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O Segredo do Lobo Branco: Rejeitado Pelo Alfa

O Segredo do Lobo Branco: Rejeitado Pelo Alfa

Autor:: Rowena
Gênero: Lobisomem
Eu estava sozinha no altar de mármore, o silêncio do templo pressionando meus tímpanos. Era a minha Cerimônia de Acasalamento, mas o noivo havia desaparecido. Meu celular vibrou com uma notificação: uma transmissão ao vivo do meu companheiro, o Alpha Caim, ignorando nossa união para dar as boas-vindas à minha irmã, Éris, que voltava para casa. No vídeo, ele a segurava como se ela fosse feita de vidro frágil, com a legenda: "O verdadeiro poder reconhece o verdadeiro poder." Quando voltei para a Casa da Matilha, humilhada, não fui recebida com um pedido de desculpas. Fui recebida com um tapa na cara da minha mãe. Éris, fingindo uma poderosa "Aura de Alpha", alegou que meu simples cheiro a estava envenenando. Para "salvá-la", minha família me trancou no quarto. Mas a verdadeira traição veio quando ouvi os sussurros abafados através da porta. - Use a Vera - disse minha mãe, com uma voz assustadoramente prática. - Ela se recupera rápido. Podemos drenar o sangue dela semanalmente para a Éris. Ela pode ficar como serva para criar os filhotes de Caim e Éris. Meu sangue gelou. Eles não estavam apenas me negligenciando; planejavam me colher como gado. Eles pensavam que eu era a Ômega fraca que exilaram para o Norte anos atrás para descascar batatas. Eles não faziam ideia de que, no Norte, eu não era uma serva. Eu era a Comandante V, uma guerreira forjada no gelo e no sangue. Estiquei o braço para debaixo da cama e puxei minha mochila tática preta. - Que se dane o rocambole - sussurrei. Eu não estava apenas indo embora. Eu estava indo para a guerra.

Capítulo 1

Eu estava sozinha no altar de mármore, o silêncio do templo pressionando meus tímpanos.

Era a minha Cerimônia de Acasalamento, mas o noivo havia desaparecido.

Meu celular vibrou com uma notificação: uma transmissão ao vivo do meu companheiro, o Alpha Caim, ignorando nossa união para dar as boas-vindas à minha irmã, Éris, que voltava para casa.

No vídeo, ele a segurava como se ela fosse feita de vidro frágil, com a legenda: "O verdadeiro poder reconhece o verdadeiro poder."

Quando voltei para a Casa da Matilha, humilhada, não fui recebida com um pedido de desculpas.

Fui recebida com um tapa na cara da minha mãe.

Éris, fingindo uma poderosa "Aura de Alpha", alegou que meu simples cheiro a estava envenenando.

Para "salvá-la", minha família me trancou no quarto.

Mas a verdadeira traição veio quando ouvi os sussurros abafados através da porta.

- Use a Vera - disse minha mãe, com uma voz assustadoramente prática.

- Ela se recupera rápido. Podemos drenar o sangue dela semanalmente para a Éris. Ela pode ficar como serva para criar os filhotes de Caim e Éris.

Meu sangue gelou.

Eles não estavam apenas me negligenciando; planejavam me colher como gado.

Eles pensavam que eu era a Ômega fraca que exilaram para o Norte anos atrás para descascar batatas.

Eles não faziam ideia de que, no Norte, eu não era uma serva.

Eu era a Comandante V, uma guerreira forjada no gelo e no sangue.

Estiquei o braço para debaixo da cama e puxei minha mochila tática preta.

- Que se dane o rocambole - sussurrei.

Eu não estava apenas indo embora. Eu estava indo para a guerra.

Capítulo 1

O Altar Vazio

Ponto de Vista da Vera:

O Templo da Lua estava silencioso. Não aquele tipo de silêncio pacífico, mas o tipo pesado e sufocante que esmaga seus ouvidos.

Eu estava sozinha no centro do altar de mármore. A luz do luar entrava pela alta cúpula de vidro, iluminando partículas de poeira dançando no ar. Elas eram minha única companhia.

Hoje era a Cerimônia de Acasalamento. Nada demais, apenas o momento em que minha alma deveria ser irrevogavelmente ligada a outra pela eternidade. A cerimônia é uma formalidade, uma declaração pública diante da matilha de que o Alpha aceitou sua Luna.

Mas o Alpha estava desaparecido em combate.

Olhei para as minhas mãos. Elas tremiam. Eu usava o manto cerimonial, uma vestimenta pesada bordada com fios de prata retratando a história da Matilha de Águas Claras. Três costureiras, um mês de trabalho.

Agora, parecia uma mortalha.

Meu celular vibrou contra meu quadril como uma vespa furiosa.

Eu não deveria ter verificado. Uma Luna deve ser equilibrada. Paciente. Mas minha paciência tinha acabado.

Peguei o aparelho. Uma notificação da conta oficial da matilha nas redes sociais apareceu.

"AO VIVO: Alpha Caim recebe Éris Darkthorne em casa! #CasalPoderoso"

Meu polegar pairou sobre a tela. Apertei o play.

O vídeo estava tremido, filmado no aeródromo privado. Mas a traição estava em 4K.

Lá estava meu pai, radiante com um orgulho que ele nunca desperdiçou comigo. Lá estava minha mãe, enxugando lágrimas de alegria. Lá estava Dante, meu irmão, segurando um buquê de lírios brancos.

E lá estava Caim.

Caim Blackfang. Meu companheiro. O futuro Alpha.

Ele estava magnífico, com o cabelo escuro penteado para trás, o maxilar afiado o suficiente para cortar vidro. Mas ele não olhava para a câmera. Ele olhava para a garota descendo as escadas do jato.

Éris. Minha irmã.

Ela parecia frágil, apoiando-se pesadamente no corrimão, mas seu sorriso era triunfante. Caim correu para frente, ignorando os guardas, e ofereceu o braço. Ela o aceitou, inclinando-se sobre ele como se fosse sua dona.

A legenda dizia: "O verdadeiro poder reconhece o verdadeiro poder. Bem-vinda ao lar, nosso futuro."

Um vazio frio se expandiu no meu peito. Todos estavam lá. Minha família inteira. Meu companheiro. Dando as boas-vindas à irmã que abandonou a matilha três anos atrás pela "prestigiosa" Academia Wolfsbane.

Enquanto isso, eu estava parada no altar, parecendo uma idiota.

Fechei os olhos e estendi minha mente. O elo de companheiro deveria ser um santuário privado. Agora, parecia um sinal de linha ocupada.

*Caim,* projetei. *Onde você está? A Alta Sacerdotisa está me encarando.*

O silêncio se estendeu. Então, a voz dele ecoou na minha cabeça. Irritada. Distraída.

*Agora não, Vera. A Éris acabou de pousar. Ela está exausta. O voo foi pesado para a constituição dela.*

*Hoje é a nossa cerimônia,* respondi, mantendo minha voz mental firme. *Os anciãos da matilha estão assistindo.*

*Mande-os para casa,* Caim retrucou. *Não seja egoísta, Vera. Sua irmã voltou com o dom de uma Aura de Alpha. Este é um dia histórico. A cerimônia pode esperar. É apenas uma formalidade, de qualquer maneira.*

A conexão foi cortada. Bloqueada.

Apenas uma formalidade.

Olhei para os bancos vazios. Olhei para a Alta Sacerdotisa, que fingia polir um cálice para evitar meu olhar. Ela sentia pena de mim. A Ômega que pensou que poderia ser Luna.

- A cerimônia está cancelada - eu disse. Minha voz soou plana. Morta.

- Criança - a Sacerdotisa começou -, o Alpha Caim certamente está apenas detido...

- Ele não está detido. Ele está ocupado.

Levei a mão ao ombro e soltei o broche de prata. O tecido pesado deslizou pelos meus ombros, amontoando-se no chão empoeirado - uma pilha de seda cara e sonhos quebrados.

Por baixo, eu usava um vestido preto simples. Apropriado.

- Estou indo para casa.

Saí do templo. O ar da noite estava frio, mas não ardia tanto quanto a humilhação queimando sob minha pele.

Minha loba, Vespa, se agitou. Ela havia sido suprimida por anos pelas drogas que meus pais me forçaram a tomar para me manter "dócil". Mas esta noite, ela estava andando de um lado para o outro.

*Ele não é digno,* Vespa rosnou, sua voz como pedras sendo moídas. *Nós não imploramos.*

*Não,* concordei. *Nós não imploramos.*

Dirigi de volta para a Casa da Matilha. Geralmente silenciosa, esta noite estava resplandecente de luzes. O som grave da música batia através das paredes.

Entrei pela porta da frente. O grande saguão era um pesadelo de balões e glitter dourado: "BEM-VINDA AO LAR, ÉRIS".

Garçons circulavam com champanhe. A elite da matilha ria, bebia, celebrava.

Ninguém me notou. Eu era a filha invisível. A substituta.

Fui em direção às escadas.

- Vera!

Dante.

Meu irmão estava com o rosto corado, taça de vinho na mão. Ele me olhou com uma mistura de aborrecimento e comando.

- Onde você estava? - ele exigiu. - A mãe estava te procurando. A equipe da cozinha está sobrecarregada.

- Eu estava no templo - disse calmamente.

Dante revirou os olhos.

- Ainda com isso? Olha, a Éris está com fome. Ela quer o rocambole de carne favorito dela. Aquele que você faz. Vá para a cozinha. Precisamos que esteja pronto em uma hora.

Ele não pediu. Ele ordenou. Para ele, eu não era sua irmã. Eu era uma serva glorificada que compartilhava seu sangue.

- Estou cansada, Dante.

A expressão dele escureceu.

- Não comece com atitudes. A Éris é frágil. Ela precisa de proteína para manter sua nova Aura de Alpha. Você quer que ela fique doente? Você é tão invejosa assim?

Invejosa.

Olhei através da sala. Caim estava rindo de algo que Éris sussurrava, a mão dele descansando na curva das costas dela. O meu lugar.

Ele nem sequer tinha me procurado.

- Tudo bem - eu disse. - Vou para a cozinha.

Dante assentiu, satisfeito.

- Ótimo. E se lave antes. Você cheira a... poeira.

Subi as escadas, mas não para me lavar. Fui para o meu banheiro.

Na pia, havia um sabonete. Um presente de Éris, enviado há uma semana. "Lavanda e Mel", dizia o bilhete. "Sei que você adora aromas baratos."

Peguei o sabonete. Minha pele formigou dolorosamente.

Usei uma vez e minha pele teve uma erupção tão severa que não consegui me transformar por dois dias. Pensei que fosse alergia.

Mas agora, com Vespa acordada, senti a verdade sob a lavanda.

Acônito. Quantidades vestigiais. Apenas o suficiente para enfraquecer um lobo ao longo do tempo. Apenas o suficiente para manter uma Ômega com aparência doente.

Éris não tinha apenas me ignorado. Ela estava me envenenando.

Olhei para o espelho. A garota que me encarava estava pálida, mas seus olhos... manchas douradas estavam devorando o castanho opaco.

*Eles acham que somos fracas,* Vespa sussurrou. *Mostre a eles.*

Joguei o sabonete no lixo.

Caminhei até minha escrivaninha, abri meu diário de couro e peguei uma caneta.

Na página marcada com a data de hoje, escrevi uma única linha.

"Cerimônia de Acasalamento: Companheiro ausente."

Era um obituário para o meu amor.

Olhei pela janela em direção ao norte. Muito além dos gramados bem cuidados e dos jogos políticos, ficava o Posto Avançado do Norte.

Gelo e sangue. Um lugar onde passei minha infância exilada porque meus pais não podiam se dar ao luxo de alimentar uma Ômega "inútil" durante os anos de fome.

Eles pensavam que eu descascava batatas lá. Eles não sabiam o que eu realmente fazia na neve.

Fechei o diário. Que se dane o rocambole.

Eu ia fazer as malas.

Capítulo 2

Teatro no Jantar

Ponto de Vista da Vera:

A sala de jantar era sufocante.

Lustres de cristal lançavam um brilho quente, mas a atmosfera era mais fria que uma sepultura de inverno.

Eu ainda não tinha feito as malas. Precisava sobreviver a este jantar primeiro. Se tentasse sair agora, no meio da celebração, Dante me impediria fisicamente. Ele era um Beta, mais forte que minha forma humana, e adorava uma cena.

Então eu me sentei.

Sentei-me na ponta da mesa, o lugar reservado para crianças ou parentes em desgraça.

Éris sentou-se na cabeceira, à direita do meu pai. Caim sentou-se ao lado dela.

- Os Anciãos da Academia ficaram atônitos - dizia Éris, com a voz espessa como xarope. - Disseram que não viam uma Aura de Alpha tão potente em uma fêmea há três gerações.

- Incrível - meu pai suspirou, olhando para ela como se fosse um bilhete de loteria premiado. - Uma fêmea Alpha na linhagem Darkthorne. Isso muda tudo para nossa posição no Conselho.

- Foi difícil - Éris suspirou, encostando-se no ombro de Caim. - A transformação... o poder... cobra um preço do meu corpo. É por isso que estou tão frágil.

- Você é uma guerreira, meu amor - murmurou Caim. Ele cortou um pedaço de carne e deu na boca dela.

Meu estômago revirou.

"Meu amor." Ele nunca tinha me chamado assim.

- Ah, Vera! - Éris de repente olhou para mim, os olhos se arregalando em falsa surpresa. - Não vi você aí. Você é tão... quieta. Como um ratinho.

A mesa ficou em silêncio.

- Bem-vinda ao lar, Éris - eu disse firmemente. Cortei o bife malpassado no meu prato. O sangue se acumulou na porcelana branca.

- Como foi sua pequena cerimônia? - Éris inclinou a cabeça. - Caim estava tão preocupado comigo, ele simplesmente não conseguiu se afastar. Você não está brava, está?

Ela liberou um cheiro então. Deveria ser um comando Alpha, uma onda de dominância.

Mas para mim, cheirava a borracha queimada e perfume barato. Químico. Artificial.

- Claro que não - eu disse, sem levantar os olhos. - Por que eu estaria brava? Caim deixou suas prioridades muito claras.

Minha mãe interveio, com a voz estridente.

- Vera é uma garota sensata. Ela sabe que a família vem em primeiro lugar. E a Éris é o futuro desta família.

- Exatamente - Dante grunhiu, enchendo a boca de pão. - Vera fica feliz em servir. Não fica, V?

Olhei para Dante. Depois para Caim.

Caim estava franzindo a testa, me observando. Normalmente, quando Éris exercia dominância, eu me encolhia. Esta noite, eu o encarava de volta.

- Não estou com raiva - repeti. - Estou esclarecida.

- Esclarecida? - Caim perguntou. - O que isso significa?

- Significa que entendo minha posição. E a sua.

Um arrepio pareceu passar por Caim. Ele esfregou os braços.

- Bem, que bom - minha mãe bateu palmas nervosamente. Ela pegou um pedaço de rocambole - o tijolo seco e cozido demais que a equipe fez - e jogou no meu prato.

- Coma, Vera. Você parece magra. Não podemos deixar as pessoas pensarem que não te alimentamos.

Uma sobra para o cachorro.

Encarei a carne.

De repente, Éris engasgou.

As mãos voaram para a garganta. O rosto ficando violentamente roxo.

- Eu... eu não consigo... - ela sufocou.

- Éris! - Caim pulou, a cadeira fazendo barulho. - O que foi?

- O ar... - Éris chiou, apontando um dedo trêmulo para mim. - O cheiro dela... está... está me atacando!

- O quê? - Dante rugiu, batendo o punho na mesa.

- Queima! - Éris gritou, jogando-se nos braços de Caim. - Ela está fazendo algo! O fedor de Ômega dela... está reagindo com minha Aura de Alpha!

Mentira. Ômegas são calmantes. Neutros. Não temos cheiros ofensivos.

Mas a lógica não importava aqui. Apenas Éris importava.

- Vera! - Meu pai se levantou, o rosto vermelho. - Pare com isso! O que quer que esteja fazendo, pare agora!

- Não estou fazendo nada - eu disse calmamente, largando a faca.

- Ela está ficando azul! - minha mãe gritou. - Chamem o médico! Peguem os supressores!

O caos explodiu. Servos corriam. Dante gritava ordens. Caim pegou Éris no colo, olhando para ela com uma devoção aterrorizada.

Enquanto passava correndo por mim em direção à ala médica, Caim me lançou um olhar de puro veneno.

- Se algo acontecer com ela - ele rosnou -, farei você se arrepender de ter nascido.

Eles correram para fora. A sala de jantar estava vazia novamente.

Sentei-me sozinha entre a comida pela metade e as taças de vinho viradas.

*Isso não foi uma reação a você,* disse Vespa, com tom seco. *Isso foi um efeito colateral. Ela teve uma overdose.*

*Overdose de quê?*

*Esteroides,* respondeu Vespa. *Hormônios sintéticos. Ela não é uma Alpha, Vera. Ela nem consegue se transformar. Ela está se dopando para imitar os feromônios. E agora, o corpo dela está rejeitando o veneno.*

Olhei para a cadeira vazia onde a "Fêmea Alpha" havia se sentado.

Era tudo uma mentira. O poder dela, a aura, a fragilidade. Uma performance.

E meu companheiro tinha caído na encenação, completamente.

Levantei-me. Não limpei a mesa.

Fui em direção às escadas. Eu tinha malas para fazer. E desta vez, ninguém ia me impedir.

Capítulo 3

A Colheita

Ponto de Vista da Vera:

Eu estava na metade da escada quando ouvi o estalo.

Não foi físico, mas o som da voz da minha mãe vindo do corredor pareceu um golpe.

- Você a envenenou!

Virei-me. Minha mãe estava no pé da escada, o peito arfando.

- Eu não fiz tal coisa.

- Não minta para mim! - Ela correu para cima, o rosto contorcido. Plaft.

Minha cabeça virou para o lado. A ardência foi aguda, quente.

- A Éris está coberta de urticária! - minha mãe gritou. - O médico diz que é uma reação alérgica a um contaminante estranho. Você colocou algo na comida dela! Você estava com inveja!

Toquei minha bochecha latejante.

- Eu não fiz a comida, mãe. A equipe da cozinha fez. Pergunte a eles.

- Você estava na cozinha! - Dante apareceu atrás dela. - Eu te mandei ir para lá. Você deve ter colocado algo.

- Eu nunca fui para a cozinha. Fui para o meu quarto.

- Mentirosa! - Dante cuspiu. - Você sempre teve inveja. Foi por isso que te mandamos para o Norte. Para protegê-la da sua energia tóxica.

Congelei.

Era essa a história que eles contavam a si mesmos? Que enviaram uma criança de doze anos para um deserto congelado para *proteger* a filha de ouro?

Lembrei-me do Norte. O vento cortante. Os lobos Renegados se jogando contra as cercas do posto avançado. Lembrei-me de pegar uma adaga banhada em prata aos quatorze anos porque o perímetro foi violado e eu era a única coisa entre o refeitório e um massacre.

Eu tinha matado três Renegados naquela noite. Eu não tinha descascado batatas. Eu sobrevivi.

- Pensem o que quiserem.

Virei as costas e entrei no meu quarto, trancando a porta.

Eles esmurraram a porta por um minuto, gritando ameaças, mas um grito vindo da ala médica os afastou.

Movi-me rapidamente.

Não peguei os vestidos de seda nem as joias.

Estiquei o braço para debaixo da cama e puxei a mochila tática preta. Dentro estava meu equipamento do Posto Avançado.

Traje de combate forrado com Kevlar. Adagas com fio de prata. Um kit de primeiros socorros adaptado para envenenamento por acônito. E um celular descartável.

Troquei meu vestido de funeral por calças cargo e coturnos. Pareciam uma segunda pele.

Peguei o celular descartável. Tecnologia antiga, irrastreável.

Disquei um número que não usava há seis meses.

- Linha segura - uma voz rouca atendeu. - Identifique-se.

- Designação V. Solicitando reativação.

Pausa. Então, a voz suavizou.

- Comandante V? Pensamos que você tinha se aposentado para brincar de casinha.

- A casa pegou fogo - eu disse. - Estou voltando para casa, Rike.

- O portão está sempre aberto. Temos um aumento de Renegados no Setor 4. Poderíamos usar sua lâmina.

- ETA dez horas.

Joguei a bolsa no ombro.

De repente, um Elo Mental forçou sua entrada na minha cabeça. Caim. Um rugido de agressão.

*Se ela morrer, Vera, eu mesmo mato você. Você é minha companheira, mas eu vou te rejeitar. Vou fazer de você uma Renegada.*

Meu coração nem sequer palpitou. O elo parecia uma corda podre.

*Poupe seu fôlego, Caim.* Não enviei a resposta.

Destranquei minha porta. O corredor estava vazio.

Caminhei silenciosamente pelo corredor. Ao passar pelo quarto dos meus pais, a porta estava entreaberta. Vozes sussurradas.

Parei.

- ...o médico diz que a contagem de sangue dela está instável - meu pai sussurrava. - Os reforços sintéticos estão destruindo a medula dela. Ela precisa de uma transfusão. Doador compatível.

- Use a Vera - disse minha mãe. A voz dela era calma. Assustadoramente prática. - Ela é uma Ômega, se recupera rápido. Podemos mantê-la aqui. Drenar o que precisarmos semanalmente.

- E o noivado? - meu pai perguntou. - Caim está furioso.

- Deixe ele romper - minha mãe sibilou. - Nós peticionamos ao Conselho. Dizemos que Vera é instável. Inapta. Propomos uma nova união. Caim e Éris.

- Mas eles não são companheiros.

- Quem se importa? Éris é uma fêmea Alpha! Pense no poder! Vera pode ficar... ela pode ser a dama de companhia da Éris. Cuidar dos filhotes deles. Dizemos ao público que Vera está doente, que precisa ficar em casa para tratamento. Isso cobre as coletas de sangue.

Fiquei nas sombras, apertando a alça da minha bolsa até meus nós dos dedos ficarem brancos.

Eles não estavam apenas me negligenciando. Eles estavam planejando me colher. Me transformar em gado.

- Você tem razão - meu pai suspirou. - É para o bem da matilha. Vera é... substituível.

Substituível.

Algo dentro de mim se partiu. Não um osso, mas uma corrente.

Empurrei a porta.

Meus pais pularam. Os olhos da minha mãe se arregalaram ao ver meu equipamento de combate.

- Vera? - ela gaguejou. - O que você está vestindo?

- Eu ouvi vocês - eu disse, voz baixa, vibrando com um rosnado.

- Vera, escute - meu pai deu um passo à frente, postura de Alpha. - Estamos sob estresse...

- Vocês querem meu sangue? Querem que eu crie os filhotes dela?

- É seu dever! - minha mãe gritou, mudando para a raiva. - Sua irmã está doente!

- Ela não está doente. Ela está em abstinência de drogas - eu disse friamente.

Meu pai empalideceu.

- O que você disse?

- Verifique o sangue dela para sintéticos. Se você fosse um Alpha de verdade, teria sentido o cheiro.

Virei-me.

- Aonde você vai? - minha mãe gritou. - Você não pode ir embora! Você está de castigo!

- Não sou uma criança. E não sou sua.

Caminhei em direção às escadas.

- Vera! - meu pai berrou, usando seu Comando Alpha. - PARE!

O comando me atingiu como uma parede física. Meus músculos travaram. Minha loba choramingou.

Mas eu não era apenas um membro da matilha. Eu era uma guerreira do Norte. No Norte, a dor é apenas informação.

Cerrei os dentes. Forcei minha perna a se mover. Depois a outra.

Estilhacei o comando.

Meu pai engasgou. Uma Ômega quebrando um Comando Alpha? Impossível.

Não olhei para trás.

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