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O Retorno Tecnológico Bilionário da Esposa Fantasma

O Retorno Tecnológico Bilionário da Esposa Fantasma

Autor:: Sky
Gênero: Moderno
No meu aniversário, voltei de viagem esperando uma recepção calorosa, mas encontrei apenas um aeroporto vazio e um silêncio ensurdecedor no meu celular. Ao chegar na cobertura, deparei-me com a cena que partiu meu coração: meu marido, Caio, e minha filha, Iara, brincavam felizes com Adelaide, minha meia-irmã. Eles haviam esquecido completamente de mim. Pior que o esquecimento foi ouvir a voz da minha filha ecoar num vídeo postado nas redes sociais: "A Tia Adelaide é um milhão de vezes melhor que a mamãe. A mamãe é chata." Caio apenas riu, concordando, enquanto partiam para uma festa, deixando-me sozinha no apartamento frio. Naquela noite, fui ao escritório e abri o cofre. Peguei o acordo de divórcio. Com uma caneta preta, risquei o pedido de pensão. Risquei a casa. E, por fim, risquei a cláusula de custódia. Eu não levaria nada. Deixaria eles um para o outro. Fugi para meu loft secreto e reativei minha antiga identidade: "Fantasma", a lendária programadora que sustentava o império do meu marido sem ele saber. Iniciei o protocolo "Terra Arrasada", deletando minha existência digital da vida deles e cortando todo o fluxo de dinheiro. Dias depois, reapareci no Baile do Centenário, não como a esposa submissa, mas como a sócia poderosa da maior empresa de IA do mundo. Quando Caio tentou me agarrar pelo braço, exigindo que eu voltasse para casa, chamei os seguranças e disse a frase que selou nosso destino: "Tirem ele daqui. Eu não conheço esse homem."

Capítulo 1

Nº 1

As portas de vidro deslizantes do Terminal 4 do BOS se abriram com um silvo, cuspindo Eulalie Bradford para o vento cortante de outubro. Ela estremeceu, apertando o trench coat em volta do corpo, os nós dos dedos brancos contra a alça de sua mala prateada da Rimowa. Estava mais pesada do que ela se lembrava. Ou talvez ela estivesse apenas mais fraca.

Ela parou no meio-fio, seus olhos percorrendo a fila de sedãs pretos parados na área de embarque VIP. Ela procurou pela placa familiar, pela silhueta elegante do Maybach da família Holloway.

Nada.

Apenas uma fila de táxis indiferentes e uma rajada de fumaça de escapamento com gosto de borracha queimada e solidão.

Ela tirou o celular do bolso. A tela se acendeu, o brilho ardendo em seus olhos cansados. 14 de outubro.

Nenhuma mensagem não lida. Nenhuma chamada perdida. Nenhuma de Caden. Nenhuma do gerente da casa. Nem mesmo do lembrete automático de calendário que ela costumava compartilhar com o marido.

Eulalie soltou um suspiro curto e seco que não chegava a ser uma risada. Ela abriu o aplicativo da Uber, seus dedos pairando por um segundo antes de digitar o destino: Holloway Penthouse.

O motorista era um homem chamado Tariq, com um painel cheio de bonecos de cabeça oscilante e uma necessidade de preencher o silêncio. Ele falou sobre o tempo, o trânsito, o aumento do preço dos bagels. Eulalie olhava pela janela, observando o borrão cinzento da Expressway. Seus ouvidos zumbiam, um zunido agudo que abafava a voz de Tariq.

Cinco anos atrás, o casamento deles tinha sido uma fusão estratégica - o legado impecável e tradicional da família Bradford higienizando o capital implacável e novo-rico dos Holloway. Caden precisara do nome irrepreensível da família dela para garantir seus primeiros investidores bilionários, e ela, tolamente, acreditara que ele realmente a queria. Ela trocara sua brilhante carreira de programadora pelo papel de uma esposa-troféu perfeita, pensando que o amor eventualmente se seguiria ao contrato.

- Grande noite para a cidade, hein? - perguntou Tariq, gesticulando vagamente para o rádio.

Eulalie piscou, concentrando-se no som metálico que vinha dos alto-falantes. A voz de um repórter de entretenimento cortou a estática.

- ...e todos os olhos estão no Plaza Hotel esta noite, onde a queridinha da tecnologia Adalynn Pennington está oferecendo uma grande celebração pelo lançamento de seu mais novo produto. Dizem os rumores que a lista de convidados é exclusiva para o um por cento mais rico da cidade...

A mão de Eulalie voou para o cinto de segurança, agarrando a tira de nylon até que suas unhas se cravassem em sua palma. A dor era aguda, ancorando-a na realidade. Adalynn. Sua meia-irmã. A mulher que havia tomado a atenção de seu pai, o legado de sua família e, agora, aparentemente, o tempo de seu marido no dia de seu aniversário.

- Sim - sussurrou Eulalie, com a voz rouca. - Grande noite.

O carro parou em frente à fachada de calcário do prédio na Fifth Avenue. O porteiro, um rapaz chamado Leo, olhou duas vezes quando a viu sair de um Toyota Camry em vez do carro da família.

- Sra. Holloway? - Leo se apressou, estendendo a mão para a bagagem dela. - Nós... nós não sabíamos que a senhora voltaria hoje.

- É uma surpresa, Leo - disse ela, colocando um dedo nos lábios. A mentira tinha gosto de cinzas em sua língua. Ela não os estava surpreendendo. Estava salvando as aparências.

A viagem de elevador até a cobertura pareceu uma subida ao cadafalso. Os números subiam - 20, 30, 40. Seu coração martelava contra suas costelas, um ritmo frenético e irregular. Ela verificou seu reflexo nas portas de latão polido. Seu rosto estava pálido, sem maquiagem, com olheiras escuras manchando a pele sob seus olhos. Ela parecia um fantasma.

Ghost. O antigo apelido de seus dias de programação brilhou em sua mente. Ela o afastou.

As portas do elevador se abriram silenciosamente.

O hall de entrada era um campo minado de papel de seda colorido e fitas enroladas. Um par de mocassins de couro italiano de Caden estava jogado de qualquer maneira perto do aparador, ao lado de um par minúsculo de tênis brilhantes.

Risadas vinham da sala de estar. Era o som de Elara, sua filha de cinco anos. Um som que geralmente enchia Eulalie de calor, mas hoje, a arrepiou. Era uma risadinha aguda e ofegante, do tipo que Elara só dava quando conseguia exatamente o que queria.

Eulalie deixou a mala perto da porta e pisou suavemente no tapete persa. Ela se moveu para trás do biombo de ébano laqueado que separava o hall da sala de estar, espiando pelas frestas.

A cena diante dela estava banhada na luz quente e dourada do lustre.

Caden Holloway estava de joelhos. O implacável investidor de risco, o homem que aterrorizava salas de reuniões, estava ajoelhado no carpete, segurando um unicórnio de pelúcia enorme com uma fita rosa em volta do pescoço.

- Papai! - Elara pulava no sofá, seus cachos balançando. - A tia Adalynn vai adorar! É a edição limitada!

Caden sorriu, um sorriso genuíno, que enrugava os cantos dos olhos, que Eulalie não via dirigido a ela há anos. Ele alisou a crina do unicórnio. - Claro que vai, Elara. Foi você quem escolheu.

A respiração de Eulalie falhou. Sua mão foi ao peito, pressionando com força.

Três meses atrás, ela tentara comprar aquele mesmo unicórnio para Elara. Caden havia zombado, chamando-o de "tralha" e "berrante". Ele lhe dissera para comprar blocos de madeira educativos em vez disso.

- A mamãe disse que unicórnios são bobos - chilreou Elara, pegando o brinquedo e o abraçando. - Mas a Adalynn diz que eles são mágicos.

- A tia Adalynn está certa - disse Caden, levantando-se e tirando um fiapo de suas calças. - É melhor irmos. Não queremos nos atrasar para a festa dela.

A bolsa de Eulalie escorregou de seus dedos dormentes. O fecho pesado de ouro bateu no chão de mármore com um estalo seco.

O som estilhaçou o quadro doméstico.

Caden se virou bruscamente. Seus olhos a encontraram instantaneamente. O calor evaporou de seu rosto, substituído por uma máscara de surpresa irritada. Seu maxilar se contraiu.

Elara congelou, o unicórnio agarrado ao peito. Seus olhos se arregalaram e, então, instintivamente, ela deu um passo para trás, movendo-se para trás da perna de Caden.

- Eulalie? - A voz de Caden era monótona. - Você voltou. Por que não mandou uma mensagem para o Carter te buscar?

Eulalie abriu a boca, mas sua garganta estava seca, fechada. Ela engoliu em seco. - Hoje é 14 de outubro.

Caden olhou para seu relógio Patek Philippe, distraído. - Eu sei a data. A festa de lançamento da Adalynn é hoje à noite. Estamos atrasados.

Ele não entendeu. Ele, de verdade, honestamente, não se lembrava.

Eulalie olhou para Elara. Sua filha espiava por trás das calças de terno caras de Caden, olhando para a mãe como se ela fosse uma estranha que havia interrompido um jogo particular.

- A mamãe voltou em uma hora ruim - Elara sussurrou alto para o pai. - Temos que ir ver a Adalynn.

As palavras foram pequenas, mas atingiram Eulalie com a força de um golpe físico. Seus joelhos fraquejaram. Ela estendeu a mão para se apoiar na parede.

- Martha vai te ajudar a desempacotar - disse Caden, já se virando, descartando a presença dela como uma inconveniência logística. Ele pegou Elara no colo. - Vamos, pequena. Não vamos deixar a princesa esperando.

- Tchau, mamãe! - Elara acenou, sua atenção já voltando para o brinquedo em suas mãos.

Eles passaram por ela. Caden cheirava a sândalo e ao uísque caro de que gostava. Ele não parou para beijá-la. Nem sequer roçou em seu braço.

As portas do elevador se fecharam, engolindo seu marido e sua filha, deixando Eulalie parada sozinha no centro da vasta e silenciosa cobertura.

Ela olhou para o chão. Um cartão havia caído da pilha de papel de embrulho.

"Para a Melhor Tia Adalynn."

Eulalie agachou-se lentamente. Suas articulações estalaram. Ela pegou o cartão. Seus dedos não tremiam. Uma calma estranha e fria se espalhava por suas veias, congelando as lágrimas antes que pudessem se formar. Ela encarou o cartão até as palavras se tornarem um borrão, seus olhos ficando mortos e vazios.

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Capítulo 2

Nº 2

De pé, junto à janela que ia do chão ao teto, ela observava a silhueta pequena e elegante do Maybach se afastar no trânsito da Fifth Avenue. Eles tinham partido.

Martha, a governanta, apareceu na porta, torcendo as mãos no avental. "Sra. Holloway? Eu... o Sr. Holloway disse para não esperar para o jantar."

Eulalie assentiu, com os olhos fixos na mala Rimowa fechada perto do armário. Parecia um objeto estranho, um intruso no quarto impecável. "Tudo bem, Martha. Pode ir."

"Mas-"

"Vá", disse Eulalie suavemente.

Quando o apartamento ficou verdadeiramente vazio, o ar pareceu rarefeito demais. Eulalie se levantou, ofegante. Precisava sair. Não conseguia respirar naquele mausoléu de seda bege e indiferença.

Ela pegou o casaco e saiu, sem esperar pelo elevador, descendo os trinta andares pela escada de serviço. Suas pernas ardiam, uma distração bem-vinda para a dor em seu peito.

Ela caminhou sem rumo por quarteirões, o vento frio cortando suas bochechas. Seus pés a levaram no piloto automático em direção à fileira de restaurantes do Upper East Side. Ela se viu parada do outro lado da rua do Le Jardin, um bistrô francês com estrelas Michelin e janelas do chão ao teto.

Era o lugar favorito de Elara para comer suflê.

Eulalie se escondeu atrás do tronco grosso de um plátano, levantando a gola do casaco. Através do vidro, o restaurante brilhava como uma lanterna dourada e quente na noite escura.

E lá estavam eles.

Mesa 4. A melhor mesa.

Caden estava cortando um bife, seus movimentos precisos, elegantes. Em frente a ele, sentava-se Adalynn. Ela usava um vestido da cor de sangue fresco, com lantejoulas que capturavam a luz das velas. Ela jogou a cabeça para trás, rindo de algo que Caden disse, sua mão se estendendo sobre a mesa para tocar o pulso dele.

Elara sentava-se entre eles, uma pequena rainha em seu trono.

Eulalie observou enquanto Adalynn pegava uma colherada enorme de mousse de chocolate e a oferecia a Elara. Elara abriu a boca, aceitando-a avidamente, o chocolate manchando seu queixo. Adalynn limpou com um guardanapo, com uma voz melosa.

Era um quadro perfeito. Uma mãe, um pai, uma filha.

Exceto que a mãe era a mulher errada.

O celular de Eulalie vibrou em seu bolso. Uma notificação. *Adalynn Pennington acabou de adicionar ao seu story.*

Seus dedos tremeram enquanto ela desbloqueava a tela. Ela tocou no anel colorido ao redor da foto de perfil de Adalynn.

O vídeo começou. Foi filmado da perspectiva de Adalynn na mesa. A câmera focou em Elara, que estava abraçando o pescoço de Adalynn.

"Diga para a câmera, Elara", a voz de Adalynn ronronou dos alto-falantes do celular. "Quem é a sua favorita?"

Elara sorriu, seus dentes cobertos de chocolate. "É a Adalynn! Tia Adalynn é um milhão de vezes melhor que a mamãe. A mamãe é má. Ela me faz comer brócolis. Você é a melhor!"

A câmera se moveu para Caden. Ele estava girando o vinho em sua taça, olhando para elas com um sorriso relaxado e indulgente. "Coma, garota. Não há sargentos instrutores aqui esta noite."

O vídeo terminou.

Eulalie abaixou o celular. O mundo girou em seu eixo.

Má.

Ela pensou nas horas que passou pesquisando sobre nutrição. Pensou nas noites em que ficou acordada segurando a mão de Elara durante febres enquanto Caden estava "em uma conferência". Pensou na disciplina que impôs para que sua filha não se tornasse uma pirralha mimada.

Para Elara, aquilo não era amor. Era opressão. A negligência açucarada de Adalynn era amor.

Uma rajada de vento atravessou seu casaco, gelando-a até os ossos. Ela sentiu náuseas. Virou-se, afastando-se da janela, tropeçando às cegas. Seu ombro bateu com força em um transeunte.

"Olha por onde anda!", o homem rosnou.

"Desculpe", ela ofegou, começando a correr. Correu até seus pulmões arderem, fugindo da imagem daquela família feliz e roubada.

De volta à cobertura, Eulalie não acendeu as luzes. Ela foi direto para o escritório de Caden. O cheiro de seus charutos pairava no ar, antes reconfortante, agora sufocante.

Ela se ajoelhou diante do cofre de parede escondido atrás de uma pintura de paisagem. Seus dedos discaram a combinação. 10-14-05. Seu aniversário. Caden a havia definido anos atrás porque disse que nunca a esqueceria.

A ironia tinha gosto de bile.

A pesada porta de aço se abriu com um clique. Dentro, empilhado sob escrituras e títulos, havia um envelope pardo. Ela o puxou para fora.

O Acordo de Divórcio. Redigido há seis meses, depois que Caden perdeu o aniversário deles para ir à festa no iate de Adalynn. Ela nunca o havia mostrado a ele. Tinha tido medo. Medo de perder Elara.

Ela levou os papéis para a escrivaninha e acendeu a luminária de latão. A luz se concentrou nas páginas brancas e austeras.

Ela folheou até a seção de custódia. Parágrafo 4, Cláusula B. *Guarda compartilhada solicitada, com residência primária para a Mãe.*

Eulalie destampou uma caneta-tinteiro. A tinta era preta, permanente.

Ela se lembrou da voz de Elara. "Um milhão de vezes melhor que a mamãe."

Se ela lutasse pela guarda agora, sem emprego, sem casa própria e com o exército de advogados de Caden, ela perderia. E mesmo que ganhasse, Elara a odiaria. Ela seria a vilã que a afastou da tia divertida e do pai rico.

A mão de Eulalie pairou sobre o papel. Uma lágrima finalmente escapou, quente e ardente, caindo na página.

Então, ela traçou uma linha preta e nítida através da cláusula de custódia.

Ela riscou o pedido de pensão alimentícia. Riscou o pedido da casa.

Ela não estava levando nada. Estava deixando-os um para o outro. Era a única maneira de se salvar.

Ela entrou no quarto de Elara. O chão estava coberto de brinquedos de plástico que piscavam e apitavam - presentes de Caden. No canto, acumulando poeira, estavam os kits LEGO Mindstorms que Eulalie havia comprado para ensiná-la a programar.

Ela pegou a caixa do novo robô programável que havia comprado para esta noite. Caminhou até o duto de lixo no corredor e o empurrou para dentro.

Clang. Clang. Clang.

O som dele batendo no fundo ecoou pelo duto.

Ela voltou para a sala de estar. Seu celular vibrou novamente. Uma mensagem direta de Adalynn.

"Melhor festa de lançamento de todas com minhas pessoas favoritas! Obrigada por me deixar roubar a cena no seu aniversário. Espero que esteja se divertindo muito sozinha, maninha."

Eulalie encarou a tela. Não digitou uma resposta. Segurou o botão de ligar/desligar.

"Deslize para desligar."

A tela ficou preta. Seu reflexo no vidro escuro a encarava de volta - olhos secos, mandíbula cerrada. A mulher chorosa da rua havia desaparecido.

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Capítulo 3

Nº 3

Eulalie Bradford.

Não Holloway. Nunca mais Holloway.

Ela pousou a caneta, o metal frio contra sua pele febril. Lentamente, estendeu a mão para a aliança. O solitário de diamante de quatro quilates parecia um grilhão. Ela o girou. Ele prendeu por um momento no nó do dedo, resistindo, antes de deslizar para fora.

A pele por baixo estava pálida, marcada. A sombra de um anel.

Ela o ergueu contra a luz. A inscrição interna - "C&E Para Sempre" - brilhou zombeteiramente. Ela deixou o anel cair no envelope grosso junto com os papéis. Fez um baque surdo ao atingir o fundo.

Ela pegou um marcador preto e escreveu na frente do envelope em letras de forma: "PARA CADEN - URGENTE".

Às 22h30, o Maybach dos Holloway parou silenciosamente junto ao meio-fio. Carter, o assistente de Caden, abriu a porta traseira e soltou o cinto de Elara, que dormia em sua cadeirinha. Ele carregou o corpo pequeno e quente para dentro do prédio e a entregou para Martha.

"O Sr. Holloway e a Sra. Pennington foram a um clube privado", disse Carter suavemente. "Ele voltará muito tarde."

Martha assentiu, com uma expressão séria, e levou a criança escada acima. Carter se foi com o carro vazio, desaparecendo na noite.

A porta da frente apitou. 2h15 da manhã.

Eulalie enrijeceu. Ela desligou a lâmpada, pegando o envelope. Saiu do escritório no exato momento em que Caden entrou cambaleando no hall de entrada.

Ele fedia a gim caro e ao perfume enjoativo de Adalynn. Sua gravata estava desfeita, pendendo solta em seu pescoço. Ele piscou para ela, com os olhos turvos.

"Ainda acordada?", ele arrastou um pouco as palavras, apoiando-se na parede para tirar os sapatos. "Não comece, Eulalie. Estou exausto."

Eulalie permaneceu a três metros de distância. Não se moveu para pegar seu casaco. Não perguntou se ele queria água.

Ela colocou o envelope sobre o aparador de mármore perto da porta. "Caden. Tenho algo para você."

Ele acenou com a mão em desdém, passando por ela em direção às escadas. "Seja o que for, pode esperar. Estou com dor de cabeça."

"É importante", disse ela, com a voz firme, cortando a névoa dele. "É sobre o nosso futuro."

Caden parou, com um pé no primeiro degrau. Ele se virou, um sorriso de escárnio curvando seu lábio. "Futuro? Desde que você pare de se lamentar e aja como uma esposa, seu futuro está ótimo. Eu cuido de tudo, não cuido?"

Ele nem sequer olhou para a mesa. Pensou que ela estava lhe entregando um folheto de férias ou uma conta da mensalidade de Elara.

"Boa noite, Caden", disse ela.

"É, é", ele murmurou, arrastando-se escada acima.

Eulalie foi para o quarto de hóspedes. Não dormiu. Às 5h da manhã, estava de pé. Fez duas malas. Sem vestidos de grife. Sem joias que Caden havia comprado. Apenas seus jeans, seus moletons e um pequeno disco rígido (HD) fortemente criptografado que ela mantinha escondido no fundo de sua gaveta de roupas íntimas. Ela verificou a trava biométrica do disco. Piscou em verde. Este era seu salva-vidas, a única coisa nesta casa que era verdadeiramente sua.

Martha estava na cozinha, preparando o café. Ela deu um pulo quando Eulalie entrou com as malas.

"Sra. Holloway?"

Eulalie caminhou até o hall de entrada e apontou para o envelope na mesa. "Martha. Quando o Sr. Holloway acordar, entregue isto a ele. Coloque na mão dele. Diga a ele que eu fui embora."

Os olhos de Martha se arregalaram. "Foi embora? Mas... para onde? A menina Elara vai perguntar por você."

O sorriso de Eulalie era frágil. "Ela não vai. Se perguntar... diga a ela que eu quero que ela seja feliz."

Ela saiu pela porta. O trinco estalou ao fechar. Um som final, metálico, de encerramento.

Duas horas depois.

Caden acordou com a cabeça latejando. Ele gemeu, virando-se na cama. O outro lado estava frio.

"Eulalie?", ele disse com a voz rouca. Nenhuma resposta. "Ótimo. Emburrada."

Ele se arrastou escada abaixo. Martha estava tirando o pó do corredor, com uma aparência apavorada. Ela o viu e correu, pegando o envelope da mesa.

"Sr. Holloway... A Sra. Holloway deixou isto. Ela... ela levou as malas."

Caden esfregou as têmporas, semicerrando os olhos para o envelope. "Rainha do drama", ele murmurou. Ele estendeu a mão para pegá-lo.

Seu telefone tocou estridentemente do balcão da cozinha. Adalynn.

Ele recuou a mão. "Espere um pouco." Ele atendeu o telefone. "Adalynn?"

"Caden!", Adalynn estava soluçando teatralmente. "A imprensa... eles estão dizendo que eu parecia gorda nas fotos de ontem à noite! Você tem que acabar com a matéria! Não consigo respirar!"

O rosto de Caden endureceu. "Acalme-se, já estou cuidando disso." Ele pegou o casaco, ignorando Martha. "Preciso ir."

"Mas senhor, a carta...", Martha tentou empurrá-la em sua direção.

Caden afastou a mão dela. O envelope escorregou de seus dedos e deslizou pela lateral do sofá do hall, encaixando-se entre a almofada e o braço do sofá.

"Guarde isso, Martha! Não tenho tempo para os chiliques dela agora!", ele gritou, saindo porta afora furiosamente.

Martha ficou tremendo no corredor vazio. Ela olhou para o sofá. O envelope mal era visível. Ela se abaixou para recuperá-lo, mas a voz ríspida de Caden ecoou do elevador aberto.

"Deixe aí! Eu lido com as besteiras dela mais tarde!"

Assustada, Martha puxou a mão de volta. Ela suspirou, pensando que era apenas mais uma carta de reclamação sobre as noitadas de Caden. Com muito medo de desobedecer a sua ordem direta, ela deixou o envelope encaixado na fenda escura.

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