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O Retorno da Vingadora

O Retorno da Vingadora

Autor:: Callista
Gênero: Romance
Eu morri. Fui assassinada por uma multidão furiosa, incitada pelos filhos que eu amava mais que a minha própria vida. A dor lancinante e o frio do asfalto foram a última coisa que senti antes da escuridão. Mas então, abri os olhos novamente, na segurança da minha cama, um ano antes do inferno começar, com o cheiro de café na cozinha. Lá fora, os filhos que adotei e dediquei minha vida, Pedro e Paulo, cresciam para se tornar os monstros que destruiriam tudo. Eles me acusariam de algo hediondo, virando o mundo contra mim e Ricardo, meu marido, que os amava. Nossa vida virou um pesadelo de calúnias, humilhação pública e ostracismo, culminando em uma morte brutal nas mãos de uma turba enfurecida. Como pude ser tão cega? Como eles puderam me trair de forma tão cruel? O que havia por trás de tanta maldade? Desta vez, não serei a vítima. Com cada memória dolorosa da minha vida passada, eu jurei que as coisas seriam diferentes. Eu seria a caçadora.

Introdução

Eu morri. Fui assassinada por uma multidão furiosa, incitada pelos filhos que eu amava mais que a minha própria vida.

A dor lancinante e o frio do asfalto foram a última coisa que senti antes da escuridão.

Mas então, abri os olhos novamente, na segurança da minha cama, um ano antes do inferno começar, com o cheiro de café na cozinha.

Lá fora, os filhos que adotei e dediquei minha vida, Pedro e Paulo, cresciam para se tornar os monstros que destruiriam tudo.

Eles me acusariam de algo hediondo, virando o mundo contra mim e Ricardo, meu marido, que os amava.

Nossa vida virou um pesadelo de calúnias, humilhação pública e ostracismo, culminando em uma morte brutal nas mãos de uma turba enfurecida.

Como pude ser tão cega? Como eles puderam me trair de forma tão cruel? O que havia por trás de tanta maldade?

Desta vez, não serei a vítima. Com cada memória dolorosa da minha vida passada, eu jurei que as coisas seriam diferentes. Eu seria a caçadora.

Capítulo 1

Eu morri. Fui assassinada por uma multidão furiosa, incitada pelos filhos que eu amava mais que a minha própria vida. A última coisa que senti foi a dor lancinante e o frio do asfalto contra o meu rosto.

E então, abri os olhos.

A luz do sol entrava pela janela do meu quarto, o mesmo quarto que eu dividia com meu marido, Ricardo. O cheiro de café fresco vinha da cozinha. Olhei para o calendário na parede. A data era de um ano atrás, um dia antes do inferno começar.

Eu estava viva de novo. Tinha recebido uma segunda chance.

As memórias da minha vida passada eram claras, nítidas e dolorosas. Lembrei-me dos dias felizes. Ricardo e eu, incapazes de ter filhos biológicos, fomos ao orfanato com o coração cheio de esperança. Lá, encontramos Pedro e Paulo. Gêmeos idênticos, com olhos grandes e assustados. Nós os adotamos, os levamos para casa e dedicamos nossas vidas a eles.

Nós os amamos incondicionalmente.

Lembrei-me de ensinar-lhes a andar de bicicleta, de ajudar com a lição de casa, de celebrar cada aniversário com festas enormes. Eles eram o nosso mundo. Para nós, eles eram perfeitos.

Mas a perfeição era uma máscara.

Na minha vida passada, tudo desmoronou quando eles foram para a universidade. Um dia, eles nos ligaram, chorando. Disseram que estavam doentes. Quando os trouxemos para casa, a verdade veio à tona de uma forma distorcida e cruel. Ambos estavam grávidos.

Grávidos.

Antes que pudéssemos processar o choque, eles foram à público. Com lágrimas de crocodilo, em frente às câmeras de televisão, eles contaram uma história de horror. Eles acusaram Ricardo, o pai que os adorava, de tê-los estuprado repetidamente.

A acusação era uma mentira monstruosa, criada para esconder um segredo ainda mais sombrio.

Nós tentamos lutar. Apresentamos o atestado de vasectomia de Ricardo, um procedimento que ele fez anos antes de adotarmos os meninos. Ninguém acreditou. A mídia nos pintou como monstros. A opinião pública nos condenou sem julgamento. Fomos difamados, humilhados e isolados. Nossos amigos nos abandonaram. Perdemos nossos empregos.

A nossa vida se transformou num pesadelo.

A lembrança do fim era a mais vívida. Eu estava voltando para casa, depois de uma tentativa frustrada de falar com um advogado. Um grupo de extremistas, pessoas que acreditavam nas mentiras dos meus filhos, me cercou. Eles gritaram insultos. Cuspiram em mim. E então, a violência começou. Fui espancada até a morte na rua, como um animal.

Agora, deitada na minha cama, sentindo o calor do sol na minha pele, as lágrimas escorriam pelo meu rosto. Mas não eram lágrimas de tristeza. Eram lágrimas de raiva e determinação.

Desta vez, seria diferente.

Eu não sabia como ou por que, mas eu tinha voltado. E não ia desperdiçar esta chance. Eu ia descobrir a verdade por trás da gravidez deles. Eu ia descobrir o segredo que eles estavam protegendo com tanta ferocidade.

Eu ia expor suas mentiras.

Eu ia limpar o nome de Ricardo.

E eu ia fazer Pedro e Paulo pagarem por cada lágrima, cada insulto, cada gota de sangue derramado.

Desta vez, eu não seria a vítima. Eu seria a caçadora.

Capítulo 2

Levantei-me da cama, o coração martelando contra as costelas. Ricardo ainda dormia profundamente, o rosto sereno, sem saber do pesadelo que nos esperava. Fui até a cozinha e comecei a preparar o café da manhã. O cheiro de ovos e bacon encheu a casa, um aroma de normalidade que contrastava violentamente com a tempestade dentro de mim.

Pedro e Paulo desceram as escadas pouco depois. Eles estavam em casa para o fim de semana da universidade.

"Bom dia, mãe", disse Paulo, com um sorriso sonolento.

"Bom dia, querida", disse Pedro, dando-me um beijo na bochecha.

O toque dele fez minha pele se arrepiar. Tive que usar toda a minha força de vontade para não recuar. Em vez disso, forcei um sorriso.

"Bom dia, meus amores. Dormiram bem? Preparei o café da manhã favorito de vocês."

Sentei-me à mesa com eles, observando cada movimento, cada expressão. Eu precisava ver os sinais que perdi na minha vida anterior.

"Então, como estão as aulas?", perguntei, tentando soar casual.

"Cansativas", respondeu Paulo, colocando uma grande porção de ovos no prato. "Mas estamos indo bem."

"É, a faculdade é puxada", acrescentou Pedro. Ele parecia um pouco pálido. Seus olhos tinham olheiras sutis.

Eu continuei a conversa, falando sobre banalidades, mas meus olhos estavam fixos em Pedro. Eu lembrava da minha própria gravidez, dos enjoos matinais, da sensibilidade a certos cheiros.

Decidi fazer um teste.

"Ah, quase esqueci!", exclamei, levantando-me. "Comprei aquele peixe que vocês gostam. Vou fritar um pouco para vocês levarem para a faculdade."

Fui até a geladeira e tirei um pacote de sardinhas. O cheiro forte e oleoso se espalhou pela cozinha assim que abri a embalagem.

Observei a reação de Pedro pelo canto do olho.

Ele engoliu em seco. Sua mão foi discretamente até a boca, como se estivesse tentando conter uma ânsia. Ele empurrou o prato de ovos para longe, a palidez em seu rosto se acentuando.

"Mãe, acho que... acho que não precisa", disse ele, a voz um pouco trêmula. "Já estamos satisfeitos."

Paulo olhou para o irmão, uma expressão de preocupação em seu rosto.

Bingo.

Eu tinha confirmado minha primeira suspeita. A náusea. O sinal clássico.

Continuei meu teatro. Guardei o peixe e voltei para a mesa com um copo de água.

"Você está bem, meu filho? Parece um pouco pálido", disse eu, colocando a mão em sua testa, fingindo preocupação. "Não está com febre."

"Estou bem, mãe. Só não dormi muito bem esta noite", ele mentiu, forçando um sorriso.

Eu sabia que ele estava mentindo. O medo em seus olhos era quase imperceptível, mas para mim, que já conhecia o final da história, era claro como o dia. Eles estavam escondendo algo. A gravidez já estava em andamento.

Naquela noite, depois que todos foram dormir, sentei-me em frente ao meu computador. Ricardo roncava suavemente ao meu lado. O silêncio da casa era pesado, cheio de segredos.

Com as mãos firmes, digitei na barra de pesquisa: "mini câmeras espiãs com áudio".

Centenas de opções apareceram. Escolhi as menores e mais discretas, com bateria de longa duração e transmissão ao vivo para o celular. Paguei pelo frete mais rápido.

A caçada havia começado. Eu precisava de provas concretas. Eu precisava ver com meus próprios olhos o que eles faziam quando achavam que ninguém estava olhando.

E eu não ia parar até conseguir.

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