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O Recomeço Inesperado

O Recomeço Inesperado

Autor:: Freya
Gênero: Romance
A dor aguda na minha barriga foi a primeira coisa que senti. Estava grávida de cinco meses, esperando um menino, e a queda foi rápida, um empurrão vindo do nada. No hospital, meu marido Pedro segurava minha mão, mas seus olhos desviavam de mim, fixando-se na minha barriga e na porta. Fingi dormir e ouvi a conversa dele ao telefone. "Lúcia, já te disse para não me ligar aqui... Sim, ela acordou... Não, ainda não sei do bebê. É isso que importa, não é? ... Foi um acidente. Mas você precisa entender, Lúcia, esse filho é importante para mim. É o meu herdeiro." Lúcia. A mulher que me empurrou. A amante do meu marido. Meu filho, nosso filho, não era amor para ele, mas um negócio. Quando João, meu confidente, confrontou Pedro, vi a nojeira de Pedro e Lúcia. No dia seguinte, Pedro só queria saber do bebê. O médico confirmou: "Senhor Silva, eu sinto muito..." Mas Pedro só ficou aliviado ao saber que Lúcia não seria presa. João me deu a verdade: "Você perdeu o bebê... e não vai mais poder ter filhos." Meu mundo desabou. Pedro, insensível, perguntou sobre alugar uma barriga. João explodiu: "Ela acabou de perder o filho e você está falando de barriga de aluguel?!" Eu era apenas uma peça em seu tabuleiro. No fundo daquele poço, uma nova resolução nasceu. Eu não ia deixar que eles vencessem.

Introdução

A dor aguda na minha barriga foi a primeira coisa que senti.

Estava grávida de cinco meses, esperando um menino, e a queda foi rápida, um empurrão vindo do nada.

No hospital, meu marido Pedro segurava minha mão, mas seus olhos desviavam de mim, fixando-se na minha barriga e na porta.

Fingi dormir e ouvi a conversa dele ao telefone.

"Lúcia, já te disse para não me ligar aqui... Sim, ela acordou... Não, ainda não sei do bebê. É isso que importa, não é? ... Foi um acidente. Mas você precisa entender, Lúcia, esse filho é importante para mim. É o meu herdeiro."

Lúcia. A mulher que me empurrou. A amante do meu marido.

Meu filho, nosso filho, não era amor para ele, mas um negócio.

Quando João, meu confidente, confrontou Pedro, vi a nojeira de Pedro e Lúcia.

No dia seguinte, Pedro só queria saber do bebê.

O médico confirmou: "Senhor Silva, eu sinto muito..." Mas Pedro só ficou aliviado ao saber que Lúcia não seria presa.

João me deu a verdade: "Você perdeu o bebê... e não vai mais poder ter filhos."

Meu mundo desabou.

Pedro, insensível, perguntou sobre alugar uma barriga.

João explodiu: "Ela acabou de perder o filho e você está falando de barriga de aluguel?!"

Eu era apenas uma peça em seu tabuleiro.

No fundo daquele poço, uma nova resolução nasceu.

Eu não ia deixar que eles vencessem.

Capítulo 1

A dor aguda na minha barriga foi a primeira coisa que senti. Depois veio o frio do chão do hospital, um frio que parecia subir pelos meus ossos e se instalar no meu coração. Eu estava grávida de cinco meses, esperando um menino, e tudo que eu conseguia pensar era nele. A queda tinha sido rápida, um empurrão vindo do nada, seguido pelo som do meu próprio grito e pelo impacto surdo do meu corpo no chão.

Quando abri os olhos, a luz branca do teto do hospital me cegou por um instante. Pedro, meu marido, estava ao meu lado, segurando minha mão. Seu rosto estava contorcido numa máscara de preocupação.

"Maria, meu amor, você acordou," ele disse, a voz soando rouca. "Eu fiquei tão preocupado. Como você está se sentindo?"

Sua preocupação parecia real, palpável. Mas algo estava errado. Seus olhos, que eu conhecia tão bem, não focavam nos meus. Eles desviavam para a minha barriga, para a porta, para qualquer lugar menos para mim. Era um detalhe pequeno, mas foi o suficiente para acender um alarme dentro de mim. Fingi estar mais sonolenta do que realmente estava, fechando os olhos novamente, mas mantendo meus ouvidos atentos.

O telefone dele vibrou. Ele se afastou um pouco da cama, achando que eu estava dormindo. Sua voz era um sussurro baixo, mas no silêncio do quarto particular, cada palavra era clara como cristal.

"Lúcia, já te disse para não me ligar aqui," ele disse, irritado. "Sim, ela acordou... Não, ainda não sei do bebê. É isso que importa, não é?"

Um calafrio percorreu meu corpo, mais intenso que o frio do chão. Lúcia. A mulher que me empurrou. A amante do meu marido.

Houve uma pausa. Eu podia imaginar Lúcia do outro lado da linha, com sua voz chorosa e manipuladora.

"Eu sei que você não queria," Pedro continuou, sua voz suavizando um pouco. "Foi um acidente. Mas você precisa entender, Lúcia, esse filho é importante para mim. É o meu herdeiro. Sem ele, tudo fica mais complicado. A Maria é ingênua, ela vai superar. O que importa é garantir que o menino nasça saudável."

As palavras dele me atingiram como socos. Herdeiro. Complicado. Ingênua. Ele não estava preocupado comigo. Ele não estava preocupado com nosso filho por amor. Era um plano. Um negócio. E eu era apenas uma peça nesse tabuleiro doente.

A porta do quarto se abriu e João, o melhor amigo de Pedro e meu confidente, entrou. Ele viu Pedro ao telefone e sua expressão se fechou.

"O que você está fazendo?" João perguntou, a voz baixa e tensa, apontando para o telefone. "Com quem você está falando? Com ela?"

Pedro desligou o telefone rapidamente, o rosto pálido. "João, não é o que você está pensando."

"Não é?" João riu, um som sem humor. "Eu vi, Pedro. Eu vi Lúcia perto da sua casa hoje. Eu vi o jeito que ela olhou para a Maria. E agora você está aqui, sussurrando com ela ao telefone enquanto sua esposa, que acabou de sofrer uma queda grave, está deitada numa cama de hospital. Você perdeu a noção? Onde está sua decência?"

A condenação na voz de João era clara e cortante. Ele sempre desconfiou de Lúcia, sempre me alertou sobre a ambição dela, mas eu, cega de amor por Pedro, nunca quis ver.

Pedro tentou se recompor, forçando um ar de autoridade. "Olha, João, foi um acidente terrível. Lúcia está arrasada. Eu vou cuidar de tudo. Vou dar à Maria o melhor tratamento, a melhor recuperação. Nós vamos superar isso, como uma família."

Suas promessas soavam vazias, falsas. Cuidar de mim? Ele estava cuidando dos próprios interesses.

Deitada na cama, imóvel, eu sentia a dor física na minha barriga se misturar com uma dor muito maior, uma que rasgava minha alma. A dor da traição. A dor de perceber que o homem com quem eu dividi minha vida, meus sonhos, era um estranho. Um monstro. E o nosso filho, o pequeno ser que crescia dentro de mim, era apenas um prêmio para ele. Naquele momento, com o som das vozes deles ao fundo, eu senti algo se quebrar dentro de mim. Não era apenas o meu corpo que estava ferido. Era a minha vida inteira. E eu sabia, com uma certeza terrível, que nada mais seria como antes. O nosso filho... ele se foi. Eu podia sentir. Um vazio gelado tomou conta do lugar onde antes havia vida e calor.

Capítulo 2

No dia seguinte, Pedro voltou ao hospital. Ele trazia um buquê de rosas, minhas favoritas. Um gesto que, em outros tempos, teria derretido meu coração. Agora, só me causava náuseas.

Ele se sentou ao meu lado, colocando as flores na mesinha de cabeceira. Seus olhos evitaram os meus novamente.

"Alguma notícia?" ele perguntou, a voz tensa. "O médico já veio aqui? Ele disse alguma coisa sobre... sobre o bebê?"

Ele não perguntou como eu estava. Não perguntou se eu sentia dor. Sua prioridade era clara, exposta como uma ferida aberta.

"O médico ainda não veio," eu respondi, minha voz fraca, mas fria.

Naquele momento, um médico entrou no quarto, segurando uma prancheta. O rosto dele era sério. Pedro se levantou de um salto, o corpo rígido de ansiedade.

"Doutor, como está o meu filho?" ele perguntou, antes mesmo que o médico pudesse dizer bom dia. "Ele vai ficar bem, não vai?"

O médico olhou de Pedro para mim, com uma expressão de compaixão. "Senhor Silva, eu sinto muito..."

O rosto de Pedro ficou branco como papel. Ele cambaleou para trás, os olhos arregalados de pânico. "Não... não pode ser. Ela vai ser presa? A Lúcia... ela não pode ir para a cadeia por um acidente!"

O médico franziu a testa, confuso com a reação dele. "Senhor, do que está falando? Não há crime nenhum aqui. Foi uma queda, um acidente trágico."

O alívio que inundou o rosto de Pedro foi a coisa mais nojenta que eu já vi. Foi como se um peso enorme tivesse sido tirado de seus ombros. A preocupação dele não era com o nosso filho. Era com a amante dele. Ele não estava de luto, estava aliviado por Lúcia não enfrentar consequências legais.

Aquela imagem se gravou na minha mente. A máscara de marido amoroso caiu, revelando o homem egoísta e calculista por baixo. Lembrei-me do dia em que descobri que estava grávida. Pedro me levantou no ar, girando pela sala, rindo. Ele beijou minha barriga e sussurrou: "Obrigado, meu amor. Você me deu o maior presente do mundo." Ele parecia tão feliz, tão genuinamente emocionado. Como pude ser tão cega? Como pude confundir a ambição dele com amor? Aquela felicidade não era por mim, ou por nós. Era pelo "herdeiro" que eu estava carregando.

Mais tarde, quando Pedro saiu para "resolver umas coisas", João veio me ver. Ele se sentou em silêncio por um longo tempo, apenas segurando minha mão. Foi ele quem me deu a notícia completa, a verdade que o médico e Pedro estavam evitando.

"Maria," ele começou, a voz pesada. "O médico falou comigo. A queda... foi muito grave." Ele fez uma pausa, engolindo em seco. "Você perdeu o bebê."

Eu já sabia. Eu sentia no vazio dentro de mim. Mas ouvir as palavras em voz alta tornou tudo real. As lágrimas que eu estava segurando finalmente vieram, silenciosas e quentes.

"E tem mais uma coisa," João continuou, apertando minha mão com mais força. "O seu útero sofreu um dano muito severo. Maria... você não vai mais poder ter filhos."

O mundo parou. O som do meu próprio coração batendo nos meus ouvidos era a única coisa que eu ouvia. Infertilidade. A palavra ecoou na minha cabeça, fria e definitiva. Pedro não só tinha me traído, ele e a amante dele tinham me tirado tudo. Meu filho. E a minha capacidade de ser mãe para sempre.

Quando Pedro voltou mais tarde, ele estava estranhamente calmo. Ele não sabia que eu já conhecia toda a verdade.

"Amor, eu estive pensando," ele disse, sentando-se na beira da cama. "Sobre o futuro. Eu sei que foi um choque terrível, mas nós somos fortes. Podemos superar isso. Existem outras maneiras. Podemos contratar uma barriga de aluguel, ou talvez adotar. Teremos nosso herdeiro, de um jeito ou de outro. Eu vou cuidar de tudo."

Ele falava como se estivesse planejando uma fusão de empresas, não discutindo a perda de nosso filho e a destruição do meu corpo. Ele queria me consertar, me substituir, para que seu plano de ter um herdeiro não fosse interrompido.

João, que tinha voltado e estava parado perto da porta, explodiu.

"Você é inacreditável!" ele rosnou para Pedro, avançando na direção dele. "Você está ouvindo o que está dizendo? A mulher que você diz amar acabou de perder o filho e descobriu que nunca mais poderá ter outro, e você está falando de 'barriga de aluguel'? Você é cego ou apenas um monstro completo?"

A fúria de João era um reflexo da minha própria. Mas eu estava vazia demais para gritar. Eu apenas olhava para Pedro, o homem que eu um dia amei, e não via nada além de um estranho frio e calculista.

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