Minha vida parecia perfeita, era a arquiteta principal da empresa, a favorita do chefe, e amante de Gabriel, o herdeiro de tudo.
Até que a notificação de demissão chegou na minha mesa, fria e sem aviso.
Gabriel, o mesmo homem que me prometeu o mundo, agora me descartava como uma peça inútil. "A amante inconveniente", pensei.
Mas o fundo do poço era ainda mais profundo: Isabella, a ex que ele nunca esqueceu, voltou e com ela vieram humilhações e ataques de sua amiga, Larissa.
Eu engolia a dor, a raiva, e a impotência, fingindo aceitar, mas cada humilhação acendeu em mim um fogo incontrolável.
Eles pensaram que me destruiriam, mas mal sabiam que estavam me dando o motivo perfeito para o meu renascimento.
A notificação de demissão chegou na minha mesa sem aviso prévio.
Foi uma surpresa para todos no departamento.
Eu era a arquiteta principal da empresa, a favorita do chefe, ninguém ousava me demitir.
Mas a assinatura no final do documento era clara e fria, Gabriel.
Aquele que me promoveu com as próprias mãos, agora me dispensava sem hesitar.
Olhei para a carta, as palavras dançavam na minha frente, mas a mensagem era clara.
Eu estava fora.
Minha colega de mesa, Ana, se aproximou com cuidado.
"Sofia, o que aconteceu? Por que o Sr. Gabriel faria isso?"
Eu forcei um sorriso.
"Não é nada demais."
Mas nós duas sabíamos que era mentira.
O motivo da minha demissão tinha nome e sobrenome: Isabella.
A ex-namorada de Gabriel, sua colega de faculdade, a mulher que ele nunca esqueceu.
Ela voltou para o Brasil ontem.
E hoje, eu fui demitida.
Era óbvio.
Gabriel estava limpando o caminho para ela, me descartando como uma peça inútil no seu jogo.
Ele precisava agradá-la.
E para isso, precisava se livrar de mim.
A amante inconveniente.
Senti um aperto no peito, uma sensação de humilhação.
Mas eu não chorei.
Apenas aceitei.
Nesta empresa, a palavra de Gabriel era a lei.
Se ele dizia que eu tinha que sair, eu saía.
Ninguém se atreveria a questioná-lo.
Ele era o herdeiro, o dono de tudo.
Inclusive de mim, ou pelo menos era o que ele pensava.
Com uma calma que surpreendeu até a mim mesma, comecei a arrumar minhas coisas.
Cada objeto que eu colocava na caixa de papelão parecia pesado, carregado de memórias.
A caneta que Gabriel me deu no meu primeiro dia, o porta-retrato com uma foto nossa que eu mantinha escondido na gaveta.
Joguei tudo fora.
Eu não precisava mais daquelas lembranças.
Quando terminei, a mesa estava limpa, como se eu nunca tivesse estado ali.
Senti um alívio estranho, como se um peso tivesse sido tirado das minhas costas.
Por três anos, eu vivi sob a sombra dele.
Minha mesa ficava em um lugar estratégico, diretamente em frente à janela do seu escritório no andar de cima.
Ele me disse uma vez, sorrindo: "Assim, eu posso te ver sempre que eu quiser."
Na época, eu achei romântico.
Hoje, entendi que era apenas controle.
Carreguei a caixa até o elevador.
Enquanto esperava, olhei uma última vez para o prédio do outro lado da rua.
A porta de um carro de luxo se abriu.
Gabriel saiu, atencioso e cavalheiro.
Ele abriu a porta do passageiro para uma mulher.
Isabella.
Ela era exatamente como as fotos das revistas de fofoca mostravam, elegante, confiante, com um sorriso que parecia ser dona do mundo.
Ela era a luz da lua dele, seu primeiro amor, a mulher que ele sempre quis.
E eu, eu era apenas uma substituta temporária.
Ele olhou para ela com uma ternura que eu nunca recebi.
Um olhar cheio de adoração, de quem reencontrou um tesouro perdido.
Aquele olhar me disse tudo.
Confirmou todas as minhas suspeitas.
A porta do elevador se abriu e eu entrei, sem olhar para trás.
O espetáculo do amor deles não era para mim.