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O Pesadelo do Casamento Morto

O Pesadelo do Casamento Morto

Autor:: Madison
Gênero: Romance
A viagem de cinco horas foi longa, mas a alegria de Alice, minha filha, tornava tudo leve. Mal sabia eu que a surpresa planejada para meu marido Pedro, que estava em outra cidade a trabalho, se transformaria no maior pesadelo da minha vida. Ao chegar ao escritório dele, encontrei-o rindo com uma mulher jovem e linda. O sorriso dele congelou ao me ver, e o dela se tornou um triunfo presunçoso. "Júlia! Alice!", a voz forçada dele ecoou. O pânico em seus olhos não era de surpresa, mas de puro terror. A mulher, Sofia, não escondeu o deboche, nem o fato de conhecer minha filha. "Seu pai me mostrou tantas fotos suas.", ela disse, e meu mundo desabou. Mais tarde, no hotel, em um ato de desespero, peguei o celular dele. Lá, a verdade explodiu em mensagens e fotos: "Meu Anjo"... "A patroa ligou de novo. Drama porque a pirralha está com febre."... "Deixa elas pra lá, amor. Volta pra cá." E a pior de todas: uma foto deles no mesmo hotel, no dia do nosso aniversário de casamento. Meu casamento não estava em crise; ele estava morto. E eu tinha acabado de chegar ao funeral. A humilhação parecia não ter fim. Pedro tentava me controlar com a filha, e para piorar, Sofia apareceu na porta do nosso quarto, trazendo um lanche para ele. Nesse momento, Alice, com sua inocência, revelou que a "Tia Sofia" já visitava o papai no escritório, com a "vovó" de cúmplice. O que mais eles me esconderam? Meu sangue gelou. Eles estavam usando minha filha. A traição, misturada com uma rede de mentiras e manipulações por parte de Pedro e sua família, me encurralou. Eles ameaçavam tirar Alice de mim, usando minha dependência financeira como arma. O que eu, uma arquiteta que havia sacrificado a carreira pela família, poderia fazer contra todo um clã rico e sem escrúpulos? Mas a dor não me paralisou, ela me deu um propósito. Eles achavam que iriam me quebrar. Mas a Júlia que eles conheciam havia morrido. E uma nova Júlia, mais forte e determinada, estava prestes a renascer das cinzas.

Introdução

A viagem de cinco horas foi longa, mas a alegria de Alice, minha filha, tornava tudo leve.

Mal sabia eu que a surpresa planejada para meu marido Pedro, que estava em outra cidade a trabalho, se transformaria no maior pesadelo da minha vida.

Ao chegar ao escritório dele, encontrei-o rindo com uma mulher jovem e linda. O sorriso dele congelou ao me ver, e o dela se tornou um triunfo presunçoso.

"Júlia! Alice!", a voz forçada dele ecoou. O pânico em seus olhos não era de surpresa, mas de puro terror.

A mulher, Sofia, não escondeu o deboche, nem o fato de conhecer minha filha. "Seu pai me mostrou tantas fotos suas.", ela disse, e meu mundo desabou.

Mais tarde, no hotel, em um ato de desespero, peguei o celular dele. Lá, a verdade explodiu em mensagens e fotos: "Meu Anjo"... "A patroa ligou de novo. Drama porque a pirralha está com febre."... "Deixa elas pra lá, amor. Volta pra cá."

E a pior de todas: uma foto deles no mesmo hotel, no dia do nosso aniversário de casamento.

Meu casamento não estava em crise; ele estava morto. E eu tinha acabado de chegar ao funeral.

A humilhação parecia não ter fim. Pedro tentava me controlar com a filha, e para piorar, Sofia apareceu na porta do nosso quarto, trazendo um lanche para ele.

Nesse momento, Alice, com sua inocência, revelou que a "Tia Sofia" já visitava o papai no escritório, com a "vovó" de cúmplice. O que mais eles me esconderam?

Meu sangue gelou. Eles estavam usando minha filha.

A traição, misturada com uma rede de mentiras e manipulações por parte de Pedro e sua família, me encurralou. Eles ameaçavam tirar Alice de mim, usando minha dependência financeira como arma.

O que eu, uma arquiteta que havia sacrificado a carreira pela família, poderia fazer contra todo um clã rico e sem escrúpulos?

Mas a dor não me paralisou, ela me deu um propósito. Eles achavam que iriam me quebrar. Mas a Júlia que eles conheciam havia morrido. E uma nova Júlia, mais forte e determinada, estava prestes a renascer das cinzas.

Capítulo 1

A viagem de cinco horas pareceu interminável, mas a excitação de Alice, minha filha, sentada na cadeirinha no banco de trás, tornava tudo mais leve. Seus olhinhos brilhantes e sua voz infantil cantando uma música qualquer do rádio eram o combustível que me movia.

"Mamãe, o papai vai gostar da surpresa?" ela perguntou pela décima vez.

"Claro que vai, meu amor", eu respondi, forçando um sorriso que escondia meu próprio cansaço. "Ele vai ficar muito feliz em nos ver."

Pedro, meu marido, estava trabalhando em outra cidade há meses, em um projeto importante para sua empresa. Ele era um empresário de sucesso, sempre ambicioso, e eu, uma arquiteta talentosa, tinha colocado minha carreira em pausa para cuidar da nossa família, para cuidar de Alice. Eu não me arrependia, mas a saudade apertava.

Quando finalmente chegamos ao imponente prédio comercial onde Pedro trabalhava, meu coração batia um pouco mais rápido. A ideia da surpresa me enchia de uma alegria quase infantil. Peguei Alice no colo, que se agarrou ao meu pescoço, e entramos no lobby moderno e frio.

A recepcionista nos olhou com uma curiosidade polida. "Pois não?"

"Eu gostaria de ver o Pedro Almeida. Sou a esposa dele, Júlia."

Ela pareceu surpresa, mas interfonou. "Senhor Pedro, sua esposa, Júlia, está aqui."

Subimos pelo elevador espelhado. Alice olhava para o nosso reflexo com admiração. Quando as portas se abriram no andar da empresa, o que vi não foi o que eu esperava.

Pedro não estava sozinho. Ele estava no meio de um grupo de colegas, rindo de algo que uma mulher jovem e muito bonita ao seu lado tinha dito. Quando seus olhos encontraram os meus, o sorriso em seu rosto congelou. Não foi um congelamento de surpresa feliz, mas de puro pânico. Seus olhos se arregalaram e a cor sumiu de seu rosto por um instante.

A mulher ao seu lado, que usava um vestido justo e caro, percebeu a mudança em sua expressão e se virou para me olhar. Ela não pareceu surpresa, mas sim... divertida. Um pequeno sorriso presunçoso brincou em seus lábios enquanto ela me analisava de cima a baixo, da minha roupa simples de viagem aos meus cabelos um pouco desarrumados. Os outros colegas de trabalho desviaram o olhar abruptamente, alguns se virando para seus computadores, outros de repente muito interessados em papéis sobre suas mesas. A atmosfera leve e descontraída se tornou pesada e silenciosa.

"Júlia! Alice!", a voz de Pedro soou alta demais, forçada. Ele se apressou em nossa direção, deixando o grupo para trás. "Meu amor, que surpresa maravilhosa! O que vocês estão fazendo aqui?"

Ele tentou me abraçar, mas eu senti a rigidez em seu corpo. Ele estava atuando.

Alice, inocente a toda a tensão, se soltou do meu colo e correu para ele, gritando "Papai!".

Pedro a pegou no colo, a abraçando com força, mas seus olhos não estavam nela. Eles estavam em mim, ansiosos, e depois, por um segundo, fugiram de volta para a mulher que agora nos observava abertamente, com os braços cruzados. Ele parecia um ator em uma peça mal ensaiada, desesperado para que o público acreditasse em sua performance.

"Viemos te ver, papai! Foi uma surpresa!", disse Alice, beijando o rosto dele.

"Que surpresa boa, filha", ele disse, mas sua voz era oca. Ele olhou para mim de novo. "Você deve estar cansada. A viagem é longa."

Eu não respondi. Apenas fiquei ali, parada, sentindo um frio se espalhar pelo meu estômago. A arquiteta dentro de mim, treinada para ver detalhes e estruturas, via todas as rachaduras naquela cena. O olhar desviado dos colegas. A postura desafiadora daquela mulher. O pânico mal disfarçado nos olhos do meu marido.

"Essa é Sofia", disse Pedro, finalmente, com a voz um pouco tensa. "Minha colega de trabalho. Sofia, esta é minha esposa, Júlia, e minha filha, Alice."

Sofia deu um passo à frente, seu sorriso agora amplo e sem nenhum traço de simpatia.

"Prazer, Júlia. O Pedro fala muito de vocês", ela disse, mas seu tom era irônico. E então, ela se virou para a minha filha no colo de Pedro. "Oi, Alice. Você é ainda mais fofa pessoalmente. Seu pai me mostrou tantas fotos suas."

Essa frase me atingiu. Ela conhecia minha filha. Ela via fotos da minha filha.

Alice, com a inocência de seus cinco anos, sorriu para Sofia. "Oi. Você é bonita. Parece a boneca da TV."

O rosto de Pedro se contraiu em uma careta de dor. Sofia riu, uma risada clara e alta no escritório silencioso. "Obrigada, querida. Você também é uma princesa."

Eu continuei em silêncio, fingindo olhar a paisagem urbana pela janela enorme do escritório, mas meus olhos viam tudo. Via como a mão de Sofia tocou o braço de Pedro de forma casual, mas íntima. Via como Pedro se encolheu levemente com o toque. Via a mentira em cada gesto, em cada palavra forçada. A surpresa que eu planejei com tanto carinho havia se transformado em um palco para a minha própria humilhação.

Capítulo 2

A volta para o hotel que Pedro reservou para nós foi silenciosa. Alice, exausta pela viagem e pela emoção, adormeceu no banco de trás assim que o carro começou a andar. Pedro dirigia, com as mãos apertando o volante. Ele tentava puxar conversa, falar sobre o trânsito, sobre o projeto, sobre qualquer coisa que não fosse o elefante branco que estava sentado entre nós. Eu não respondia.

Quando chegamos ao quarto do hotel e eu coloquei Alice na cama, finalmente me virei para ele. A raiva, fria e precisa, tinha substituído o choque.

"Pedro", eu disse, minha voz baixa e firme. "Me dá o seu celular."

Ele estava tirando o paletó e parou no meio do movimento. Ele se virou para mim, tentando um sorriso cansado. "Meu amor, pra quê? Vamos conversar. Você está chateada, eu entendo. A Sofia pode ser um pouco... expansiva."

"Eu não pedi uma explicação", eu disse, estendendo a mão. "Eu pedi o seu celular. Agora."

Ele hesitou, o sorriso falso desaparecendo de seu rosto. "Júlia, não vamos começar uma briga. Estamos cansados. Alice está aqui."

Eu dei um passo à frente, meu corpo tremendo com uma fúria contida. "Não use a nossa filha. Me dê a porcaria do celular, Pedro."

Ele me olhou, vendo a determinação nos meus olhos. Ele suspirou, derrotado, e tirou o celular do bolso, entregando-o para mim.

"Não tem nada aí, Júlia. Você está criando coisas na sua cabeça."

Minha mão tremeu um pouco quando peguei o aparelho. Eu sabia a senha dele. Era a data de aniversário de Alice. Tentei, e o celular desbloqueou. O fato de ele não ter mudado a senha me deu um nó na garganta. Era arrogância ou descuido?

Abri o aplicativo de mensagens. O nome dela estava lá, no topo da lista: "Sofia". O apelido ao lado do nome me fez sentir um enjoo físico: "Meu Anjo".

Abri a conversa.

As mensagens eram um soco no estômago. Fotos. Declarações. Planos.

"Estou com saudades, meu anjo. A cama fica vazia sem você."

"Mal posso esperar para o fim de semana. Aquele hotel que você falou parece perfeito."

Havia uma mensagem dela, enviada poucos minutos antes de eu chegar ao escritório: "Sua esposa ainda acha que você é o marido perfeito? Coitada."

A resposta de Pedro: "Deixa ela pra lá. O que importa somos nós."

Mas o pior ainda estava por vir. Rolei a tela para cima, passando por semanas, meses de conversas. E então eu vi.

"Tive que inventar uma viagem de trabalho para o feriado. A Júlia acreditou, como sempre."

"Minha garganta está doendo hoje, amor. Traz aquele remédio que você comprou pra mim?" E a resposta dela: "Claro, meu bem. E levo um caldo quente pra você melhorar logo."

Eu me lembrei daquele dia. Eu tinha ligado para ele, preocupada, e ele disse que a dor de garganta era leve, que não precisava de nada, que estava se cuidando.

Agora, no celular, eu via a verdade. Naquela mesma noite, ele trocava mensagens com Sofia.

"A patroa ligou de novo. Drama porque a pirralha está com febre."

A resposta dela: "Deixa elas pra lá, amor. Volta pra cá. Estou te esperando." E uma foto dela, na cama, vestindo uma lingerie que eu nunca tinha visto.

Meu estômago se revirou. Eu quase vomitei ali mesmo, no carpete do hotel. A dor era física. Era como se uma mão gigante estivesse apertando meu peito, me tirando o ar. Todo o meu corpo tremia.

Lembrei-me do nosso aniversário de casamento, poucas semanas antes. Ele me ligou por vídeo. Mostrou o quarto de hotel solitário, disse que estava trabalhando até tarde, que sentia muito por não estar comigo. Prometeu me compensar. Eu acreditei. Chorei de saudade depois que desligamos.

A verdade estava ali, na galeria de fotos do celular dele, escondida em uma pasta "trancada". Fotos dele e de Sofia. No mesmo quarto de hotel. Sorrindo. Abraçados. Uma taça de champanhe na mão dela. A data da foto era o dia do nosso aniversário.

Cada detalhe era uma nova camada de traição. Não era só sexo. Era intimidade. Era companheirismo. Era uma vida dupla, construída sobre as minhas costas, sobre a minha dedicação.

Pedro se aproximou de mim, cauteloso. "Júlia, por favor. Me perdoa. Foi uma fraqueza, eu... eu estava sozinho aqui, sob pressão."

"Me perdoa?", eu repeti, a voz rouca de incredulidade. "Você quer que eu te perdoe? Você mentiu pra mim! Você me humilhou! Você me fez de idiota!"

"Não fala assim", ele pediu, tentando tocar meu braço. Eu me afastei como se ele estivesse em chamas.

"Como você quer que eu fale, Pedro? Quer que eu agradeça por você ter sido 'discreto'? Quer que eu finja que não vi nada? Você estava com ela no nosso aniversário! Enquanto eu chorava de saudades, você estava comemorando com a sua amante!"

As palavras saíam da minha boca, mas pareciam pertencer a outra pessoa. A Júlia que existia até uma hora atrás jamais gritaria assim. A Júlia de antes acreditava em diálogo, em compreensão. Mas aquela Júlia morreu no momento em que eu vi o pânico nos olhos dele.

"O que você quer que eu diga, Júlia? Que eu errei? Eu errei! Eu sou um lixo, um canalha! Você quer que eu me ajoelhe? Eu me ajoelho!", ele disse, a voz se alterando, misturando desespero com irritação.

"Eu não quero nada de você", eu sussurrei, sentindo um vazio gelado tomar conta de mim. "Eu só quero entender... por quê?"

Ele não respondeu. Apenas ficou ali, me olhando, o grande empresário de sucesso reduzido a um menino pego fazendo algo errado. Mas a mentira ainda estava em seus olhos. Eu via. Ele não estava arrependido por ter me traído. Ele estava arrependido por ter sido pego.

A imagem de Sofia sorrindo para mim no escritório voltou à minha mente. Aquele sorriso presunçoso, desafiador. Ela sabia. Ela sabia de tudo. E ela se deliciava com isso.

Meu casamento não estava em crise. Meu casamento estava morto. E eu tinha acabado de chegar ao funeral.

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