O REGRESSO
Capítulo 01
Quinze de julho de 2000.
A marinha Brasileira recrutou seus melhores oficiais. Missão: expedição científica, Antártida, polo sul.
Levou quase um ano, a montagem das instalações apropriadas para o evento.
Objetivo da missão: Testar equipamentos brasileiro, elétricos e eletrônicos à baixa temperatura. Farão parte das equipes internacionais que estudam o efeito estufa no Planeta, bem como, o derretimento das calotas polares. Esta é a versão oficial que se comenta.
Há anos que os países de primeiro mundo desenvolvem experiências tecnológicas nesta região. O governo Brasileiro, se sente no direito e obrigação de fazer parte e acompanhar estas pesquisas.
Na verdade, o Brasil já está estalado e foi construída uma nova, para esta nova missão.
Vinte e cinco de junho de 2001.
A equipe está pronta. Fazem parte os seguintes militares: Capitão de mar e guerra Azevedo- comandante da missão.
1º tenente Ródson- biólogo, Especialista em vidas marinhas.
1º tenente Émerson- engenheiro eletrônico.
2º tenente Ohana- bióloga, especialista em flora, fauna e climatização.
2ºtenente Caio- comunicações e resgate. E por fim, o 1ºsargento Eduardo, cozinheiro da missão, será ele o responsável por seis meses, de cuidar do estômago da equipe.
Capitão Azevedo, homem rígido na conduta militar, foi escolhido a dedo pelo o alto comando.
Tem trinta e dois anos de idade, formado em vários cursos na Europa e Estados Unidos.
Entre eles, o de comando tático e inteligência. Está feliz com a missão. É a sua oportunidade de promoção.
Um bom relacionamento com a equipe, fez dele o homem ideal ao comando.
Sala do Comandante Azevedo. Quartel General, Marinha do Brasil, Rio de janeiro.
Seis da manhã, neste dia vinte e cinco, o Comandante passou a noite em claro, ansioso, por ser hoje o dia da viagem.
Formatura e homenagem as sete. Embarque as oito e meia. O dia hoje é corrido.
O Comandante acordou pessoalmente a equipe:
- Vamos lá, é hora de acordar! O tenente Caio, foi o primeiro a dar um pulo da cama, ainda sonolento e espreguiçando, respondeu:
- Bom dia comandante! - Finalmente, hoje é o nosso grande dia !
O Comandante: - É sim, hoje é o nosso grande dia! E o Comandante continuou:
- Bom dia a todos! E não se esqueçam de verificarem os equipamentos, não podemos esquecer nada! O Comandante prossegue : - Atenção para a chamada!
- tenente Ródson! Ródson : - Presente!
- tenente Émerson! Émerson: - presente!
- tenente Caio! Caio: - presente!
- tenente Ohana! - tenente Ohana! - tenente Ohana!..
A tenente Ohana neste momento, entrou correndo no alojamento.
Entrou em forma em um sobre salto e respondeu:
-Presente Comandante!
Continuou a dar explicações: - Fui passar a noite com a família Comandante! Tendo em vista que vou ter que aturar cinco marmanjos por seis meses!
Todos riram, até o Comandante. Eles entenderam a piada, por terem boas relações em equipe, coube a descontração.
O Comandante continuou a chamada: - Sargento Eduardo! Eduardo: - Presente!
O comandante - Estejam preparados para o café e formatura!
A hierarquia, em última palavra é a que conta, porém, a equipe estava unida em clima de missão. Sabiam que a mesma, seria importante e estavam preparados tecnicamente e psicologicamente para o evento.
Todos em boa forma física, ou quase todos... O sargento Eduardo mantinha uma discreta barriga, nada que atrapalhasse o seu desempenho profissional.
Muito bem humorado, nos seus cento e dez quilos, era o contador de piadas do grupo.
Um excelente cozinheiro de vinte e cinco anos, foi bem recomendado pelo o comando a fazer parte da missão. Tenente Ródson tem vinte e sete anos é o músico do grupo, em horas vagas é claro. Gosta de tocar violão e até que canta bem!
Tenente Émerson é o senhor pardal da equipe é também o mais sério.
Está sempre concentrado em algum equipamento eletrônico, tem vinte e seis anos.
A tenente Ohana é do tipo sonhadora e idealista, tem vinte e três anos, cabelos curtos e loiros, olhos azuis, está sempre bem maquiada.
Finalmente, o tenente Caio, também com vinte e três anos, adora futebol e é um dos craques do time do batalhão.
Ohana e Caio, já namoram algum tempo, um pouco antes da formação da equipe.
Pretendem casar-se ao voltarem da missão.
Sete horas da manhã, o batalhão todo já formado.
O Comandante Azevedo, frente ao seu grupo, se põe em forma.
A homenagem é sublime, uniforme de gala tão branco, que ofusca os olhos.
Um dia de céu claro, os familiares dos homenageados todos presentes.
A banda da marinha toca o hino nacional, o coração de todos nesta hora dispara.
Salvas de tiros são dadas.
O grupo do Comandante Azevedo, com o peito estufado de orgulho, presta continência a bandeira e ao comando presente.
Há quase cinquenta anos a Antártida é pesquisada. A estação Comandante Ferraz no polo Sul é ocupada por cerca de quarenta e cinco pessoas, militares muito bem treinados, cada um em sua área.
Foi construída uma nova estação, a quinze quilômetros da Comandante Ferraz, para abrigar esta nova equipe. Ninguém sabe ao certo, porque foi preciso uma nova estação, isto é confidencial. Só o alto comando, tem estas informações.
A nova estação se chama: Almirante Salutares. A equipe do Comandante Azevedo, foi treinada para testar equipamentos eletrônicos e pesquisas biológicas na Antártida.
A viagem será de navio e não de avião, como de costume. Irão testar alguns equipamentos em alto mar. Se sabe que a missão Almirante Salutares, será independente da Comandante Ferraz e fará pesquisas isoladas.
Após formatura, despedidas com os familiares e amigos, a equipe se prepara para a viagem. As lágrimas não se contém, afinal, serão seis meses no mínimo fora de casa.
Com exceção da tenente Ohana e tenente Caio, todos são casados. O tenente Ródson, está em processo de divórcio.
Despedidas feitas, a hora do embarque chegou. Todos os equipamentos a bordo, zarparam.
Capítulo 02
A bordo do grande navio, preparado especialmente para esta missão, o grupo está eufórico.
Com exceção do Comandante Azevedo, nenhum deles tem experiência, em missão tão longe de casa. Principalmente desta magnitude, afinal, estarão em terras inóspitas.
Eduardo assumiu imediatamente o comando da cozinha, mesmo tendo a bordo o cozinheiro oficial. O Comandante é fã do seu tempero.
Enfrentaram uma tempestade, já na primeira semana de viagem, o navio bem equipado, não oferecia nenhum risco a tripulação.
Até porque, se tratava da Marinha do Brasil e uma equipe bem treinada.
Alguns da equipe, sentiram-se mal, principalmente o tenente Émerson que enjoou bastante, os outros se adaptaram rapidamente à viagem.
Sempre que podia, Eduardo contava piadas, às vezes até sem graça, mais todos riam assim mesmo. Ródson, com seu violão, alegrava a cantoria. Havia harmonia entre a equipe com certeza.
Ohana, com uma voz bem afinada, fazia dupla com ele.
Caio só observava, não tinha talento musical.
Émerson, passava mais tempo com a tripulação oficial do navio, procurando adquirir novos conhecimentos de navegação e instrumentação eletrônica de bordo.
O Comandante Azevedo, reunia sempre a equipe para conversar sobre a missão.
Treinavam procedimentos táticos da mesma, fora isto, mantinha-se sempre em suas cabine, estudando o projeto.
Após uma noite de cantorias e piadas, Ohana, alegre, depois de dois copos de vinho, convidou Caio pra dormir com ela. Bebidas alcoólica a borda, neste tipo de missão é permitida, pois a região que eles estão indo é muito fria e neste caso, o álcool funciona como remédio. Ohana estava alegre, à noite estrelada, era um convite ao amor.
Loira e bonita, se mostrava insinuante a Caio, suas curvas no uniforme, se encaixavam perfeitamente como um par de luvas nas mãos.
Caio excitado, mas parecia um adolescente com sua primeira namorada.
Tudo conspirava há um grande romance. A noite perfeita, a química nos poros, um leve e suave balançar do navio, parecia ter sido criado para aquele momento mágico e romântico. Uma noite de amor explodiu entre os dois, com tanta intensidade, que pouco importava a cama dura e desconfortável daquela cabine alojamento.
Repetiram-se várias vezes durante a viagem. Ficavam sem graça com as brincadeiras dos colegas, afinal, eram o único casal a bordo... Despertavam na verdade, uma pequena centelha de inveja dos companheiros, pois sentiam saudades da família.
O navio estava preparado com um reforço especial no casco, a navegação em águas geladas é muito perigosa. Já se aproximavam de icebergs, montanhas enormes de gelo.
O traje oficial para o clima, já era obrigatório a toda tripulação.
Roupas pesadas e quentes, já faziam parte do uniforme.
A bandeira do Brasil estampada na roupa, enchia de orgulho toda a equipe.
O Comandante Azevedo, acendeu um charuto como havia prometido a tripulação. Com orgulho, uma mão para traz e outra empunhado o charuto, comentou:
- Atenção equipe, chegamos!
A missão desembarcou, meio que encalhada, o navio Polo Maior, assim era chamado, teve que abrir caminho nas geleiras até chegar ao seu destino.
Havia vários setores na região, ocupadas por nações de vários continentes e o Brasil estava lá, entre eles, com sua bandeira imponente, demarcando o solo gelado.
Até chegar nas estalações da estação Comandante Ferraz, levou aproximadamente duas horas. O caminho percorrido foi lento e difícil.
Ohana não tinha idéia ainda, como seria complicado e pesado andar na neve.
A bem da verdade, todos sentiram dificuldades, mas só ela fez o comentário.
Acredito que o lado machista pesou nesta hora e não deram o braço a torcer.
Foram recebidos pelos companheiros da estação Comandante Ferraz, com espírito de festa. Logo após os comprimentos, um helicóptero os levou a base de origem, a estação Almirante Salutares. Havia lá, a equipe de montagem das instalações aguardando-os.
Após explicações técnicas das instalações, a equipe de montagem embarcou no helicóptero, rumo ao navio Polo Maior. O navio precisava deixar rápido a região, o congelamento em sua volta, estava acelerado e corria risco de encalhar. Após o embarque da equipe de montagem, o Polo Maior zarpou.
O Comandante Azevedo, assumiu imediatamente o comando das instalações.
Havia na base, uma oficial: primeira tenente Sandra, ou melhor, dr.ª Sandra, como era chamada por todos. Dr.ª Sandra já estava lá, a um ano, fazendo parte da equipe comandante Ferraz e foi destacada pelo comando, a fazer parte da equipe do Comandante Azevedo.
Sua formação e experiência, iria muito ajudá-los.
Bioquímica, trinta anos de idade, já bem adaptada ao clima, fará parte agora desta equipe.
Vinte e oito de julho de 2001, após trinta e três dias, a missão estava estalada.
Depois de algum tempo de comemorações, o comitê de boas vindas se despediu .
Retornaram suas tarefas cotidianas. O Comandante Azevedo, acompanhou pessoalmente a sua equipe se alojar. Dr.ª Sandra foi chamada à sala de reunião.
O comandante, mesmo cansado da viagem, queria informações do andamento das pesquisas.
A rotina do dia a dia no gelo, parecia monótona, se não fosse o trabalho científico direcionado. Cada um, se ocupava de uma tarefa para qual foram treinados.
Dr.ª Sandra, passava as informações de suas pesquisas ao grupo e a partir daí, traçavam a diretriz da missão.
O Comandante Azevedo neste momento, abriu na frente de todos, um envelope escrito: Ultra secreto. Foi então que se revelou com clareza, o conteúdo da missão.
Há quase um ano, os satélites detectaram uma grande fonte de energia naquele setor do polo Sul. Esta fonte de energia, mudava constantemente de setor, ficando quase impossível determinar com precisão, a sua localização. Esta é a principal missão da equipe, identificar e localizar a fonte desta energia. Contam para isso, com modernos e sofisticados equipamentos elétricos e eletrônicos.
A América do Norte e outros países, secretamente, também pesquisavam esta suposta fonte, cada um, a sua maneira e recursos.
Tenente Ródson e Ohana estão mais ligados profissionalmente, por terem a mesma formação. Exploram diariamente a área externa da base, sempre acompanhados por Caio.
A missão de Caio no projeto: Proteger a equipe de exploração, tendo em vista, que é especialista em resgate. Passaram-se quatro meses, desde que chegaram e até agora, não conseguiram identificar a fonte da suposta energia, ela se move de um lugar para o outro e some de repente.
Émerson , era o que mais sofria com saudades de casa. Trabalhava quase sem parar, tentando suprir a ausência da família. Eduardo na cozinha, não tinha descanso. Café da manhã, almoço, lanche a tarde, jantar e uma leve ceia no término do dia. Seu tempo atarefado, não lhe dava muito espaço para a saudade.
Ródson, com suas melodias limitadas, tocava sempre as mesmas músicas.
Ohana não tinha como escapar, induzida por Ródson a soltar a voz.
O Comandante Azevedo, colhia informações diárias e a cada três dias, as enviava via satélite ao comando no Brasil. Esta era a rotina da equipe no dia a dia, até que um dia, em uma missão rotineira... Ródson, acompanhado como sempre da oficial Ohana e monitorados de perto pelo tenente Caio, estavam colhendo amostras do solo.
Depois de algum tempo nesta tarefa, perceberam que Caio havia sumido.
Olharam para todos os lados, correram em várias direções.
Por horas a fio e a todo custo, tentaram entender o que havia acontecido. Desesperados, principalmente Ohana, tiveram que voltar para a base. A esperança, era que Caio por algum motivo, estivesse lá.
Decepção! Tiveram que relatar o ocorrido. Caio havia mesmo desaparecido.
O Comandante Azevedo, imediatamente mobilizou uma equipe de busca.
Solidariamente, as equipes das missões internacionais, como a dos Estados Unidos, se prontificaram nas buscas. Em vão! Helicópteros sobrevoaram a área, numa extensão superior a demarcada no mapa. Nada! Todos os esforços coletivos não obtiveram sucesso. A Marinha Brasileira, destacou em caráter de emergência, uma equipe de busca super treinada em resgate.
Nada adiantou! À medida que o tempo passava, a esperança de encontrar vivo o tenente Caio, se extinguia.
A missão não era mais a mesma. Havia um desânimo total. O Comandante Azevedo, tentava levantar a moral da equipe, mais esta, estava desanimada.
Depois do sumiço de Caio, o sinal de energia captado pelos satélites, desapareceu misteriosamente, não mais voltando. O tempo de permanência da equipe do Comandante Azevedo no polo, acabou. Novas equipes se formaram, revezando-se em viagens de ida e volta ao Brasil.
A equipe do tenente Caio, mantinha a esperança de ao menos, ser encontrado o seu corpo.
Ohana sofria muito, tanto que, abandonou a missão e o serviço militar.
Após sete meses do sumiço de Caio, Ohana deu a luz a um lindo bebê.
Ela nunca se conformou com a perda do seu grande amor, mas agora, tem com sigo, o fruto desta grande paixão.
Naquela viagem, no navio Polo Maior, onde os dois se amaram intensamente, Ohana ficou grávida. Em função da gravidez e decepção da perda de Caio, Ohana se afastou da missão e do serviço militar.
Seu nome é Liza, hoje com cinco anos. O tenente Ródson já divorciado, sempre ao lado de Ohana, dando-lhe apoio, acabou se apaixonando por ela.
Passaram-se cinco anos, desde o desaparecimento de Caio, Ohana acabou cedendo aos encantos de Ródson, e ao seu pedido de casamento.
O casamento foi lindo, com honras militares, mas na verdade, Ohana não casou apaixonada. Ródson sabia disto, mas achava que com o tempo, Ohana poderia vir a amá-lo.
Ohana mantinha um grande carinho por ele e sentia a carência e a necessidade de alguém ao seu lado, mas nunca se esqueceu de Caio.
Logo após o casamento, Ohana ficou grávida. Na ultrassonografia é um menino.
Ohana trabalhava agora como bióloga, para uma empresa marítima.
Ródson foi promovido a Capital tenente , e presta serviço ao Q.G. da marinha, no Rio de Janeiro.
O Comandante Azevedo, hoje é Contra Almirante, por bons serviços prestados e um bom relacionamento com o comando.
O tenente Émerson também foi promovido á Capitão tenente e está em missão no exterior.
O sargento Eduardo, foi promovido a Suboficial e montou seu próprio restaurante.
Quase treze anos mais tarde... Hoje, dezembro de 2019.
Polo Sul, área que Caio sumiu. Subitamente, uma espessa camada de gelo se abre revelando um túnel. Em forma cilíndrica e de um fundo poço, Caio está lá, imóvel, cercado por quatro paredes de luzes. A aparência destas paredes é uma coisa inacreditável. Cerca de trinta metros abaixo do solo, o lugar é incrível.
As paredes que antes eram de luzes, agora tomam a forma semelhante de água viva, mudando de cor e intensidade. Caio está flutuando entre elas, as luzes passam pelo seu corpo, como se este, não existisse. Seu corpo, se confunde com as luzes e brilha como se feito de energia.
Os olhos fechados, semblante sereno, se mantém imóvel.
De repente, algo acontece! As paredes, antes semelhante a água viva, lentamente começam a sumirem e aos poucos, o corpo de Caio diminui a intensidade de luz, voltando, o que se interpretaria de, normal. Antes flutuando, agora com os pés no solo, Caio abre os olhos.
Sua aparência física é a mesma de mais de dezoito anos atrás, porém, sem roupas.
Está nu, mais não parece está sentindo frio. O ambiente que Caio se encontra, mede aproximadamente três metros de diâmetro. Impressionante, a forma quadrada e depois cilíndrica, antes de luz e depois de água multicoloridas e agora, gelo puro.
Caio está parado, frente a uma parede. De repente, uma porta se abre no gelo de baixo para cima. Um esplendor de beleza se revela. Cristais brilhantes, em todas direções.
Caio se manifesta, antes imóvel, agora entra na sala de cristais.
Para ao centro da sala, como se soubesse o que iria acontecer a seguir.
Os cristais da sala, milhares deles, começaram a emitir intensas luzes, todas em direção dele. Penetraram no seu corpo, de forma direta e precisa.
Caio abriu os braços, como se esperasse algo parecido.
Os raios de luzes no corpo de Caio, durou aproximadamente uns quinze minutos.
Quando as luzes cessaram, Caio sorriu!
Agora ele entendia tudo! Ele sabia porque estava ali! Não foi um mero acaso!
Passavam em sua cabeça, como um programa de computador, todas as lembranças de sua vida. A missão, o acidente, a hibernação. Só desconhecia ainda, o tempo que isso levou. Pensou na Ohana, sua grande amada, nos amigos, na missão, no compromisso militar, em sua família. Agora ele entendia tudo!
Todo o conhecimento retido naquele lugar, fazia parte agora, de suas memórias.
Entendeu que teria, uma nova missão a cumprir. Não a militar, a qual ele foi treinado, mais esta nova. Agora ele entendia tudo!
As informações contidas naqueles raios, esclareceu todas as suas dúvidas.
Sua mente agora, tem o conhecimento do cosmo, a capacidade da reflexão.
E tudo se tornou claro. Agora ele entendia tudo! Algo mudou, ele não era mais um simples mortal!
Com um simples pensamento, ele conseguia fazer seu corpo brilhar, luzes de várias tonalidades. Definitivamente, ele não era mais o mesmo!
De repente, ocorreu um nome em sua memória; Ohana! Onde estará?
Caio se dirigiu a saída, naquele mesmo túnel, onde a mais de dezoito anos atrás ele caiu.
Olhou para cima e simplesmente desejou sair.
Seu corpo se elevou pelo túnel, em frações de segundos, como mágica, estava na superfície.
Nu, no meio da neve, como se por extinto, sabia a direção a seguir.
Não estava com frio, algo surpreendente, a temperatura ambiente próxima dos quinze graus negativos, deixaria perplexo, qualquer um que o avistasse.
Caio andava com leveza sobre a neve, quase que flutuando, sem nenhum esforço físico. Chegou a uma base, que pela bandeira hasteada, era Norte Americana.
Parou de frente a base, olhou para a bandeira. Um membro da equipe o avistou pela janela, a reação não poderia ser outra. Era Dr.º Frank, a bem da verdade, o único membro da equipe Norte Americana que restou. Dr.º Frank, quando viu aquele homem nu frente a base, ficou estarrecido. Rapidamente, pegou um cobertor e saiu ao socorro daquele homem. Cobriu Caio e o levou para dentro.
Após dar-lhe algumas roupas, tratou de fazer um chocolate quente para o estranho.
O médico olhava intrigado para Caio, bebendo o chocolate quente.
Dr.ºFrank perguntou: - Quem é você ? - E porque estava sem roupas lá fora?
A pergunta foi em inglês e Caio também respondeu na mesma língua:
-Me chamo Caio! -A falta de roupas? Esta é uma longa historia!
Logo após a resposta de Caio, o médico americano virou as costas por um breve momento, para encher seu copo com aquele chocolate quente. Quando retornou os olhares, o convidado havia sumido. Dr.º Frank correu na janela e não mais o avistou.
O médico não entendeu nada, ficou de boca aberta com o episódio.
Caio já estava no gelo outra vez, só que desta vez, vestido.
Caio observou que a área coberta de gelo, não era mais a mesma. Abaixou-se e pegou um pouco de neve em suas mãos. A aparência escura e cinzenta, confirmava a realidade daqueles tempos. O céu negro e pesado, constatava as mudanças.
Grandes quantidades de resíduos poluentes, estavam depositados em toda aquela região gelada. Caio chegou na base da missão Comandante Ferraz e constatou que estava abandonada já algum tempo. Se dirigiu a base Almirante Salutares.
Havia ali, seis pessoas, um deles avistou Caio na porta do abrigo.
Era o primeiro tenente Marcos, biólogo, vinte e cinco anos.
Marcos perguntou a Caio: -Quem é você? O que deseja?
Caio respondeu: -Sou o primeiro tenente Caio! –Oficial da Marinha Brasileira!
O susto do tenente Marcos foi grande, ele conhecia a historia que circulava na base.
Conhecia a lenda que se formou entre os amigos, até um velho retrato na parede se mantinha na base. Marcos, o convidou a entrar: -Entre por favor! -Venha conhecer o resto da equipe! Todos olharam para Caio, surpresos. Conheciam a história dele,
Até mesmo o fato, que na aparência, não havia mudado em nada.
Além do tenente Marcos, compunha a equipe: tenente Miranda, vinte e nove anos.
1º tenente Cabral, vinte e seis anos. 2º tenente Samuel, vinte quatro anos.
O 2º sargento Wilson, cozinheiro da equipe, vinte e oito anos.
Havia um civil entre eles, que foi resgatado em um naufrágio. Se tratava de Diogo, quarenta e cinco anos. Pescador experiente, que não morreu por um milagre.
Seu barco em destroços, foi encontrado por acaso, pela equipe Americana, por se encontrar na ocasião, em rota de navegação. De toda a tripulação, foi o único sobrevivente.
Faltou mencionar, o Capitão Ezidório, que morreu de enfarte fulminante, a quatro meses atrás, era ele o comandante da missão Brasileira.
Assumiu o comando, o 1º tenente Miranda, por ser o mais antigo.
Estavam ali, a quase dois anos, o tenente Miranda explicava a Caio, com um ar de cansaço e desânimo. Todos ouviam a historia de Miranda, de cabeças baixas e com ar de decepção.
O tenente Miranda continuou a relatar: - Em setembro de 2015, começou uma guerra entre os Estados Unidos e Coréia do Norte. Após um ano de conflitos, a Coréia, usou armas nucleares contra os Estados Unidos e este revidou. Foi o caos. Milhões de pessoas morreram instantaneamente. Não demorou muito, a Rússia entrou na guerra, logo a seguir, todo o planeta.
O mundo estava em guerra, o Brasil se viu obrigado a aderir, ao movimento dos aliados.
Em janeiro de 2017, usaram também, armas químicas e biológicas.
Ninguém sabe ao certo, quem começou a usá-las, só se sabe que, de oito bilhões de pessoas, estima-se a baixa de mais de dois terços da população do planeta.
Vieram a seguir, as epidemias: cólera, tétano, ebola e outras mais.
O mundo mudou completamente. Os níveis dos mares, subiu rapidamente.
Cidades inteiras, desapareceram de baixo d' água, devido ao derretimento dos polos.
O tenente Miranda: - Estamos aqui a quase dois anos. A marinha Brasileira pediu que aguardássemos o resgate, mas este, nunca veio. Estamos sem comunicação oficial a seis meses. De todas as equipes estaladas no polo, só restou a nossa e a dos Americanos. A bem da verdade, só o Dr.º Frank, da equipe Norte Americana. Um surto epidêmico, matou o resto de sua equipe, por um milagre ele ainda está vivo.
Queríamos que ele estivesse com a gente, mas não podemos correr este risco, por ser médico, ele compreende a nossa preocupação. Fazemos contato diariamente pelo o rádio.
Estamos com bem pouca ração, derretemos neve para bebermos água.
O sistema de aquecimento do abrigo está precário, não sei por quanto tempo ainda, podemos aguentar! - Pois bem, esta é a nossa situação atual! - E você tenente Caio? - O que ouve? Frente a pergunta do tenente Miranda, todos levantaram a cabeça, curiosos e intrigados, esperando a resposta de Caio. Caio: - Estive todo este tempo, em um lugar maravilhoso e ao mesmo tempo, solitário. Não estive presente na catástrofe do planeta, mais tenho agora o dever e a chance de ajudar os sobreviventes.
Eu tenho que cumprir uma missão é só o que eu posso responder neste momento.
Esperem mais um pouco, em breve eu voltarei para buscá-los.
Ciente da realidade atual, Caio se despediu da equipe.
Todos ficaram olhando assustados, o então tenente Caio se distanciando do grupo, andando na neve com uma leveza incrível. Em seus corações, acreditaram nas palavras de Caio.
Olharam um para o outro, com lágrimas nos olhos, sem comentários, calaram-se.
Caio se dirigiu ao mar, andando sobre a camada fina de gelo.
Entre outras coisas, na sua cabeça, um nome persistia: Ohana, onde estará?
Capítulo 03
Já no mar, entre icebergs, pequenos e flutuantes, Caio abaixou-se e tocou na água.
Com os pensamentos voltados para o seu país, Caio desejou viajar.
Mais uma vez, o seu corpo brilhou em energia cósmica.
O toque na água, transformou o seu corpo, em energia semelhante a vista no subsolo, onde esteve todo este tempo. Em forma semelhante a água viva e emitindo uma luz intensa multicoloridas, Caio deslizou sobre as águas geladas do polo Sul.
À medida que sua vontade determinava, sua velocidade sobre a água aumentava espantosamente. Em pouco tempo, Caio já estava viajando, milhas por segundos.
Aumentava cada vez mais, à medida que pensava em Ohana.
Em pouco tempo, Caio já se encontrava no litoral Brasileiro.
Saiu da água instantaneamente, sua aparência normal, mais uma vez predominava.
De frente ao Quartel General da Marinha do Brasil, quase não o reconheceu.
Totalmente destruído, quase submerso, Caio constatou, que o Brasil foi alvo direto desta guerra e da fúria da natureza.
E realmente foi! Há seis meses atrás, o Brasil sofreu ataques bélicos, ao ponto de ter sido
Atingidos por vários mísseis, de grande poder de destruição.
Em 2016 o Brasil começou a fabricar armas nucleares, entre outros motivos, este foi o mais forte para ter sido alvo direto dos inimigos.
O país está em ruínas, os governos mundiais caíram e até o Brasil.
As epidemias, a grande invasão das águas, os constantes terremotos, transformou o planeta em desordem e caos.
Uma nova ordem surgiu. As forças armadas, ou o que sobrou delas, se reorganizaram tentando assumir o controle. Novas forças paralelas surgiram, criando milícias armadas, impondo autoridade através do medo e da tirania.
Confronto de poder com os remanescentes militares e esta nova, eram constantes.
A população, ou o que sobrou dela, hoje vive tentando transpor, as dificuldades diárias que surgem pela frente. Tribos se formaram, tentando manterem-se vivos.
A procura de alimentos e água potável é prioridade para todos. Os mais fortes e armados, tem mais chances. As grandes metrópoles caíram. No Brasil, grandes cidades como:
Rio de Janeiro e São Paulo, foram atacadas insistentemente por vários dias.
O sul e o sudeste, foram os mais atingidos. Até o norte, devido a floresta Amazônica, foi alvo de mísseis inimigos, uma verdadeira calamidade.
Da Amazônia, restou somente um décimo da floresta.
Quem conseguiu sobreviver, foram aqueles que se mantiveram afastado desde o início das grandes cidades, em abrigos , sítios e fazendas, distantes do holocausto, mais ainda assim, sofrem com as consequências das pragas e reações radioativas contidas na atmosfera. Os vândalos e milícias armadas, atacam estas áreas de populações retiradas, depredando e dominando tudo e todos, aqueles que não oferecem resistência.
Atacam ferozmente os habitantes destes lugares, levando as pragas consigo.
Em busca de água e alimentos, tribos de malfeitores, armados até os dentes, liderados muitas vezes por militares decadentes, destroem e matam sem piedade.
É a lei do mais forte!
Encontram-se nesta situação, todos os países do primeiro mundo, inclusive o Brasil, que hoje faz parte desta categoria, embora tarde. Mesmo os países pequenos, sem grande importância mundial, sofrem com as inundações, pragas, fome e sede.
Realmente, está um verdadeiro caos!
Nem a primeira e a segunda guerra mundial, fizeram tanto estragos.
A terceira guerra mundial em fim, aconteceu! Os comandos estratégicos mundiais, de um lado e de outro, destruíram tudo que consideravam ameaça.
Poços de petróleo, refinarias, sistemas de comunicações, usinas de produção de energia, fábricas, em fim, tudo que parecia ameaça, tanto de um lado, como do outro.
O Japão, praticamente desapareceu do mapa. O homem finalmente conseguiu destruir o planeta ! Caio viu tudo isso! Com o seu poder adquirido, consegue enxergar, além da capacidade humana.
Agora ele sabe! Agora ele entende tudo!
Na procura de sua família, descobriu que a perdeu. Mãe, irmãos, todos os seus entes queridos. Na sua cabeça agora, um nome ecoa! Ohana! Onde estará? Será que sobreviveu? Caio então pensou em usar o seu novo poder, tentando se concentrar na Ohana, quem sabe, ela esteja viva! Neste momento, Caio foi abordado por um grupo de pessoas maltrapilhos, em meio a prédios destruídos.
O líder do grupo, um sujeito mal encarado, forte e musculoso, de botas e calça camufladas, o abordou: - Você aí! -Tira roupa meu irmão, perdeu! Em atitude muito agressiva, empurrou Caio. Caio balançou, o sujeito era muito forte. Abriu os olhos, ainda em meditação e respondeu: - Sigam seus caminhos meus amigos, eu não quero lhes fazer mal!
Todos riram debochando de Caio. O líder do grupo: - Corta essa meu irmão! – Tira logo essa roupa, se não vai ganhar porrada! Mediante desta ameaça, Caio fixou os olhos no agressor e mais uma vez respondeu: - Siga o seu caminho!
O líder do grupo, por não ver a sua ordem obedecida, deferiu um soco contra ele.
Caio, sem manifestar nenhum tipo de sentimento de raiva, bloqueou o golpe do agressor sem nenhuma dificuldade, segurando o punho do mesmo, o jogou para traz.
O agressor caiu sentado, ridicularizado pelo seus companheiros.
Mediante a ordem do líder, todos atacaram ao mesmo tempo, quinze homens investiram contra Caio. Ele, ainda sem manifestar nenhum tipo de sentimento de raiva, levantou a mão direita, em atitude de defesa. Neste momento, um clarão muito forte se desprendeu do seu corpo, de tal intensidade, que todos os agressores foram arremessados à distância.
A gang, esfregando os olhos em sintoma de cegueira, fugiu apavorada do local, inclusive o líder. Caio sentiu compaixão, sabia que eram mal feitores, mas ainda assim, vítimas daquela absurda guerra.
Novamente, retornou os pensamentos à Ohana. Fechou os olhos e concentrado, desejou com toda a sua força, localizar Ohana, tentando desesperadamente acreditar, que ela possa estar viva.