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O Perfumista Queimado

O Perfumista Queimado

Autor:: Ai Chi Bao Zi De Miao
Gênero: Moderno
Naquela mansão de luxo, eu, Leo, vivia uma vida de aparências ao lado de Heitor, meu marido. O casamento era um mero contrato, uma jaula de ouro onde a irmã dele, Isabela, me torturava e Heitor observava com indiferença, sempre me comparando a Eva, sua falecida esposa. Minhas mãos ainda ardiam da água fervente que Isabela jogou, um sorriso cruel nos lábios, quando Heitor entrou, mas não para me defender. Ele me arrastou para o hospital, onde, em vez de consolo, ofereceu dinheiro, como se eu fosse um objeto danificado, enquanto flertava com Sofia, a mulher que era a cópia física de Eva. Farto das humilhações e da dor, pedi o divórcio, mas Heitor apenas riu, dizendo que eu pertencia a ele, que nosso contrato me prendia àquele inferno. Mesmo ferido e humilhado, sabia que precisava escapar para proteger minha tia, que dependia do dinheiro dele para tratamento. Mas, na tentativa de me humilhar ainda mais, eles me forçaram a usar o terno de casamento de Eva, transformando a recepção de Heitor em um palco para minha desgraça, culminando em uma queda que quase me custou a vida. Ainda à beira da morte, ouvi Heitor dizer aos paramédicos para salvarem Sofia primeiro, que minha vida não valia nada. Ele selou meu destino ao destruir meu olfato, a única coisa que me tornava útil para ele, o dom que me transformou em perfumista e que ele usou para recriar o perfume da Eva. A dor e a humilhação me deram uma coragem inesperada: eu iria embora, levaria minha tia e nunca mais olharia para trás. Agora, meu passado e meu futuro colidem em uma batalha por liberdade.

Introdução

Naquela mansão de luxo, eu, Leo, vivia uma vida de aparências ao lado de Heitor, meu marido.

O casamento era um mero contrato, uma jaula de ouro onde a irmã dele, Isabela, me torturava e Heitor observava com indiferença, sempre me comparando a Eva, sua falecida esposa.

Minhas mãos ainda ardiam da água fervente que Isabela jogou, um sorriso cruel nos lábios, quando Heitor entrou, mas não para me defender.

Ele me arrastou para o hospital, onde, em vez de consolo, ofereceu dinheiro, como se eu fosse um objeto danificado, enquanto flertava com Sofia, a mulher que era a cópia física de Eva.

Farto das humilhações e da dor, pedi o divórcio, mas Heitor apenas riu, dizendo que eu pertencia a ele, que nosso contrato me prendia àquele inferno.

Mesmo ferido e humilhado, sabia que precisava escapar para proteger minha tia, que dependia do dinheiro dele para tratamento.

Mas, na tentativa de me humilhar ainda mais, eles me forçaram a usar o terno de casamento de Eva, transformando a recepção de Heitor em um palco para minha desgraça, culminando em uma queda que quase me custou a vida.

Ainda à beira da morte, ouvi Heitor dizer aos paramédicos para salvarem Sofia primeiro, que minha vida não valia nada.

Ele selou meu destino ao destruir meu olfato, a única coisa que me tornava útil para ele, o dom que me transformou em perfumista e que ele usou para recriar o perfume da Eva.

A dor e a humilhação me deram uma coragem inesperada: eu iria embora, levaria minha tia e nunca mais olharia para trás.

Agora, meu passado e meu futuro colidem em uma batalha por liberdade.

Capítulo 1

A água fervente atingiu minhas mãos, e a dor aguda me fez soltar um grito abafado. Eu caí de joelhos no chão frio da cozinha, segurando minhas mãos agora vermelhas e empoladas.

"Isso é para você aprender a não tocar no que não é seu" , a voz de Isabela era fria e cheia de desprezo. Ela estava parada na minha frente, com a chaleira vazia na mão, um sorriso cruel nos lábios. "Você acha que casar com meu irmão te torna a dona desta casa? Você não passa de um substituto, um cão que ele pegou na rua."

Tentei me levantar, mas a dor era intensa, e meu corpo tremia sem controle.

"Por quê?" , eu sussurrei, com a voz rouca.

Ela se agachou, seu rosto perto do meu. "Porque você não é a Eva. Você nunca será. Cada vez que Heitor olha para você, ele só vê uma imitação barata. Você tirou o lugar dela, e eu vou fazer você pagar por isso todos os dias."

O nome dela, Eva, era um fantasma que assombrava cada canto desta casa. A primeira esposa de Heitor, a mulher que ele amava, a mulher que Isabela idolatrava. E eu, Leo, era apenas o homem que veio depois, um acordo de negócios para manter as aparências e, por algum motivo que eu nunca entendi completamente, para satisfazer uma necessidade estranha de Heitor.

Minha mente girava. Eu estava preso neste ciclo de abuso há três anos. Cada dia era uma nova humilhação, uma nova dor. Isabela era a executora, mas Heitor era o juiz silencioso que permitia tudo. Ele nunca me defendia. Ele nunca a repreendia. Ele apenas observava, com seus olhos frios e distantes.

Eu me encolhi no chão, a dor das queimaduras se misturando com a dor profunda e antiga em meu peito. Eu era tão fraco. Tão impotente. Por que eu continuei aqui? Por que eu aceitei isso por tanto tempo? A resposta era simples: por causa da minha tia. Heitor financiava o tratamento dela, e essa era a corrente que me prendia a este inferno.

"Pare com isso, Isabela."

A voz de Heitor cortou o ar. Ele estava parado na porta da cozinha, seu terno caro impecável, seu rosto uma máscara de indiferença. Ele olhou para mim no chão, depois para a irmã.

Isabela imediatamente mudou de expressão, forçando uma cara de preocupação. "Heitor, eu não fiz nada. Ele se queimou sozinho, o desastrado."

Heitor não respondeu a ela. Ele apenas caminhou até mim, me pegou pelo braço e me forçou a ficar de pé. Seu toque era firme, quase doloroso. Ele examinou minhas mãos sem dizer uma palavra e depois me arrastou para fora da cozinha, em direção ao carro.

No hospital, a enfermeira limpou e enfaixou minhas mãos. A dor era constante, um lembrete pulsante da minha situação. Heitor sentou-se em uma cadeira no canto do quarto, não olhando para mim, mas para o celular. Um sorriso suave apareceu em seus lábios enquanto ele digitava. Eu sabia que aquele sorriso não era para mim. Era para ela, Sofia, a mulher cujo rosto era quase idêntico ao de Eva. Eu a tinha visto em fotos nas redes sociais, sempre ao lado de Heitor em eventos onde eu não era bem-vindo.

A lembrança do dia em que fui forçado a assinar o contrato de casamento voltou com força. Meu pai, um homem que só se importava com dinheiro, me vendeu para a família Patterson. "É uma boa oportunidade, Leo. Você terá uma vida de luxo" , ele disse, ignorando as lágrimas nos meus olhos. Luxo. Que piada. Eu vivia em uma gaiola de ouro, e as barras ficavam mais apertadas a cada dia.

Quando a enfermeira saiu, Heitor finalmente guardou o celular e se virou para mim. Seu rosto estava sério novamente.

"Isabela passou dos limites desta vez" , ele disse, com a voz sem emoção. "Eu vou te compensar. O que você quer? Um carro novo? Mais joias?"

Aquelas palavras me atingiram como um soco. Compensação. Era tudo o que eu era para ele: um objeto danificado que precisava ser consertado ou substituído com dinheiro. A raiva, há muito suprimida, borbulhou dentro de mim.

"Eu não quero nada seu" , eu disse, minha voz surpreendentemente firme. "Eu quero o divórcio, Heitor."

Ele me olhou, uma sobrancelha arqueada em surpresa, como se eu tivesse dito a coisa mais absurda do mundo.

"Não seja ridículo, Leo. Nós temos um contrato."

"O contrato pode ir para o inferno" , eu retruquei, a dor nas minhas mãos me dando uma estranha coragem. "Eu não aguento mais. Assim que o contrato terminar, eu vou embora e nunca mais quero ver você ou sua irmã."

Heitor me observou por um longo momento, seu olhar frio me analisando. Ele não parecia zangado, apenas... entediado.

"Você não vai a lugar nenhum" , ele disse simplesmente, como se estivesse declarando um fato imutável. "Você pertence a mim."

Ele se levantou e caminhou em direção à porta.

"Descanse. Voltaremos para casa em breve."

Ele saiu, fechando a porta atrás de si, me deixando sozinho com minhas mãos enfaixadas e a certeza esmagadora de que minha declaração de guerra tinha sido completamente ignorada. Mas algo dentro de mim havia mudado. A semente da rebelião havia sido plantada. Ele podia pensar que eu pertencia a ele, mas eu sabia a verdade. Eu não pertencia a ninguém. E eu iria provar isso.

Capítulo 2

Os dias seguintes no hospital foram uma névoa de dor e analgésicos. Minhas mãos estavam enfaixadas, me tornando inútil para as tarefas mais simples. Heitor não me visitou novamente. Em vez disso, ele enviava seus assistentes para verificar meu estado, como se eu fosse um ativo da empresa que precisava de manutenção.

Sozinho no quarto estéril, eu passava horas no celular, o único elo com o mundo exterior. Foi lá que eu vi as fotos. Heitor e Sofia em um jantar de gala. Heitor e Sofia rindo em um iate. A legenda de uma das fotos, postada por um amigo em comum, dizia: "O amor está no ar" . Eu olhei para as imagens, para o sorriso genuíno no rosto de Heitor, um sorriso que ele nunca me deu, e senti... nada. A dor tinha se tornado tão familiar que havia um vazio onde o ciúme ou a tristeza deveriam estar. Era como observar a vida de um estranho, uma novela ruim da qual eu não fazia mais parte.

Quando finalmente recebi alta, ninguém veio me buscar. Eu mesmo assinei os papéis, a caneta estranha entre meus dedos enfaixados. Chamei um táxi e voltei para a mansão que eu deveria chamar de lar. O lugar estava silencioso e vazio. Arrastei meu corpo dolorido escada acima, para o meu quarto, e comecei a arrumar minhas coisas. Não tinha muito o que levar. A maioria das roupas e objetos de valor eram presentes de Heitor, coisas que eu não queria. Peguei apenas o essencial: algumas roupas velhas, fotos da minha tia e os poucos livros que eu amava. Coloquei tudo em uma única mala.

Enquanto eu estava dobrando uma camisa, a porta do quarto se abriu de repente. Era Isabela. Ela me olhou com seu desprezo habitual.

"O que você está fazendo?" , ela perguntou, cruzando os braços.

"Estou arrumando minhas coisas" , respondi, sem olhá-la.

"Heitor está organizando uma recepção importante esta noite para um cliente. Você precisa estar lá. Pare de fazer drama e se prepare."

Eu continuei arrumando a mala. "Eu não vou."

Ela riu, um som agudo e desagradável. "Você não tem escolha. Heitor me mandou aqui para garantir que você se comporte. Ele precisa que você, o 'marido troféu' , esteja presente para manter as aparências. Agora, vá se arrumar."

Eu suspirei. Discutir era inútil. A recepção era importante para os negócios de Heitor, e minha ausência causaria problemas. Eu ainda dependia dele para o tratamento da minha tia. Por enquanto, eu teria que obedecer. Eu me virei e fui para o closet.

Foi então que eu vi. Meu melhor terno, o único que eu realmente gostava, estava no chão, rasgado e manchado com o que parecia ser vinho tinto. Havia cortes de tesoura na jaqueta e nas calças, tornando-o completamente inutilizável.

Isabela apareceu atrás de mim, um sorriso triunfante no rosto. "Oh, que pena. Parece que você teve um acidente. O que você vai vestir agora?"

A raiva me sufocou por um momento. Era um ato tão pequeno, tão mesquinho, mas era a gota d'água. Eu me virei para ela, meus olhos ardendo. "Você fez isso."

"Eu não sei do que você está falando" , ela disse, com falsa inocência.

Naquele exato momento, Sofia apareceu na porta, segurando um cabide. Ela usava um vestido elegante e seu cabelo estava perfeitamente penteado. Ela parecia uma princesa de conto de fadas.

"Leo, querido, ouvi o que aconteceu" , ela disse, com uma voz doce e preocupada. "Que coisa terrível. Mas não se preocupe, eu trouxe uma solução. Heitor me pediu para trazer este terno para você. Ele achou que ficaria perfeito em você."

Ela me estendeu o cabide. Era um terno branco, lindamente cortado, mas estranhamente familiar. Hesitei, mas não tinha outra opção. A festa começaria em menos de uma hora.

"Obrigado, Sofia" , eu disse, pegando o terno. Minha voz soava tensa.

"De nada" , ela sorriu, um sorriso que não alcançou seus olhos. "Afinal, somos família, não é?"

Eu me vesti em silêncio, a sensação do tecido caro contra a minha pele era desconfortável. O terno serviu perfeitamente, quase como se tivesse sido feito para mim. Quando desci as escadas e entrei no salão de festas lotado, todos os olhos se viraram para mim. O murmúrio das conversas parou por um instante, seguido por sussurros chocados.

Um homem mais velho, um parceiro de negócios de Heitor, me olhou com os olhos arregalados. "Meu Deus, é o terno... o terno do casamento de Heitor e Eva."

Meu sangue gelou. Olhei para Heitor, que estava do outro lado do salão. Seu rosto estava pálido, seus olhos fixos em mim com uma expressão de horror e fúria. E ao lado dele, Sofia e Isabela trocavam um olhar de puro triunfo. Eu tinha caído na armadilha delas. Elas não queriam apenas me humilhar, queriam me transformar em um sacrilégio ambulante, uma profanação da memória de Eva.

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