Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Bilionários > O Perfeito Canalha
 O Perfeito Canalha

O Perfeito Canalha

Autor:: Mia Harrington
Gênero: Bilionários
Benedict Carter é reconhecido como um notório canalha, despreocupado em redimir sua imagem e vivendo uma série interminável de casos sem compromisso, buscando apenas o prazer momentâneo. Apesar de ser bem-sucedido em sua carreira, Ben luta para superar um passado devastador nas mãos de seu pai, um homem sem escrúpulos, manipulador e abusivo, que deixou cicatrizes profundas em sua alma, mantendo-o afastado de envolvimentos românticos e de relacionamentos significativos. No entanto, é esse mesmo passado tormentoso que o coloca no caminho de Grace Sinclair, uma jovem de espírito doce e cativante. Herdeira de uma imensa fortuna, Grace retorna a Santa Barbara com o objetivo de estabelecer-se na cidade e assumir seu lugar na renomada Vinícola Sinclair, local em que são produzidos alguns dos vinhos mais premiados do mundo. No entanto, por trás de sua aparência serena e elegante, Grace carrega consigo uma introspecção e timidez profundas, assombrada pelo trauma de ter perdido a mãe precocemente. Além disso, ela precisa se adaptar a um novo estilo de vida após anos vivendo com seus avós na Europa, e lidar com uma inconveniente candidata a madrasta. No momento em que os olhos de Grace encontram os de Ben, ela é imediatamente atraída por sua presença magnética. Sua aparência intrigante, tatuagens marcantes e a forma atrevida como ele se aproxima dela desencadeiam uma intensa atração. Porém, há um aviso sussurrado em seu ouvido: ele é considerado o diabo em pessoa, com más intenções e disposto a levá-la por caminhos obscuros da paixão que ela jamais imaginou que poderia percorrer. Ele é um Perfeito Canalha.

Capítulo 1 Ele É o Diabo, Grace...

Ansiosamente, observei o relógio em meu quarto. Eram quase uma da manhã, e eu aguardava com expectativa a mensagem da minha amiga, Camille, ou melhor, Cam. Essa noite prometia ser diferente de todas as outras. Desde que voltei a Santa Barbara, tenho me arrastado pelos compromissos sociais e jantares oferecidos por sócios e velhos amigos da família. Estou sufocando sob as expectativas impostas aos Sinclair. No entanto, a mensagem tentadora de Cam no meio da noite desencadeou seu plano de me libertar deste lugar, tarde da noite, sem que ninguém perceba.

Estar de volta após tantos anos têm sido uma experiência intensa, mas estou descobrindo que, mesmo que eu tenha que participar desses eventos, sinto um estranho contentamento por estar novamente em casa. Foram quase seis anos no exterior, vivendo e estudando na Europa após a morte de minha mãe. Por muito tempo, nem mesmo considerei voltar para casa. No entanto, o tempo, que semeia dúvidas, também nos mostra o caminho e as respostas corretas. Tenho a impressão de que, não importa o quão longe eu vá ou por quanto tempo eu fique, há apenas um lugar para onde meu coração deseja retornar.

Devo confessar que pensei que seria mais desafiador, mas além de algumas perturbações, que pretendo resolver pessoalmente, como uma candidata a madrasta desagradável, estou satisfeita por ter voltado. Se meu pai não foi capaz de lidar comigo e com a perda de minha mãe nos primeiros meses, parece que ela encontrou a energia necessária para fazê-lo considerar se casar novamente. Talvez ela tenha esquecido que certas situações do passado sempre retornam, com o tempo que semeia dúvidas e revela as respostas corretas. Vou lembrá-la disso. Mas hoje, lembro apenas das palavras de Cam, ao me aconselhar a usar um certo vestido preto que ela encontrou em meu closet.

Mais óbvio seria impossível, mas eu não me importo. Tenho passado muito tempo tentando me encaixar e ser o que esperam de mim. Hoje, só quero uma noite comum, alguns drinques e alguma diversão.

Cam tem acesso irrestrito à nossa mansão, pois nos conhecemos desde sempre. Portanto, combinamos que ela me levará secretamente em seu carro. Ela chegará, alegando ter vindo me visitar rapidamente antes de seguir seu próprio caminho, enquanto eu devo me esgueirar pela porta lateral e encontrá-la o mais rápido possível, antes que meu segurança perceba minha saída. Não consigo me lembrar da última vez em que Cam e eu tivemos uma noite assim. É trágico pensar que momentos como esse são raros em minha vida.

Finalmente, a mensagem de Cam chega: "Estou do lado de fora". Com cuidado e silêncio, percorro os corredores da mansão, evitando fazer qualquer ruído que possa alertar meu pai ou os seguranças.

Chegando ao carro de Camille, uma sensação imensa de liberdade me inunda. Agradeço efusivamente à minha amiga e adentro no veículo, ansiosa por deixar para trás as expectativas e todo o luto que ainda me assombram desde a trágica perda de minha mãe anos atrás. O cenário é tão sombrio quanto na noite em que ocorreu a fatalidade, e a morte ainda paira como uma presença ameaçadora na Casa Sinclair, especialmente quando a escuridão toma conta de seus cômodos, como se estendesse seus braços em minha direção, clamando por minha atenção.

Enquanto o carro se afasta, Cam aumenta o volume do som, e conversamos animadas, felizes por termos passado despercebidas, mesmo sabendo que teremos que nos explicar nos dias seguintes. Sim, Cam também terá que prestar contas, já que seu pai ocupa um cargo de confiança na Vinícola, e certamente ficará furioso com ela. Mas ambas concordamos que isso é algo para se pensar apenas amanhã. Apenas amanhã.

Antes de deixar Santa Barbara anos atrás, eu era jovem demais para sair tarde da noite, mas devo dizer que a vida noturna da cidade não me surpreende. Ela é movimentada e vibrante, especialmente a boate que escolhemos para nos divertir. A multidão é grande e diversa, uma mistura de locais e turistas, criando uma atmosfera animada e elétrica. Estar aqui, sem me preocupar com formalidades, por, pelo menos, algumas horas, será revigorante antes do que está por vir.

Cam já esteve nesta boate antes, e eu a sigo de perto, observando enquanto ela acena para conhecidos. Logo, ela se dirige ao bar do outro lado do ambiente e segura minha mão, levando-me em direção às escadas. Rapidamente, coloca uma pulseira em meu braço, e os seguranças nos dão passagem à área vip.

- Vamos beber! - Ela diz animadamente, soltando uma risada.

Eu simplesmente concordo, sentindo o frio no ar, tendo a certeza de que uma bebida quente me ajudará a aquecer. O andar de cima da boate é um caos. Um bar fica no fundo do ambiente, com nichos de sofá iluminados como camarotes e pequenos palcos onde dançarinas se apresentam. Para mim, é um lugar que exala diversão e adrenalina.

Em um dos pequenos palcos, um homem está sentado, como se fosse o dono do lugar. Eu reviro os olhos, mas acabo olhando novamente. Ele parece extremamente à vontade em seu jeans e camiseta branca, exibindo diversas tatuagens nos braços. Pulseiras de couro e um relógio completam seu visual. Um grupo de garotas o rodeia, parecendo adorá-lo, com seus cabelos escuros caindo sobre os olhos. Ele segura um cigarro em uma das mãos e uma lata de energético na outra, aparentemente despreocupado. Quando ele joga os cabelos para trás, afastando-os dos olhos, nossos olhares se encontram.

- Não, não, não, não! - Cam exclama ao me ver pegando uma cerveja. - Pelo amor de Deus, Grace, aquele é o Satanás! Ele não presta!

- Oh....- respondo, ainda sem entender.

- Deixa eu te explicar - continua Cam, segurando a cerveja em suas mãos. - Aquele cara ali é diversão barata. Ele não é confiável.

- Amiga, isso foi bem específico...., - comento, um tanto confusa.

- Eu? - ela ri nervosamente. - Não, jamais! Mas já ouvi um monte de histórias ruins sobre o bonitão ali. Por isso estou avisando, não quero que você acabe sendo mais uma vítima.

- Ok... - concordo, absorvendo suas palavras, embora ainda um pouco perplexa.

- Lembre-se, ele é como o diabo, Grace. Fique longe dele - conclui Cam, me dando um sorriso amistoso.

Capítulo 2 O Diabo me Chamou Para Dançar (Para Ele!)

A advertência de Cam desperta minha curiosidade, mas também me deixa cautelosa. Eu já havia ouvido em algum lugar que não se deve se fazer notar pelo diabo, e o que fazer quando seu olhar cruza com o dele? Ignore-o. O quanto você puder. Eu me afastei, seguindo com Camille para uma mesa onde estavam alguns conhecidos dela, mas a sensação de ser observada não me deixava. Das sombras, coberto de tatuagens, envolto em fumaça, ele permanece lá, e talvez possa me ver, mais do que eu gostaria.

Decidi ir para o ambiente do piso inferior da boate, juntando-me a Cam na pista de dança. Enquanto me movia ao ritmo da música, sentia os olhares famintos de outros homens voltados para mim. Uma sensação arrepiante percorria minha pele, misturando-se com a embriaguez da bebida e a batida pulsante da música. Eu adoro música, adoro dança, então tratei de ignorar a timidez inicial pensando que ninguém poderia ficar entre mim e algo que eu goste tanto. Dançar era uma forma de escape, uma maneira de esquecer temporariamente todos os meus problemas. Entre um gole e outro, perdi-me na energia frenética da pista, sorrindo para Cam e ignorando o mundo ao meu redor.

No entanto, uma presença persistente perturbava minha tranquilidade. Eu tinha a incômoda sensação de que alguém me observava. Meus instintos me levaram a virar a cabeça bruscamente, buscando o foco dessa sensação que começava a me irritar. Não muito longe de onde estou, vejo o misterioso homem tatuado, aquele que Cam havia me advertido para evitar. Rapidamente, desvio o olhar e retorno à minha bebida, tentando me distrair com a presença de outro sujeito próximo a nós.

É evidente que a noite está repleta de abordagens diretas por parte dos homens. Cam havia mencionado que esse lugar era propício para encontros, mas ao contrário dela, que parece sempre disponível, eu não tenho tanta desenvoltura para me envolver com alguém. Não os julgo, simplesmente não é meu estilo. Quando percebo que Cam estava envolvida em uma conversa com um cara bonito desde que chegamos, um pouco mais intimista, decido me afastar discretamente em direção ao bar.

Peço uma nova bebida, evitando o olhar do homem tatuado, e quase esbarro com ele ao me virar. Fico momentaneamente sem palavras. Sua beleza é inegável, com um sorriso enigmático nos lábios e um cigarro entre os dedos. Uma onda de desorientação tomou conta de mim.

- Oi - consigo falar, sentindo-me desajeitada.

- Oi - ele responde, seu sorriso se alargando levemente.

Eu não sei como reagir. Ele parece querer ler meus pensamentos enquanto me olha de uma maneira intensa e inapropriada, e eu não consigo desviar os olhos dele. Ele é o diabo, afinal. E esse aviso parece voltar a minha mente agora que ele está próximo, como uma tentação, lembrando-me que devo ficar longe dele. Há algo magnético nele, algo perigosamente atraente e excitante.

- Você quer dançar? - ele pergunta, com a voz rouca e suave.

Concordo com a cabeça, incapaz de proferir uma palavra sequer. Ele se aproxima ainda mais, suficientemente próximo para que eu possa sentir seu perfume envolvendo-me junto ao balcão.

- Você se importaria se eu apenas te observasse? - ele indaga, em um tom sedutor.

Não sei o que me deixa mais perplexa, se é a maneira como ele fala ou o quão absurda é a ideia em si.

- Cara, eu nem te conheço - digo, sem desviar o olhar.

- Ben Carter - ele se apresenta formalmente, estendendo a mão. Ao tocar sua mão, senti um calor morno e quase familiar percorrer meu corpo, distraindo-me por um instante.

- Grace - respondo, hesitando se devo mencionar meu sobrenome ou não. Acabo cedendo segundos depois e acrescento: "Sinclair".

-Ugh-ele diz casualmente, dando um passo para trás. - Claro que é você - ironiza. Ben pede uma cerveja ao bartender e volta sua atenção para mim. - Devo retirar minha proposta e me curvar?

- Ouviu falar de mim? - Não que isso seja impossível, mas quais as chances de alguém que eu não me lembro de ter visto antes, ligar o nome a pessoa imediatamente, ainda mais em uma ocasião como essa?

- Talvez - ele chega mais perto - e quanto a me curvar?

- Costuma pedir às garotas para dançarem para você? - perguntei, incerta se deveria ficar lisonjeada ou constrangida com sua resposta anterior. Havia algo na voz sensual de Ben Carter e em sua presença intrigante que me dizia que ele não estava mentindo. Era exatamente o tipo de pessoa que fazia esse tipo de pedido.

- Você sabe como é, eu simplesmente não consigo resistir à tentação quando vejo uma garota linda como você - responde ele, com um sorriso sugestivo.

Não posso evitar soltar uma risada breve e nervosa. Afinal, que tipo de cara faz isso? Ao mesmo tempo, sinto uma mistura de fascínio e apreensão em relação a Ben. Há algo perigoso e magnético nele, algo que desperta uma curiosidade inquietante em meu interior.

- Você é um caso interessante, Ben Carter-digo, tentando manter uma postura confiante. - Mas, não pense que estou pronta para dançar para você. Talvez você precise conquistar esse privilégio.

Um brilho travesso reluziu nos olhos de Ben, alimentando meu desejo proibido. Eu podia sentir a eletricidade entre nós enquanto ele aceitava o desafio silencioso que eu lancei. Naquele momento, eu sabia que havia entrado em um terreno perigoso e incerto, um território habitado pelo próprio diabo.

A música envolvente continuava a pulsar pela pista de dança, criando uma trilha sonora para o jogo de sedução que se desenrolava entre nós. Nossos olhares se encontravam em um duelo de desejo e cautela, cada movimento carregado de tensão. Eu sabia que não estava preparada para o que viria a seguir, mas a atração queimava em meu interior.

No entanto, não tinha a intenção de permitir que esse flerte fosse além dessa noite. Santa Barbara é uma cidade grande o suficiente para nos perdermos um do outro no meio da multidão. Eu duvidava que o interesse de Ben durasse mais do que algumas horas. Se eu estivesse disponível para as seduções de homens como ele, não teria dúvidas de que, naquela noite, Ben Carter seria meu guia pelos caminhos escuros da paixão. Mas eu preferia a segurança da pista de dança, seguindo o aviso amigável de Cam enquanto me afastava do enigmático homem tatuado.

Capítulo 3 O Acidente

Eu estava dançando quando Camille se aproximou de mim, com um sorriso travesso nos lábios. Seus olhos brilhavam com uma ideia em mente, e eu sabia que estava prestes a ser arrastada para outra aventura.

- Grace, tenho uma proposta para você - ela disse, inclinando-se para que eu pudesse ouvir acima da música alta. - Um dos meus amigos tem uma propriedade incrível nos arredores da cidade. Ele convidou um grupo de amigos para ir até lá esta noite. Seria uma experiência diferente, longe da agitação da boate. O que você acha?

Senti-me dividida. Por um lado, adorava o ambiente vibrante da boate, a música pulsante e a sensação de liberdade que enchia o ar. Mas, por outro lado, a ideia era aproveitarmos a noite juntas, e seria no mínimo indelicado me recusar depois do plano bem-sucedido de fuga que Cam orquestrou.

- Não tenho certeza, Cam. Estou me divertindo bastante aqui - respondi, balançando a cabeça em direção à multidão que ainda se agitava na pista de dança.

Camille franziu o cenho, claramente desapontada com minha resposta. - Eu entendo, Grace, mas não quero ir sozinha com o cara com quem estou ficando. Seria mais confortável se você viesse comigo. Além disso, tenho certeza de que você gostará de um pouco de tranquilidade, acho que os caras só querem um pouco mais de privacidade.

Enquanto Camille falava, um rapaz bonito se aproximou ao lado dela. Seus cabelos castanhos despenteados e olhos intensos me encaravam, como se estivesse curioso sobre mim. Camille logo percebeu minha distração e apresentou-nos.

- Grace, este é Alex - ela disse, apontando para o rapaz ao seu lado. - Ele é amigo do Josh, que nos convidou para a propriedade.

- Oi, Grace - Alex cumprimentou, estendendo a mão em um gesto amigável. - É um prazer conhecê-la.

Retribui o cumprimento, sentindo um leve calor subir às minhas bochechas. Claro que Camille já havia cuidado de tudo, e queria garantir que eu não me sentiria sozinha enquanto ela se divertia com seu ficante. Alex é muito atraente, talvez dar uma chance à proposta de Camille não fosse uma má ideia afinal.

- Olá, Alex - respondo, sorrindo de volta. - Também é um prazer conhecê-lo.

Camille olhou para nós com um sorriso vitorioso, sabendo que havia me convencido. - Ótimo! Vamos nos divertir muito, tenho certeza.

Sigo com Camille e Alex para fora da boate, a ideia era irmos logo atrás do carro de Josh, em direção há alguns pequenos vinhedos não muito longe daqui. Cam contava animada que já havia ido a uma festa lá semanas atrás, e que o lugar era realmente encantador. Estamos passando pelas pessoas em direção a entrada principal da boate, o que leva algum tempo devido ao quanto está movimentado, quando algo me chama a atenção, e não de uma maneira boa.

Entre a multidão animada, avistei Ben Carter encostado em uma das colunas, como se eu o tivesse esquecido por um longo tempo e esbarrado em sua lembrança inesperadamente. Fiquei chocada ao vê-lo lá, seu olhar enevoado, de quem provavelmente já havia bebido demais, e sua presença atraindo a atenção de todos ao seu redor.

Enquanto ele segurava um cigarro entre os dedos, duas garotas dançavam em sua proximidade. Difícil não pensar que dançavam para ele, pois se esfregavam em Ben, enquanto dois pares de mãos passeavam por seus músculos e tatuagens, ambas oferecendo-se de maneira que ele não tivesse dúvidas que o desejavam.

Pensei se era essa mesma dança que ele havia me pedido para fazer, e senti meu corpo inteiro tenso, porque sim, minha imaginação me deu um pequeno vislumbre do que seria se eu concordasse em dançar para ele.

O impacto daquela cena trouxe à tona as palavras sussurradas por Camille anteriormente, quando ela me alertou sobre Ben. Ela sempre teve um sexto sentido apurado, capaz de perceber o perigo onde eu, muitas vezes, fechava os olhos. Aquela visão na boate era um lembrete sombrio de que Ben não era alguém confiável.

Camille, notando meu olhar fixo na direção de Ben, aproximou-se e sussurrou em meu ouvido: - Eu te disse, Grace. Ele não presta. Fique longe dele.

A tensão se espalhou pelo meu corpo, criando uma sensação de desconforto e curiosidade ao mesmo tempo. Eu sabia que deveria seguir o conselho de Camille, eu só tinha que ouvi-la e manter distância dele.

Enquanto lutava com meus pensamentos conflitantes, Alex tocou gentilmente meu braço, desviando minha atenção para ele.

- Está tudo bem, Grace? - ele perguntou, preocupado, notando uma certa agitação mais adiante.

Balancei a cabeça, tentando afastar a imagem de Ben de meus pensamentos. Alex sorriu e segurou minha mão, transmitindo uma sensação de segurança. Era como se ele pudesse sentir minha hesitação e estivesse determinado a me guiar por um caminho mais seguro. Deixei para trás o fascínio perturbador que Ben exercia sobre mim, e minutos depois, saímos da boate.

A noite já avançava quando decidimos deixar a boate. Camille estava animada, e eu a acompanhei, convencida de que havia tomado a decisão correta. Nosso grupo seguiu pela estrada, com Camille atrás do carro de um dos amigos, e mais dois carros nos acompanhavam, todos cheios de risadas e vozes altas preenchendo o ar.

Enquanto conversávamos animadamente, a embriaguez do momento parecia nos envolver. A adrenalina corria em nossas veias, mas a imprudência nos dominava. No calor do momento, esquecemos os limites. De bebida, de velocidade.

E de repente, tudo mudou. O mundo ao meu redor foi subitamente transformado em uma série de flashes, barulho de pneu arrastando-se pelo asfalto, batidas que superaram o volume da minha voz ou da de Cam. Percebi o carro de Camille sendo atingido violentamente por outro veículo. A visão de metal retorcido e a sensação de rodopiar em meio à escuridão me deixaram paralisada, o medo apertando meu coração.

O som ensurdecedor do impacto invadiu meus ouvidos, abafando as risadas e conversas animadas. Os ruídos diminuíram gradualmente, como se estivessem se distanciando, e a escuridão se espalhou por minha visão, ameaçando me levar para um abismo desconhecido.

Custei a entender o que se passava quando recuperei a consciência, senti-me sendo amparada por mãos gentis. O cenário ao meu redor estava confuso e embaçado. Ambulâncias piscavam luzes vermelhas e azuis, e o som de vozes preocupadas ecoava ao longe. Lentamente, comecei a distinguir as figuras familiares ao meu redor.

Camille estava ali, ao meu lado, seu rosto exibindo sinais de alívio e preocupação simultâneos. Ela me segurava com firmeza, como se temesse que eu desaparecesse a qualquer momento. E, de pé ao lado dela, meu pai, Matt Sinclair, cujos olhos expressavam uma mistura de medo e alívio ao me ver acordar.

- Grace, minha querida, você está bem? - sussurrou meu pai, a voz trêmula.

Tentei falar, mas minha garganta estava seca e minha voz não saía. Olhei em volta, percebendo as ambulâncias e a agitação ao meu redor. O cenário do acidente era uma prova brutal de como um momento de imprudência podia transformar uma noite de diversão em tragédia.

Foi quando um socorrista se aproximou, interrompendo meu pai enquanto ele me pergunta como me sinto. O homem mencionou que alguém havia me resgatado do carro enquanto o socorro estava a caminho. Segundo suas palavras, alguém que parecia preocupado comigo. Ele apontou discretamente para sua direita, segui seu olhar, e meus olhos encontraram os de Ben Carter, a poucos metros de distância.

Ben estava ali, testemunhando os eventos que se desenrolavam. A escuridão que antes o cercava parecia diminuir por um momento, como se o diabo pudesse agir decentemente, mesmo que por um curto período de tempo. Havia um socorrista e um policial falando com ele, certamente perguntado detalhes do acidente.

Voltei minha atenção para Camille, que me apertou suavemente o braço, trazendo-me de volta à realidade. Seu rosto exibia uma expressão preocupada, lembrando-me de que estávamos em meio a um acidente e de que outras pessoas estavam sofrendo as consequências.

- Grace, precisamos nos concentrar em garantir que todos estejam bem - ela diz, sua voz embargada pela emoção, ela tenta se manter tranquila, mas está gelada, e tremendo. - Podemos lidar com o resto depois.

Enquanto os paramédicos continuam a trabalhar e os outros passageiros são atendidos, percebo que meus sentidos começam a ficar confusos novamente quando tento me levantar, logo, meu pai me impede, dizendo que iremos todos para o hospital. Vejo, alguém se aproximando e aplicando uma injeção, e logo sinto meu corpo relaxando, e meus olhos pesando novamente enquanto sou levada na direção de uma ambulância. Não há como resistir, sinto-me exausta, apenas fecho meus olhos enquanto deixamos o local.

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022