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O Retorno de Lia: Mais Forte do Que Nunca

O Retorno de Lia: Mais Forte do Que Nunca

Autor:: Marijn Mannes
Gênero: Moderno
A ambulância cortou o ar, misturando-se com o choro desesperado da minha mãe. Eu estava deitada numa poça de sangue, o meu vestido branco manchado de vermelho chocante. A dor era insuportável no meu ventre. Tinha acabado de dizer à avó do meu marido que estava grávida. Ela não gostou da notícia. "Uma mulher como tu nunca dará um herdeiro à nossa família", sibilou, antes de me empurrar escada abaixo. Perdi o meu bebé. Enquanto agonizava, o meu marido, Miguel, escolhia auxiliar a mulher que me atacou. "A minha avó precisa mais de mim. Ela é velha. Tu és jovem, podes recuperar", disse ele, abandonando-me. No hospital, a família dele zombou: "Foi só um feto." Ele chamou a minha perda de "lamentável" e o crime da avó de "alarme falso". Senti fúria fria. Como podiam ser tão cruéis? Como podia o homem que jurei amar virar-se contra mim tão facilmente? A dor era tão profunda que se transformou em revolta. Mas a injustiça era ainda pior: ele pediu o divórcio primeiro, acusou-me de "instabilidade emocional" e exigiu que saísse de casa sem nada. Eles queriam esmagar-me. Mas não iriam. Não depois de tudo o que me tiraram. Lembrei-me das câmaras de segurança. Eles estavam prevenidos para a minha dor, mas não para a minha fúria e para a verdade gravada.

Introdução

A ambulância cortou o ar, misturando-se com o choro desesperado da minha mãe.

Eu estava deitada numa poça de sangue, o meu vestido branco manchado de vermelho chocante.

A dor era insuportável no meu ventre.

Tinha acabado de dizer à avó do meu marido que estava grávida.

Ela não gostou da notícia.

"Uma mulher como tu nunca dará um herdeiro à nossa família", sibilou, antes de me empurrar escada abaixo.

Perdi o meu bebé.

Enquanto agonizava, o meu marido, Miguel, escolhia auxiliar a mulher que me atacou.

"A minha avó precisa mais de mim. Ela é velha. Tu és jovem, podes recuperar", disse ele, abandonando-me.

No hospital, a família dele zombou: "Foi só um feto."

Ele chamou a minha perda de "lamentável" e o crime da avó de "alarme falso".

Senti fúria fria. Como podiam ser tão cruéis?

Como podia o homem que jurei amar virar-se contra mim tão facilmente?

A dor era tão profunda que se transformou em revolta.

Mas a injustiça era ainda pior: ele pediu o divórcio primeiro, acusou-me de "instabilidade emocional" e exigiu que saísse de casa sem nada.

Eles queriam esmagar-me.

Mas não iriam. Não depois de tudo o que me tiraram.

Lembrei-me das câmaras de segurança.

Eles estavam prevenidos para a minha dor, mas não para a minha fúria e para a verdade gravada.

Capítulo 1

A sirene da ambulância cortou o ar da noite, o seu som agudo misturando-se com o choro desesperado da minha mãe.

Eu estava deitada numa poça de sangue, o meu vestido branco agora tingido de um vermelho chocante. A dor aguda na parte inferior do meu abdómen era insuportável, cada espasmo roubava-me o fôlego.

A minha mãe, Sofia, agarrava a minha mão com força, as suas lágrimas caíam no meu rosto.

"Aguenta, minha filha. Por favor, aguenta."

O meu marido, Miguel, estava do outro lado da sala, o seu rosto uma máscara de fúria e impaciência. Ele não olhava para mim, mas para o seu telemóvel, gritando com alguém do outro lado.

"Eu já disse que estou a caminho! Sim, eu sei que a Lia está a sangrar, mas a avó está a ter um ataque cardíaco! A vida dela está em risco!"

A avó dele. A mulher que me odiava desde o dia em que me conheceu.

A mulher que, há apenas cinco minutos, me tinha empurrado escada abaixo.

Eu tinha acabado de lhe dizer que estava grávida. Grávida do seu único neto.

Ela não gostou da notícia.

"Uma mulher como tu nunca dará um herdeiro à nossa família," ela sibilou, antes de me dar o empurrão fatal.

Agora, eu estava a perder o meu bebé, e o meu marido estava mais preocupado com a agressora do que com a vítima.

"Miguel," consegui sussurrar, a minha voz fraca. "Fica. Eu preciso de ti."

Ele finalmente olhou para mim, os seus olhos frios e sem qualquer traço de amor.

"A minha avó precisa mais de mim. Ela é velha. Tu és jovem, podes recuperar."

Com isso, ele virou-se e saiu a correr pela porta, deixando-me no meio do meu próprio sangue e da dor da minha mãe.

Naquele momento, enquanto os paramédicos me colocavam numa maca, eu soube.

O nosso casamento tinha acabado.

Capítulo 2

Acordei no quarto de hospital estéril. A primeira coisa que senti foi um vazio. Um vazio profundo e doloroso no meu ventre e no meu coração.

O meu bebé tinha-se ido.

A minha mãe estava sentada numa cadeira ao lado da minha cama, o seu rosto envelhecido dez anos numa única noite. Ela segurava a minha mão.

"O médico disse que a cirurgia correu bem," disse ela suavemente. "Mas... o bebé..."

Ela não precisava de terminar. Eu já sabia.

As lágrimas que eu não tinha tido força para chorar antes, agora escorriam livremente pelo meu rosto. Chorei silenciosamente pelo filho que nunca conheceria.

O telemóvel de Miguel estava na mesa de cabeceira. Tinha tocado incessantemente enquanto eu estava na cirurgia. Eram mensagens e chamadas da família dele.

Peguei no telemóvel. A minha mão tremia.

Abri as mensagens. Eram do pai de Miguel, o Sr. Alves.

"Miguel, a tua avó está estável. Foi só um pico de tensão. O médico disse que ela precisa de descansar. Não te preocupes com a Lia. Ela é forte. Além disso, foi só um feto."

Só um feto.

O meu mundo desabou um pouco mais. Para eles, o meu filho era apenas um inconveniente. Um aglomerado de células sem importância.

Senti uma onda de raiva fria a substituir a minha dor.

Liguei para o Miguel. Ele atendeu ao segundo toque.

"Lia? Como estás? A avó está bem. Foi um alarme falso." A sua voz era casual, como se estivesse a falar do tempo.

"Eu perdi o bebé, Miguel."

Houve um silêncio do outro lado da linha. Não um silêncio de choque ou tristeza. Mas um silêncio de quem não sabe o que dizer.

"Ah," ele disse finalmente. "Bem... isso é... lamentável. Mas podemos tentar de novo, certo?"

Lamentável.

"A tua avó empurrou-me," disse eu, a minha voz firme e sem emoção.

"Lia, não comeces. A avó não faria isso. Ela estava stressada. Tu provavelmente disseste algo que a provocou."

Ele estava a defender a mulher que me tinha tirado o meu filho.

"Eu quero o divórcio, Miguel."

A frase saiu da minha boca antes que eu pudesse pensar. Mas assim que a disse, soube que era a decisão certa.

"O quê? Divórcio? Estás a brincar? Por causa de um acidente? Lia, não sejas dramática."

"Não foi um acidente. E não é só por causa disto. É por tudo. Por me teres deixado a sangrar no chão para ires ter com ela. Por a chamares de 'alarme falso' e ao nosso filho de 'lamentável'."

"Eu não disse isso!" ele gritou, a sua voz a subir. "Estás a torcer as minhas palavras! Estás a ser histérica por causa das hormonas!"

"Não, Miguel. Eu estou a ser clara pela primeira vez em muito tempo."

Desliguei o telemóvel.

Senti-me vazia, mas também... livre.

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