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O Preço da Fachada

O Preço da Fachada

Autor:: Gay Parodi
Gênero: Romance
O casamento de Maria da Luz e Pedro, arquiteto renomado, parecia um conto de fadas, um símbolo de sucesso e bom gosto. No entanto, por trás da fachada perfeita, a vida de Maria era um vazio preenchido apenas pelos aromas de sua cozinha e por um amor não correspondido. Uma noite, vozes alteradas vindas do escritório de Pedro revelaram uma verdade chocante: seu casamento era uma farsa, um escudo para Pedro esconder uma relação proibida e obsessiva com sua meia-irmã, Sofia. Maria, usada e aniquilada, viu sua vida desmoronar, seu amor transformado em uma piada cruel, suas memórias de uma união feliz virarem pó. Pedro, cego por sua paixão doentia, não hesitou em abandonar Maria, gravemente ferida, à mercê dos caprichos e da crueldade de Sofia. Acusações falsas, destruição de suas heranças e até uma sessão de tortura brutal nas mãos de Pedro marcaram o fim de sua inocência. Maria, antes ingênua, agora tinha em seus olhos apenas as cinzas de um amor traído e a determinação gélida de uma mulher em busca de justiça. Após ser abandonada para morrer e testemunhar a cumplicidade de Pedro na morte de sua leal governanta, Maria, com o coração em pedaços e o corpo marcado, decidiu que era hora de reescrever seu próprio final. Ao ser resgatada e acolhida por sua família, Maria emergiu das trevas, renascendo com uma força inabalável, pronta para se vingar e recuperar o que lhe havia sido roubado. O caminho para sua libertação seria pavimentado com a ruína daqueles que a feriram, custe o que custar.

Introdução

O casamento de Maria da Luz e Pedro, arquiteto renomado, parecia um conto de fadas, um símbolo de sucesso e bom gosto.

No entanto, por trás da fachada perfeita, a vida de Maria era um vazio preenchido apenas pelos aromas de sua cozinha e por um amor não correspondido.

Uma noite, vozes alteradas vindas do escritório de Pedro revelaram uma verdade chocante: seu casamento era uma farsa, um escudo para Pedro esconder uma relação proibida e obsessiva com sua meia-irmã, Sofia.

Maria, usada e aniquilada, viu sua vida desmoronar, seu amor transformado em uma piada cruel, suas memórias de uma união feliz virarem pó.

Pedro, cego por sua paixão doentia, não hesitou em abandonar Maria, gravemente ferida, à mercê dos caprichos e da crueldade de Sofia.

Acusações falsas, destruição de suas heranças e até uma sessão de tortura brutal nas mãos de Pedro marcaram o fim de sua inocência.

Maria, antes ingênua, agora tinha em seus olhos apenas as cinzas de um amor traído e a determinação gélida de uma mulher em busca de justiça.

Após ser abandonada para morrer e testemunhar a cumplicidade de Pedro na morte de sua leal governanta, Maria, com o coração em pedaços e o corpo marcado, decidiu que era hora de reescrever seu próprio final.

Ao ser resgatada e acolhida por sua família, Maria emergiu das trevas, renascendo com uma força inabalável, pronta para se vingar e recuperar o que lhe havia sido roubado.

O caminho para sua libertação seria pavimentado com a ruína daqueles que a feriram, custe o que custar.

Capítulo 1

O casamento de Maria da Luz e Pedro era, para todos os efeitos, a união perfeita. Ela, uma jovem chef de cozinha em ascensão, cheia de paixão e talento, dona de um restaurante que começava a fazer nome na cidade. Ele, um arquiteto renomado e charmoso, herdeiro de uma família tradicional, com um portfólio de projetos que estampava as capas das revistas mais importantes. A casa onde moravam, projetada por ele, era uma obra de arte moderna, com linhas limpas, vidro e concreto, um santuário de bom gosto que refletia o sucesso do casal.

Mas dentro daquelas paredes perfeitas, a vida de Maria da Luz era um silêncio frio. Pedro era distante, um fantasma elegante que passava por ela nos corredores, sempre imerso em seu trabalho, em seus pensamentos. O casamento deles, que para o mundo era um conto de fadas, para ela era um longo e solitário corredor. Ela tentava preencher o vazio com os aromas e sabores de sua cozinha, preparando jantares elaborados que ele mal tocava, criando sobremesas que ele nunca provava. O amor dela era uma refeição completa servida a uma mesa vazia.

Naquela noite, o silêncio foi quebrado. Maria da Luz estava na cozinha, testando uma nova receita, quando ouviu vozes alteradas vindo do escritório de Pedro, o único lugar da casa que era seu território exclusivo. A porta geralmente estava fechada, mas hoje, uma fresta se abria, e de lá vazava uma discussão que fez o sangue de Maria gelar.

Ela se aproximou devagar, sem fazer barulho. As vozes eram de Pedro e de sua meia-irmã, Sofia, a bailarina delicada e frágil que Pedro protegia com uma ferocidade que sempre pareceu excessiva a Maria.

"Você não pode fazer isso, Sofia!" A voz de Pedro era dura, cheia de uma angústia que Maria nunca tinha ouvido antes. "Você não pode me deixar."

"Eu preciso, Pedro. Isso... isso não está certo." A voz de Sofia era um sussurro trêmulo, carregado de medo. "As pessoas estão começando a desconfiar. Maria... ela olha para nós de um jeito estranho."

"Que se dane a Maria!" Pedro explodiu, e o copo que Maria segurava tremeu em sua mão. "Ela não é nada. Ela é apenas uma fachada, uma ferramenta para que possamos ficar juntos sem que o mundo nos condene. Eu só me casei com ela por você, para te proteger, para te manter perto de mim!"

O copo escorregou dos dedos de Maria e se espatifou no chão de mármore. O barulho foi alto, mas abafado pelo som do seu próprio coração se partindo.

Ela recuou, tropeçando nos próprios pés, a respiração presa na garganta. Então era isso. Seu casamento, sua vida, seu amor... tudo uma farsa. Um artifício. Uma fachada para esconder a relação doentia e obsessiva de Pedro com a própria irmã.

Lágrimas quentes escorreram por seu rosto enquanto as memórias a assaltavam. O dia do casamento, ela com seu vestido branco, o véu cobrindo seu rosto sorridente e esperançoso. Ela se lembrava de olhar para Pedro no altar, tão bonito, tão sério, e pensar que era a mulher mais sortuda do mundo. Ele não a amava, ela sabia, mas ela era ingênua, acreditava que com o tempo, com seu cuidado e sua dedicação, ela poderia conquistá-lo.

Ela se lembrou das noites em que ele ficava no escritório até tarde, e ela levava chá para ele, apenas para ser recebida com um olhar frio e um "obrigado" monossilábico. Lembrou-se de todas as vezes que ela tentou iniciar uma conversa, compartilhar seu dia, e ele simplesmente a ignorava, os olhos fixos na tela do computador ou no rosto de Sofia, quando a irmã os visitava.

Agora, a frieza dele fazia sentido. A distância, o descaso. Ele não a via como esposa, ele a via como um objeto, um escudo para seu amor proibido. A dor era física, uma pontada aguda em seu peito que a deixou sem ar. Ela tinha sido tão tola.

Ela se lembrou do dia em que o conheceu, em uma galeria de arte. Ele estava parado diante de uma pintura, tão absorto que parecia fazer parte da obra. Ela, uma jovem chef ainda desconhecida, sentiu o coração disparar. Ele era como um deus grego, inalcançável. Mas ela se atreveu a falar com ele, a elogiá-lo por um projeto que vira numa revista. Ele sorriu, um sorriso charmoso que a desarmou completamente.

Depois daquele dia, ela o procurou com a desculpa de querer que ele projetasse seu novo restaurante. Ela ia às reuniões com o coração na mão, escolhendo a roupa com cuidado, ensaiando o que dizer. Ele era sempre profissional, educado, mas ela via aquilo como um desafio. Ela o conquistaria. E quando ele a pediu em casamento, meses depois, ela pensou que tinha vencido.

Que piada cruel.

Ele nunca a quis. Ele nunca a olhou como olhava para Sofia. Com Sofia, ele ria. Com Sofia, seus olhos brilhavam. Para ela, ele só tinha indiferença. Ele falava com ela sobre o tempo, sobre notícias sem importância. Com Sofia, ele compartilhava segredos em sussurros, olhares que duravam tempo demais, toques que pareciam casuais, mas que agora Maria via como eram carregados de significado.

Sua vida inteira nos últimos dois anos tinha sido uma mentira elaborada por ele. E ela, a protagonista ingênua, tinha desempenhado seu papel perfeitamente, sem nunca suspeitar da verdade sombria que se escondia sob a superfície daquela família perfeita. A dor da descoberta era avassaladora, uma onda de desespero e raiva que a engoliu por inteiro.

Capítulo 2

Pedro saiu do escritório com Sofia, o braço dele possessivamente ao redor dos ombros dela. Ele nem olhou para Maria, ajoelhada no chão entre os cacos de vidro, o rosto banhado em lágrimas. Ele apenas passou por ela, guiando Sofia para fora da casa, para o carro que esperava na entrada. Ele a estava levando para longe, para protegê-la. E Maria, a esposa, a dona da casa, foi deixada para trás naquele cenário de perfeição e ruína, o coração completamente morto.

A casa ficou em um silêncio mortal. O som do carro de Pedro se afastando foi a última pá que jogou terra sobre o caixão de suas esperanças.

Horas depois, Clara, sua melhor amiga e sócia no restaurante, a encontrou. A porta da frente estava destrancada. Clara entrou chamando por ela, e a encontrou no mesmo lugar, sentada no chão da cozinha, os olhos vermelhos e vazios, olhando para o nada. Ela parecia um fantasma, uma casca vazia.

"Maria! Meu Deus, o que aconteceu?" Clara correu até ela, o pânico em sua voz.

Maria não respondeu. Ela apenas olhava para frente, como se estivesse vendo uma cena que mais ninguém podia ver. Clara a abraçou, tentando trazê-la de volta à realidade, mas Maria estava longe, perdida no deserto de sua dor.

Pedro voltou na manhã seguinte. Ele entrou em casa e viu Maria sentada no sofá da sala, com Clara ao seu lado. Ele não perguntou o que havia acontecido. Ele não perguntou se ela estava bem. Seu rosto estava frio, seus olhos eram duas lascas de gelo.

"O que você fez para assustar a Sofia?" ele perguntou, a voz cortante. Ele a culpava. Ele sempre a culparia.

Maria finalmente levantou a cabeça. Seus olhos, antes cheios de amor e admiração por ele, agora continham apenas cinzas.

"Eu a assustei?" ela repetiu, a voz rouca. "Eu não fiz nada, Pedro. Eu só existo."

"Não seja cínica," ele disse, aproximando-se. "Sofia estava em pânico. Ela disse que você a estava espionando, que a olhava com ódio. Por sua causa, ela quase teve uma crise."

Clara se levantou, pronta para defender a amiga, mas Maria fez um gesto para que ela se sentasse.

"Eu ouvi a conversa de vocês," Maria admitiu, a voz baixa, mas firme.

O rosto de Pedro se contraiu. Por um instante, uma emoção que não fosse frieza passou por seus olhos, talvez surpresa, talvez raiva.

"Você não tinha o direito."

"Eu não tinha o direito de saber que meu casamento é uma farsa?"

Pedro soltou uma risada curta e sem humor. "Se você continuar com esse drama, eu juro, Maria, vou tornar sua vida um inferno. Um inferno muito pior do que você imagina."

A ameaça pairou no ar, fria e pesada. Naquele momento, qualquer resquício de sentimento que Maria pudesse ter por ele se desfez como fumaça. Ela olhou para o homem à sua frente, o homem que um dia amara tanto que doía, e sentiu apenas um vazio gelado. E então, para sua própria surpresa, ela riu. Riu até as lágrimas escorrerem novamente, mas desta vez, não eram lágrimas de dor. Eram lágrimas de libertação.

"Acabou, Pedro," ela disse, a voz subitamente calma. "Nosso casamento. Acabou."

Ele a encarou, os olhos semicerrados, como se não acreditasse no que estava ouvindo. Ele, o grande Pedro, sendo dispensado? A ideia era absurda para ele.

Naquela mesma tarde, enquanto Pedro estava fora, Maria começou a fazer as malas. Ela não levaria nada que ele tivesse lhe dado. Apenas suas roupas, seus livros de culinária e seus pertences pessoais. Foi quando ela percebeu que algo estava faltando. Sua coleção de facas de chef, uma herança de sua mãe, a única coisa de valor sentimental que ela realmente possuía. Elas não estavam no lugar de sempre.

Um calafrio percorreu sua espinha. Ela vasculhou a cozinha, o armário, todos os lugares possíveis. Nada.

Neuza, a governanta leal que trabalhava para a família de Maria há anos e viera com ela após o casamento, entrou no quarto e a viu em desespero.

"O que foi, minha querida?"

"Minhas facas, Neuza. As facas da mamãe. Elas sumiram."

Neuza hesitou por um momento, o rosto preocupado. "Senhora, eu não queria dizer nada, mas... ontem à tarde, eu vi a Dona Sofia saindo da cozinha. Ela parecia... apressada."

A suspeita se confirmou no coração de Maria. Sofia. Ciumenta, mimada e, aparentemente, cruel.

Maria respirou fundo. Ela não ia deixar isso passar. As facas eram tudo o que restava de sua mãe. Ela pegou o telefone e ligou para a mansão da família de Pedro. Ela não falaria com Pedro. Ela iria direto ao topo.

"Dona Eleonora," ela disse quando a avó de Pedro atendeu. "Preciso falar com a senhora. É sobre a Sofia. E sobre algo que ela me roubou."

Meia hora depois, Maria estava na imensa e opulenta mansão dos Valente, a família de Pedro. Dona Eleonora, a matriarca de cabelos brancos e postura impecável, a recebeu com uma expressão de desaprovação. Ela a levou até o quarto de Sofia.

Sofia estava na cama, parecendo pálida e doente, uma performance perfeita de fragilidade. O quarto era um santuário de feminilidade, todo em tons de rosa e branco. Maria entrou, os olhos varrendo cada canto.

E então ela viu. O closet de Sofia estava entreaberto. E debaixo de uma pilha de suéteres de caxemira, o canto de um estojo de couro familiar se projetava. Mas não foi isso que prendeu sua atenção. Foi o cheiro. O perfume caro e amadeirado que Pedro usava. Estava forte ali, impregnado no ar. E na poltrona ao lado da cama, jogada de qualquer maneira, estava a jaqueta que ele usara na noite anterior.

Ele estava ali. Escondido. Provavelmente no banheiro anexo. O pensamento a encheu de uma raiva tão fria e cortante quanto as facas que procurava. Eles a estavam tratando como uma idiota completa.

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