Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Romance > O TIO DO MEU MARIDO: AMOR OU PODER?
O TIO DO MEU MARIDO: AMOR OU PODER?

O TIO DO MEU MARIDO: AMOR OU PODER?

Autor:: C.R.SANTOS
Gênero: Romance
Evelyn sempre lutou sozinha. Órfã e estudante, ela trabalha em uma lanchonete para pagar os estudos e o aluguel de um quarto minúsculo. Sua única alegria vem de Donovan, o entregador misterioso que, com um sorriso, ilumina até os dias mais difíceis. O amor entre eles cresce rápido, levando a um casamento simples, mas cheio de promessas. Porém, Donovan escondia um segredo. Seu sobrenome, Ashbourne, pertence a uma das famílias mais ricas e influentes da Inglaterra. Quando um acidente trágico tira sua vida, Evelyn descobre que nunca soube toda a verdade. Dentro do capacete dele, uma foto e um número de telefone a levam até Lorde Reginald Ashbourne, o tio de Donovan-um homem poderoso, ambicioso e perigoso. Agora, grávida e viúva, Evelyn é arrastada para um mundo onde o dinheiro dita as regras e os segredos valem mais que a verdade. Como viúva de Donovan, ela carrega o herdeiro que pode mudar o destino da família. E Reginald? Ele quer protegê-la ou apenas garantir seu próprio caminho até a presidência da empresa? Entre promessas, mentiras e desejos proibidos, Evelyn precisará escolher em quem confiar. Pois naquele mundo, a lealdade pode ser uma armadilha... e o amor, sua maior fraqueza.

Capítulo 1 UM CAFÉ PARA O FUTURO

"O FUTURO ÀS VEZES CHEGA DISFARÇADO: DE CAFÉ OU DE SORRISO"

C.R.SANTOS

Evelyn acordou com a chuva forte batendo na janela do pequeno quarto que alugava no subúrbio de Bell Buckle, no Tennessee. Olhou as horas no pequeno relógio da mesa de cabeceira e percebeu que ainda faltava meia hora para se levantar, mas já não conseguia mais dormir. Levantou-se e foi tomar um banho.

Uma hora depois, estava dentro do trem a caminho do Daisy's, uma charmosa lanchonete com estilo anos oitenta, onde trabalhava. Olhando pela janela, avistou uma mulher com duas crianças caminhando pela calçada. O grande guarda-chuva protegia os três. A menina mais nova carregava uma mochila rosa nas costas, o objeto parecia maior que ela, deixando-a um pouco curvada para frente. Órfã de pai e mãe, Evelyn nunca conheceu aquela sensação de proteção que toda mãe deveria ter por seus filhos.

Ao saltar na estação, ergueu a gola do casaco e correu até a porta. Sob o grande toldo que cobria a frente da lanchonete, um jovem alto, de cabelos escuros penteados para trás, observava a chuva com um semblante pensativo. Ao lado dele, uma motocicleta. Evelyn simpatizou com ele imediatamente. Sorriu e falou:

- Quer entrar e tomar um café enquanto espera a chuva passar?

Ele riu, exibindo o sorriso mais bonito que ela já tinha visto.

- Hoje não. Não vim preparado - respondeu, com um sotaque inglês que surpreendeu Evelyn.

- Pode entrar, é por conta da casa.

- Vou aceitar, então - disse ele, agora com um sorriso mais alegre.

Foi assim que nasceu uma amizade. Durante a conversa, Evelyn contou que trabalhava na lanchonete para pagar a faculdade comunitária e o aluguel de um quarto no subúrbio. Apesar das dificuldades, mantinha seus sonhos vivos e acreditava que a educação seria a chave para uma vida melhor. O trabalho, embora cansativo, ajudava a sustentá-la enquanto equilibrava a rotina puxada de estudos e trabalho.

Ele, por sua vez, apresentou-se como Donovan Alistair Ashbourne. Evelyn se surpreendeu ao ouvir aquele sobrenome, sempre presente nas grandes revistas de negócios. Ele pertencia a uma das famílias mais ricas e influentes da Inglaterra? Mas como alguém com um passado tão humilde poderia estar ligado a pessoas tão poderosas?

Donovan explicou sua história de forma tranquila, sem alarde. Revelou que, quando foi abandonado em um orfanato, não tinha nome nem sobrenome. A funcionária que o encontrou havia trabalhado para a família Ashbourne e, ao ver sua saúde frágil, decidiu lhe dar o nome do antigo patrão, um aristocrata que havia falecido já em idade avançada. Para ela, era improvável que o bebê sobrevivesse, mas, caso o pior acontecesse, ao menos teria um nome digno gravado em sua lápide.

Evelyn, tocada pela sinceridade de Donovan, acreditou em sua versão da história. Como ela, ele também era órfão e lutava para sobreviver. Trabalhava como entregador e dividia um apartamento simples com amigos. Inicialmente, tornaram-se apenas amigos, compartilhando suas experiências e desafios cotidianos. Com o tempo, o vínculo cresceu e, após alguns meses, começaram um relacionamento sério. Casaram-se em uma cerimônia simples, sem grandes festividades, mas felizes por estarem juntos.

Com seus salários modestos, conseguiram alugar uma pequena casa em um bairro tranquilo. Apesar das dificuldades financeiras, tentavam construir uma vida juntos. A rotina era exaustiva, ambos trabalhavam muito e ganhavam pouco, mas faziam o possível para equilibrar os estudos de Evelyn e os empregos de ambos.

A vida seguia com altos e baixos típicos de um casal jovem em busca de seus sonhos. No entanto, em um domingo aparentemente comum, algo estranho aconteceu, abalando as certezas de Evelyn.

Naquele dia, Donovan assistia à TV. Ele escolheu um canal russo, e Evelyn, na cozinha preparando o almoço, ficou curiosa. Não entendia nada do que era dito, apenas ouvia vozes abafadas em uma língua estrangeira. Tudo parecia normal até que ouviu Donovan rindo. O som chamou sua atenção e, para sua surpresa, ele começou a falar em russo, repetindo algumas frases do programa. Sua risada parecia natural, como se realmente compreendesse o que estava sendo dito. Evelyn se aproximou, confusa.

- Donovan, você fala russo? - perguntou, surpresa.

Ele tentou manter a calma e respondeu com um sorriso nervoso:

- Não, só repeti o que ouvi. Não entendo nada do que eles estão dizendo.

No entanto, Evelyn percebeu algo estranho. Seu olhar evitou o dela por um instante e seu sorriso pareceu forçado. Ele insistiu que era apenas uma brincadeira, que estava se divertindo com a sonoridade da língua. Mas a mente de Evelyn começou a questionar a sinceridade da situação. Talvez fosse apenas uma coincidência, mas algo dentro dela dizia que havia mais por trás daquela risada.

Nos dias seguintes, Evelyn tentou ignorar o episódio, mas a dúvida crescia. Em silêncio, passou a observar Donovan com mais atenção. Será que ele tinha algo a esconder? Será que o homem com quem se casou tinha um segredo ainda não revelado? As perguntas pairavam no ar, mas ela não sabia como abordá-lo. A verdade era que o amava profundamente e entendia que nem sempre era possível esconder os fantasmas no armário.

Certa noite, ao chegar em casa, Evelyn se surpreendeu ao encontrar uma bela mesa de jantar montada, com flores e um aroma delicioso no ar.

- Donovan, que lindo! - falou, emocionada. - Onde conseguiu tudo isso?

Ele sorriu, aproximou-se e beijou seus lábios. - Madame? - disse, carregando ainda mais o sotaque inglês, arrancando uma gostosa gargalhada dela e fazendo-a esquecer o trabalho na lanchonete e as aulas cansativas.

- Hoje faz sete meses que nos casamos, e eu estou muito feliz por ter você ao meu lado. Apesar de todas as dificuldades, das lutas diárias, estou feliz e te amo muito.

Ela se emocionou, os olhos se encheram de lágrimas. Puxou o rosto dele e o beijou longamente. Donovan a ergueu da cadeira, pegou-a no colo e a levou para o quarto. Aquela noite de amor foi sublime para os dois. Mais tarde, abraçados e felizes, adormeceram, sem pensar, por um momento sequer, nas tristezas do passado.

01

Capítulo 2 O DOCE E O AMARGO DA VIDA

Eram quase oito e meia da manhã quando Donavan despertou. O calor do corpo de Evelyn ainda envolvia seus sentidos, e a lembrança da noite maravilhosa de amor o fez sorrir. Há muito tempo não sentia aquela mistura de liberdade e autonomia. Com cuidado para não acordá-la, saiu da cama, calçou os chinelos e vestiu o roupão. Antes de sair do quarto, ficou ali, parado, admirando-a. Evelyn dormia tranquilamente, sua respiração suave, os fios de cabelo espalhados pelo travesseiro. Uma pontada no estômago o atingiu.

O peso do passado sempre voltava, e ele se condenava por não ter contado toda a verdade a ela.

- Espero que um dia você me perdoe, minha Evelyn... Queria ter te conhecido antes das decisões que tomei - sussurrou, sua voz carregada de arrependimento.

Seguiu para a cozinha, sentindo falta dos cafés da manhã londrinos. Por mais que quisesse esquecer sua vida passada, certos hábitos eram difíceis de abandonar.

Enquanto preparava o café, Evelyn acordou ao escutar o leve barulho vindo da cozinha. Espreguiçou-se, ainda envolta na preguiça da manhã, e um sorriso surgiu em seus lábios ao sentir o aroma delicioso de café recém-passado e pão assando. A porta do quarto se abriu lentamente, e lá estava Donavan, com uma bandeja nas mãos. Vestia o uniforme do trabalho, mas era seu olhar - aquele olhar cheio de ternura - que aquecia seu coração.

- Bom dia, meu amor - disse ele, com um sorriso que ela conhecia tão bem.

Evelyn se ergueu um pouco na cama, os olhos brilhando. Donavan se aproximou, colocando a bandeja ao lado dela. Na xícara simples, um café fumegante, frutas frescas e fatias de pão dourado com manteiga derretendo.

- Você fez tudo isso para mim? - perguntou, emocionada.

- Não podia deixar você acordar sem um bom café da manhã. Além do mais, queria ver esse sorriso logo cedo - disse ele, tocando suavemente seu rosto.

Ela estendeu os braços, puxando-o para perto. Um beijo demorado selou aquele momento. Depois, aconchegada contra ele, pegou um pedaço de pão e levou à boca, fechando os olhos ao sentir o sabor.

- Nossa, que delícia esse pãozinho! Foi você quem fez?

Donavan assentiu com um sorriso orgulhoso.

- Só farinha, ovo e fermento. Uma receitinha que aprendi com um dos rapazes.

Ele pegou um copo de café, bebeu um pouco e suspirou. Levantou-se devagar, relutante em quebrar a magia daquele instante.

- Preciso ir. Solano me ligou perguntando se eu queria fazer um extra agora pela manhã.

Evelyn fez um leve biquinho de desapontamento, e ele riu, tocando seu nariz de leve.

- Não fique com essa expressão, precisamos do dinheiro. Mas estarei de volta para o almoço. Nem se preocupe em cozinhar, ainda temos o jantar de ontem.

Os dois riram juntos, cúmplices de uma vida simples, mas cheia de amor.

Assim que Donavan saiu, Evelyn se enroscou novamente entre os cobertores. Sentia-se feliz, plena. Suspirando, fechou os olhos e logo o sono chegou.

O som das batidas fortes na porta ecoou pela casa, arrancando-a bruscamente do sono. O coração acelerou. Por um momento, ficou paralisada, tentando entender o que estava acontecendo. Novamente, as batidas insistiram, firmes e urgentes. Rapidamente, levantou-se e cobriu o corpo nu com o roupão de Donavan. Caminhou até a porta, olhou pelo canto da vidraça e viu o xerife John Michaels parado na soleira. Uma sensação de presságio ruim percorreu sua espinha. Com o coração martelando no peito, abriu a porta.

- Bom dia, Xerife. O que aconteceu?

O homem hesitou por um instante antes de falar, reunindo coragem.

- Bom dia, Evelyn. Desculpe te acordar dessa forma, mas o motivo é urgente. Seu marido sofreu um acidente de moto e foi levado às pressas para o hospital.

Ela levou as mãos à cabeça, sentindo uma vertigem tomar conta de seu corpo.

- Como ele está? Ele... está muito ferido? - Sua voz saiu trêmula, quase um sussurro.

- Sinto muito, Evelyn. A batida foi forte. Um rapaz bêbado dirigindo na contramão jogou a moto dele longe. Vista-se, vou te levar aoProvidence Medical Center.

Dez minutos depois, Evelyn entrou na Unidade de Terapia Intensiva. Suas pernas bambearam ao ver Donavan deitado na cama, ligado a aparelhos. Seu rosto estava irreconhecível, pálido, com cortes profundos na testa e no queixo - a pele marcada por hematomas azulados, os lábios rachados e secos. Cada respiração vinha acompanhada de um gemido mecânico da máquina que o mantinha vivo. Um tubo saía de sua boca, fixado com esparadrapo em pele ensanguentada.

Com cuidado, ela pegou a mão dele entre as suas.

- Donavan, meu amor... estou aqui. Vai ficar tudo bem.

Ele apertou fracamente sua mão. Seus lábios começaram a se mover. Evelyn se inclinou, colocando o ouvido próximo à sua boca para entender as palavras soltas que escapavam de seus lábios.

- Perdão... capacete...

- Não se preocupe com o capacete, meu amor. Compramos outro quando você sair daqui - disse ela, as lágrimas escorrendo pelo rosto.

Ele repetiu com esforço:

- Capacete... perdão...

E então, com um último respiro, sussurrou:

- Eu te amo...

Os aparelhos começaram a apitar freneticamente. O som dos alarmes foi a última coisa que Evelyn ouviu antes de ser afastada pelos médicos. Minutos se passaram - uma eternidade para ela - até que um dos médicos se aproximou. Ele não precisava dizer nada. O semblante dele já dizia tudo.

- Não... - murmurou Evelyn, levando as mãos à boca.

- Sinto muito, senhora. Os ferimentos eram graves demais, quando a moto bateu, seu marido não teve chance. O trauma craniano foi imediato. ...

A voz do médico foi ficando distante, e tudo ao seu redor se apagou.

Diante do caixão de madeira escura, Evelyn estendeu a mão trêmula. O verniz gelado sob seus dedos a fez retrair - tão diferente do calor da pele dele na manhã de ontem. As lágrimas secaram antes mesmo de nascerem. Estava entorpecida, como se sua alma tivesse se separado de seu corpo. Em menos de vinte e quatro horas, havia ido do paraíso ao inferno. Ao seu lado, Beth, sua colega de trabalho, segurava seus ombros em um gesto de apoio silencioso.

Aos poucos, os colegas de trabalho de Donavn e alguns conhecidos de Evelyn foram deixando o cemitério. Beth a conduziu para casa, preparou um chá e ficou com ela por um tempo. Antes de ir, beijou sua testa e disse:

- Tire alguns dias para descansar. Já falei com o senhor Mariva, ele concordou. Se precisar, peço reforço.

Sozinha, Evelyn ficou ali, fitando o vazio. E então, finalmente, as lágrimas começaram a rolar, seguidas por um choro desesperado, carregado de dor. Chorou até o corpo se render ao cansaço e adormeceu.

02

Capítulo 3 QUANDO A DOR SE REFAZ

O tempo passava lentamente, e Evelyn se arrastava com ele. Alguns dias depois, retornou ao trabalho, tentando esquecer sua dor. Mas a saudade rasgava seu peito a cada manhã, a cada vez que se levantava, e nas longas noites mal dormidas. Alguns fregueses a olhavam com dó, outros trocavam palavras de encorajamento. O xerife entrava todos os dias para tomar um café e perguntar como ela estava indo. "Conforme o tempo", ela respondia, agradecida, mas vazia.

Os dias seguiam, e as contas começaram a se acumular. A conta do hospital, o aluguel da casa, as dívidas... Sem seguro e sem conseguir localizar o responsável pela tragédia, tudo estava se agravando. O dono da casa onde morava exigiu que ela desocupasse o imóvel. Sem alternativas, Evelyn retornou ao antigo quarto alugado, aquele lugar onde nunca imaginara que voltaria.

Ainda fechada em sua dor, tentando lidar com a perda, algo inesperado aconteceu. Após um longo expediente na lanchonete, Evelyn desmaiou. A outra garçonete, Beth, ao encontrá-la caída no chão, a observou com preocupação. Quando Evelyn acordou, a colega a encarou por um momento antes de entregar-lhe um teste de gravidez.

- Tenho sempre um na bolsa para essas emergências - disse ela, sorrindo e piscando.

- Isso não é possível, disse Evelyn, ainda atordoada. - Deve ser só o estresse.

Mas, ao tentar se lembrar de quando foi sua última menstruação, ela percebeu que não tinha certeza. Com o coração batendo mais forte, ela foi para casa e fez o teste. O resultado foi positivo. Ela chorou desconsolada. Como poderia estar grávida, com tantas dívidas e uma vida em ruínas? Como poderia criar e educar uma criança, quando mal conseguia cuidar de si mesma?

Naquele momento, Evelyn não pôde evitar pensar em sua mãe, que, em algum ponto do passado, havia enfrentado um dilema parecido. Sua mãe, tão jovem e cheia de sonhos, escolhera a vida, embora isso significasse abandonar todos os seus próprios planos e entregá-la a um orfanato. Evelyn cresceu sem saber o peso dessa decisão, mas agora, diante de sua própria escolha, entendia o peso de tudo. Sua mãe não tivera coragem de interromper a vida que gerava dentro de si, e agora, Evelyn se via diante da mesma encruzilhada. A decisão seria difícil, talvez mais do que ela fosse capaz de suportar, mas sabia que não podia fugir dessa responsabilidade. Talvez fosse ela mesma a tomar uma decisão que mudaria tudo, assim como sua mãe fez anos antes.

Na manhã seguinte, atrasada e prestes a sair para o trabalho, uma vizinha que tinha uma moto lhe ofereceu uma carona. Porém, informou que não tinha capacete extra. Evelyn, apressada, aceitou.

- Eu tenho um capacete. Vou pegar.

Ela correu até o quarto, pegou o capacete de Donovan e o colocou na cabeça. No momento em que o fez, um desconforto estranho a atingiu, como se algo no fundo estivesse fora do lugar. Mas, com a rotina iniciando agitada, ela esqueceu desse pequeno incômodo.

No final do expediente, enquanto voltava para casa, Evelyn adormeceu. Durante o sono, teve um sonho vívido. Olhava pela janela e via Donovan caminhando pela calçada. Ele a observava, sorria e, com um gesto, apontava para sua própria cabeça. Ela não entendia o que ele dizia, mas via claramente que ele estava tentando dizer algo.

Assustada, Evelyn acordou abruptamente. Um rapaz a chamava:

- Moça, você deixou cair seu capacete!

Ela o olhou, confusa. O rapaz repetiu:

- Você deixou cair o capacete enquanto dormia.

Ela agradeceu com um sorriso tenso e, ao descer na sua parada, apressada, foi para o quarto. Uma vez lá, a memória a atingiu com força: Donovan tinha mencionado algo sobre o capacete.

Sem perder tempo, Evelyn arrancou o tecido do interior. A sensação de urgência a dominou. E, de fato, ao retirar o forro, encontrou algo: um pequeno envelope. O coração de Evelyn disparou. Ela o abriu com mãos trêmulas e encontrou uma foto de um garoto, de aproximadamente 16 anos, ou menos, com uma semelhança notável com Donovan. Ao lado do garoto, havia um rapaz mais velho e um casal, todos com uma expressão séria, vestindo roupas formais e de classe alta, com a elegância que só a nobreza inglesa possui.

No verso da foto, estava o brasão de uma família imponente, acompanhado de um número de telefone da Inglaterra. A conexão foi instantânea. A mente de Evelyn começou a girar com mil pensamentos. Ela precisava agir. Sem hesitar, pegou o celular e discou o número. O telefone tocou por alguns segundos, até que uma voz forte e séria atendeu.

- Residência dos Ashbourne, bom dia.

Ela congelou. O nome Ashbourne. O peso daquilo a paralisou. Sem dizer uma palavra, ela desligou.

Segundos depois, o celular vibrou novamente. Evelyn olhou o visor, o coração acelerado. Era o número que acabara de discar. Ficou olhando, a dúvida e a curiosidade a corroem. O que ela deveria fazer agora? Atender? Ignorar? As perguntas martelavam em sua mente.

Mas, antes que pudesse decidir, o celular silenciou.

Ela respirou aliviada, mas algo dentro dela a inquietou. Desligou o telefone e se deitou, tentando não pensar no que acabara de descobrir. Mas a semente já havia sido plantada. Agora entendia o significado do pedido de perdão dele no leito do hospital. Quem, de fato, era Donovan?

Mal sabia Evelyn que a resposta à sua pergunta não demoraria a chegar.

03

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022