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O Preço da Negligência: Um Divórcio no Berço

O Preço da Negligência: Um Divórcio no Berço

Autor:: Klement Conquest
Gênero: Romance
O meu telemóvel caiu no chão do hospital, o ecrã estilhaçado exibindo a última mensagem enviada: "Leo, o nosso filho nasceu." Ele não estava lá. Há três horas, dei à luz o nosso filho. Mas em vez de ter o pai dele ao meu lado, ouvi a ex-namorada dele, Sofia, atender a chamada. Leo, o meu marido, estava a dar banho ao filho dela com febre alta. Ouvei-o ao fundo, a acalmar aquele menino: "Está tudo bem, campeão. O papá está aqui." Papá. O meu coração apertou. O nosso filho, o seu filho de sangue, jazia no berço, a poucos metros, enquanto ele era o 'papá' de outro homem. Ela desligou, tratando-me como uma interrupção inconveniente na sua "emergência familiar". Durante toda a minha gravidez, as prioridades do Leo foram sempre a Sofia e o filho dela. Uma constipação, um joelho arranhado, um pesadelo – tudo exigia a sua presença imediata. "Ele é só uma criança, Helena", ele dizia. "A mãe dele não tem mais ninguém." E eu? E o nosso filho que ainda não tinha nascido? A raiva que senti era fria e clara. No meu corpo dorido do parto, uma decisão formou-se na minha mente. Estava feito. Peguei no telemóvel e abri o contacto da minha advogada. Antes de enviar a mensagem, a chamada da minha sogra, Dona Elvira, mudou tudo. Ela perguntou pelo Leo, feliz pelo neto, até eu lhe dizer a realidade. O seu silêncio foi pesado, depois a sua fúria irrompeu. "Aquele idiota! Eu vou arrastá-lo para aí pelas orelhas!" "Não se preocupe", disse eu, "Já tomei uma decisão." "Que decisão?" "Vou divorciar-me dele."

Introdução

O meu telemóvel caiu no chão do hospital, o ecrã estilhaçado exibindo a última mensagem enviada: "Leo, o nosso filho nasceu." Ele não estava lá.

Há três horas, dei à luz o nosso filho. Mas em vez de ter o pai dele ao meu lado, ouvi a ex-namorada dele, Sofia, atender a chamada. Leo, o meu marido, estava a dar banho ao filho dela com febre alta.

Ouvei-o ao fundo, a acalmar aquele menino: "Está tudo bem, campeão. O papá está aqui." Papá. O meu coração apertou. O nosso filho, o seu filho de sangue, jazia no berço, a poucos metros, enquanto ele era o 'papá' de outro homem. Ela desligou, tratando-me como uma interrupção inconveniente na sua "emergência familiar".

Durante toda a minha gravidez, as prioridades do Leo foram sempre a Sofia e o filho dela. Uma constipação, um joelho arranhado, um pesadelo – tudo exigia a sua presença imediata. "Ele é só uma criança, Helena", ele dizia. "A mãe dele não tem mais ninguém." E eu? E o nosso filho que ainda não tinha nascido?

A raiva que senti era fria e clara. No meu corpo dorido do parto, uma decisão formou-se na minha mente. Estava feito. Peguei no telemóvel e abri o contacto da minha advogada. Antes de enviar a mensagem, a chamada da minha sogra, Dona Elvira, mudou tudo. Ela perguntou pelo Leo, feliz pelo neto, até eu lhe dizer a realidade. O seu silêncio foi pesado, depois a sua fúria irrompeu.

"Aquele idiota! Eu vou arrastá-lo para aí pelas orelhas!"

"Não se preocupe", disse eu, "Já tomei uma decisão."

"Que decisão?"

"Vou divorciar-me dele."

Capítulo 1

O meu telemóvel caiu no chão com um baque surdo, mesmo ao lado da cama do hospital.

O ecrã estilhaçado mostrava a última mensagem que enviei ao meu marido, Leo.

"Leo, o nosso filho nasceu. É um menino."

Isso foi há três horas.

Ainda não houve resposta.

A enfermeira entrou para verificar os meus sinais vitais, o seu rosto era uma mistura de pena e profissionalismo.

"Senhora Alves, tentou ligar novamente ao seu marido? O bebé precisa de ser registado em breve, e precisa de um nome."

Eu balancei a cabeça em silêncio, o meu corpo ainda dorido do parto.

Eu sabia exatamente onde o Leo estava.

Ele estava com a sua ex-namorada, a Sofia. O filho dela, que não é dele, estava com febre alta.

"Vou cuidar disso," murmurei, a minha voz rouca.

Peguei no telemóvel novamente. Desta vez, em vez de uma mensagem, liguei-lhe.

A chamada foi atendida quase instantaneamente, mas não foi a voz do Leo que ouvi.

"Helena? É a Sofia. O Leo está a dar banho ao Tiago para baixar a febre. Ele não pode falar agora."

A sua voz era suave, quase apologética, mas carregada de um sentido de posse.

"Sofia, preciso de falar com o meu marido. É urgente."

"Eu sei, querida. Ele disse-me que o teu bebé estava a chegar. Parabéns. Mas o Tiago está mesmo muito doente, coitadinho. O médico disse que podia ser uma convulsão febril se não tivermos cuidado."

"O meu filho nasceu," disse eu, com a voz firme. "O Leo precisa de vir para o hospital."

Houve uma pausa. Ao fundo, ouvi o som de água a chapinhar e a voz do Leo a acalmar a criança. "Está tudo bem, campeão. O papá está aqui."

Papá.

O meu peito apertou. O meu filho, o seu filho de verdade, estava deitado num berço a poucos metros de mim, e o Leo estava a ser o "papá" de outro homem.

A Sofia voltou ao telefone. "Helena, ele sabe. Ele vai aí assim que puder. Apenas sê compreensiva, por favor. O Tiago realmente precisa dele."

Ela desligou.

Não gritou, não foi rude. Foi pior. Ela tratou-me como uma interrupção inconveniente na sua pequena emergência familiar.

Olhei para o meu filho. O seu rostinho estava enrugado, os seus olhos bem fechados. Ele era perfeito.

E o seu pai escolheu estar com outra pessoa.

A raiva que senti era fria e clara. Não havia lágrimas. Apenas uma decisão a formar-se na minha mente.

Isto não era novo. Durante toda a minha gravidez, a Sofia e o seu filho foram sempre a prioridade.

Uma constipação, um joelho arranhado, um pesadelo. Tudo exigia a presença imediata do Leo.

"Ele é apenas uma criança, Helena," o Leo dizia-me sempre. "A mãe dele não tem mais ninguém."

E eu? Eu não era ninguém? E o nosso filho que ainda não tinha nascido?

Agarrei no telemóvel com uma mão trémula e abri o contacto da minha advogada.

Comecei a escrever uma mensagem.

"Marta, preciso dos papéis do divórcio. O mais rápido possível."

Antes que eu pudesse enviar, uma chamada entrou. Era a minha sogra, a mãe do Leo.

Atendi, esperando uma explosão de alegria.

"Helena! Então? O bebé já nasceu? O Leo não atende o telemóvel!"

"Sim, nasceu," disse eu, a minha voz desprovida de emoção. "É um menino."

"Oh, graças a Deus! Um rapaz! Eu sabia! Como é que ele está? E tu? O Leo está aí contigo, certo? Ele deve estar nas nuvens!"

A sua felicidade genuína fez com que o meu coração doesse um pouco.

"Não, ele não está aqui. Ele está com a Sofia. O filho dela está com febre."

O silêncio do outro lado da linha foi pesado.

"O quê? Ele deixou-te sozinha... depois de dares à luz... para ir para casa dela?"

A sua voz mudou de alegria para incredulidade, e depois para uma fúria gelada.

"Aquele idiota. Aquele idiota egoísta! Eu vou ligar-lhe agora mesmo. Vou arrastá-lo para aí pelas orelhas se for preciso! Como é que ele se atreve!"

"Não se preocupe," disse eu calmamente. "Já tomei uma decisão."

"Que decisão?"

"Vou divorciar-me dele."

Capítulo 2

A minha sogra, a Dona Elvira, chegou ao hospital em menos de vinte minutos.

O seu rosto estava vermelho de raiva, e ela segurava a sua mala com tanta força que os seus nós dos dedos estavam brancos.

Ela não disse uma palavra para mim no início. Foi direita ao berço, olhou para o neto e os seus olhos encheram-se de lágrimas.

"Ele é lindo, Helena. Simplesmente perfeito."

Ela virou-se para mim, a sua expressão suavizando-se por um momento. "E tu? Como te sentes? Eles trataram-te bem?"

"Estou bem, Dona Elvira. Cansada, mas bem."

Ela sentou-se na cadeira ao lado da minha cama, a sua raiva a regressar.

"Eu não consigo acreditar nisto. Juro por Deus, eu não criei o meu filho para ser este tipo de homem. Um homem que abandona a sua esposa e o seu filho recém-nascido."

Ela abanou a cabeça. "É aquela mulher. Aquela Sofia. Ela sempre foi um veneno na vida dele. Mesmo quando eles terminaram, ela nunca o deixou ir verdadeiramente."

"Ele deixou-a fazer isso," disse eu, a minha voz plana. "Ninguém o forçou."

A Dona Elvira olhou para mim, os seus olhos a examinar o meu rosto. Ela viu a determinação ali.

"Tu falas a sério sobre o divórcio, não falas?"

"Sim."

Ela suspirou, um som longo e cansado. "Eu não te posso culpar. Honestamente, não posso. Uma mulher só aguenta até certo ponto."

O seu telemóvel tocou. Ela olhou para o ecrã e mostrou-mo. Era o Leo.

"Queres que eu atenda?" ela perguntou.

"Não," disse eu. "Deixe-o ir para o voicemail. Não quero falar com ele."

Ela rejeitou a chamada e desligou o som do telemóvel.

"Ele vai ter de lidar comigo quando eu chegar a casa," ela rosnou. "Agora, vamos focar-nos em vocês os dois. Já pensaste num nome?"

"Sim," disse eu. "Eu quero chamar-lhe Pedro."

"Pedro," ela repetiu, sorrindo tristemente. "Era o nome do meu pai. É um nome forte. Eu gosto."

Passámos a hora seguinte em silêncio, apenas a observar o bebé a dormir. A presença calma e solidária da Dona Elvira era um bálsamo para a minha alma ferida.

Finalmente, a enfermeira voltou.

"Senhora Alves, o seu marido está cá fora. Ele parece bastante agitado. Devo deixá-lo entrar?"

Antes que eu pudesse responder, a Dona Elvira levantou-se.

"Eu trato disto."

Ela saiu do quarto, fechando a porta firmemente atrás de si.

Eu não conseguia ouvir as palavras exatas, mas ouvi as vozes. A voz suplicante e confusa do Leo, e a voz baixa e furiosa da sua mãe.

Durou vários minutos. Depois, a porta abriu-se novamente.

A Dona Elvira entrou, seguida por um Leo de ar derrotado.

Os seus olhos estavam vermelhos, o seu cabelo um desastre. Ele parecia alguém que tinha atravessado um inferno.

"Helena," ele começou, a sua voz a quebrar. "Desculpa. Eu... eu perdi a noção do tempo. O Tiago estava tão mal..."

"Não," interrompi eu, a minha voz fria como gelo. "Não uses essa criança como desculpa."

Ele encolheu-se. "Eu sei. Eu estraguei tudo. Mas eu estou aqui agora. Deixa-me ver o meu filho."

Ele deu um passo em direção ao berço, mas eu levantei uma mão.

"Não. Tu não tens esse direito. Não agora."

"Helena, por favor," ele implorou, as lágrimas a escorrerem-lhe pelo rosto. "Ele é o meu filho."

"Sim, ele é," concordei. "E ele merecia que o pai estivesse aqui quando ele nasceu. Ele merecia ser a tua prioridade. Não um pensamento tardio."

"Eu amo-te, Helena. Eu amo-vos aos dois."

"As tuas ações dizem o contrário, Leo. Elas têm dito o contrário há meses."

Peguei no meu telemóvel, abri a mensagem que tinha escrito para a minha advogada e carreguei em 'enviar'.

Mostrei-lhe o ecrã.

"Acabou, Leo. Eu quero o divórcio."

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