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O Retorno da Estilista Ignorada

O Retorno da Estilista Ignorada

Autor:: Qiu Nuan
Gênero: Romance
O ar no salão nobre da universidade estava pesado com o cheiro de livros antigos e sucesso caro. Eu, Maria Clara, estava de volta ao país após sete longos anos, para a celebração do centenário. Então, eu o vi: Pedro Henrique, no palco, sob a luz dos holofotes, exatamente como eu o via na pior noite da minha vida: a noite da minha formatura. Ele tinha sido meu namorado, o homem que eu amei mais do que a mim mesma, mas que me virou as costas quando o mundo desabou sobre mim por uma falsa acusação de plágio. Sofia, a filha de um dos parceiros do pai dele, armou tudo, e Pedro usou sua influência para me difamar, me transformando em uma ladra, uma fraude. Fui humilhada publicamente, perdi meu prêmio, meu diploma foi suspenso, meu nome manchado. Eu fui banida da indústria que era a minha vida. E ele, o homem que eu achava que me amava, não moveu um dedo para me proteger, apenas assistiu enquanto eu era destruída, sendo o arquiteto da minha ruína. Eu não entendia como a pessoa que me prometeu um futuro brilhante e disse que eu seria a maior estilista do país pôde acreditar em uma mentira tão descarada. Mas agora, ajoelhado aos meus pés, com um anel de noivado em suas mãos, ele espera meu perdão, sem saber que aquela Maria Clara morreu há sete anos.

Introdução

O ar no salão nobre da universidade estava pesado com o cheiro de livros antigos e sucesso caro.

Eu, Maria Clara, estava de volta ao país após sete longos anos, para a celebração do centenário.

Então, eu o vi: Pedro Henrique, no palco, sob a luz dos holofotes, exatamente como eu o via na pior noite da minha vida: a noite da minha formatura.

Ele tinha sido meu namorado, o homem que eu amei mais do que a mim mesma, mas que me virou as costas quando o mundo desabou sobre mim por uma falsa acusação de plágio.

Sofia, a filha de um dos parceiros do pai dele, armou tudo, e Pedro usou sua influência para me difamar, me transformando em uma ladra, uma fraude.

Fui humilhada publicamente, perdi meu prêmio, meu diploma foi suspenso, meu nome manchado. Eu fui banida da indústria que era a minha vida.

E ele, o homem que eu achava que me amava, não moveu um dedo para me proteger, apenas assistiu enquanto eu era destruída, sendo o arquiteto da minha ruína.

Eu não entendia como a pessoa que me prometeu um futuro brilhante e disse que eu seria a maior estilista do país pôde acreditar em uma mentira tão descarada.

Mas agora, ajoelhado aos meus pés, com um anel de noivado em suas mãos, ele espera meu perdão, sem saber que aquela Maria Clara morreu há sete anos.

Capítulo 1

O ar no salão nobre da universidade estava pesado, carregado com o cheiro de livros antigos e o perfume caro dos ex-alunos bem-sucedidos.

Era a celebração do centenário, um evento grandioso que reunia as maiores mentes e as famílias mais influentes que já haviam passado por aqueles corredores.

Eu, Maria Clara, estava ali, de volta ao país depois de sete longos anos.

Recebi o convite no meu ateliê em Paris, um envelope grosso com o selo dourado da universidade. Minha primeira reação foi jogá-lo no lixo, mas algo me fez parar. Voltar não era sobre perdoar, era sobre provar a mim mesma que eu tinha vencido.

Agora, parada perto de uma das colunas de mármore, eu me sentia uma estranha. As pessoas passavam, sorriam, conversavam em grupos animados, mas eu não pertencia mais àquele lugar. Aquele lugar que um dia chamei de lar, que me acolheu e depois me cuspiu para fora sem a menor cerimônia.

Então, eu o vi.

Pedro Henrique.

Ele estava no palco, posicionado sob a luz forte do holofote principal. O tempo tinha sido bom para ele, o que me encheu de uma raiva silenciosa. O mesmo cabelo escuro perfeitamente arrumado, o mesmo terno caro que parecia ter sido feito sob medida para seu corpo. Ele era o herdeiro do império dos Vasconcelos, e agia como tal, com uma confiança que beirava a arrogância.

Ele era o representante dos ex-alunos escolhido para o discurso da noite. Uma piada de mau gosto.

Meu coração deu uma batida forte e dolorosa, um eco do passado que eu lutei tanto para silenciar.

Sua voz preencheu o salão, amplificada pelos microfones. Ele falou sobre legado, sobre futuro, sobre as memórias construídas naqueles corredores. E então, seu discurso tomou um rumo pessoal.

"Muitas vezes, na vida, tomamos decisões erradas" , ele disse, e seus olhos, de alguma forma, encontraram os meus na multidão. "Impulsionados pelo orgulho, pela imaturidade ou pela influência de pessoas erradas, deixamos o amor verdadeiro escapar por entre os dedos."

Um murmúrio percorreu o público.

Eu senti um calafrio. Eu sabia onde aquilo ia dar.

"Mas o tempo nos ensina. E nos últimos sete anos, eu aprendi. Aprendi que não há nada mais valioso do que a mulher que eu deixei ir."

Ele desceu os degraus do palco lentamente, sem nunca desviar o olhar do meu. O silêncio no salão era total, todos os olhos agora estavam em nós. Ele caminhou até parar na minha frente.

"Eu sei que errei, Maria Clara. Errei de uma forma imperdoável."

Ele se ajoelhou.

Um suspiro coletivo ecoou pelo salão. Câmeras de celulares foram erguidas.

Do bolso do paletó, ele tirou uma pequena caixa de veludo preto. Abriu-a, revelando um anel de diamante que brilhava de forma obscena sob as luzes.

"Eu esperei sete anos por este momento. Para te pedir perdão e para te pedir que me dê uma segunda chance. Casa comigo, Maria Clara?"

O mundo ao meu redor desapareceu. O barulho, as luzes, os olhares curiosos. Tudo o que eu via era o rosto dele, o anel, e tudo o que eu sentia era o gosto amargo da traição.

Minha mente me jogou de volta no tempo, para a pior noite da minha vida. A noite da minha formatura.

Eu estava no auge, meu trabalho de conclusão de curso, uma coleção de moda inteira, estava sendo aclamado como genial. O prêmio de melhor aluna do ano era meu. E então, o mundo desabou.

A acusação de plágio.

Sofia, a filha de um dos sócios do pai de Pedro Henrique, apareceu com rascunhos grosseiros, alegando que eu havia roubado suas ideias. Era uma mentira descarada, uma armação tão óbvia, mas ela chorou, se fez de vítima, e as pessoas acreditaram.

Eu procurei Pedro Henrique, meu namorado, o homem que eu amava mais do que a mim mesma.

"Você sabe que é mentira, Pedro. Você me viu passar noites em claro desenhando cada peça."

Ele me olhou com uma frieza que eu nunca tinha visto.

"Sofia me mostrou as provas, Maria Clara. O pai dela é importante para os negócios da minha família."

E com isso, ele me virou as costas. Não apenas me virou as costas, ele usou sua influência para me difamar. Ele confirmou a história de Sofia para a imprensa e para o conselho da universidade. Ele me pintou como uma ladra, uma fraude.

Fui humilhada publicamente. Perdi meu prêmio, meu diploma foi suspenso, e meu nome foi manchado de tal forma que nenhuma empresa de moda no Brasil sequer aceitava olhar meu portfólio. Fui banida da indústria que era a minha vida.

E ele, o homem que agora estava ajoelhado aos meus pés, foi o arquiteto da minha ruína.

A realidade voltou com a força de um soco.

Bruno, o melhor amigo de Pedro Henrique, se aproximou de mim, falando baixo, com urgência.

"Maria Clara, por favor" , ele sussurrou. "Ele está sofrendo. Ele se arrepende de verdade. Ele te esperou todos esses anos, nunca se envolveu com ninguém."

A obsessão dele não era meu problema. O arrependimento tardio dele não apagava a dor.

Eu olhei para Bruno, meus olhos secos e frios.

"Isso não muda nada."

Minha voz saiu firme, sem um pingo de hesitação.

Eu me virei, pronta para deixar aquele circo para trás. Pronta para deixar Pedro Henrique ajoelhado no chão, com seu anel e seu arrependimento inútil. Eu não era mais a garota que ele destruiu. Eu era outra pessoa agora. Uma pessoa que ele não conhecia e que nunca mais teria.

Capítulo 2

A memória de como eu amei Pedro Henrique era uma ferida antiga que, às vezes, ainda latejava.

Nos primeiros anos de faculdade, eu era completamente entregue. Eu vinha de uma família simples, entrei na universidade com uma bolsa de estudos e muito esforço. Ele era o oposto, o herdeiro de tudo, o garoto que tinha o mundo aos seus pés.

Eu me apaixonei pela forma como ele parecia me ver de verdade, para além das minhas roupas baratas e da minha timidez.

Eu passava horas no ateliê de costura da faculdade, trabalhando nos meus projetos, e ele aparecia com café e sanduíches, sentava em um canto e ficava me observando, com um sorriso que me fazia sentir a pessoa mais especial do mundo.

"Você tem um talento que ninguém mais tem, meu amor" , ele dizia, pegando um dos meus croquis. "Você vai ser a maior estilista que este país já viu."

Eu acreditava nele. Eu acreditava em nós.

Ele me apresentou à sua família, ao seu mundo de luxo e poder. Eu me sentia deslocada, mas ele segurava minha mão com firmeza e me defendia das críticas veladas de sua mãe e dos olhares de desdém de seus amigos ricos.

"Não ligue para eles" , ele sussurrava no meu ouvido. "O que importa é o que eu sinto por você."

Ele me prometeu um futuro. Um ateliê só meu, financiado por ele. Viagens pelo mundo para buscar inspiração. Uma vida de conto de fadas. E como uma tola, eu acreditei em cada palavra.

Então, Sofia apareceu.

Ela era tudo o que eu não era. Filha de um magnata, cresceu no mesmo círculo social que Pedro Henrique. Era bonita de um jeito clássico, segura de si e claramente interessada nele.

No início, ele a tratava com uma cortesia distante.

"Ela é apenas a filha do novo sócio do meu pai, Maria Clara. É só negócios."

Eu quis acreditar. Eu me esforcei para acreditar. Eu via a forma como ela o olhava, como tocava seu braço de forma "acidental" durante as conversas. Eu via como ela me media de cima a baixo com um olhar de superioridade.

"Eu não gosto dela, Pedro. Não gosto do jeito que ela olha para você."

Ele ria, me abraçava e dizia que eu estava sendo boba.

"Você é a única para mim. Ninguém pode mudar isso."

Mas aos poucos, a presença de Sofia se tornou uma constante. Jantares de negócios que se estendiam pela noite, viagens de fim de semana para a casa de campo da família dela, onde ele era "obrigado" a ir para discutir projetos.

Minha confiança começou a ser corroída, como um ácido pingando lentamente sobre a minha pele.

Eu via fotos deles juntos nas redes sociais, postadas pelos amigos em comum. Ele sempre sorrindo, ela sempre ao seu lado, parecendo cada vez mais o lugar dela.

As desculpas dele começaram a soar vazias. As promessas, ocas.

Uma noite, eu o esperei voltar de mais um desses jantares. Eram duas da manhã. Ele entrou no apartamento cheirando ao perfume dela. Um perfume caro e floral que eu conhecia bem, porque ela fazia questão de usá-lo sempre que estava perto de mim.

"Onde você estava, Pedro?"

Minha voz tremeu, uma mistura de dor e raiva.

"Eu já te disse, um jantar de negócios. Foi cansativo."

Ele respondeu sem me olhar nos olhos, já tirando o paletó e afrouxando a gravata, como se minha pergunta fosse um incômodo.

"Até as duas da manhã? E por que você está com o cheiro dela impregnado na sua roupa?"

Ele parou e finalmente me encarou. A paciência em seus olhos havia desaparecido, substituída por um fastio irritado.

"Você vai começar com isso de novo, Maria Clara? Eu não tenho tempo para o seu ciúme infantil. Minha família tem negócios importantes com a família dela. É o meu futuro que está em jogo. Você não entende?"

O jeito que ele disse "seu ciúme infantil" me quebrou. Ele transformou minha dor legítima em uma crise de histeria. Ele me fez sentir pequena, insegura, irracional.

Naquele momento, olhando para o homem que eu amava me tratando com tanto desdém, a primeira rachadura real apareceu no nosso conto de fadas. E eu soube, no fundo da minha alma, que aquela rachadura nunca mais seria consertada.

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