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O Relógio e a Traição

O Relógio e a Traição

Autor:: Sue Stigler
Gênero: Romance
Ricardo e Patrícia, parceiros na vida e nos negócios, construíram seu império tijolo por tijolo. Um relógio de luxo no pulso de Leonardo, o estagiário, despedaçou essa ilusão. Não era qualquer relógio; era o símbolo do amor deles, da empresa, do futuro que sonharam. Patrícia, com um sorriso displicente, disse que o havia dado como um "presente" por ele ser "valioso", ignorando a fúria em seus olhos. A cena dela rindo com Leonardo, enquanto exibia o relógio no escritório, era uma facada. Mas o golpe final veio quando Ricardo a confrontou e ela, revirando os olhos, minimizou: "É só um relógio. Posso comprar outro pra você." Sua voz baixa, carregada de fúria contida, a acusou: "Você deu o símbolo do nosso compromisso, da nossa empresa, para um estagiário que você favorece descaradamente?" Ela respondeu com irritação, cruzando os braços: "Não tenho tempo para o seu ciúme! Temos uma empresa para administrar!" A dor cortante de vê-la defender o garoto, o homem que ele via como ameaça, em detrimento do que eles construíram, foi insuportável. Ele não entendia como ela podia desprezar o que ele tanto valorizava. Ainda mais quando o relógio idêntico que ele usava era a prova do compromisso mútuo de um dia. Mas a dor se transformou em uma frieza cortante, uma certeza sombria. Se o tempo deles não significava mais nada para ela, então os sonhos que eles construíram juntos também não precisavam significar. Naquela noite, a promessa dela de que "não aconteceria de novo" soou vazia. Ricardo sabia que não seria mais a vítima. Ele tomaria o controle. Ele não a amava mais. Ele não sentia mais nada além de um cansaço profundo. Ele queria o divórcio.

Introdução

Ricardo e Patrícia, parceiros na vida e nos negócios, construíram seu império tijolo por tijolo.

Um relógio de luxo no pulso de Leonardo, o estagiário, despedaçou essa ilusão.

Não era qualquer relógio; era o símbolo do amor deles, da empresa, do futuro que sonharam.

Patrícia, com um sorriso displicente, disse que o havia dado como um "presente" por ele ser "valioso", ignorando a fúria em seus olhos.

A cena dela rindo com Leonardo, enquanto exibia o relógio no escritório, era uma facada.

Mas o golpe final veio quando Ricardo a confrontou e ela, revirando os olhos, minimizou: "É só um relógio. Posso comprar outro pra você."

Sua voz baixa, carregada de fúria contida, a acusou: "Você deu o símbolo do nosso compromisso, da nossa empresa, para um estagiário que você favorece descaradamente?"

Ela respondeu com irritação, cruzando os braços: "Não tenho tempo para o seu ciúme! Temos uma empresa para administrar!"

A dor cortante de vê-la defender o garoto, o homem que ele via como ameaça, em detrimento do que eles construíram, foi insuportável.

Ele não entendia como ela podia desprezar o que ele tanto valorizava.

Ainda mais quando o relógio idêntico que ele usava era a prova do compromisso mútuo de um dia.

Mas a dor se transformou em uma frieza cortante, uma certeza sombria.

Se o tempo deles não significava mais nada para ela, então os sonhos que eles construíram juntos também não precisavam significar.

Naquela noite, a promessa dela de que "não aconteceria de novo" soou vazia.

Ricardo sabia que não seria mais a vítima. Ele tomaria o controle.

Ele não a amava mais. Ele não sentia mais nada além de um cansaço profundo.

Ele queria o divórcio.

Capítulo 1

Ricardo viu o relógio no pulso de Leonardo e sentiu o ar faltar nos pulmões.

Era um relógio de luxo, com pulseira de couro e mostrador prateado, um modelo que ele conhecia muito bem.

Era o relógio que ele e Patrícia tinham comprado juntos há cinco anos, para comemorar o primeiro grande contrato da "Sonhos Concretos".

O relógio que simbolizava o início de tudo, a promessa de um futuro construído tijolo por tijolo, lado a lado.

E agora, ele estava no pulso de Leonardo, o estagiário.

Leonardo, o jovem carismático que deveria ter sido dispensado há meses, mas que continuava ali, cada vez mais próximo de Patrícia.

Ele exibia o relógio com um sorriso vitorioso, gesticulando amplamente enquanto conversava com outros funcionários no meio do escritório.

Ele queria que todos vissem.

Ele queria que Ricardo visse.

A raiva subiu pela garganta de Ricardo, quente e amarga.

Ele caminhou a passos firmes até a mesa de sua esposa. Patrícia estava de costas, rindo de algo que Leonardo dizia.

Ricardo parou atrás dela, esperando.

O riso dela morreu quando ela sentiu sua presença. Ela se virou, o sorriso ainda nos lábios, mas os olhos um pouco surpresos.

"Ricardo, querido. O que foi?"

Ricardo não respondeu. Apenas olhou para Leonardo, e depois para o relógio.

Leonardo percebeu o olhar e seu sorriso se alargou. Ele ajeitou o relógio no pulso, um gesto deliberado e provocador.

Patrícia seguiu o olhar do marido e finalmente entendeu. A expressão dela mudou, uma ponta de irritação aparecendo.

"Ah, isso", ela disse, com um tom displicente. "Eu dei a ele. Um presente, um bônus pelo excelente trabalho que ele tem feito."

A desculpa era tão fraca que chegava a ser um insulto.

Ricardo se aproximou mais, falando baixo para que apenas ela ouvisse.

"Aquele relógio, Patrícia? O nosso relógio?"

A voz dele era um sussurro perigoso.

"Não seja dramático, Ricardo", ela respondeu, revirando os olhos. "É só um relógio. Eu posso comprar outro para você, se quiser."

Ela se virou para Leonardo.

"Léo, pode me trazer um café, por favor? Forte."

Era uma demissão clara. Uma ordem para que ele saísse para que ela pudesse lidar com o marido irritante.

Ricardo sentiu o sangue ferver.

"Você está me perguntando qual é o problema?", ele disse, a voz ainda baixa, mas carregada de uma fúria contida. "Você deu o símbolo do nosso compromisso, da nossa empresa, para um estagiário que você favorece descaradamente?"

Patrícia cruzou os braços, a paciência se esgotando.

"Francamente, Ricardo, eu não tenho tempo para o seu ciúme. Temos uma empresa para administrar."

"Nós temos? Ou você tem? Porque ultimamente parece que a 'Sonhos Concretos' virou o seu clube particular com o seu novo assistente."

A acusação ficou no ar.

Patrícia o fuzilou com o olhar.

"Cuidado com o que você diz. Leonardo é um funcionário valioso, e eu não vou tolerar que você o desrespeite por causa de uma crise de insegurança."

Ricardo riu, um som sem alegria.

Insegurança. Era assim que ela via. Não como uma traição, uma quebra de confiança.

Ele se lembrou do dia em que compraram aquele relógio.

Eles tinham acabado de fechar o projeto do Edifício Vanguarda, o contrato que os colocou no mapa.

Eles não tinham muito dinheiro, mas gastaram uma fortuna naquele par de relógios idênticos.

"Um para cada um", Patrícia dissera, os olhos brilhando. "Para nos lembrarmos sempre que nosso tempo, juntos, é o nosso bem mais precioso. O tempo que dedicamos a construir nossos sonhos."

Agora, aquele tempo parecia uma piada.

Ele olhou para Patrícia, a mulher que ele amava, a mulher com quem construiu tudo, e viu uma estranha.

Uma mulher que trocava seus símbolos por bajulação barata.

"Tudo bem", ele disse, a voz subitamente calma.

A calma dele a assustou mais do que a raiva.

"Tudo bem o quê?", ela perguntou, desconfiada.

"Você está certa. Temos uma empresa para administrar", ele disse, virando as costas e caminhando para sua própria sala.

Ele fechou a porta, a madeira abafando o som do escritório.

Por um momento, ele ficou parado, a mão na maçaneta, o coração batendo descontrolado. A dor da traição era física, uma pressão no peito.

Mas a dor rapidamente deu lugar a uma frieza cortante.

Se o tempo deles não significava mais nada para ela, então os sonhos que eles construíram juntos também não precisavam significar.

Ele se sentou em sua cadeira, ligou o computador e abriu seu e-mail.

Encontrou o contato de um cliente em potencial, a construtora Nova Era, que estava procurando um escritório de arquitetura para um novo condomínio de luxo.

Um projeto grande. Um projeto que a "Sonhos Concretos" precisava desesperadamente.

Ele redigiu um e-mail curto e direto, não para o cliente, mas para outro endereço.

O assunto era "Oportunidade".

No corpo do e-mail, ele apenas encaminhou os detalhes do projeto Nova Era.

Ele enviou a mensagem e, em seguida, ligou para o diretor da Nova Era.

"Alô, Sr. Martins? Aqui é Ricardo, da Sonhos Concretos. Sobre o projeto do condomínio... sim. Infelizmente, após uma análise interna, vimos que nossa agenda para os próximos meses está completamente lotada. Não conseguiríamos dar ao seu projeto a atenção que ele merece."

Ele fez uma pausa, ouvindo a decepção do outro lado da linha.

"Mas", continuou Ricardo, "eu tenho uma recomendação pessoal. Uma arquiteta extremamente talentosa, com um portfólio impecável. A empresa dela se chama 'Estrutura Prime'. Tenho certeza de que eles farão um trabalho excepcional. Sim, vou te passar o contato dela."

Ele desligou o telefone e olhou pela persiana de sua sala.

Leonardo agora estava ao lado da mesa de Patrícia, mostrando algo no celular dela. Os dois riam juntos, próximos demais.

A vingança, Ricardo pensou, seria um prato que se come frio.

E ele estava apenas começando a preparar o banquete.

Duas horas depois, Patrícia entrou em sua sala como um furacão, o rosto vermelho de raiva.

Ela bateu a porta atrás de si.

"Você pode me explicar o que diabos foi isso?", ela gritou, jogando o celular na mesa dele.

Ricardo olhou para o aparelho e depois para ela, com uma calma estudada.

"Isso o quê, exatamente?"

"A Nova Era! O Sr. Martins acabou de me ligar! Ele disse que você recusou o projeto! Ele já fechou com outra empresa, uma tal de 'Estrutura Prime'! Você enlouqueceu, Ricardo? Nós precisávamos desse contrato!"

A fúria dela era quase palpável.

Ricardo se recostou na cadeira, os dedos entrelaçados sobre a mesa.

"Eu não enlouqueci, Patrícia. Eu apenas tomei uma decisão de negócios."

"Decisão de negócios? Você sabotou a nossa empresa! Você entregou um cliente de bandeja para a concorrência!"

Ele a olhou nos olhos, a frieza no seu olhar a fez recuar um passo.

"Eu protegi a nossa empresa", ele corrigiu. "Nossas finanças não estão bem. Você sabe disso. E gastar uma fortuna em 'bônus' para estagiários não ajuda em nada."

Ele fez uma pausa, deixando as palavras surtirem efeito.

"Talvez, se você estivesse menos ocupada administrando a carreira do seu protegido e mais focada nos balanços da empresa que nós dois fundamos, você teria percebido que não podemos nos dar ao luxo de aceitar projetos sem uma análise financeira rigorosa."

A acusação era clara, ligando a perda do cliente diretamente ao comportamento dela.

Patrícia ficou sem palavras, o rosto alternando entre raiva e choque.

Ela não esperava essa reação. Ela não esperava essa frieza.

Ela esperava o Ricardo de sempre. O Ricardo que discutia, que se magoava, mas que no fim sempre a perdoava.

Aquele Ricardo, no entanto, havia morrido algumas horas atrás, junto com o significado daquele relógio de prata.

"Isso não acabou, Ricardo", ela sibilou, pegando o celular da mesa.

"Eu sei", ele respondeu, sem desviar o olhar. "Ainda não."

Capítulo 2

Naquela noite, o silêncio na mesa de jantar era pesado, denso.

Patrícia tentou quebrar o gelo.

Ela preparou o prato favorito de Ricardo, risoto de cogumelos, e abriu uma garrafa do melhor vinho que tinham na adega.

"Eu estava pensando...", ela começou, a voz um pouco hesitante. "Sobre o relógio."

Ricardo continuou a comer, sem levantar os olhos do prato.

"Eu sei que você ficou chateado", ela continuou, tentando soar conciliadora. "Mas não foi nada demais, de verdade. O Leonardo tem se desdobrado, feito horas extras... foi só um gesto de reconhecimento. Ele admira muito a empresa, o nosso trabalho."

Ela tentou se mostrar vulnerável, uma tática que sempre funcionava.

"Eu não deveria ter escolhido aquele relógio específico, eu admito. Foi uma falha minha, eu estava com a cabeça cheia. Me desculpe."

Ricardo parou de comer.

Ele pousou os talheres ao lado do prato, o som ecoando na sala silenciosa.

Ele finalmente olhou para ela.

"Não, Patrícia. Não foi uma 'falha'. Foi uma escolha."

A voz dele era calma, mas firme.

"Você escolheu desvalorizar algo que era nosso, que era único. O problema não é o valor do relógio, é o valor do que ele representava. E você deu isso a outra pessoa. Você entende a diferença?"

A pergunta não era uma acusação, era uma constatação. Ele estava testando se ela ainda era capaz de entender a linguagem deles.

Patrícia suspirou, sentindo a frustração crescer.

"Você está fazendo uma tempestade em copo d'água. Era só um objeto."

"Não, não era", ele a cortou. "Era um símbolo. E símbolos importam. A lealdade importa. O respeito importa."

Ele se inclinou para a frente.

"O que eu fiz hoje, recusando o projeto Nova Era, também foi um símbolo. Foi um aviso."

A palavra "aviso" pairou no ar entre eles.

"Um aviso?", ela repetiu, incrédula. "Você está me ameaçando?"

"Estou te mostrando as consequências", ele esclareceu. "O que aconteceu hoje foi apenas o começo. Se você continuar a colocar seus caprichos e esse garoto acima da nossa parceria e da nossa empresa, as perdas serão muito maiores. Eu garanto."

A ameaça era velada, mas absolutamente clara.

Ele não estava mais jogando o jogo do marido magoado. Ele estava jogando para vencer.

Patrícia o encarou, chocada. O Ricardo à sua frente era alguém que ela não reconhecia. Calculista, frio, determinado.

Ela sentiu um calafrio. Pela primeira vez, ela sentiu medo de perdê-lo. Não apenas o marido, mas o sócio, o pilar que sustentava o mundo dela.

"Isso não vai mais acontecer", ela disse, a voz baixa e apressada. "Eu prometo. Vou manter o Leonardo no lugar dele. Foi um erro, eu entendi."

Ricardo apenas a observou, o rosto inescrutável.

Ele não acreditava nela.

Não mais.

Ele viu a promessa nos lábios dela, mas viu a verdade nos olhos dela. A verdade era que ela não achava que tinha feito nada de errado. Ela estava apenas cedendo para apagar o incêndio, para que pudesse voltar a fazer o que queria.

Ela não entendia que o problema não era o Leonardo. O problema era ela.

"Ótimo", ele disse, levantando-se da mesa. "Estou cansado. Vou para o quarto de hóspedes hoje."

"Ricardo, espere...", ela pediu, levantando-se também.

Mas ele já estava saindo da sala de jantar, sem olhar para trás.

Patrícia ficou sozinha, olhando para o risoto intocado no prato dele.

Ela sentiu uma pontada de pânico. Ela havia subestimado a profundidade da ferida que causara.

Ela arrumou a mesa, lavou a louça, realizou as tarefas domésticas como se a normalidade pudesse, de alguma forma, consertar a rachadura que se abria entre eles.

Ela pensava que um pedido de desculpas e uma promessa seriam suficientes.

Ela não entendia que a confiança, uma vez quebrada, não se conserta com palavras.

Ricardo, deitado na cama do quarto de hóspedes, olhava para o teto.

Ele ouvia os sons dela se movendo pela casa, a tentativa patética de restaurar uma ordem que não existia mais.

Ele sabia que a promessa dela era vazia.

O coração dele doía, uma dor surda e persistente. Mas por baixo da dor, uma nova resolução se solidificava.

Ele não seria mais a vítima. Ele não esperaria pela próxima traição.

Ele tomaria o controle.

Ele pegou o celular e enviou uma mensagem.

"Precisamos conversar. Amanhã."

A resposta foi quase imediata.

"Claro, irmão. Onde e quando?"

Ele sorriu no escuro.

A ajuda estava a caminho.

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