me levanto e faço uma careta ao sentir uma dor aguda entre as minhas pernas. Enrolo o lençol no meu corpo nu ao sentir o vento frio lambê-lo, deixando-me arrepiada e com os mamilos duros, que estão marcados pelos lábios de Christopher. Ao perceber que as minhas pernas estão trêmulas, eu volto a me sentar. Às vezes penso que nunca vou me acostumar com o tamanho do seu membro, com a sua grossura me invadindo forte, duro, se encaixando nas paredes da minha vulva. Mesmo sentindo o meu corpo dolorido como se tivesse sido atropelado por um caminhão, eu não me canso de senti-lo dentro de mim. Do prazer de ter as suas digitais tatuadas em minha pele. Seu perfume está impregnado em meu corpo, o sabor dos seus lábios ainda está vivo nos meus. Estou marcada por ele. Sou dele. Só para ele.
- Bom dia, minha pequena.
Saio dos meus pensamentos ao ouvir a sua voz levemente rouca. Ergo os meus olhos em sua direção e o vejo se aproximar com uma bandeja com o que eu suponho que seja o nosso café da manhã.
- Bom dia - digo ao mesmo tempo em que sinto as maçãs do meu rosto aquecerem. Eu me sento com as pernas cruzadas em estilo "borboleta" com um pouco de dificuldade por estar com a minha intimidade dolorida, e acabo fazendo uma pequena careta com o leve incômodo, mas disfarço para que ele não perceba.
Ele se aproxima de mim após depositar a bandeja sobre a cama improvisada e me dá um selinho demorado. Amo seus carinhos.
- Que horas são?
- São oito. - Ele coloca um pouco de leite e café em uma xícara de porcelana e me oferece.
- Obrigada - agradeço com um sorriso e beberico a bebida fumegante. Está uma delícia. - Eu quero ir para a cidade com você. - Deposito a xícara na bandeja e volto a minha atenção para ele. - Enquanto você vai para os seus compromissos, eu posso fazer algumas compras, depois almoço e te espero para voltarmos juntos.
Carinhosamente e de um jeito que me emociona, ele me oferece um morango ao colocá-lo em minha boca. Eu o aceito, mordendo e me deleitando com o sabor do fruto percorrendo cada canto dos meus lábios. Satisfeita, solto um gemido e sinto as minhas bochechas aquecerem ao perceber o seu olhar devorador em mim.
- O que foi? - pergunto, baixando os olhos e fitando a farta bandeja à minha frente.
- Você fica ainda mais linda quando acorda. - Envergonhada, eu sorrio. Ele se aproxima, toma o meu queixo em uma de suas mãos e ergue minha cabeça para os nossos olhos se encontrarem. Suavemente, ele beija os meus lábios enquanto o seu perfume amadeirado invade as minhas narinas. - Depois - diz entre selinhos demorados - que eu a alimentar - selinho - nós vamos - selinho - andar a cavalo.
- Mas e o seu trabalho? - Eu o fito, confusa. - Christopher, pode não parecer, mas eu posso me virar sozinha, não precisa ficar dando uma de babá pra mim.
- Primeiro - ele dá um sorriso irônico e revira os olhos -, eu não estou de babá pra você, e, segundo, eu quero passar o dia inteiro com você. Não é sacrifício nenhum. Quando vai entender que eu gosto de você? De estar com você? Posso ser um cretino de vez em quando - eu o fito com os olhos semicerrados -, tudo bem, eu sei que abuso da minha cretinice, mas quero que saiba que você é muito importante para mim. - Ele coloca uma mecha do meu cabelo atrás da orelha e nossos olhos se cruzam, suas íris azuis revelam o quanto suas palavras são sinceras. - Dizer que vim a trabalho foi a maneira que encontrei de não levantar suspeitas do que realmente viemos fazer aqui.
- E o que nós viemos fazer aqui, Christopher? - Faço a pergunta e respondo antes que ele o faça. - Sexo?
- Amor - ele diz, me pegando de surpresa.
E sim, não vou me fazer de rogada, fico muito feliz ao ouvir as palavras que saíram dos seus lábios. Após tomarmos o nosso café reforçado regado com muitos beijos e carícias, Christopher sai para selar os cavalos, enquanto eu, como uma criança que está a um passo de ganhar o seu tão desejado brinquedo, guardo os cobertores da nossa cama improvisada e limpo a cozinha. Faço tudo isso com um largo sorriso nos lábios. Depois sigo para o quarto e arrumo algumas roupas nossas que ainda estão na mochila que Christopher me ofereceu, sem esquecer o biquíni que Ada havia colocado na mala. Um sorriso de gratidão dança em meus lábios ao pensar em Ada e o carinho com que cuida de mim.
Sempre fomos muito amigas, próximas, mas nos últimos dias temos nos afastado. Eu gostaria de contar tudo o que está acontecendo na minha vida, mas ela não entenderia o que sinto por ele, o quanto estar com ele me faz bem. Talvez um dia eu me sinta segura em contar toda a verdade a ela. Afasto esses pensamentos e vou para o banheiro me vestir. Prendo o meu cabelo em um rabo de cavalo no alto da cabeça, passo protetor solar, visto uma regata branca, um short jeans, calço um par de botas pretas de Larissa, sobrinha dele, que para a minha surpresa calça o mesmo número que o meu.
Após pegar a nossa mochila, vou ao seu encontro. Paro na porta da entrada principal e fico hipnotizada com a imagem dele que mais parece um belo quadro pintado por Picasso. Ele está sem camisa, seus braços e peito musculosos expostos para o deleite do sol que lambe sua pele, dando-lhe um tom levemente avermelhado. Uma bermuda jeans surrada levemente baixa em quadril deixa exposto, para meu deleite agora, o caminho em V que me leva à felicidade.
- Gosta da vista?
Sou pega descaradamente o cobiçando. Ele vira o corpo sobre os calcanhares e me fita com um sorriso malicioso. Nossos olhos se cruzam, e mesmo estando em uma distância considerável, consigo sentir a eletricidade que emana do corpo dele.
- Sim. - Rio, divertida. Lentamente, desço os degraus da escada sob o seu olhar atento. - São lindos - digo, me referindo aos belos cavalos malhados que estão acoplados a uma grande charrete parecendo antiga. Ele sorri lindamente, divertido, entrando na brincadeira.
- São da raça Paint Horse. - Ele bate a mão no pescoço dos dois cavalos com carinho. - Ventania e Trovão, essa é a garota de que eu falei.
- Então estava falando de mim?
- Sim, estava.
- E posso saber qual era o assunto?
- Conversa de meninos. - Ele dá uma piscadela provocativa.
- Está bem. - Dou um pequeno sorriso. - Prazer, Ventania e Trovão, vocês são muito lindos. - Acaricio um e depois o outro.
Christopher me pega de surpresa ao envolver os braços em volta da minha cintura, colando o seu corpo ao meu e me fazendo soltar um riso nervoso.
- Seu sorriso é lindo! - Aproxima os seus lábios dos meus em um selinho demorado. O seu perfume amadeirado misturado ao seu hálito de hortelã e o doce perfume das flores é inebriante, a melhor fragrância que jamais será encontrada nos melhores perfumes de grandes marcas.
- Vamos, temos um longo caminho pela frente - diz ao pararmos o beijo. - A estrada não é asfaltada, o que vai dificultar um pouco o nosso acesso para onde quero levá-la. Só um momento. - Ele vai até o fundo da charrete e retira algo de lá, depois volta trazendo uma almofada. - Eu sei que você está dolorida, portanto acomode-se sobre esta almofada. - Ele toma a minha mão na sua e num impulso subo na charrete. Ele joga a mochila ao lado de um pano branco que parece estar cobrindo algo e, em seguida, toma o seu lugar ao meu lado, segurando as rédeas.
- Eu posso ficar mal-acostumada com tanto cuidado - digo, com sinceridade.
- Não vejo problema algum, eu mesmo estou viciado em você. - Ele sorri, seu sorriso é sexy.
Não consigo controlar o sorriso de satisfação ao ouvir a sua declaração.
Intencionalmente, eu mordo o lábio inferior e seu olhar percorre meu rosto e morre em meus lábios. Seus olhos adquirem um tom acinzentado, então sinto uma fisgada se concentrando entre as minhas pernas e se misturando com a pulsação que se formou ali.
- Porra, Julha. - Ele fecha os olhos, buscando em cada canto dentro de si um vestígio de controle que seja. Engulo em seco. - Não repita isso. - Sua voz soa rouca. Com o dedo indicador, ele aponta para os meus lábios. - Não morda a porra desse lábio gostoso ou eu vou foder você aqui mesmo, e não me importo se teremos plateia. - Suas palavras me atingem de uma maneira considerável, minha pele aquece, minha respiração se torna ofegante e meu coração falha uma batida. Ser observada enquanto Christopher me toma para si não seria de todo o mal se fôssemos livres para amar. - Controle-se. Você está dolorida e não quero que se machuque mais. Não estamos em um carro de luxo com que está acostumada, mas a recompensa valerá a pena - diz, dando uma piscadela sedutora ao se referir ao assento duro do nosso meio de locomoção. O que Christopher não sabe é que estar ao lado dele já é a glória para mim. - A propósito, as botas de Lari ficaram perfeitas.
- Sim, ficaram - concordo. - O que tem embaixo deste lençol? - pergunto, enquanto percorro os olhos pela antiga e restaurada, mas ainda bela charrete branca.
- Vamos ficar o dia inteiro fora e você precisa se alimentar.
Eu conheço o seu olhar e sei qual é a sua intenção. Dizer que me incomoda que Christopher tenha os pensamentos mais pervertidos para me possuir é mentira, meu corpo vibra, ansiando por senti-lo.
- Então, vamos fazer piquenique? - Ele sorri com o canto da boca, malicioso, e assente com a cabeça. Bato palmas como uma criança que acabou de receber o seu tão desejado presente. - Eu adoro piquenique.
- Eu sei - diz, convicto.
- Sabe é? - provoco, duvidosa.
- Sei mais de você do que pode imaginar. - Ele dá uma piscadela.
Eu fito Christopher, as palavras queimando em minha boca. Curiosa, eu quero perguntar, mas me mantenho em silêncio. Percorremos o trajeto por longos e exaustivos minutos em silêncio, eu apenas observo os movimentos dos seus músculos que se contraem enquanto ele conduz os cavalos. Salivo ao imaginar os meus lábios deslizando em seu peito, lambendo cada gota do seu suor, sentindo o gostinho salgado nos meus lábios.
Ao perceber que Christopher conduz a charrete por dentro de uma mata, eu saio dos meus pensamentos. Sorrio largamente, deslumbrada ao contemplar a linda cachoeira de água cristalina caindo sobre a rocha e morrendo em um grande lago de águas límpidas.
- Meu Deus, Christopher - respiro fundo -, isso é lindo.
- Eu sabia que você iria gostar. Sim, aqui é lindo, um dos meus lugares preferidos. Sinta-se privilegiada, pequena, são poucas as pessoas que trago aqui. Somente as especiais. - Ele para a charrete embaixo de uma árvore.
- Sinto-me honrada, senhor Cloney. - Encantada, eu olho ao redor. Árvores se misturam a centenas de canteiros de flores e um gramado que termina na beira do rio. Eu poderia passar a minha vida inteira aqui na companhia dele. O sorriso que iluminava o meu rosto morre repentinamente ao pensar no quanto a minha mãe é especial para que ele. Será que ele a trouxe aqui?
- O que houve? - Ele me fita, inquiridor.
Eu não queria que ele me visse como uma adolescente boba enciumada, mas... Dane-se.
- Você trouxe a minha mãe aqui? - As palavras pulam da minha boca antes mesmo que eu as impeça.
Meu deus grego fica por alguns segundos sério, em silêncio, e eu me arrependo de ter perguntado.
- Venha. - Ele pula da charrete e estende a mão para mim. Eu a aceito e ele me ajuda a descer e, em seguida, se aproxima mais. - Você se comportou mal. - Pegando-me de surpresa, ele me levanta com seus braços.
- Ai! - grito com o susto. - Pare, Christopher, pare - grito, enquanto ele continua e para perto da margem do lago. - Você não vai fazer isso. Essa água deve estar gelada. - Suspiro.
- Sim, irei fazer. Você está precisando esfriar a cabeça.
- Christopher! - grito antes de soltar uma gargalhada.
Ele entra no lago ainda me carregando em seus braços. Eu ofego quando o meu corpo quente entra em contato com a água fria. Christopher ri, parecendo se divertir. Minutos depois, meu corpo já está acostumado com a água. Ele pousa uma mão de cada lado da minha cintura e para de frente para mim, ofegante. Nossos olhos se cruzam e ele puxa o meu corpo para mais perto do seu.
- Hum! - gemo.
Uma de suas mãos aperta a minha cintura enquanto a outra desliza em minhas costas, acariciando, em seguida alcança a minha nuca e, segurando com firmeza, não me permite mover a cabeça caso eu pense em fazer isso. Os seus lábios buscam os meus com urgência e ao encontrá-los iniciamos um beijo quente, sensual. O gosto de hortelã da pasta de dente se mistura ao seu doce sabor natural, que é só dele. Seus lábios sugam a minha língua com um desejo velado, então enterro os dedos entre os fios do seu cabelo, puxando levemente e trazendo a sua cabeça mais para perto, como se fôssemos nos tornar apenas um.
Sua mão alcança o meu mamilo por cima do tecido úmido e com o dedo polegar faz movimentos circulares sobre a protuberância já dura. Minha pulsação acelera e minha respiração se torna ofegante.
- Me chupe, Christopher, me chupe - peço, ofegante, ao pararmos o beijo.
Um sorriso de contentamento rola em seus lindos lábios avermelhados ao me ouvir suplicar. Seus movimentos são bruscos ao tirar a minha regata. Com um impulso, ele a joga para a margem do rio e volta a atenção para mim, especificamente para os meus seios, que sobem e descem freneticamente, acompanhando a respiração acelerada. Seus lábios colam aos meus em um beijo urgente. Nossas línguas dançam em um ritmo frenético, como se fôssemos nos fundir em um só. Olho no fundo dos seus olhos ao pararmos o beijo e vejo as emoções que me deixa mais do que contente - desejo, luxúria, ânsia em me possuir. Os seus lábios percorrem a pele fina do meu pescoço e meu colo, fazendo o meu corpo se arrepiar.
Levo as mãos para sua nuca e o acaricio, demonstrando todo o carinho que sinto por ele. Ao sentir seus lábios quentes em contato com o meu seio frio pela água gelada, respiro fundo e jogo a minha cabeça para trás, apreciando o momento. Christopher chupa, morde, cheira os meus seios com veemência. Enlouquecida, levo as mãos até seus ombros e o abraço, demonstrando de uma forma silenciosa que estou aqui. Que sou dele, e de alguma forma realmente sou.
Ele solta os meus seios e eu gemo baixo, contrariada, antes de roubar um selinho estalado e terminar de tirar a minha roupa, me fazendo soltar um gritinho com o susto. Christopher se livra do seu short, jogando-o longe, e só então envolve os braços em volta da minha cintura e me puxa para mais perto, colando nossos corpos. Um grunhido de excitação vem do fundo da garganta e escapa dos meus lábios.
- Pronta pra mim.
- Ah! - gemo e deito a cabeça em seu ombro quando dois dedos dele deslizam para dentro da minha carne ensopada.
- Julha. - Sua voz soa rouca.
- Christopher - gemo baixinho, chamando por seu nome.
Completamente ele agarra a minha bunda e me faz sentar em seu pau duro. Eu fico tonta de prazer. Seu corpo tem uma energia que transporta o meu ser para outra dimensão, um calor que me excita e que me leva à loucura.
- Eu vou te possuir, Julha. Irei te marcar com as minhas digitais para que todos saibam que você é minha. - Suas palavras possessivas fazem o meu corpo estremecer.
Em seu colo, com sua carne macia encaixada dentro de mim, caminhamos até a margem. Eu olho à nossa volta, preocupada que alguém possa nos ver.
- Christopher, alguém pode aparecer - digo, ao sentir minhas costas sobre a grama verdinha, revelando o cuidado que a família Cloney tem com suas propriedades.
Ele descansa a cabeça em uma de suas mãos e fita meu corpo e, em seguida, os meus olhos enquanto seu dedo indicador desliza em meu colo, circula um seio, depois outro, em minha barriga e alcança minha boceta molhada e pulsante.
- Não me importo. - Ele acaricia meu clitóris com a ponta do dedo e eu arqueio as costas sobre a grama, que fazem cócegas e me excitam ao mesmo tempo. -Quero que vejam que estou lhe dando prazer.
Christopher traz os lábios para perto dos meus e me beija com calma e carinho, enquanto seus dedos fazem lentos movimentos de entrar e sair. Eu tremo feito uma vara verde, movimentando sobre seus dedos. Sinto seu pau tão duro que parece uma rocha. Ele tira os dedos e o gosto amargo do abandono me golpeia, então os leva aos meus lábios e eu os chupo de bom grado. Estou apreciando o meu gosto salgado nos lábios quando ele coloca a cabeça de seu pau na entrada da minha vulva e me provoca.
- Por favor, Christo... - Engulo em seco e choramingo, rebolando na cabeça do seu membro grosso e pulsante.
Sabendo que está me provocando, um sorriso divertido aparece no canto da sua boca. Posicionando-se na minha abertura, ele o desliza pelo meu suco para o lubrificar e só então segura o seu membro, direcionando o seu mastro com veias pulsantes, quente e melado com seu líquido pré-ejaculatório na minha entrada. A cada segundo que passa, eu anseio mais e mais por senti-lo todo dentro de mim.
- Eu quero sentir seu gosto, Julha. - Ele desliza a língua em meu corpo, fazendo a minha boceta se contrair, doer, palpitar.
- Abra bem as pernas, gostosa. - Christopher segura as minhas pernas pela parte de trás dos joelhos, ergue e me exibe para ele. Eu já não sinto mais o incômodo de antes, como se a água fria do lago tivesse amortecido.
- Hum! Perfeita. - Ele roça a cabeça do seu membro no meu clitóris.
- Ah! - gemo, ofegante.
Com seu corpo deitado sobre o meu, seus lábios iniciam uma excitante tortura em meus seios, chupando e os tornando vermelhos, marcado por seus lábios. Sem conseguir se conter, ele desliza o pau grosso para dentro da minha carne macia e úmida.
- Ohh! - ele solta um gemido enquanto se encaixa perfeitamente dentro da minha boceta pulsante e dá uma estocada mais leve, aumentando a intensidade na segunda, terceira vez. Ele soca loucamente enquanto eu gemo baixinho e estremeço embaixo do seu corpo quando eu o sinto tirar e colocar a sua rola grossa e grande.
- Gostosa - ele geme, os lábios colados em meu pescoço. Faminto, ele saboreia os meus lábios e me puxa pela mão, sentando-se na grama e me tomando em seus braços para me acomodar em seu colo. Eu deslizo sobre o seu membro e quico com a cabeça jogada para trás.
Christopher enterra seus fortes dedos na carne macia da minha nádega e como resposta eu cravo as unhas em seus ombros segundos antes do meu corpo convulsionar. Não demora muito para que eu chegue ao orgasmo com Christopher fazendo o mesmo, que rapidamente tira o seu pau para fora e jorra o seu sêmen quente e cremoso sobre a minha barriga.
- Desculpe-me, amor, mas não deu tempo de colocar o preservativo. - Ele descansa o seu corpo quente e suado, cabelos úmidos, sobre o meu.
- Não precisa se preocupar, eu me previno - sorrio, exausta e suada, com o corpo trêmulo.
O que é bom dura o tempo certo que tem que durar.
Julha Thompson
Um sema semana depois...
Infelizmente, hoje estamos voltando para Nova Iorque. A semana havia passado mais rápido do que eu gostaria, mas eu soube aproveitar cada segundo ao lado dele. Sem sombra de dúvidas, foi uma das melhores semanas da minha vida. Estávamos apenas nós dois e uma fazenda inteira como testemunha do nosso amor. Como diria a minha amiga Ane, "tudo o que é bom, dura pouco". Mas eu discordo em partes, o que é bom dura o tempo certo que tem que durar.
Eu não sei qual será o comportamento dele depois de termos feito amor durante todos esses dias. Para ele eu posso ter sido apenas mais uma em sua cama, mas eu não me esquecerei de cada segundo que estivemos juntos, do nosso passeio de charrete, do banho na cachoeira, do passeio pela cidade, dos seus beijos, das suas carícias, das trocas de carinho. Ah, foi perfeito ter os nossos corpos juntos, entrelaçados como se fôssemos um. Christopher fez com que eu me sentisse a garota mais amada e desejada do mundo. Satisfeita, eu sorrio ao me recordar dos momentos que tanto me excitaram.
Não estou sabendo lidar com o que sinto por ele, que a cada dia cresce desenfreadamente dentro de mim. É uma coisa sem controle e eu preciso manter distância ou isso não irá terminar bem. Nem mesmo em meus sonhos mais loucos me imaginei vivenciar o que está acontecendo na minha vida. Ficar dividida entre as duas pessoas mais importante para mim é insano. Eu cheguei a me perguntar se não estou usando a situação em que eu me encontro - fragilizada pela partida de papai - para usar Christopher como uma válvula de escape. Meu Deus, eu não estou feliz com isso, pelo contrário, eu me sinto péssima. A culpa me golpeia todos os dias, a cada ligação que recebo de mamãe.
Quanto a Christopher, eu não sei se ele realmente sente amor, desejo ou paixão, tudo para mim é confuso em relação aos sentimentos dele por mim, mas eu não posso exigir nada. Eu deveria ter me afastado, mantido distância e não ter permitido que esse sentimento criasse vida, mas agora é tarde, já estou envolvida mais do que devia. Ele não é a minha válvula de escape, porra, é o homem que eu amo.
Christopher me desperta do meu devaneio ao entrelaçar sua mão na minha em um gesto consolador, como se estivesse lendo os meus pensamentos ou, de alguma forma, ele está se sentindo como eu. Eu sei que nós dois gostaríamos que tudo fosse diferente. Eu gostaria de poder escolher e não me apaixonar por ele, tudo seria muito mais fácil.
- Está tudo bem? - Volto a minha atenção para ele, que me fita com atenção e parecendo preocupado. Levemente, ele dá um aperto em minha mão.
- Christopher, alguém pode nos ver - digo, realmente apreensiva. A aeromoça passa por nós e encara de soslaio as nossas mãos entrelaçadas e, em seguida, me fita com um olhar acusador. Eu puxo minha mão de volta, mas sou impedida por ele, que a segura firme.
- Não se preocupe com os outros - ele diz, sério. - Não importa o que vão pensar de nós, porque ninguém se importa se estamos felizes ou não. O que eles realmente querem é um motivo para apontar os nossos erros e assim, por algum momento, esquecer dos deles.
Arqueio as sobrancelhas, surpresa ao ouvir suas palavras. Uma parte minha concorda com Christopher, mas outra um Arqueio as sobrancelhas, surpresa ao ouvir suas palavras. Uma parte minha concorda com Christopher, mas outra um pouco maior acha que não devemos nos expor tanto. Não é questão de sermos aceitos, porque não precisamos da aprovação de ninguém, mas é pela situação em que vivemos, isso diz respeito apenas a nós. Eu o fito com um sorriso um tanto tímido. Eu poderia citar tudo o que penso, mas do que adiantaria, meu deus grego é mais cabeça dura que eu.
- Eu quero que você fique bem. - Sua expressão suaviza.
- Não se preocupe, eu estou bem - digo, para convencer mais a mim do que a ele.
(...)
Chegamos a Nova Iorque no fim do dia e pegamos o carro de Christopher, que havia ficado no estacionamento do aeroporto. Sem nenhum desconforto de parecer que a todo tempo estávamos sendo vigiados, seguimos para casa.
Chegamos a Nova Iorque no fim do dia e pegamos o carro de Christopher, que havia ficado no estacionamento do aeroporto. Sem nenhum desconforto de parecer que a todo tempo estávamos sendo vigiados, seguimos para casa.
Olho através da janela do carro para o fluxo da cidade que nunca dorme, o frenesi das pessoas dividindo espaço nas ruas com os carros, as calçadas extensas, algumas vezes com lojas. Aciono o botão elétrico e abro a janela do carro. De soslaio, vejo que Christopher me fita com curiosidade. Eu fecho os olhos e inalo o odor da alma da cidade - a poluição.
- O que está fazendo? - Ainda com os olhos fechados, sinto que o seu lábio carrega um sorriso brincalhão.
- Eu nunca pensei que diria isso - abro os olhos, e ainda com a minha atenção voltada para a paisagem urbana, completo -, mas senti saudades desta loucura que é Nova Iorque. - Solto uma lufada de ar.
- Isso quer dizer que você prefere a poluição da cidade grande à minha companhia? - Ele finge estar decepcionado.
- Não seja bobo - reviro os olhos -, você entendeu o que eu disse. - Volto a fitá-lo e vejo o quanto é perfeito. A luz do sol faz com que seus olhos alcancem um tom do azul mais claro, que em contraste com o seu cabelo escuro o deixa ainda mais atraente. - Foi a melhor semana da minha vida.
Pra mim também - afirma ao pararmos o carro na garagem. El- e puxa o freio de mão, desliga o carro e volta a sua atenção para mim. - Nós temos que manter as aparências, você sabe, não sabe?
Por mais que eu tivesse consciência de que a qualquer momento isso aconteceria, não pude deixar de me sentir triste, vazia. Afirmo com a cabeça. Mesmo que eu tente parecer forte, que nada me afeta, Christopher sente a tensão que domina o meu corpo.
- Minha pequena, você sabe que eu não gosto do desenrolar da nossa relação. Apenas uma palavra sua e tudo isso vai mudar - ele diz como se fosse algo simples, mas não é bem assim. Eu penso em tudo, porém não digo nada.
- Eu preciso ir. - Pego a minha bolsa no banco de trás e me viro para abrir a porta, mas ele me impede ao segurar o meu braço.
- Julha.
Evito o contato visual para que ele não veja os meus olhos marejados.
- Me deixe ir - fungo. - Por favor. - Minha voz soa embargada.
- Eu a deixarei ir, mas só peço que me ouça antes. - Ele me pega de surpresa ao me puxar para o seu colo.
- Você é louco? Alguém pode nos ver - sussurro.
Ele parece não se importar ao envolver os braços em volta da minha cintura, colando ainda mais os nossos corpos.
- Olhe pra mim, minha pimentinha. - Fico imóvel por alguns instantes, mas ele não desiste, toca meu queixo e lentamente ergue a minha cabeça. Junto com este pequeno movimento, uma lágrima solitária desliza pelo meu rosto. - Porra, Julha - diz entredentes antes de soltar uma lufada de ar. Carinhosamente, ele toma o meu rosto entre as mãos e com o polegar seca a lágrima denunciadora. - Eu vou ao inferno quando a vejo chorar. Não chore. Nós vamos encontrar a melhor saída para contar tudo a Katherine. Confie em mim.
- Eu espero que sim - digo na tentativa de convencer mais a mim.
Christopher me dá um beijo casto e fico alguns minutos em silêncio entre os seus braços com a testa colada a dele, trocando carícias como se fosse uma despedida. Relutante, eu volto ao meu lugar, respiro fundo para controlar a respiração acelerada e passo as mãos em meu cabelo para o arrumar.
- Obrigada por tudo - agradeço com sinceridade e, em seguida, pego a minha bolsa e saio batendo a porta com força. Ele odeia, e eu sei disso, mas não consigo agir de outra forma, tenho que seguir com o teatro. Lide com isso, senhor Cloney. Solto um sorriso irônico.
- Por que você tem que ser tão estúpida? - Mesmo distante, ainda consigo ouvir ele dizendo em um tom ríspido. Com passos apressados, ele vem em minha direção e se esquece até mesmo de fechar a porta do carro.
Eu cumprimento com um breve aceno de cabeça alguns seguranças que estão por ali e nos observam atentamente, deixando transparecer em seu semblante a ira sobre Christopher ao ver a forma com que ele se dirige a mim, enquanto outros se divertem ao ver o nosso conflito, tentando não deixar tão transparente que estão prestando atenção em nós.
Ansiosa pelo que pode me acontecer nos próximos minutos caso Christopher consiga me alcance, eu acelero os passos com as minhas pernas trêmulas. A minha pulsação acelera e o sangue em minhas veias corre freneticamente ao me aproximar da porta. Eu giro a maçaneta e, como uma menina que acabou de fazer arte e foi pega pelos pais, corro para dentro da casa em uma tentativa insana de me proteger da fúria. Um sorriso de nervoso alcança o meu rosto.
Atravesso a ampla sala de visitas silenciosa e me dirijo à escada, ao colocar o pé no primeiro degrau, minha atenção é levada para o topo. Meu sorriso morre com a mesma rapidez que se formou.
Não consigo mover as pernas, estão pesadas. Fico petrificada ao vê-la caminhar lentamente e com elegância com seu salto alto de grife e um vestido tubinho preto que revela suas pernas torneadas. Seu longo cabelo loiro preso em um perfeito rabo de cavalo dá a ela um ar mais jovial. Eu sempre me perguntei o que Christopher havia visto em minha mãe, não que ela seja uma mulher desprovida de beleza, mas é viúva, madura, com uma filha adolescente mimada para educar. Ele é jovem, bonito, sexy e bem-sucedido, poderia ter a mulher que quisesse.
"Como você, não é mesmo, querida?" Acusa-me o meu demônio interior.
Está aí a resposta. A minha mãe é uma mulher linda, ela pode despertar interesse em homens de qualquer idade.
- Olá, filha. - Com seus olhos cravados em mim, ela coloca uma de suas mãos sobre o corrimão.
Em que momento ela voltou de viagem? Por que não nos ligou para avisar? Por que não foi ao nosso encontro? Qual é o motivo de ela ter adiantado a sua volta? Será que está desconfiada?
Eu fico estática, não consigo formular nenhuma palavra coerente com os questionamentos fervilhando em minha cabeça.
- O que houve, Julha? Parece que viu um fantasma - Christopher diz em um tom divertido, enquanto se aproxima e para logo atrás de mim, colando o seu peito às minhas costas. Ao notar a presença da esposa, ele se afasta imediatamente. - Katherine? - A voz dele revela que está tão surpreso quanto eu. Ele se coloca ao meu lado e olha de mim para a mamãe, esperando que eu lhe dê uma explicação.
- Quando você voltou? - ele pergunta, desconfiado.
Nesse momento, o ciúme me golpeia. Eu abaixo a cabeça ao ver que ela o pega de surpresa, roubando um selinho estalado. Meu estômago revira. Christopher me fita de soslaio em um pedido silencioso de desculpas, então só desvio o olhar.
- Voltei há alguns dias, mas isso não importa. O que eu acabei de ver aqui é tudo o que mais desejei.
Engulo em seco. Se não bastasse a tortura em vê-la abraçada ao homem que amo, ela segura a minha mão e me puxa para mais perto, envolvendo um braço ao redor do meu corpo enquanto o outro está ao redor de Christopher. Nossos olhos se cruzam, suas íris azuis adquirem um tom acinzentado e sem que a minha mãe perceba, Christopher fecha os olhos e aproxima o nariz do meu cabelo. Eu também fecho meus olhos ao sentir o seu pequeno toque, sem saber se em algum momento voltarei a senti-lo.
- Como fico feliz em ver que vocês estão se entendendo - ela diz com um sorriso irônico nos lábios, então rapidamente eu me afasto do seu abraço.
- É bom ter você de volta, mãe. - Dou um sorriso tímido. - Eu só não esperava encontrá-la aqui. - Dou de ombros.
- Peguei vocês de surpresa, não é mesmo? - Ri com sarcasmo e volta a envolver os braços em volta do pescoço de Christopher, que reluta para retribuir o gesto. - Mas eu quis fazer uma surpresa para vocês. - Ela olha para mim e depois para Christopher, parecendo desconfiada. - E pelo visto consegui.
- Se você voltou há alguns dias, por que não foi ao nosso encontro? - Cuspo as palavras.
- Por quê? Oras, porque... Porque ao chegar em casa, continuei trabalhando do escritório e... - ela gagueja, sei que está mentindo.
Para mim, basta. Eu não sei o que minha mãe anda planejando e seja lá o que for, está tornando Christopher e eu mais próximos de uma maneira que ela não vai gostar.
- Bom, eu vou para o meu quarto, a viagem foi exaustiva - provoco Christopher, que me fita com os olhos semicerrados.
- Tudo bem, querida, mas quero que saiba que fico muito feliz em ver que vocês estão se entendendo. - Sua voz soa com sinceridade.
- Não se iluda, querida, essa garota está cada dia pior. - Nossos olhos se cruzam e ele me fita com uma falsa irritação.
Eu reviro os olhos e me deixo envolver por seu teatro.
- Eu apenas retribuo o seu carinho, querido padrasto - digo com deboche.
- Você é uma garota muito insolente. - Vejo um risinho safado dançar em seus lábios.
- Por favor, não comecem - mamãe intervém, visivelmente cansada. Ela volta a atenção para mim sem se desfazer do abraço do seu amado. - Julha, meu bem, vá para o seu quarto descansar enquanto eu mato a saudade do meu maridinho lindo.
- Mãe, me poupe dos detalhes sórdidos. Aproveitem - digo entredentes.
Christopher me olha com uma expressão que eu não consigo decifrar. Engulo em seco para impedir que as lágrimas denunciem o quanto a sua revelação me afeta. Entro em meu quarto com a respiração acelerada. O asco ao imaginar o que irá acontecer no quarto da frente percorre os meus vasos sanguíneo. Eu fecho a porta atrás de mim, mas ainda a ouço.
- Eu senti saudades, meu amor.
- E... eu também, querida - ele gagueja.
Eu jogo a bolsa no chão e deslizo o corpo pela madeira fria da porta, sentando-me no carpete felpudo que cobre o piso. Exausta, abraço os meus joelhos e deixo que as lágrimas deslizem livremente pelo meu rosto. Ouvi-lo falar com a minha mãe daquela maneira tão carinhosa só me fez ter a certeza de que tudo o que vivemos durante essa última semana não serão mais que boas lembranças. Eu recupero o fôlego, seco as lágrimas com as mãos e me levanto, pegando a minha bolsa e seguindo para o closet. Volto a jogá-la no chão em um canto qualquer com mais força do que pretendia e, em seguida, sigo para o banheiro e fecho a porta atrás de mim. Um misto de culpa e angústia me sufoca, rouba o meu ar e me impede de respirar. Levo as mãos à boca para abafar os soluços que voltam a sair.
Eu já sabia o que aconteceria quando traí a minha mãe, e agora tenho que colher os frutos. Após colocar para fora através das lágrimas a minha angústia, eu me sinto mais calma, com a emoção mais controlada. Carrego comigo o resto que sobrou da minha dignidade para seguir em frente, se vou conseguir eu não sei, mas vou tentar.
Prendo o meu cabelo em um coque frouxo e, em seguida, caminho até a banheira e a coloco para encher, regulando a temperatura da água antes de tirar as roupas e as colocar dentro do cesto. Eu olho para o meu corpo magro nu através do espelho, marcas roxas ao lado do meu seio denunciam quão maravilhosa foram as noites que tivemos.
Fecho os olhos ao recordar dos nossos momentos de prazer. Ainda posso sentir cada carinho dele, cada gemido, sussurro, seus lábios reivindicando os meus, percorrendo o meu corpo. Sinto um comichão se formar entre as minhas pernas e desejo loucamente ter seu toque mais uma vez, mesmo que seja a última vez. Frustrada, eu abro os olhos, mas ele não está por perto, talvez esteja nos braços da pessoa que realmente o tem.
- Christopher - gemo, chamando o seu nome ao sentir o calor percorrer as minhas entranhas, me deixando excitada.
Eu deslizo a mão lentamente pelo meu colo, como se ele estivesse ali, me tomando para si, e me entrego totalmente, ansiando o sentir forte e duro. Sentindo-me tentada a me tocar e ofegante, levo a palma de uma das minhas mãos ao encontro dos meus mamilos enrijecidos, fazendo o meu corpo arrepiar. Entreabro os lábios para facilitar a minha respiração enquanto faço movimentos circulares em meu mamilo com a palma da mão aberta, depois faço o mesmo com o outro, suspirando de prazer.
Eu me sinto maravilhada com toda a excitação que percorre o meu corpo, mas, ao mesmo tempo, um pouco melancólica por estar tão excitada apenas com lembranças. Mas é mais forte do que eu, não consigo controlar, deslizo uma das minhas mãos para o meio das minhas pernas e introduzo um dedo entre a minha carne úmida, levando-o em seguida para a minha boca, deliciando-me com o sabor salgado da minha intimidade palpitante.
O meu mel escorre entre as minhas pernas, aumentando ainda mais a minha excitação. A cena da nossa última noite passa como um filme erótico em minha cabeça e, sem me preocupar com mais nada, eu deixo que o meu corpo deslize até o chão como uma pena. Apoiando as costas no azulejo frio, eu abro bem as pernas e olho a minha boceta, que brilha com a lubrificação sob a luz do banheiro. Meu clitóris palpita no mesmo ritmo de minha pulsação, então tomo um dos meus seios na mão e aperto. Minha respiração se torna ainda mais ofegante ao deslizar a mão por minha virilha e lentamente ela escorrega sobre a minha pele fina, alcançando o meu clitóris. Trêmula, eu arqueio as costas enquanto toco a minha intimidade suavemente.
- Oh, meu Deus - gemo, arfando, e começo uma massagem com movimentos circulares enquanto deslizo o meu dedo do meio entre as paredes da minha carne molhada, me fazendo estremecer. Abro ainda mais a minha perna e giro os quadris, iniciando um gostoso movimento de entra e sai. Eu fecho os olhos e imagino que são os dedos de Christopher me possuindo, então intensifico os movimentos.
- Christopher - gemo, chamando o seu nome antes de deslizar a língua pelos meus lábios ressecados.
Meu coração bate acelerado, parecendo querer sair pela boca, e meu corpo treme. Entre gemidos, sinto o meu orgasmo se aproximando e me contorço, não conseguindo controlar os sons que saem mais altos do que eu pretendia. Os meus músculos vibram e, em seguida, sou preenchida pelo meu líquido quente. Solto um gritinho, então levo minhas mãos aos lábios para abafar os sons. Meu corpo estremece e leva alguns minutos até recuperar o fôlego. Ainda sentindo o cheiro de sexo envolver o ambiente, eu me levanto do chão frio, que ficou marcado com o suor da minha excitação. Satisfeita, sigo para a banheira, que transborda, então desligo a torneira e entro, fazendo com que mais uma boa quantidade de água derrame.
(...)
Eu perco a noção de quanto tempo estou aqui, perdida em pensamentos, tendo como companhia as lágrimas que caem constantemente. O vento entra pelas janelas abertas e lambe o meu corpo, me trazendo de volta à realidade. Só então percebo que a água já não está mais quente e convidativa, como esteve minutos atrás. Sua frieza faz com que os pelos do meu corpo se arrepiem e meus mamilos enrijeçam. O frio ordena que eu saia, mas as minhas lágrimas pedem para que eu fique no meu mais novo refúgio.
Relutante, eu saio da banheira, pego o roupão branco felpudo pendurado em uma arara de inox ao lado do boxe e me visto. Ele desliza como uma nuvem de plumas sobre a minha pele, aquecendo-a. Pego uma toalha de banho e enrolo nos meus cabelos, que por um descuido deslizaram para dentro da água. Recomposta, eu sigo para o meu closet.
Nunca fui uma garota de ficar me lamentando, e não será agora que irei fazer isso, não irá me levar a lugar algum. Ao invés de perder tempo com isso, irei encontrar uma forma de organizar a minha cabeça, minha vida e o meu coração.
Abro a gaveta de lingeries e pego uma minha calcinha em renda rosa, nada sexy, mas confortável, e me visto. Quando entro no meu quarto novamente, ouço alguns gemidos parecendo vir do quarto da frente, e isso prende a minha atenção. Gemidos altos, excitantes, e ouvir aquilo não deveria, mas de alguma maneira me incomoda, dói. Dói muito mais do que eu poderia imaginar.
Corro de volta para o closet ao mesmo tempo em que as minhas lágrimas dolorosas voltam a cair. Entro no banheiro e fecho a porta com força atrás de mim, rapidamente sigo até o vaso sanitário e coloco para fora tudo o que havia ingerido durante o dia.
Meu rosto está lavado pelas lágrimas, meus olhos estão embaçados, então vou até a pia e lavo o gosto amargo da boca e o meu rosto. A água fria alivia a minha angústia. Ao ver a toalha de rosto dobrada em cima da pia, eu a pego e a levo à boca, mordendo-a para abafar os gemidos, que escapam involuntariamente dos meus lábios.
Raiva, irritação, ódio e ciúme. Um misto de sentimentos me leva ao descontrole. Sem pensar nas consequências que os meus atos podem me acarretar, deslizo as mãos sobre a bancada da pia e faço com que meus perfumes que estão sobre ela caiam no chão, fazendo com que os vidros se quebrem em pequenos fragmentos, provocando um som estrondoso. Segundos depois sinto um ardor percorrer as minhas pernas e, logo em seguida, o aroma dos perfumes se misturam.
- Ahhh! -grito, nervosa, e continuo com mais algumas sequência de gritos, que me levam à exaustão antes de soltar uma gargalhada histérica.
Assim que encontro um lugar no chão que não tenha sido atingido pelos fragmentos, eu me sento, ofegante, e fico quieta por alguns minutos, buscando domínio dos meus sentimentos. Estou suada, meu rosto está lavado pelas lágrimas, minhas pernas ardem pelos cortes que alguns fragmentos dos frascos me causaram, mas não me importo. O meu coração carrega uma ferida ainda maior e não morri por isso.
Minutos depois eu ouço passo e, em seguida, algumas batidas frenéticas na porta.
- Julha, está tudo bem? Julha? - Eu quero tranquilizá-la, mas as palavras me faltam. - Julha querida, fale comigo. - Sua voz soa desesperada.
Eu puxo ar para os pulmões na tentativa de controlar a minha voz para que ela não perceba que soa embargada e, por fim, digo: - Está tudo bem sim, mãe - fungo -, foram alguns vidros de perfume que criaram vida própria e decidiram se jogar no chão - digo com ironia.
Ela bufa e mesmo que eu não veja, tenho certeza que revirou os olhos. - E esses gritos, Julha, foram os perfumes também? - Sua voz soa sarcástica. Ela não desiste.
- Não, mãe, os gritos foram meus, mas não há motivo para se preocupar. Foi apenas um susto - minto.
- Mas, Julha... - Sua insistência me aborrece. - Julha, eu sou sua mãe. Quer fazer o favor de me dizer o que está acontecendo?
Estou pronta para soltar palavras de repulsa contra ela, mas agradeço mentalmente aos céus por ter enviado Christopher, que inconscientemente me impede.
- Katherine, vamos voltar para o quarto. Ela disse que está bem.
Meu corpo acelera em resposta à sua voz.
- Amor, estou preocupada com ela - insiste.
- Katherine, Julha não é mais criança, mesmo que às vezes - pelo tom alto da voz, sei que ele aproximou seus lábios da porta, direcionando as palavras para mim - ela se comporte como uma. Querida, ela sabe se cuidar muito bem sozinha. Ela só está querendo chamar atenção como a menina mimada que ela é. Isso é culpa sua - ele a acusa.
- Você está sendo duro.
- Desculpe, meu bem. - Ouço o som de um beijo sendo trocado. - Mas é que eu fico irado quando essa garota se comporta como uma menina de oito anos só para chamar a sua atenção. Eu prometo não falar mais nada que te magoei.
- Eu não sei mais o que fazer. - Ela funga e eu me arrependo do meu comportamento. - Eu não compreendo o motivo de tanto ódio que ela sente por mim. Às vezes acho que ela me culpa pela morte do pai.
- Não diga bobagem. Ela está passando por uma fase que todos nós já passamos um dia.
- Sim, eu sei, mas eu gostaria que as coisas fossem diferentes entre nós.
Suas palavras me atingem violentamente, como um soco no estômago. Passo as mãos rapidamente no meu rosto, secando as lágrimas pesarosas. Eu fito minhas mãos sujas de sangue que, em contato com o líquido levemente salgado que desliza pelo meu rosto, fazem arder os pequenos cortes feitos pelos cacos de vidro.
- Julha precisa de um tempo, querida, nós daremos esse tempo a ela. Quando ela estiver bem mais calma virei conversar com ela.
Mas não mesmo, penso.
- Jura que você fará isso por mim? - Outro beijo rápido é trocado.
- Eu juro, querida, agora vamos dar a ela o tempo que precisa - ele diz sem emoção.
Mas antes de sair, ela ainda diz: - Estarei no meu quarto. Caso precise de mim, não hesite em chamar.
- Está bem. - Respiro aliviada por ele tê-la convencido a desistir.
- Vou pedir à Ada que ela venha limpar essa bagunça.
Nada digo, apenas fico atenta, ouvindo os passos deles se afastarem. Levanto-me com cuidado para não me cortar mais e vou até a gaveta do gabinete da pia, onde pego a caixinha de primeiros socorros. Abro lentamente a porta do banheiro, me certificando de que a área realmente está limpa, e vou para o meu quarto, sentando-me na cama para fazer curativos nos pequenos cortes das minhas pernas. Ao terminar, sigo até a minha escrivaninha e pego o telefone sem fio que não para de tocar.
- Alô - digo.
- Alô, Julha, telefone pra você. - Ao ouvir a voz dele, a minha respiração falha. Tenho certeza que ele nota o meu desconforto, mas antes que peça explicações eu o dispenso.
- Pode passar.
Agora é ele quem fica silêncio. Sinto que Christopher tem muito a dizer, mas por algum motivo preferiu se calar. Segundos depois, ouço a voz animada da minha amiga do outro lado da linha.
- Ju?
- Oi, Ane, sou eu. - Minha voz soa decepcionada, não por ser a minha amiga a autora do telefonema, mas por ele ter cedido fácil.
- Ai, amiga, que saudades estou de você. - Sua voz soa sincera. É muito bom ouvir a voz de Ane, senti muita falta dela.
- Eu também senti saudades. - Minha voz soa desolada.
- Julha, está tudo bem?
Ela me conhece bem. Eu não quero preocupá-la contando tudo o que havia acontecido por telefone, não é apropriado e eu correria um grande risco de ser pega. - Sim, está tudo bem. Estou com saudades da turma. - Forço um tom animado.
- Nós também sentimos a sua falta - diz com sinceridade. - O que você está fazendo? Estou sozinha em casa, papai e mamãe foram viajar e só voltam no fim da semana. Eu estava pensando que seria legal se você viesse pra cá, poderíamos convidar os meninos para assistir a um filme, sei lá. O que me diz?
- Eu não sei, Ane. - Eu não estou no clima, meu melhor programa será ficar em casa, deitada em minha cama, dormir e só acordar quando estiver longe de tudo isso.
- Ah, qual é, não seja chata - insiste.
A insistência de Ane me faz pensar que Felipe precisa de algumas explicações, ele não deve estar entendendo nada, pois estávamos conversando e, de repente, o telefone ficou mudo. Decido não mais recusar e aceito o convite. Após encerrar a ligação, entro em contato com o Felipe, que fica muito feliz ao ouvir a minha voz. Quando cito o convite de Ane, ele não se faz de rogado e aceita no mesmo instante. Conversamos por alguns minutos antes de encerrar a ligação.
Estou deitada na minha cama, planejando o que fazer depois da formatura da escola, quando sou desperta do meu devaneio ao ouvir alguém bater à porta. Eu me dirijo lentamente até ela, achando que é a Ada enviada pela mamãe para dar um jeito na bagunça que se tornou o meu banheiro. Assim que a abro, fico surpresa ao ver o meu padrasto.
Descaradamente, não escondo o olhar de cobiça que lanço para o seu corpo coberto apenas por uma calça de moletom escura que fica baixa em seus quadris, deixando exposto o seu peitoral levemente bronzeado. Minha boca enche de água, ansiando percorrer a língua sobre a pele macia e ao mesmo tempo firme, máscula. Os seus braços musculosos estão cruzados sobre o peito e o seu olhar sobre mim é intenso.
Como poderia ser tão cretino e lindo ao mesmo tempo? Não me importo em esconder os meus péssimos modos e já vou logo fechando a porta, mas ele é mais rápido do que eu, coloca o pé na frente para me impedir.
- O que você quer, Christopher? - pergunto, cansada, antes de me virar para lhe dar às costas. Sigo para o banheiro e desvio dos cacos de vidros que ainda estão ali.
- O que houve aqui, Julha?
Como poderia ser tão cretino e lindo ao mesmo tempo? Não me importo em esconder os meus péssimos modos e já vou logo fechando a porta, mas ele é mais rápido do que eu, coloca o pé na frente para me impedir.
- O que você quer, Christopher? - pergunto, cansada, antes de me virar para lhe dar às costas. Sigo para o banheiro e desvio dos cacos de vidros que ainda estão ali.
- O que houve aqui, Julha?
Eu o fito através do espelho. Seu olhar é preocupado e ao mesmo tempo contido. Bufo, ignorando a pergunta e solto o meu longo cabelo, pois sei que isso o excita. Ele observa os movimentos que faço com a escova do alto da cabeça até o meio das costas, onde ficam as pontas dos meus cabelos. É nítido que ele está tentando lutar contra o desejo que sente por mim.
- Ainda não me disse o que veio fazer aqui. - Nossos olhos se cruzam através do espelho.
Seus passos são firmes, determinados. Christopher fecha a porta atrás de si, mas antes que ele se aproxime, eu giro o meu corpo e fico de frente para ele, que em passos largos caminha em minha direção. Ele me pega de surpresa ao entrelaçar os braços em volta da minha cintura. Levo minhas mãos para o seu peito e as deixo ali, sobre aquela pele macia e firme mais tempo do que desejo. Um sorriso safado dança em seus lábios.
- Christopher, alguém pode entrar - digo num murmúrio, tentando convencer a mim mesma que eu o quero longe.
- Não se preocupe, pequena, sua mãe pediu para que eu viesse até aqui te chamar para o jantar, e quem sabe assim poder colocar um pouco de juízo na sua cabeça. - Seus lábios tocam o meu ombro em um beijo suave, fazendo o meu coração bater descompassado.
- Não se dê ao trabalho, querido. - Meu sorriso é irônico. - Não é trabalho nenhum, minha pequena, nós realmente precisamos conversar. - Seu olhar é penetrante e ele demonstra querer mais do que uma simples conversa. - Estou com saudades, Julha, saudades do seu cheiro. - Ele desliza o nariz pelos meus cabelos. Sua voz levemente rouca e sensual percorre cada terminação nervosa do meu corpo. Eu tento me afastar e me debato para sair dos seus braços, mas ele me segura ainda mais firme.
- Chris... - Minha respiração acelera. - Christopher, por favor. - Minha voz soa como súplica, ansiando por mais dele ao mesmo tempo em que desejo insanamente que ele se afaste.
- Eu senti saudades do seu corpo - ele continua, parecendo não se importar com o que eu digo -, dos seus lábios.
Sua língua desliza pela minha boca, pedindo passagem. Eu reluto por alguns minutos, mas o seu perfume amadeirado misturado ao hálito de hortelã me seduz. Eu abro os meus lábios para receber a sua língua quente, que desliza ao encontro da minha, me fazendo soltar um gemido abafado. As mãos que antes o queriam longe, entrelaçam em seu pescoço, puxando-o para mais perto. Sua língua me lambe, me chupa, e eu retribuo apaixonadamente. Christopher me segura com mais força contra ele, me fazendo sentir a sua ereção roçar em minha virilha. Meu coração parece querer sair pela boca.
- Eu preciso tanto de você, minha pequena. - Suas mãos agarram a minha bunda e com um único movimento me toma em seus braços. Entrelaço as pernas em seu quadril e ele cola as minhas costas no azulejo frio do banheiro.
- Ah! - gemo, excitada.
- Eu vou foder você, pequena, até que perca a consciência.
Fico ainda mais excitada e nervosa. Eu quero me entregar, sentir o seu toque, mas algo dentro de mim me domina e me faz voltar à realidade. Como eu posso estar nos braços de um homem que minutos atrás fazia juras eternas de amor para outra mulher, para a esposa, que é uma das pessoas mais importante da minha vida.
- Christopher, pare - digo.
Ele reluta, então não me resta outra alternativa senão morder seu lábio inferior.
- Porra, você está louca? - irritado, ele passa a mão pelo lábio e, em seguida, confere se não está sangrando.
Foda-se. Estou muito irritada para me importar com qualquer dor que eu tenha causado a ele. Ele causou em mim uma dor muito maior.
- O que deu em você? - Ele me fita com o cenho franzido, parecendo não estar entendendo nada.
- O que deu em mim? Você realmente não sabe? - Rio com sarcasmo.
- Realmente não sei o que está acontecendo com você, Julha. - Ele dá um passo em minha direção, mas eu recuo.
- Fique longe - ordeno, como se ele fosse me ouvir. Ele continua caminhando em minha direção. - Eu já disse para você não se aproximar - falo, séria.
- Você está querendo me enlouquecer, é isso? - Ele para a um passo de mim.
- O que você está querendo com tudo isso, Christopher?
- Eu não estou entendendo, pequena, seja clara.
- Você estava se declarando aos quatros ventos o amor pela minha mãe, transando com ela, e agora vem aqui como se nada tivesse acontecido. - Cuspo as palavras.
- Você está com ciúmes. - Ele ri, parecendo se divertir com a minha irritação.
- Não seja ridículo. - Nego, mas a quem eu quero enganar?
- Agora entendo o porquê de você ter quebrado todos os seus perfumes. Venha comigo, esse cheiro está insuportável. - Ele segura a minha mão e me puxa para fora do banheiro.
Voltamos para o meu quarto e antes que eu siga com o meu plano de o mandar embora, ele para na minha frente e me faz parar bruscamente antes de segurar os meus braços com uma mão de cada lado.
- Julha, me ouça. - Nossos olhares se cruzam. - Acredite no que eu vou te dizer, não houve nada entre mim e sua mãe naquele quarto. - Ele se vira e com o dedo indicador aponta na direção da porta.
Eu bufo e reviro os olhos. Quem ele está tentando enganar?
- Ah, claro. Pode mentir, eu finjo que acredito. - Dou uma risada irônica.
- Por favor, pimentinha, acredite em mim. Eu gosto de você, de estar com você. Não seja injusta e acredite que eu também estou sofrendo com tudo isso. É com você que eu quero estar e vou encontrar o momento certo para revelar a verdade para a sua mãe. - Ele dá mais um passo em minha direção, ficando a centímetros de distância de mim.
Era tudo o que eu queria ouvir dele se a situação fosse outra.
- Não seja idiota. Em que momento pensou que poderíamos ficar juntos? Hello, acorda. Nós não vamos ficar juntos, não podemos construir a nossa felicidade em cima da tristeza de outras pessoas. Eu já errei demais e não a machucarei. Não farei isso com ela.
- Eu não vou desistir de você, Julha. Não pense que vai se livrar de mim tão fácil - diz e sai, sem me dar a chance de responder.
Após ouvir as declarações de Christopher, nada mais me resta a não ser seguir com meus planos. Vou esperar o término das aulas e me mudar para Vegas. Ficar em Nova Iorque, debaixo do mesmo teto que Christopher, está fora de cogitação. Minha atitude é covarde, eu sei, mas o que posso fazer quando o homem por quem meu coração traidor bate é o marido da minha mãe. Eu terei uma grande batalha pela frente, não será nada fácil revelar para mamãe a minha decisão, mas deixarei para pensar nisso em um outro momento. Eu olho para o meu celular e constato que já estou atrasada, Felipe chegará a qualquer momento, então corro para me trocar.
Após me vestir, pego a bolsa, saio do quarto e sigo para a sala de jantar, parando no último degrau ao ouvir mamãe e Christopher conversando descontraidamente, como um casal feliz. O meu peito fica em pedaços e eu me sinto ainda mais culpada. Não tenho o direito de roubar a alegria dela, então, a partir de hoje, irei tentar apagar dentro de mim todos os momentos que vivemos juntos. Não será fácil, mas não encontro outra saída, irei abdicar da minha felicidade para que ela seja feliz.
Eu respiro fundo, impedindo que lágrimas pesarosas caíam, e volto a caminhar em direção à sala de jantar.
Ao me ver adentrar o ambiente, Christopher não consegue disfarçar o quanto a minha presença o afeta. Ele me olha com aqueles lindos olhos azuis devoradores que fazem todo o meu corpo estremecer em resposta.
- Olá, querida. - Mamãe me olha e descansa o garfo sobre o prato, limpando os lábios no guardanapo em seguida. - Sente-se, jante conosco - diz, solícita.
- Não, mãe, obrigada.
Ela percorre os olhos rapidamente pelas minhas pernas e volta a me encarar. Eu percebo que se incomoda com os machucados que vê, mas nada fala, ela se mantém indiferente.
- Eu combinei de jantar com Ane e Bruno - digo, sob o olhar atento de Christopher.
- Eu não sabia que você ia sair, então, eu disse ao motorista que poderia se recolher.
- Não precisa se incomodar, mãe, aproveite a sua noite, até por que - olho para o relógio do meu aparelho celular - minha carona já deve estar chegando.
Por coincidência ou destino, a campainha toca no exato momento em que eu termino de falar. Eu peço licença e grito para Ada que vou atender e saio para recebê-lo. Ao abrir a porta, sou surpreendida por Felipe me puxando para um abraço antes de dar um beijo demorado.
Por coincidência ou destino, a campainha toca no exato momento em que eu termino de falar. Eu peço licença e grito para Ada que vou atender e saio para recebê-lo. Ao abrir a porta, sou surpreendida por Felipe me puxando para um abraço antes de dar um beijo demorado.
- Isso tudo é saudade? - pergunto, ofegante, ao pararmos o beijo.
- Também. Mas é um pouco do que planejo para nós dois essa noite - diz, malicioso.
Eu não tenho tanta certeza se seus planos vão me agradar, mas não digo nada, apenas dou um sorriso sem graça com o canto da boca em resposta.
- Está bem. Vamos nos despedir da minha mãe. - Eu o puxo pela mão.
- O que houve com as suas pernas?
- É uma longa história, eu te conto uma outra hora - minto, olhando para ele sobre meu ombro.
- Você está bem? Não quer ir ao pronto-socorro? - insiste.
- Não se preocupe, eu estou bem.
Felipe acena com a mão para o seu motorista pedindo que ele nos aguarde por alguns instantes e, em seguida, vamos até a sala de jantar.
- Calma, amor, assim nós vamos cair - ele diz, rindo, se equilibrando em suas pernas.
- Pare de ser molenga - provoco.
- Depois vou te mostrar quem é molenga - rebate, divertido.
Entramos na sala e encontramos mamãe conversando animadamente com Christopher. Ao pararmos na porta da sala de jantar, Christopher fita Felipe com cara de poucos amigos, seu maxilar está cerrado, sua expressão se torna dura, fria. Modo alfa ativado. Eu o fito com um sorriso cínico.
Entramos na sala e encontramos mamãe conversando animadamente com Christopher. Ao pararmos na porta da sala de
jantar, Christopher fita Felipe com cara de poucos amigos, seu maxilar está cerrado, sua expressão se torna dura, fria. Modo alfa ativado. Eu o fito com um sorriso cínico.
Mamãe, ao notar a sua mudança repentina de comportamento, olha na direção de onde os seus olhos estão. Diferente do comportamento dele, um largo sorriso ilumina o seu rosto.
- Entra, vem. - Puxo a sua mão dele. Felipe cede depois de hesitar por um tempo.
- Com licença. Boa noite.
Minha mãe olha para Felipe e seu rosto assume uma expressão de surpresa. Felipe é muito bonito e causa furor entre as garotas por onde passa. Ele solta a minha mão e, como um cavalheiro, se aproxima de mamãe, que rapidamente limpa os lábios carnudos adquiridos com o botox. Ela oferece a ele a mão com um anel solitário que possui uma generosa pedra de diamante que papai lhe deu de presente no dia dos namorados.
- Mãe, esse é Felipe, a carona que lhe falei - digo, enquanto Christopher analisa o meu convidado minuciosamente.
- Boa noite, senhora Cloney. - Ele toma a mão dela e a leva aos lábios, depositando um beijo carinhoso, fazendo mamãe derreter e eu revirar os olhos.
- Seja bem-vindo ao nosso humilde lar, Felipe.
- Obrigada, senhora Cloney - agradece gentilmente.
- Katherine, Felipe, apenas Katherine - diz de maneira gentil.
Felipe se vira para Christopher com um sorriso amistoso, que até o momento nada disse.
- Boa noite, senhor Cloney. - Ele apenas retribui o cumprimento com um aceno de cabeça.
- E só para esclarecer - ele volta a sua atenção para mim antes de se aproximar e enlaçar a minha cintura. Sinto o olhar incomodado de Christopher, que se remexe na cadeira enquanto acompanha todos os movimentos de Felipe. - Você sabe que eu quero muito mais que a sua amizade, não sabe?
- Você nunca demonstrou interesse em namorar - provoco e olho de soslaio para Christopher, que tem uma expressão de poucos amigos.
- Não seja por isso. Vou aproveitar o momento em que a família está reunida para pedir à sua mãe autorização para namorar você, como se fazia em outros tempos - diz Felipe, que além de ser um rapaz muito lindo e inteligente, é também muito divertido.
- Você já tem minha permissão, Felipe - ela diz, entrando na brincadeira.
Para a surpresa de todos, Christopher joga o guardanapo sobre a mesa, se levanta em silêncio e segue até a porta para se retirar da sala. Mas antes que ele suma porta afora, eu não perco a oportunidade de provocá-lo.
- Não se esqueça de pedir permissão também ao meu pai, Fê - provoco.
Christopher para e se vira para mim. Eu vejo a raiva em seus olhos, deixando claro que eu passei dos limites com a minha atitude atrevida.
- Não se preocupem, vocês não precisam da minha aprovação. Você sempre fez questão de deixar claro para todos que eu não sou seu pai - ele diz, visivelmente irritado. - Você não deixa de ter razão. - Ele dá um sorriso malicioso.
- Christopher meu bem, Julha fez apenas uma brincadeira - mamãe intervém.
- Hoje eu não estou para brincadeiras - diz e sai da sala.
- O que deu nele? - pergunta a minha mãe, enquanto me olha parecendo confusa.
- Eu não sei, o marido é seu. - Dou de ombros.
- Tudo bem, eu vou falar com ele. - Ela joga o guardanapo na mesa e se levanta, mas antes se vira para mim e Felipe. - Vocês dois, nada de voltarem tarde. Juízo. Julha, dê um beijo nos Clark por mim.
- Está bem, mãe.
Ela beija o meu rosto e o do Felipe e depois sai.