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O Recomeço de Sofia

O Recomeço de Sofia

Autor:: Xiao Yan
Gênero: Romance
Eu estava no meu décimo copo de café, o dedo rolando o feed do Instagram. Até que vi. Uma foto de Marcos, meu marido há sete anos, abraçando outra mulher, Patrícia, com um sorriso que ele não me dava há anos. O coraçãozinho dele ali, um 'like' que ele nunca me dava, foi um soco no estômago. Eu postava nossas viagens, jantares, sete anos de casamento... ele nunca curtia. Dizia que "não tinha tempo para besteiras". Mas para ela, ele tinha. O cheiro do perfume dela em suas roupas, a menção natural do nome dela... eu sabia. Quando confrontei Marcos, ele pegou o celular da minha mão e me acusou de paranóia. "Ciúmes porque ela é competente?", ele riu, zombando da mulher que sacrificou a carreira e os sonhos por ele. No dia seguinte, Patrícia postou uma indireta vitimista no feed da empresa. Marcos a defendeu publicamente, elogiando sua 'dedicação e talento', me humilhando e isolando. Uma mensagem dele chegou: "Se continuar com essa palhaçada, quem vai se dar mal é você." Foi a gota d'água. Eu não senti mais dor, nem raiva. Apenas um vazio gelado. Peguei o telefone. Liguei para o Dr. Almeida. "Sofia, você tem certeza?", ele perguntou. "Absoluta", respondi. Eu não estava mais lutando. Eu estava aceitando o fim. Semanas depois, a provocação final. Patrícia postou fotos, com a minha tradição de família, meu avental, ela na minha casa, com Marcos ao fundo. A legenda dizia que Marcos tinha ensinado a ela. Bloqueei a todos. Limpei minha vida digital. Com a passagem comprada e o documento do divórcio em mãos, fui buscar minhas últimas coisas. Ouvi a voz dos meus ex-sogros e de Marcos, difamando-me para Patrícia, chamando-me de "acomodada" e "sem ambição". Entrei. Eles ficaram chocados. Marcos, furioso: "O que você está fazendo aqui?" "Vim buscar minhas coisas", respondi, calma. Ele mandou eu ir embora, Patrícia agiu de vítima, ele e os pais dela se uniram e me atacaram. Então, joguei a certidão de divórcio na mesa. "Tarde demais. Já acabou. Oficialmente." O choque deles foi impagável. Marco pálido, Patrícia em pânico perguntando sobre o dinheiro. Marcos tentou se desculpar, chorando, usando nossas memórias, implorando para eu voltar. "Não", eu disse, "não quero nada mais com você." Patrícia tentou me empurrar, mas tropeçou e simulou uma queda, me acusando. Marcos e os pais dela me atacaram, chamando-me de "monstra", defendendo a "guerreira" Patrícia, a qual eu sabia ser uma farsante. Ninguém me impediu de ir embora. No aeroporto, recebi uma ligação. Era Marcos. Ele tinha me encontrado. Ele me deu um presente. Um vestido vermelho de veludo. Perfeito para Patrícia. Eu era alérgica a veludo e corantes vermelhos. "Você não me conhece, Marcos. Você nunca me conheceu." Fechei a porta. No avião, vi a foto dele com Patrícia no vestido. "Com quem realmente se importa. A vida segue." Eu não senti nada. Um ano depois, Marcos apareceu em meus pais, ajoelhado, lamentando a todo o custo. "Ela me roubou. Destruiu minha empresa. Eu te quero de volta." "Você não me quer de volta. Você quer a sua vida de volta. A vida confortável que eu te dava." Eu não o amava mais. Eu não sentia nada. Anos depois, ele apareceu na minha livraria em Portugal. Disse a ele a verdade. "Eu não penso mais em você, Marcos. Eu nem me lembro mais de como era te amar." Ele se foi. E eu estava livre.

Introdução

Eu estava no meu décimo copo de café, o dedo rolando o feed do Instagram.

Até que vi.

Uma foto de Marcos, meu marido há sete anos, abraçando outra mulher, Patrícia, com um sorriso que ele não me dava há anos.

O coraçãozinho dele ali, um 'like' que ele nunca me dava, foi um soco no estômago.

Eu postava nossas viagens, jantares, sete anos de casamento... ele nunca curtia. Dizia que "não tinha tempo para besteiras".

Mas para ela, ele tinha.

O cheiro do perfume dela em suas roupas, a menção natural do nome dela... eu sabia.

Quando confrontei Marcos, ele pegou o celular da minha mão e me acusou de paranóia.

"Ciúmes porque ela é competente?", ele riu, zombando da mulher que sacrificou a carreira e os sonhos por ele.

No dia seguinte, Patrícia postou uma indireta vitimista no feed da empresa.

Marcos a defendeu publicamente, elogiando sua 'dedicação e talento', me humilhando e isolando.

Uma mensagem dele chegou: "Se continuar com essa palhaçada, quem vai se dar mal é você."

Foi a gota d'água.

Eu não senti mais dor, nem raiva. Apenas um vazio gelado.

Peguei o telefone. Liguei para o Dr. Almeida.

"Sofia, você tem certeza?", ele perguntou.

"Absoluta", respondi.

Eu não estava mais lutando. Eu estava aceitando o fim.

Semanas depois, a provocação final.

Patrícia postou fotos, com a minha tradição de família, meu avental, ela na minha casa, com Marcos ao fundo.

A legenda dizia que Marcos tinha ensinado a ela.

Bloqueei a todos. Limpei minha vida digital.

Com a passagem comprada e o documento do divórcio em mãos, fui buscar minhas últimas coisas.

Ouvi a voz dos meus ex-sogros e de Marcos, difamando-me para Patrícia, chamando-me de "acomodada" e "sem ambição".

Entrei. Eles ficaram chocados.

Marcos, furioso: "O que você está fazendo aqui?"

"Vim buscar minhas coisas", respondi, calma.

Ele mandou eu ir embora, Patrícia agiu de vítima, ele e os pais dela se uniram e me atacaram.

Então, joguei a certidão de divórcio na mesa.

"Tarde demais. Já acabou. Oficialmente."

O choque deles foi impagável. Marco pálido, Patrícia em pânico perguntando sobre o dinheiro.

Marcos tentou se desculpar, chorando, usando nossas memórias, implorando para eu voltar.

"Não", eu disse, "não quero nada mais com você."

Patrícia tentou me empurrar, mas tropeçou e simulou uma queda, me acusando.

Marcos e os pais dela me atacaram, chamando-me de "monstra", defendendo a "guerreira" Patrícia, a qual eu sabia ser uma farsante.

Ninguém me impediu de ir embora.

No aeroporto, recebi uma ligação. Era Marcos. Ele tinha me encontrado.

Ele me deu um presente. Um vestido vermelho de veludo.

Perfeito para Patrícia. Eu era alérgica a veludo e corantes vermelhos.

"Você não me conhece, Marcos. Você nunca me conheceu."

Fechei a porta.

No avião, vi a foto dele com Patrícia no vestido. "Com quem realmente se importa. A vida segue."

Eu não senti nada.

Um ano depois, Marcos apareceu em meus pais, ajoelhado, lamentando a todo o custo.

"Ela me roubou. Destruiu minha empresa. Eu te quero de volta."

"Você não me quer de volta. Você quer a sua vida de volta. A vida confortável que eu te dava."

Eu não o amava mais. Eu não sentia nada.

Anos depois, ele apareceu na minha livraria em Portugal.

Disse a ele a verdade.

"Eu não penso mais em você, Marcos. Eu nem me lembro mais de como era te amar."

Ele se foi. E eu estava livre.

Capítulo 1

Eu estava no meu décimo copo de café do dia quando vi.

Meu dedo parou de rolar a tela do celular.

Era uma foto no Instagram de Patrícia, uma colega de trabalho do meu marido, Marcos.

Na foto, Marcos estava ao lado dela, ambos sorrindo. Ele a abraçava pela cintura, a mão perigosamente perto demais. A legenda dizia: "Noites de trabalho que valem a pena com o melhor chefe!".

O problema não era a foto em si, mas o coraçãozinho vermelho que Marcos tinha deixado ali.

Um like.

Um simples like que ele nunca me dava.

Eu postava fotos nossas, de viagens, de jantares, dos nossos sete anos de casados. Ele nunca curtia. Nunca comentava. Dizia que "não tinha tempo para essas besteiras".

Mas para Patrícia, ele tinha tempo.

Meu coração começou a bater mais devagar, um baque surdo e frio no peito.

Levantei os olhos do celular e olhei ao redor do escritório.

O ar estava pesado.

As pessoas cochichavam pelos cantos, lançando olhares na minha direção e depois desviando rapidamente quando eu as encarava. Eles já sabiam. Provavelmente sabiam há muito tempo.

Senti o calor subir pelo meu rosto, uma vergonha que não era minha, mas que me consumia. Eu era a esposa enganada, a última a saber, o assunto da fofoca na hora do café.

Fechei o aplicativo e tentei me concentrar no relatório à minha frente, mas as letras dançavam na tela. A imagem do sorriso de Marcos para Patrícia estava gravada na minha mente. A forma como ele a olhava, com uma admiração que eu não via dirigida a mim há anos.

Ele chegou em casa tarde da noite, como sempre.

O cheiro de um perfume feminino que não era o meu impregnava seu terno caro.

"Dia difícil?", perguntei, minha voz saindo mais calma do que eu esperava.

Ele jogou a pasta no sofá e afrouxou a gravata, soltando um suspiro cansado.

"Você não faz ideia, Sofia. A Patrícia está se matando de trabalhar naquele projeto novo, e eu tive que ficar para ajudar. Ela é muito dedicada."

A menção do nome dela foi tão natural que me causou um calafrio.

Mostrei o celular a ele, com a foto ainda na tela.

"Vi que vocês parecem bem próximos."

A expressão de Marcos mudou de cansaço para irritação em um segundo. Ele pegou o celular da minha mão com brusquidão.

"O que é isso? Você está me espionando agora? É só uma foto de colegas de trabalho, Sofia. Para de ser paranoica."

"Eu não sou paranoica, Marcos. Eu vejo como você a trata. Você curte as fotos dela, elogia o trabalho dela na frente de todos. E eu? Quando foi a última vez que você sequer notou o que eu faço?"

Ele riu, um som seco e sem humor.

"Ah, por favor. Não vamos começar com esse drama. A Patrícia é uma funcionária valiosa, é meu dever como chefe incentivá-la. Você está fazendo uma tempestade em copo d'água. Está com ciúmes porque ela é competente?"

A acusação me atingiu. Eu havia sacrificado minha própria carreira, meus próprios sonhos, para apoiar a ascensão dele. Abandonei meu mestrado para que ele pudesse fazer o dele. Trabalhei em empregos medíocres para que ele pudesse se arriscar em sua própria empresa. E agora, ele me acusava de ter ciúmes.

Senti o sangue ferver, mas mantive a compostura.

"Não se trata de competência, Marcos. Se trata de respeito. Respeito pelo nosso casamento."

Ele passou a mão pelo cabelo, impaciente.

"Olha, eu estou exausto. Não tenho cabeça pra isso agora. A gente conversa amanhã. Eu prometo que vou dar mais atenção pra você, tá bom? Vou te levar pra jantar naquele lugar que você gosta."

Era uma promessa vazia, e nós dois sabíamos disso. Era a mesma promessa que ele fazia sempre que eu tentava conversar sobre nós.

O celular dele tocou nesse exato momento.

Ele olhou para a tela e seu rosto se suavizou.

"Preciso atender. É importante, do trabalho."

Ele se afastou, indo para a varanda. Sua voz era baixa, mas eu pude ouvir fragmentos. "Não, tá tudo bem... ela só tá um pouco estressada... Sim, amanhã a gente resolve... Boa noite pra você também."

Ele desligou e voltou para a sala, evitando meu olhar. A conversa tinha sido interrompida, como sempre. A promessa, já esquecida.

Na manhã seguinte, o inferno se instalou.

Abri meu computador no trabalho e vi uma postagem de Patrícia no feed da empresa, visível para todos os funcionários.

Era um texto longo e vitimista.

Ela falava sobre como era difícil ser uma mulher dedicada em um ambiente de trabalho competitivo, sobre como "certas pessoas" interpretavam mal a amizade e o profissionalismo, e como a "insegurança alheia" estava tentando prejudicar sua carreira. Ela não citou meu nome, mas não precisava. Todos sabiam para quem era a indireta.

O pior veio em seguida.

Abaixo do post, um comentário de Marcos.

"Patrícia, ignore as mentes pequenas. Sua dedicação e talento são inquestionáveis. Como seu superior, garanto que nenhuma fofoca mal-intencionada irá afetar sua posição ou seu crescimento na empresa. Conte com meu total apoio."

Era uma declaração de guerra.

Ele não estava apenas a defendendo, estava me humilhando publicamente, usando sua posição de poder para me silenciar e me isolar. Os olhares no escritório se tornaram ainda mais intensos, misturando pena e desprezo.

Meu telefone vibrou. Era uma mensagem de Marcos.

"Espero que agora você entenda. Pare de criar problemas. Se continuar com essa palhaçada, quem vai se dar mal é você."

Li a ameaça e um sorriso frio surgiu nos meus lábios.

Eu não senti mais dor, nem raiva. Apenas um vazio gelado. Ele tinha feito sua escolha.

Peguei meu telefone e disquei o número do meu advogado.

"Olá, Dr. Almeida. Sou eu, Sofia. Acho que está na hora de usarmos aqueles papéis."

Do outro lado da linha, um silêncio, e depois uma voz calma. "Você tem certeza, Sofia?"

"Absoluta", respondi, olhando para a tela do computador onde o post de Patrícia e o comentário de Marcos brilhavam como um letreiro de neon anunciando o fim.

Digitei uma resposta para Marcos, curta e direta.

"Ok."

Ele não entendeu. Achou que era uma rendição.

Mas era o contrário. Era a minha aceitação do fim.

Eu estava cansada de lutar por algo que já estava morto. Ele tinha esquecido o nosso compromisso, mas, no processo, me fez lembrar de algo que eu havia esquecido há muito tempo: eu mesma.

Ele podia ficar com o apoio dela, com a empresa, com a imagem de sucesso.

Eu ficaria com a minha liberdade.

E, pela primeira vez em muito tempo, eu senti que estava fazendo a escolha certa.

Capítulo 2

A lembrança de seis meses atrás veio com uma clareza dolorosa.

Estávamos no escritório do advogado, um lugar com cheiro de papel velho e promessas quebradas. Eu tinha preparado um acordo de divórcio. Não porque eu quisesse me divorciar na época, mas como uma tentativa desesperada de fazê-lo enxergar a gravidade da situação.

Marcos mal olhou para os papéis.

Ele estava no celular, respondendo a e-mails de trabalho, impaciente.

"Sofia, isso é realmente necessário? Tenho uma reunião em vinte minutos."

"Leia, por favor", eu pedi, a voz trêmula.

Ele folheou as páginas com desdém, seus olhos passando por cima das cláusulas sem registrar nada. A divisão de bens, o apartamento, a casa de campo dos pais dele que estava em nosso nome. Ele não se importava.

"Tanto faz", ele disse, pegando a caneta.

Ele assinou seu nome no final, um rabisco rápido e descuidado, e empurrou os papéis de volta para mim.

"Pronto? Satisfeita? Agora podemos parar com esse teatro?"

Seu celular vibrou de novo. Ele sorriu para a tela.

"Tenho que ir. A Patrícia precisa de mim para fechar um contrato importante."

Ele se levantou e saiu, sem nem olhar para trás.

O advogado me olhou com pena. "Ele nem leu o que assinou, Sofia."

"Eu sei", respondi, o coração pesado. "Ele confia nela cegamente."

Eu sabia que a mensagem que ele sorriu ao ler era dela. Patrícia. A mulher para quem ele dedicava todo o seu tempo e atenção.

Naquele dia, no escritório do advogado, eu entendi. Não era sobre o trabalho. Nunca foi.

Naquele mesmo dia, mais tarde, eu o vi.

Eu estava saindo de uma reunião no centro da cidade, no mesmo prédio comercial onde ficava a sede da empresa dele.

Ao passar pelo café no térreo, vi os dois sentados em uma mesa no canto.

Marcos e Patrícia.

Ele estava inclinado sobre a mesa, ouvindo-a com uma atenção que ele nunca me deu. A mão dela estava sobre a dele. Eles não estavam falando de trabalho. O jeito que ele olhava para ela, o sorriso dela... era íntimo, cúmplice.

Senti meu estômago revirar.

Fiquei ali, parada do lado de fora, olhando através do vidro, invisível para eles. Vi quando ele pegou o celular e digitou algo, rindo. Segundos depois, meu próprio celular vibrou.

Era uma mensagem dele: "Reunião chata. Preso aqui. Te vejo mais tarde."

A mentira descarada me deixou sem ar.

Eu estava ali, a poucos metros, vendo a verdade com meus próprios olhos, enquanto ele mentia para mim com uma facilidade assustadora.

Naquela noite, a conversa que tivemos foi um replay distorcido daquela cena no café. Ele chegou em casa, cansado da "reunião chata", e eu, boba, tentei mais uma vez.

"Marcos, a gente precisa conversar sério."

"De novo, Sofia? Já não assinamos aquele papel ridículo que você queria?"

Naquela época, a assinatura dele era apenas um blefe para mim, uma ferramenta para chamar sua atenção. Para ele, era um incômodo que ele já havia esquecido.

Agora, no presente, o telefone tocou de novo, me tirando das minhas lembranças amargas.

Era Marcos. A voz dele era um trovão do outro lado da linha.

"Sofia, que porra é essa? O RH acabou de me ligar! Disseram que receberam um telefonema do seu advogado sobre 'procedimentos de divórcio'! Você enlouqueceu? Quer me envergonhar na frente de toda a empresa?"

A voz de Patrícia podia ser ouvida ao fundo, um sussurro choroso. "Marcos, não briga com ela por minha causa... Eu não quero ser o motivo de mais problemas..."

A atuação dela era digna de um Oscar.

Marcos, como sempre, caiu no teatro dela.

"Tá vendo o que você fez?", ele gritou no telefone. "A Patrícia está aqui, se sentindo culpada, chorando, e a culpa é sua! Sua, com esse seu ciúme doentio!"

Ele continuou, sua voz cheia de desprezo.

"Ela não tem nada, Sofia. Veio de uma família pobre, lutou por tudo o que tem. Você não sabe o que é isso. Você sempre teve tudo na mão. E agora quer destruir a carreira dela por pura maldade?"

Ele estava me acusando de ser a vilã, pintando Patrícia como uma mártir.

"Ela é tão sensível, tão frágil. E você, com essa sua atitude, está acabando com ela. Eu estou aqui, tendo que consolar ela, em vez de estar trabalhando. Tudo por causa da sua insegurança."

A ironia era tão espessa que eu quase podia tocá-la. Ele me acusava de não saber o que era lutar, quando eu tinha passado os últimos sete anos lutando por ele, por nós.

Ouvi a voz de Patrícia de novo, mais alta agora. "Marcos, querido, não fala assim com ela. Talvez eu devesse pedir demissão... seria melhor para todo mundo."

"De jeito nenhum!", ele respondeu, a voz cheia de uma proteção feroz. "Você não vai a lugar nenhum. Eu não vou deixar essa mulher te prejudicar."

"Essa mulher."

Era assim que ele se referia a mim agora.

Eu permaneci em silêncio, ouvindo o veneno dele escorrer pelo telefone. A cada palavra, a decisão que eu havia tomado se solidificava. Não era apenas uma assinatura em um papel, era a minha libertação. E ele, na sua arrogância e cegueira, não fazia a menor ideia do que estava por vir.

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