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O Recomeço Amargo

O Recomeço Amargo

Autor:: Zhao Da Da Ha
Gênero: Romance
A memória da minha vida passada era um inferno gravado a fogo na minha alma. Lembro-me do gosto amargo do veneno na minha língua, um "presente" de Juliana na festa para celebrar o nosso futuro, um futuro que ela me roubou. Pedro, o homem que eu amava, estava ao lado dela, seus olhos frios me acusando de ter armado tudo, de ter me envenenado para chamar a atenção. A ferida que nunca cicatrizou foi a lembrança da minha mãe, caçada online e na vida real pelos fãs de Juliana, que transformaram seu luto em um espetáculo de humilhação pública. Eles a difamaram, a quebraram, até que ela não aguentou mais, e seu suicídio foi o ponto final da minha tragédia. Eu não podia entender tamanha crueldade, tamanha injustiça, por que o mundo acreditou neles sem hesitar. Mas então, eu acordei. O som insistente do meu celular me trouxe de volta no tempo, a data na tela: o dia do concurso de bolsas, o começo do meu fim. Desta vez, não haveria espera, não haveria ingênua Sofia. Eu cortaria todos os laços e mudaria o roteiro.

Introdução

A memória da minha vida passada era um inferno gravado a fogo na minha alma.

Lembro-me do gosto amargo do veneno na minha língua, um "presente" de Juliana na festa para celebrar o nosso futuro, um futuro que ela me roubou.

Pedro, o homem que eu amava, estava ao lado dela, seus olhos frios me acusando de ter armado tudo, de ter me envenenado para chamar a atenção.

A ferida que nunca cicatrizou foi a lembrança da minha mãe, caçada online e na vida real pelos fãs de Juliana, que transformaram seu luto em um espetáculo de humilhação pública.

Eles a difamaram, a quebraram, até que ela não aguentou mais, e seu suicídio foi o ponto final da minha tragédia.

Eu não podia entender tamanha crueldade, tamanha injustiça, por que o mundo acreditou neles sem hesitar.

Mas então, eu acordei.

O som insistente do meu celular me trouxe de volta no tempo, a data na tela: o dia do concurso de bolsas, o começo do meu fim.

Desta vez, não haveria espera, não haveria ingênua Sofia.

Eu cortaria todos os laços e mudaria o roteiro.

Capítulo 1

A memória da minha vida passada era um inferno gravado a fogo na minha alma, um grito silencioso que ecoava mesmo depois de eu ter renascido. Lembro-me do gosto amargo do veneno na minha língua, um presente de Juliana na festa que deveria comemorar nosso futuro, um futuro que ela roubou de mim. Lembro-me de Pedro, o homem que eu amava, de pé ao lado dela, seus olhos frios me acusando de ter armado tudo, de ter me envenenado para chamar a atenção.

A pior parte, a ferida que nunca cicatrizou, foi a lembrança da minha mãe. Ela lutou por mim, tentou provar minha inocência, mas o mundo preferiu acreditar na "garota popular". Os fãs de Juliana a caçaram online e na vida real, transformando seu luto em um espetáculo de humilhação pública. Eles a difamaram, a quebraram, até que ela não aguentou mais. O suicídio dela foi o ponto final da minha tragédia.

Mas então, eu acordei.

O som insistente do meu celular me trouxe de volta. A data na tela era o dia do concurso de bolsas, o ponto de virada, o começo do meu fim. O cheiro de chuva enchia o ar, e a voz ansiosa de Pedro soava do outro lado da linha, exatamente como na minha memória.

"Sofia, onde você está? Estamos todos esperando por você. Juliana ainda não chegou, não podemos ir sem ela."

A voz dele, que um dia me trouxe conforto, agora me causava repulsa. Na minha vida passada, eu esperei. Esperei por duas horas sob a chuva, acreditando nas desculpas deles, apenas para chegar atrasada e ser desqualificada. Perdi minha única chance, tudo para que Juliana, que nem precisava da bolsa, pudesse manter sua imagem de líder do grupo.

Desta vez, não haveria espera.

"Eu já estou a caminho", respondi, minha voz fria e sem emoção.

"O quê? Como assim? Você não pode ir sozinha! Temos que ir juntos, somos um time. Juliana vai ficar muito chateada se você for na frente."

"Isso é um problema dela, não meu", eu disse, e desliguei o telefone antes que ele pudesse responder.

Vesti minha capa de chuva, peguei minha mochila e saí do meu apartamento. Minha mãe, viva e preocupada, estava na porta.

"Filha, tem certeza que não quer que eu te leve? A chuva está muito forte."

Seu rosto era a imagem da saúde e do amor, sem as sombras do desespero que a consumiram mais tarde. Eu me aproximei e a abracei com força, inalando seu cheiro familiar, a âncora da minha nova realidade.

"Não se preocupe, mãe. Eu sei exatamente o que estou fazendo. Vou pegar o ônibus. Fique segura em casa."

Ela sorriu, e aquele sorriso era a minha verdadeira vitória. Proteger aquele sorriso era a minha única missão.

No ponto de ônibus, meu celular vibrou sem parar. Mensagens de Pedro, dos meus colegas, todos me acusando.

"Sofia, o que você pensa que está fazendo?"

"Você é tão egoísta!"

"A Juliana está quase chegando, ela só teve um imprevisto."

"Você sempre teve inveja dela, não é? Por isso está fazendo esse drama todo."

A última mensagem era de Pedro. "Se você não voltar agora e esperar com a gente, pode esquecer que um dia fomos namorados."

Eu li cada palavra com um sorriso gelado. Eles não mudaram nada. A mesma crueldade, a mesma cegueira. Bloqueei todos os números, um por um. O ônibus chegou, e eu entrei, sentando-me perto da janela. A chuva batia no vidro, lavando a cidade.

Eu sabia o que estava por vir. Nesta mesma hora, na minha vida passada, um deslizamento de terra bloqueou a estrada principal para o local do concurso. Foi por isso que eles, mesmo saindo duas horas depois, também se atrasaram. Mas eu, desta vez, peguei uma rota alternativa, uma que eu sabia que estaria livre.

Enquanto o ônibus se movia pela cidade adormecida, eu olhei para a colina à distância. Era uma bomba-relógio, e o tempo estava se esgotando para eles. Uma notificação de notícias piscou no meu celular: "Fortes chuvas aumentam o risco de deslizamentos na estrada da serra".

Um sentimento de satisfação sombria me preencheu. Não era alegria, era justiça. A natureza estava prestes a se tornar minha cúmplice. O ônibus virou à esquerda, entrando na rota segura, e eu não olhei para trás. Eu podia quase ouvir o som da terra cedendo, do caos que se instalava, do pânico deles.

Minha vingança estava apenas começando. Eles me impediram de chegar a um concurso que mudaria minha vida. Agora, eu garantiria que eles nunca chegassem ao deles. E a melhor parte? Eu nem precisava mais daquela bolsa. Meu futuro já estava garantido, em um lugar que eles nunca poderiam alcançar.

Capítulo 2

O ônibus avançava lentamente, um refúgio seco e quente em meio ao dilúvio lá fora. Cada gota que escorria pelo vidro era como uma lágrima pela Sofia que eu fui, a garota ingênua que acreditava na lealdade e no amor. Ela estudou noites a fio, preparou resumos detalhados e compartilhou todo o seu material com Pedro e os outros, acreditando que o sucesso de um era o sucesso de todos. Que tola ela foi.

Agora, eu observava a cidade passar com uma calma assustadora. Eu não sentia a ansiedade febril da prova, a pressão de ter que vencer para garantir um futuro. Meu futuro já estava selado. Semanas antes, usando o conhecimento da minha vida passada sobre uma oportunidade pouco divulgada, eu havia aplicado e sido aceita com bolsa integral na melhor universidade do país, a mesma que Juliana tanto se gabava de ter conexões para entrar. A carta de aceitação estava guardada em um lugar seguro, um segredo que eu guardava como uma arma.

Meu celular, agora silencioso, era um testemunho da minha decisão. Em algum lugar naquela cidade encharcada, eles estavam presos. Imagino a cena: o carro de luxo de Juliana finalmente chega, ela desce com seu sorriso falso e suas desculpas ensaiadas sobre o trânsito ou um cachorrinho que precisou resgatar. Pedro a receberia com um abraço, os outros a cercariam, aliviados. Todos entrariam nos carros, rindo e conversando, prontos para a "grande aventura".

E então, o trânsito pararia de vez.

O pânico inicial seria substituído pela irritação. Juliana, a rainha do drama, provavelmente começaria a reclamar, culpando a chuva, o governo, qualquer coisa, menos a si mesma. Para manter sua fachada de garota perfeita e prestativa, ela distribuiria garrafas de água de grife e lanches caros que sempre carregava.

"Não se preocupem, pessoal! Vamos conseguir! O importante é que estamos juntos!", ela diria, com aquela voz doce e manipuladora.

E eles, os tolos, acreditariam.

"A Juliana é incrível, não é? Mesmo nessa situação, ela ainda pensa em nós", um deles diria.

"Verdade. Ainda bem que não fomos com a Sofia. Imagina o mau humor dela agora", outro comentaria.

"Ela deve estar se remoendo de raiva sozinha no ônibus, coitada. Tudo por um ataque de ciúmes", Pedro concluiria, selando meu papel de vilã na historinha deles.

Um sorriso frio tocou meus lábios. Deixem que pensem o que quiserem. Sua ignorância era parte do meu plano. Enquanto eles se afundavam em sua própria armadilha, eu estava a caminho da minha liberdade.

O ônibus continuou por ruas secundárias, bairros que eu mal conhecia. O motorista era experiente, conhecia os atalhos. Lá fora, o caos era visível. Sirenes soavam à distância. O trânsito na direção oposta estava completamente parado. Carros buzinavam em um coro de frustração.

Eu podia sentir a mudança no ar, a tensão crescendo. A leve irritação deles no engarrafamento logo se transformaria em ansiedade, depois em pânico. Eles começariam a olhar para os relógios, a fazer contas. O tempo para a inscrição no concurso era limitado e inflexível. Cada minuto preso naquele congestionamento era um prego a mais no caixão de seus sonhos acadêmicos.

Eu não sentia pena. Apenas uma satisfação gelada, precisa. Eles me tiraram tudo. Agora, eu estava apenas observando enquanto eles mesmos destruíam sua única chance. A chuva continuava a cair, forte e implacável, como se a própria natureza estivesse do meu lado, lavando o mundo para que eu pudesse começar de novo. O palco para o primeiro ato da minha vingança estava montado. E eu teria um assento na primeira fila para assistir ao desespero deles.

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