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O Projeto Roubado: Um Amor Destruído

O Projeto Roubado: Um Amor Destruído

Autor:: Jessica
Gênero: Moderno
A tela do tablet brilhava no escuro do apartamento, revelando a manchete que selaria meu destino. "Jovem Talento Pedro Revela Projeto Inovador e Garante Estágio com a Renomada Arquiteta Dona Clara." Abaixo da foto sorridente do calouro Pedro, estava o MEU projeto, o fruto de três anos da minha vida, e meu nome, um mero "assistente de pesquisa" em letras minúsculas. Minha noiva, Ana, lixava as unhas sentada na cama, indiferente à bomba que acabara de explodir em minhas mãos. "O que é isso, Ana? O MEU projeto?" explodi, mas ela me olhou com uma calma irritante, como se eu fosse uma criança fazendo birra. "É só um projeto, Miguel. Você é talentoso, pode fazer outro," ela disse, as palavras me atingindo como pedras. A fúria subiu. Não era "só um projeto". Era meu sonho, minha chance de trabalhar com Dona Clara – e ela o entregou a outro, dizendo que era "para ajudar alguém que precisava mais". A manipulação em sua voz, as mentiras que começavam a se desvendar, o projeto estraçalhado em minhas mãos após jogá-lo contra a parede. Então a voz dela: "Eu amo o Pedro!" Essa confissão foi o golpe final. A traição era profunda demais para ser curada. Meu coração se quebrou, mas a raiva, que antes me cegava, agora me impulsionava. Não era apenas meu projeto, era minha alma que ela tentava apagar. Eu não era mais o tolo apaixonado. Estava pronto para lutar. Eu peguei meu telefone, meus dedos tremendo enquanto discava o número do meu pai.

Introdução

A tela do tablet brilhava no escuro do apartamento, revelando a manchete que selaria meu destino.

"Jovem Talento Pedro Revela Projeto Inovador e Garante Estágio com a Renomada Arquiteta Dona Clara."

Abaixo da foto sorridente do calouro Pedro, estava o MEU projeto, o fruto de três anos da minha vida, e meu nome, um mero "assistente de pesquisa" em letras minúsculas.

Minha noiva, Ana, lixava as unhas sentada na cama, indiferente à bomba que acabara de explodir em minhas mãos.

"O que é isso, Ana? O MEU projeto?" explodi, mas ela me olhou com uma calma irritante, como se eu fosse uma criança fazendo birra.

"É só um projeto, Miguel. Você é talentoso, pode fazer outro," ela disse, as palavras me atingindo como pedras.

A fúria subiu. Não era "só um projeto". Era meu sonho, minha chance de trabalhar com Dona Clara – e ela o entregou a outro, dizendo que era "para ajudar alguém que precisava mais".

A manipulação em sua voz, as mentiras que começavam a se desvendar, o projeto estraçalhado em minhas mãos após jogá-lo contra a parede.

Então a voz dela: "Eu amo o Pedro!"

Essa confissão foi o golpe final. A traição era profunda demais para ser curada.

Meu coração se quebrou, mas a raiva, que antes me cegava, agora me impulsionava.

Não era apenas meu projeto, era minha alma que ela tentava apagar.

Eu não era mais o tolo apaixonado. Estava pronto para lutar.

Eu peguei meu telefone, meus dedos tremendo enquanto discava o número do meu pai.

Capítulo 1

A tela do tablet brilhava no escuro do nosso apartamento, a única luz acesa. Meus olhos estavam fixos na manchete da revista de arquitetura mais conceituada do país.

"Jovem Talento Pedro Revela Projeto Inovador e Garante Estágio com a Renomada Arquiteta Dona Clara."

Abaixo da manchete, uma foto. Pedro, um calouro que eu mal conhecia, sorria com arrogância, e ao lado dele, o meu projeto. O projeto que consumiu três anos da minha vida. Meu nome estava lá, no final do artigo, em letras minúsculas, listado como um mero "assistente de pesquisa".

Meu sangue gelou.

Eu levantei do sofá, o tablet na mão, e caminhei até o nosso quarto. Ana, minha noiva, minha namorada desde a infância, estava sentada na cama, lixando as unhas como se nada tivesse acontecido.

Ela ergueu os olhos, sorrindo.

"Oi, amor. Cansado?"

Eu não respondi. Apenas virei a tela do tablet para ela.

O sorriso dela vacilou por um segundo, mas logo se recompôs.

"Ah, você viu. Que bom, não é? O Pedro conseguiu."

A calma dela era um tapa na minha cara.

"O que é isso, Ana?" minha voz saiu rouca, um sussurro cheio de incredulidade.

"É o artigo sobre o projeto," ela disse, voltando a lixar a unha com uma concentração irritante. "O Pedro precisava muito desse estágio. Você sabe como a família dele é simples. Essa era a única chance dele."

"O projeto? O MEU projeto?" eu finalmente explodi, minha voz ecoando pelo quarto. "O projeto em que eu trabalhei por três anos? O projeto que eu ia apresentar para a Dona Clara?"

Ana suspirou, largando a lixa de unha. Ela me olhou com uma ponta de impaciência, como se eu fosse uma criança fazendo birra.

"Miguel, não seja dramático. É só um projeto. Você é o estudante mais talentoso da nossa turma, todo mundo sabe disso. Você pode criar outro, talvez até melhor."

Suas palavras me atingiram como pedras.

"Fazer outro?" eu ri, um som amargo e sem alegria. "Você está me ouvindo? Três anos, Ana. TRÊS ANOS. Esse não era 'só um projeto'. Era a minha vida. Era a minha chance de trabalhar com a Dona Clara, meu sonho desde que eu era criança."

"E o sonho do Pedro não conta?" ela rebateu, o tom de voz subindo. "Ele precisava disso mais do que você! Você tem tudo, Miguel. Seus pais são arquitetos famosos, você nunca precisou se preocupar com nada."

"Isso não te dava o direito!" eu gritei, avançando um passo. "Você pegou o meu trabalho, o meu futuro, e deu para outra pessoa como se não fosse nada!"

Ela se levantou, me enfrentando.

"Eu fiz o que era preciso para ajudar alguém que eu me importo. Alguém que precisava. Você está sendo egoísta."

A palavra "egoísta" me deixou sem ar. A manipulação era tão descarada, tão cruel, que por um momento eu não soube como reagir.

Meus olhos correram pelo quarto e pousaram na prateleira ao lado da porta. Lá estava ela. A maquete final do projeto. A representação física de cada noite mal dormida, de cada gota de suor.

Uma fúria cega tomou conta de mim.

Eu marchei até a prateleira, peguei a maquete com as duas mãos e, sem pensar duas vezes, a arremessei contra a parede.

O som do acrílico e da madeira se estilhaçando foi ensurdecedor. Pedaços do meu sonho voaram por todo o quarto.

Ana gritou, mais de surpresa do que de medo.

Eu me virei para ela, o peito subindo e descendo, a respiração ofegante.

"Três anos," eu disse, a voz tremendo de raiva. "Eu passei seis meses só pesquisando os materiais sustentáveis que usei. Eu construí cada viga daquela maquete com as minhas próprias mãos, fiquei até de madrugada colando peças minúsculas enquanto você dormia. Recusei festas, viagens, tempo com meus amigos... tudo por essa merda de projeto."

Eu apontei para os destroços no chão.

"Isso aí não era só um trabalho de faculdade. Era a minha alma. E você deu de presente."

O rosto de Ana estava pálido, mas a expressão de desafio ainda estava lá.

"Você está exagerando, Miguel. Foi só uma ajuda."

"Ajuda?" eu peguei meu celular do bolso, abri a galeria e mostrei a ela uma foto que eu tinha tirado do e-mail de recomendação. "E isso? Essa assinatura na carta de recomendação para o Pedro... Você falsificou. Você usou meu nome para validar a sua mentira."

Pela primeira vez, vi um lampejo de pânico nos olhos dela. A fachada de calma começou a rachar.

Eu me aproximei, baixando a voz para um tom gélido e ameaçador.

"Você tem até amanhã para ir até a universidade, até a revista, e contar a verdade. Você vai retratar essa farsa publicamente e garantir que meu nome seja colocado como o autor principal deste projeto."

Ela engoliu em seco. "Miguel, não faça isso. Você vai destruir a carreira do Pedro antes mesmo de ela começar."

"Você já destruiu a minha," eu retruquei. "A escolha é sua, Ana. Ou você conserta a merda que fez, ou eu vou fazer isso por você. E eu juro, você não vai gostar do meu jeito."

Capítulo 2

No dia seguinte, Ana me procurou. Seus olhos estavam vermelhos e inchados, e ela parecia genuinamente arrependida.

Ela me abraçou, chorando no meu ombro.

"Me desculpa, amor. Me desculpa. Eu fui uma idiota, eu não pensei direito. Eu vou consertar tudo, eu juro."

Uma parte de mim, a parte que a amava desde os sete anos de idade, queria acreditar nela. Eu a segurei, sentindo um alívio hesitante.

"Você vai falar com a Professora Lúcia? E com a revista?" eu perguntei.

"Sim, sim," ela disse entre soluços. "Vou fazer tudo o que você pediu. Vou dizer que houve um erro de digitação, que os nomes foram trocados. Vou resolver."

Eu acreditei. Eu estupidamente acreditei.

Dois dias depois, uma nova versão do artigo foi publicada online. Fui checar, o coração batendo forte de ansiedade e esperança.

A esperança morreu no instante em que li.

O nome de Pedro ainda era o primeiro. O autor principal. Meu nome agora aparecia ao lado do dele, como "co-autor". Não era a verdade. Não era justiça. Era um insulto. Um novo nível de manipulação.

Ela não resolveu nada. Ela apenas me jogou uma migalha para me calar.

Quando fui para a universidade naquele dia, os olhares eram diferentes. Ouvi sussurros nos corredores.

"Olha lá o Miguel. Ficou com inveja do calouro e forçou a namorada a colocá-lo como co-autor."

"Que cara patético. Não consegue aceitar que alguém mais novo é melhor que ele."

"Soube que ele fez um escândalo, quebrou a maquete toda. A Ana ficou morrendo de vergonha."

A narrativa dela tinha se espalhado como um vírus. Eu não era a vítima, era o vilão. O namorado ciumento e abusivo que não suportava o sucesso alheio.

A raiva que senti antes não era nada comparada à fúria gelada que tomou conta de mim. Ela não apenas roubou meu trabalho, ela estava ativamente destruindo minha reputação, me pintando como um monstro para proteger a si mesma e seu protegido.

Naquela noite, meu pai me ligou.

"Miguel, filho? A Dona Clara me ligou hoje."

Meu coração parou. Dona Clara era amiga dos meus pais há décadas. Era por isso que meu sonho era tão palpável.

"O que ela disse?" perguntei, a boca seca.

"Ela estava... confusa. Mencionou um projeto de um jovem chamado Pedro e disse que viu seu nome como co-autor. Ela perguntou se você estava fazendo mentoria para os calouros." A voz do meu pai era cautelosa. "Ela disse que ficou um pouco decepcionada, que esperava que você estivesse focado em algo grandioso para o seu projeto final."

O mundo pareceu desabar. Ana não só me roubou o projeto, ela me fez parecer pequeno aos olhos da minha ídolo.

"Pai," eu disse, a voz firme. "Eu preciso que você e a mamãe não se envolvam. Não falem com a Dona Clara sobre isso. Eu vou resolver."

"Filho, se algo está errado, nós podemos ajudar. Uma ligação e..."

"Não," eu o interrompi. "Eu preciso fazer isso sozinho. Por favor. Confie em mim."

Houve um silêncio na linha, e então meu pai disse, "Tudo bem, Miguel. Nós confiamos em você."

Desliguei o telefone e senti uma nova determinação. Ela queria jogar sujo? Ótimo. Eu sabia jogar também.

Passei o resto da noite reunindo tudo. E-mails trocados com a Professora Lúcia ao longo de três anos, onde eu detalhava cada passo do meu progresso. Fotos datadas do desenvolvimento da maquete, desde os primeiros esboços até a versão final. Meus cadernos de anotações, cheios de cálculos e pesquisas. E, o mais importante, o arquivo original do projeto no meu computador, com metadados que provavam que ele foi criado e modificado por mim ao longo de três anos.

Eu criei um post longo e detalhado em um fórum online de arquitetura muito popular no Brasil. Eu não usei um tom emotivo. Usei um tom factual, frio e cirúrgico.

"Assunto: Esclarecimento sobre a autoria do projeto 'Habitação Sustentável em Áreas Urbanas Densas'."

No post, eu me apresentei e expliquei a situação de forma cronológica. E então, eu anexei tudo. Cada e-mail. Cada foto. Cada página de anotação. E um link para um vídeo onde eu navegava pelos metadados do arquivo original.

Eu não acusei Ana diretamente de roubo. Eu apenas apresentei os fatos e terminei com uma frase simples: "Deixo que a comunidade tire suas próprias conclusões sobre a verdadeira autoria deste trabalho."

Apertei "publicar". E esperei.

Não demorou muito. Em poucas horas, o post explodiu. Arquitetos, estudantes e professores de todo o país começaram a comentar. A maré começou a virar.

"As evidências são irrefutáveis."

"Como a universidade permitiu isso?"

"Esse calouro, Pedro, deveria ser expulso."

Ana tentou responder. Ela e Pedro criaram contas no fórum e postaram uma defesa fraca, dizendo que eu era um ex-namorado ressentido e que as "evidências" eram forjadas.

Mas eles não tinham nada. Nenhuma prova. Nenhuma anotação. Nenhum arquivo. Apenas palavras vazias contra a montanha de dados que eu havia apresentado.

O escândalo cresceu tanto que a reitoria da universidade não pôde mais ignorar.

Dois dias depois, recebi um e-mail oficial.

"Prezado Sr. Miguel, solicitamos sua presença para uma reunião com a orientadora Professora Lúcia e a diretoria do curso de Arquitetura para discutir os recentes acontecimentos."

Eu sorri. Era a minha chance.

Mas quando cheguei na sala de reuniões, a pessoa sentada ao lado da diretora não era a Professora Lúcia.

Era a Dona Clara. E ela não parecia nada feliz.

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