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O Sabor Amargo da Traição

O Sabor Amargo da Traição

Autor:: Maura Dylan
Gênero: Moderno
Acordei no hospital, com o cheiro de desinfetante e uma dor de cabeça latejante. Ao meu lado, Pedro, o meu marido, nem sequer me olhava, absorto no telemóvel. Perguntei o que tinha acontecido e a resposta dele, vazia de carinho, foi um golpe: "Desmaiaste. A tua anemia voltou a atacar. Precisas de descansar." E logo a seguir, a frase que rasgou o pouco que restava: "Tenho de ir. A Sofia precisa de ajuda com um fornecedor." Ele saiu, deixando-me sozinha com a sopa fria e a dura realidade. Depois de anos a sacrificar a minha carreira de chef para construir o restaurante dos seus sonhos, a gerir tudo enquanto ele desfilava com a "sócia" Sofia, era assim que eu era tratada. Não era apenas a minha saúde que estava frágil, era a minha alma. Como podia ele ser tão frio? Como podia eu ter dedicado tudo a alguém que me via como uma ferramenta, dispensável e facilmente substituível? Anos de trabalho árduo, de noites sem dormir, de refeições saltadas – tudo para ser descartada sem um pingo de preocupação. Esta não era a vida que eu queria. Com as mãos a tremer, mas uma nova determinação no coração, peguei no meu telemóvel. Um divórcio. Era hora de lutar por mim. Liguei à minha irmã, Clara, e as minhas palavras foram claras: "Clara, preciso de ajuda."

Introdução

Acordei no hospital, com o cheiro de desinfetante e uma dor de cabeça latejante. Ao meu lado, Pedro, o meu marido, nem sequer me olhava, absorto no telemóvel.

Perguntei o que tinha acontecido e a resposta dele, vazia de carinho, foi um golpe: "Desmaiaste. A tua anemia voltou a atacar. Precisas de descansar." E logo a seguir, a frase que rasgou o pouco que restava: "Tenho de ir. A Sofia precisa de ajuda com um fornecedor."

Ele saiu, deixando-me sozinha com a sopa fria e a dura realidade. Depois de anos a sacrificar a minha carreira de chef para construir o restaurante dos seus sonhos, a gerir tudo enquanto ele desfilava com a "sócia" Sofia, era assim que eu era tratada. Não era apenas a minha saúde que estava frágil, era a minha alma.

Como podia ele ser tão frio? Como podia eu ter dedicado tudo a alguém que me via como uma ferramenta, dispensável e facilmente substituível? Anos de trabalho árduo, de noites sem dormir, de refeições saltadas – tudo para ser descartada sem um pingo de preocupação. Esta não era a vida que eu queria.

Com as mãos a tremer, mas uma nova determinação no coração, peguei no meu telemóvel. Um divórcio. Era hora de lutar por mim. Liguei à minha irmã, Clara, e as minhas palavras foram claras: "Clara, preciso de ajuda."

Capítulo 1

Quando acordei, o cheiro de desinfetante invadiu as minhas narinas. A minha cabeça latejava.

A luz fluorescente do quarto do hospital era fria e impessoal, iluminando o rosto pálido do meu marido, Pedro.

Ele estava sentado numa cadeira ao lado da minha cama, a olhar para o telemóvel com uma expressão vazia.

"O que aconteceu?", perguntei, a minha voz rouca e fraca.

Pedro levantou os olhos, a sua expressão mudou de vazia para irritada.

"O que aconteceu? Tu desmaiaste. A tua anemia voltou a atacar. Os médicos disseram que tens de descansar e comer melhor."

Ele disse isto sem qualquer pingo de preocupação, como se estivesse a ler uma lista de compras.

O meu coração sentiu um aperto. Anemia. Sim, eu sabia. Mas a causa não era apenas falta de comida.

Era o stress constante, as noites mal dormidas a preocupar-me com as dívidas do negócio dele, as refeições que eu saltava para garantir que ele e a mãe dele comiam primeiro.

"E a tua mãe? Ela está bem?", perguntei, tentando sentar-me.

"A minha mãe está ótima. Ela está em casa a descansar. Ela ficou muito assustada contigo, sabes? A pressão arterial dela subiu por tua causa."

A culpa na sua voz era pesada, como se o meu colapso fosse um fardo inconveniente para a família dele.

"Sinto muito", murmurei.

"Não peças desculpa a mim. Pede desculpa à minha mãe. E certifica-te de que isto não volta a acontecer. Precisamos de ti saudável para ajudar no restaurante."

Ele voltou a olhar para o telemóvel.

O silêncio no quarto era pesado. Eu olhei para as minhas mãos, finas e pálidas. Eu tinha desistido da minha carreira como chef para o ajudar a construir o restaurante dos seus sonhos. Trabalhava dezasseis horas por dia, cozinhava, limpava, geria as contas. E tudo o que recebia em troca era isto.

Uma enfermeira entrou com uma bandeja de comida. Sopa aguada e pão seco.

"Tens de comer tudo", disse ela com um sorriso gentil.

Pedro nem levantou a cabeça.

Naquele momento, uma notificação iluminou o ecrã do telemóvel dele. Uma mensagem da Sofia, a sua "melhor amiga" e sócia no negócio.

O meu estômago revirou-se.

Capítulo 2

Eu conhecia a Sofia. Ela era a razão de muitas das minhas noites sem dormir.

Pedro sempre disse que eles eram apenas amigos, que a relação deles era puramente profissional. Mas eu via a forma como ele olhava para ela, a forma como o rosto dele se iluminava quando ela estava por perto.

Ele levantou-se abruptamente.

"Tenho de ir. A Sofia precisa de ajuda com um fornecedor."

Ele nem sequer olhou para mim.

"Pedro, espera", pedi. "Podes ficar só mais um pouco?"

Ele virou-se, a impaciência evidente no seu rosto.

"Lia, eu não posso. O restaurante depende de nós. Tu sabes disso. Para de ser tão carente."

As suas palavras foram diretas, sem suavidade.

Ele saiu do quarto sem olhar para trás, deixando-me sozinha com a minha sopa fria e o meu coração partido.

Eu peguei na colher, mas as minhas mãos tremiam tanto que a deixei cair. O som metálico ecoou no silêncio.

As lágrimas que eu tinha segurado finalmente começaram a cair, quentes e silenciosas no meu rosto.

Não era por ser carente. Era por me sentir invisível.

Eu sabia que tinha de tomar uma decisão. Eu não podia continuar a viver assim, a sacrificar a minha saúde e a minha felicidade por alguém que claramente não me valorizava.

Peguei no meu telemóvel. As minhas mãos ainda tremiam, mas eu estava determinada.

Abri a conversa com a minha irmã, Clara.

"Clara, preciso de ajuda."

A resposta dela foi quase imediata.

"O que aconteceu, Lia? Onde estás?"

"No hospital. O Pedro deixou-me aqui sozinha."

"Estou a caminho."

A simplicidade da sua resposta foi um bálsamo para a minha alma ferida. Pelo menos eu não estava completamente sozinha.

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