"Alegria compartilhada é alegria em dobro. Tristeza compartilhada é tristeza pela metade.
____ Provérbio sueco
O panteão nórdico é composto por vários deuses. Entre os deuses haviam dois grupos principais. Aesir e Vanir. O clã dos Aesir chefiado por Odin, são de guerreiros natos que habitavam Asgard, um dos nove mundos. Volta e meia entravam em conflito com o outro clã Vanir. Associados à natureza e à feitiçaria, eles viviam em Vanaheim e não eram dados à guerra.
Odin era conhecido como pai de todos. Ele reinava sobre seu trono. De lá ele conseguia ver todos os reinos. Ele sempre está com sua lança nas mãos, acompanhado por seus dois corvos Huginn, que no nórdico antigo significa "pensamento", e Muninn que significa "memória." E dois lobos Geri que quer dizer "guloso" e Freki "o voraz". Ele é cego de um olho. O outro ele sacrificou quando buscava sabedoria. Além de sábio, ele é considerado o deus da guerra e da morte. Todos que morrem com bravura no campo de batalha eram trazidos pelas Valquírias, e recebido por Odin no salão, até o Ragnarok. O pai dos deuses é casado com Fryga. Ela é a deusa mãe, reconhecida com muita autoridade. Protege os lares, matrimônio e gestantes. Ela prever o futuro. Foi ela que ensinou os homens a verem o futuro por meio das runas. Ela sempre estava no meio tentando apaziguar as constantes brigas de seu marido com Freya, a rainha dos Vanir, deusa do amor e da fertilidade. Ela é líder das Valquírias, que buscavam as almas no campo de batalha. A deusa divide as almas com Odin, e as levava para Fólkvangr, seu palácio. Ela os treinava para defender os palácios dos deuses. Mas sua constante briga com o pai de todos era sempre pelos vivos. Ela não aceitava que ele não ajudasse os homens na guerra. Ela havia acabado de discutir com ele mais uma vez. Saiu frustrada, pois novamente não foi ouvida.
Ela se sentava próximo ao seu rio preferido, quando escutou alguém chamando o seu nome. Na fé viking, não havia livros sagrados, ou mesmo sacerdotes. No entanto, eles não davam menos importância aos rituais de devoção aos seus deuses. Esses rituais ocorriam em qualquer lugar, e incluíam até sacrifícios humanos. Freya buscou quem lhe chamava e viu uma mulher chorando sozinha, chamando o seu nome.
- Freya! Senhora da fertilidade, do poder, do amor e da paixão. Ajude-me a encontrar meu caminho! Senhora das Mulheres, deusa suprema do feminino, mostre-me a chave da Magia e Justiça! - Gyda não poupava fôlego. Ela se cansou de pedir a outros deuses, então focou na deusa.
- Senhora dos gatos e da guerra, oriente-me nos momentos difíceis e me dê agilidade e coragem para superar meus obstáculos! Senhora da Riqueza, dai-me energia pura e restauradora do teu Amor. Minha alma e coração te pertencem e honrarei teu nome eternamente! Em nome do fogo, do ar, da terra e da água. Poderosa Rainha dos Vanir, a mais bela e querida entre todas as deusas, derrame suas bênçãos sobre mim! - Terminou sua oração, sentindo-se em paz. Freya ao ver a menina, com pouco mais de doze anos, resolveu aparecer.
- O que queres de mim Gyda? - Indagou sorrindo. A garota saltou assustada, mas, quando reconheceu, fez uma reverência nervosa.
- Deusa peço que cesse essa guerra, não aguento mais. O meu povo sofre, perdi toda a minha família.
- Tudo porque perdeu sua família? - Questionou testando a garota. Ela quer saber se a mesma é egoísta.
- Sim! Não quero que outras meninas passem pelo, o que estou passando. - Respondeu decidida. A deusa viu o quão forte a menina é, e resolveu ajudar como podia.
- Pelo seu coração nobre, pela guerreira que és, decreto que nascerá da sua família só mulheres fortes quanto você. A oitava mulher da oitava geração, nascera com poderes extraordinários, ela ajudará a vencer essa guerra. - tocou na face da moça - Ela será cobiçada por muitos, mas só ao homem que seu coração ver grandeza, honra e valor ela servirá. Seus poderes serão visíveis no seu vigésimo aniversário...
- Obrigada deusa! - Gyda disse beijando as mãos de Freya. A deusa sorriu, e logo em seguida desapareceu. Quando a menina olhou para o chão, viu um livro com capa de ouro, escrito "GENTILEZA", nas runas antigas.
ᚵᛂᚿᛏᛁᛛᛂᛎᛆ
Ela correu e contou tudo ao seu povo, contudo, ninguém lhe deu ouvidos. Gyda não se importou, afinal todos veriam. Nessa noite ela dormiu com um sorriso, crente que o amanhã seria muito melhor.
Se você não vive por alguma coisa, então você morrerá por nada.
____ Série de tv. "Viking"
Escandinávia século VIII
__ Mais força Alvor, só mais um pouquinho. __ Ouvir minha amiga pedindo, contudo, se soubesse como estou me sentindo, não pediria isso.
__ Eu não consigo, estou sem forças, Helga.
__ Não pode desistir, estamos quase lá, só mais uma empurrada, posso ver a cabeça. __ Avisou incentivando-me. Fechei os olhos e fiz uma prece a Freya, e quando abri os olhos a deusa estava lá. Sei que é ela. Sua beleza transcende o natural. Está atrás de Helga. Seus cabelos loiros, não para de brilhar.
__ Não tenha medo Alvor, estou aqui com você. __ Disse gentil.
__ Freya! __ Exclamei eufórica. Olhei para Helga e a mesma fitava o lugar que encarava, e pela sua face, não via nada.
__ Ela não pode me ver, apenas você... Escute você precisa ter forças.
__ Eu não aguento mais deusa. __ Confessei cansada. Todo o meu corpo pede apenas descanso.
__ Claro que consegue, você foi feita para isso. __ se aproximou mais __ Ela corre perigo Alvor, precisa protegê-la.
__ Como farei isso? Como posso proteger a minha filha? __ Questionei ainda fazendo força. Freya tocou minha cabeça, e me mostrou tudo que aconteceria para minha filha ficar segura. A encarei com os olhos cheios de lágrimas. Eu não poderei vê-la crescer.
__ Tudo bem, deusa!
__ Agora coloque toda força que puder, ela nascerá agora. __ Fiz o que me pediu e quando perdi minhas últimas forças, ouvir o seu chorinho. É forte e firme. Meu coração transbordou de emoção. Não sabia que o sentimento transbordaria tanto.
__ Não tem outro jeito? Quero ver o seu crescimento.
__ Não há outro jeito. __ alisou a minha face __ Ela é uma menina linda. Não se preocupe, eu a protegerei.
A deusa sumiu, então foquei meus olhos no meu maior tesouro.
__ Ela é linda Alvor. A deusa ainda está aqui?
__ Não. Preciso que se prepare.
__ Para quê? __ Questionou. Ela me encarava séria.
__ Gimle deseja machucar a minha filha, eles sabem que a minha menina está destinada a coisas grandes. __ entreguei meu bebê a Helga __ Preciso que a tire desse lugar.
__ E você? Não pode fugir agora. Está debilitada.
__ Eu não irei amiga. Essa missão é apenas sua. __ Me levantei e peguei o livro dourado das mulheres da minha família.
__ Não posso fazer isso sozinha, Alvor.
__ Claro que pode, a deusa mostrou-me. __ A abracei e lhe entreguei tudo que precisa. Juntei nossas cabeças.
__ Agradeço por esta em minha vida. Agora vá. __ lhe soltei __ No livro existe um feitiço, basta dize-lo em voz alta em frente a cachoeira de pedra.
- Feitiço! - Disse assustada. Posso ver o medo transbordando nos olhos dela, mas não tenho tempo para consolá-la.
- Isso, Helga. Agora vá. - Mandei segurando o choro.
__ Estou com medo... __ Disse chorando
__ Não fique. A deusa está com você. Quando ela completar vinte anos voltará para o nosso lar com ela.
__ Não contamos ao rei. Ele precisa saber que a menina nasceu.
__ Não há tempo Helga, precisa ir. __ Apressei não aguentando a dor em meu coração. Ela já estava saindo quando parou de repente.
__ Espera! __ pediu __ Como devo chama-la?
__ Você a chamará Liv. Ela será a proteção e o abrigo, do nosso povo. __ Declarei emocionada. Helga saiu deixando-me em prantos. Isso doe muito. Deitei na cama, sentindo-me cansada. Fechei os olhos e esperei o meu destino ser concretizado. Ouvir um barulho do lado de fora, não precisa ser um gênio para saber de quem se trata.
__ Onde ela está? __ Inquiriu furioso. Abri minhas pálpebras com um sorriso. Fitei seus olhos cruéis.
__ Bem longe daqui, nunca a encontrará.
__ É o que nós veremos. Ache a criança! __ Ordenou a um dos seus homens. Gimle é um enganador. Possui estratégias, pessoas em seu poder. Ele é um rei cruel que está criando uma guerra sem fim, com seu próprio povo. Ele descobriu sobre minha Liv, e quer matar a minha menina.
__ Por Freya que você nunca a encontrará. Seu fim está próximo. Estou pronta para ir para Walhala. __ Proferi me levantando. Ele me respondeu rindo.
__ Hoje, você estará em Hel. __ Falou maldoso. Só quem pode ir para Hel, são aqueles que não morre em batalha.
__ Não seja tolo. __ peguei a minha espada __ Cale-se, e lute como um guerreiro.
__ Por Odin, não está vendo que já está morta? __ Debochou da minha condição.
__ Se ainda estou respirando, então estou viva. Agora lute! __ Mandei partindo para cima dele. Posso estar fraca, mas ainda sou uma ótima guerreira. Gimle em um ato de crueldade, feriu a minha perna me deixando sem forças para levantar. Desisti de tentar me levantar, então me defendi da forma que dava.
__ Seu porco, sem honra! __ Exclamei furiosa.
__ Seus insultos não me atingem. Farei bem pior com a sua filha. __ Revelou. Em um golpe fatal, ele perfurou a minha barriga com a sua espada. Sentir a minha vida se esvaindo.
__ Você não venceu. Walhala estou chegando. __ Proclamei segurando a minha espada nas mãos com força. Sentir meu último suspiro esvaindo-se e tudo se apagou.
📜📜📜
__ Por Thor! Onde fui me meter? __ Declarei a mim mesma. Eu Helga, trabalhando para a deusa. Será que consigo? Bem, se ela disse que sim, então acredito. Eu preciso acreditar. Preciso apenas manter a calma, ou eu e a pequena Liv sofreremos. Parei em frente a cachoeira como Alvor me instruiu. Peguei o papel no livro. Respirei fundo e me preparei para ler. Não sei se dará certo, mas se isso acontecer não vai me impressionar. O interessante é que está em uma língua desconhecida, mas por algum motivo consigo entender. Terminei de ler e esperei algo acontecer. Do nada sentir um vento forte e uma luz intensa. Agarrei Liv com força, antes da luz tomar todo o nosso corpo. Fechei os olhos devido à claridade e quando os abri estava em um lugar totalmente diferente. Não há mais cachoeira, floresta. Nada. Há muitas construções estranhas.
__ Em que lugar estamos? __ Perguntei a uma pequena curiosa. Ela não parece que possui apenas horas de nascida. A pequena Liv me encarava sorrindo. Parei de observá-la quando senti um frio na espinha. Comecei a lembrar de coisas que nunca vi na vida. O conhecimento sobre o lugar. Sorri agradecida.
__ Agradeço Freya! __ olhei novamente para a pequena __ Agora sei onde estamos pequena. No Brasil, em uma civilização que ainda nem existe em nossa época. Aqui estamos seguras, ensinarei tudo que precisa.
Os olhos da pequena mudaram de cor. De azul ficaram brancos como gelo. Disse que nada me impressionava. Aí está.
__ Você é especial, acredito nisso. Agora, viveremos o nosso destino!
📜📜📜
Sete anos depois...
- Você tem dez segundos para descer, mocinha. __ Avisei brava. Ela gosta muito de dormir, essa é a verdade. Desconfio que o problema é a noite. Dorme tarde, por isso a dificuldade em acordar cedo.
__ Estou aqui! Estava apenas brincando tia, Helga. __ Beijou a minha face. Quando a olho assim tão feliz, me preocupo. Quando Liv crescer tudo mudará.
__ Por Freya menina, um dia tu me matas. __ Dramatizei.
__ A senhora não morrerá, não deixarei que me abandone. __ Afirmou carinhosa. Lágrimas involuntárias desceram sem a minha permissão. O povo será muito abençoado ao te-la como sua feiticeira. A chamei batendo em minhas pernas, e ela veio correndo. Encostei minha cabeça na sua, sentido o seu cheirinho. Sei que meu tempo está se esgotando, então, preciso ensina-la tudo sobre nossa cultura.
Depois que nos estabelecemos no país, chamado Brasil, descobrimos que estamos no século XXI. Estudei o país e descobri que no dia vinte e dois de abril do ano de mil e quinhentos, Pedro Álvares Cabral chegava às terras de "Vera Cruz", que mais tarde seriam chamadas Brasil. Ele chegou próximo à região de Porto Seguro, no estado da Bahia. Pedro Álvares Cabral não foi o primeiro português a pisar em solo brasileiro, acredito que muitos brasileiros não sabem disso. Na verdade, quem pisou foi Duarte Pacheco Pereira, um navegador militar. Em mil quatrocentos e noventa e oito. Ele foi designado por D. Manuel I para uma expedição secreta para reconhecer as zonas situadas além da marcação de Tordesilhas. A expedição dele partiu do arquipélago de Cabo Verde e chegou em algum ponto da costa entre o Maranhão e o Pará. A partir desse ponto, Pereira seguiu pela costa norte, até a foz do Rio Amazonas e a Ilha de Marajó. Na verdade, os brasileiros discutem se realmente o Brasil foi descoberto, já que antes de Cabral e Pereira, o país já era habitado por povos nativos desde a pré-história. Não sou brasileira, mas concordo plenamente, afinal, não se descobre algo que já foi descoberto.
O povo brasileiro é maravilhoso, hospitaleiro, gentis. Claro que não esqueço do meu povo e no quanto estão sofrendo ness
a guerra maldita. Mesmo amando tudo isso, anseio um dia retornar. E caso isso não aconteça, pedirei à minha Liv que leve minhas cinzas e espalhe sobre a cachoeira de pedra.
__ Tia Helga! Conta-me sobre a mamãe. __ Me pediu. Se ela pudesse ver o quanto são parecidas. Infelizmente na nossa época não havia fotos.|
- Sua mãe era uma guerreira muito corajosa, cheia de vida, extraordinária. Eu já lhe disse que se parece com ela fisicamente?
__ Acredito que um milhão de vezes. __ gargalhou __ Posso tentar algo tia?
__ Claro, pequena.
Liv levantou do meu colo e seguro minha cabeça de ambos os lados, fechou os olhos e se concentrou. Sentir uma energia passando pelo, o meu corpo. Vir o sorriso dela se ampliar.
__ Ela era muito linda tia. Será que um dia chegarei aos seus pés? __ Perguntou chorando. Ela está vendo minhas lembranças? Isso é excepcional. Minha Liv é uma vidente.
__ Será ainda mais bela. __ disse alisando seus longos cabelos loiros __ Agora vá escovar seus dentes, já está na hora de ir à escola.
__ Certo. Tia, hoje chegarei mais tarde, tenho Mais Educação. __ Explicou lavando sua louça. Sorriu quando lembro que descobri suas preferências por cores. Ela gosta das mesmas cores da deusa Freya. Azul, branco, verde e preto. Os animais sempre querem estar perto dela. Não sabem quantos bichos tirei de dentro de casa.
__ Já vou tia! __ Falou tirando-me dos meus pensamentos. Estava tão imersa nas lembranças que não vi quando saiu para escovar seus dentes.
__ Que os deuses a leve em segurança a seu destino! __ Abençoei. Ela beijou minha face e saiu correndo. Ela vai à escola sozinha, pois é perto de casa. Minha Liv será uma bela mulher. Anseio o dia que ela tenha a idade certa para amadurecer os seus poderes e salvar todo o nosso povo. Quando entender a magia que possui. O mundo todo passará a lhe pertencer.
É melhor ficar e lutar. Se fugir, somente morrerás cansado.
___ Provérbio Viking
Escandinávia séc. VIII
__ Concentre-se, Axel!__ Ordenei grave. Meu filho não sabe, mas o pior está por vir. Deve está preparado quando esse dia chegar. Sou o rei Sigurd o Forte, recebi esse nome pela minha bravura e força no campo de batalha. Assim como meu pai, e o pai de meu pai sou um viking, um guerreiro criado para a guerra. E é isso que estou passando para meu filho.
__ Estou tentando pai! __ Rebateu-me com um ar cansado.
__ Tente mais! __ Avisei. Sei que estou sendo duro, afinal acabamos de perder a minha mulher e mãe dele. Não há tempo para o luto, os inimigos não esperam.
__ Não quero mais. __ Disse parando os golpes.
__ Você não tem de querer! Jurou obediência a seu rei, não quebre isso. __ Usei de minha autoridade. Ele se encolheu no lugar, contudo me obedeceu. Axel, pode ser uma criança de dez anos, todavia ele compreende seus deveres como futuro líder. O sangue de guerreiro, flui dentro dele como um rio seguindo o seu curso. Meu filho luta melhor que muitos guerreiros, porém ainda não está pronto.
__ O que adianta treinar, meu rei? Onde estar a nossa salvadora que a deusa nos prometeu?
__ Concentre-se Axel!__ Ordenei grave. Meu filho não sabe, mas o pior está por vir. Preciso que esteja preparado quando esse dia chegar. Eu sou o rei Sigurd o Forte, recebi esse nome pela minha bravura e força no campo de batalha. Assim como meu pai, e o pai de meu pai sou um viking, um guerreiro criado para a guerra. E é isso que estou passando para meu filho.
__ Estou tentando pai! __ Rebateu-me com um ar cansado.
__ Tente mais! __ Avisei. Sei que estou sendo duro, afinal acabamos de perder a minha mulher e mãe dele. Não há tempo para o luto, os inimigos não esperam.
__ Não quero mais. __ Disse parando os golpes.
__ Você não tem de querer! Jurou obediência a seu rei, não quebre isso. __ Usei de minha autoridade. Ele se encolheu no lugar, contudo me obedeceu. Axel é um garoto leal. Ele possui dez anos, porém é maior e mais forte que garotos da sua idade. Atribuo isso aos deuses, entretanto, ele pode ser tudo isso, mas ainda não está pronto. O sangue de um guerreiro flui dentro dele como um rio seguindo o seu curso. Não preciso ler runas para saber que o seu futuro é a grandeza.
__ O que adianta treinar? Onde está a nossa salvadora, que a deusa prometeu? __ Indagou-me frustrado. Ele se preocupa comigo, com o meu bem-estar. No entanto, ele ainda aprenderá que a morte chega para todos, mais cedo, ou, mais tarde. O importante é abraça-la como um guerreiro vitorioso.
__ Ela está em algum lugar! Voltará no tempo certo.
__ Nem o senhor acredita nisso meu pai, seja sincero consigo mesmo e comigo. Não sou mais criança!
__ Estou sendo sincero garoto. Não sei o que o futuro nos reserva, mas é necessário acreditar na palavra da deusa. Não seja tolo, não irrite os deuses. __ Dei um tapa em sua cabeça. Meu filho precisa aprender muita coisa. Como governar, ensinar, ouvir. Ser um rei sábio. Nosso povo está prosperando cada dia mais. Mesmo com a guerra não nos faltam riquezas. Trabalhamos no ramo da agricultura, fazemos artesanatos, fora que temos um notável comércio marítimo. Saqueamos outros lugares, exploramos outros reinos. Está tudo indo de vento em polpa.
É a função dos homens ir à guerra, mas existem mulheres que escolheram ser guerreiras também. Não vamos impedi-las. Outras escolheram os domínios domésticos e pela preparação de alimentos. São tão fortes quanto as outras. Não é fácil cozinhar para todo o povo. Comemos todos juntos no salão.
Como rei sou a principal autoridade política, a minha palavra é lei. Claro que existem os condes e chefes tribais que desfrutavam de poder de mando entre a população a serem deferidas contra os criminosos, porém eles não podem fazer nada, sem antes passar por mim. Axel precisa saber de tudo isso, espero que tenha tempo para instruí-lo.
__ Meu lorde! __ Ouvir o garoto Loki, chamando-me. Ele é um bom rapaz. Obediente e leal, isso é bom. É muito difícil achar, pessoas leais.
__ Aproxime-se garoto, não tenho o dia todo. __ Ordenei, escondendo o sorriso. Ele se apavora com tudo. Às vezes me divirto com meu filho.
__ Senhor, os homens de Gimle invadiram o norte. Eles pedem ajuda. __ Informou. Pela cara dele já imaginava que as notícias não seriam nada agradáveis.
__ Reúnam os homens.
__ Já foi feito, meu lorde. Estão apenas esperando o senhor.
__ Agradeço Loki. Prepare-se, você e meu filho vem conosco. __ Decretei me retirando. Estávamos todos no meio do caminho, quando Axel veio até mim.
__ Pai, acho melhor voltar. Podemos resolver isso para o senhor.
__ Onde tirou isso, garoto? Aqui é o meu lugar, eu sou o rei.
__ Estou com um mau pressentimento.
__ Meu filho, entendo o que está sentindo. Sei que perdeu sua mãe... __ Me interrompeu zangado.
__ Não é nada disso. Por favor, faça o que estou pedindo.
__ Esta fora de cogitação!
__ O senhor é um teimoso.
__ Mais respeito com o seu rei.__ Mandei rindo. Ele falou igual a sua falecida mãe.
__ Prometo que tomarei cuidado no campo e batalha. __ Prometi. Chegamos no local. Podemos escutar o trincar das espadas. Me virei para os meus homens e os incentivei.
__ Deem orgulho a seus ancestrais, em nome de Thor, ataquem! __ me virei para o meu filho __ Que os deuses lhe fortaleça.
Invadimos o campo de batalha com sangue nos olhos. Houve muitos mortos, entretanto em maior número no lado inimigo. O chefe Rolo nos convidou para brindar a nossa vitória, pensei em desistir, ainda sim, desistir. Ele tomou a palavra.
__ Mais uma vitória, graças ao rei Sigurd. Skol! __ Brindou.
__ Skol! __ Repetimos em uma só voz. Ao beber sentir a bebida descer amarga em minha garganta. Parei de beber na hora. No caminho para casa, me sinto tonto, depois não vejo mais nada. Acordei em minha cama, com Axel segurando minha mão direita. Tossir quando falei, pois, minha boca está bastante seca.
__ Pai! Não se esforce, está muito debilitado. __ Me pediu triste. Sinto muito filho. Ele perdeu a mãe a pouco tempo, agora será o pai. Não queria que ele passasse por isso.
__ Não cumpri a promessa que te fiz. Me perdoe!
__ Não há nada que perdoar. Precisa se calar. Descanse.
__ Não Axel! Estou morrendo, não tenho mais tempo, meu filho. __ segurei ambos os lados de sua cabeça __ Me prometa que cuidara do nosso povo, que será um homem honrado e justo. Prometa-me!
__ Prometo pai! __ Exclamou chorando.
__ Não chore, hoje mesmo estarei com Odin em seu palácio. __ Ele balançou a cabela concordando e pegou a minha espada. Sorri com gratidão.
__ Walhala, estou chegando! __ Dei meu último suspiro. Que os deuses zelem pelo meu filho.