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O Renascer de Laura

O Renascer de Laura

Autor:: Marijn Mannes
Gênero: Romance
Minha consciência se esvaía em meio ao som de metal retorcido e vidro estilhaçado. O carro capotado, o cheiro de gasolina... e nos meus últimos instantes, tudo que vi foi o sorriso falso de Sofia, minha irmã, e os olhos frios de Gabriel, o homem que eu amei, ardendo por ela. A traição não foi um evento, mas uma campanha de humilhação pública. O amuleto de família, minha última esperança, quebrado no bolso, lembrando-me da ganância deles momentos antes do acidente. "Era para ser, Laura, nosso amor com Gabriel é o destino." As palavras de Sofia ecoavam enquanto eu morria sozinha na beira da estrada escura. Que futilidade... De repente, uma voz mecânica quebrou a escuridão: "Anomalia detectada. Personagem coadjuvante 'Laura' terminada prematuramente. Reativando para garantir a trama principal: 'O Amor Destinado de Gabriel e Sofia'." Acordei em minha cama, ao lado de um Gabriel ausente, com uma mensagem de Sofia pedindo dinheiro. A raiva e a dor lutavam, mas uma nova sensação surgiu, fria como aço. Eu não seria o degrau para a felicidade de ninguém, e a maldita "trama principal" não era mais problema meu. Peguei meu celular, não para responder Sofia, mas para cortar cada laço, um por um, recomeçando minha própria história.

Introdução

Minha consciência se esvaía em meio ao som de metal retorcido e vidro estilhaçado.

O carro capotado, o cheiro de gasolina... e nos meus últimos instantes, tudo que vi foi o sorriso falso de Sofia, minha irmã, e os olhos frios de Gabriel, o homem que eu amei, ardendo por ela.

A traição não foi um evento, mas uma campanha de humilhação pública. O amuleto de família, minha última esperança, quebrado no bolso, lembrando-me da ganância deles momentos antes do acidente.

"Era para ser, Laura, nosso amor com Gabriel é o destino." As palavras de Sofia ecoavam enquanto eu morria sozinha na beira da estrada escura. Que futilidade...

De repente, uma voz mecânica quebrou a escuridão: "Anomalia detectada. Personagem coadjuvante 'Laura' terminada prematuramente. Reativando para garantir a trama principal: 'O Amor Destinado de Gabriel e Sofia'."

Acordei em minha cama, ao lado de um Gabriel ausente, com uma mensagem de Sofia pedindo dinheiro. A raiva e a dor lutavam, mas uma nova sensação surgiu, fria como aço.

Eu não seria o degrau para a felicidade de ninguém, e a maldita "trama principal" não era mais problema meu.

Peguei meu celular, não para responder Sofia, mas para cortar cada laço, um por um, recomeçando minha própria história.

Capítulo 1

A consciência de Laura se dissipava em meio ao som agudo de metal se torcendo e vidro se estilhaçando, o cheiro de gasolina e queimado invadia seus pulmões com uma violência final. O carro capotado era uma armadilha de ferro retorcido, e seu corpo, um peso inútil preso dentro dele. Nos últimos instantes, sua vida não passou como um filme, mas como fragmentos dolorosos e repetitivos.

Via o rosto de sua irmã, Sofia, sorrindo com um carisma que cativava o mundo, um sorriso que Laura mesma ajudou a construir, pagando seus cursos, promovendo suas redes sociais, sacrificando seus próprios sonhos de arquiteta para que Sofia pudesse brilhar como influencer. Via o rosto de Gabriel, o artista plástico por quem se apaixonou, cujos olhos expressivos um dia a olharam com uma promessa de futuro. E então, via os dois juntos, o sorriso de Sofia agora malicioso, os olhos de Gabriel agora frios para ela, quentes para sua irmã. A traição não foi um evento único, foi uma campanha de humilhação lenta e pública. A frase que Sofia usou para justificar o roubo do seu amor ecoava em sua mente moribunda: "Era para ser, Laura, nosso amor com Gabriel é o destino". E Laura, devastada, acreditou. Agora, morrendo sozinha na beira de uma estrada escura, ela via a futilidade de tudo. Sua dedicação, seu sacrifício, seu amor, tudo se transformou em pó e cinzas. O amuleto de família, sua última esperança de expor a verdade, estava quebrado em seu bolso, o mesmo amuleto que Sofia e Gabriel tentaram arrancar dela momentos antes do acidente, revelando a ganância deles. O último pensamento de Laura não foi de ódio, mas de um cansaço profundo, um desejo de que tudo simplesmente acabasse.

De repente, a escuridão absoluta foi rompida por uma luz fria e impessoal, e uma voz mecânica, sem emoção, soou em sua mente.

"Anomalia detectada no enredo. Personagem coadjuvante 'Laura' terminada prematuramente."

Laura não tinha corpo, não sentia dor, era apenas uma consciência flutuando no vazio. A confusão era a única sensação que restava.

"Ativando protocolo de reinicialização de emergência. A personagem 'Laura' será reinserida no ponto de controle anterior. Objetivo: garantir a conclusão da trama principal 'O Amor Destinado de Gabriel e Sofia'."

A voz parou, e a luz fria a envolveu completamente. Uma força irresistível a puxou, e a sensação de ter um corpo retornou de forma abrupta e violenta. Ela abriu os olhos com um sobressalto, o ar enchendo seus pulmões com um ardor familiar. Ela estava em seu próprio quarto, na cama que dividia com Gabriel. A luz do sol da manhã filtrava pela janela, a mesma luz da manhã do dia em que sua vida começou a desmoronar. O celular dela vibrou na mesinha de cabeceira. Era uma mensagem de Sofia. "Irmã, pode me emprestar dinheiro de novo? É para uma coisa muito importante para a minha carreira." Na vida passada, ela transferiu o dinheiro sem hesitar.

Laura olhou para a mensagem, o texto borrado por uma onda de náusea. O trauma da morte ainda pulsava em suas veias, fresco e aterrorizante. Ela olhou para o outro lado da cama. Vazio. Gabriel não tinha dormido em casa. Na vida passada, ele diria que passou a noite no ateliê, trabalhando. Agora, Laura sabia onde ele realmente estava. A raiva e a dor lutavam dentro dela, mas por baixo de tudo, uma nova sensação brotava, fria e dura como aço. A voz em sua mente tinha sido clara, ela era uma "personagem coadjuvante" destinada a ser um sacrifício. Não desta vez. Ela não seria o degrau para a felicidade de ninguém.

Ela pegou o celular, não para responder a Sofia, mas para abrir o aplicativo do banco. Com dedos firmes, transferiu a maior parte de suas economias, o dinheiro que guardava para a entrada de uma casa com Gabriel, para uma conta secreta em seu nome. Depois, abriu o contato de seus pais. "Mãe, pai, vou visitar vocês no fim de semana. Preciso conversar sobre meu futuro." Ela estava cortando os laços, um por um. Não haveria mais sacrifícios. Ela iria construir sua própria vida, longe da sombra de Sofia e da traição de Gabriel. Ela apagou a mensagem de Sofia sem responder e bloqueou o número. Um pequeno ato, mas que pareceu um grito de liberdade.

Gabriel chegou em casa no meio da tarde, parecendo cansado, mas com um brilho satisfeito nos olhos. Ele tentou beijá-la, mas Laura se afastou.

"O que foi, amor? Aconteceu alguma coisa?", ele perguntou, a preocupação em sua voz soando falsa aos ouvidos dela.

"Não aconteceu nada", disse Laura, com uma calma que o surpreendeu. "Só estou cansada."

"Você viu a mensagem da Sofia? Ela precisa daquele dinheiro para o novo contrato de publicidade. É a grande chance dela", ele disse, casualmente, como se fosse a coisa mais natural do mundo pedir que Laura financiasse a irmã.

"Eu vi. Não vou mandar", respondeu ela, sem encará-lo, focada em dobrar uma pilha de roupas.

O rosto de Gabriel se fechou. "Como assim, não vai mandar? Laura, é a sua irmã. Você sempre a apoiou."

"As coisas mudam, Gabriel", ela disse, finalmente olhando para ele. Seus olhos não tinham mais a adoração de antes, apenas uma frieza polida. "Eu tenho meus próprios planos agora."

A discussão que se seguiu foi feia. Gabriel a acusou de ser egoísta, de ter inveja do sucesso da irmã. Cada palavra dele era uma faca, mas uma faca que não a cortava mais. Ela já tinha sangrado até a morte por causa daquelas palavras. Agora, elas eram apenas ruído. O conflito estava escalando, o mal-entendido se aprofundando, e pela primeira vez, Laura se sentia no controle. Ela não estava reagindo, estava observando, como uma espectadora de sua própria vida antiga.

Mais tarde naquela noite, enquanto fingia dormir, Laura ouviu Gabriel falando baixo ao telefone no jardim. Ela se aproximou da janela, escondida pela cortina. Ele estava falando com Sofia.

"Não se preocupe, meu amor. Eu dou um jeito. Vendi aquele relógio que meu avô me deu. O dinheiro já está na sua conta", a voz de Gabriel era um sussurro carinhoso, um tom que ele não usava com Laura há meses. "Faço qualquer coisa por você. Você sabe disso."

Laura sentiu o coração apertar, um eco fantasma da dor que a destruiu. O relógio era a única herança de valor sentimental que Gabriel possuía. Na vida passada, ele o vendeu para pagar uma dívida de jogo que ele inventou para justificar a falta de dinheiro, enquanto na verdade estava financiando os luxos de Sofia. Ver aquilo de novo, sabendo da verdade, era a confirmação final. O sacrifício dele nunca foi por ela, seu amor nunca foi para ela. Ele estava disposto a abrir mão de suas memórias mais preciosas por Sofia.

Laura recuou da janela, o último resquício de sentimento por ele se desfazendo como fumaça. Ela voltou para a cama e se deitou. A voz mecânica ecoou em sua mente: "Garantir a conclusão da trama principal". Uma risada silenciosa e amarga escapou de seus lábios. A trama deles. O destino deles. Ela fechou os olhos, não para dormir, mas para planejar. Ela não era um personagem coadjuvante. Ela era a protagonista de sua própria história, e o primeiro ato seria sua fuga. "Eu desisto", sussurrou para o quarto vazio. "Eu desisto de ser a sua 'Laura'."

Capítulo 2

A dor começou como uma pontada surda no baixo ventre, crescendo em ondas até se tornar uma cãibra agonizante que a fazia se curvar. Laura estava sentada na sala de espera fria e impessoal da clínica, o cheiro de antisséptico pairando no ar. Na sua vida anterior, esse foi o dia em que ela descobriu que estava grávida de Gabriel e, no mesmo dia, sofreu um aborto espontâneo causado pelo estresse da traição recém-descoberta. Agora, renascida, o corpo dela parecia se lembrar do trauma. Ela não estava grávida, mas a dor fantasma estava lá, um lembrete cruel do que havia perdido.

Ela tinha ligado para Gabriel. Ele disse que estava a caminho, que estava saindo de uma "reunião importante". Já se passavam duas horas.

As paredes brancas da sala de espera pareciam se fechar sobre ela. Cada tique-taque do relógio na parede era um martelo batendo em seus nervos. Ela estava sozinha, cercada por outros casais que se apoiavam, sussurravam palavras de conforto. Laura abraçou a si mesma, tentando conter os tremores de dor e frio. A humilhação de esperar por alguém que ela sabia que não viria era quase tão ruim quanto a dor física. Gabriel não viria. A "reunião importante" dele era Sofia. Sofia tinha ligado para ele em pânico porque uma campanha online tinha dado errado. Na vida passada, ele correu para o lado dela, deixando Laura sangrando e sozinha.

Finalmente, a dor diminuiu o suficiente para que ela conseguisse se levantar e ir para casa. Quando entrou no apartamento, o silêncio a saudou. Não havia sinal de Gabriel. Ela se arrastou para o quarto e desabou na cama, exausta. Horas depois, acordou com o som da porta da frente se abrindo. Ouviu a voz de Gabriel, baixa e urgente, e depois, a voz de Sofia, chorosa.

"Obrigada, Gabi. Eu não sei o que faria sem você. Você salvou minha carreira."

"Eu sempre estarei aqui por você, Sofi. Sempre."

Laura ficou imóvel, ouvindo os passos deles se aproximando do quarto. A porta se abriu levemente. Ela fechou os olhos, fingindo dormir. Ela sentiu o peso de Gabriel se sentando na beira da cama. Ele não a tocou. Ele apenas ficou ali, por um momento, antes de se levantar e sair, fechando a porta suavemente. Ele nem mesmo notou que ela tinha saído, que ela tinha sofrido, que ela tinha precisado dele. O coração de Laura, que ela pensava já estar em pedaços, se partiu mais uma vez. A indiferença dele era a prova final e mais cruel. Ela era invisível para ele. A dor dela, o sofrimento dela, não significavam nada comparado a uma lágrima de Sofia.

No dia seguinte, Gabriel agia como se nada tivesse acontecido. Ele estava preparando o café da manhã, assobiando uma melodia. Laura o observou em silêncio. Ele tinha olheiras profundas, parecia exausto. Era a exaustão de quem passou a noite inteira consolando outra mulher.

"Dormiu bem?", ele perguntou, com um sorriso que não alcançava os olhos.

"Como um anjo", ela respondeu, a voz vazia.

"Que bom. Tive que resolver um problema urgente com a Sofia ontem, uma crise de imagem. Coisa de trabalho, você sabe. Fiquei acordado até tarde", ele disse, oferecendo a desculpa esfarrapada. Ele estava escolhendo esconder a verdade, protegendo Sofia, protegendo a imagem do relacionamento perfeito deles. Ele não queria que Laura soubesse a profundidade de seu envolvimento.

Laura sentiu uma pequena e patética fagulha de esperança. Talvez ele estivesse mentindo para poupá-la. Talvez ele ainda se importasse um pouco. Ela decidiu testar.

"Gabriel, eu não estava me sentindo bem ontem. Tive que ir a uma clínica", ela disse, a voz baixa.

Ele parou de mexer o café e olhou para ela, uma ruga de irritação se formando em sua testa. "Uma clínica? Por quê? Você está bem? Por que não me avisou direito? Eu disse que tinha uma reunião." A preocupação dele era superficial, tingida de aborrecimento. A preocupação dele era com o incômodo que a doença dela poderia causar a ele.

A fagulha de esperança se extinguiu, deixando para trás apenas cinzas frias. "Não era nada. Já estou melhor", disse ela. A distância entre eles era um abismo. Ele vivia em um mundo onde Sofia era o sol, e Laura era apenas um satélite esquecido, girando em uma órbita fria e escura.

Ela se levantou da mesa, a decisão final se solidificando em sua alma. Não havia mais nada a ser salvo, nada a ser consertado. Ela não podia competir com um "amor destinado". Ela não queria mais.

"Gabriel," ela disse, a voz firme pela primeira vez. Ele a olhou, surpreso pela mudança de tom.

Ela respirou fundo, um suspiro que carregava o peso de duas vidas de sofrimento. "Acabou."

Ele a encarou, confuso, depois uma risada incrédula escapou de seus lábios. "Acabou? Do que você está falando, Laura? Tivemos uma pequena discussão ontem, é isso?"

"Não. Eu estou falando de nós. Acabou", ela repetiu, cada palavra um passo para longe dele. Ela se virou e caminhou em direção ao quarto, deixando-o parado na cozinha, o sorriso congelado em seu rosto. Ela podia sentir os olhos dele em suas costas, mas não olhou para trás. Era hora de fazer as malas. Era hora de ir embora para sempre.

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