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O Silêncio da Dor, o Grito da Verdade

O Silêncio da Dor, o Grito da Verdade

Autor:: Ying Ju
Gênero: Moderno
No terceiro aniversário do meu filho Lucas, ele morreu. No meu colo, o seu corpo ficou gradualmente frio. Eu pedia ajuda ao meu marido, Pedro, mas ele não atendeu. Ele estava numa festa, celebrando a filha do chefe, a rir e cantar. Quando finalmente o contactei, a sua voz foi de irritação e desdém. "Não me incomodes com coisas sem importância," disse ele, enquanto Lucas vomitava e tremia. "Dá-lhe um remédio para a febre. Crianças ficam doentes o tempo todo." Ele escolheu a sua carreira, a festa, a filha do chefe em vez do filho que morria. Ninguém quis vir. Ninguém se importou. Apenas eu e o Lucas. No hospital, disseram-nos que se tivéssemos chegado uma hora mais cedo, ele podia ter sobrevivido. Uma hora. O tempo que Pedro dedicou à sua irresponsabilidade, não ao nosso filho. Quando ele finalmente apareceu, cheirava a champanhe, mais preocupado com a minha presença no chão do que com o nosso tragédia. A dor dele era uma farsa. A minha decisão foi imediata: "Vamos divorciar-nos." Ele e a sua mãe, a minha sogra, tentaram esmagar-me com acusações e mentiras, pintando-me como a mãe fria e culpada. Pedro ofereceu dinheiro, silêncio, tentou esconder a sua monstruosidade. Mas eu não tinha mais nada a perder. Eu não iria mais calar-me. A sua colega de trabalho, Ana, sabia a verdade. E essa verdade estava prestes a destruir tudo o que ele prezava. Porque, desta vez, eu não me curvaria.

Introdução

No terceiro aniversário do meu filho Lucas, ele morreu.

No meu colo, o seu corpo ficou gradualmente frio.

Eu pedia ajuda ao meu marido, Pedro, mas ele não atendeu.

Ele estava numa festa, celebrando a filha do chefe, a rir e cantar.

Quando finalmente o contactei, a sua voz foi de irritação e desdém.

"Não me incomodes com coisas sem importância," disse ele, enquanto Lucas vomitava e tremia.

"Dá-lhe um remédio para a febre. Crianças ficam doentes o tempo todo."

Ele escolheu a sua carreira, a festa, a filha do chefe em vez do filho que morria.

Ninguém quis vir. Ninguém se importou. Apenas eu e o Lucas.

No hospital, disseram-nos que se tivéssemos chegado uma hora mais cedo, ele podia ter sobrevivido.

Uma hora. O tempo que Pedro dedicou à sua irresponsabilidade, não ao nosso filho.

Quando ele finalmente apareceu, cheirava a champanhe, mais preocupado com a minha presença no chão do que com o nosso tragédia.

A dor dele era uma farsa. A minha decisão foi imediata: "Vamos divorciar-nos."

Ele e a sua mãe, a minha sogra, tentaram esmagar-me com acusações e mentiras, pintando-me como a mãe fria e culpada.

Pedro ofereceu dinheiro, silêncio, tentou esconder a sua monstruosidade.

Mas eu não tinha mais nada a perder.

Eu não iria mais calar-me.

A sua colega de trabalho, Ana, sabia a verdade. E essa verdade estava prestes a destruir tudo o que ele prezava.

Porque, desta vez, eu não me curvaria.

Capítulo 1

O meu filho, Lucas, morreu no seu terceiro aniversário.

Ele morreu nos meus braços, o seu pequeno corpo a arrefecer gradualmente.

Naquele dia, o meu marido, Pedro, estava a celebrar o aniversário da filha do seu chefe, que por acaso era no mesmo dia que o do nosso filho.

Eu liguei-lhe inúmeras vezes, mas ele nunca atendeu.

Quando finalmente consegui falar com ele, a sua voz estava cheia de irritação.

"O que foi? Não te disse que estou ocupado? A filha do Sr. Almeida está a fazer anos, é uma grande festa. Não me incomodes com coisas sem importância."

A minha voz tremia, mas forcei-me a manter a calma.

"Pedro, o Lucas está muito doente. Ele está com febre alta e não para de vomitar. Por favor, vem para casa, precisamos de o levar ao hospital."

Do outro lado da linha, ouvi a música alta da festa e o riso da filha do seu chefe.

"Não sejas dramática, Sofia. Dá-lhe um remédio para a febre. Crianças ficam doentes o tempo todo. Não posso simplesmente sair daqui, é importante para a minha carreira."

Depois, ouvi a voz do seu chefe ao fundo.

"Pedro, a minha filha quer que lhe cantes os parabéns com ela."

"Já vou, Sr. Almeida!", respondeu o Pedro, a sua voz subitamente cheia de entusiasmo.

Depois, virou-se para o telefone.

"Olha, tenho de ir. Resolve isso sozinha. És a mãe dele, afinal de contas."

Ele desligou.

Olhei para o Lucas, o seu rosto estava pálido e os seus lábios azuis. O seu corpo tremia incontrolavelmente.

Não esperei mais. Chamei um táxi e corri para o hospital.

Mas era tarde demais.

O médico disse que foi uma meningite fulminante. Cada segundo contava.

Se tivéssemos chegado uma hora mais cedo, talvez ele tivesse sobrevivido.

Uma hora.

O tempo que passei a tentar ligar ao Pedro.

Sentei-me no chão frio do corredor do hospital, segurando o corpo sem vida do meu filho.

O mundo ficou em silêncio.

Quando o Pedro finalmente apareceu no hospital, horas depois, o seu cabelo estava um pouco despenteado e ele cheirava a champanhe.

Ele viu-me e franziu o sobrolho.

"O que aconteceu? Porque é que estás no chão? Onde está o Lucas?"

Eu não respondi. Apenas olhei para ele, sentindo um vazio absoluto.

Ele olhou para o pequeno corpo coberto por um lençol branco nos meus braços. O seu rosto ficou pálido.

"Não... não pode ser."

Eu levantei-me lentamente, o meu corpo rígido de dor.

"Vamos divorciar-nos, Pedro."

A minha voz soou estranha, como se pertencesse a outra pessoa.

Ele olhou para mim, chocado. A sua dor pareceu transformar-se em raiva.

"Divorciar-te? Agora? O nosso filho acabou de... e tu estás a falar em divórcio? Que tipo de mãe és tu?"

A sua acusação não me atingiu. Nada me podia atingir mais.

"Tu não estavas lá", disse eu, simplesmente. "Eu liguei. Ele precisava de ti. E tu estavas a cantar os parabéns a outra criança."

Cada palavra era uma pedra que eu atirava.

"Isso não é justo! Eu não sabia que era tão grave! Eu estava a trabalhar pelo nosso futuro! Pelo futuro dele!"

O futuro dele.

O futuro dele estava ali, debaixo daquele lençol branco.

Não havia mais nada a dizer. A minha decisão estava tomada.

O amor que eu sentia por ele morreu juntamente com o meu filho.

Capítulo 2

No dia seguinte, comecei a arrumar as coisas do Lucas.

Cada pequeno brinquedo, cada peça de roupa, era uma memória dolorosa.

A minha sogra, a mãe do Pedro, entrou no quarto sem bater.

Ela olhou para as caixas com desdém.

"O que estás a fazer? A livrar-te das coisas dele tão depressa? Nem sequer o enterraste e já estás a tentar apagar a sua memória."

Eu continuei a dobrar uma pequena camisola azul.

"Estou a arrumar as minhas coisas. Vou-me embora."

Ela riu-se, um som áspero e desagradável.

"Ir embora? Não sejas ridícula. O Pedro está de coração partido. Ele precisa do teu apoio agora."

De coração partido? Ele não estava lá quando o coração do nosso filho parou de bater.

"Ele não precisa de mim. Ele tem a sua carreira e a filha do seu chefe para se preocupar."

A minha sogra aproximou-se, o seu rosto contorcido de raiva.

"Como te atreves a falar assim? Tu não entendes os sacrifícios que um homem tem de fazer. O Pedro estava a construir uma vida para vocês! E tu? O que fizeste? Provavelmente nem cuidaste do rapaz como devias! Se fosses uma mãe melhor, talvez ele ainda estivesse vivo!"

As suas palavras eram veneno.

Eu parei o que estava a fazer e olhei-a nos olhos.

"Eu era uma boa mãe. Eu estava lá. Onde estava o seu filho?"

Ela levantou a mão para me bater, mas eu segurei-lhe o pulso. A minha força surpreendeu-a e a mim também.

"Nunca mais me toques", disse eu, com uma voz fria que não reconheci como minha. "Sai da minha casa."

"Esta é a casa do meu filho!", gritou ela.

"Não por muito mais tempo."

Ela saiu a praguejar, dizendo que eu era uma esposa ingrata e sem coração.

Eu não me importei. As suas palavras não significavam nada.

Nesse mesmo dia, o Pedro chegou a casa com um advogado.

O seu nome era Sr. Guimarães, um homem de fato caro e sorriso falso.

"Sofia", começou o Pedro, evitando o meu olhar. "Eu não quero o divórcio. Acho que estamos ambos a agir por impulso, por causa da dor."

O Sr. Guimarães interveio.

"A minha cliente entende que este é um momento de grande sofrimento. No entanto, o meu cliente, o Sr. Alves, acredita que uma decisão tão drástica como o divórcio seria um erro."

Eu olhei para os dois, sentada no sofá rodeada de caixas.

"A minha decisão não é por impulso. É final."

O Pedro finalmente olhou para mim, os seus olhos suplicantes.

"Sofia, por favor. Eu amo-te. Eu amava o Lucas. Eu cometi um erro terrível, eu sei. Mas podemos superar isto juntos."

"Não há 'nós' para superar isto. Eu vou superar isto sozinha. Tu vais ter de viver com o teu erro sozinho."

O sorriso do Sr. Guimarães vacilou.

"Sra. Alves, talvez devêssemos discutir os termos. O Pedro está disposto a ser muito generoso."

"Eu não quero a generosidade dele. Eu quero o divórcio."

O Pedro levantou-se, a sua frustração a aumentar.

"O que queres, então? Vingança? Queres castigar-me para o resto da vida?"

"Eu não quero nada de ti, Pedro. Eu só quero que desapareças da minha vida."

A minha calma parecia enfurecê-lo mais do que qualquer grito.

Ele e o advogado saíram. Eu sabia que esta seria uma luta feia.

Mas eu estava pronta. Eu já tinha perdido tudo o que importava. Não tinha mais nada a perder.

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