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O Preço da Cruel Enganação Deles

O Preço da Cruel Enganação Deles

Autor:: Xiao Song Shu
Gênero: Bilionários
Três anos depois que meu noivo, Caio, me abandonou no altar, ele invadiu minha vida de novo. Ele me encontrou grávida, morando na mansão imponente que ele ainda acreditava ser seu por direito de nascença. Ele não estava sozinho. Minha ex-melhor amiga, Jéssica, estava ao seu lado, seus olhos percorrendo a casa com pura cobiça. Eles me encurralaram, seus rostos retorcidos de raiva, exigindo saber quem era o pai do meu filho "bastardo". Quando me recusei a responder suas acusações insanas, as perguntas se transformaram em violência. Eles me esbofetearam, enfiaram cacos de vidro na minha boca e me prenderam no chão. Jéssica sorriu enquanto cravava o salto agulha na minha barriga. Então Caio desferiu um último e brutal chute. Naquele instante de puro horror, senti a pequena vida pulsante dentro de mim se apagar. Eles assassinaram meu filho. Eles riram quando eu solucei que o bebê pertencia ao irmão mais velho de Caio, Augusto. "Todo mundo sabe que ele é estéril", debochou Caio, sua voz escorrendo desprezo. "O acidente de carro de dez anos atrás garantiu isso." Eles estavam tão cegos por um boato de uma década que se recusaram a acreditar na verdade impossível. Mas, no momento em que jogaram meu corpo quebrado na piscina para se afogar, um carro arrebentou os portões da propriedade. Era Augusto. E eles estavam prestes a descobrir a verdade devastadora: ele não era apenas o pai do bebê. Ele era meu marido.

Capítulo 1

Três anos depois que meu noivo, Caio, me abandonou no altar, ele invadiu minha vida de novo. Ele me encontrou grávida, morando na mansão imponente que ele ainda acreditava ser seu por direito de nascença.

Ele não estava sozinho. Minha ex-melhor amiga, Jéssica, estava ao seu lado, seus olhos percorrendo a casa com pura cobiça. Eles me encurralaram, seus rostos retorcidos de raiva, exigindo saber quem era o pai do meu filho "bastardo".

Quando me recusei a responder suas acusações insanas, as perguntas se transformaram em violência. Eles me esbofetearam, enfiaram cacos de vidro na minha boca e me prenderam no chão.

Jéssica sorriu enquanto cravava o salto agulha na minha barriga. Então Caio desferiu um último e brutal chute.

Naquele instante de puro horror, senti a pequena vida pulsante dentro de mim se apagar. Eles assassinaram meu filho.

Eles riram quando eu solucei que o bebê pertencia ao irmão mais velho de Caio, Augusto. "Todo mundo sabe que ele é estéril", debochou Caio, sua voz escorrendo desprezo. "O acidente de carro de dez anos atrás garantiu isso." Eles estavam tão cegos por um boato de uma década que se recusaram a acreditar na verdade impossível.

Mas, no momento em que jogaram meu corpo quebrado na piscina para se afogar, um carro arrebentou os portões da propriedade. Era Augusto. E eles estavam prestes a descobrir a verdade devastadora: ele não era apenas o pai do bebê. Ele era meu marido.

Capítulo 1

Ponto de Vista: Helena Soares

A porta da frente da minha casa – da casa de Augusto – se escancarou com uma força que fez tremer os cristais na estante.

Não era Augusto. O retorno dele era uma presença silenciosa e sólida, o clique sutil da fechadura, o baque suave de sua pasta na mesa de mogno. Isso era uma violação. Uma tempestade rasgando a paz que eu passei três anos construindo cuidadosamente.

Caio estava parado na entrada, emoldurado pela luz dura da tarde. Ele parecia diferente. O homem polido e despreocupado que me abandonou no altar havia sumido, substituído por alguém mais magro, mais duro, com um toque de desespero nos olhos que parecia ferrugem numa lâmina cega. Suas roupas estavam gastas, o rosto por fazer.

Atrás dele, uma sombra se desprendeu do batente da porta. Jéssica Almeida. Seus olhos felinos, antes cheios de uma amizade fingida, agora continham uma cobiça crua e explícita enquanto varriam o hall de entrada suntuoso.

"Helena", a voz de Caio era um arranhão, um som que eu não ouvia há três anos. Não tinha nada do charme suave pelo qual um dia me apaixonei. Era áspera.

Ele avançou, seus dedos cravando no meu braço, me puxando em sua direção. O movimento súbito me causou um calafrio de pânico, e minha mão livre voou instintivamente para minha barriga de grávida.

"O que você está fazendo?", eu ofeguei, tentando me soltar.

Seu aperto se intensificou, os nós dos dedos brancos. "Não se faça de idiota comigo", ele rosnou, seus olhos caindo para onde minha mão repousava. Seu olhar era ácido. "De quem é?"

A pergunta pairou no ar, densa e venenosa. Jéssica se aproximou, os lábios curvados num sorriso presunçoso. "Ela não vai te contar, Caio. Olhe para ela. Morando na casa do seu irmão, provavelmente dormindo na cama dele. E agora está grávida do bastardo de algum estranho."

"Eu estive fora por três anos, Helena", Caio me sacudiu levemente, sua voz subindo com um tom frenético. "Três anos. Eu não te toquei. Nem estive na mesma cidade. Então você vai me dizer agora mesmo quem é o pai."

Uma calma fria tomou conta de mim, apagando a centelha inicial de medo. A arrogância pura e de tirar o fôlego dele. Me abandonar da maneira mais pública e humilhante possível, desaparecer sem uma palavra, e então invadir minha vida fazendo exigências, reivindicando um lugar que não era mais seu.

Ele não faz a menor ideia, pensei, uma risada amarga borbulhando na minha garganta. O completo idiota.

"Você acha que tem o direito de me perguntar isso?", eu disse, minha voz perigosamente baixa. "Você acha que pode entrar aqui e me questionar sobre o meu filho?"

Encarei seu olhar furioso sem vacilar. "Você não serve nem pra ser pai de um peixinho dourado, Caio, quanto mais de um Mendonça."

O tapa das minhas palavras o atingiu com mais força do que um golpe físico. Seu rosto se contorceu, uma mistura de choque e raiva. Jéssica ofegou teatralmente, colocando a mão sobre o coração.

"Helena! Como você pode ser tão cruel?", ela exclamou, sua voz escorrendo falsa simpatia. "Depois de tudo que o Caio sofreu por você? Ele te amava!"

"Ele amava a ideia das conexões da minha família", retruquei, meus olhos ainda fixos em Caio. "Assim como você amava a ideia do dinheiro da família dele."

A máscara de preocupação de Jéssica vacilou. "Isso não é justo", disse ela, sua voz se tornando afiada. "Nós passamos por um inferno, vivendo de migalhas, enquanto você esteve aqui, vivendo como uma rainha na mansão dos Mendonça. Você deve a ele. Você deve a esta família. E você os paga engravidando de sabe-se lá quem?"

A hipocrisia era tão densa que eu poderia ter engasgado. "Você quer falar sobre o que é justo, Jéssica?", eu disse, puxando meu braço do aperto de Caio com um puxão súbito e forte. "Foi justo quando você, minha suposta melhor amiga, estava dormindo com meu noivo pelas minhas costas? Foi justo quando você encheu a cabeça dele de mentiras sobre mim para que pudesse tê-lo só para você? Eu me lembro bem de você de joelhos, me implorando por perdão quando eu descobri."

O rosto de Jéssica ficou pálido, depois corou num vermelho feio e manchado. A memória de seu rosto patético e coberto de lágrimas ainda estava viva em minha mente.

Ela se virou para Caio, o lábio inferior tremendo. "Caio, querido, ouça ela. Ela está distorcendo as coisas. Ela sempre foi boa nisso."

Suas palavras foram a faísca para o pavio curto dele. O rosto de Caio escureceu, seu breve momento de choque substituído por uma fúria pura e inalterada. "Sua vadia", ele sussurrou, a palavra carregada de veneno.

Sua mão voou, e o estalo dela contra minha bochecha ecoou pelo salão imenso. Minha cabeça virou para o lado, meu ouvido zumbindo. Estrelas explodiram atrás dos meus olhos e, por um segundo, o mundo ficou branco de dor.

"Você não vai falar com ela desse jeito", Caio rosnou, parado sobre mim. "Esta é uma casa dos Mendonça. Minha casa. E você e essa... coisa... dentro de você vão dar o fora."

O mundo lentamente voltou ao foco. A ardência na minha bochecha era uma dor surda, mas uma dor mais profunda e fria se espalhava pelo meu peito. O mesmo olhar estava em seus olhos. A mesma rejeição cruel que ele me deu ao se afastar do nosso casamento, me deixando sozinha em um vestido branco na frente de quinhentos convidados.

Mas desta vez era diferente. Eu não era apenas Helena Soares, a noiva publicamente abandonada. Três anos atrás, no rescaldo daquela humilhação espetacular, outro homem havia se apresentado. Um homem que raramente aparecia. O irmão mais velho de Caio. Augusto Mendonça.

O formidável CEO do império de tecnologia Mendonça, conhecido no mundo dos negócios como "O Homem de Gelo" por sua perspicácia implacável e comportamento frio. Ele havia pegado minha mão discretamente, me protegido dos olhares curiosos do mundo e, em um movimento que chocou a todos, ele havia se casado comigo.

Ele era meu marido agora. E este bebê, este milagre precioso pelo qual lutamos através de anos de médicos e corações partidos em silêncio, era dele. Esta criança era o bebê mais protegido e mais desejado do mundo.

Pelo bem dessa criança, eu tinha que acalmar a situação.

"Caio, por favor", eu disse, minha voz tremendo um pouco, levantando uma mão. "Apenas pare. Vamos conversar sobre isso com calma."

Ele riu, um som áspero e feio. "Não há nada para conversar. Você engravidou para tentar garantir sua posição, para roubar minha herança. Você realmente achou que não descobriríamos?"

"Nossa herança", corrigiu Jéssica, dando um passo à frente. Seu salto agulha clicou ameaçadoramente no chão de mármore. Ela agarrou um punhado do meu cabelo, puxando minha cabeça para trás. A dor percorreu meu couro cabeludo.

"Você é uma prostituta manipuladora, Helena", ela sibilou no meu ouvido. "Você realmente achou que o Augusto ia cair nessa? Todo mundo sabe do acidente dele. Todo mundo sabe que ele não pode ter filhos. Você escolheu o único homem no mundo que não poderia ser o pai."

O rosto de Caio era um borrão de fúria justificada. Ele acreditava nela. Claro que acreditava. Ele era um tolo, facilmente guiado por sua própria ganância e paranoia.

"Você foi expulso desta família, Caio", consegui dizer entre dentes, a dor no meu couro cabeludo fazendo meus olhos lacrimejarem. "Papai te deserdou."

Jéssica zombou, soltando meu cabelo com um empurrão. "Vicente estava apenas com raiva. Um pedaço de papel não significa nada. Caio é seu único filho, seu único herdeiro verdadeiro."

"E eu serei o chefe desta família", declarou Caio, estufando o peito com uma imitação patética da autoridade de seu irmão. "O que significa que não terei o nome da minha família manchado pelo seu filho bastardo."

Meu coração martelava contra minhas costelas. "Este bebê é um Mendonça", afirmei, minha voz ressoando com uma convicção que vinha de um lugar mais profundo que o medo.

As palavras tiveram o efeito oposto ao que eu esperava. O rosto de Caio ficou roxo de raiva.

"Não se atreva", ele sibilou. "Não se atreva a dizer esse nome em conexão com essa coisa."

Ele deu um passo ameaçador em minha direção. "Acho que está na hora de você aprender uma lição, Helena. Uma lição que você deveria ter aprendido há muito tempo."

Antes que eu pudesse reagir, sua mão disparou novamente. Não um tapa desta vez, mas um punho fechado. Ele me acertou no estômago.

O ar saiu dos meus pulmões de uma vez. Uma dor ofuscante e lancinante rasgou meu abdômen. Era uma dor tão absoluta, tão avassaladora, que roubou minha voz, minha respiração, meus pensamentos.

Eu desabei no chão, meu corpo se encolhendo em uma bola apertada, meus braços envolvendo protetoramente, inutilmente, meu filho.

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Capítulo 2

Ponto de Vista: Helena Soares

Deitada no mármore frio, olhei para os dois rostos retorcidos por um ódio tão profundo que parecia sugar o próprio ar da sala. Um terror primitivo, frio e agudo, me dominou. Não era por mim. Era pela pequena vida pulsante dentro de mim. Meu bebê.

"O bebê... é do Augusto", engasguei, as palavras com gosto de sangue e medo. "Caio, você tem que me ouvir-"

Ele não me deixou terminar. Ele caminhou até a grande mesa de entrada, pegou um pesado vaso de cristal – um presente de Augusto – e o espatifou no chão. Cacos de vidro explodiram pelo mármore como confete mortal.

"Não se atreva a pronunciar o nome dele", Caio rugiu, o peito arfando. Ele pegou um punhado dos pedaços maiores e irregulares. "Você tem alguma ideia do que passamos? Comendo comida estragada, morando num apartamento de um cômodo com ratos, enquanto você estava aqui, dormindo em lençóis de seda!"

Ele se agachou, forçando meu queixo para cima com uma mão enquanto a outra trazia o vidro afiado para minha boca. "Você quer conversar? Tudo bem. Coma isso."

Ele enfiou o vidro na minha boca.

O mundo se dissolveu em uma cacofonia de dor. As bordas afiadas como navalhas cortaram meus lábios, minha língua, o interior das minhas bochechas. Uma onda de náusea subiu pela minha garganta, mas eu não conseguia vomitar, não conseguia respirar. O gosto metálico do meu próprio sangue preencheu meus sentidos.

Tentei levantar uma mão, arranhar seu rosto, empurrá-lo para longe, mas era como se mover debaixo d'água. Meus membros estavam pesados, inúteis.

Então, uma nova dor excruciante. O salto agulha de sola vermelha de Jéssica desceu com força sobre minha mão estendida, prendendo-a no chão. Ouvi um estalo doentio, e uma agonia incandescente subiu pelo meu braço.

Um grito se formou na minha garganta, mas ficou preso, silenciado pelo vidro e pelo sangue. Lágrimas escorriam pelo meu rosto, borrando seus rostos demoníacos em um quadro grotesco.

Caio finalmente afastou a mão, um olhar de satisfação sombria no rosto. Ele cuspiu no chão ao lado da minha cabeça. "É isso que prostitutas mentirosas ganham."

Meu corpo inteiro tremia com uma dor tão imensa que parecia que eu estava me partindo. Mas então, meu olhar caiu sobre Jéssica. Ela estava movendo o pé, lenta e deliberadamente. O salto fino e pontudo de seu sapato pairava diretamente sobre a curva da minha barriga.

Um novo tipo de terror, uma rajada ártica de pavor, congelou o sangue em minhas veias.

"Não", a palavra foi um sussurro mutilado e sangrento. "Por favor... o bebê não."

Com uma força que eu não sabia que possuía, eu me lancei, minha mão esmagada esquecida. Enrolei meus dedos em seu tornozelo fino, meu aperto uma morsa desesperada de ferro. Eu morreria antes de deixá-la machucar meu filho.

Este bebê não era apenas um desejo. Foram três anos de esperança silenciosa e decepções esmagadoras. Três anos de exames invasivos, procedimentos dolorosos e conversas sussurradas com especialistas que todos diziam a mesma coisa: o acidente de Augusto havia deixado suas chances de ter um filho perto de zero. Esta gravidez era um milagre. Uma chance em um milhão que trouxe uma luz aos olhos reservados de Augusto que eu nunca tinha visto antes. Este bebê era nosso tudo.

Jéssica me olhou com desdém, o lábio curvado em nojo. "Olhe para você. Como uma cadela protegendo seus filhotes. É patético."

"Acabe logo com isso, Jéssica", disse Caio impacientemente, limpando a mão ensanguentada nas calças. "Não quero que ninguém descubra que uma Soares deu à luz um bastardo enquanto vivia sob o teto dos Mendonça. É humilhante."

A ordem era explícita. A intenção, monstruosa.

"Livre-se disso."

Minha cabeça balançava para frente e para trás, um gesto frenético e inútil. Sangue e saliva escorriam do meu queixo, misturando-se com os detritos no chão. Tentei falar, gritar, fazê-los entender o erro catastrófico que estavam cometendo.

Finalmente, com um esforço de revirar o estômago, consegui cuspir os cacos de vidro. O alívio foi instantaneamente substituído por uma necessidade desesperada de fazê-los me ouvir.

"Augusto", solucei, o nome rasgando minha garganta ferida. "O bebê é do Augusto! Ele é o pai!"

Olhei do semblante incrédulo de Caio para o sorriso zombeteiro de Jéssica, meu coração afundando a cada batida. "Estou dizendo a verdade. É o filho dele. Seu sobrinho."

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Capítulo 3

Ponto de Vista: Helena Soares

Por um segundo fugaz, um lampejo de incerteza cruzou o rosto de Caio. Ele congelou, os olhos arregalados.

Então, ele jogou a cabeça para trás e soltou uma gargalhada selvagem e insana que ecoou pelos tetos altos. Era o som da loucura.

"Augusto?", ele finalmente ofegou, enxugando uma lágrima de alegria do olho. "Você realmente é uma vadia desesperada e mentirosa. Não poderia ter escolhido uma pessoa pior para nomear."

Ele se inclinou, o rosto a centímetros do meu, o hálito quente e azedo. "Todo mundo sabe, Helena. Todo mundo. Meu irmão é estéril. O acidente de carro de dez anos atrás cuidou disso. Ele tem sido um homem morto-vivo desde então, incapaz de produzir um herdeiro. Eu", ele apontou um polegar para o peito, "sou o único que pode continuar a linhagem dos Mendonça."

Jéssica assentiu avidamente, seus olhos brilhando com malícia. "Ele está certo. Como ousa arrastar um homem bom como Augusto para suas mentiras imundas? Ele te deu abrigo, e é assim que você o paga? Alegando que seu bastardo é dele?"

Eu vi então. Suas mentes estavam fechadas, seladas por anos de conhecimento público e sua própria ganância desesperada. Discutir era inútil. Era como argumentar com um furacão. Só os deixaria mais irritados, mais violentos.

Minha única prioridade era meu bebê. Eu tinha que sobreviver. Eu tinha que protegê-lo.

Parei de lutar, deixando meu corpo amolecer no chão. "É verdade", sussurrei, minha voz rouca. "É filho do Augusto."

Tive uma última ideia desesperada. "Deixe-me... deixe-me ligar para ele. Deixe-me ligar para o Augusto. Ele mesmo vai te dizer."

Um fio de esperança se acendeu em meu peito. Se eu pudesse apenas colocar Augusto no telefone, este pesadelo acabaria. Ele cairia sobre eles com toda a força de sua fúria silenciosa, e eles não seriam nada mais que poeira.

Tateei o bolso do meu vestido, meus dedos se fechando ao redor do metal frio do meu celular.

Antes que eu pudesse tirá-lo, o pé de Caio se esticou, chutando o celular da minha mão. Ele deslizou pelo chão de mármore.

"Acho que não", ele debochou. "Você não vai ligar para ninguém. Você não vai conseguir que meu irmão te acoberte para que você possa colocar as mãos no meu dinheiro."

Ele caminhou até o celular e pisou nele com um estalo doentio. A tela se estilhaçou e depois ficou preta.

Minha esperança se quebrou junto com ela.

"Não", implorei, balançando a cabeça enquanto o último vestígio de minha força se esvaía. "Não é pelo dinheiro. Eu não quero nada disso. Apenas... apenas me deixe ir."

Mas eles não estavam ouvindo. Estavam perdidos em sua própria narrativa distorcida.

Os olhos de Jéssica se estreitaram, uma cruel percepção surgindo em seu rosto. "Ela não vai desistir, Caio. Enquanto essa coisa estiver dentro dela, ela continuará lutando por isso. Ela continuará tentando fazê-lo passar por um Mendonça."

Ela olhou para o pé, ainda pairando sobre minha barriga. Então ela olhou para Caio, uma pergunta silenciosa e cruel passando entre eles.

Ele deu um aceno de cabeça curto e decisivo.

O salto agulha de sola vermelha desceu. O salto pontudo cravou em meu abdômen com força brutal e calculada.

Um grito, primitivo e cru, rasgou minha garganta. Era um som de agonia além de qualquer coisa que eu já conhecera. Um fogo irrompeu em meu útero, uma dor dilacerante que fez o golpe no meu rosto e os ossos esmagados na minha mão parecerem memórias distantes.

Sob o salto, senti um tremor frenético e aterrorizado. Meu bebê. Meu filho. Ele estava se debatendo, convulsionando em uma agonia silenciosa própria.

Minha visão se afunilou. O teto dourado, os rostos cruéis, tudo se desvaneceu em um ponto preto. Tudo o que existia era a dor e os movimentos desesperados e desvanecentes do meu filho.

Levantei a cabeça, meus olhos se fixando nos de Jéssica. "Por favor", implorei, a palavra um soluço quebrado. "Não mate meu bebê. Eu faço qualquer coisa."

Jéssica sorriu, uma curva lenta e triunfante de seus lábios. "Qualquer coisa?", ela ronronou.

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