Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Moderno > O Preço da Vida: O Segredo de Lucas
O Preço da Vida: O Segredo de Lucas

O Preço da Vida: O Segredo de Lucas

Autor:: Qian Mo Mo
Gênero: Moderno
O meu filho Lucas fez cinco anos, e eu tinha acabado de lhe dar o bolo e o boneco do super-herói que ele tanto queria. O meu coração transbordava de alegria, parecia um dia perfeito. Mas a alegria foi destroçada quando o médico nos disse: leucemia. O meu mundo desabou ali, no hospital. A voz do médico era um zumbido distante, até que Pedro, o meu marido, falou a frase mais aterradora de todas: "Eu não sou o pai biológico dele. Não sou compatível. E não vou pagar por um tratamento para o filho de outro homem." Ele virou as costas e saiu, deixando-me sozinha com o nosso filho moribundo. A minha sogra ligou, acusando-me de ser "descarada" e abandonando-nos também. Como podia ele fazer isto? Como podia o pai que Lucas tanto amava simplesmente apagá-lo, numa cama de hospital? Quem era o "outro homem"? Em desespero, procurei o único que poderia ser: Tiago, um colega do passado e o pai biológico de Lucas. Tivemos uma única noite, há seis anos. Ele era a única esperança do meu filho e eu não o deixaria escapar.

Introdução

O meu filho Lucas fez cinco anos, e eu tinha acabado de lhe dar o bolo e o boneco do super-herói que ele tanto queria. O meu coração transbordava de alegria, parecia um dia perfeito.

Mas a alegria foi destroçada quando o médico nos disse: leucemia. O meu mundo desabou ali, no hospital.

A voz do médico era um zumbido distante, até que Pedro, o meu marido, falou a frase mais aterradora de todas: "Eu não sou o pai biológico dele. Não sou compatível. E não vou pagar por um tratamento para o filho de outro homem."

Ele virou as costas e saiu, deixando-me sozinha com o nosso filho moribundo. A minha sogra ligou, acusando-me de ser "descarada" e abandonando-nos também.

Como podia ele fazer isto? Como podia o pai que Lucas tanto amava simplesmente apagá-lo, numa cama de hospital? Quem era o "outro homem"?

Em desespero, procurei o único que poderia ser: Tiago, um colega do passado e o pai biológico de Lucas. Tivemos uma única noite, há seis anos. Ele era a única esperança do meu filho e eu não o deixaria escapar.

Capítulo 1

O médico disse-me que o meu filho, Lucas, tinha leucemia.

Foi no dia em que ele fez cinco anos.

Eu tinha acabado de lhe comprar um bolo de chocolate, o seu favorito, e um boneco do super-herói que ele tanto queria.

O meu marido, Pedro, estava ao meu lado, mas não olhava para mim nem para o médico.

Ele olhava para o chão, como se o chão tivesse todas as respostas.

O médico continuou a falar, a explicar os tratamentos, a quimioterapia, o transplante de medula óssea.

As palavras dele eram um zumbido distante nos meus ouvidos.

Eu só conseguia pensar no sorriso do Lucas quando viu o bolo.

"Precisamos de fazer testes de compatibilidade de medula óssea," disse o médico. "Começando pelos pais."

Pedro finalmente levantou a cabeça.

"Eu não posso," disse ele, com a voz baixa e firme.

Eu olhei para ele, sem entender.

"O que queres dizer com 'não posso'?"

"Eu não sou o pai biológico dele, Sofia," disse ele, sem rodeios. "Não sou compatível."

O mundo parou. O bolo de aniversário, o super-herói, a leucemia, tudo desapareceu.

Só restaram as palavras dele, a ecoar na sala silenciosa do hospital.

"Do que estás a falar, Pedro? Ficaste louco?"

"Eu sempre soube," continuou ele, ignorando a minha pergunta. "Sempre soube que ele não era meu. Tu tiveste aquele caso, antes de nos casarmos."

A voz dele era fria, sem emoção. Como se estivesse a falar do tempo.

"Isso foi há seis anos! E eu juro que não aconteceu nada!" A minha voz tremia.

"Não importa agora," disse ele, levantando-se. "A questão é que eu não posso doar. E não vou pagar por um tratamento para o filho de outro homem."

Ele virou-se e saiu da sala, deixando-me sozinha com o médico e o diagnóstico que tinha acabado de destruir a minha vida.

O médico olhou para mim, com uma expressão de pena.

"Sinto muito, Sra. Alves."

Eu não conseguia chorar. As lágrimas não saíam.

Senti o meu telemóvel vibrar no bolso. Era a minha sogra, a mãe do Pedro.

Atendi, a precisar de ouvir uma voz amiga.

"Sofia? O Pedro já te contou?" A voz dela era ríspida, acusadora.

"Contou o quê? Que ele está a abandonar o próprio filho?"

"Não lhe chames isso! Ele não é filho dele! O Pedro ligou-me, contou-me tudo. Como pudeste ser tão descarada? Enganaste o meu filho durante cinco anos! E agora queres que ele pague por um erro teu?"

"Ele está doente! Ele precisa de nós!" gritei, desesperada.

"Ele precisa do pai verdadeiro dele. Vai procurá-lo. O meu filho já sofreu o suficiente por tua causa. Adeus."

Ela desligou.

Fiquei a olhar para o telemóvel, para o ecrã preto.

O meu marido tinha-me abandonado. A minha sogra tinha-me acusado.

E o meu filho estava num quarto, a poucos metros de distância, a lutar pela vida.

Sozinho.

Capítulo 2

Tive de contar ao Lucas. Não tudo, claro.

Apenas a parte de que ele ia ficar no hospital por um tempo.

"O papá não vem?" perguntou ele, com os seus grandes olhos castanhos fixos em mim.

"O papá teve de ir trabalhar, meu amor. Mas ele manda um beijo muito grande."

Menti. Menti descaradamente ao meu filho de cinco anos.

O que mais eu poderia fazer?

Passei a noite numa cadeira desconfortável ao lado da sua cama, a ouvir a sua respiração suave.

Cada inspiração era um presente. Cada expiração era um medo.

No dia seguinte, comecei a minha busca.

O "outro homem". Tiago.

Ele era um colega de trabalho antigo. Tivemos uma noite, uma única noite estúpida, alimentada por demasiado vinho e pela solidão, pouco antes de eu e o Pedro nos casarmos.

Eu arrependi-me no momento em que acordei na manhã seguinte.

Voltei para o Pedro, pedi-lhe perdão por ter sequer hesitado, e nunca mais olhei para trás.

Nunca pensei que essa noite pudesse ter consequências. Eu estava a tomar a pílula.

Mas agora, era a minha única esperança.

Encontrei o Tiago nas redes sociais. Ele tinha-se mudado para Lisboa, casado, e tinha uma filha pequena.

A sua vida parecia perfeita. Feliz.

Hesitei durante horas com o dedo sobre o botão de chamada.

O que é que eu ia dizer? "Olá, lembra-se de mim? Tivemos um caso há seis anos e, a propósito, pode ter um filho que está a morrer e preciso da sua medula óssea."

Parecia uma loucura.

Mas o rosto pálido do Lucas apareceu na minha mente.

Engoli o meu orgulho, a minha vergonha, o meu medo.

E liguei.

"Estou?" A voz dele era exatamente como eu me lembrava.

"Tiago? É a Sofia. Sofia Alves. Trabalhámos juntos na TechCorp."

Houve um silêncio do outro lado da linha.

"Sofia. Uau. Já faz muito tempo. Como estás?"

"Não estou bem, Tiago. Preciso da tua ajuda. É... é muito importante."

A minha voz falhou.

"O que se passa? Pareces aflita."

Respirei fundo.

"Eu tenho um filho. O nome dele é Lucas. Ele tem cinco anos."

"E ele tem leucemia. Ele precisa de um transplante de medula óssea."

"O Pedro... o Pedro não é compatível. Tiago, eu acho... eu acho que o Lucas pode ser teu filho."

O silêncio do outro lado foi tão profundo que pensei que ele tinha desligado.

"Tiago? Estás aí?"

"Isso é impossível," disse ele finalmente, a voz tensa. "Tu disseste que estavas a tomar precauções."

"Eu sei. Eu também pensava que sim. Mas os médicos dizem que acontece. Por favor, Tiago. Ele precisa de um teste. É a única oportunidade dele."

Ouvi uma voz de mulher ao fundo. "Querido? Quem é?"

"Não é ninguém, amor," disse Tiago rapidamente.

Depois, a voz dele baixou para um sussurro zangado. "Ouve, Sofia. Eu tenho uma família. Uma vida. Não podes aparecer assim e largar uma bomba destas."

"Eu não estou a largar uma bomba! Estou a tentar salvar o meu filho!"

"O teu filho," corrigiu ele. "Não meu. Não me voltes a ligar."

E desligou.

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022