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O Paraiso de Destiny

O Paraiso de Destiny

Autor:: Nikka Fuza
Gênero: Romance
Em uma viagem a trabalho para as exuberantes praias do Hawaii, o publicitário de Boston Ethan Roberts tem o seu estilo de vida virado de cabeça pra baixo pela bela Destiny De Angelis. Dess, leva a vida da melhor maneira que conseguiu imaginar. Largou a faculdade de direito, se mudou para Kauai com seu melhor amigo, Nicholas Bryce, e há quase um ano, decidiu aproveitar tudo o que a vida poderia proporcionar. Encantado pela aparência e personalidade da bela Destiny, e instigado por seu estilo de vida peculiar, Ethan se vê ligado à jovem, que tem um único objetivo: ensiná-lo a aproveitar a vida e ser mais espontâneo. Enquanto Ethan deseja revelar todo o potencial oculto que ele vê nela, a incentivando a levar a vida um pouco mais a sério. Juntos, os dois se esforçarão para encontrar um ponto de equilíbrio entre o trabalho e lazer.

Capítulo 1 Uma viagem cansativa

Ethan

Eu não podia acreditar que estava embarcando de uma vez, aquela viagem havia se tornado um inferno. Na teoria, era para eu desembarcar no aeroporto de Lihue, Hawaii, treze horas depois de ter embarcado em Boston, onde eu vivia. Porém, após uma série de atrasos, escalas, e uma espera de sete horas no Aeroporto Internacional de Los Angeles pelo último voo da noite, meu único desejo era que as próximas seis horas passassem depressa para que eu pudesse tomar um banho, dormir em uma boa cama, e quem sabe, demitir minha assistente por toda aquela confusão.

Apesar da exaustão eu tinha consciência de que não conseguiria dormir no avião, eu nunca conseguia. Ignorei o sorriso da comissária que me recebeu, e fui até minha poltrona, observando a aeronave deserta.

A grande maioria das pessoas que embarcaram seguiram para a primeira classe, eu me acomodei em meu lugar abrindo o livro que trouxe para me distrair durante a viagem, me concentrando na leitura.

Após alguns minutos, notei uma movimentação ao meu lado, desviei minha atenção do meu livro por um momento e pude ver uma jovem mulher que se esticava para guardar a mala no compartimento superior, seus cabelos castanhos caiam em ondas até metade de suas costas, ela tinha um belo corpo, pequeno e magro, mas não de maneira excessiva. Suas curvas eram proporcionais à sua estatura, com uma bela bunda destacada pela calça justa que ela vestia.

- A senhorita precisa de ajuda? - A comissária se aproximou ao notar a dificuldade da mulher.

- Não é necessário, eu só preciso alcançar - Ela garantiu virando o rosto, permitindo que eu tivesse uma visão de seu perfil.

Era uma bela mulher.

Não pensei muito antes de me levantar e fechar a porta do compartimento que ela tinha dificuldade em alcançar. Ela se virou em minha direção parecendo surpresa, antes de sorrir.

- Obrigada.

Seu rosto era de uma beleza incomum, a pele bronzeada, nariz fino e uma boca bem desenhada. Seus olhos verdes bem marcados pela maquiagem, exibiam um brilho de astúcia e alegria, que me deixou um pouco desconfortável enquanto me avaliava.

- Não tem de que - Eu garanti, me acomodando mais uma vez em meu assento.

Eu voltei a me concentrar no livro e esquecer a presença daquela mulher. O voo em si estava vazio, além de nós dois, tinha apenas meia dúzia de passageiros espalhados pela cabine da classe econômica, e para meu alívio, não demoramos a decolar.

- Eu odeio decolagens - A voz feminina fez com que eu desviasse mais uma vez a atenção do meu livro.

- Como? - Eu franzi o cenho enquanto a jovem me observava com curiosidade.

- Eu disse que odeio decolagens - Ela repetiu, mexendo em sua bolsa.

Por que ela está falando comigo?

- Você não se incomoda? - Ela insistiu ao notar que eu não falaria nada.

Eu ergui mais uma vez meus olhos em sua direção, sendo presenteado com um de seus sorrisos exuberantes.

- Não - dei de ombros antes de voltar a ler.

- Ok - Ela soltou baixo.

Creio que agora ela desistirá de tentar conversar. Sim, ela é bonita, mas não estou no meu melhor humor no momento, e não me sinto tão à vontade conversando com estranhos.

Eu me permiti absorver mais uma vez pela leitura, esquecendo a presença daquela estranha mulher, porém aquilo não durou mais do que uma hora. Um barulho acabou atraindo minha atenção, eu olhei de novo em direção a ela, apenas para vê-la se endireitar, segurando uma câmera fotográfica.

Ela só pode estar brincando comigo!

- Desculpe, você acabou de tirar uma foto minha? - Eu respirei fundo.

- Sim, você quer ver? - Ela ofereceu com naturalidade.

- Não, e você não pode tirar foto de estranhos - Eu tentei manter minha voz baixa, dedicando minha total atenção a ela pela primeira vez desde que entramos no avião.

- Estranho é uma palavra muito forte, eu prefiro o termo "desconhecido" - Ela me provocou - Além disso foi apenas uma foto, não pude resistir, é o que eu faço.

Eu desci meus olhos até a grande câmera que descansava em suas pernas. Aquilo deve ter custado uma fortuna, na poltrona ao seu lado um estojo estava aberto.

- Você é fotógrafa? - Eu questionei com curiosidade.

- Sim - Ela respondeu sem convicção após uma leve consideração - Creio que o termo possa ser aplicado, e eu posso te dar a foto, se você quiser.

- Eu ainda prefiro que você apague a foto - Eu pedi, voltando minha atenção para meu livro.

- O que você está lendo? - Ela perguntou, fazendo com que eu lhe lançasse um olhar exasperado - É a última pergunta, eu prometo.

Eu me limitei a erguer a capa do livro para que ela mesmo conferisse, torcendo para que me deixasse em paz depois disso.

- Victor Hugo... Isso sim é uma surpresa - Ela franziu o cenho antes de erguer os olhos em direção aos meus - Eu nunca adivinharia.

A garota encostou na poltrona, de e passou a concentrar sua atenção em sua câmera, demonstrando que de fato não falaria mais nada. Eu agradeci mentalmente e voltei a ler, mas não conseguia mais me concentrar nas palavras ali escritas.

- Por que não? - Eu questionei, chamando a atenção da mulher.

- Por que não o que? - Ela me olhou confusa.

- Por que você não adivinharia? - Eu fechei o livro.

- Você já se olhou no espelho? - Ela zombou.

- Qual o problema? - Eu avaliei o modo como estava vestido, uma calça social escura com uma camisa branca sem gravata.

- Você parece mais um executivo entediado do que alguém que está prestes a passar as férias em um lugar incrível - Ela explicou.

- E quem disse que estou de férias? - Eu ergui uma sobrancelha.

- Então você é um executivo entediado? - Seu sorriso aumentou com o brilho em seu olhar.

- O que você acha que eu deveria estar lendo? - Eu decidi ignorar a provocação.

- Algum livro sobre a dominação mundial no mundo financeiro? Não sei, qualquer coisa menos o corcunda de Notre Dame - Ela franziu a testa voltando a mexer na câmera.

- Esse livro não existe, além disso, o corcunda de Notre Dame é um clássico - eu não pude conter um meio sorriso perante aquela ideia absurda.

Ela não pensou antes de apontar a câmera em minha direção e tirar outra foto.

- Essa ficou ótima, você devia sorrir mais vezes - Ela sorriu.

- E você não deveria tirar fotos de desconhecidos - Eu revirei os olhos, voltando a abrir o livro, apesar de não conseguir me concentrar.

- Sinto muito Sr Executivo, não tirarei mais nenhuma foto - Ela prometeu.

- Obrigado.

- Se você não está indo de férias para Kauai, está indo fazer o que? - Ela prosseguiu no assunto, me fazendo fechar o livro de novo.

- É uma viagem a trabalho, minha empresa está me enviando e...

- Eu não sabia que contadores eram enviados a trabalho para o Hawaii - Ela franziu o cenho, se acomodando de lado na poltrona, a reclinando enquanto me observava.

- Por que você pensa que eu sou um contador? - Eu ergui uma sobrancelha, notando uma reação perante aquele gesto.

Ela gostou disso?

- Na verdade eu pensei na profissão mais chata que eu poderia imaginar e... - Ela deu de ombros.

- Eu não sou contador, na verdade eu trabalho com publicidade.

Aos vinte e oito anos eu era o mais jovem publicitário do grupo Zelner e finalmente havia conseguido um trabalho significativo. Eu estava liderando a equipe que cuidaria do lançamento de uma nova marca de Rum. Nós conseguimos um acordo com um resort em Kauai para fazer a festa de lançamento, e durante a semana a única marca utilizada em qualquer coquetel seria a Deep Ocean.

- Sr Publicitário então - Ela brincou bocejando. - Você está vindo de onde?

- Boston.

- Eu estava lá perto, Pennsylvania - Ela se aninhou um pouco mais na poltrona - Não via a hora de voltar para Kauai.

Voltar? Ela costuma frequentar a ilha? Talvez venha todos os anos para as férias, será que ela vai se hospedar no mesmo hotel que eu?

- Suponho que não seja sua primeira vez no Hawaii então - Eu tentei descobrir mais.

- Definitivamente não é - Ela fechou os olhos - é a sua?

- Sim - Eu a observei deitada ali de olhos fechados.

- Você vai adorar aquele lugar - Ela garantiu sem abri-los.

Depois disso, decidi deixá-la descansar, voltando a me concentrar em meu livro pelo resto da viagem, estranhando um pouco o silêncio que o seu sono proporcionava.

Já era de madrugada quando o avião pousou no aeroporto de Lihue, a garota havia sido acordada por uma comissária para o pouso, mas ainda parecia um pouco perdida quando deixei a aeronave. Após conseguir minha mala, eu saí do aeroporto à procura de um táxi.

O lugar estava deserto, as pessoas que desembarcaram comigo pareciam ter contratado um transporte particular até o hotel, coisa que minha assistente não pensou em fazer.

Eu voltei para o saguão do aeroporto, procurando algum lugar onde eu pudesse alugar um carro, aquela não era uma opção viável para mim, já que não planejava sair do hotel, mas não via outra alternativa.

- Está perdido, Sr Publicitário? - Ouvi a voz feminina atrás de mim enquanto eu buscava informações sobre o aluguel de carros.

- Não me chame assim - Eu observei a mulher, que tinha os cabelos levemente despenteados e uma expressão de sono.

- Desculpe então, Sr desconhecido - Ela piscou - Está perdido?

- Não me chame de desconhecido - Eu revirei os olhos.

- Eu não sei o seu nome, como eu devo te chamar então? - Ela cruzou os braços me lançando um olhar desafiador.

- Ethan Roberts - Estendi minha mão, notando pela primeira vez que não havia me apresentado e tampouco sabia seu nome.

- Destiny De Ângelis - Sua pequena mão sumiu entre a minha.

- Destiny, como... o destino? - eu franzi o cenho, estranhando aquele nome.

- Ah, como se eu nunca tivesse ouvido essa cantada antes. Mas sim, você pode me chamar de "o seu destino" - ela piscou para mim, ainda sorrindo.

- Não foi uma cantada, eu apenas achei seu nome... diferente.

Eu me contive antes de falar que seu nome era estranho para mim.

- Não é a primeira vez que ouço isso também - ela riu - acho que meus pais estavam em uma onda meio hippie quando eu nasci, ou algo do tipo. Mas você pode me chamar de Dess, é melhor.

Eu aceitei sua sugestão com um pequeno aceno afirmativo com a cabeça.

- E então, está perdido?

- Eu não encontrei um Táxi.

- Táxi a essa hora? Está brincando, não é? - Ela zombou - Você não contratou o serviço de transporte do hotel?

- Minha assistente não pensou nisso - Eu expliquei - Você sabe onde eu posso alugar um carro?

- Você pretende dirigir de madrugada pela ilha sem sequer conhecer o lugar?

- Eu não tenho muitas alternativas, você sabe onde fica ou não?

- Vamos - Ela revirou os olhos sorrindo, como se eu estivesse sendo ridículo.

Ela começou a caminhar, arrastando sua mala de rodinhas atrás de si enquanto equilibrava a mala menor em seu ombro, sem sequer confirmar se eu a estava seguindo, eu logo me pus em movimento, a alcançando com facilidade.

- Onde estamos indo? - Eu questionei.

- Em qual hotel você se hospedou? - Ela perguntou.

Talvez ela tenha contratado o serviço de transporte e consiga me incluir.

- O St Regis.

- Perfeito - Ela sorriu parando em um quiosque de doces que tinha ali.

O atendente logo se aproximou a cumprimentando com um sorriso enquanto ela se inclinava para escolher os doces.

- Eu quero três tortinhas, três Butter Mochi e dois cupcakes de abacaxi invertido - Ela pediu antes de se virar para mim - Você quer algo?

- Não - Ela não pode apenas me falar para onde eu devo ir?

- Tem certeza? - Ela se endireitou - Você que vai pagar.

- Eu vou pagar? - Eu me surpreendi.

- Mais dois cupcakes - Ela decidiu.

- Por que eu pagaria por seus doces? - Eu respirei fundo.

- Você não espera que eu te leve até o hotel de graça, espera? - Ela arqueou as sobrancelhas enquanto o rapaz separava o pedido.

Capítulo 2 Uma carona inesperada

Ethan

- Me levar? E como você pretende me levar?

- Com o meu carro - Ela respondeu - Está no estacionamento.

- E você sabe o caminho? - Eu ergui uma sobrancelha - Como?

- Eu moro aqui. É esperado que eu saiba o caminho.

- Você não mora na Pennsylvania? - Franzi a testa.

- Da onde você tirou essa ideia? - sua expressão se tornou confusa enquanto pegava a sacola que o jovem atendente lhe oferecia.

- Vinte e cinco dólares - O rapaz nos encarou.

- Onde está sua carteira, Ethan? - Ela sorriu, me atordoando por um momento por sua beleza, e de certa forma, pela raiva que seu atrevimento despertou em mim.

- Eu só preciso saber como eu posso alugar um carro - Eu murmurei, decidido a não aceitar aquele absurdo - se você não sabe, eu posso me informar.

- Você está falando sério? - Ela me encarou - Prefere gastar quatro vezes mais em um carro do que me pagar alguns doces? Eu posso dividir com você, sabia?

- Você é louca - Eu murmurei.

- E você é um contador chato - Ela desafiou.

- Publicitário - Estreitei os olhos.

- Que seja, é chato da mesma maneira - Ela deu de ombros, se virando para o atendente - Você vai ter que esperar eu procurar a minha carteira na bolsa.

Ela apoiou a bolsa em cima de suas duas malas, a revirando em busca da carteira, enquanto o atendente a media de maneira descarada.

- O que você está esperando para ir atrás do seu carro de aluguel? - Ela ergueu os olhos em minha direção - Vamos, como eu tenho um bom coração, eu prometo dar uma volta na ilha amanhã quando acordar. Eu posso te achar perdido em algum buraco.

- Eu posso me virar muito bem, mesmo perdido em um buraco - revidei.

- Sabe, você não precisa se preocupar com isso - O rapaz decidiu, atraindo nossa atenção - Os doces são por minha conta... se você quiser mais alguma coisa.

- Quanta gentileza - Dess sorriu, se endireitando - Como é o seu nome?

- Kaleo - O sorriso do rapaz aumentou - E o seu?

Ela vai passar a me ignorar por alguns doces agora!?

Eu peguei minha carteira no bolso da calça, tirando trinta dólares de dentro, colocando em cima do balcão.

- Aqui está, você pode ficar com o troco Kaleo - Eu murmurei recebendo um olhar curioso da garota - Vamos logo, Dess...

- Achei que você preferia se perder - Ela provocou.

- Você vai me levar ou não? - perguntei impaciente.

- Vamos Ethan - seu sorriso foi vitorioso - Você pode trazer minhas malas.

- Virei seu carregador agora? - Eu murmurei, arrumando uma maneira de carregar todas as bagagens e segui-la.

- Não reclame, estamos quase chegando - Ela pediu, se dirigindo ao carro.

Nós caminhamos pelo estacionamento do aeroporto até um jeep wrangler cinza. Dess destrancou o carro para que eu guardasse as malas.

- Esse é o seu carro? - Eu a encarei um pouco surpreso.

- Presente do meu pai - Ela deu de ombros - Ele achou que combinaria com o Hawaii e... O que foi?

- Apenas estou surpreso - Eu dei de ombros, me concentrando em guardar as malas - Você não parece o tipo que dirigia um Jeep.

- Bem, eu preferia uma Lamborghini, mas seria impensado ter uma nessa ilha - Ela deu de ombros, indo até a porta do motorista - Vamos?

- Claro...

Nós nos acomodamos dentro do carro prestes a começar nosso trajeto, todo o cansaço daquela viagem me acometeu, já fazia quase 24h desde que embarquei em Boston e ainda não tinha conseguido dormir. Eu precisava mesmo de um descanso.

- O hotel fica muito longe? - Eu questionei depois de alguns minutos em silêncio.

- Nós temos cerca de uma hora de viagem - Ela sorriu - O hotel fica quase do outro lado da ilha, para sua sorte, é perto de onde eu moro.

- Mesmo? - Eu pisquei atordoado.

- Serei sua acompanhante pela próxima hora, Ethan - Ela me encarou - E eu acho que vou precisar dos meus doces.

Eu abri a embalagem que ela me entregou assim que entramos no carro, ela pegou uma espécie de muffin, se ocupando em comer enquanto dirigia.

- Você não deveria fazer isso - Eu adverti.

- Está com medo, Roberts? Você deveria experimentar um desses, eu adoro - Ela me provocou mordendo mais um pedaço do doce.

- Estou falando que não é sensato dividir sua atenção entre a comida e a estrada - Eu revirei os olhos.

- Claro, é um perigo com todos esses carros - Ela apontou a estrada totalmente deserta - Sei que você está acostumado com grandes cidades, mas nessa ilha as coisas são um pouco diferentes.

- Sim, aqui é o fim do mundo - Eu murmurei.

- Estou oficialmente ofendida - Ela afirmou apesar de sustentar seu sorriso - É uma pena que estejamos fazendo esse trajeto às três da manhã, dessa forma você não consegue apreciar a beleza do lugar. Se conseguisse, tenho certeza que gostaria de viver nesse fim de mundo.

- Eu estou bem em Boston, obrigado.

- Boston... Já estive lá uma vez com minha mãe - Ela prosseguiu - Não vi nada de especial naquela cidade.

- É especial o bastante para mim - Ela não pode apenas dirigir?

- Você deveria experimentar o cupcake de abacaxi - Ela indicou - E o que torna Boston tão especial? Seus pais moram lá?

- Não...

- Vive sozinho em Boston então? Apenas você e o emprego entediante? - Ela me observou com o canto do olho.

- Eu posso ter uma esposa, filhos - Eu respondi, não gostando muito do fato de ela ter acertado.

- Você não usa aliança - Ela negou

- Eu posso ter tirado - Insisti

- Não existe nenhum sinal de que você algum dia tenha usado alguma aliança, Ethan.

- Você é algum tipo de especialista em alianças?

- Não, mas sou especialista em cafajestes que tentam me passar a perna - Ela respondeu com diversão - Você não se enquadra no perfil.

- Por que não? - perguntei intrigado.

- Eu passei mais de uma hora tentando puxar assunto com você dentro do avião e você sequer me olhava - Ela começou a enumerar - Eu consegui descobrir seu nome após quase sete horas, em nenhum momento você tentou conseguir meu telefone ou algo do tipo.

- Então você queria a minha atenção dentro do avião? - decidi provocá-la, apesar de estranhar um pouco a sua maneira objetiva e despreocupada.

- Não se sinta tão convencido, eu apenas odeio o silêncio.

- Eu estou sendo convencido? Você decidiu que eu não sou um cafajeste apenas por não demonstrar interesse nenhum em você.

- Falar que não demonstrou interesse nenhum, é exagero - Ela gargalhou - além disso, apenas falei que você não se enquadra no perfil de cafajeste. E o fato de você estar tentando provar que eu estou enganada, apenas comprova o meu ponto.

- Você não tem um ponto - eu a interrompi - Você não sabe do que está falando.

- Então me fale da sua esposa, Ethan. Como ela é?

Aquela pergunta me pegou desprevenido, me deixando sem palavras por alguns instantes.

- Ela..

- Não existe - Dess cantarolou.

- Você é sempre tão inconveniente? - Eu questionei.

- Você é sempre tão sério? - Ela me deu mais um de seus olhares travessos - Admita que ela não existe e eu te deixo em paz.

- Que seja, eu não tenho uma esposa - Eu revirei os olhos.

- Nem filhos - Ela insistiu.

- Isso é impossível que você saiba - Eu apontei.

- Sim, é impossível... Mas se você tiver algum filho ele estará crescendo sem a presença de um pai e isso é triste - Pela primeira vez o sorriso sumiu de seu rosto, sendo substituído por certa melancolia.

- Eu não seria ausente na vida do meu filho - Eu exclamei com indignação, notando o sorriso voltar ao rosto dela.

- "Seria"? Isso significa que seu suposto filho também não existe? - Ela me provocou.

- Não importa, eu seria presente - Eu insisti, um pouco incomodado por aquela ideia.

- Claro, você seria presente enquanto não atrapalhasse seu trabalho - Ela tentou forçar um sorriso - Mas sua carreira sempre estaria em primeiro lugar, você usaria a desculpa que precisa trabalhar para dar o melhor para ele enquanto perdia todos os momentos importantes.

- Não seria assim - Eu pisquei atordoado.

- Se você tivesse uma importante viagem a trabalho e o aniversário do seu filho fosse na mesma semana, você deixaria de viajar? Correndo o risco de perder uma promoção? - Ela supôs

- Eu acho que não faz sentido imaginar algo que não está nem próximo de acontecer - Eu murmurei, sem saber como responder aquela pergunta.

- Acho que você já tem a sua resposta - Ela deu de ombros.

Nós seguimos em silêncio depois daquela estranha conversa, eu torcia para que estivéssemos próximos ao hotel para que pudesse enfim descansar e esquecer que um dia conheci aquela mulher.

- Olha, minha casa fica no fim dessa estrada - Ela apontou uma estrada de terra pouco iluminada.

Será que não é perigoso que ela vivesse ali?

- O hotel fica muito distante daqui? - Eu fiquei preocupado com o tanto que ela teria que voltar depois.

- Não muito - Ela me tranquilizou, voltando a ficar em silêncio.

Menos de vinte minutos depois, nós chegamos ao resort. O lugar era muito bonito e os hóspedes ali pareciam ter muito dinheiro. Escolhemos bem o local.

- Está entregue, Ethan - Destiny sorriu enquanto eu descia.

Eu tirei minha mala do carro e voltei até a porta do motorista, me inclinando sobre a janela aberta.

- Muito obrigado pela carona, Destiny - Agradeci.

Não tinha certeza se teria conseguido cruzar a ilha sozinho.

- Carona? - Ela gargalhou - Pode ter certeza que eu vou cobrar isso em outra oportunidade, querido.

- Pensei que os doces tivessem sido o pagamento - Não pude evitar de sorrir.

- Os doces serviram para me encorajar a suportar a sua chatice - Ela se aproximou ainda sorrindo. - Eu te vejo por aí...

- Nós não vamos nos ver, Dess - Eu avisei.

- Nós estamos em uma ilha, vai acontecer - ela me desafiou.

- Eu não pretendo sair do hotel enquanto estiver aqui.

Ela se limitou a sorrir e se afastar apenas para pegar um de seus cupcakes e estender em minha direção.

- Você precisa provar isso - Ela mordeu o lábio em meio a um sorriso - Até depois, Ethan.

Eu aceitei o doce me afastando de seu carro, observando ela manobrá-lo com rapidez, se afastando.

E então, eu estava livre dela, amanhã com certeza terei um dia comum.

Com esse pensamento, mordi o cupcake e segui até a entrada do hotel.

Em uma coisa ela tem razão, isso é delicioso.

Capítulo 3 uma acompanhante diferente

Destiny

Eu observei Ethan parado em frente ao hotel pelo retrovisor do carro e não pude conter um sorriso. Ele era uma pessoa diferente do que eu estava acostumada, tão sério e fechado. Meu completo oposto.

Eu me sentia bem cansada quando embarquei naquele avião, mas a recente discussão com minha mãe sobre como eu estava desperdiçando a minha vida e que eu me arrependeria por nunca ter feito nada de útil enquanto era jovem, me manteve desperta o suficiente para perturbar o desconhecido ao meu lado.

Claro que sua beleza me chamou atenção logo de cara, mas o fato dele parecer tão decidido a se manter em silêncio me instigou a obrigá-lo a falar algo, e sua voz me instigou a obrigá-lo a continuar falando mais tarde.

Não demorei para chegar em casa, sentindo o cansaço de toda aquela viagem me abater. Era sempre assim quando visitava minha mãe, nosso tempo era dividido entre matar as saudades e tentar me convencer a mudar minhas atitudes ou eu nunca chegaria a lugar nenhum na vida.

Bem, eu ainda não sei o que eu quero da minha vida, então eu gasto o meu tempo tentando descobrir. Aos dezoito anos eu me mudei da casa de minha mãe na Pennsylvania para o campus da Universidade em Springfield, Massachusetts, abandonei a universidade dois anos depois para me mudar para o Hawaii, onde Vito tem uma casa, e tenho vivido da forma mais independente que consigo.

Sim, a casa que eu vivo pertence ao meu pai e foi ele quem me deu o meu carro, mas eu me sustento com meu trabalho.

Arrastei minhas malas com certa dificuldade da garagem até a entrada da casa, eu a destranquei acendendo a luz em seguida, observando se tudo estava no lugar. A primeira vez que estive aqui com Vito, achei um completo exagero a decoração do lugar, repleta de itens típicos do Hawaii, mas depois de seis meses vivendo na ilha passei a considerar a casa bem acolhedora.

Deixei minhas malas ao lado da porta e fui até a cozinha para guardar os doces que obriguei Ethan a me pagar, estranhando o fato da porta que levava até a varanda estar aberta e a luz acesa. Eu apaguei a luz após olhar em volta, dando de ombros antes de fechar a porta.

- Você não vai me deixar dormir do lado de fora, não é? - Uma voz veio da rede ali estendida, me arrancando um grito assustado.

- Nicholas!! - Eu exclamei quando o rapaz se levantou da rede - Você quer me matar de susto?

- Foi mal, acabei cochilando - Ele se espreguiçou - Que horas são? parece ser tarde.

- O que você está fazendo aqui? - Eu reclamei, voltando para a cozinha.

- Eu não queria te deixar sozinha ao voltar pra casa - Ele sorriu de forma inocente - É perigoso, sabe, e você demorou bastante.

- Tão perigoso que você estava dormindo na varanda - Eu revirei os olhos - Porque você está aqui de verdade?

- Já falei...

- Nicholas, o que aconteceu com a minha comida? - Eu respirei fundo ao abrir a geladeira e encontrá-la vazia.

- Iria estragar até você voltar - Nick deu de ombros.

- Nicholas, você tem vindo até minha casa, usado a chave reserva e comido a minha comida? - Eu acusei.

- Isso seria absurdo, Destie - Ele revirou os olhos.

- Nicholas - Eu o encarei irritada.

- Eu fui despejado e estou morando na sua casa na última semana - ele explicou como se fosse a coisa mais natural do universo.

- Você está morando aqui!? - elevei a voz - Você não espera continuar, não é?

- Você perdeu a parte em que eu disse que fui despejado? - o rapaz revirou os olhos

- Porque você foi despejado? - cruzei os braços.

- Eu atrasei o aluguel - Ele bocejou.

- Outra vez?

- Eu não consegui tantos trabalhos esse mês.

Nicholas era um garçom que trabalhava como freelancer. Nós nos conhecemos na universidade, e assim como eu, ele não estava feliz com o rumo que sua vida estava tomando. Quando avisei aos meus amigos minha decisão de me mudar para o Hawaii ele deu um jeito de se incluir, apesar dos meus protestos, e dos protestos de Mandy, sua namorada, que gostaria que ele se formasse.

- Como não conseguiu? Nós estamos em plena temporada! - Eu respondi com certa exasperação seguindo em direção às escadas.

- Não é tão fácil quanto você imagina, o Marriott's não está me arrumando serviço nenhum desde aquele incidente - Ele murmurou me acompanhando.

- O incidente? Você se refere ao dia em que você derrubou sopa quente em um dos acionistas do hotel por ele ter te chamado de desinteressado? - Eu revirei os olhos.

- Eu não tinha como saber que ele era um dos acionistas. - Ele garantiu - Você tem sorte, no St Regis eles te adoram.

- Eu conquistei as pessoas certas com o meu charme estonteante - Eu ofereci um sorriso a ele.

- Você poderia conseguir algo para mim.

- Consiga com o seu charme estonteante - Eu revirei os olhos, abrindo a porta do quarto - E é bom conseguir logo, não pense que vai morar aqui de graça, eu quero minha geladeira cheia de novo.

- Considere feito, Destie - Ele piscou.

- E não me chame de Destie, sabe que odeio esse apelido idiota - Eu murmurei antes de fechar a porta do quarto.

Apesar de toda a exaustão, eu consegui tomar uma ducha rápida antes de me deitar. Eu poderia dizer que perdi longas horas pensando no publicitário que conheci mais cedo, mas isso seria mentira, eu adormeci assim que encostei minha cabeça no travesseiro.

Com sorte me chamariam para cobrir a folga de alguém no hotel, e eu conseguiria vê-lo mais uma vez antes que ele partisse.

Eu esperava dormir até mais tarde no dia seguinte, mas o toque do meu celular me despertou pela manhã. Eu observei a foto de Tim, um de meus contatos no St Regis, estampada na tela do aparelho.

- Tim - Bocejei me sentando na cama.

- Me diz que você não tem nada programado para hoje - sua voz soou suplicante.

- O que você tem pra mim? - Eu me espreguicei.

- Preciso que você esteja aqui em meia hora - ele pediu.

- Meia hora, você enlouqueceu? - Eu me levantei da cama indo para o banheiro - Eu não consigo ficar apresentável em meia hora.

- Você já acorda apresentável, Dess - Ouvi um sorriso em sua voz.

- Seu bajulador barato - Murmurei - O que eu tenho que fazer?

- Eu te vejo em meia hora - Ele se despediu.

Ótimo, eu tenho que me arrumar em dez minutos e correr para o hotel, quem sabe eu consiga encontrar Ethan por ali, dependendo do tipo de trabalho que Tim tem para mim hoje.

Me lembrei das fotos da noite anterior, peguei minha câmera dentro da bolsa e a conectei com a impressora fotográfica portátil, imprimindo as duas fotos do homem enquanto me arrumava para sair.

- Merda, nem me falaram o que vou fazer - Eu murmurei me enfiando em um curto vestido azul de alcinhas.

Eu peguei minha bolsa, coloquei a câmera, as fotos e meu celular antes de sair.

- Onde você está indo? - Nicholas perguntou enquanto eu descia as escadas correndo.

- Eu tenho um trabalho, vou tentar conseguir alguma coisa pra você - Eu gritei em resposta - Não se esqueça que eu quero minha comida de volta.

- Ok ok - o ouvi murmurar enquanto passava pela porta da frente.

Ultrapassei um pouco o limite de velocidade, mas cheguei ao hotel no tempo estipulado. Eu me dirigi até o saguão, pronta para ir até a área reservada para funcionários, mas Tim me interceptou no meio do caminho.

- Graças a Deus você chegou - Ele suspirou aliviado, segurando meu braço e me levando até os elevadores.

- O que está acontecendo? - Eu franzi o cenho.

- Eu te garanto quinhentos dólares pelo dia de hoje - Ele murmurou subindo até o quarto andar.

- Quinhentos dólares? - Eu arregalei os olhos.

- E amanhã à noite teremos um luau e é folga da Mahina, se você puder cobri-la - Ele explicou.

- Ok, eu tenho um amigo que está precisando de alguns lances também. - Eu murmurei quando as portas do elevador abriram - Mas o que eu tenho que fazer hoje? Eu já falei que não arrumo quarto de ninguém.

- Você não será uma camareira - Ele revirou os olhos enquanto seguia apressado pelo corredor.

- Mas irei trabalhar o dia todo? - Ergui uma sobrancelha - O que você está me escondendo, Tim?

- Dess, esse hóspede é muito importante - Ele passou a sussurrar parando na frente de uma porta - Se você fizer isso para me ajudar, eu vou ficar te devendo uma.

- Depende do que você quer que eu faça - Eu imitei seu tom.

- O Sr Dick pode te explicar melhor - Ele me ofereceu um sorriso sem graça antes de tocar a campainha.

- Dick? Que tipo de nome de merda é esse? - Eu zombei.

- Desti... Aloha Sr Dick - Ele sorriu quando um senhor de cabelos brancos abriu a porta.

- Finalmente vocês chegaram - Ele me mediu - Essa é a garota?

- Sr Dick, essa é Destiny De Angelis - Ele me apresentou.

- Aloha - Eu o cumprimentei, me sentindo um pouco desconfortável ao sentir o olhar do homem.

- Ela não é perfeita? - Tim sorriu.

- Eu irei preparar tudo - Ele deu de ombros voltando para dentro do quarto, me deixando ali confusa.

- Preparar tudo? O que está acontecendo? - Eu sussurrei para Tim.

- O Sr Dick sempre passa as férias aqui, ele gasta muito dinheiro e é um dos nossos clientes mais antigos - Tim murmurou - Ele precisa de uma acompanhante e..

- Acompanhante? Você perdeu o juízo? - Eu arregalei os olhos, sentindo o ódio tomar conta de mim.

que ele pensa que eu sou!?

- Dess, ele acabou de se casar e..

- Que a esposa dele o acompanhe então, eu estou fora daqui - Eu rosnei.

- É ela? - Uma voz feminina me impediu de partir, uma garota que parecia ter a minha idade apareceu, carregando um garotinho que não devia ter mais de três anos no colo.

- Sim, é ela... - Tim sorriu.

- Aqui está - Ela me estendeu o menino, que eu aceitei instintivamente.

O que está acontecendo?

- Desculpe? - Eu pisquei atordoada.

- Aqui está a bolsa - O senhor Dick retornou com uma bolsa infantil na mão, me estendendo em seguida.

- Eu quero que o Danny participe de atividades diversas, o protetor solar que ele precisa usar está dentro da bolsa - Ela começou a explicar - lá você também encontrará a lista de restrições alimentares dele.

- Restrições? - Eu me sentia cada vez mais perdida enquanto o menino em meu colo me observava com curiosidade.

- Ele deve almoçar às onze e meia e eu o quero de volta às três da tarde - Ela prosseguiu.

- Quatro - O senhor informou.

- Certo, às Quatro da tarde - Ela deu de ombros - Ele gosta da piscina, mas não quero que fique o tempo todo lá.

- A srtª De Angelis cuidará muito bem do pequeno Danny, srª Dick - Tim bajulou - Ela é uma especialista nisso, a melhor que nós temos.

Espera, eu sou?

Eu olhei em dúvida para o garoto, estava pronta para devolvê-lo para a mãe quando ela simplesmente voltou para dentro do quarto, fechando a porta sem sequer se despedir.

- O que acabou de acontecer? - Eu virei para Tim.

- Você acompanhará o pequeno Danny por algumas horas - Tim sorriu me levando em direção ao elevador.

- Babá? Você me transformou em uma babá? - Eu elevei a voz quando as portas se fecharam, ignorando o menino que me observava em silêncio.

- Dess, por favor. É a primeira vez que o Sr Dick traz a nova esposa, e eles precisam aproveitar um tempo juntos, coisa que não será possível com um bebê - Tim explicou.

- Por que não o deixam na área infantil como todo mundo? - Eu murmurei.

- A Srª Dick acha que não cuidariam bem dele por serem muitas crianças, então pediu por uma acompanhante em tempo integral - Ele me explicou.

- Você vai ficar me devendo um favor enorme - Eu murmurei - E pode ter certeza que eu vou cobrar.

- Sim, claro. Quanto ao seu amigo, pode trazê-lo com você no luau - Ele garantiu.

- Que fique claro que esse não é o favor - Eu avisei quando as portas se abriram - Eu quero poder comer e beber de graça hoje.

- Sem bebidas alcoólicas perto da criança - Ele me avisou saindo do elevador.

- Eu não beberia a essa hora - Revirei os olhos - Eu vou pra praia com o moleque. E eu tenho um favor para te pedir depois.

- Qualquer coisa que você quiser, Dess - Ele sorriu antes de se afastar.

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