A pesada porta de carvalho do quarto principal cedeu com um rangido fraco e agonizante.
Ellyn entrou na escuridão sufocante da suíte penthouse. Seu coração martelava contra suas costelas, um ritmo frenético que fazia seu peito doer. Ela segurava o pires de porcelana com tanta força que seus nós dos dedos ficaram de um branco translúcido. O chá de camomila transbordou pela borda, queimando seu polegar, mas ela não ousou fazer um som sequer.
O ar no quarto era denso. Cheirava a uísque caro e a suor masculino, bruto e desenfreado.
"Baron?", ela sussurrou. Sua voz tremia.
Uma mão enorme e escaldante saiu das sombras.
Dedos como garras de aço se fecharam em torno de seu pulso. A xícara de chá escorregou de sua mão, caindo no grosso tapete persa com um baque abafado.
Ellyn ofegou quando uma força brutal a puxou para frente. O mundo girou. Seus joelhos bateram na beirada do colchão, e ela foi jogada violentamente no centro da cama king-size. Sua cabeça bateu no colchão, deixando-a tonta e ofegante.
Antes que ela pudesse se levantar, uma figura imponente se lançou sobre ela.
Baron a imobilizou. Seu peso era esmagador. O calor que irradiava de seu corpo parecia uma fornalha aberta. Na fresta de luar que atravessava as cortinas, seus olhos estavam injetados de sangue. Eles ardiam com uma fúria selvagem e violenta.
Sua mão grande subiu e agarrou seu maxilar. Seu polegar cravou em sua bochecha, bem ao lado da cicatriz feia e texturizada que arruinava o lado esquerdo de seu rosto. A pressão era tão intensa que ela pensou que seu osso se quebraria.
"Ellyn", ele rosnou.
Ele proferiu o nome dela entre os dentes como se fosse uma maldição. A pura repulsa em sua voz fez seu estômago despencar.
"Baron, você está me machucando. Eu só trouxe seu chá-"
"Cale a boca."
Ele a interrompeu, sua voz um rosnado baixo e perigoso. Sua outra mão agarrou o colarinho de sua modesta camisola de algodão.
Com um puxão violento, o tecido se rasgou.
O som do algodão se rasgando ecoou como um tiro no quarto silencioso. O ar frio atingiu sua pele nua. Ellyn tremeu violentamente, lágrimas brotando instantaneamente em seus olhos.
"Você acha que pode me drogar?", Baron zombou. Seu hálito estava quente contra o rosto dela. "Acha que colocar algo na minha bebida vai me fazer tocar em você? Fazer de você uma verdadeira esposa Hudson?"
"Não! Eu não fiz isso!", Ellyn gritou. Ela se debatia sob ele, suas unhas arranhando desesperadamente seus ombros largos.
Sua resistência apenas alimentou sua fúria induzida por drogas. Ele segurou ambos os pulsos dela com uma mão e os bateu no colchão acima de sua cabeça.
"Você quer tanto isso?", ele zombou. "Quer garantir seu lugarzinho patético nesta família?"
Ele não esperou por uma resposta. Ele não se importava com as lágrimas dela.
A dor foi uma agonia súbita e lancinante que arrancou o ar de seus pulmões. Ellyn mordeu o lábio inferior com tanta força que sentiu o gosto metálico de seu próprio sangue. Ela se recusou a gritar. Apertou os olhos com força, deixando as lágrimas quentes rolarem por suas têmporas e encharcarem os lençóis de veludo.
Cada movimento era um castigo. Ele estava destruindo os últimos dez anos de sua devoção silenciosa e patética. Ele estava moendo a dignidade dela até virar pó.
Quando finalmente acabou, o silêncio retornou, mais pesado e mais frio do que antes.
Baron rolou para o lado. Ele empurrou o ombro dela para longe como se o toque de sua pele nua o repelisse fisicamente. Ele se levantou, com o peito arfando, e pegou um roupão de seda da poltrona.
Ele não olhou para ela. Caminhou até a mesa de cabeceira, abriu a gaveta com um puxão e tirou uma pilha grossa de papéis.
Ele se virou e os jogou nela.
O documento pesado atingiu seu peito nu e machucado. A borda afiada do papel cortou as costas de sua mão. Uma fina linha de sangue brotou instantaneamente.
Ellyn se encolheu, puxando os lençóis rasgados da cama ao redor de seu corpo trêmulo. Ela olhou para baixo. Em letras pretas e em negrito na primeira página, lia-se: Acordo de Divórcio.
"Assine", Baron ordenou.
Ele estava de pé aos pés da cama, olhando para ela de cima. Seus olhos estavam completamente desprovidos de calor. Ele a olhava como um homem olha para uma barata em seu sapato.
"Você é um caso de caridade, Ellyn", ele cuspiu. Sua voz era gelo. "Você não pertence a este lugar. Nunca pertenceu. Você realmente achou que eu conseguiria suportar olhar para esse seu rosto medonho pelo resto da minha vida?"
Suas palavras foram um golpe físico. Seus pulmões se contraíram. O ar desapareceu do quarto.
Seus dedos tremiam enquanto ela tocava os papéis. A humilhação queimava sua garganta como ácido.
Baron soltou um suspiro impaciente. Ele pegou uma pesada caneta Montblanc da mesa de cabeceira e a jogou na cama. Ela bateu no colchão com um baque surdo.
"Assine agora", ele avisou, cerrando o maxilar. "Ou eu juro por Deus, vou garantir que você não consiga pagar nem por uma caixa de papelão nas favelas desta cidade."
Ellyn fechou os olhos. Ela engoliu o enorme nó de tristeza que bloqueava sua garganta. Seu coração estava morto. Havia parado de bater no momento em que ele jogou os papéis nela.
Ela pegou a caneta de metal fria.
Sua mão tremia violentamente, mas ela pressionou a ponta da caneta contra a linha da assinatura. A ponta afiada quase rasgou o papel enquanto ela a arrastava pela página, escrevendo seu nome.
Quando o último traço foi feito, ela não o entregou a ele.
Ela reuniu a pouca força que lhe restava, levantou a pesada pilha de papéis e os atirou com força contra o peito dele.
Baron piscou. Um lampejo de genuína surpresa cruzou seus olhos escuros enquanto os papéis se espalhavam pelo chão. Ele não esperava que ela revidasse.
Ellyn não esperou por sua reação. Ela agarrou o lençol rasgado contra o peito e se forçou a sair da cama. Suas pernas fraquejaram. Ela tropeçou, seu joelho batendo com força no chão, mas agarrou a beirada do colchão e se levantou.
Ela não olhou para ele. Arrastou seu corpo dolorido e maltratado pelo quarto.
Ela chegou ao banheiro, entrou e bateu a porta pesada. Girou a tranca até ouvir o clique, isolando-se do monstro no quarto.
Ellyn desabou sobre o piso frio do banheiro.
Seus joelhos bateram no chão com um baque surdo. Ela estendeu as mãos trêmulas e girou o registro do chuveiro todo para a esquerda. Água escaldante jorrou da ducha, encharcando o lençol rasgado e atingindo sua pele machucada.
Ela se sentou sob o jato de água, seu corpo tremendo incontrolavelmente. A água lavava os vestígios físicos dele, mas não conseguia lavar a dor profunda e latejante entre suas coxas ou o vazio oco em seu peito.
Ela se forçou a ficar de pé. Suas pernas bambearam. Ela se agarrou à beira da pia de mármore, os nós dos dedos brancos, e se inclinou sobre a cuba.
Ela jogou água fria no rosto, tentando trazer seu sistema de volta à realidade com um choque.
Enquanto a água escorria pelo ralo, ela notou algo estranho. A água que girava ao redor do ralo prateado estava misturada com pequenos e opacos flocos de pele morta, como papel de parede velho descascando.
Ellyn congelou. Sua respiração ficou presa na garganta.
Ela lentamente levantou a mão esquerda e tocou sua bochecha. Tocou o lugar onde a cicatriz horrenda e saliente havia existido por vinte anos.
As pontas de seus dedos não encontraram tecido áspero e morto.
Em vez disso, pedaços de pele se soltaram sob seu toque. Parecia papel de parede molhado descascando de uma parede.
Um suspiro agudo rasgou seus pulmões. Ela ergueu a cabeça bruscamente e encarou o enorme espelho da penteadeira.
O vapor se dissipou. Ellyn parou de respirar.
A mulher que a encarava de volta não tinha cicatriz. O lado esquerdo de seu rosto estava completamente liso. A pele era impecável, pálida como porcelana e perfeita. A marca feia que havia definido toda a sua existência miserável simplesmente desaparecera.
"Não", ela sussurrou.
Ela esfregou a bochecha freneticamente. Esfregou a pele até ficar em carne viva e rosada, apavorada de que fosse um truque de luz, uma alucinação causada pelo trauma.
Mas era real. A cicatriz havia sumido.
Seu coração martelava contra suas costelas. Sua mente voltou rapidamente para o que acabara de acontecer no quarto. A intimidade forçada. A troca de fluidos corporais. Um pensamento selvagem e impossível invadiu seu cérebro.
O corpo de Baron era a cura. Sua química corporal de alguma forma desencadeou a cura.
Antes que ela pudesse processar a magnitude dessa descoberta, o baque pesado de passos ecoou do quarto. A porta principal da cobertura se abriu e bateu com força ao fechar.
Baron tinha ido embora.
O pânico a dominou. Se a família Hudson descobrisse que seu rosto estava curado, eles não a deixariam ir. Baron pensaria que ela havia passado por alguma cirurgia experimental e perigosa apenas para ficar com ele. Eles a tratariam como uma aberração, uma cobaia de laboratório.
Ela abriu com um puxão a gaveta da penteadeira. Suas mãos voaram por sua bolsa de maquiagem.
Ela pegou um corretivo escuro e pesado e uma caixa de curativos à prova d'água. Com movimentos frenéticos e bruscos, ela espalhou a pasta escura sobre sua bochecha esquerda impecável. Ela aplicou os curativos desordenadamente sobre o corretivo, fazendo uma bagunça. Seus dedos trêmulos criaram um caroço áspero e grotesco. Embora longe de ser perfeito, na luz fraca do banheiro, era o suficiente para enganar temporariamente qualquer um.
Ela encarou o espelho. O patinho feio estava de volta. Seus olhos, no entanto, não estavam mais cheios de medo. Estavam mortos, frios e límpidos.
Ellyn destrancou a porta do banheiro e voltou para o quarto.
O quarto era um desastre. A camisola rasgada estava no chão. A cama era uma bagunça de lençóis emaranhados.
Ela não derramou uma única lágrima. Caminhou direto para o closet e arrastou uma mala surrada e barata do fundo. Era a mesma mala que ela trouxera consigo quatro anos atrás.
Ela a abriu no chão. Ignorou as fileiras de vestidos Chanel, as bolsas Hermès e as caixas de veludo de joias Cartier que Baron havia comprado para suas aparições públicas. Ela pegou seu jeans velho e desbotado, suas camisetas simples e um moletom cinza desgastado.
Enquanto fechava o zíper da mala, ouviu vozes no corredor.
Ellyn congelou. Ela se esgueirou em direção à porta do quarto e pressionou o ouvido contra a madeira.
"Você viu a cara dele quando saiu?" Era Brenda, uma das empregadas mais antigas. Seu inglês era carregado com um sotaque do Bronx. "Ele parecia pronto para matar. Aposto que a vadia feia finalmente vai ser expulsa esta noite."
"Já era hora", outra empregada riu com desdém. "O assistente do Sr. Hudson acabou de ligar. Christine está voltando de Paris na próxima semana. Ele está limpando o lixo para abrir espaço para a verdadeira senhora da casa."
O nome atingiu Ellyn como um soco no estômago.
Christine.
Ela tropeçou para trás. Suas costas bateram no batente da porta com um baque forte.
As empregadas do lado de fora ficaram em silêncio total. Passos se apressaram pelo corredor.
Ellyn ficou paralisada. O frio se infiltrou em seus ossos.
Tudo fazia sentido agora. Os papéis do divórcio repentinos. A absoluta falta de misericórdia. A pressa para tirá-la de lá. Não era apenas porque ele a odiava. Era porque seu primeiro amor, sua perfeita lótus branca, estava voltando.
Dez anos o amando. Quatro anos sendo seu saco de pancadas. Tudo isso foi apenas um tapa-buraco até que Christine estivesse pronta para voltar.
Uma risada áspera e seca arranhou a garganta de Ellyn ao sair.
Ela caminhou até a penteadeira de vidro. Olhou para sua mão esquerda. Agarrou a aliança de platina lisa e a arrancou de seu dedo.
Ela a jogou sobre a superfície de vidro. O metal bateu no vidro com um tilintar agudo e final.
Ela puxou o capuz do moletom cinza sobre a cabeça e apertou os cordões, escondendo o rosto nas sombras. Pegou a alça de sua mala barata.
Ela não olhou para trás.
Ellyn saiu da cobertura. O corredor estava vazio. O brilho quente das arandelas de parede a deixava enjoada.
Ela ignorou o elevador privativo. Empurrou a pesada porta corta-fogo de metal que levava à escadaria.
Uma rajada de ar frio e viciado atingiu seu rosto. A porta pesada se fechou atrás dela, isolando-a para sempre do luxo do mundo dos Hudson. Ela se agarrou ao corrimão e começou a longa descida para a escuridão.
A luz da manhã que se filtrava pelas janelas do chão ao teto do saguão da cobertura Hudson era fria e cinzenta.
Ellyn arrastou sua mala barata para fora da pesada porta corta-fogo e para dentro do saguão. As rodinhas rangeram contra o piso de mármore polido.
Ela não conseguiu chegar às portas da frente.
Arthur Vance, o principal advogado de Baron, estava sentado no sofá de couro central. Ele usava um terno de três peças feito sob medida. Ele baixou lentamente sua xícara de café de porcelana no pires. O tilintar foi agudo na sala silenciosa.
Ele se levantou e se pôs diretamente em seu caminho.
"Sra. Hudson. Ou melhor, Srta. Martinez", disse Arthur. Seu inglês era seco, profissional e escorria condescendência.
Ele abriu sua pasta de couro e tirou uma pasta manila. Ele a estendeu para ela, junto com um pedaço de papel novo em folha.
Os olhos de Ellyn caíram para o papel. Era um cheque administrativo do Chase Bank.
O número impresso nele fez seu estômago revirar. Cinco milhões de dólares.
"O Sr. Hudson me instruiu a cuidar da sua partida", disse Arthur, com o queixo erguido. "Assine este Acordo de Confidencialidade. Pegue o dinheiro. Saia de Manhattan hoje. Você não falará com a imprensa, não contatará nenhum membro desta família e desaparecerá."
Ele a olhou como se ela fosse uma cadela de rua implorando por restos.
O puro insulto fez o sangue de Ellyn ferver. O calor subiu ao seu rosto, queimando sob sua cicatriz falsa. Eles achavam que ela era uma prostituta que podiam comprar.
Ellyn soltou uma risada curta e oca. Ela não estendeu a mão para o cheque. Ela deu um passo para trás, seus olhos fixos nos de Arthur com puro nojo.
Arthur franziu a testa. Sua paciência desapareceu. "Não seja gananciosa, Ellyn. Cinco milhões é mais do que uma mulher da sua origem verá em dez vidas. A paciência da família Hudson é inexistente hoje. Aceite o acordo."
"E se eu não aceitar?", ela perguntou, sua voz perigosamente baixa.
"Se você não assinar", Arthur ameaçou, aproximando-se, "o Sr. Hudson vai te enterrar em litígios. Você não verá um único centavo e nos deverá milhões em honorários advocatícios. Você estará arruinada."
Algo dentro de Ellyn se rompeu.
Ela se lançou para frente e arrancou o grosso NDA da mão de Arthur.
Antes que ele pudesse reagir, ela segurou o topo do documento e o rasgou bem no meio.
Raaaaasga.
Os olhos de Arthur se arregalaram em choque. "Você está louca?"
Ellyn não parou. Ela empilhou as metades rasgadas e as rasgou novamente. E de novo. Suas mãos se moviam com uma energia frenética e furiosa até que o documento legal não passasse de uma pilha de confete em seus punhos.
Ela ergueu as mãos e jogou o papel picado diretamente no rosto arrogante de Arthur.
Os pedaços brancos flutuaram ao redor dele como neve suja. Arthur tropeçou para trás, seus óculos de aro dourado escorregando pelo nariz. Ele apontou um dedo trêmulo para ela.
"Eu não quero um único centavo do dinheiro sujo dele", declarou Ellyn. Seu inglês era impecável, afiado como uma navalha. "Isso me dá nojo."
Ela olhou através dele. "Diga a Baron que ele não precisa se preocupar. Estou desaparecendo do mundo dele hoje. Eu não ficaria nem que ele me implorasse."
Ela virou as costas para o advogado atônito. Pegou a alça da mala e marchou em direção às enormes portas duplas.
O velho mordomo estava parado perto da entrada. Ele a olhou com uma mistura de pena e choque. Ele estendeu a mão para pegar a mala dela, mas Ellyn se esquivou de sua mão.
Ela mesma empurrou as pesadas portas para abri-las.
Uma rajada violenta de vento a atingiu instantaneamente. A chuva de outono de Nova York caía em torrentes, batendo contra os degraus de pedra.
"Srta. Ellyn, por favor, deixe-me chamar um carro. Pegue um guarda-chuva", o mordomo implorou, estendendo um grande guarda-chuva preto.
"Não", disse Ellyn.
Ela puxou o capuz. Saiu de debaixo do pórtico e caminhou direto para o aguaceiro torrencial. A chuva gelada encharcou suas roupas em segundos, mas ela manteve a coluna perfeitamente reta. Ela não olhou para trás.
Dentro do saguão, Arthur limpou um pedaço de papel molhado de sua lapela. Seu rosto estava roxo de raiva. Ele tirou o telefone do bolso e discou a linha direta para o escritório do Presidente.
A quilômetros de distância, no topo do Empire State Building, Baron estava parado junto à janela do chão ao teto de seu escritório. Ele observava a chuva açoitar o vidro.
Seu telefone vibrou. Ele atendeu, com o maxilar cerrado.
"Sr. Hudson", a voz de Arthur soou, tremendo de raiva. "Ela recusou o dinheiro. Rasgou o NDA e o jogou em mim. Ela saiu na chuva."
O aperto de Baron no telefone se intensificou. Seus nós dos dedos ficaram brancos. Uma onda de irritação irracional explodiu em seu peito.
Ele soltou um escárnio frio e zombeteiro. "Ela está se fazendo de difícil. Acha que dar um chilique vai me fazer sentir culpado."
"Quais são suas ordens, senhor?"
"Congele todos os cartões de crédito suplementares em nome dela", ordenou Baron, sua voz desprovida de emoção. "Corte o plano de celular dela. Bloqueie-a de todas as contas Hudson. Vamos ver quanto tempo o orgulho dela dura quando estiver morrendo de fome na rua."
Ele encerrou a chamada e jogou o telefone sobre a mesa.
Ele estendeu a mão e afrouxou a gravata de seda com um puxão. Ele se virou e varreu o braço pela mesa, derrubando uma pilha de relatórios trimestrais no carpete.
Seu peito arfava. Por uma fração de segundo, a imagem dos olhos mortos e vazios de Ellyn da noite anterior brilhou em sua mente. Seu coração deu um salto doloroso.
Ele odiava aquela sensação. Ele apertou o botão do interfone.
"Mande um carro para o JFK", Baron latiu para sua assistente. "O voo de Christine pousa na próxima semana. Certifique-se de que ela tenha tudo o que precisa."
Lá fora, na rodovia, a chuva lavava o rosto de Ellyn. O corretivo barato começou a escorrer, mas seu aperto na mala nunca afrouxou. Ela continuou andando.